Este ensaio examina os desafios epistemológicos que o big data e a inteligência artificial colocam à pesquisa sociológica contemporânea. Partindo de evidências preliminares sobre a baixa incorporação metodológica dessas ferramentas na produção sociológica brasileira (evidenciada no levantamento do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES e nas comunicações dos congressos da ANPOCS e da SBS entre 2020 e 2025), o texto argumenta que esse fenômeno não deve ser lido como mero atraso técnico, mas como sintoma de uma crise epistêmica em curso, cujas dimensões ainda são disputadas internamente ao campo. Para interpretar esse processo, articula-se o conceito bourdieusiano de campo científico com a noção de colonialismo digital, tal como desenvolvida por Kwet (2021) e Faustino e Lippold (2023), evidenciando tanto as potencialidades quanto os limites do primeiro para capturar a escala e a natureza das pressões externas sobre a Sociologia. O ensaio sugere que o colonialismo digital não opera apenas como dependência técnica, mas como reconfiguração epistêmica que redefine os critérios de legitimidade científica em escala global, colocando em posição periférica tradições interpretativas e críticas que não se traduzem em dados estruturados. O ensaio não conclui pela existência da crise, mas sustenta que sua hipótese precisa ser tratada como dispositivo analítico a ser investigado empiricamente e debatido coletivamente pelo campo.
Ensaio criado a partir da conexão entre literatura, fotografia e reflexões sobre a vida. A partir de um breve texto em que conto os pensamentos cosmológicos de um amigo, procuro dialogar com essas ideias através de um conjunto de imagens realizados na prática contínua de fotografar pelas cidades. Tenho observado as árvores e suas expressões formais no contexto urbano e seria possível traçar uma continuidade em sua representação, através de diversas formas visuais, desse jeito, centralizada, protagonista da imagem.
The spread of false news already occurred before the advent of digital technologies; however, the ease of sharing and the reach provided by social networks have contributed to the exponential growth of misinformation. Media education is an ally in the process of understanding this phenomenon and how to combat it. In this regard, the open educational resource Os sete erros das Fake News aims to contribute to the fight against misinformation by associating the spot-the-difference game with the creation of false news. This paper analyzes the use of this resource with a Journalism class at a community university in the interior of São Paulo. The results show that Communication students tend to have ease in critically analyzing the information they receive and verifying its accuracy. The strategies they use can be replicated by any citizen, provided there is proper guidance, and the educational resource can serve as a tool in this process.
Este artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura, publicada entre 2019 e 2024, sobre o panorama de uso das Metodologias Ativas na Educação Profissional e Tecnológica (EPT). A pesquisa, fundamentada no protocolo PRISMA, mapeou as abordagens metodológicas, os recursos didáticos e os instrumentos de avaliação prevalentes na produção científica recente. Os resultados evidenciam que, embora haja uma expansão na adoção dessas estratégias, sua implementação na EPT enfrenta desafios estruturais e culturais significativos, tais como a resistência à mudança, limitações de infraestrutura, insuficiência na formação docente para o uso de tecnologias e a persistência de avaliações tradicionais. Conclui-se que a efetividade das metodologias ativas na EPT depende não apenas de sua aplicação isolada, mas de políticas institucionais integradas e de uma reconfiguração da cultura pedagógica. Este estudo contribui para o debate acadêmico ao sistematizar as lacunas entre as expectativas de inovação e a realidade da prática docente, apontando caminhos para a superação dos obstáculos.
Background: Technical and vocational education and training (TVET) in Brazil faces persistent retention challenges despite growing demand for qualified workers. Although Self-Determination Theory (SDT) offers a framework for understanding motivation, dropout research has often emphasized individual and socioeconomic factors, giving less attention to institutional conditions. Methods: This critical narrative review synthesizes theoretical, empirical, and policy-oriented literature on SDT, TVET, motivation, engagement, and dropout prevention, anchored mainly in Brazilian studies, educational statistics, and policy documents. A transparent, non-systematic search informed by SANRA organized the evidence around three institutional dimensions: curriculum, teaching practices, and student support and belonging. Complementary theories clarified the explanatory scope and limits of SDT. Results: Motivation in Brazilian TVET emerges as context-dependent and institutionally co-produced. Curricular organization, teaching practices, support structures, and equity policies may support or frustrate autonomy, competence, and relatedness and are associated with differences in engagement and vulnerability to dropout. The review proposes a three-level conceptual diagnostic architecture and five evidence-informed prevention axes. The architecture organizes candidate measures and contextual indicators; it is not an empirically validated predictive model. Conclusions: TVET dropout should not be interpreted solely as individual failure but may also be examined as a possible indicator of institutional motivational climate. The framework is calibrated to Brazilian TVET and requires prospective, multicenter, equity-sensitive validation against observed dropout outcomes before use for individual risk prediction or broader international adaptation.