Primary health care (PHC) is crucial for achieving universal health coverage, particularly in low- and middle-income countries, where it has been linked to reducing health inequalities and providing financial protection. It is distinguished from other care levels by its essential attributes: longitudinality, first-contact care, comprehensiveness, and care coordination across the network. PHCs played a crucial role during the COVID-19 pandemic, and providing continuous care while coordinating testing and contact tracing was challenging. It is necessary to adapt its operations to ensure care. This study explores the influence of essential PHC attributes and local organizational strategies on care continuity during the pandemic. A quantitative cross-sectional study was conducted with health managers from municipalities in the state of São Paulo in a sample stratified by population size. The survey was applied in 259 municipalities, and the weighted analysis considered 553 municipalities. We evaluated indicators related to care continuity in PHC, convergence with essential PHC attributes, local strategies such as telecare, and the adaptation of PHC units (UBSs) to an exclusive COVID-19 PHC service. Statistical analyses included Pearson’s correlation and multiple linear regression. Care continuity in PHC was significantly associated with convergence of essential PHC attributes (r = 0.453, p = 0.000), PHC coverage, investment in telecare, and the transformation of UBS to care exclusively for COVID-19 patients. The regression model revealed that these variables significantly influenced care maintenance during the pandemic, and convergence of essential PHC attributes was the most relevant factor. Convergence in the essential attributes of comprehensive PHC was crucial for care continuity during the pandemic. Owing to the essential attributes of comprehensive PHC, continued strengthening of PHC is necessary to ensure the resilience of health systems, and we recommend future studies on the implementation of the essential attributes of comprehensive PHC.
Resumo Objetivou-se estimar a prevalência e identificar fatores associados à sífilis entre adolescentes homens que fazem sexo com homens (AHSH). Estudo transversal, multicêntrico que recrutou 199 AHSH entre 15 e 19 anos por meio do método respondent-driven sampling (RDS) entre dezembro de 2020 e agosto de 2022, com aplicação de questionário e utilização de testes rápidos em Fortaleza e São Paulo. As estimativas foram calculadas por meio do software STATA 17, considerando intervalo de confiança de 95% após a ponderação dos dados em cada cidade e unindo os adolescentes das duas capitais em um único banco. O modelo multivariado foi montado considerando as análises bivariadas com p < 0,20. A prevalência de sífilis foi de 10,9% (IC95%: 6,7-17,3). No modelo final, as maiores chances de infecção por sífilis foram associadas ao AHSH ter recebido dinheiro por relação sexual (RP 2,9; IC95%: 1,1-7,3), ter feito teste rápido para HIV antes do estudo (RP 2,6; IC95%: 1,0-6,7) e ter feito uso de drogas ilícitas nos últimos três meses (RP 4,4; IC95%: 1,2-15,4). Os resultados mostram uma elevada prevalência de sífilis entre AHSH, evidenciando alta vulnerabilidade ao HIV e outras IST. Reforçam a importância de elaborar e executar políticas públicas voltadas aos AHSH visando reduzir sua vulnerabilidade.
Resumo Crianças e adolescentes são a maioria das vítimas de violência sexual no Brasil, sendo necessário investir na prevenção para garantir o desenvolvimento infanto-juvenil saudável. Em 2022, o Brasil se encontrava na 25ª posição no ranqueamento da prevenção da violência sexual na infância, entre 60 países monitorados. O objetivo deste artigo é apresentar evidências sobre os efeitos de intervenções para a prevenção do abuso sexual de crianças e adolescentes em ambientes escolares. Esta revisão rápida envolveu buscas em seis bases de dados de literatura científica e identificou 14 revisões sistemáticas. Os resultados mostram uma variedade ampla de intervenções implementadas em ambientes de ensino para a prevenção de abuso sexual de crianças e adolescentes. As intervenções mostraram-se efetivas para os desfechos sobre conhecimento, habilidade, atitude, comportamento, perpetração e vitimização. A maioria dos estudos primários citados nas revisões sistemáticas é proveniente de países de alta renda, não incluindo estudos realizados no Brasil.
Resumo O objetivo foi mapear as políticas e programas de apoio ao cuidador domiciliar. Foi desenvolvida uma revisão de escopo, de acordo com as recomendações metodológicas do JBI, com busca por estudos em 13 bases de dados. Os processos de seleção, elegibilidade e extração foram realizados por duas revisoras independentemente. As buscas recuperaram 4.216 artigos, dos quais 30 foram incluídos e descreveram 35 políticas. Além disso, 44 políticas foram levantadas nos documentos oficiais de 38 registros recuperados dos sites ministeriais. Os artigos apresentaram como principais estratégias o apoio psicossocial, ações educativas e a promoção do autocuidado do cuidador, já nos documentos oficiais as estratégias mais predominantes eram as de apoio financeiro. Apesar das limitações da revisão, como não analisar as questões de efetividade das estratégias, conhecer e compreender melhor programas e políticas de apoio ao cuidador podem fortalecer o diálogo sobre a necessidade de uma política própria e forte para apoiar os cuidadores domiciliares.
Objetivo: descrever e analisar a atuação das Defensorias Públicas Estaduais brasileiras no enfrentamento à violência obstétrica, a partir da produção de materiais educativos, da oferta de canais específicos de denúncia e da presença de Núcleos Especializados de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres. Metodologia: trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter documental, realizada nos sites oficiais das Defensorias Públicas Estaduais, buscando identificar documentos de natureza institucional que tratem do enfrentamento da violência obstétrica. Resultados: verificou-se a existência desses Núcleos Especializados em 18 Defensorias Públicas e, em outras cinco, estruturas com atribuições semelhantes. Dentre as 27 unidades da federação, 11 disponibilizam cartilhas sobre violência obstétrica, concentradas nas Defensorias que possuem Núcleos Especializados, sugerindo que a presença desses núcleos contribui para a produção e a divulgação de materiais informativos sobre o tema. As lacunas temáticas dessas publicações — que raramente tratam de situações de abortamento ou de racismo institucional — revelam desafios persistentes na compreensão de dimensões estruturais da violência obstétrica e na formulação de respostas efetivas. Experiências como o Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Obstétrica no Amazonas e o Protocolo de Atuação em Casos de Violência Obstétrica do Paraná ilustram caminhos distintos e complementares de fortalecimento da escuta qualificada, da articulação intersetorial e da produção de dados. Conclusão: a atuação das Defensorias Públicas Estaduais no enfrentamento à violência obstétrica permanece em processo de construção. Os achados indicam a importância de ampliar a visibilidade institucional do tema e de fortalecer mecanismos de escuta e responsabilização do Estado frente a uma das mais persistentes formas de violação de direitos das mulheres. Recebido: 07/08/2025 | Revisado: 05/11/2025 | Aprovado: 19/12/2025