
O uso de remineralizadores de solo (REM) é uma prática antiga que ganha destaque como alternativa sustentável e complementar aos fertilizantes sintéticos. Os REM fornecem gradualmente elementos essenciais para o crescimento das plantas, simulando processos naturais de regeneração do solo. Além de sua eficiência, essa abordagem possui baixos custos e benefícios adicionais, como o aprimoramento do enriquecimento nutricional das culturas, manutenção e o aumento da produção agrícola. No Brasil, onde a agricultura é vital para a economia, a pesquisa e regulamentação dos REM têm avançado, com 77 produtos registrados no Ministério da Agricultura. O agravamento do efeito estufa impulsiona a busca por estratégias de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A agricultura é uma fonte significativa de emissões de CO2, particularmente no Brasil, onde as práticas agrícolas contribuem consideravelmente com as emissões de GEE. Assim, é fundamental adotar práticas de manejo sustentáveis para tornar uma agricultura mais competitiva e ambientalmente amigável. O uso de REM, no contexto do Intemperismo Aprimorado (IA), surge como uma técnica promissora de captura de CO2 atmosférico, estimulando o crescimento de plantas e aumentando o sequestro de carbono no solo. Este estudo analisou duas ocorrências geológicas distintas no estado de Mato Grosso: Grupo Colíder e Complexo Alcalino Planalto da Serra. Os resultados indicam que as amostras possuem grande potencial para remover CO2 da atmosfera, com valores de 39,53 kgCO2/t até 96,16 kgCO2/t. Isso sugere que o IA é uma técnica eficaz para a mitigação das mudanças climáticas e que as rochas estudadas têm um papel crucial nesse processo. No futuro, o IA poderá fazer parte de um conjunto de estratégias de controle das emissões de GEE e combate as mudanças climáticas, com ênfase na utilização de rochas com características semelhantes às desta pesquisa.
Nesta pesquisa foram analisadas, em duas escalas distintas, as alterações na geometria de encostas onde ocorreram deslizamentos no desastre natural do estado de Santa Catarina registrado em novembro de 2008. Para isso, utilizando-se Modelos Digitais de Elevação (MDE) com resolução espacial de 10 e 1 m, por meio de Sistema de Informação Geográfica (SIG), foram elaborados mapas dos parâmetros morfológicos das encostas: altitude, declividade, orientação, forma e área de contribuição. Para analisar a relação entre esses parâmetros morfológicos e a ocorrência de deslizamentos, foi utilizada a metodologia desenvolvida por Gao (1993). Os resultados obtidos demonstraram que as classes de maior frequência não são, necessariamente, aquelas que apresentam os maiores potenciais de deslizamentos, recomendando-se trabalhos de campo para a validação e auxílio na interpretação dos resultados. Em relação à escala, observou-se maior detalhamento das nuances do relevo nos mapas de maior resolução espacial. Por fim, observaram-se alterações significativas no formato das curvas de nível e na forma das encostas dentro das cicatrizes no MDE com resolução espacial de 1 m, que foi elaborado posteriormente ao evento em estudo. Esse fato evidencia o potencial da utilização de dados morfológicos em estudos de estabilidade de encostas, contudo, conclui-se que a escolha da escala dos dados topográficos de entrada e, principalmente, da data de sua elaboração em relação ao evento estudado é determinante nos resultados obtidos.
O rubi é a variedade do coríndon de maior valor comercial devido à sua cor vermelha intensa, causada pela presença de cromo em sua composição química. Os rubis mais valiosos apresentam uma cor vermelha pura, sem tons secundários de rosa ou laranja. Devido à raridade de gemas de alto padrão, a indústria de gemas desenvolveu diversas técnicas de tratamento para melhorar a aparência e qualidade de gemas, tornando-as mais atraentes e valiosas. Os tratamentos em gemas são fundamentais para disponibilizar gemas de qualidade para um mercado mais amplo. O aquecimento controlado das gemas é utilizado para melhorar a cor e transparência de uma variedade de minerais-gema, incluindo rubi, safiras e topázios. Essa forma de tratamento é amplamente aceita pelo mercado internacional, desde a descoberta dos fatores que causam mudança de cor nos minerais, os métodos de tratamento têm sido aprimorados com o avanço tecnológico, isso ocorre com a finalidade de obedecer a certas condições para que os resultados se tornem cada vez mais previsíveis e estáveis. originado dos depósitos de Barra Velha, SC. Caracterizados como pedras de qualidade baixa, o presente trabalho avaliou se o tratamento térmico para este material ofereceria potencial para que estas gemas possam ser inseridas no contexto nacional de produção de rubis de qualidade. Caracterizados como pedras de qualidade baixa, o presente trabalho visou avaliar se através do tratamento desse material, o rubi de Barra Velha ofereceria potencial para ser inserido no contexto nacional de produção de rubis de qualidade. O tratamento foi realizado em 10 amostras de rubi em forno elétrico em temperaturas de até 1600°C com taxa de aquecimento, resfriamento e atmosfera controladas de forma a criar um padrão único de parâmetros para todas as amostras tratadas e obter condições estáveis para criação de defeitos cristalinos, difusão de oxigênio na estrutura cristalina e mudanças na compensação de cargas. Além do tratamento térmico convencional, foi realizado tratamento flux healing em duas amostras, o que além da mudança de cor ocasionou melhoramento na transparência dos cristais. A alteração de cor e melhoramento da qualidade gemológica dos cristais é identificada visualmente pela mudança nos padrões de absorção de luz, quantificada por análises no espectrofotômetro.
Este trabalho apresenta categorias de ecocaráteres no Terraço do Rio Grande, Bacia de Pelotas, relacionando-as com a morfologia da área e associando-as com potenciais depósitos de fosforita. Foram utilizados registros sísmicos monocanal aquisitados com frequência entre 400 a 1200 Hz e potência entre 500 e 1200 J para o reconhecimento de ecocaráteres, considerando-se principalmente a forma, tamanho de feições e o padrão subsuperficial, em comparação com registros multicanal com o atributo Amplitude RMS. Medições de feições e hipérboles foram feitas em escalas vertical e horizontal para agrupar as classes. Foram identificadas cinco categorias principais de ecocaráteres. Além disso, uma superfície batimétrica foi interpolada pelo método da krigagem. A espacialização revelou padrões de distribuição. Os ecos hiperbólicos de pequena e média escala (categorias 3A e 3B), com refletor marcado em subsuperfície (3D) e também o eco 4, relacionado aos fundos rugosos, apresentam maior relação com os depósitos de fosforita, evidenciando tendências esperadas. Ademais, quanto maior a escala horizontal das hipérboles, maiores são as rugosidades na superfície batimétrica e sua tendência à concentração. Os fundos rugosos e os ecos hiperbólicos de menor escala correlacionam-se aos potenciais depósitos de fosforita.
Beaches are extremely fragile and dynamic natural environments, where waves, coastal currents, and winds perpetually deposit and move sediments. The evolution of these beaches can only be envisaged by monitoring coastline dynamics at different spatiotemporal scales. In recent years, the use of high-resolution satellite images and GIS has become an indispensable tool for assessing beach evolutionary trends. In this contribution, we emphasize the importance of these new technologies for monitoring shoreline evolution on highly anthropized beaches, focusing on the case of Agadir beach on Morocco's Atlantic coast. A diachronic analysis of shoreline evolution was carried out over a period of 55 years extending from 1968 to 2023. This analysis is based on both high-resolution satellite images from various sensors (Corona, OrbView-3, Pleiades, WorldView-2) and the DSAS (Digital Shoreline Analysis System) tool integrated into ArcGIS©. The results obtained show a contrasting evolution, with a general trend towards erosion in the center and south of the beach, and an accentuated beach nourishment to the north. This trend is mainly attributed to the construction of a port complex (commercial harbour, fishing port, and marina) and to the various coastal developments undertaken on the beach.
Esta pesquisa objetivou realizar interpretações paleoambientais do estuário do rio Real durante o Holoceno Tardio, com base em foraminíferos bentônicos e bivalves. Foram utilizados, além dos organismos, dados granulométricos de dois testemunhos rasos de sondagens. A granulometria, predominantemente arenosa, evidenciou um ambiente de elevada energia hidrodinâmica, respaldado pelo registro de organismos autóctones (bivalves). Em 12 amostras do testemunho T01, foram encontrados 606 foraminíferos de 20 espécies, no testemunho T02, 119 espécimes de três espécies foram registrados em quatro amostras. A presença do gênero Trochammina no T01, especialmente na fácies-G1 (base a 105 cm), indica um ambiente de estuário médio com influência fluvial. As fácies-G1 e G3 (70 a 50 cm) apresentam um pacote sedimentar areno-lodoso, característico de um ambiente fluvial. Os registros de bivalves na fácies-G4 (50 a 15 cm) indicam uma Zona de Estuário Baixo com influência marinha. As fácies-G2 (105 a 70 cm) e G4 mostram espécies de bivalves eurihalinos, sugerindo um depósito transgressivo de transição offshore. A fácie-G5 (15 cm ao topo) apresenta foraminíferos e bivalves de ambientes salobros a marinhos rasos, classificando-o como o estuário com depósitos transgressivos. No T02, as fácies-Z1 (base a 205 cm) e Z3 (175 a 15 cm) são ambientes estéreis em foraminíferos e bivalves, característicos de um ambiente de água doce com provável progradação de sedimentos continentais. A fácie-Z2 (205 a 175 cm) registrou apenas o bivalve marinho Diplodonta cf. notata, associado à granulometria arenosa, sugerindo um ambiente marinho raso. A fácie-Z4 (15 cm ao topo) representa o estuário atual, com predominância de espécies de foraminíferos calcário-hialinos, corroborando um domínio marinho em relação ao fluvial. Nesse sentido, as interpretações das correlações entre os dados abióticos e bióticos obtidos dos perfis T01 e T02 ao longo do Holoceno Tardio revelaram variações significativas nas condições paleoambientais durante o período de mar baixo, que descrevem as mudanças ocorridas nesse ecossistema ao longo do tempo e enriquecem nossa compreensão dos padrões de resposta das comunidades bióticas às oscilações ambientais durante o Holoceno Tardio.
Albian carbonate reservoirs of the Quissamã Formation have been an important target for oil exploration and production in the Campos Basin for several decades. The variety of depositional facies and the influence of diagenesis in reducing porosity and permeability create great challenges for the exploration and production of these reservoirs. The objective of this study is to identify the main depositional and diagenetic factors that control the porosity and permeability of Albian carbonates in 3-OGX-61-RJS well located in the Tubarão Azul area, southern Campos Basin, through a faciological, petrology and petrophysical integrated analysis. Observed lithofacies include oolitic, oncolitic and peloidal calcarenites, oncolitic and peloidal calcirudites, and hybrid arenites, deposited in a shallow carbonate ramp. The depositional facies were grouped into two facies associations: a high-energy proximal carbonate ramp composed of hybrid sandstones, oncolitic and oolitic calcarenites, and oncolitic calcirudites, and a moderate-energy intermediate carbonate ramp composed of peloidal and oncolitic calcarenites with peloids. The depositional facies were grouped into two facies associations: a high-energy proximal carbonate ramp composed of hybrid arenites, oncolitic and oolitic calcarenites and oncolitic calcirudites, and a moderate-energy intermediate carbonate ramp composed of peloidal and oncolitic calcarenites with peloids. Nine reservoir petrofacies were defined based on the main primary and diagenetic aspects of impact on porosity and permeability. The main observed diagenetic processes were cementation by calcite, replacement by blocky dolomite and pyrite, kaolinite precipitation, mechanical and chemical compaction, including stylolitization, and eodiagenetic and mesodiagenetic dissolution. Early partial cementation by calcite rims and syntaxial growths helped preserve the primary porosity of oolitic and oncolitic calcarenites from the effects of compaction. Interparticle porosity was completely obliterated where eodiagenetic cementation was very intense. Hybrid arenites with little or no early cementation show porosity and permeability extremely reduced by the effects of compaction. These fundamental processes acted directly to control the porosity and permeability of the studied rocks.
The South Atlantic Magnetic Anomaly (SAMA) is a region in the South Atlantic Ocean where the Earth's magnetic field is significantly weaker than in other parts of the world. This anomaly has been of interest to scientists and researchers studying the Earth's magnetic field. The SAMA can affect navigation systems and satellite operations, and it is an important area of study for understanding the dynamics of the Earth's magnetic field. This paper investigates the signal characteristics of conjugate stations influenced by the SAMA in a moderate geomagnetic storm through record analysis of geomagnetically conjugate stations interlinking both hemispheres. This study uses the horizontal magnetic components measured in the same time interval in two typical longitudes: the America-SAMA region and the Asia-Pacific one. This procedure allows us to do a comparative analysis between regions. Our procedure uses the data recorded simultaneously in four conjugate-station pairs to characterize the magnetic variability coherence domain surrounding conjugate stations. Here, we present and discuss the first maps of the SAMA region, which corresponds to the coherence area at low latitudes. Indeed, this coherence area concept refers to the edges (close-to-the-ground geometric area) around the conjugate point, where geophysical phenomena generally exhibit similar fluctuating behavior. The correlation coefficients technique was used to calculate those areas, using the H component of the geomagnetic field. Our main results indicate that the areas in the Asia-Pacific region are similar in size and shape, which characterize typical patterns. In the America-SAMA region, the coherence areas for the conjugate stations are not similar in shape and size. These differences between coherence areas could be due to the region's unique characteristics, i.e. it presents an enhanced ionospheric conductivity. Additionally, geomagnetic stations inside a large area of South America, involving the Santa Maria region, will present, in principle, magnetic fluctuations with similarity in the records.
Este trabalho apresenta a determinação das concentrações de Rn no ambiente de minas subterrâneas, visando ao estabelecimento de correlações entre as concentrações e as características geológicas das minas subterrâneas de fluorita e de carvão do Estado de Santa Catarina. Para a determinação da concentração de Rn, foram utilizados detectores de traços nucleares (Carbonato Diglicol Alílico CR-39). Foram instalados detectores passivos de Rn em locais de maior circulação de pessoas, tais como galerias, corredores de acesso, salas de reunião, almoxarifados, oficinas e shafts. As análises quali-quantitativas de radioatividade das rochas foram realizadas um sistema de espectrometria gama. Os resultados mostram que as minas de carvão apresentam baixos valores de concentração de Rn no ar (< 500 Bq/m3) e não requerem ações protetoras. Isto pode ser explicado pelo fato que o U não tem associação geoquímica direta com o carvão. As baixas concentrações de Ra nas rochas (arenitos e siltitos na capa e na lapa) e no carvão ratificam essa hipótese. Além disso, a eficiência da ventilação normalmente requerida em função da presença de metano, gás combustível, contribui para a redução das concentrações eventuais de Rn no ambiente mineiro. As concentrações de Ra-226 das rochas que compõe a capa e a lapa, bem como do carvão, não apresentam correlação alguma com a concentração de Rn no ar. Essa falta de correlação é esperada porque não se consegue atingir o equilíbrio secular no interior da mina, pois o eficiente sistema de ventilação retira do ambiente mineiro o Rn exalado das rochas. As minas RB e NF, de fluorita, apresentam elevadas concentrações de Rn no ar, acima do intervalo de níveis de ação preconizado pela Agência Internacional de Energia Atômica. Já a mina MF, de fluorita, apresenta valores da concentração de Rn-222 no ar entre 500 e 1500 Bq/m3. As concentrações de Ra-226 do granito normal, da fluorita verde e da fluorita roxa não apresentam correlação alguma com os valores das concentrações de Rn-222 no ar. Porém, a concentração de Ra-226 do granito alterado apresenta tendência a uma correlação positiva com a concentração de Rn no ar. No interior da mina, o granito alterado contribui de forma mais significativa para o aumento da concentração de Rn-222 no ar, quando comparado ao granito normal e à fluorita. Essa maior contribuição pode ser explicada pela alteração intempérica do granito, como fraturas e poros abertos, além da alteração de minerais primários, facilitando, assim, a exalação do Rn do granito alterado.
O estudo do comportamento geoquímico dos elementos maiores, menores e traços durante os processos de formação de um perfil de alteração foi realizado a partir de análises petrográficas, pedológicas e geoquímicas, com o intuito de discutir a mobilidade geoquímica dos elementos em ambientes supergênicos. Para tanto, realizou-se o estudo em um perfil de alteração desenvolvido em rochas graníticas (Granito Cantagalo) no Parque Estadual de Itapuã, Rio Grande do Sul. Este perfil é constituído, da base para o topo, pela rocha sã (granito), saprólito (S1 e S2) e horizontes pedogenéticos (A e Cr). O Granito Cantagalo é composto basicamente por feldspato potássico, plagioclásio, quartzo e minerais acessórios. A partir da análise pedológica, o perfil de solo foi classificado como Neossolo Litólico Distrófico Típico. O pH do perfil varia de 4,6 (extremamente ácido) até 5,3 (muito ácido). A difratometria de raios-X permitiu identificar a caulinita como o argilomineral predominante na fração argila (< 2 mm) nos horizontes pedogenéticos. Os dados geoquímicos indicam lixiviação de SiO2, CaO, Na2O e K2O e concentração de Al2O3, TiO2 e Fe2O3(T). A maioria dos elementos traços (U, Y, Rb, Tl, Ta, Nb, Pb, Ge, Ga, Th, W, Hf, Sn, Zn, Bi, Zr, Sr, Cd, Ba, Cs, Li, B, Mo) são lixiviados, enquanto que Cu, Co, Ni, Cr e V são enriquecidos ao longo do perfil de alteração. Os elementos terras raras (ETR), lixiviados ao longo do perfil de alteração, apresentam anomalia positiva de Eu, da rocha sã até o horizonte A, e anomalia positiva de Ce no horizonte A. Este padrão de distribuição dos elementos está diretamente relacionado aos processos geoquímicos, típicos do ambiente supergênico.
A alimentação artificial de praia (AAP) é uma técnica amplamente adotada em todo o mundo para a proteção costeira e a restauração de ecossistemas litorâneos afetados pela erosão costeira. Seu objetivo principal é recriar o ambiente natural, proteger infraestruturas urbanas e fornecer espaços recreativos. No Brasil, o processo de licenciamento ambiental é um requisito obrigatório para viabilizar a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos ou atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras de recursos ambientais. Dessa forma, o poder Executivo, por meio de um ato administrativo (licença ambiental) emitida pelo seu órgão competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor para determinado empreendimento/atividade. As praias de Canasvieiras e dos Ingleses, situadas no norte da Ilha de Santa Catarina, foram submetidas ao processo de licenciamento ambiental visando o engordamento da faixa de praia, através de sedimentos oriundos de jazidas de empréstimo situadas na plataforma continental interna. A definição adequada da jazida é um fator crucial para o sucesso de um projeto de AAP, uma vez que o sedimento utilizado deve ter um tamanho médio de grãos compatível com a praia a ser alimentada. Portanto, são analisados os aspectos técnicos e peculiaridades dos processos de licenciamento ambiental da AAP, conduzidos pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), nas praias de Canasvieiras e dos Ingleses. A AAP se mostrou uma prática apropriada frente à erosão costeira, em ambos os setores, no entanto, alimentações periódicas devem ser consideradas. O processo de licenciamento ambiental desempenha um papel fundamental na sustentabilidade da AAP, e o monitoramento contínuo é necessário para avaliar os impactos e a eficácia dos projetos.
With increasing urbanization, some decision-makers often take inappropriate actions that affect the environment due to a lack of technical knowledge or personal interests. In the case of areas with recurrent flooding, irregular occupation can cause a series of environmental and economic problems. The Industrial District of the municipality of Itajubá-MG has been experiencing accelerated occupation and noticeable morphometric changes. To predict the impact of these changes in land use and occupation, this study seeks to establish flood diagnosis between 2005 and 2021, and project a future scenario until the year 2030. This article intends to assess the impacts caused by floods. The HEC-RAS software was utilized to simulate five flood propagations under six different occupation scenarios. Simulations were analyzed at eight control sites throughout the study area. The results indicate that, over the years, as a result of increasing occupation in this area, flood damming is expected to occur in the region upstream of the landfills. However, due to the proportionality of the area, these damming heights are considered irrelevant, as they do not exacerbate the damage caused by floods. In some cases, they even lead to a reduction in the flooded area in the Industrial District.
A reativação de falhas no embasamento pode causar a formação de estruturas de deformação em bacias sedimentares. A reativação de falhas transcorrentes ocasiona a formação de dobras escalonadas na cobertura sedimentar. Dobras escalonadas têm charneiras oblíquas em relação ao plano de cisalhamento e sua orientação indica o sentido do movimento da falha reativada. Na borda leste da Bacia do Paraná, em Santa Catarina, ocorrem dobras escalonadas em arenitos do Grupo Itararé. Neste artigo são apresentadas as características estruturais destas dobras. São dobras métricas a decamétricas, simétricas, suaves a abertas, com superfícies axiais de alto ângulo helicoidais, e charneiras aproximadamente horizontais. A origem destas dobras está relacionada à reativação da Zona de Cisalhamento Itajaí-Perimbó no embasamento da Bacia do Paraná. O movimento da zona de cisalhamento na reativação foi lateral esquerdo.
O município de Jacobina, localizado no centro norte da Bahia, é mundialmente conhecido por seus recursos geológicos, tanto no cerne da exploração mineral como pela densidade de estudos geocientíficos produzidos no território. Jacobina é dotada de geodiversidade variada e representa um laboratório, a céu aberto, com sítios geológicos de relevância internacional, representativos dos Éons Arqueano, Proterozóico e da Era Cenozoica. Entretanto, muito desse conhecimento está limitado ao meio acadêmico, ou nos empreendimentos mineiros e não é acessível para a população local. Pensando nisso, este trabalho realizou um inventário do patrimônio geológico no município de Jacobina-BA, com o objetivo de respaldar e fomentar estratégias de geoconservação, para além da valorização e divulgação desse patrimônio. O inventário contou com as etapas de revisão bibliográfica, atividades de campo, registro e quantificação dos sítios geológicos na plataforma Geossit, elaborada pelo Serviço Geológico do Brasil - SGB/CPRM, para avaliação dos valores científico, turístico e educativo. Como resultados, foram reunidos quinze geossítios e dois sítios da geodiversidade, inseridos nas seguintes categorias temáticas: Terrenos Arqueanos, Terrenos Proterozóicos, Colisão Riaciana, Cavernas e Sistemas Cársticos, Megafauna Cenozoica e História da Mineração, que subsidiaram uma proposta de roteiro geoturístico. As informações obtidas estão sendo publicizadas e compartilhadas com a administração pública, para além de instituições de ensino e empresas. Os resultados apontam ainda que o município de Jacobina é dotado de um patrimônio geológico com potencial para lastrear um projeto de geoparque. Futuramente, mediante avanços na interpretação dos sítios aqui inventariados e acréscimo de novos locais de interesse geológico, o presente trabalho poderá servir de suporte na elaboração desse projeto.
Rochas microclásticas, ou seja, rochas constituídas majoritariamente por partículas < 0,062 mm, apesar de representarem grande parte do registro geológico sedimentar, ainda hoje, carecem de estudos detalhados, principalmente, os que buscam pormenorizar seus aspectos texturais, de difícil observação devido ao tamanho diminuto das partículas, e integrar diferentes técnicas de análise e escalas de investigação. Com base nisto, o presente estudo objetiva a caracterização sedimentológica e geoquímica de rochas microclásticas da Formação Ponta Grossa (Devoniano da Bacia do Paraná), recuperadas em um testemunho de sondagem contínuo, considerando o arcabouço estratigráfico sequencial previamente estabelecido. A caracterização sedimentológica da sucessão, que corresponde a uma sequência T-R, foi realizada em escalas macro- e microscópicas, através de fácies e microfácies, e a caracterização geoquímica feita através de ensaios de carbono orgânico total (COT) e Pirólise Rock-Eval. As fácies (M1, M2, M3 e H1), caracterizadas através de aspectos texturais e índice de bioturbação, e microfácies (M1a, M2a, M3a, M3b e M3c), que representam um detalhamento das fácies, quando observadas em escala de lâmina petrográfica, apontam para deposição em um ambiente marinho raso, plataformal, entre o shoreface (médio a inferior) e o offshore (proximal a distal), sujeito a ação de ondas de tempestade. M1 e M2, fácies que retratam a deposição de mais baixa energia da sucessão analisada, depositadas sob maior lâmina d’água, em contexto transgressivo, indicam que mesmo abaixo do nível base de ação de ondas de tempestade a sedimentação pode ser bastante dinâmica. Além do constante aporte de silte proveniente da remobilização de sedimentos da plataforma interna para a externa, em eventos de alta energia, há input de sedimentos continentais, como indica a recorrência de querogênio tipo III. Localmente, associada ao trato de sistema regressivo, a fácies M1 apresenta matéria orgânica tipo I, de origem lacustre, evidenciando uma significativa restrição na circulação marinha e ratificando a complexidade dos mecanismos deposicionais da Formação Ponta Grossa, ainda pouco compreendidos. A dinâmica deposicional influencia não só na textura das rochas, mas também no tipo e quantidade de matéria orgânica presente. Atribui-se a isto, o fato de a sucessão analisada não apresentar um bom potencial de geração, que é alcançado de forma pontual, preferencialmente em amostras da fácies M1 presentes no trato de sistema transgressivo. Estas, apesar de apresentarem valores elevados de COT (%) e S2 (mg HC/g de rocha), são constituídas por querogênio tipo II e III, mais favorável para a geração de gás, e não atingiram a temperatura necessária para a geração, sendo majoritariamente imaturas.
O metamorfismo termal ocasionado pela intrusão do Granito Jaguari foi investigado através da análise petrográfica das suas unidades encaixantes, que incluiu as rochas metaultramáficas e metavulcano-sedimentares dos complexos Palma, Ibaré, Pontas do Salso, os ortognaisses dos complexos Imbicuí e Cambaí e os basaltos da Formação Acampamento Velho. A análise petrográfica de 126 amostras evidenciou modificações estruturais, texturais e mineralógicas. Os quartzitos e mármores do Complexo Palma, e as rochas metavulcanoclásticas e metassedimentares dos complexos Pontas do Salso e Ibaré, mostraram um aumento da coesão, associado ao desenvolvimento de textura granoblástica poligonal com cristais idioblásticos e com extinção homogênea, indicando ausência de pressão dirigida na recristalização. O metamorfismo termal gerou as texturas decussada, acicular e bow-tie, com o crescimento de porfiroblastos desorientados de clorita, biotita e talco, e agregados fibro-radiados de actinolita, hornblenda, forsterita e tremolita. Em xistos magnesianos e nos serpentinitos a foliação metamórfica foi substituída pela estrutura maciça dos esteatitos, clorititos e tremolititos. Nos gnaisses dos complexos Imbicuí e Cambaí as transformações se restringem a formação de clorita e muscovita com textura decussada, e crescimento de agregados de epidoto sobre os minerais máficos. O grau metamórfico mais elevado equivale a fácies hornblenda hornfels, gradando para a fácies albita-epidoto hornfels na porção mais externa da auréola. Os principais minerais índices definiram as zonas de clorita, biotita e da granada em termos pelíticos, as zonas da actinolita e hornblenda, em rochas de composição quartzo-feldspática, com as zonas da antigorita + talco e talco + forsterita nas rochas metaultramáficas. A extensão da auréola de contato varia entre 15 e 20 km e sua forma acompanha a forma do batólito granítico. Os efeitos termais nas rochas encaixantes indicam que o Granito Jaguari foi a última unidade magmática a se posicionar na região. A colocação do granito esteve relacionada a movimentação de sistemas de falhas de alto ângulo com destaque para a Zona de Cisalhamento Ibaré e da movimentação subordinada da Zona de Falha Cerro dos Cabritos, que limita a porção oeste do Rift Santa Bárbara da Bacia do Camaquã.
A permeabilidade é um parâmetro importante na determinação das equações de fluxo e no transporte de sedimentos praial. Este estudo avaliou os estudos de permeabilidade e condutividade hidráulica em praias, analisando o desempenho e a estrutura de pesquisa, através de uma revisão sistemática da literatura. A base de dados foi composta por 51 artigos retirados da plataforma Web of Science. A análise dos dados foi compilada usando as ferramentas Tree of Science, VOSviewer e Altrimetric Bookmarklet. Os resultados mostraram que a principal fonte de divulgação dos artigos foi o “Journal of Coastal Research” e que os países com a maior parte das publicações e colaborações foram os EUA e a Inglaterra. As redes de conexão mostram uma baixa colaboração entre os diferentes subgrupos de pesquisa, porém uma boa ligação entre os autores de um mesmo grupo. Gear Masselink foi o autor mais influente no tema. Os dados da plataforma Altimetric mostram que o tema não recebe muita atenção social. Os resultados dessa revisão posicionaram a permeabilidade na pesquisa costeira e apontaram lacunas, principalmente a falta de medições da permeabilidade in situ, que ainda precisam ser investigadas nos diferentes ramos de pesquisa.
In shale oil/gas exploration, using the Brittleness Index to identify sweet spots has become standard. This practice may incur inaccuracies when done inappropriately. This work used basic statistics and scatterplot analyses to identify trends and performance of four brittleness indexes. In the results, the indexes seemed similar in the well-logs with higher values in sandstone lithologies. The sensitivity to the parameters such as Total Organic Carbon, Porosity and Mineralogy, and fluid content varied among the indexes. The relation of the brittleness to the rock properties is mostly linked to the design features of the indexes. Brittleness Index selection should be done considering that some properties can affect the values positively or negatively. This work explains the brittleness index application more practically regarding the basic considerations to be included in shale plays evaluation.
Discutiu-se a relação dos elementos estruturais encontrados na Fazenda Muquém, município de Paramirim (BA) com o histórico geológico da Chapada Diamantina e a posição estratigráfica dos litotipos aflorantes. Identificou-se o empilhamento estratigráfico das unidades na área de estudo como sendo Formação Açuruá do Grupo Paraguaçu e Formação Tombador do Grupo Chapada Diamantina. O levantamento e o tratamento de dados estruturais mostraram uma relação identitária muito próxima em campo e em imagem de satélite, bem como na literatura. Uma família, de carácter distensional, é marcada por falhas normais, de ângulo elevado e orientação preferencial NNW/SSE, relacionadas com a instalação do Aulacógeno do Paramirim. A segunda família de estruturas é compressional e nucleou-se durante a inversão frontal do aulacógeno em quatro estágios distintos. A primeira etapa marca a fase de deslocamento entre as unidades de cobertura e o embasamento, com o desenvolvimento das estruturas orientadas na direção NNW/SSE e vergentes para ENE. Os dois estágios subsequentes correspondem ao estágio de envolvimento do embasamento na deformação da cobertura, e o último estágio caracterizado pelo desenvolvimento de dobras abertas associadas a uma clivagem de crenulação que gira todas as estruturas anteriormente nucleadas e cujos eixos são orientados na direção NNW/SSE e vergem para WSW. Os lineamentos na área indicam essa prevalência de estruturas NNW/SSE, como de grande porte.
A mineração tem significativa importância socioeconômica e potencial de impactar a configuração geomorfológica regional. A partir da demanda por novos estudos sobre a atividade, ocorrente nos nove municípios da Região Metropolitana do Cariri (RMCariri), o objetivo deste trabalho é caracterizar e espacializar a mineração, correlacionando-a com a geomorfologia da RMCariri. O percurso metodológico desenvolvido teve abordagem qualitativa, composto por um embasamento teórico-conceitual e um contingente técnico-científico, por sua vez, segmentado em etapas inter-relacionadas de gabinete, campo e laboratório. Os resultados alcançados indicam o desenvolvimento histórico da mineração desde o século XVII, oscilante, mas presente até a atualidade em diversos segmentos dos municípios da RMCariri, afetando a diversidade geológica da área de estudo e a geomorfologia associada, compartimentada aqui em suas porções fluviais e inter-fluviais. Ademais, foram verificados, compilados e espacializados os processos minerários na região. As contribuições feitas são bases para as pesquisas em desenvolvimento, objetivando conhecer e propor alternativas para as atividades e práticas da mineração na Região Metropolitana do Cariri, dentre outras formas de uso e ocupação, a partir da análise geomorfológica.