
While contemporary technology studies and philosophy have illuminated humanity’s constitutive technicity, they often bracket questions of modern social formation and alienation. Conversely, critical theory’s modernity diagnoses have tended to treat technology primarily as instrumental reason. This essay programmatically explores the tension between postphenomenology’s relational account of technological mediation and Hartmut Rosa’s critique of modernity. Introducing friction as constitutive discontinuity in mediated world-relations, it argues that modernity’s escalatory dynamics reduce friction to obstacles to be overcome. By foregrounding the friction of mediation, the paper sketches a critique of technologically mediated world relations oriented toward rehabilitating the engaging and transformative potential of friction.
O presente dossiê, reúne um conjunto de trabalhos que examinam criticamente a justiça reprodutiva como chave analítica para compreender as múltiplas formas de desigualdade, discriminação e violência que atravessam os direitos sexuais e reprodutivos no Sul Global. A proposta nasceu do diálogo entre as trajetórias acadêmicas e ativistas das organizadoras no campo dos estudos feministas e de gênero e busca contribuir para o debate interdisciplinar que articula direito, sociologia, ciência política, antropologia e saúde pública. O conjunto de artigos aqui reunido evidencia que a justiça reprodutiva não é apenas um conceito descritivo, mas uma ferramenta analítica para desvelar as interdependências entre desigualdades de gênero, raça, classe, sexualidade e deficiência, bem como para problematizar o funcionamento das instituições jurídicas, políticas e de saúde. Ao dialogar com experiências do Sul Global e com debates transnacionais, o dossiê reforça a urgência de repensar direitos reprodutivos para além da ótica liberal e individualista, incorporando as dimensões coletivas, estruturais e históricas que condicionam as possibilidades de escolha e de cuidado.
Este artigo analisa os memoriais apresentados por Criola e Redes da Maré nas Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental 442 e 989, em trâmite no Supremo Tribunal Federal. Com o objetivo de apresentar como essas associações abordaram a perspectiva interseccional no debate sobre os direitos reprodutivos, o primeiro tópico analisa as narrativas construídas em vinte anos da judicialização do aborto no STF e o segundo examina a articulação de uma abordagem interseccional nos referidos memoriais. A metodologia compreende a revisão bibliográfica sociojurídica sobre interseccionalidade e justiça reprodutiva e a análise qualitativa do conteúdo dos memoriais e dos dados decorrentes de um mapeamento das ações de controle de constitucionalidade sobre o aborto. Como resultado, aponta-se a importância da interseccionalidade para o acesso ao aborto legal e para a superação do estado de coisas inconstitucional no sistema público de saúde.
This article introduces the concept of “esoteric economies” to analyze how sacrificial practices in Brazil and Senegal embody alternative economic logics that coexist alongside market capitalism. Through a comparative ethnographic study of Afro-Brazilian religious practices and Senegalese divinatory rituals, the authors demonstrate how these ritual systems encode and enact different logics of exchange that prioritize long-term reciprocity, mutuality, and communal welfare. In Brazil, the dual pantheon of orixás and exus represents competing economic frameworks: orixás embodying a household economy of generalized reciprocity that is coded as moral, while exus reflect the transactional logic of capitalist exchange that is coded as immoral. In Senegal, the practice of sadaa (ritual donations performed in the context of divinatory consultations) extends giving into wider social networks. Rather than viewing these practices through the conventional lens of transactional do-ut-des exchange, the authors propose that they operate through a filial logic of reciprocity rooted in an oikology of fruition. This analysis reveals how ritual economies serve not merely as reflections of broader economic systems but as interventions into them, offering practitioners flexible strategies to navigate economic precarity while maintaining valued forms of social connection.
O artigo analisa a prática de esterilização não voluntária de mulheres com deficiência mental no Brasil, à luz dos direitos sexuais e reprodutivos e do paradigma da justiça reprodutiva, considerando que, apesar de avanços legislativos, como a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD), esta ainda persiste, sustentada por argumentos capacitistas. O trabalho é dividido em três partes: i) explora os argumentos capacitistas que limitam o acesso das mulheres com deficiência aos seus direitos sexuais e reprodutivos; ii) analisa a legislação e a jurisprudência brasileira, identificando resquícios de práticas discriminatórias; e, iii) propõe a justiça reprodutiva como referencial para superar esses obstáculos. Utiliza metodologia bibliográfica e documental, defendendo a justiça reprodutiva como paradigma para a eliminação dessas práticas no Brasil. Apesar dos avanços legais, a esterilização não voluntária de mulheres com deficiência persiste no Brasil, sendo essencial adotar o paradigma da justiça reprodutiva para garantir a plena autonomia reprodutiva.