
Introdução: A paracentese, procedimento de retirada de líquido livre da cavidade abdominal por meio de uma punção com agulha, é o tratamento de escolha para ascite de grande volume e para ascite refratária. Além disso, é consenso na literatura que se trata de procedimento com baixas taxas de complicações quando indicado corretamente e realizado por profissional capacitado e com técnica adequada. Contudo, há poucos dados na literatura sobre a realização de paracentese em domicílio, apesar de documentos do Ministério da Saúde sinalizarem a viabilidade de sua realização. Objetivo: Descrever e analisar uma série de casos de paracenteses realizadas em domicílio de um Serviço de Atenção Domiciliar, bem como o perfil dos pacientes, das internações e das complicações dos procedimentos. Métodos: Foi conduzido um estudo transversal, documental e retrospectivo, com revisão de prontuários de pacientes internados em um Serviço de Atenção Domiciliar entre os anos de 2008 e 2022. Todos os pacientes submetidos à paracentese domiciliar nesse período foram sequencialmente incluídos. Para análise descritiva e estatística, utilizou-se o software Statistical Package for the Social Sciences. Resultados: A amostra foi composta de 47 pacientes, que estiveram internados no Serviço de Atenção Domiciliar em 63 ocasiões e foram submetidos a 468 paracenteses em domicílio. A média de idade foi de 63,6 anos, e as neoplasias malignas constituíram a principal causa de ascite (53,2%); 73% dos pacientes apresentou Índice de Comorbidade de Charlson indicativo de alto ou muito alto risco de mortalidade em um ano. Todos os procedimentos foram realizados por médicos de família e comunidade. A mediana de paracenteses foi de dois procedimentos por internação no Serviço de Atenção Domiciliar (IIQ: 1–6) e a mediana de volume drenado foi de 5 litros (IIQ: 4,0–7,5). Metade dos pacientes que necessitaram de paracenteses de repetição foi submetida a novo procedimento em oito dias. As complicações foram reportadas em 4,7% dos procedimentos, sendo que em 3,4% houve complicações maiores, como sangramentos, infecções, deterioração clínica e piora da função renal. Três pacientes faleceram por intercorrências que, somadas à gravidade de suas comorbidades, podem estar relacionadas a complicações do procedimento. Conclusões: A população analisada foi composta em sua maioria por mulheres acima dos 50 anos, com cirrose hepática ou neoplasias malignas em estágio avançado, com alta carga de morbimortalidade. Os resultados indicaram que a paracentese domiciliar é uma prática viável e segura e que, conforme a literatura, traz benefícios para o perfil de pacientes identificado no estudo. Com base nos resultados da pesquisa, espera-se fomentar e fortalecer a prática de realização de paracentese no domicílio em outros Serviço de Atenção Domiciliar do Brasil.
Introdução: Os Determinantes Sociais da Saúde, como renda, escolaridade e condições de vida, influenciam diretamente a qualidade do cuidado pré-natal, podendo contribuir para desigualdades no acesso e nos desfechos da atenção à gestante. A Atenção Primária à Saúde, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), tem papel central na identificação precoce de vulnerabilidades e na oferta de cuidado integral, contínuo e culturalmente sensível. Objetivo: Avaliar se há relação entre os Determinantes Sociais da Saúde e o acompanhamento de gestantes que realizaram o pré-natal na UBS Santa Cecília, Porto Alegre, RS. Métodos: Trata-se de um estudo observacional e transversal, realizado com 103 gestantes da UBS Santa Cecília, acompanhadas no pré-natal no período de janeiro a dezembro de 2023. Avaliaram-se dados clínicos e obstétricos coletados em prontuários eletrônicos, como número de consultas de pré-natal, idade gestacional na primeira consulta e realização de exames laboratoriais de rastreio para infecções sexualmente transmissíveis durante a gestação. Resultados: Os resultados mostraram que houve diferença estatisticamente significativa em relação à idade gestacional de início do pré-natal entre beneficiárias do Programa Bolsa Família e não-beneficiárias, com uma média de 6,68 semanas e 12,07 semanas, respectivamente (p=0,036 pelo teste de Mann-Whitney U para amostras independentes). Todas as gestantes avaliadas realizaram exames laboratoriais para rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis, e não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos por raça/cor, idade e escolaridade no que diz respeito ao número total de consultas e à idade gestacional na primeira consulta. Conclusões: Os resultados indicam que os Determinantes Sociais da Saúde influenciam o acompanhamento pré-natal, especialmente no que se refere ao início mais precoce do cuidado entre gestantes beneficiárias do Programa Bolsa Família. Apesar de não terem sido observadas diferenças significativas quanto ao número de consultas e à realização de exames laboratoriais entre os diferentes grupos sociodemográficos, os achados reforçam o papel da Atenção Primária à Saúde na promoção da equidade e na redução de iniquidades no acesso ao pré-natal. Destaca-se a importância da identificação precoce de vulnerabilidades sociais pelas equipes de saúde, como estratégia para qualificar o cuidado e garantir atenção integral às gestantes.
Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são multifatoriais e configuram a principal causa de morbimortalidade no Brasil. A identificação precoce e o manejo de doenças crônicas que atuam como fatores de risco são, portanto, fundamentais. Consequentemente, foram criados estratificadores de risco cardiovascular (RCV) que auxiliam na predição da probabilidade de ocorrência de eventos cardiovasculares em um período de 10 anos. Essas ferramentas são importantes nos contextos preventivo, terapêutico e epidemiológico, sobretudo na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Discutir a aplicação de estratificadores de RCV na APS, comparando a versão laboratorial e não laboratorial de modelos preditivos (Escore de Risco Global [ERG] de Framingham e a calculadora do programa HEARTS, respectivamente). Métodos: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e de caráter epidemiológico, realizado entre março de 2022 e junho de 2024, com amostragem de conveniência. Foram incluídos na amostra indivíduos entre 40 e 75 anos, hipertensos e/ou diabéticos, sem histórico de agravos cardiovasculares e usuários da APS do município. Estes deveriam apresentar exames séricos de colesterol datados de, no máximo, um ano. Os dados de 89 pacientes foram obtidos e analisados pelo coeficiente kappa de Cohen. Resultados: Observou-se uma amostra majoritariamente feminina (68,5%), com indivíduos com mais de 60 anos (50,5%) e não tabagistas (88,75%). Notou-se predomínio do risco intermediário/ alto em ambos os escores, sendo que a calculadora HEARTS classificou mais indivíduos como alto risco. Em contrapartida, apenas o ERG estratificou pacientes em faixas de risco muito alto ou crítico. Na amostra do estudo, houve uma concordância mínima entre os dois instrumentos na avaliação do RCV de um mesmo paciente. Conclusões: A avaliação do RCV é fundamental na APS. No âmbito clínico, permite direcionar ações preventivas, terapêuticas e educativas conforme o risco do paciente. Em nível populacional, conhecer o RCV por território auxilia na formulação de políticas públicas mais eficazes. Entretanto, a divergência entre escores laboratoriais e não laboratoriais pode prejudicar decisões clínicas. Sendo assim, é essencial utilizar ferramentas adequadas ao contexto e desenvolver instrumentos calibrados ao perfil clínico-epidemiológico da população brasileira. Isso garante melhor direcionamento dos recursos na APS e maior eficiência no cuidado cardiovascular nesse contexto.
Problema: Em janeiro de 2023, a Equipe Parmalat, apesar de atender a uma população superior a 4.000 residentes cadastrados, acompanhava somente quatro casos confirmados de tuberculose. Método: Relato de experiência de uma ação de busca ativa de sintomáticos respiratórios no território, com a participação de todos os membros da equipe, munidos de questionário e de frascos para coleta de escarro em campo. Resultados: Durante a ação, uma pequena quantidade de amostras de escarro foi colhida. Ainda assim, a experiência gerou maior consciência coletiva quanto à presença da doença no território. Com isso, houve aumento espontâneo na procura por atendimento para investigação nas semanas e meses seguintes. Ao final de setembro de 2023, havia ocorrido um aumento de 325%, com 13 casos confirmados e 18 adicionais em investigação. Conclusão: A incidência de casos de tuberculose no território, antes da ação, era de aproximadamente, um para cada mil habitantes, e, sete meses depois, aumentou para aproximadamente 3,9 para cada mil habitantes. Após a ação, o território apresentou uma taxa quatro vezes maior do que a do município em que está inserido e 12 vezes maior do que a média nacional. Esta experiência ressalta a importância do envolvimento de toda a equipe de saúde nas iniciativas territoriais.
Problema: Na Atenção Primária à Saúde (APS), a grupoterapia, por meio de pequenos grupos, torna-se valiosa para o compartilhamento de experiências e a geração de novos conhecimentos entre os participantes, visando à promoção da saúde. Entretanto, os médicos não recebem a capacitação necessária para facilitá-los. O Programa PluriVox é uma ferramenta disponível para atender a essa necessidade e pode capacitar médicos em 12 horas. Relata-se uma experiência de grupo de cuidadores familiares na APS, facilitado de acordo com essa ferramenta. Objetivos: Ampliar o conhecimento sobre a grupoterapia, disponibilizar a ferramenta de facilitação de grupo denominada Programa PluriVox, avaliar sua efetividade como procedimento para capacitar profissionais no trabalho com grupos e suscitar reflexões sobre as grupoterapias nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo de pesquisa ação recursiva, observacional, longitudinal e de natureza analítica e compreensiva. Os dados foram coletados por meio de observação estruturada, segundo o protocolo do Programa PluriVox. Resultados: Durante seis meses de sessões de grupo utilizando a ferramenta, observou-se o desenvolvimento do protagonismo e da corresponsabilidade dos participantes no processo de tomada de decisões para a promoção da saúde, e os médicos desenvolveram competências para facilitar grupos. Conclusão: Considerando os resultados apresentados, propõe-se um procedimento substitutivo aos grupos em formato de sala de aula, rotineiramente realizado nas UBS, e incentiva-se a inclusão, em programas de residência médica, da capacitação de médicos para a facilitação de grupos terapêuticos como estratégia de promoção da saúde.
Este magno evento organizado por la Confederación Iberoamericana de Medicina Familiar (WONCA-Iberoamericana-CIMF), la Representación en Uruguay de la Organización Panamericana de la Salud/Organización Mundial de la Salud (OPS/OMS), con el auspicio del Ministerio de Salud Pública a la postulación de la Sociedad Uruguaya de Medicina Familiar y Comunitaria como sede del evento; tuvo el objetivo conjunto de definir lineamientos para el desarrollo de la especialidad Medicina Familiar /Medicina Familiar y Comunitaria y así contribuir a la definición de políticas públicas en salud y en formación de especialistas para el sistema de salud, acorde a las necesidades de cada territorio, de cada población, a la complejidad y los problemas emergentes en el siglo XXI. Estos objetivos, planteados en relación a Iberoamérica y cada uno de sus países, pretendieron generar un espacio para el intercambio, la reflexión y el debate sobre el fortalecimiento de los sistemas de salud de la región con base en Medicina Familiar y Comunitaria. [...]
Introducción: La Medicina Familiar y Comunitaria (MFyC) constituye el pilara fundamental de los sistemas de salud orientados a la Atención Primaria en Salud (APS). No obstante, persisten desafíos relacionados con la formación, disponibilidad, distribución y retención de profesionales, así como con su reconocimiento dentro de los sistemas sanitarios. Objetivo: Presentar una síntesis al consenso alcanzado por un panel de expertos procedentes de 20 países de Iberoamérica, en relación con los retos y la situación actual de los médicos y médicas de familia en cuanto a número de profesionales, reconocimiento profesional y formación, incluyendo propuestas para su mejora. Métodos: Estudio de consenso desarrollado en el marco de la IX Cumbre Iberoamericana de Medicina Familiar y Comunitaria (Montevideo, Uruguay, 2025). Se empleó la metodología Delphi modificada en dos rondas consecutivas, con la participación de 45 expertos en Medicina Familiar y Comunitaria procedentes de 19 países iberoamericanos. Los panelistas, seleccionados por sus respectivas sociedades científicas en función de su experiencia y representatividad nacional, analizaron cinco áreas temáticas relacionadas con incentivos profesionales, formación y distribución de especialistas, modelos organizativos, especialización y certificación, y cooperación regional. El cuestionario incluyó preguntas abiertas y afirmaciones estructuradas, valoradas mediante una escala Likert de cinco puntos, complementadas con comentarios cualitativos y referencias bibliográficas aportadas por cada país. Las afirmaciones que no alcanzaron consenso en la primera ronda fueron reformuladas y sometidas a una segunda evaluación. Se consideró consenso cuando al menos el 80% de los participantes otorgó puntuaciones de 4 o 5. Las afirmaciones consensuadas fueron integradas en el análisis final y en las recomendaciones resultantes del estudio. Resultados: La formación descentralizada, los incentivos económicos y profesionales, la estabilidad laboral, la planificación estratégica de recursos humanos, la colaboración interinstitucional y una financiación pública equitativa y sostenible fueron identificadas como estrategias prioritarias para atraer, distribuir y retener especialistas en Medicina Familiar y Comunitaria en la región iberoamericana. Conclusiones: El fortalecimiento de la Medicina Familiar y Comunitaria requiere políticas sostenidas que integren formación de calidad, incentivos adecuados, certificación profesional, distribución equitativa de los recursos humanos y cooperación regional. No existe un modelo único de éxito; sin embargo, la implementación contextualizada de estrategias basadas en la evidencia y adaptadas a la realidad sanitaria, social y educativa de cada país puede contribuir a incrementar y preservar el número de especialistas necesarios para consolidar sistemas de salud más equitativos, eficientes y centrados en las personas.
Introducción: La Medicina Familiar y Comunitaria (MFyC) es reconocida como pilar de sistemas de salud sostenibles y centrados en Atención Primaria. Sin embargo, la creciente complejidad de los desafíos sanitarios en Iberoamérica demanda un perfil profesional actualizado que articule competencias técnicas, éticas, comunitarias y digitales. Objetivo: Presentar una propuesta regional de competencias esenciales para el ejercicio de la MFyC en el siglo XXI, junto con estrategias pedagógicas articuladas y la incorporación de Actividades Profesionales Confiables (APROC) como herramienta evaluativa. Métodos: Se empleó una metodología mixta y participativa: (1) consenso Delphi regional con referentes de la especialidad; (2) asistencia estructural mediante herramientas de inteligencia artificial generativa para homogeneizar y depurar el corpus de competencias; (3) análisis comparativo crítico con el perfil profesional de la VIII Cumbre de Guatemala (2022); y (4) diseño de estrategias pedagógicas basadas en marcos internacionales y evidencias previas. Resultados: Se definieron nueve roles profesionales —Clínico, Facilitador del vínculo, Gestor, Educador, Investigador, Ético, Actor comunitario, Defensor de derechos y Profesional en salud digital—, cada uno con competencias claras, orientadas a la acción. Se propusieron cinco ejes pedagógicos (currículo participativo, metodologías activas, evaluación auténtica, formación en servicio y educación continua) y un marco inicial de APROC comunes y optativas para la región. Conclusión: Esta propuesta integral ofrece una guía operativa para diseñar, evaluar y actualizar programas de formación en MFyC, fortaleciendo el primer nivel de atención y promoviendo la equidad social y justicia sanitaria en Iberoamérica.
Introducción: La transformación digital está modificando de manera acelerada la Atención Primaria de Salud (APS) mediante la incorporación de tecnologías como la telemedicina, la inteligencia artificial y los sistemas de información clínica. Aunque estas herramientas ofrecen oportunidades para mejorar el acceso, la continuidad y la eficiencia de la atención, también plantean desafíos relacionados con la equidad, la gobernanza, la regulación y la preservación del vínculo terapéutico. Objetivo: Identificar los consensos regionales sobre la integración de tecnologías emergentes en la Medicina Familiar y Comunitaria (MFyC) en Iberoamérica mediante un proceso Delphi multinacional. Métodos: Estudio de consenso desarrollado en el marco de la IX Cumbre Iberoamericana de Medicina Familiar y Comunitaria (Montevideo, 2025). Se aplicó una metodología Delphi de tres rondas consecutivas con expertos en MFyC, salud digital y gestión sanitaria, procedentes de 19 países iberoamericanos. Las dimensiones analizadas incluyeron telemedicina, inteligencia artificial, sistemas de información en salud, equidad digital y gobernanza ética. El consenso se estableció con una concordancia ≥85% en la tercera ronda. Las respuestas fueron analizadas mediante revisión temática y validación inter pares. Resultados: Se alcanzó consenso regional sobre siete fundamentos conceptuales, diez propuestas estratégicas y diez recomendaciones orientadas al fortalecimiento de la transformación digital en APS. Los principales acuerdos incluyeron la incorporación de competencias digitales en la formación médica, el desarrollo de marcos regulatorios específicos para tecnologías emergentes, la garantía de interoperabilidad y ciberseguridad, la implementación de modelos híbridos de atención y la reducción de brechas de acceso en poblaciones vulnerables. Asimismo, se reconoció que la tecnología debe actuar como complemento del juicio clínico y no como sustituto de la relación médico-paciente. Conclusiones: La Medicina Familiar y Comunitaria se encuentra en una posición estratégica para liderar una transformación digital ética, equitativa y centrada en la persona en Iberoamérica. Los consensos alcanzados proporcionan una hoja de ruta para gobiernos, instituciones académicas, sistemas de salud y sociedades científicas interesadas en integrar tecnologías emergentes sin comprometer los principios fundamentales de la APS.
Introducción: Las emergencias sanitarias recientes han evidenciado brechas en los sistemas de salud relacionadas con la preparación, la respuesta coordinada y la resiliencia comunitaria. Fortalecer la respuesta comunitaria mediante la integración de innovaciones tecnológicas y estrategias basadas en la evidencia se ha convertido en una prioridad global para garantizar sistemas de salud más equitativos y resilientes. Objetivo: Identificar lecciones aprendidas de emergencias sanitarias recientes transferibles a otros contextos regionales y definir el papel de la Medicina Familiar y Comunitaria en la planificación y el liderazgo de planes para futuras emergencias sanitarias. Métodos: Se utilizó el método Delphi con 30 expertos procedentes de 16 países iberoamericanos, organizados en grupos representativos según criterios de diversidad geográfica y experiencia profesional. Se realizaron dos rondas de consenso mediante cuestionarios electrónicos estructurados con escala Likert de 1 a 5 puntos. El umbral de consenso se estableció en el 80% de acuerdo (puntuación ≥4). Resultados: Se alcanzó consenso en 42 estrategias distribuidas en tres niveles de actuación: macro (16 estrategias político-legislativas), meso (16 estrategias municipales/comunitarias) y micro (10 estrategias en centros de salud). Las innovaciones tecnológicas priorizadas incluyen telemedicina, sistemas de vigilancia epidemiológica, prescripción electrónica, sistemas de alerta temprana, drones y robots, digitalización de datos clínicos, inteligencia artificial y sistemas de información geoespacial. Conclusiones: La respuesta efectiva a emergencias sanitarias requiere articulación de políticas públicas con demandas locales, priorizando inclusión comunitaria, capacitación continua y tecnologías apropiadas. La Medicina Familiar y Comunitaria es fundamental en el liderazgo comunitario y la coordinación intersectorial.
La Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (Revista Brasileña de Medicina de Familia y Comunidad, RBMFC) se ha consolidado como una publicación científica de alcance internacional, comprometida con la difusión del conocimiento producido en Iberoamérica y con el fortalecimiento de la Atención Primaria de Salud (APS) y de la Medicina Familiar y Comunitaria (MFyC). Las ediciones especiales dedicadas a las Cumbres Iberoamericanas constituyen una expresión de este compromiso, al reunir contribuciones que trascienden el ámbito académico para convertirse en herramientas de reflexión, cooperación regional e incidencia en políticas públicas. [...]
Introdução: A população privada de liberdade é considerada público-alvo do processo de medicalização. Objetivo: Realizar levantamento bibliográfico sistematizado da literatura acerca das práticas clínicas envolvendo medicamentos psicotrópicos aplicadas a este público-alvo. Métodos: Revisão integrativa da literatura baseada na aplicação dos descritores “prisões”, “psicotrópicos” e “assistência à saúde mental” – e seus respectivos descritores em inglês – às bases de dados Scopus, Science Direct, National Center for Biotechnology Information (NCBI, via PubMed) e Google Scholar, tendo como ponto de partida a pergunta de pesquisa “Quais as estratégias utilizadas no contexto do sistema prisional acerca das práticas clínicas envolvendo o uso de psicotrópicos?”. Resultados: Foram selecionados 18 artigos, por meio dos quais depreende-se que a reformulação das políticas de saúde prisional deve incluir programas de redução de danos, ampliação do acesso a serviços de saúde mental, fortalecimento das redes de apoio dentro e fora das prisões e observância aos determinantes sociais do consumo de psicofármacos. Conclusão: Os resultados deste estudo contribuem como subsídio para que educadores, profissionais de saúde, gestores e formuladores de políticas públicas desenvolvam estratégias mais assertivas, diretivas, efetivas e seguras para assistência à saúde desta população.
Introdução: A necrobiose lipoídica é uma dermatose granulomatosa rara que pode simular hanseníase, sobretudo em países endêmicos. Apresentação do caso: Relatamos o caso de uma paciente feminina, 62 anos, com placas eritematosas pré-tibiais, sem alteração de sensibilidade e com histopatológico com padrão granulomatoso, tratada como hanseníase tuberculoide por 12 meses, sem resposta. Nova biópsia evidenciou padrão clássico de necrobiose lipoídica; instituído tratamento tópico com corticoide, mantendo acompanhamento ambulatorial. Conclusões: O caso reforça a importância da avaliação clínica detalhada, sobretudo dos testes de sensibilidade, evitando terapias desnecessárias, eventos adversos e o estigma relacionado à hanseníase. Destaca-se, ainda, o papel estratégico do médico de família no diagnóstico diferencial precoce dessas condições.
A vivência e expressão do luto estão profundamente relacionadas aos contextos sociais, culturais e históricos. Em uma sociedade que tende a individualizar o sofrimento da perda e a suprimir seus espaços coletivos de elaboração, o fortalecimento das redes comunitárias dos rituais compartilhados assume papel central. A Atenção Primária à Saúde (APS), por sua inserção territorial e vínculo com o cotidiano das famílias, pode ser um espaço estratégico no cuidado às pessoas enlutadas. O objetivo deste estudo foi analisar de que modo a APS no município de Florianópolis/SC atua na articulação de vínculos comunitários no cuidado ao luto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com 18 profissionais da equipe de Saúde da Família e 4 usuários atendidos após vivência de luto. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo temática. Os resultados apontam que o fortalecimento das redes de apoio, a promoção de grupos comunitários e a atuação territorializada configuram práticas potentes no cuidado ao luto. Contudo, observam-se fragilidades na gestão e governança pública, expressas pela descontinuidade das ações coletivas e pelo afastamento dos Agentes Comunitários de Saúde do território. Conclui-se que, apesar dos entraves institucionais e organizacionais, a articulação dos vínculos comunitários, a valorização da escuta e a reconstrução de espaços coletivos de elaboração da perda emergem como caminhos promissores para o fortalecimento da APS no cuidado integral às pessoas enlutadas.
Introdução: Doenças cardiovasculares são as principais causas globais de morte, e são associadas a fatores modificáveis como hipertensão, diabetes, tabagismo e dislipidemia. Objetivo: Este estudo buscou analisar a prevalência de alto risco cardiovascular em indivíduos de 30 a 74 anos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Santa Catarina. Métodos: Do total de prontuários, foram selecionados os de 350 pacientes (235 mulheres, 115 homens) para a aplicação do Escore de Framingham. Resultados: Os resultados revelaram que 40% dos homens e 15% das mulheres apresentavam alto risco cardiovascular. Os principais fatores de risco identificados foram diabetes mellitus, uso de medicamento para hipertensão arterial sistêmica (HAS) e idade. A hipertensão esteve presente em 53,14% dos pacientes, enquanto 40,54% eram tabagistas. Entre os diabéticos, 70,96% dos homens e 50,8% das mulheres apresentaram alto risco cardiovascular. O colesterol total impactou o risco cardiovascular, sendo mais alto nas mulheres. Conclusões: Conclui-se que diversos fatores contribuem para o risco cardiovascular, incluindo idade, pressão arterial, colesterol total, lipoproteína de alta densidade (HDL), medicação anti-hipertensiva e tabagismo, sendo tal risco resultado da interação de múltiplos fatores de risco. Destacam-se como os mais relevantes diabetes, medicação anti-hipertensiva e idade. Aumentos no HDL indicam redução do risco, especialmente entre mulheres. Por outro lado, o aumento do colesterol total teve maior influência no risco cardiovascular no sexo feminino, enquanto o tabagismo foi mais significativo no sexo masculino.
Introdução: O Diabetes Mellitus (DM) é uma condição crônica que pode causar danos a vários órgãos do corpo, levando ao desenvolvimento de complicações e aumento da morbimortalidade. A Polineuropatia Diabética (PND) é atualmente a complicação crônica mais prevalente do DM, sendo fundamental que estratégias sejam implementadas para detecção precoce da PND e do risco de desenvolver pé diabético – complicação caracterizada por uma ferida (úlcera) nos membros inferiores agravada por uma infecção, que também pode englobar qualquer alteração de origem neurológica, ortopédica ou vascular que afete essa região do corpo. Cerca de 85% das amputações em diabéticos poderiam ser prevenidas mediante ações como detecção precoce, prevenção e intervenção nas úlceras. Objetivo: Detectar, por meio da utilização de um instrumento de rastreio – o aplicativo SISPED® (Sistema do Pé Diabético) –, a presença de PND, estadiar o risco para o desenvolvimento de úlceras e avaliar a usabilidade do aplicativo. Métodos: Estudo prospectivo, analítico e longitudinal realizado em pessoas com DM acima de 18 anos que foram submetidas à avaliação dos pés por meio da ferramenta SISPED®. Foi realizada uma análise descritiva com tabelas de frequência para variáveis categóricas, e medidas de posição e dispersão para variáveis contínuas. Para comparação de proporções foi utilizado o teste qui-quadrado ou teste exato de Fisher. Para comparação de medidas contínuas entre dois grupos foi aplicado o teste de MannWhitney e entre quatro grupos, o teste de Kruskal-Wallis. Um valor p abaixo de 0,05 foi considerado significativo. Resultados: Duzentas e três pessoas tiveram seus pés avaliados. Houve predomínio de indivíduos do sexo feminino, entre 50 e 79 anos, com cerca de 11 anos de diagnóstico de DM, com uma média de hemoglobina glicosilada (HbA1c) de 8%, em uso de drogas orais e com hipertensão associada. A prevalência de neuropatia foi de 31%; a idade, o tempo de DM acima de 10 anos, e os Escores de Sintomas Neuropáticos (ESN) e de Comprometimento Neuropático (ECN) foram significativamente relacionados com a presença de PND. A presença de vasculopatia e a sensibilidade plantar alterada foram relacionadas ao maior risco para o desenvolvimento de úlceras. A usabilidade do aplicativo SISPED®, obtida por meio da ferramenta System of Usability Scale (SUS®), foi considerada regular pelos acadêmicos de Medicina que aplicaram o instrumento. Conclusões: O estudo evidenciou uma alta prevalência de PND e de riscos moderados e altos para o desenvolvimento de úlceras. A usabilidade encontrada entre acadêmicos de Medicina foi considerada regular
Introdução: A prática dos cuidados paliativos tem se tornado essencial para a execução da atenção integral ao paciente, impulsionada pelo aumento da longevidade e, consequentemente, pelo número de doenças crônicas potencialmente ameaçadoras à vida. Apesar dessa crescente necessidade de saber conduzir pacientes em fim de vida, muitos médicos residentes se sentem inseguros quanto à indicação de cuidados paliativos para seus pacientes, assim como quanto aos cuidados que devem ser prestados a eles e a seus familiares. Isso é decorrente de o ensino dos cuidados paliativos na graduação e nos programas de residência, no Brasil e no mundo, ainda ser escasso e insuficiente para promover o desenvolvimento adequado de competências relacionadas ao tema. Objetivo: Identificar as principais lacunas de aprendizado em cuidados paliativos que requerem aprimoramento durante a residência médica. Métodos: Revisão integrativa da literatura, envolvendo artigos publicados no período de 2018 a 2023 nas plataformas PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), utilizando os seguintes descritores: “medical residency”, “medical internship”, “palliative care”, “palliative medicine”, “clinical skills”, “clinical competency”, “clinical competencies”, “learning”, “education”. Os artigos foram sumarizados conforme tipo de estudo, ano de publicação, objetivos, métodos e resultados, sendo todos analisados de maneira crítica. Resultados: A busca identificou 371 artigos, dos quais 27 foram selecionados conforme os critérios de elegibilidade aplicados. A competência mais citada como deficiente nas especializações médicas foi a comunicação entre médicos e familiares e/ou entre profissionais, seguido por manejo da dor e manejo de outros sintomas. Conclusão: A pesquisa evidencia a insuficiência do ensino de cuidados paliativos em programas de residência médica, destacando a urgente necessidade de integrar ferramentas educacionais fundamentais para aprimorar as competências dos médicos em formação.
Este ensaio analítico-reflexivo examina os efeitos da municipalização da saúde, os desafios da regionalização e o papel das Secretarias Estaduais de Saúde (SES) no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. A Estratégia Saúde da Família consolidou-se como modelo central da APS, gerando avanços significativos em indicadores de saúde. No entanto, persistem desafios como desigualdade na oferta, carência de profissionais e fragilidades na gestão municipal. A maioria dos municípios, especialmente os de pequeno porte, demonstra limitações estruturais, financeiras e técnicas para garantir a integralidade do cuidado. O texto propõe maior protagonismo das SES, especialmente nas Comissões Intergestores Regionais (CIR), promovendo uma gestão colaborativa da APS e apoiando os municípios em temas como planejamento, formação profissional, infraestrutura e financiamento. Conclui-se que fortalecer a gestão regional é essencial para o avanço do SUS e pode gerar impactos positivos além da saúde, contribuindo para o desenvolvimento regional mais amplo.
Introdução: O pé diabético é uma das complicações crônicas de maior morbimortalidade e impacto socioeconômico, especialmente em indivíduos mais vulneráveis e residentes em áreas rurais. Objetivo: Avaliar a relação entre área de moradia e saúde dos pés em pessoas com Diabetes Mellitus (DM), considerando perfil socioeconômico, condições clínicas e práticas de autocuidado. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal e quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Ocorreu em Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Petrolina – PE e avaliou 103 diabéticos, residentes em zona urbana (n=75) e rural (n=28), por meio de questionário estruturado sobre variáveis socioeconômicas, condições clínicas e autocuidado com os pés; e de exame de Perda de Sensibilidade Protetora (PSP) com monofilamento de Semmes-Weinstein de 10 g. Resultados: A amostra apresentou uma média de 58,3± anos de idade, composta majoritariamente por mulheres (75,7%), autodeclarados pardos (55,3%) e pretos (29,1%), e solteiros, viúvos ou divorciados (55,3%). Houve predomínio de baixa escolaridade (analfabetos ou com ensino fundamental incompleto) (61,2%) e baixos níveis socioeconômicos – classe C (63,1%). Predominou, também, o diagnóstico de DM há mais de 5 anos (54,4 %), com tratamento não insulinodependente (69,9%), comorbidades como obesidade associada à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (37,9%) e HAS isolada (25,2%), e complicações como a retinopatia diabética (15,9%). A maioria dos participantes (85,4%) não apresentou histórico de lesões ulcerosas prévias nos pés. Houve baixa adesão à prática regular de atividades físicas (26,2%), porém bons índices de acompanhamento em saúde (70% com realização de 2 ou mais exames de monitoramento, enquanto 88,4% compareceram a 2 ou mais consultas no último ano). A avaliação periódica dos pés era realizada por 59,2% dos participantes, com PSP presente em 31,1%. A comparação entre áreas de moradia revelou associação significativa apenas com menor escolaridade em moradores rurais e maior PSP entre moradores urbanos (p<0,005). A classe social não previu ocorrência prévia de úlceras, escolha terapêutica ou perda de sensibilidade protetora (p>0,05). Conclusões: Os resultados sugerem que a perda de sensibilidade protetora está associada à moradia urbana, contrariando expectativas de maior vulnerabilidade na área rural.
Introdução: A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma das doenças ateroscleróticas que mais causam morbidade cardiovascular. Apesar de o seu sintoma clássico ser a claudicação intermitente, ela não está presente em todos os pacientes, especialmente nos mais idosos. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento dessa doença são: envelhecimento, apresentando maior incidência após os 50 anos de idade; tabagismo; sedentarismo; hipertensão arterial sistêmica; diabetes mellitus; dislipidemia; e história de doença arterial coronariana e cerebrovascular. O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é o método padrão-ouro para o diagnóstico da DAOP e pode ser realizado ambulatorialmente por qualquer profissional da saúde. Apresentação do caso: Apresenta-se um caso de DAOP grave que foi identificado na Atenção Primária à Saúde (APS) por meio da realização do ITB e conduzido de forma eficaz pelo médico assistente, com melhora importante dos sintomas do paciente. Conclusão: A identificação da DAOP de forma precoce na APS, por meio do ITB, melhora a qualidade de vida dos pacientes e reduz as consequências negativas provocadas pelo subdiagnóstico da doença. Nesse sentido, a APS, por meio de seus atributos de longitudinalidade e de primeiro contato, é fundamental para o diagnóstico e tratamento dessa doença.