
Resumo Objetivo: Descrever o perfil dos médicos ativos no Projeto Mais Médicos para o Brasil em 2024 e analisar a associação entre ser médico intercambista e características individuais e contextuais. Métodos: Estudo transversal com dados administrativos do programa. O desfecho foi ser médico intercambista, identificado a partir do tipo de registro profissional (intercambista ou inscrição em Conselho Regional de Medicina no Brasil). As variáveis independentes incluíram características individuais dos estabelecimentos de saúde e municípios de alocação. Realizaram-se análises descritiva, bivariada e multivariada, com estimação de prevalências, razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Resultados: Foram analisados dados de 19.418 médicos. Observou-se predominância de profissionais do sexo feminino, de raça/cor branca ou amarela, com idade entre 30-49 anos e nascidos no Brasil. A prevalência de intercambistas foi maior entre profissionais do sexo masculino (RP 1,10; IC95% 1,07; 1,14), com 30-49 anos (RP 1,22; IC95% 1,17; 1,28) ou ≥50 anos (RP 1,18; IC95% 1,12; 1,25), estrangeiros (RP 1,33; IC95% 1,28; 1,39), alocados em estabelecimentos que atendem populações quilombolas (RP 1,11; IC95% 1,04; 1,18) e ribeirinhas (RP 1,35; IC95% 1,24; 1,46). Prevalências mais elevadas de intercambistas ocorreram nas regiões Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste e em municípios remotos e adjacentes. Conclusão: O estudo evidenciou que a força de trabalho do programa é predominantemente brasileira, com elevado percentual de intercambistas. A atuação de médicos com registros temporários e exclusivos para o programa reforça a importância das iniciativas de treinamento, educação continuada e supervisão das práticas na atenção primária à saúde.
Abstract Objective: To describe the profile of physicians working in the More Doctors for Brazil (Mais Médicos para o Brasil) Project in 2024 and to analyze association between being an exchange physician and individual and contextual characteristics. Methods: This was a cross-sectional study with administrative data obtained from the program. The outcome was being an exchange physician, identified by type of professional registration (exchange physician or being registered with a Regional Medical Council in Brazil). Independent variables included individual characteristics of assigned health facilities and municipalities. Descriptive, bivariate and multivariate analyses were performed, with estimation of prevalence rates, prevalence ratios (PR), and 95% confidence intervals (95%CI). Results: Data on 19,418 physicians were analyzed. We found a predominance of female physicians, of White or Asian race/color, aged 30-49 years, and who were born in Brazil. Exchange physician prevalence was higher among male physicians (PR 1.10; 95%CI 1.07; 1.14), those aged 30-49 years (PR 1.22; 95%CI 1.17; 1.28) or ≥50 years (PR 1.18; 95%CI 1.12; 1.25), foreigners (PR 1.33; 95%CI 1.28; 1.39), and those working in establishments serving quilombola populations (PR 1.11; 95%CI 1.04; 1.18) and riverside populations (PR 1.35; 95%CI 1.24; 1.46). Higher exchange physician prevalence rates occurred in the Southeast, North, South and Midwest regions of Brazil, and in remote and adjacent municipalities. Conclusion: The study showed that the program's workforce is predominantly Brazilian, with a high percentage of exchange physicians. The participation of physicians with temporary and exclusive registration in the program highlights the importance of training, continuing education and supervision initiatives in primary health care.
Abstract Objective: To assess the incidence of food insecurity over a one-and-a-half-year period in Rio Grande, Rio Grande do Sul, and to investigate risk factors, considering adults and older adults who had coronavirus disease 2019. Methods: This is a longitudinal study, with data collected at two time points: 2021 and 2022-2023. Food insecurity was assessed using the reduced version of the Brazilian Food Insecurity Scale (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, EBIA). The following were considered as exposure variables: sex, age, race/color, marital status, educational level, family income, income situation, and employment status during the pandemic. The variables were described using absolute and relative frequencies, and proportions were compared using the Chi-square test. Associated factors were estimated using Poisson regression with robust variance adjustment. Results: Among the 1,231 individuals analyzed, the incidence of food insecurity during the period was 20.1%. In the adjusted analysis, female sex (incidence ratio [IR] 1.53; 95% confidence interval [95%CI] 1.21; 1.95), lower educational levels (IR 1.75; 95%CI 1.26; 2.41 and IR 1.54; 95%CI 1.16; 2.04), lower family income (IR 2.01; 95%CI 1.17; 3.47 and IR 2.53; 95%CI 1.54; 4.15), and marked income reduction during the pandemic (IR 1.51; 95%CI 1.15; 1.98) were risk factors associated with the incidence of food insecurity. Conclusion: The results showed that 2 out of every 10 individuals developed food insecurity over the follow-up period, which spanned the pandemic and the subsequent period, with greater risk among individuals in more socially vulnerable groups.
Abstract Objective: To analyze sleep duration and quality at different ages according to sociodemographic factors. Methods: This was a cross-sectional study using data from the 1993 Pelotas Birth Cohort in Rio Grande do Sul, Brazil, with follow-ups conducted at ages 11, 18, and 22. Sleep duration and quality were self-reported; daily sleep duration was estimated from weekday bedtime and wake-up times, and sleep quality was assessed at 22 years of age using a question about sleep perception. Descriptive analyses were performed, and inequality measures were estimated according to sex, race/skin color, and wealth index. Results: A total of 4,439, 4,081, and 3,800 individuals were analyzed at ages 11, 18, and 22, respectively. Mean sleep duration was 9.7 (95% confidence interval [95%CI] 9.6; 9.7), 8.4 (95%CI 8.3; 8.5), and 8.0 (95%CI 7.9; 8.0) hours. The absolute inequality index at 18 years of age was -1.3 (95%CI -1.5; -1.0) among females and -0.7 (95%CI -1.0; -0.4) among males. At 22 years of age, the proportion reporting “very good” sleep quality was 19.2% (95%CI 17.4; 21.1) among males, while “very poor” sleep quality was 5.2% (95%CI 4.3; 6.2) among females. Conclusion: Sleep duration decreased between 11 and 22 years of age and was longer among females and more vulnerable groups, among whom very good sleep quality was less frequent.
Resumo Objetivo: Avaliar a incidência de insegurança alimentar em um período de um ano e meio em Rio Grande, Rio Grande do Sul, e investigar fatores de risco, com a consideração de adultos e de idosos que tiveram a doença de coronavírus de 2019. Métodos: Trata-se de um estudo longitudinal, com coleta de dados em dois momentos: 2021 e 2022-2023. A insegurança alimentar foi avaliada por meio da versão reduzida da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Foram consideradas como variáveis de exposição: sexo, idade, raça/cor, estado civil, grau de escolaridade, renda familiar, situação de renda e status de trabalho durante a pandemia. As variáveis foram descritas através de frequências absolutas e relativas, e as proporções foram comparadas com utilização do teste Qui-Quadrado. Os fatores associados foram estimados por regressão de Poisson com ajuste por variância robusta. Resultados: Entre os 1.231 indivíduos analisados, a incidência de insegurança alimentar no período foi de 20,1%. Na análise ajustada, verificou-se que o sexo feminino (razão de incidência [RI] 1,53; intervalo de confiança de 95% [IC95%] 1,21; 1,95). menores níveis de escolaridade (RI 1,75; IC95% 1,26; 2,41 e RI 1,54; IC95% 1,16; 2,04). menores níveis de renda familiar (RI 2,01; IC95% 1,17; 3,47 e RI 2,53; IC95% 1,54; 4,15) e redução acentuada da renda durante a pandemia (RI 1,51; IC95% 1,15; 1,98) foram fatores de risco associados à incidência de insegurança alimentar. Conclusão: Os resultados mostraram que dois em cada dez indivíduos desenvolveram insegurança alimentar ao longo do período de acompanhamento, que abrangeu a pandemia e o período subsequente, com maior risco entre indivíduos pertencentes a grupos socialmente mais vulneráveis.
Resumo Objetivo: Analisar a tendência e o padrão das internações psiquiátricas entre mulheres de 15 a 49 anos no Brasil, no período 2012- 2022, caracterizando as internações por macrorregiões, faixa etária, raça/cor da pele e motivo de internação. Métodos: Análise de série temporal com dados obtidos do Sistema de Morbidade Hospitalar do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. A tendência temporal das taxas de internação foi avaliada pelo programa Joinpoint Regression, considerando um intervalo de confiança de 95% (IC95%). Resultados: No período, foram registradas 677.608 internações psiquiátricas entre mulheres em idade fértil, o que corresponde a uma taxa média anual de 113 internações por 100 mil mulheres. Entre 2012-2016, observou-se decréscimo anual de 5,1% nas taxas de internação. As maiores taxas foram identificadas na região Sul (236,2/100 mil), seguida do Nordeste (169,9/100 mil) e Centro-Oeste (129,5/100 mil). A faixa etária de 15 a 19 anos apresentou tendência crescente significativa, com aumento anual de 10,8% entre 2015-2022. Houve crescimento significativo das hospitalizações entre mulheres de raça/cor da pele amarela, parda e indígena, com variação anual de 4,9% entre 2016-2022. Os principais motivos de internação foram transtornos de humor (38,1%) e esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes (28,9%). Conclusão: Houve tendência a decréscimo nas taxas de internação psiquiátricas, mas crescimento entre as mulheres mais jovens. Disparidades regionais e raciais sugerem dificuldades de acesso e de continuidade do cuidado à saúde mental. A predominância de transtornos psicóticos destaca lacunas assistenciais e a necessidade de estratégias voltadas à saúde mental feminina.
Resumo Objetivos: Identificar e caracterizar a literatura científica sobre o uso do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) na descrição e na análise do perfil nutricional da população brasileira usuária do Sistema Único de Saúde. Métodos: Trata-se de revisão de escopo. A seleção dos documentos ocorreu de forma independente em etapas previamente definidas em protocolo de pesquisa. Incluíram-se estudos primários, revisões e literatura cinzenta que passaram por avaliação por pares e produziram evidências a partir de informações quantitativas sobre estado nutricional do Sisvan Web, de todas as populações e localizações. A extração dos dados ocorreu de forma padronizada, e as publicações foram analisadas segundo glossário desenvolvido para padronizar aspectos metodológicos. Resultados: Identificaram-se 1.294 registros e analisaram-se 161 após a aplicação dos critérios de elegibilidade. Houve incremento expressivo de publicações, especialmente a partir de 2021, destacando-se delineamentos ecológicos de séries temporais, que têm adotado métodos robustos para analisar dados do Sisvan. Identificaram-se 29 pesquisas que trabalharam dados individualizados, com recorte transversal ou coorte histórica. A fase da vida mais estudada foi a infância, particularmente até os 5 anos. Em 40 pesquisas, a origem do dado foi estratificada, e a maioria utilizou os provenientes do Programa Bolsa Família. Pernambuco, Minas Gerais e Bahia foram os estados mais estudados. Algumas pesquisas investigaram o efeito da pandemia de covid-19 em indicadores do Sisvan ou utilizaram métodos de georreferenciamento/análise espacial. Conclusão: Esta revisão apresentou o estado da arte da produção científica com uso de informações nutricionais do Sisvan e caracterizou aspectos metodológicos, informando pesquisas futuras.
Resumo Objetivo: Estimar o diferencial no acesso à cirurgia de reconstrução mamária no Sistema Único de Saúde conforme raça/cor da pele no Brasil e regiões. Métodos: Estudo observacional de séries temporais interrompidas, o qual utilizou microdados mensais do Sistema de Informações Hospitalares no período 2010-2024. Estimaram-se os diferenciais na proporção de cirurgias de reconstrução mamária segundo raça/cor da pele, antes e após a implementação da Portaria nº 127/2023, com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Resultados: Foram identificadas 565.234 cirurgias, sendo 404.944 (71,6%) mastectomias e 160.290 (28,4%) reconstruções mamárias. A proporção de reconstruções é, em média, 12,9 pontos percentuais (IC95% -16,8; -8,9) menor para mulheres negras em comparação com mulheres brancas e amarelas. Após a intervenção da Portaria nº 127/2023, o diferencial aumentou para 28,6 pontos percentuais (IC95% -44,1; -13,0). Os maiores diferenciais foram observados no Norte com 15,4 pontos percentuais (IC95% -20,9; -10,8) e no Nordeste com 11,7 pontos percentuais (IC95% -15,8; -7,5). Conclusão: Existe diferencial significativo no acesso à cirurgia de reconstrução mamária conforme raça/cor da pele, e os efeitos são heterogêneos entre as regiões.
Abstract Objectives: To identify and characterize the scientific literature on the use of the Food and Nutrition Surveillance System (SISVAN) in the description and analysis of the nutrition profile of the Brazilian population who use the Brazilian Unified Health System. Methods: This is a scoping review. Document selection occurred independently in stages previously defined in a research protocol. The review included primary studies, reviews, and grey literature that underwent peer review and produced evidence from quantitative information on nutrition status held on SISVAN Web, for all populations and locations. Data extraction was standardized, and publications were analyzed according to a glossary developed to standardize methodological aspects. Results: A total of 1,294 records were identified, and 161 were analyzed after applying the eligibility criteria. There was a significant increase in publications, especially from 2021 onwards, with emphasis on ecological time-series designs, which have adopted robust methods to analyze SISVAN data. Twenty-nine studies were identified that worked with individualized data, with cross-sectional or retrospective cohort analysis. The most studied life stage was childhood, particularly up to 5 years of age. In 40 studies, the data source was stratified, and most used data from the Bolsa Família Program. Pernambuco, Minas Gerais and Bahia were the states most studied. Some studies investigated the effect of the COVID-19 pandemic on SISVAN indicators or used georeferencing/spatial analysis methods. Conclusion: This review presented the state of the art of scientific production using nutrition information from SISVAN and characterized methodological aspects, thus informing future research.
Abstract Objective: To estimate the differential in access to breast reconstruction surgery in the Brazilian Unified Health System according to race/skin color nationwide and in the country's regions. Methods: This was an observational study of interrupted time series, which used monthly microdata from the Hospital Information System for the period 2010-2024. The differentials in the proportion of breast reconstruction surgeries according to race/skin color were estimated before and after the implementation of Ordinance No. 127/2023, with respective 95% confidence intervals (95%CI). Results: We identified 565,234 surgeries, of which 404,944 (71.6%) were mastectomies and 160,290 (28.4%) were breast reconstructions. The proportion of reconstructions was, on average, 12.9 percentage points (95%CI -16.8; -8.9) lower for Black women compared to White and Asian women. After the Ordinance No. 127/2023 intervention, the differential increased to 28.6 percentage points (95%CI -44.1; -13.0). The largest differentials were observed in the Northern region, with 15.4 percentage points (95%CI -20.9; -10.8), and in the Northeast, with 11.7 percentage points (95%CI -15.8; -7.5). Conclusion: There is a significant differential in access to breast reconstruction surgery according to race/skin color, and the effects are heterogeneous across the Brazilian regions.
Abstract Objective: To analyze the trend and pattern of psychiatric hospitalizations among women aged 15 to 49 in Brazil, from 2012 to 2022, characterizing hospitalizations by macro-region, age group, race/skin color and reason for hospitalization. Methods: This is a time series analysis with data obtained from the Brazilian Unified Health System Department of Information Technology Hospital Morbidity System. The temporal trend of hospitalization rates was assessed using the Joinpoint Regression program, taking a 95% confidence interval (95%CI). Results: During the period, 677,608 psychiatric hospitalizations were recorded among women of childbearing age, corresponding to an average annual rate of 113 hospitalizations per 100,000 women. Between 2012 and 2016, an annual decrease of 5.1% in hospitalization rates was observed. The highest rates were identified in the Southern region (236.2/100,000), followed by the Northeast (169.9/100,000) and the Midwest (129.5/100,000). The 15-19 age group showed a significant upward trend, with an annual increase of 10.8% between 2015 and 2022. There was a significant increase in hospitalizations among women of Asian, mixed-race and Indigenous race/skin color, with 4.9% annual change between 2016 and 2022. The main reasons for hospitalization were mood disorders (38.1%) and schizophrenia, schizotypal disorders and delusional disorders (28.9%). Conclusion: There was an overall trend towards a decrease in psychiatric hospitalization rates, although there was an increase among younger women. Regional and racial disparities suggest difficulties in access to and continuity of mental health care. The predominance of psychotic disorders highlights gaps in care and the need for strategies focused on women’s mental health.
Resumo Objetivo: Avaliar as evidências globais sobre a associação entre raça/cor e hospitalização e mortalidade por covid-19. Métodos: A busca foi realizada nos bancos de dados Medline (via PubMed), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, Biblioteca Eletrônica Científica Online via a Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science e Scopus, com a busca final realizada em dezembro de 2023. Foram incluídos estudos observacionais que avaliaram a associação entre raça/cor e desfechos definidos de hospitalização ou mortalidade por covid-19. Três revisores realizaram a seleção e a extração dos dados utilizando o sistema Rayyan e uma planilha padronizada. A avaliação da qualidade foi realizada utilizando a escala de Newcastle-Ottawa. A razão de chances (odds ratio, OR) e os intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram combinados por metanálise. A heterogeneidade foi estimada pelo I². Resultados: De 5.028 registros analisados, 41 estudos foram incluídos, publicados entre 2020 e 2022, a maioria proveniente dos Estados Unidos. Observaram-se associações positivas entre raça/cor negra e hospitalização por covid-19 (OR ajustada 1,97; IC95% 1,75; 2,23) e entre raça/cor e mortalidade (OR ajustada 1,54; IC95% 1,20; 1,98), provavelmente impulsionadas por desigualdades socioeconômicas e acessos desiguais aos cuidados de saúde. Conclusões: Esta revisão sistemática demonstrou que a raça/cor negra está associada ao aumento significativo da probabilidade de hospitalização e mortalidade por covid-19, destacando a importância de intervenções de saúde pública direcionadas para reduzir essas disparidades raciais.
Resumo Objetivo: Analisar a associação entre estado nutricional e percepção de saúde entre participantes do Programa Academia da Saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais. Métodos: Estudo transversal com dados da linha de base de ensaio comunitário controlado randomizado conduzido em amostra representativa do Programa. Indivíduos com 20 anos ou mais responderam questionário contendo variáveis sociodemográficas, morbidades referidas e percepção de saúde, e tiveram o estado nutricional aferido. Para apresentação dos dados, utilizaram-se frequências absoluta e relativa e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Utilizaram-se ajustes na regressão para verificar a associação entre o estado nutricional (com baixo peso ou eutrofia, sobrepeso e obesidade) e a percepção de saúde (boa ou muito boa e muito ruim, ruim ou regular) e razão de chances (odds ratio) e IC95% como medida de força de associação. Resultados: Dos 3.264 participantes, 2.827 (88,0%) eram mulheres e 1.931 (56,6%) adultos; 1.352 (41,4%) apresentavam sobrepeso e 944 (28,9%) obesidade; 1.730 (53,0%) relataram hipertensão, 1.433 (44,3%) dislipidemia e 548 (16,8%) diabetes. Quanto à percepção de saúde, 2.358 (72,3%) entrevistados consideraram sua saúde como boa ou muito boa. Verificou-se que indivíduos com obesidade tiveram 47,0% mais chances de relatar percepção de saúde muito ruim, ruim ou regular, comparados às contrapartes. Conclusão: A obesidade foi associada à pior percepção da saúde entre participantes do Programa Academia da Saúde.
Abstract Objective: To assess global evidence on association between race/color and COVID19 hospitalization and mortality outcomes. Methods: A search was performed on the following databases: Medline (via PubMed); Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS) and Scientific Electronic Library Online (SciELO) via the Virtual Health Library (Biblioteca Virtual em Saúde - BVS); Web of Science; and Scopus, whereby the final search was performed in December 2023. We included observational studies that assessed association between race/color and defined outcomes of COVID-19 hospitalization or mortality. Three reviewers performed the selection and extraction using the Rayyan system and a standardized spreadsheet. The quality assessment was performed using the Newcastle-Ottawa Scale. The odds ratios (OR) and 95% confidence intervals (95%CI) were combined by meta-analysis. Heterogeneity was estimated by I2. Results: Out of 5,028 screened records, 41 studies were included, published between 2020-2022 and mostly from the United States. Positive association was observed between Black race/color and both COVID-19 hospitalization (adjusted OR 1.97; 95%CI 1.75; 2.23) and mortality (adjusted OR 1.54; 95%CI 1.20; 1.98), likely driven by socioeconomic inequities and unequal access to care. Conclusions: This systematic review demonstrates that Black race/color is associated with significantly increased odds of COVID19 hospitalization and mortality, highlighting the importance of targeted public health interventions to reduce these racial disparities.