
A prática contemporânea da Odontologia e da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial exige a integração entre evidência científica, segurança do paciente e individualização do cuidado. Nesta edição, destacamos a importância do conhecimento epidemiológico, anatômico e clínico como base para diagnósticos mais precisos e tratamentos previsíveis. Ao mesmo tempo, discutimos os desafios da tomada de decisão em cenários complexos, nos quais características individuais, faixa etária e condições sistêmicas demandam abordagens personalizadas. Técnicas consagradas e inovações tecnológicas devem caminhar lado a lado com a segurança biológica e o manejo adequado dos riscos. Mais do que oferecer respostas definitivas, este volume busca estimular a reflexão crítica e o desenvolvimento de uma prática clínica cada vez mais fundamentada, segura e centrada no paciente.
Objetivo: Realizar uma revisão integrativa da literatura sobre alterações hemodinâmicas em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos odontológicos com anestesia local. Metodologia: Esta revisão de literatura foi conduzida por meio das seguintes bases de dados: PubMed, SciELO e Google Acadêmico. As palavras-chave para a busca textual foram: Anestesia Local; Anestesia Dentária; Fenômenos Hemodinâmicos. Os critérios de inclusão foram definidos como: artigos publicados entre 2008 e 2024, estudos disponíveis em inglês e português, textos completos acessíveis gratuitamente. Foram excluídos estudos duplicados entre as bases de dados, revisões narrativas, resumos de congressos e artigos fora do escopo do tema proposto. Resultados: Não há alterações significativas em pacientes previamente hígidos, embora possa ocorrer elevação da pressão arterial. Em cardiopatas e hipertensos, os vasoconstritores nos sais anestésicos são controversos com relação a sua dose e uso. Em relação aos ansiosos, a liberação de adrenalina endógena eleva a pressão arterial, o que torna a ansiedade fator determinante nas variações hemodinâmicas. Conclusão: Deve-se, portanto, considerar a individualidade de cada paciente e realizar um monitoramento adequado para garantir a segurança e eficácia dos procedimentos odontológicos.
Objetivo: traçar o perfil clínico e epidemiológico de pacientes internados com infecções de origem odontogênica atendidos pelo Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, de janeiro de 2010 a janeiro de 2025. Metodologia: trata-se de um estudo descritivo, analítico, retrospectivo e documental, baseado na análise de prontuários eletrônicos. As variáveis analisadas incluíram dados sociodemográficos (sexo, faixa etária, cor), clínicos (tempo de internação, espaços fasciais acometidos, dentes e sextantes envolvidos, uso prévio e durante a internação de antibióticos) e terapêuticos (tipo de tratamento instituído e evolução clínica). Resultados: dentre os inúmeros resultados obtidos nesta amostra final composta por 185 prontuários válidos, observou-se a predominância de indivíduos jovens, especialmente entre 20 e 39 anos, e maior ocorrência em pacientes autodeclarados pretos e pardos, o que pode ressaltar desigualdades no acesso e adesão aos cuidados odontológicos preventivos. Os espaços fasciais submandibular, vestibular e bucal foram os mais acometidos, em consonância com a origem dentária das infecções, predominantemente envolvendo molares e pré-molares inferiores tendo como antibiótico de escolha a amoxicilina na pré-internação e uma diversidade de combinações no momento da hospitalização do paciente. Os resultados obtidos são fundamentais para auxiliar na formulação de estratégias de prevenção, na padronização do manejo clínico-hospitalar e no aprimoramento das políticas públicas de saúde bucal, visando à redução de internações, complicações e custos ao sistema de saúde.
Objetivo: Avaliar a incidência de complicações em Cirurgias Ortognáticas e correlacioná-las com possíveis fatores de risco associados. Metodologia: Foi realizada uma análise retrospectiva de prontuários de pacientes submetidos à Cirurgia Ortognática no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital de Base do Distrito Federal, no período de 2012 a 2019. Foram incluídas 90 cirurgias que atenderam aos critérios do estudo, e avaliadas variáveis demográficas, tipo de deformidade, tipo de cirurgia, tempo de internação, tempo cirúrgico e ocorrência de complicações. Resultados: A incidência de complicações foi de 21%. As complicações mais frequentes foram infecção (10%; n = 9), fraturas indesejadas de mandíbula (4%; n = 4) e comunicação bucosinusal (2%; n = 2). Não houve associação significativa entre complicações e gênero, idade, tipo de deformidade, tipo de cirurgia ou tempo de internação (p > 0,05). O tempo cirúrgico das cirurgias bimaxilares foi significativamente maior nos pacientes que apresentaram complicações (p = 0,02). Conclusão: As Cirurgias Ortognáticas apresentaram uma incidência de complicações compatível com a literatura. Embora a maioria dos fatores analisados não tenha se associado à ocorrência de complicações, o maior tempo cirúrgico nas cirurgias bimaxilares mostrou relação significativa com o desenvolvimento desses eventos.
Introdução: A cirurgia de implante guiada refere-se ao processo de planejamento digital, sendo cada vez mais um recurso utilizado na implantodontia. A técnica permite manobras cirúrgicas de alta precisão e confiabilidade por meio de softwares específicos. Objetivo: Relatar um caso de reabilitação oral com a instalação de implantes dentários pela técnica de cirurgia guiada. Relato de caso: Paciente, sexo feminino, 48 anos, normosistêmica, procurou atendimento odontológico com insatisfação estética. No exame físico intraoral foi verificado a ausência dos elementos dentários 12,16,21,26,36 e 46. Foi solicitada a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) e foi realizado o escaneamento intraoral, juntamente com a prótese para a confecção do guia cirúrgico, mediante ao planejamento digital com software para observar possíveis áreas ideais para a instalação de implantes dentários. Com os resultados dos exames de imagens, planejou-se um plano de tratamento que consistia na instalação de 2 implantes nas regiões edêntulas dos elementos 12 e 21, utilizando a técnica de cirurgia guiada reversa. Conclusão: A cirurgia guiada na implantodontia apresenta-se como uma ótima alternativa para quem busca agregar valor, precisão e otimização no tempo do momento cirúrgico dos seus casos clínicos.