A incorporação da inteligência artificial e do Big Data à saúde inaugura um novo regime de racionalidade clínica e institucional, no qual decisões passam a ser mediadas por sistemas opacos, estatísticos e potencialmente assimétricos. Este artigo examina os fundamentos éticos, jurídicos e políticos desse cenário, reinterpretando princípios clássicos da bioética à luz de desafios contemporâneos como explicabilidade algorítmica, vulnerabilidade digital, desigualdades informacionais e riscos de colonialidade tecnológica. A análise integra literatura internacional recente e investigações nacionais, propondo critérios de governança que preservem a dignidade humana, a justiça e a responsabilidade moral. Conclui-se que o futuro digital da saúde somente será legítimo se a inovação permanecer subordinada à prudência ética e ao bem comum.
O avanço das tecnologias digitais baseadas em inteligência artificial generativa tem provocado transformações significativas nos processos de ensino e aprendizagem, exigindo novas competências profissionais por parte dos docentes que atuam na educação contemporânea. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, códigos e conteúdos educacionais passaram a integrar ambientes de aprendizagem digitais, ampliando as possibilidades de produção do conhecimento, de personalização do ensino e de mediação pedagógica. Nesse cenário, a formação docente assume papel central para garantir que tais tecnologias sejam utilizadas de forma crítica, ética e pedagogicamente consistente no ambiente escolar. O presente estudo analisa as competências necessárias para a atuação docente em contextos educacionais mediados por tecnologias de inteligência artificial generativa, considerando os desafios pedagógicos, éticos e profissionais associados à incorporação dessas ferramentas no cotidiano escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica, desenvolvida por meio de revisão sistemática da literatura científica sobre inteligência artificial na educação, formação docente e inovação pedagógica. A análise evidencia que a atuação docente em ambientes mediados por inteligência artificial exige o desenvolvimento de competências relacionadas à literacia digital, à interpretação crítica de conteúdos produzidos por sistemas automatizados, à mediação pedagógica em ambientes digitais e à compreensão das implicações éticas associadas ao uso de tecnologias algorítmicas. Além disso, destaca-se a importância de programas de formação inicial e continuada que preparem os professores para integrar essas tecnologias às práticas pedagógicas de forma reflexiva e alinhada aos objetivos educacionais. Conclui-se que a incorporação da inteligência artificial generativa no contexto educacional não reduz a relevância do professor no processo educativo; ao contrário, reforça a necessidade de docentes capazes de atuar como mediadores críticos do conhecimento em ambientes digitais complexos e tecnologicamente mediados.
The internationalization of basic education has become a key strategy for expanding equitable access to educational, cultural, and professional opportunities worldwide. In the Brazilian context, this practice has historically been restricted to higher education, especially within elite institutions. However, this article examines the feasibility and impacts of expanding internationalization into primary and secondary education in Brazil, aiming to make it a driver of social justice. A qualitative methodology was adopted, based on document analysis, literature review, and the author's empirical experience in implementing internationalization programs in higher education. The proposed framework is structured around six interdependent components: teacher training, revision of political-pedagogical projects, creation of cooperation networks, implementation of exchange programs, inclusion of the local community, and the development of financing strategies. The research findings indicate that adopting intercultural pedagogical practices and aligning with the Sustainable Development Goals (SDG 4) can promote the democratization of internationalization, strengthen global competencies among children and youth, and enhance the appreciation of cultural diversity within the school environment. The conclusion is that the internationalization of primary and secondary education is not only feasible but also necessary, provided it is guided by principles of equity, pedagogical responsibility, and alignment with national and international educational policies. In this context, the school becomes a societal agent and a promoter of inclusive global citizenship.
Esse artigo buscou analisar a importância da formação docente na integração das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de ensino-aprendizagem, destacando como a capacitação profissional contribui para práticas pedagógicas mais inovadoras e significativas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, fundamentada em autores como Kenski (2021), Moran (2020) e Valente (2019), que discutem o papel do professor na era digital. As produções analisadas foram selecionadas entre 2018 e 2024 nas bases SciELO, Google Acadêmico e Biblioteca Virtual de Educação, priorizando estudos em língua portuguesa sobre o uso pedagógico das TICs. Os resultados apontaram que a formação docente voltada à integração tecnológica favorece o desenvolvimento de metodologias ativas, o protagonismo discente e o aprimoramento das práticas educativas. Constatou-se ainda que a falta de formação continuada e de infraestrutura adequada são fatores que limitam a efetividade das TICs na educação. Conclui-se que investir em formação crítica e contínua é essencial para transformar a tecnologia em ferramenta de inovação e humanização do processo educativo.
O estudo teve como foco analisar as práticas e políticas educacionais que contribuíram para a construção de uma escola inclusiva e acessível. Partiu-se do problema de pesquisa que buscou compreender de que forma as ações pedagógicas e as políticas públicas puderam favorecer a efetivação da educação inclusiva no contexto brasileiro. O objetivo geral consistiu em identificar e discutir os elementos que sustentaram a inclusão educacional, relacionando a gestão escolar, a formação docente e o uso de tecnologias assistivas às práticas pedagógicas. A pesquisa foi de natureza bibliográfica e qualitativa, realizada a partir da análise de obras publicadas entre 2019 e 2025. Foram utilizados procedimentos de leitura, fichamento e categorização temática para a sistematização das informações. Os resultados indicaram que, embora as políticas públicas tenham representado um avanço, ainda persistiram desafios quanto à infraestrutura escolar, à formação docente e à efetividade das práticas inclusivas. Constatou-se que a formação continuada e o uso de tecnologias acessíveis tiveram impacto positivo na autonomia e na aprendizagem dos estudantes. As análises permitiram concluir que a consolidação da escola inclusiva depende do compromisso coletivo entre gestão, professores e comunidade, e que o fortalecimento das ações formativas e das políticas de acessibilidade é essencial para a garantia do direito à educação.