
A transição do ticagrelor para o clopidogrel não está fundamentada em estudos farmacodinâmicos ou clínicos, mas é uma prática comum. O objetivo do presente estudo foi testar, de forma exploratória, em pacientes com diagnóstico de síndrome coronariana aguda submetidos à intervenção coronariana percutânea, inicialmente tratados com ticagrelor, a transição para duas diferentes doses de clopidogrel no momento da alta hospitalar. Pacientes previamente tratados com ticagrelor foram randomizados para receber uma dose de ataque de 300 mg de clopidogrel no momento da alta hospitalar, ou 75 mg, omitindo‐se a dose de ataque. O objetivo primário foi a incidência de eventos adversos cardiovasculares ou sangramento aos 30 dias. Dentre 348 pacientes selecionados, 132 foram incluídos e completaram o estudo. A incidência de eventos isquêmicos e hemorrágicos aos 30 dias foi similar entre os grupos, traduzindo‐se em uma taxa de eventos cardíacos e cerebrovasculares de 6,1% vs. 9,1% (RR: 0,787; IC 95%: 0,361‐1,715; p = 0,74). A transição para clopidogrel com a dose de 75 mg no momento da alta, omitindo‐se uma dose de ataque, aparenta ser uma estratégia possível. Estudos com maior poder estatístico são necessários para confirmar estes achados. The transition from ticagrelor to clopidogrel is not based on pharmacodynamic or clinical studies, but it is a common practice. The aim of the present study was to test, in an exploratory way, the transition to two different doses of clopidogrel at the time of hospital discharge in patients diagnosed with acute coronary syndrome submitted to percutaneous coronary intervention who were initially treated with ticagrelor. Patients previously treated with ticagrelor were randomized to receive a loading dose of 300 mg clopidogrel at hospital discharge, or 75 mg without the loading dose. The primary endpoint was the incidence of cardiovascular adverse events or bleeding at 30 days. Of 348 selected patients, 132 were enrolled and completed the study. The incidence of ischemic and hemorrhagic events at 30 days was similar between the groups, resulting in a rate of cardiac and cerebrovascular events of 6.1% vs. 9.1% (RR: 0.787; 95% CI: 0.361‐1.715; p = 0.74). The transition to clopidogrel with a dose of 75 mg at discharge, without a loading dose, appears to be a possible strategy. Studies with greater statistical power are needed to confirm these findings.
Apesar da estreita relação do tabagismo com o desenvolvimento da doença aterosclerótica, pouco se sabe sobre as características clínicas e os desfechos relacionados à intervenção coronária percutânea (ICP) em tabagistas com síndrome coronariana aguda no Brasil. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil clínico, angiográfico e do procedimento, além de desfechos hospitalares, em pacientes tabagistas e não tabagistas com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) submetidos à ICP primária ou de resgate. Estudo transversal do registro da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) entre 2006 e 2016. A população do estudo incluiu pacientes com idade ≥ 18 anos que apresentassem IAMCST submetidos à ICP primária ou de resgate. Foram incluídos 20.319 pacientes, dos quais 6.880 (34,4%) eram tabagistas. O grupo de pacientes tabagistas era significativamente mais jovem, do sexo masculino e com menor prevalência de comorbidades. À angiografia, os tabagistas apresentaram maior complexidade, com maior prevalência de trombos, de lesões longas ou fluxo TIMI 0/1. Durante o procedimento, os tabagistas receberam stent farmacológico em menor proporção e a tromboaspiração foi mais frequente, bem como o sucesso do procedimento (94,2% vs. 92,1%; p < 0,0001). Na análise univariada, pacientes tabagistas apresentaram menor mortalidade (2,9% vs. 4,5%; p < 0,0001) e menos eventos cardíacos adversos maiores (3,3% vs. 4,8%; p < 0,0001). No entanto, após análise multivariada, o tabagismo não se associou a menor risco de mortalidade. Embora os desfechos clínicos associados à ICP tenham sido favoráveis aos pacientes tabagistas, a análise multivariada não demonstrou efeito protetor do tabagismo. Tais resultados são devidos às diferenças encontradas nas características clínicas e angiográficas entre pacientes tabagistas e não tabagistas. Despite the close association between smoking and atherosclerotic disease development, little is known about the clinical characteristics and outcomes related to percutaneous coronary intervention (PCI) in smokers with acute coronary syndrome in Brazil. This study aimed to analyze the clinical, angiographic, and procedural profile, in addition to in‐hospital outcomes, in smokers and non‐smokers with acute myocardial infarction with ST‐segment elevation (STEMI) submitted to primary or rescue PCI. Cross‐sectional study of the Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) registry between 2006 and 2016. The study population included patients aged ≥ 18 years who presented with STEMI and were submitted to primary or rescue PCI. A total of 20,319 patients were included, of whom 6,880 (34.4%) were smokers. The group of smokers was significantly younger, male, and with a lower prevalence of comorbidities. At angiography, smokers showed greater complexity, with a higher prevalence of thrombi, long lesions or TIMI flow 0/1. During the procedure, smokers received a lower proportion of drug‐eluting stents and thrombus aspiration was more frequent, as well as procedural success (94.2% vs. 92.1%; p < 0.0001). In the univariate analysis, smokers showed lower mortality (2.9% vs. 4.5%; p < 0.0001) and fewer major adverse cardiac events (3.3% vs. 4.8%; p < 0.0001). However, after multivariate analysis, smoking was not associated with a lower risk of mortality. Although the clinical outcomes associated with the PCI were favorable to smokers, the multivariate analysis did not show a protective effect of smoking. Such results are due to differences in clinical and angiographic characteristics between smokers and non‐smokers.
O implante transcateter da valva pulmonar (ITVP) evoluiu significativamente desde sua introdução, no início dos anos 2000. Atualmente, esta técnica é uma opção segura e eficaz para o tratamento das disfunções valvares graves (estenose e/ou insuficiência) em biopróteses ou condutos cirúrgicos em posição pulmonar, em vários centros do mundo. No Brasil, os resultados iniciais com este procedimento em centros de referência foram similares àqueles observados na experiência global. O ITVP tem se demonstrado factível, seguro e eficaz em mãos treinadas na nossa realidade. Porém, antes da aplicação disseminada desta técnica em outros centros em nosso país, houve a necessidade de se estabelecerem alguns critérios para a seleção do paciente, a técnica de implante e o seguimento clínico, assim como para o treinamento e o credenciamento de novos operadores e centros. As orientações aqui descritas foram determinadas por um grupo de especialistas com experiência renomada em cardiopatias congênitas e ITVP, tendo sido encaminhadas ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Representantes das diferentes sociedades médicas foram envolvidas na preparação deste documento, incluindo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Invasiva (SBHCI) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV). Acreditamos que a rígida aderência às recomendações listadas neste documento oficial seja crucial para a segurança do paciente e para que ótimos resultados sejam alcançados imediatamente e a longo prazo. Uma vez consolidado em nosso meio, o ITVP abrirá caminho para a introdução de novas terapias valvares em cardiopatias congênitas.
RESUMO Introducao Embora a pre‐dilatacao durante a intervencao coronaria percutânea primaria confira maior previsibilidade ao implante do stent, ela associa‐se a complicacoes que podem influenciar negativamente em seus resultados imediatos e tardios. O objetivo deste estudo foi caracterizar os procedimentos com necessidade de pre‐dilatacao, comparando‐os aqueles realizados pelo implante direto de stent. Metodos Foram analisadas as intervencoes coronarias percutâneas primarias cadastradas na Central Nacional de Intervencoes Cardiovasculares (CENIC) durante o periodo de 2006 a 2016, tendo sido caracterizados os perfis clinico e angiografico dos procedimentos efetivados com ou sem pre‐dilatacao, afericao de desfechos hospitalares e preditores de mortalidade. Resultados A amostra foi composta por 17.515 pacientes. Aqueles submetidos a pre‐dilatacao diferiram do grupo stent direto, quanto as caracteristicas clinicas, com maior prevalencia de idosos, mulheres e comorbidades associadas. No primeiro, as taxas de lesoes calcificadas, bifurcacoes, oclusoes e coronariopatia multiarterial foram maiores. Tambem foram maiores as taxas de insucesso da intervencao entre pacientes submetidos a pre‐dilatacao e de eventos cardiacos adversos maiores. No modelo de regressao logistica multipla, a necessidade de pre‐dilatacao correlacionou‐se com a ocorrencia de obito hospitalar. Conclusoes A intervencao coronaria percutânea primaria com necessidade de pre‐dilatacao caracterizou‐se pela maior prevalencia de comorbidades clinicas entre os pacientes e pela complexidade angiografica e tecnica dos procedimentos. A pre‐dilatacao constituiu‐se em variavel preditora independente de mortalidade hospitalar neste cenario clinico.
Comunicação intercoronária ou arcada coronária é uma anomalia congênita rara. Relatamos o caso de um paciente com comunicação intercoronária, com quadro de dor torácica e eletrocardiograma com padrão de repolarização ventricular precoce, mas sem aterosclerose significativa à cineangiocoronariografia. No entanto, foi visualizada comunicação intercoronária com fluxo unidirecional entre a coronária direita e a artéria circunflexa, que foi avaliada pela ecocardiografia sob estresse físico, sem detecção de isquemia. Embora a comunicação intercoronária geralmente não esteja relacionada à isquemia, há relatos na literatura de que o fluxo unidirecional pode causar isquemia miocárdica por meio do roubo coronariano.
As complicações no cateterismo cardíaco direito estão quase sempre relacionadas ao local de acesso. As veias do antebraço podem ser um alvo para reduzir tais complicações durante o procedimento. No entanto, dados relativos à ampla aplicação desta técnica são escassos. Série de casos que relata nossas primeiras experiências com o cateterismo cardíaco direito por acesso venoso antecubital. Tentamos realizar o cateterismo cardíaco direito em 20 pacientes com abordagem antecubital em janeiro de 2016. A abordagem antecubital foi bem‐sucedida em 19 casos (95,0%). Todos os acessos venosos foram obtidos guiados por ultrassonografia. Os cateterismos cardíacos direito e esquerdo foram realizados simultaneamente em 12 casos (60,0%). O cateterismo cardíaco esquerdo foi realizado através da artéria radial direita em 11 casos (91,7%), e da artéria braquial direita em 1 caso (8,3%). O acesso antecubital foi obtido pela veia basílica em 18 (94,7%) casos, e pela veia cefálica em 1 (5,3%) caso. O cateterismo cardíaco direito através das veias da prega antecubital parece ser viável e seguro. Outros estudos controlados são necessários para estabelecer o melhor local de acesso para realizar o cateterismo cardíaco direito. Complications in right heart catheterization are almost all access‐site related. Forearm veins may be a target to reduce access‐site complications during the procedure. However, data regarding wide application of this technique is scarce. This is a case‐series that reports our first experiences in right heart catheterization through the antecubital approach. We attempted to perform right heart catheterization in 20 patients using antecubital approach on January 2016. The antecubital approach was successful in 19 (95.0%) cases. All venous access were obtained with ultrasound guidance. Simultaneous right and left heart catheterization was performed in 12 cases (60.0%). Left heart catheterization was performed through right radial artery in 11 cases (91.7%) and through the right brachial artery in 1 case (8.3%). Antecubital access was obtained through the basilic vein in 18 (94.7%) cases and through the cephalic vein in 1 (5.3%) case. Right heart catheterization through the antecubital fossa veins appears to be feasible and safe. Further controlled studies are required to establish the best access site to perform right heart catheterization.
Em pacientes com choque cardiogênico pós‐infarto a mortalidade é alta. A reversão da hipoperfusão tecidual é essencial para a preservação orgânica durante o período de recuperação funcional do miocárdio. Relatamos o caso de uma paciente que, após seguidos episódios de parada cardiorrespiratória, evoluiu com choque cardiogênico secundário à dissecção espontânea do tronco de coronária esquerda. Após a restauração do fluxo coronariano, por meio da intervenção percutânea primária com uso de stent, optou‐se pelo implante do dispositivo de assistência circulatória Impella® 2.5, que permitiu melhorar as condições hemodinâmicas da paciente, contribuindo para um desfecho favorável.
Existem poucos dados nacionais a respeito dos resultados da intervenção coronária percutânea (ICP) primária, e os registros são uma ótima ferramenta para a avaliação do perfil dos pacientes e dos desfechos pós‐procedimento. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil dos pacientes com ICP primária em um hospital geral terciário, bem como avaliar os desfechos cardiovasculares hospitalares e em 30 dias. Foram incluídos todos os pacientes submetidos à ICP primária entre 2012 a 2015. Trata‐se de um registro prospectivo, no qual os desfechos clínicos analisados foram a ocorrência de morte, infarto ou acidente vascular cerebral, e eventos cardiovasculares e cerebrovasculares maiores (ECCAM). Foram incluídos 323 pacientes, com idade 60 ± 12 anos, sendo 66,7% do sexo masculino, 28,5% diabéticos. Na admissão, 13,5% dos pacientes apresentavam‐se em Killip III/IV. O tempo dor‐porta foi de 4,4 ± 2,5 horas e o tempo porta‐balão foi 68,0 ± 34,0 minutos. A mortalidade hospitalar foi de 9,9%, e 18,3% dos pacientes apresentaram ECCAM em 30 dias. Os pacientes submetidos à ICP primária apresentaram taxas elevadas de ECCAM, que podem ser atribuídas à apresentação clínica mais grave e a um longo tempo de isquemia. Um atendimento mais rápido destes pacientes, variável modificável, demanda uma atenção imediata do sistema de saúde. There are few national data on the results of primary percutaneous coronary intervention (PCI), and registries are a great tool for assessing patient profiles and post‐procedure outcomes. The aim of this study was to describe the profile of patients with primary PCI in a general tertiary hospital, as well as to evaluate in‐hospital and 30‐day cardiovascular outcomes. The study included all patients submitted to primary PCI between 2012 and 2015. This was a prospective registry, in which the analyzed clinical outcomes were the occurrence of death, infarction, or stroke, and major cardiovascular and cerebrovascular events (MACCE). The study included 323 patients, aged 60 ± 12 years, of whom 66.7% were males, 28.5% diabetics. At admission, 13.5% of the patients were classified as Killip class III/IV. The pain‐to‐door time was 4.4 ± 2.5 hours and the door‐to‐balloon time was 68.0 ± 34.0 minutes. Hospital mortality was 9.9%, and 18.3% of the patients presented MACCE in 30 days. Patients submitted to primary PCI had high rates of MACCE, which can be attributed to the more severe clinical presentation and to a long time of ischemia. The faster treatment of these patients, a modifiable variable, demands immediate attention from the health system.
As fístulas coronárias são usualmente cardiopatias congênitas de baixa incidência. A drenagem do vaso fistuloso ocorre nas cavidades cardíacas ou nos grandes vasos do coração direito, como a artéria pulmonar ou as veias cavas. Relatamos o caso de uma paciente adulta jovem, assintomática, portadora de grande fístula da artéria descendente anterior drenando no ápice do ventrículo direito, sem comunicação deste segmento com o restante da cavidade ventricular. Esta forma incomum de apresentação de uma fístula coronário‐cavitária não foi previamente descrita.
Apesar do advento dos stents farmacológicos (SF), diabéticos ainda experimentam risco aumentado de eventos cerebrovasculares e cardiovasculares maiores (ECCAM) após intervenção coronária percutânea (ICP). Nosso objetivo foi avaliar a incidência de ECCAM (óbito, acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio não fatal ou revascularização da lesão alvo) no seguimento de pelo menos 1 ano, além da capacidade de os escores SYNTAX e SYNTAX residual predizerem eventos. Estudo unicêntrico, retrospectivo, de diabéticos com doença coronariana multiarterial, incluindo lesões de tronco de coronária esquerda (TCE), tratados com SF entre 2012 a 2014. Foram incluídos 158 pacientes, com média de idades de 65,1 ± 9,1 anos. Em 44,2% dos casos, havia lesão proximal da artéria descendente anterior e 9% apresentavam lesão de TCE. A maioria dos procedimentos foi realizada com SF de segunda geração (91,1%). A média de seguimento foi de 1.054 ± 725 dias, e o ECCAM ocorreu em 17,4% dos pacientes. Entre aqueles com escore SYNTAX baixo (< 23), 10,2% apresentaram ECCAM, enquanto que entre os que foram categorizados como com SYNTAX moderado/alto (≥ 23), a incidência foi de 33,3% (p = 0,003). Dos pacientes com escore SYNTAX residual zero (revascularização completa), 7,5% evoluíram com ECCAM, comparados com 22,0% com revascularização incompleta (p = 0,01). O presente estudo aponta para a factibilidade e a segurança da realização de ICP em diabéticos multiarteriais, especialmente entre aqueles com baixa complexidade angiográfica. A revascularização incompleta foi preditora da maior ocorrência de ECCAM no seguimento de médio/longo prazo. Despite the advent of drug‐eluting stents (DES), diabetic patients still have increased risk of major adverse cardiovascular and cerebrovascular (MACCE) after percutaneous coronary intervention (PCI). Our aim was to evaluate the incidence of MACCE (death, stroke, non‐fatal acute myocardial infarction, or target‐lesion revascularization) during a follow‐up of at least 1 year, in addition to the ability of the SYNTAX and residual SYNTAX scores to predict events. Single‐center, retrospective study of diabetic patients with multivessel coronary disease, including left main coronary artery (LMCA) lesions treated with DES between 2012 and 2014. A total of 158 patients were included, with a mean age of 65.1 ± 9.1 years. In 44.2% of the cases, there was a proximal lesion in the left anterior descending artery and 9% had a lesion in the LMCA. Most procedures were performed with second‐generation DES (91.1%). Mean follow‐up was 1,054 ± 725 days, and MACCE occurred in 17.4% of the patients. Among those with a low SYNTAX score (< 23), 10.2% had MACCE, while among those classified as having a moderate/high SYNTAX score (≥ 23), the incidence was 33.3% (p = 0.003). Of the patients with zero residual SYNTAX score (complete revascularization), 7.5% progressed with MACCE, compared with 22.0% with incomplete revascularization (p = 0.01). The present study points to the feasibility and safety of performing PCI in multivessel diabetic patients, especially among those with low angiographic complexity. Incomplete revascularization was a predictor of a higher occurrence of MACCE in the medium/long‐term follow‐up.
A doença aterosclerótica é responsável por um terço dos óbitos ocorridos anualmente, pois frequentemente leva a complicações como infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IMCST). A intervenção coronária percutânea (ICP) de resgate é indicada caso ocorra falha da terapia trombolítica administrada neste cenário. No entanto, os benefícios, em termos de redução da taxa de mortalidade e da quantidade de miocárdio efetivamente salvo, não são bem estabelecidos. O desenvolvimento de novas ferramentas, entre elas a ressonância magnética cardíaca, para identificar a área miocárdica em risco e infartada, elevou a acurácia diagnóstica. Diferentemente do contexto da ICP primária, pouco se sabe sobre a relação entre o fluxo coronário epicárdico e microvascular após a ICP de resgate e a área de miocárdio salva. O objetivo deste estudo é avaliar se existe relação entre tais fluxos e a área de miocárdio salva identificada pela ressonância magnética. Estudo prospectivo, aberto, unicêntrico, de intervenção. Serão selecionados 72 pacientes com IMCST que tiverem realizado ICP de resgate após falha documentada da terapia fibrinolítica transferidos para este serviço, obedecendo uma estratégia fármaco‐invasiva. Ao término desta pesquisa, esperamos contribuir para o conhecimento sobre o fluxo coronariano e sua relação com a quantidade de músculo cardíaco salvo após a ICP de resgate. Esta é uma informação que pode ajudar a entender quais casos mais se beneficiam da ICP de resgate. Atherosclerotic disease accounts for one‐third of deaths annually, as it often leads to complications such as ST‐elevation myocardial infarction (STEMI). Rescue percutaneous coronary intervention (PCI) is indicated in case of thrombolytic therapy failure administered in this scenario. However, the benefits regarding mortality rate reduction and the amount of myocardium that is actually salvaged are not well established. The development of new tools, including cardiac magnetic resonance imaging, to identify the myocardium at risk and the infarcted area has increased diagnostic accuracy. Differently from the context of primary PCI, little is known about the association between epicardial and microvascular coronary flow following rescue PCI and the salvaged myocardial area. The aim of this study is to evaluate whether there is an association between coronary flow and the salvaged myocardial area identified by magnetic resonance imaging. This will be a prospective, open, single‐center, intervention study. A total of 72 patients with STEMI who underwent rescue PCI after documented failure of the fibrinolytic therapy, and were transferred to our institution, will be selected, observing a pharmacoinvasive strategy. At the end of this study, the authors expect to contribute to the knowledge about coronary flow and its association with the amount of salvaged cardiac muscle after rescue PCI. This type of information that can help to understand which cases can benefit the most from rescue PCI.
As aplicações médicas representam a maior fonte de exposição radiológica ionizante e, neste contexto, é de especial importância a questão do risco profissional. Embora existam diferentes sensibilidades à radiação dos distintos órgãos do corpo humano, avaliações específicas do impacto nas diversas regiões do corpo do operador, com diferentes dispositivos de radioproteção, são raras em nosso meio. Teste de radiação espalhada foi realizado com câmara de ionização em estação de fluoroscopia, com jogo de acessórios de radioproteção padrão do equipamento (saia inferior e escudo móvel superior, em duas diferentes posições), a distâncias sequenciais em relação à fonte, utilizando fantoma de acrílico em simulação de tórax humano. Foram identificadas diferenças na radiação em relação à distância e ao uso dos dispositivos de radioproteção. A redução mediana da radiação foi de 50,6% (intervalo interquartil − IQ de 39,42% a 51,05%) com uso do escudo saia inferior, 71,3% (IQ de 67,66% a 77,05%) com adição de escudo superior em posicionamento angulado e 84,7% (IQ de 83,75% a 85,87%) com adição de escudo superior em linha ao escudo inferior. Diferenças significativas foram encontradas ainda em relação à altura e à distância da fonte. O uso dos dispositivos locais de radioproteção avaliados se mostrou efetivo na redução global do impacto radiológico ao operador, havendo, no entanto, vias de escape de radiação, especialmente com posicionamento não ideal, demonstrando a importância do uso adicional dos dispositivos de proteção individuais. Medical applications are the main source of ionizing radiation exposure, and in this context the issue of occupational risk is particularly important. Although the different organs of the human body present different radiation sensitivities, specific assessments of the impact on the different regions of the interventionist's body with diverse radioprotection devices are rare in Brazil. A scattered radiation test was performed using an ionization chamber in a fluoroscopy station, with standard radioprotection accessory kit of the equipment (lower skirt and upper movable shield, in two different positions), at sequential distances from the source, using acrylic phantoms as human chest simulation. Differences in radiation were identified in relation to distance and use of radioprotection devices. The median radiation reduction was 50.6% (interquartile range – IQ from 39.42% to 51.05%) using the lower skirt shield, 71.3% (IQ from 67.66% to 77.05%) with the addition of an upper shield in angulated position, and 84.7% (IQ from 83.75% to 85.87%) with the addition of an upper shield aligned with the lower shield. Significant differences were also found regarding height and distance from the source. The use of the assessed local radioprotection devices was effective in reducing the overall radiological impact to the interventionist. However, there were radiation escape routes, especially with non‐ideal positioning, demonstrating the importance of the additional use of individual protection devices.
O implante de stents para manter o ducto arterial patente na cardiopatia congênita cianótica é uma alternativa à cirurgia de Blalock‐Taussig modificada (BTm) em pacientes de alto risco. Descrevemos os resultados imediatos e de médio prazo do implante de stent em neonatos e lactentes com circulação pulmonar ducto‐dependente. Trata‐se de estudo descritivo e prospectivo, que incluiu diferentes cardiopatias congênitas cianóticas tratadas entre 2014 e 2015. Avaliamos 14 pacientes, com média de idade de 46 dias e pesando 4,5 kg, sendo a atresia pulmonar associada à comunicação interventricular a cardiopatia mais tratada. A abordagem pela artéria femoral ocorreu em 70% dos procedimentos e, nos demais, por via carotídea. Stents de 3,5 12 mm foram usados na maioria dos casos, e o sucesso do implante foi obtido em 78% das intervenções (11/14). Os casos de insucesso foram encaminhados para cirurgia uma delas em situação de urgência, que resultou em óbito. Ocorreu espasmo ductal < 48 horas em três pacientes que necessitaram de BTm, com evolução favorável. Complicações após a alta e nos primeiros 30 dias incluíram trombose de stent (2/11), uma delas controlada com redilatação e outra que evoluiu para óbito, e uma morte súbita (1/11). A mortalidade total foi de 21,4% (3/14). A patência do ducto arterial nos primeiros 6 meses foi obtida em 5 casos que foram submetidos à cirurgia paliativa. A experiência inicial de implante de stent ductal mostrou resultados imediatos favoráveis, e, em médio prazo, mais de um terço dos pacientes com circulação pulmonar ducto‐dependente manteve seus canais patentes. The implantation of stents to keep the ductus arteriosus patent in cyanotic congenital heart disease is an alternative to the modified Blalock‐Taussig surgery (mBT) in high‐risk patients. This study describes the immediate and medium‐term outcomes of stent implantation in neonates and infants with duct‐dependent pulmonary circulation. This was a descriptive and prospective study including different cyanotic congenital heart diseases treated between 2014 and 2015. Fourteen patients with a mean age of 46 days, and mean weight of 4.5 kg were assessed, and pulmonary artresia with interventricular communication was the most treated condition. The femoral artery approach was used in 70% of procedures; carotid approach was used in the remaining cases. Stents of 3.5 x 12 mm were used in most cases, and implant success was achieved in 78% of interventions (11/14). The failed cases were referred to surgery – one of them was an emergency, which resulted in death. Ductal spasm occurred in < 48 hours in three patients who required mBT, with favorable outcome. Complications after discharge and within the first 30 days included stent thrombosis (2/11), one of which was controlled with redilation, another progressed to death, and one sudden death (1/11). The overall mortality was 21.4% (3/14). A patent ductus arteriosus in the first 6 months was present in five cases, which underwent palliative surgery. The initial experience of ductal stenting showed favorable immediate outcomes, but in the medium term, little more than a third of the cases maintained a patent ductus arteriosus within 6 months.
A aterectomia rotacional com incorporação de novas estratégias ablativas tem sido proposta para o preparo de lesões extremamente calcificadas. Entretanto, pouco se conhece a respeito da adoção dessas novas estratégias na prática contemporânea e sobre a evolução tardia dos pacientes submetidos a esse tratamento. Objetivamos avaliar os aspectos técnicos da aterectomia e a evolução tardia dos pacientes quanto à ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores (ECAM). Estudo retrospectivo e unicêntrico, incluindo todos os pacientes submetidos à aterectomia rotacional como parte do tratamento de lesões coronárias com calcificação extrema ou falha de dilatação em procedimento prévio, no período de julho de 2012 a novembro de 2014. Foram definidos como ECAM: óbito, infarto agudo do miocárdio com onda Q ou nova revascularização do vaso‐alvo. Foram submetidos à aterectomia 29 pacientes com idade média de 69,5 ± 7,6 anos. A média da relação oliva/vaso foi de 0,54 ± 0,07; a velocidade de rotação inicial adotada foi de 161.000 ± 13.928 e a taxa de utilização de cutting balloon pós‐aterectomia foi de 45,1%. Sucesso angiográfico foi obtido em todos os procedimentos. Na evolução tardia, a mediana de tempo de seguimento foi de 13,2 meses (intervalo interquartil: 4,0 a 17,4 meses). Foram registrados um óbito por causa não cardíaca e duas novas revascularizações do vaso‐alvo. A média do tempo de sobrevivência livre de ECAM foi de 29,7 ± 2,1 meses. A aterectomia rotacional contemporânea incorporou estratégias menos agressivas de ablação, com elevada taxa de sucesso imediato e baixa ocorrência de ECAM na evolução tardia. Rotational atherectomy with new ablative strategies have been proposed for the treatment of extremely calcified lesions prior to stent implantation. Nevertheless, few data are available about the adoption of these new strategies in contemporary practice and about late outcomes of patients undergoing this therapy. From July 2012 to November 2014, a retrospective single center registry was conducted, including all patients undergoing rotational atherectomy as part of the treatment of coronary arteries with heavy calcification or previous failed dilation. We evaluated technical aspects of atherectomy and late outcomes of patients for the occurrence of major adverse cardiovascular events (MACE), defined as death, Q‐wave myocardial infarction or repeat target vessel revascularization. Twenty‐nine patients with a mean age of 69.5 ± 7.6 years, underwent atherectomy. The average burr‐to‐artery ratio was 0.54 ± 0.07, the initial rotational speed was 161.000 ± 13.928 and the rate of cutting balloon utilization after atherectomy was 45.1%. Angiographic success was achieved in all procedures. The median follow‐up time was 13.2 months (IQ: 4.0‐17.4) and there were three events: 1 death of non‐cardiac cause and 2 new target vessel revascularizations. The mean MACE‐free survival time was 29.7 ± 2.1 months. Contemporary rotational atherectomy incorporates less aggressive strategies of ablation with high rates of acute success and low occurrence of major adverse cardiovascular events during late follow‐up.
A epidemiologia do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) tem se modificado nos últimos anos, com incidência maior em jovens. Nosso objetivo foi comparar o perfil clínico, laboratorial e angiográfico, e os desfechos clínicos em 30 dias de pacientes ≤ 40 anos àqueles > 40 anos submetidos à intervenção coronária percutânea primária (ICPp). Estudo de coorte prospectivo com pacientes consecutivos submetidos à ICPp entre 2009 e 2011. No período, 1.055 pacientes foram incluídos, sendo identificados 3,3% com ≤ 40 anos. Pacientes jovens eram mais frequentemente negros, tabagistas e com história familiar de doença coronária, e menos frequentemente hipertensos e dislipidêmicos. Nos pacientes ≤ 40 anos, a dosagem de leucócitos e da troponina ultrassensível na admissão foi maior, e a lipoproteína de alta densidade‐colesterol, menor. A artéria descendente anterior como vaso culpado e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo não foram diferentes entre os grupos. Apesar de o fluxo TIMI 3 pré ser similar, os jovens mostraram maior prevalência de blush miocárdico 3 pré‐procedimento. O tempo porta‐balão foi menor nos pacientes mais jovens (1,0 hora [0,8‐1,4 hora] vs. 1,3 hora [0,9‐1,7 hora]; p = 0,03). Em 30 dias, os pacientes ≤ 40 anos apresentaram mortalidade de 0% vs. 8,8% nos pacientes > 40 anos (p = 0,07). Pacientes ≤ 40 anos com IAMCST e submetidos à ICPp apresentam diferenças nos perfis clínico, angiográfico e do procedimento quando comparados àqueles > 40 anos. Nesta análise, representativa da prática médica atual, a mortalidade em 30 dias desses pacientes foi muito baixa. The epidemiology of acute myocardial infarction with ST‐segment elevation (STEMI) has been modified in recent years, focusing on young people. Our goal was compare the clinical profile, laboratory, angiographic, and 30‐day clinical outcomes of patients ≤ 40 years with those > 40 years undergoing primary percutaneous coronary intervention (pPCI). Prospective cohort study of consecutive patients undergoing pPCI between 2009 and 2011. A total of 1,055 patients were included, 3.3% of them ≤ 40 years. Young patients were more often black, smokers and with a family history of coronary artery disease, and less often hypertensive and dyslipidemic. In patients ≤ 40 years, leukocyte count and ultrasensitive troponin levels at admission were higher, and high density lipoprotein‐cholesterol, lower. The left anterior descending artery as a culprit vessel and left ventricular ejection fraction did not differ between groups. Although the TIMI 3 flow pre‐intervention was similar, young people showed higher prevalence of myocardial blush 3 pre‐procedure. The door‐to‐balloon time was lower in younger patients (1.0 hour [0.8‐1.4 hour] vs. 1.3 hour [0.9‐1.7 hour]; p = 0.03). At 30 days, patients ≤ 40 years had a mortality of 0% vs. 8.8% for patients > 40 years (p = 0.07). Patients ≤ 40 years with STEMI and undergoing pPCI show differences in clinical, angiographic and procedural characteristics compared to those > 40 years. In this analysis, representative of the current medical practice, the 30‐day mortality of these patients was very low.
A fibrilação atrial (FA) aumenta o risco de eventos tromboembólicos por êmbolos originados em apêndice atrial esquerdo (AAE). Métodos mecânicos para a oclusão do AAE foram desenvolvidos como alternativa à anticoagulação oral. O objetivo deste trabalho foi apresentar uma experiência inicial com o AMPLATZER® Cardiac Plug. Incluímos pacientes com FA permanente ou paroxística, que apresentavam contraindicações ou complicações derivadas da anticoagulação oral. Pacientes com anatomia e medidas do AAE compatíveis com o oclusor, e sem trombos foram selecionados por meio de ecocardiograma transesofágico. Foram realizados 14 procedimentos em 13 pacientes (5 M:8F), com média de idade de 66,7 anos. Sangramento significativo e acidentes vasculares cerebrais prévios foram encontrados em 69,2% e em 53,8%, respectivamente. A FA era permanente em 84,6% e paroxística no restante da amostra. Os diâmetros médio do óstio e da zona alvo mediram 23,9 mm e 20,8 mm, respectivamente. AAE bilobulados foram observados em 76,9%. Os procedimentos foram possíveis em todos os casos. Dezesseis dispositivos foram usados em 13 pacientes, numa razão de 1,2:1, e apenas 1 paciente precisou de um segundo dispositivo para oclusão do AAE. O tempo médio de acompanhamento foi de 12,2 meses. Todos os AAE permanecem fechados e sem defeito residual até o momento. Houve apenas um óbito tardio não relacionado ao procedimento. A oclusão do AAE com o dispositivo de AMPLATZER® Cardiac Plug mostrou ser segura e eficaz nesta pequena série de pacientes. Os resultados iniciais são encorajadores e apontam para o fechamento transcateter do AAE como alternativa para a anticoagulação oral em pacientes selecionados. Atrial fibrillation (AF) increases the risk of thromboembolic events caused by emboli originating in the left atrial appendage (LAA). Mechanical methods for LAA occlusion have been developed as an alternative to oral anticoagulation. The aim of this study was to present an initial experience with the AMPLATZER® Cardiac Plug. Patients with permanent or paroxysmal AF and with contraindications or complications of oral anticoagulation were included. Patients with LAA anatomy and measures compatible with the occluder, and without thrombi, were selected through transesophageal echocardiography. A total of 14 procedures were performed in 13 patients (5 M:8F), with mean age of 66.7 years. Significant bleeding and previous strokes were found in 69.2% and 53.8%, respectively. AF was permanent in 84.6% and paroxysmal in the remainder. The mean diameters of the ostium and the landing zone were 23.9 mm and 20.8 mm, respectively. Bilobulated LAA was observed in 76.9%. Procedures were possible in all cases. Sixteen devices were used in 13 patients, a ratio of 1.2:1, and only one patient required a second device for LAA occlusion. The mean follow‐up was 12.2 months. All LAA remain closed, with no residual defect to date. There was only one late death, unrelated to the procedure. LAA occlusion using the AMPLATZER® Cardiac Plug device was shown to be safe and effective in this small series of patients. The initial results are encouraging and indicate the transcatheter closure of the LAA as an alternative to oral anticoagulation therapy in selected patients.
O implante de valva aórtica transcateter (TAVI) é uma alternativa para pacientes com estenose aórtica de alto risco cirúrgico e para muitos daqueles considerados inoperáveis. Apesar de sua característica minimamente invasiva, podem ocorrer complicações relacionadas ao procedimento. Obstrução coronária durante o TAVI é uma complicação rara, com incidência inferior a 1%, mas potencialmente letal. Em nosso país, essa complicação foi encontrada em 0,72% dos procedimentos 3 de 418 casos do Registro Brasileiro de Implante de Bioprótese Aórtica por Cateter com mortalidade hospitalar de 100%. Apresentamos, neste relato de caso, medidas de prevenção e tratamento de oclusão coronária após o TAVI.
O ecocardiograma transesofágico (ECO‐TE) é o método mais utilizado para guiar o tratamento percutâneo da comunicação interatrial (CIA) e do forame oval (FOP), mas a necessidade de um outro profissional para realizá‐lo e de anestesia geral constituem inconvenientes para seu emprego. O ecocardiograma intracardíaco (ECO‐IC) apresenta‐se como alternativa ao ECO‐TE, pois pode ser realizado pelo próprio operador e demanda apenas anestesia local, com leve ou nenhuma sedação. Nosso objetivo foi relatar a experiência do serviço com a oclusão de CIA/FOP guiada por ECO‐IC. O ECO‐IC utiliza cateter de ultrassom, que é introduzido por via venosa em câmaras cardíacas direitas e, por meio de posicionamento variável do transdutor, obtém as imagens adequadas para a intervenção. Foram avaliadas as taxas de sucesso do procedimento e as complicações. De 2011 a 2015, foram realizados 201 procedimentos guiados pelo ECO‐IC, sendo 139 em pacientes com CIA e 62 com FOP. A maioria dos pacientes era do sexo feminino (64,2%), as idades variaram de 7 a 78 anos (36,6 ± 19,3 anos) e o peso variou de 28 a 92 kg (62,5 ± 13,0 kg). Foram utilizadas próteses Occlutech Figulla®, e todas as intervenções tiveram sucesso, com tempos de fluoroscopia de 5,7 ± 2,4 minutos e tempo de procedimento de 21,5 ± 6,4 minutos. Dois pacientes (2,0%) apresentaram taquicardia supraventricular transitória e outros dois pacientes evoluíram com fístula arteriovenosa na via de acesso, com resolução espontânea no primeiro mês. O ECO‐IC forneceu informações anatômicas precisas para guiar o fechamento da CIA/FOP com sucesso e eliminou as principais desvantagens do ECO‐TE. Transesophageal echocardiography (TEE) is the most widely used method to guide the percutaneous treatment of atrial septal defect (ASD) and patent foramen ovale (PFO), but the necessity of another professional to perform it and the need for general anesthesia are potential disadvantages. Intracardiac echocardiography (ICE) is seen as an alternative to TEE, as it can be performed by the interventionist and requires only local anesthesia with mild or no sedation. The aim of this study was to report our experience with ASD/PFO occlusion guided by ICE. The ICE uses an ultrasound catheter, which is intravenously inserted in the right heart chambers and acquires images for the intervention through variable positioning of the transducer. Success and complication rates of the procedure were evaluated. From 2011 to 2015, 201 procedures guided by ICE were performed, comprising 139 in patients with ASD and 62 in those with PFO. Most patients were female (64.2%), ages ranged from 7 to 78 years (36.6 ± 19.3 years), and weight ranged from 28 to 92 kg (62.5 ± 13.0 kg). Occlutech Figulla® prostheses were used and all interventions were successful, with fluoroscopy time of 5.7 ± 2.4 minutes and procedure time of 21.5 ± 6.4 minutes. Two patients (2.0%) had transient supraventricular tachycardia and two others had arteriovenous fistula at the access site, with spontaneous resolution in the first month of follow‐up. ICE provided accurate anatomical information to guide the closure of the ASD/PFO and successfully eliminated the main drawbacks of TEE.