
A região semiárida de Pernambuco é marcada por longos períodos de seca e precipitação irregular, o que afeta diretamente a dinâmica da vegetação e a disponibilidade hídrica. Inserido no bioma Caatinga, esse território tem sofrido pressões crescentes devido ao desmatamento e à expansão agropecuária. Este estudo analisou a variação espaço-temporal da cobertura vegetal e da umidade superficial entre 2000 e 2023, utilizando imagens de satélite e dados climáticos. Foram aplicados índices espectrais derivados do sensor MODIS, como NDVI, SAVI, IAF e NDWI, processados na plataforma Google Earth Engine (GEE), além de dados de precipitação obtidos do produto GPM. A análise demonstrou forte correlação entre os índices de vegetação e o regime pluviométrico, com destaque para a redução do NDWI em anos mais secos. Os resultados evidenciam padrões de sazonalidade e tendências de degradação ambiental associadas à escassez hídrica, indicando a importância do monitoramento contínuo por sensoriamento remoto. O estudo reforça a necessidade de estratégias de conservação da vegetação e manejo sustentável dos recursos hídricos no semiárido pernambucano.
A gestão territorial eficiente depende do conhecimento dos recursos naturais e de ferramentas que integrem diferentes informações espaciais. O geoprocessamento possibilita essa integração, permitindo análises que refletem a realidade ambiental de forma mais completa. Nesse contexto, a Geodiversidade surge como uma abordagem capaz de relacionar os elementos geológicos, geomorfológicos, pedológicos, altimétricos e de uso e cobertura do solo, revelando a variabilidade dos componentes naturais de um território. Este estudo realizou o cálculo do índice de Geodiversidade para o município de Itamarati de Minas (MG), utilizando dados secundários de bases estaduais e federais. Foram analisadas as classes de Litologia, Pedologia, Geomorfologia, Hipsometria, Declividade e Uso e Cobertura do Solo. Os resultados indicaram que, embora as classes com maior área, como pastagens e formações florestais, apresentem baixos índices ponderados, as classes de menor extensão (especialmente Afloramento Rochoso e Áreas Úmidas) registraram os maiores valores de Geodiversidade Ponderada. Esses ambientes se destacam por sua relevância ecológica e potencial para ações de geoconservação e ecoturismo, contribuindo para a valorização dos recursos naturais locais. Conclui-se que a metodologia aplicada permitiu compreender a complexidade da paisagem de Itamarati de Minas e oferece subsídios para um planejamento ambiental mais integrado e sensível às particularidades do território.
Este artigo analisa como as múltiplas formas de territorialidade influenciam o uso e a cobertura da terra na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro (RDS Rio Negro), localizada no estado do Amazonas. A RDS está inserida em uma região em franco processo de urbanização, delimitada de um lado pelo rio Negro e, de outro, por uma importante rodovia. Foram utilizados dados primários oriundos das experiências em campo na região e dados secundários de uso e cobertura da terra provenientes do projeto MapBiomas, além de levantamento bibliográfico. Foram aplicadas métricas de paisagem para avaliar o avanço do desmatamento na RDS. Os resultados apontam para dois principais modelos de ocupação territorial na RDS Rio Negro, um tradicional (setor leste) e um não-tradicional (setor oeste), reverberando na cobertura vegetal da área. Constatou-se que o modelo de ocupação territorial não-tradicional tende a reduzir mais a cobertura vegetal, se comparado com a ocupação das comunidades tradicionais da RDS. Foram observados processos de regeneração da cobertura vegetal nos dois modelos de ocupação, sendo diferenciados por suas intencionalidades e intensidade. O artigo contribui para o melhor entendimento dos impactos advindos dos processos de ocupação humana e os seus desdobramentos quanto ao desmatamento na Amazônia.
Os ambientes cársticos se destacam dos outros ambientes naturais devido à sua natureza única e peculiar. Esses ambientes são naturalmente sensíveis à contaminação, tanto de origem antropogênica quanto natural, o que os torna vulneráveis devido às suas características intrínsecas. Essas particularidades muitas vezes dificultam a aplicação de metodologias tradicionais para o estudo e mapeamento da vulnerabilidade cárstica. Em todo o mundo, diversas abordagens metodológicas têm sido propostas e adaptadas para avaliar a vulnerabilidade do carste. Um exemplo é o método COP, empregado neste estudo para determinar o fator de precipitação (Fator P) no alto curso da bacia hidrográfica do Rio Corrente, localizado no nordeste do Estado de Goiás. Este método, combinado com procedimentos tecnológicos de SIG em ambiente de geoprocessamento, foi utilizado para gerar o mapa de isoietas da área estudada. A partir dos dados de precipitação disponibilizados pelo site Hidroweb da Agência Nacional das Águas e Saneamento (ANA), referentes ao período de 2015 a 2020, foi possível calcular o fator de precipitação (Fator P) para a área de estudo. O resultado obtido indicou que a bacia está sujeita a uma alta vulnerabilidade, com um índice de proteção vinculado ao Fator P de 0,6. De acordo com a metodologia COP, este índice sugere uma redução significativa na proteção oferecida pelo fator precipitação, o que aponta para uma tendência de aumento na vulnerabilidade intrínseca do ambiente cárstico investigado.
O direito fundamental à moradia digna é considerado uma necessidade essencial para a existência humana e está relacionado ao direito à vida e à dignidade. Já a habitação saudável está ligada às políticas públicas, como, saneamento, transporte, emprego e renda, afetando a qualidade de vida e saúde. Nesse sentido, o presente trabalho abordará, a partir da revisão bibliográfica, a hierarquização de indicadores relacionados à efetivação do direito à moradia no meio rural. Após a introdução, faz-se uma breve distinção entre espaços rural e urbano, destacando as interações e a interdependência entre essas áreas. Em seguida, discorre sobre a busca de referências para a obtenção de critérios e as etapas para a seleção de atributos e indicadores relevantes ao direito à moradia digna no meio rural. A pesquisa foi conduzida através de buscas nas plataformas, como, Medline e Scielo, além de fontes governamentais. Ainda, é abordada a seleção dos atributos. Os atributos selecionados incluem custo, disponibilidade de serviços e infraestrutura, localização adequada e não discriminação. Assim, com o presente trabalho, é possível considerar que a hierarquização de critérios e elaboração de indicador de vulnerabilidade física das habitações rurais é uma ferramenta importante para a tomada de decisões, permitindo melhor alocação de recursos e intervenções eficazes. A análise ainda destaca a interdependência dos critérios e a importância de abordagem integrada deles para monitorar e detectar diversos aspectos que influenciam na qualidade da habitação no meio rural e na efetivação do direito à moradia.
Este artigo tem como objetivo geral analisar o processo de territorialização do agronegócio na fronteira do MATOPIBA, tomando o município de Luís Eduardo Magalhães (BA) como estudo de caso, para compreender as reconfigurações socioespaciais, os impactos ambientais e as dinâmicas urbanas decorrentes. O problema de pesquisa origina-se da consolidação do MATOPIBA como a última fronteira agrícola nacional, um projeto geopolítico e econômico que promove uma integração forçada do Cerrado, gerando financeirização da terra, concentração fundiária e profundas reconfigurações socioespaciais. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e descritivo-analítica, baseando-se predominantemente em análise documental e levantamento de dados secundários de fontes como IBGE e CONAB, complementada por revisão bibliográfica crítica e análise geoespacial com QGIS, cobrindo majoritariamente o período de 2000 a 2024. Os principais resultados evidenciam: 1) intensa reconfiguração socioespacial, com crescimento populacional de 79,53% (2010-2022) e taxa de urbanização superior a 97%; 2) expansão e intensificação da sojicultura, com a área plantada saltando de 75.973 ha (2000) para 197.277 ha (2024); 3) drástica redução da vegetação nativa do Cerrado; 4) formação de uma "cidade do agronegócio" funcional ao capital global, marcada por segregação socioespacial e "economia da pobreza"; 5) aprofundamento de contradições inerentes ao modelo de desenvolvimento hegemônico, baseado na acumulação por espoliação e na especialização primária.
O presente trabalho analisa uma Área Susceptível à Desertificação no Centro-Norte Cearense (ASD 1), a partir do entendimento das características vegetacionais, pluviométricas e pedológicas. A área de estudo apresenta, em linhas gerais, condições de clima semiárido, com pluviosidade abaixo de 800 mm e temperaturas elevadas, resultando em déficit hídrico significativo. O trabalho utiliza o Método de Regimes Ecodinâmicos (MRE), por meio de parâmetros como: balanço hídrico, intensidade bioclimática potencial (IBP) e real (IBR), além de propriedades físicas dos solos, e formações vegetais. Os resultados revelaram gradientes de regimes ecodinâmicos, desde formações xerófilas tropófilas até mesófilas subúmidas. Sob essa perspectiva, o trabalho evidencia a heterogeneidade paisagística da região, assim como também alerta para os impactos da degradação ambiental e das mudanças climáticas, que podem alterar esses regimes no futuro. Conclui-se que a ASD 1 possui diversidade paisagística, de formações vegetais e potencialidades, apesar do comprometimento ecológico provocado pela degradação.
Este estudo analisa a espacialização desigual dos serviços de saúde na Região Geográfica Imediata de Santa Inês, à luz da economia política do território. O recorte temporal contempla um ano de pandemia, a partir do primeiro caso registrado no Maranhão em 20 de março de 2020. A pesquisa baseia-se em dados secundários provenientes, sobretudo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Ministério da Saúde (DataSUS) e da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão. Apresenta dados socioeconômicos, para compreender a conjuntura regional nesse campo, e dados de saúde em contraste com o cenário estadual, a fim de identificar densidades e rarefações desses recursos. Posteriormente, realiza uma análise qualitativa fundamentada nos conceitos discutidos ao longo do trabalho. Os resultados evidenciam a concentração de equipamentos e serviços médico-hospitalares em centros urbanos de maior densidade técnica – como Santa Inês, em relação à região, e São Luís, em relação ao estado –, enquanto as áreas rarefeitas permanecem marcadas pela carência estrutural e pela dependência funcional. Essa seletividade territorial condiciona fluxos intermunicipais para atendimento em saúde, contribuindo para a sobrecarga do sistema e a ampliação do risco de contágio. A lógica de organização territorial da saúde, orientada por critérios econômicos, aprofunda a contradição entre a saúde como direito universal e sua apropriação como mercadoria, intensificando as desigualdades socioespaciais. Conclui-se que a pandemia não foi a causa da funcionalidade desigual do território maranhense, mas sim um fator que a revelou e intensificou, evidenciando a urgência de políticas públicas capazes de promover justiça territorial na saúde.
Este artigo analisa a trajetória da segurança alimentar no Brasil a partir do emblemático caso de 1994, quando uma catadora de lixo em Olinda, Pernambuco (PE), consumiu tecido humano para sobreviver, episódio que chocou o país e expôs a face mais brutal da fome. O objetivo central é investigar como a memória (ou o esquecimento) dessa tragédia dialoga com as estruturas sociais e as políticas públicas de combate à fome, reconstruindo a trajetória brasileira até a nova saída do Mapa da Fome da ONU em 2025. A metodologia assenta-se numa abordagem qualitativa e histórico-documental, baseada na análise de fontes jornalísticas coevas, discursos parlamentares, dados estatísticos de instituições nacionais e internacionais e no exame do documentário "Aguazinha: Repentes de Esperança" (2022) como peça-chave para a memória social do evento. Os resultados parciais indicam que os ciclos de avanço e retrocesso na segurança alimentar estão diretamente vinculados à prioridade política e à continuidade de políticas públicas estruturantes. A análise conclui que a erradicação sustentável da fome depende não apenas de instrumentos técnicos, mas também de um pacto social e ético alimentado pela memória crítica de seus episódios mais extremos, como o de Olinda, para evitar a naturalização da miséria e a repetição de tragédias similares.
A ocupação histórica do Cariri paraibano, marcada pela pecuária e pela agricultura de subsistência, contribuiu para a supressão progressiva da vegetação nativa. Nesse contexto, foi criada a Área de Proteção Ambiental do Cariri (APA do Cariri), uma das poucas unidades de conservação do Semiárido paraibano. Apesar de sua importância, a dinâmica espaço-temporal da perda e da fragmentação da vegetação nessa área ainda é pouco conhecida. Este estudo avaliou a trajetória de perda e fragmentação da Caatinga na APA do Cariri entre 1985 e 2023, utilizando métricas de paisagem para identificar áreas prioritárias à regeneração. Foram utilizados dados de uso e cobertura da terra do projeto MapBiomas, obtidos por meio da plataforma Google Earth Engine, a partir dos quais foi extraída a classe de vegetação nativa. As análises incluíram métricas de área, fragmentação, forma, isolamento e conectividade funcional, com destaque para o Índice Integral de Conectividade (IIC). Os resultados indicaram redução superior a 50% da cobertura vegetal nativa, acompanhada da formação de fragmentos menores, mais isolados e mais vulneráveis. Dentre os municípios que integram a APA, Cabaceiras destacou-se por apresentar a situação mais crítica em termos de perda e fragmentação da vegetação nativa. Além disso, as porções centrais da APA, embora relevantes para a conectividade da paisagem, concentram fragmentos pequenos e suscetíveis à degradação. Esses resultados reforçam a necessidade de estratégias de restauração ecológica em áreas sob risco de desertificação. Translator Translator Translator Translator A ocupação histórica do Cariri paraibano foi marcada pela pecuária e agricultura de subsistência, que resultaram na supressão da vegetação nativa. Como resposta, foi criada a Área de Proteção Ambiental do Cariri (APA do Cariri), uma das poucas unidades de conservação do Semiárido Paraibano. No entanto, a dinâmica espaço-temporal da perda e fragmentação da vegetação nessa área ainda é pouco conhecida. Este estudo avaliou a trajetória de perda e fragmentação da Caatinga na APA entre 1985 e 2023, utilizando métricas de paisagem para indicar áreas prioritárias à regeneração. Foram usados dados do MapBiomas (Coleção 9), processados no Google Earth Engine. As análises aplicaram métricas como área total, número de fragmentos, tamanho médio, índice de forma, distância ao vizinho mais próximo e conectividade funcional (IIC). Os resultados indicaram uma redução superior a 50% da cobertura vegetal, com fragmentos menores, mais isolados e degradados. O município de Cabaceiras apresentou o cenário mais crítico. As regiões centrais da APA, embora relevantes para a conectividade, concentram fragmentos pequenos e vulneráveis. Os achados reforçam a necessidade de estratégias de restauração ecológica em áreas sob risco de desertificação.
Esta pesquisa teve como objetivo elaborar uma climatologia de ciclones extratropicais para o período entre 2000 e 2016, analisando suas características quantitativas e espaciais. Para isso, foram quantificados esses sistemas no Sul do Brasil, em uma área delimitada pelas latitudes de 15° S a 40° S e longitudes de 30° W a 60° W. A identificação dos ciclones foi feita utilizando dados de pressão atmosférica mínima da reanálise do Climate Forecast System Reanalysis (CFSR) e cartas sinóticas do Centro de Hidrografia da Marinha como suporte. Foi criado um banco de dados com as datas e as pressões mínimas dos ciclones, em dois horários diários (00 UTC e 12 UTC). Entre 2009 e 2011, observou-se a maior frequência de ciclones. A densidade variou sazonalmente: no verão, as principais áreas de ocorrência foram o Rio da Prata e a costa do estado do Rio Grande do Sul, além da costa do Sudeste; no outono, houve redução no Sudeste e aumento entre o Rio da Prata e o Rio Grande do Sul. No inverno e na primavera, a ocorrência predominou na região do Rio da Prata.
O presente estudo utilizou dados gerados por satélites do SRTM e Landsat-8, visando caracterizar as condições naturais mais determinantes na bacia hidrográfica do Rio Moxotó, cuja área está situada no ambiente de semiárido, abrangendo partes do seu território localizado no Oeste do Estado de Alagoas, centro e sudoeste do Estado de Pernambuco e sul do Estado da Paraíba. Para caracterização e identificação das áreas úmidas e do tipo de cobertura do solo foram empregadas técnicas de classificação digital da vegetação, como o NDVI e a classificação semiautomática de valores de píxel. A estratificação da cobertura do solo para a bacia do Rio Moxotó indica que as áreas de capoeirão representam 33,13%, enquanto o solo exposto corresponde a 8,87% de toda área da bacia. Somadas, somente essas duas classes ocupam 42% do total da área, significando o quanto a baixa disponibilidade de água tem afetado as atividades humanas na região. Outra observação, que pode ser relacionada a essa realidade, é o desaparecimento da vegetação nativa e consequentemente descaracterização da paisagem natural, considerando o percentual dessas áreas. Esses fatores têm contribuído para a desaparecimento da vegetação nativa e a descaracterização da paisagem. Resultados como estes, foram possíveis graças ao uso de dados de sensoriamento remoto, que hoje facilitam a tomada de decisão a partir de diagnósticos construídos com o emprego de ferramentas de software como o QGIS, para o processamento e modelagem das informações.
Este estudo propõe a criação de jogos com materiais recicláveis para ensinar Geografia e solos de forma lúdica. O objetivo é utilizar recursos simples e acessíveis na construção de jogos que auxiliem os alunos a compreender os conceitos de maneira prática e eficiente. A utilização de jogos pode estimular a imaginação das crianças e aumentar a interação entre alunos e professores. O estudo analisa as características das ações na sociedade relacionadas ao ensino de Geografia e jogos. Os resultados concentram-se no caráter mais descritivo dos conteúdos programáticos lúdicos, que são acessíveis e eficazes na educação, considerando as interligações naturais entre a natureza, a sociedade e o consumo. O estudo explora diversas possibilidades de trabalhar o solo por meio de materiais, relevo, clima, organismos e outros fatores, a fim de contribuir para o ensino-aprendizagem em sala de aula.
Objetivando fornecer contribuições sobre como os processos tectônicos e litológicos influenciaram a morfologia do relevo no setor central do Planalto das Araucárias, empreendeu-se, a partir de mapa de drenagem em escala 1:50.000, análise dos padrões de drenagem, anomalias, falhas/fraturas e falhas inferidas. Essa análise demonstrou que a orientação estrutural NW-SE é predominante na área de estudo, destacando-se os trens entre N 40-70 W, indicando a existência de direções estruturais principais na área. Observou-se, também, correlação significativa entre os lineamentos estruturais de subsuperfície (lineamentos magnéticos) e os lineamentos de superfície (falhas/fraturas e falhas inferidas). A existência de setores da rede de drenagem com padrões retangulares, paralelos e anelares está atrelada a condições estruturais e tectônicas específicas, como falhas e juntas nas rochas. Tais padrões são importantes indicadores do papel da tectônica na evolução da paisagem, assim como, a existência de curvas anômalas e cotovelos de drenagem correlacionados com lineamentos estruturais, que sugerem atividade neotectônica na área de estudo.
As políticas de ações afirmativas, em particular as cotas raciais, foram implementadas no Brasil como um mecanismo fundamental para corrigir desigualdades históricas e promover a inclusão de grupos historicamente marginalizados, como a população negra, em espaços de poder e educação. A pesquisa apresenta como objetivo geral analisar a eficácia das comissões de heteroidentificação na promoção da igualdade material para pessoas negras em processos seletivos públicos no estado de Pernambuco e avaliando seus impactos sociais, de forma transversal e interdisciplinar. As comissões de heteroidentificação representam um avanço institucional na luta por uma sociedade mais justa e equitativa. Ao adotarem o fenótipo como critério central, elas reconhecem a especificidade do racismo brasileiro e direcionam o benefício das cotas para aqueles que, por suas características físicas, são mais vulneráveis à discriminação. Embora enfrentem desafios inerentes à complexidade racial do país, como a questão do pardo e as tentativas de fraude, a adoção de práticas de transparência, treinamento e diversidade em sua composição confere legitimidade ao processo. O trabalho dessas comissões é, portanto, um pilar fundamental para a concretização da igualdade material e um instrumento indispensável no combate efetivo ao racismo estrutural no Brasil.
Este artigo analisa o uso e a ocupação irregulares do solo em áreas legalmente protegidas na praia de Picos, localizada no município de Icapuí, litoral leste do Ceará. O objetivo principal é identificar e avaliar as formas de ocupação em Áreas de Preservação Permanente (APPs), áreas não edificáveis e faixas de proteção, confrontando o uso atual com os parâmetros legais estabelecidos nas esferas federal, estadual e municipal. A metodologia adotada combina técnicas de geoprocessamento, interpretação visual e análise multitemporal de imagens de satélite (2004 a 2024), além de trabalhos de campo, permitindo mapear construções e calcular o nível de ocupação das áreas protegidas. Os resultados indicam que, embora o percentual total de ocupação nas áreas protegidas seja relativamente baixo (4,63%), a tendência de crescimento é contínua, com taxa média anual de 27,5% ao longo das duas últimas décadas. Foram identificadas 80 construções, em sua maioria residências e hospedarias, em desacordo com normas de proteção ambiental. As construções afetam negativamente a dinâmica ambiental costeira, intensificando riscos de erosão e desmoronamentos, especialmente nas falésias. Conclui-se que a ocupação, ainda incipiente, já compromete a estabilidade geomorfológica local e requer maior atuação do poder público por meio de fiscalização, controle e educação ambiental para assegurar a preservação dos ecossistemas costeiros e o cumprimento da legislação vigente.
Os alagamentos recorrentes em áreas urbanas comprometem a infraestrutura, a qualidade de vida e a economia local. Com o objetivo de identificar e mitigar esses impactos, este estudo realizou o mapeamento de suscetibilidade a alagamentos no município de Pirapora - MG, utilizando o Processo de Análise Hierárquica (AHP) e técnicas de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Foram analisadas variáveis essenciais, como hipsometria, declividade, precipitação, tipo de solo, uso e ocupação do solo e geomorfologia, para avaliar a vulnerabilidade do território. Como resultado, foi gerado um mapa de suscetibilidade que indicou que 56,21% da área do município apresenta alta e muito alta suscetibilidade a alagamentos. Este trabalho fornece subsídios importantes para o planejamento urbano e a gestão de desastres na região, destacando a eficácia da integração entre AHP e SIG na análise de riscos.
A zona costeira possui grande relevância econômica e turística, além de se configurar como espaço de lazer e balneabilidade para a população. No entanto, associado ao uso recreativo do litoral, estão atrelados alguns riscos e acidentes, como afogamentos. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi identificar os acidentes ocorridos no litoral cearense entre 2017 e 2025, por meio de matérias jornalísticas divulgadas nesse período, além de propor uma tipologia para classificar os diferentes tipos de acidentes registrados. Para isso, foram necessárias algumas etapas metodológicas, como o levantamento bibliográfico, para fundamentar o estudo e pesquisa documental, por meio de matérias jornalísticas de jornais locais, especialmente O Povo G1 e Diário do Nordeste, nos quais foram buscadas palavras-chave. Após a seleção das matérias e criação de um banco de dados, os acidentes foram classificados e espacializados conforme o local de ocorrência, por meio do uso de imagens do Google Earth Pro e QGis. Entre os anos analisados foram catalogadas 112 notícias, que foram organizadas em 4 tipologias: Afogamento, acidentes com veículos off road , acidente no trajeto, falha em equipamentos de uso recreativo e outros ( desaparecimento ou acidentes no mar e danos materiais). Os afogamentos concentram 73% das ocorrências, sendo também o acidente com maior número de vítimas, resultando em 327 pessoas resgatadas e 36 óbitos. O município com maior número de casos foi Fortaleza, e as praias mais citadas foram a Praia do Futuro, Caça e Pesca e Praia de Iracema.
O Semiárido Brasileiro é uma região que estabelece forte ligação com os fatores climáticos, desde o seu processo de ocupação e ainda nas atividades antrópicas desenvolvidas hodiernamente. A distribuição das chuvas é de grande importância para a vida do sujeito sertanejo até os dias atuais. Neste sentido, o presente artigo tem como propósito apresentar um constructo dos sistemas atmosféricos atuantes no Domínio Semiárido da Caatinga (DSC), demonstrando suas particularidades no espaço e no tempo, dentro de um contexto regional de semiaridez. Esses sistemas são apresentados em diferentes escalas de atuação, desde os sistemas de macroescala (escala sinótica), passando pelos de mesoescala, alcançando a microescala e as diferenciações na paisagem. Destacando ainda a configuração temporal da pluviosidade e sua variabilidade intra-anual e interanual. O objetivo derradeiro é reconhecer as particularidades e variações internas do clima semiárido presente na área de estudo.
A diversidade e a complexidade do sistema-nascente, bem como suas interações com a paisagem, tornam-no um dos ambientes mais ricos e significativos em termos ambientais e sociais. Portanto, o objetivo desta pesquisa buscou realizar monitoramento do comportamento hidrológico em nascentes que compõe a Bacia Hidrográfica do Mundaú em respostas à precipitação pluvial da região. Foi realizado levantamento de campo, onde foram identificadas e mapeadas as nascentes contidas nos limites da bacia hidrográfica do Mundaú. As 23 nascentes levantadas foram averiguadas a vazão esporádica e destas, quinze nascentes, no Alto e Médio curso, foram realizadas o monitoramento contínuo, durante os anos de 2022 e 2023. Os valores foram convertidos a classificação de magnitude de vazão. A sazonalidade climática da área foi analisada para fins de comparação com a vazão. As 23 nascentes apresentam sazonalidade perene, em média de vazão estimadas nos valores entre 0,02 e 5,50 L/s, os maiores registros de fluxo hidrológico ocorreram no Alto curso do Mundaú; Encontrou-se nascentes na ordem de 6ª, 7ª e 8ª magnitude; A vazão das nascentes monitoradas demonstram amplas variabilidades anuais; Os maiores picos de vazão foram evidenciados nas nascentes 27SM, 5SM e 3SM, com 1,22, 0,58 e 0,26 L/s, ao passo que, as nascentes 24CO e 21CO, detiveram médias de 0,34 e 0,95 L/s, respectivamente; O comportamento hidrológico das nascentes monitoradas não apresentou relação direta com o regime de precipitação pluvial (p > 0,05).