
O presente estudo analisa a relação entre políticas públicas e povos e comunidades tradicionais na Amazônia Legal, destacando os desafios de reconhecimento, participação social e efetivação de direitos. Parte-se da constatação de que tais comunidades desempenham papel central na conservação ambiental e na manutenção de práticas culturais sustentáveis, mas ainda enfrentam fragilidades institucionais. O objetivo da pesquisa é compreender de que maneira o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) contempla (ou negligência) as demandas socioambientais desses grupos. A metodologia utilizada foi a Análise Temática aplicada aos documentos oficiais das cinco fases do PPCDAm. As discussões apontam avanços no combate ao desmatamento e na governança ambiental, porém revelam lacunas quanto à garantia de direitos territoriais, participação social e acesso a políticas públicas efetivas. Os resultados indicam que, embora o PPCDAm represente uma estratégia inovadora de enfrentamento ao desmatamento, ele não respondeu de forma eficaz às necessidades dos povos e comunidades tradicionais, mostrando que existem quatro pontos críticos socioambientais. Conclui-se que há uma tensão estrutural entre discurso e prática, exigindo maior integração entre políticas ambientais e sociais, de modo a fortalecer a justiça socioambiental e a valorização dos modos de vida tradicionais na Amazônia.
O presente artigo tem como objetivo analisar a formação histórica e a dinâmica do uso da terra no município de Caçu (GO), destacando os fatores naturais, históricos e econômicos que moldaram sua paisagem. A pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico e documental, utilizando dados do IBGE, MapBiomas, registros paroquiais e arquivos municipais, complementados por análises geoespaciais no software ArcGIS. Os resultados mostram que, desde sua origem em 1917, vinculada à pecuária extensiva, Caçu passou por um processo de diversificação econômica nas últimas décadas, impulsionado pela instalação de usinas sucroalcooleiras e hidrelétricas, bem como pela expansão da soja e da cana-de-açúcar. A análise do uso e ocupação do solo entre 1985 e 2023 evidencia a predominância da pecuária, ainda que acompanhada do crescimento expressivo das áreas agrícolas. Conclui-se que, embora o município apresente avanços econômicos e produtivos, ainda enfrenta desafios relacionados ao planejamento do uso da terra e à conservação ambiental, exigindo políticas públicas que conciliem desenvolvimento e sustentabilidade.
O artigo analisa as percepções emocionais e pedagógicas de jovens estudantes do Ensino Médio afetados pela enchente de maio de 2024 no bairro Humaitá, em Porto Alegre (RS), a partir do campo das Geografias das Juventudes. O estudo parte do reconhecimento de que os desastres climáticos produzem impactos que ultrapassam as dimensões materiais, incidindo sobre as subjetividades juvenis, as trajetórias escolares e as relações com o território. Metodologicamente, adota-se uma abordagem quanti-qualitativa, com aplicação de questionário estruturado a 23 estudantes concluintes do Colégio Estadual Carlos Fagundes de Mello, contemplando dimensões emocionais e pedagógicas. Os resultados evidenciam a predominância de sentimentos como preocupação, medo e ansiedade frente à recorrência de eventos extremos, dialogando com o conceito de ecoansiedade, ao mesmo tempo em que emergem afetos como solidariedade, esperança e resiliência. Observa-se, contudo, fragilidade no acesso a suportes institucionais de saúde mental, bem como dificuldades na verbalização das emoções em âmbito comunitário. No plano pedagógico, destacam-se a interrupção prolongada das aulas, a desmotivação para os estudos e a percepção de despreparo da escola para enfrentar desastres futuros, apesar do consenso quanto à importância de aprender sobre mudanças climáticas. Conclui-se que a articulação entre educação, cuidado emocional e justiça socioambiental é central para fortalecer as capacidades adaptativas das juventudes em contextos de emergência climática.
Este ensaio propõe uma análise acerca da educação profissional no Brasil, examinando a conexão territorial entre as Escolas de Aprendizes e Artífices (EAA), criadas pelo Decreto 7.566 de 1909, e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), instituídos pela Lei 11.892 de 2008, sob a perspectiva da Geografia da Educação. A problemática central questiona se há conexão territorial entre essas instituições, se as EAA constituem a origem geográfica da atual Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT) e se as EAA configuraram uma rede de instituições de ensino. Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza descritivoanalítica, fundamentada em análise documental (legislação, fontes históricas) e revisão bibliográfica sobre Geografia da Educação, território, redes geográficas e políticas educacionais. O estudo apoiase em contribuições de autores da Geografia da Educação e da Geografia Humana voltadas às categorias de território e rede geográfica, bem como na literatura sobre políticas públicas educacionais. A análise revela há continuidade territorial entre as EAA e os IFs, evidenciada pela permanência de sedes históricas, campi centenários e pela manutenção dos lugares originais como núcleos institucionais. Compreende-se que, do ponto de vista geográfico, as EAA constituem a origem territorial da RFEPCT, embora a noção de “rede”, dado o contexto de 1909, deva ser problematizada, pois as EAA representaram uma dispersão geográfica planejada pelo Estado, entretanto sem articulação funcional entre si, característica essencial de uma rede geográfica.
Este estudo focou na bacia hidrográfica do Rio Montividiu (Goiás, Brasil), investigando os impactos da atividade humana, como práticas agrícolas inadequadas e urbanização, sobre a perda de solo e a degradação dos ecossistemas. Utilizando dados históricos de precipitação, mapas de solo, modelo digital de elevação (MDE) e imagens de satélite, foram analisados fatores como erosividade da chuva, erodibilidade do solo, relevo e uso da terra. A Equação Universal de Perda de Solo (USLE) e geotecnologias foram aplicadas para avaliar a erosão laminar potencial e real. Os resultados identificaram áreas críticas próximas aos cursos d’água, especialmente suscetíveis devido ao relevo acidentado. A análise da erosão real revelou que áreas agrícolas, predominantemente dedicadas ao cultivo de soja e milho, são particularmente vulneráveis, representando 76,89% da área total da bacia. Essas áreas têm altos índices do fator cobertura da terra (C) e práticas conservacionistas (P) (ou CP combinados), indicando menor proteção do solo. Os produtos cartográficos gerados oferecem um guia para priorizar intervenções de manejo ambiental que visem mitigar a erosão laminar, promovendo a sustentabilidade de longo prazo na região.
Em 2024, o Rio Grande do Sul (RS) enfrentou desastres geo-hidrológicos severos, como inundações históricas e Deslizamentos de Terra (DT), causados por elevados índices de Precipitação Pluviométrica (PP). Neste contexto, o Sensoriamento Remoto (SR) tem se mostrado essencial no monitoramento destes eventos extremos. Este estudo avaliou a acurácia dos classificadores supervisionados Random Forest (RF) e TempCNN na detecção de cicatrizes de DT em um trecho da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas/RS (BHTA). Para isto, integrou-se o cubo de dados Sentinel-2 e o Modelo Digital de Elevação (MDE) por meio do software de código aberto Satellite Image Time Series Analysis (SITS) no R Studio. As bandas R, G, B, NIR e ELEVATION foram aplicadas como variáveis explicativas no RF, e apenas as bandas ópticas no TempCNN, devido às limitações do SITS. Os valores de PP foram obtidos no Google Earth Engine (GEE) com dados do Climate Hazards Center InfraRed Precipitation with Station (CHIRPS), para comparar o comportamento da magnitude do evento de PP (2023–2024). Os resultados indicaram acurácia global de 0,98% para RF e 0,97% para TempCNN. Embora ambas as técnicas apresentem alta acurácia global, mostraram baixas acurácias de usuário e produtor para a classe “Deslizamento”. Ajustes são necessários na intensificação amostral e na incorporação de variáveis ópticas adicionais, variáveis de sensores SAR e derivadas do MDE.
O presente trabalho tem como objetivo analisar a construção do espaço urbano fortalezense e sua dinâmica de segregação socioespacial. A metodologia baseou-se em levantamento e revisão bibliográfica de artigos, teses e dissertações, com foco em dois períodos históricos: as secas de 1877, 1915 e 1932; e a constituição e expansão das favelas e conjuntos habitacionais nos séculos XX e XXI. Foram georreferenciadas cartografias com as localizações dos abarracamentos e campos de concentração, além da utilização de shapefiles dos assentamentos precários e conjuntos habitacionais da cidade. Os resultados indicam que Fortaleza se desenvolveu sob uma lógica de segregação socioespacial da população vulnerável, iniciada com o direcionamento dos refugiados das secas para áreas de confinamento. Esse processo se intensificou com a urbanização e o crescimento das periferias, habitadas por descendentes desses migrantes. Por fim, a análise revela um modelo de urbanização típico de cidades periféricas, que tende a afastar os efeitos da desigualdade para as bordas urbanas, mantendo as áreas centrais reservadas às elites econômicas e políticas.
O estudo analisa como um arranjo de políticas educacionais neoliberais (BNCC, reforma do ensino médio e sua revisão, plataformização, EAD/hibridização, financiamento com condicionalidades, PNLD digital e experiências cívico-militares) reconfigurou a escola pública, o trabalho docente agravando a saúde de professores no processo entre 2016 e 2025. Combinando revisão de literatura crítica e análise documental de atos normativos federais, sistematizou-se marcos normativos e seus efeitos concretos em quadros analíticos, com recorte ilustrativo no Paraná. Os resultados indicam a consolidação de uma “máquina” de regulação: padronização curricular por competências, intensificação do controle por indicadores e plataformas, e desprofissionalização docente que vem provocando o mal-estar/adoecimento dos professores no pós-pandemia. Ajustes recentes (novas DCNs para formação inicial; reequilíbrios no ensino médio) abrem frestas institucionais, mas não alteram a racionalidade predominante. Ao final, aponta-se implicações e recomendações, como: recentrar o conhecimento escolar como bem cultural; reprofissionalizar a docência com carreira, condições e autonomia; reconfigurar a avaliação para fins diagnósticos; regular a plataformização com governança pública e proteção de dados; e fortalecer a gestão democrática. Conclui-se pela urgência de recompor condições de trabalho e de uma educação humanizada, condição para qualificar aprendizagens e preservar a dignidade profissional.
O artigo, de natureza teórico-conceitual, analisa como a escala geográfica pode ser compreendida e trabalhada no ensino de Geografia a partir de um diálogo entre os aportes científicos e as dificuldades enfrentadas no campo didático-pedagógico. Há uma defesa sobre como pensar geograficamente é pensar por meio das escalas e que isso não ocorre sem que haja um trabalho sistemático com esse conceito na escolarização formal. São analisados cinco desafios relacionados à escala no ensino de Geografia: a “prisão da representação” na abordagem das escalas geográficas; a necessidade de superação da concepção de escala como apenas um conteúdo do currículo escolar; a efetivação de uma análise multiescalar e a superação da ideia de círculos concêntricos; a complexidade da construção conceitual; e a mobilização da escala geográfica nas situações-problema. A partir desses desafios são feitas algumas indicações e reflexões para contribuir com a formação e atuação dos professores de Geografia.
A disposição do lixo pode contaminar as águas superficiais do entorno. Neste trabalho, foram analisados parâmetros físico-químicos, microbiológicos (Escherichia coli e coliformes totais) e toxicológicos (teste de Allium cepa) de amostras de água coletadas em mananciais a montante e a jusante de cinco lixões e de cinco aterros sanitários do Brasil Central, totalizando 20 pontos de coleta. Os parâmetros avaliados foram associados com o uso e ocupação do solo das microbacias próximas aos pontos de coleta. A análise físico-química mostrou que a maioria dos pontos estudados apresentam valores fora dos permitidos pela legislação brasileira. A análise microbiológica mostrou contaminação com coliformes totais e E. coli em todos os pontos de coleta. A análise toxicológica revelou potencial tóxico das águas superficiais dos pontos de coleta próximos aos cinco aterros sanitários avaliados e a dois lixões dos cinco avaliados. A combinação dos parâmetros analisados revelou ausência de diferenças significativas entre as áreas de lixões e aterros sanitários, e entre águas a montante e a jusante dos depósitos de resíduos sólidos. A associação com o uso do solo mostrou que a urbanização contribui mais para a piora da qualidade das águas superficiais do que isoladamente a presença dos lixões/aterros sanitários. Dessa forma, políticas públicas precisam ser elaboradas para propiciar o crescimento controlado das cidades e o monitoramento constante da qualidade das águas superficiais urbanas.
O artigo tem o intuito de analisar o período entre-dois de professores de Geografia, isto é, a passagem da formação para a profissão. Trata-se de compreender as concepções dos participantes da pesquisa acerca deste entre-lugar que corresponde ao término da licenciatura e o início da atuação profissional, visto que este período é decisivo no processo de construção da identidade docente ao influir nos modos de ser, estar e fazer do professor na sequência de sua carreira. Essa análise foi desenvolvida a partir dos conceitos de conhecimento profissional e de colegialidade docente enquanto principais lentes teóricas que direcionam as considerações explicitadas. Realizou-se uma pesquisa teórica por meio de revisão bibliográfica concernente à formação de professores de Geografia, bem como uma pesquisa de campo mediante entrevistas semi-estruturadas com seis professores de Geografia da rede pública da região metropolitana de Porto Alegre/RS. Constatou-se que os mesmos manifestam descontentamento com a formação para a prática profissional docente, ao apontarem que falta sentirem-se professores, reconhecerem-se como profissionais da docência e afirmarem sua posição na sociedade, o que evidencia a necessidade de repensar a formação de professores de Geografia, de maneira a fortalecer o conhecimento profissional e a colegialidade docente no período entre-dois.
O fortalecimento do polo universitário na região central do estado promoveu a expansão urbana, intensificando a demanda sobre os recursos hídricos subterrâneos e ampliando o risco potencial de contaminação dos aquíferos. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a vulnerabilidade à contaminação dos aquíferos na área da Folha de Camobi (RS), por meio da metodologia GOD (Groundwater Overall Depth). O método integrou informações relativas ao tipo de aquífero (G), à litologia da zona não saturada (O) e à profundidade do nível freático (D), com base em mapas hidrogeológicos e dados técnicos de poços tubulares cadastrados no SIAGAS e validados pelo GWDBRAZIL (2025), processados no software QGIS. Na área de estudo, foram identificados 201 poços tubulares, dos quais 61 atenderam aos critérios de validação, abrangendo aquíferos livres, semiconfinados e confinados. Os resultados indicam a predominância de classes de vulnerabilidade insignificante à baixa na porção norte da Folha de Camobi, associadas principalmente a aquíferos confinados e semiconfinados, caracterizados por maior profundidade do nível freático e maior proteção natural. As classes de vulnerabilidade média ocorrem com maior expressão nas porções central e sul da área, relacionadas a unidades geológicas de permeabilidade intermediária. As áreas de vulnerabilidade alta a extrema, embora pontuais, concentram-se principalmente no município de Santa Maria, em regiões próximas às redes de drenagens e em áreas urbanizadas. Essas zonas estão associadas a aquíferos livres, depósitos aluvionares, arenitos das Formações Botucatu e Caturrita e zonas fraturadas da Formação Serra Geral, onde a reduzida profundidade do nível estático intensifica a suscetibilidade à contaminação. O mapa de vulnerabilidade gerado constitui um importante instrumento para o planejamento territorial e a gestão dos recursos hídricos subterrâneos, subsidiando ações de monitoramento e proteção dos aquíferos em escala municipal.
O presente artigo analisa a aplicação do Estudo do Meio como metodologia ativa no ensino de geografia em contextos de medidas socioeducativas destinadas a adolescentes em privação de liberdade. A proposta foi desenvolvida por meio de aulas de campo realizadas em diferentes espaços da Região Metropolitana de Belém. Para o desenvolvimento da pesquisa, realizou-se levantamento bibliográfico com o objetivo de dialogar com autores que discutem o ensino de geografia e o Estudo do Meio, culminando na elaboração de um roteiro com etapas orientadoras para a execução da proposta. Os resultados indicam que a experiência se mostrou relevante ao articular o processo de ensino-aprendizagem à apropriação de espaços urbanos historicamente negados às populações periféricas e de baixa renda, promovendo reflexões acerca das desigualdades sociais, da exclusão e das violências estruturais. Observou-se, ainda, que a metodologia contribuiu para a ressignificação do espaço urbano, bem como para o fortalecimento da autoestima, da cidadania e da dignidade dos adolescentes. Conclui-se que o Estudo do Meio configura-se como estratégia pedagógica dotada de competência no âmbito da socioeducação, ao potencializar aprendizagens significativas e fomentar posturas críticas diante das injustiças sociais e ambientais, reafirmando a educação como prática transformadora.
As imagens, expressivamente presentes em nosso cotidiano, em diversos meios e contextos, inclusive no escolar, podem participar dos processos educativos e desempenhar importante papel na construção de conhecimentos, pensamentos e imaginações geográficas sobre o mundo, os lugares e as pessoas/grupos/comunidades (r-existências) que o produzem e reproduzem. O estudo de questões étnico-raciais negras, exemplo desses grupos de r-existências, é previsto pela Lei 10.639/2003 que torna obrigatório tais abordagens em todo o currículo da Educação Básica. Nessa direção, o objetivo desse texto é apresentar possibilidades de uma educação geográfica antirracista por/com imagens didáticas. Para tanto, são propostas discussões que abordam questões étnico-raciais e r-existências negras (pessoas negras) a partir da problematização de fotografias presentes em livros didáticos de Geografia para os anos iniciais do Ensino Fundamental referentes ao PNLD de 2023. A partir disso, observou-se que, apesar de apresentarem limitações, as fotografias também podem viabilizar importantes discussões acerca da temática aqui abordada.
O distrito de Mabalane ainda possui uma quantidade considerável de recurso biológico, produzindo a maior parte do carvão vegetal que alimenta os maiores centros urbanos das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. O monitoramento da biomassa em áreas de produção de carvão é essencial para garantir a sustentabilidade e a recuperação ambiental dessas regiões. Esse trabalho tem como objetivo aplicar índices de vegetação (IV’s) no monitoramento da biomassa lenhosa em áreas de produção de carvão vegetal no distrito de Mabalane-Moçambique. Foram utilizadas imagens de satélite Landsat 5 de 2008 e Landsat 8 de 2020, e calculados os índices de vegetação NDVI (Normalized Difference Vegetation Index), SAVI (Soil Adjusted Vegetation Index) e EVI (Enhaced Vegetation Index). No campo foram alocadas 45 parcelas de 30x30 m, e registado o DAP ≥ 2,5 cm. A biomassa foi estimada usando a equação de Sevene. Para determinar o melhor índice de vegetação (IV) para monitoramento da biomassa, foi utilizado o método de mínimos quadrados de correlação de Person, considerando a biomassa como variável dependente, e os valores de IV’s como variáveis independentes. O melhor índice foi determinado com base no maior valor de coeficiente de correlação e no coeficiente de determinação. Os resultados mostraram que a biomassa estimada variou entre 5,13 e 28,58 t/ha. Os valores de NDVI e SAVI de 2008 foram maiores, e os de EVI menores. A melhor correlação foi observada entre a biomassa estimada pela equação de Sevene e o NDVI de 2008.
Neste estudo, é feita a caracterização geoambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Verde, Mato Grosso do Sul, Brasil, com objetivo de avaliar suas condições ambientais e dar subsídios a partir dos dados gerados, ao planejamento territorial. A escolha do recorte espacial justifica-se principalmente pelo avanço da silvicultura de eucalipto na região, atividade que pode comprometer sua função de corredor ecológico entre o Rio Paraná e o Pantanal. Os dados geoespaciais utilizados foram obtidos no USGS (2020), CPRM (2006), IBGE (2021) e MapBiomas - coleção 9 (2024), e os softwares empregados na análise foram ArcGIS Pro e QGIS 3.22. Os resultados, revelaram um ambiente frágil naturalmente, com solos arenosos suscetíveis à erosão (Neossolos Quartzarênicos) e vulneráveis a arenização devido às práticas agrícolas intensivas que não consideram a aptidão agrícola; além da perda de 66,49% da vegetação original. As mudanças no uso da terra alteraram os ecossistemas terrestres e aquáticos da região, e confirmaram que a alta pressão antrópica (monoculturas, hidrelétricas, práticas de manejo inadequadas) sobre os recursos naturais potencializam os conflitos socioambientais, aumentando a vulnerabilidade das comunidades inserida na bacia hidrográfica.
A financeirização permitiu a inserção de novos agentes no agronegócio globalizado brasileiro, especialmente fundos de investimentos, investidores privados e indivíduos de alta renda, que se somaram à tradicionais agentes na orientação das dinâmicas produtivas em território nacional, sobretudo a partir de 2000. Observando um exemplo empírico, muito expressivo dessa dinâmica - a saber o Grupo Cosan - a pesquisa procurou compreender como os usos do território efetivados pelo referido agente se relacionaram com o processo de financeirização. A análise indicou que, após abertura de capital em bolsa de valores, o Grupo Cosan empreendeu estratégias de expansão de suas atividades produtivas em território brasileiro com objetivo de crescimento econômico e valorização financeira, processo que também se conformou a partir da sustentação de ações estatais de disponibilização de fundos públicos. Tal processo se inseriu em um contexto de implicações socioespaciais diversas, analisadas na pesquisa a partir da superexploração do trabalho e da natureza e do processo de homogeneização da paisagem e do território. Concluiu-se que as estratégias de uso do território efetivadas pelo Grupo Cosan, no atual contexto de financeirização, foram pautadas principalmente pela necessidade de valorização financeira, o que ocorreu por meio da expansão territorial das atividades produtivas, com consequências socioespaciais para os lugares acionados.
O artigo apresenta resultados da pesquisa realizada sobre o desenvolvimento do raciocínio geográfico em turmas do 9º ano do Ensino Fundamental, nas aulas de Geografia com base nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A pesquisa foi estruturada em duas etapas: a primeira contemplou os fundamentos teóricos e metodológicos necessários à construção do raciocínio geográfico, abordando o pensamento espacial como conteúdo procedimental e a mobilização de categorias e princípios da Geografia; a segunda parte apresenta os resultados da aplicação de uma sequência didática em uma escola pública do Tocantins. A metodologia adotada é qualitativa e exploratória, com base em revisão bibliográfica e intervenção pedagógica. Os dados revelam que os estudantes demonstram avanços significativos na leitura e representação do espaço, embora ainda existem desafios relacionados à alfabetização cartográfica e articulação entre escalas e conceitos espaciais. Os resultados apontam que a implementação de práticas didáticas, fundamentadas teoricamente e contextualizadas à realidade dos estudantes, pode favorecer o desenvolvimento de competências espaciais e ampliar o potencial formativo do ensino de Geografia na educação básica com vistas ao desenvolvimento do raciocínio geográfico.
A agricultura familiar na Amazônia tem importância socioeconômica e ambiental. O uso de tecnologias nesse sistema procura conciliar a renda com a manutenção dos recursos naturais. O objetivo desse estudo foi analisar a relação entre os níveis de sustentabilidade e níveis tecnológicos em agroecossistemas familiares de Novo Remanso (Itacoatiara -AM). Os dados foram coletados por meio de entrevistas aos agricultores. O nível tecnológico foi determinado de acordo com a metodologia de Miranda (2001) e o nível de sustentabilidade foi determinado pelo método MESMIS. O nível de sustentabilidade apresentou condição regular e as tecnologias mais impactantes negativamente foram: máquinas, equipamentos e ferramentas, seleção de mudas e tratos culturais. Não foram observadas correlações significativas entre os níveis de sustentabilidade e níveis tecnológicos (p>0,05) na análise quantitativa. Entretanto, a análise qualitativa evidenciou que as tecnologias de nível intermediário na produção do abacaxi devem ser conciliadas a práticas mais sustentáveis.
A presente pesquisa teve como objetivo analisar e identificar/catalogar a ocorrência dos eventos associados às chuvas na cidade de Jacobina, Bahia, por meio da análise de jornais dos séculos XX e XXI. Este trabalho parte de uma pesquisa de iniciação científica realizada no ano de 2023. O estudo sobre a história desses eventos ao longo do tempo em Jacobina, Bahia é importante, pois, nos leva a entender como esses fenômenos impactaram a cidade e a população. Nesta pesquisa foi utilizada a abordagem qualitativa, a metodologia adotada envolveu pesquisa bibliográfica para conceituação teórica dos fenômenos e pesquisa documental, e os procedimentos metodológicos subdivido em 4 etapas, sendo a revisão da literatura; a análise dos jornais, seguindo da sistematização dos dados em quadro e por último a apresentação dos resultados. Os resultados demonstraram que grande parte dos danos e prejuízos ocasionados pelos fenômenos decorrentes das chuvas foram as cheias dos rios Itapicuru Mirim e Rio do Ouro, e determinadas situações de transbordamentos dos mesmos, provocando inundações e enxurradas. Deste modo, afirma-se que a problemática com relação aos fenômenos e danos ocorridos, partiram e ainda partem de um planejamento e ordenamento territorial e política pública socioambiental incipiente para lidar com eventos dessa natureza.