
Este artigo incide na leitura literária em ambiente digital e, muito particularmente, no desenho de um caminho possível para desenvolver a competência leitora do texto literário, seja ele digital ou analógico. Discute-se a primeira fase de implementação do projeto “Avaliando a leitura: apoio de ferramenta de anotação para atividade metacognitiva”, no ensino superior e, através da Formação Inicial de Professores, no ensino secundário. A parceria entre o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra acrescentou às funcionalidades da ferramenta DLNotes uma nova ontologia semântica com estratégias metacognitivas. Com o objetivo duplo de incentivar a leitura ativa e dialogante do texto literário mediante o registo das estratégias metacognitivas que o leitor ativa, o desenvolvimento do projeto, na sua versão portuguesa, teve uma dimensão teórica, que resultou na discussão desenvolvida quer nos relatórios de estágio de quatro alunos do 2.º ano do Mestrado em Ensino de Português, quer num estudo que incide sobre o uso das anotações livres e das anotações semânticas com estratégias metacognitivas, feitas por alunos do ensino superior. A sua componente prática consistiu na aplicação no ensino superior, em duas disciplinas do 2º ano dos mestrados em ensino com Português, e em quatro turmas do ensino secundário. Em maior ou menor grau, em ambos os casos o aluno foi exposto quiçá à infinitude interpretativa, ao mesmo tempo que filtra o suposto império da opinião infundada.
A ideia de uma obra literária para crianças ser transposta do meio impresso para o digital, num processo que Bolter e Grusin denominam “remediação” (BOLTER E GRUSIN, 2000), não raro suscita críticas de agentes do próprio ecossistema educativo-literário. Isso porque, utilizando-se dos recursos próprios do meio digital, poderia, supostamente, reduzir a capacidade imaginativa daquele leitor, uma vez que preencheria, a priori, com imagens, sons e recursos interativos, por exemplo, as lacunas deixadas pelo texto escrito; lacunas que deveriam ser supridas pelo próprio leitor, dentro de sua experiência de vida e capacidade leitora. Neste artigo, que convoca o conceito de “lugar vazio” teorizado por Iser (ISER, 1999), busca-se pensar as obras de literatura digital para os mais novos como oportunidades para a ampliação da leitura, ao invés de seu fechamento, a partir da análise de remediações de poemas brasileiros e portugueses realizadas para o site Tear Poético, antologia digital desenvolvida por CONTE (2025), disponível no endereço: www.tearpoetico.net.
A poesia combinatória de Pedro Barbosa, autor português e pioneiro da literatura digital a nível internacional, constitui um exemplo paradigmático e, podemos acrescentar, canónico, de literatura gerada por computador. Neste artigo, é considerada a questão da leitura literária em ambiente digital, tomando como exemplo a poesia de Pedro Barbosa e, mais particularmente, o modo como a mesma é apresentada na interface desenvolvida para o terceiro volume da Electronic Literature Collection. A problemática da leitura de poesia gerada por computador, a prtir do exemplo da obra de Pedro Barbosa, é discutida sob a perspetiva específica da temporalid para ade, assinalando as diferentes estratégias de leitura produzidas por textos dinâmicos, por um lado, e o modo estes como se distinguem de textos não dinâmicos. Finalmente, são propostas aplicações pedagógicas da poesia combinatória, discutindo estratégias e aplicações didáticas para a poesia combinatória.
Este artigo apresenta e analisa três experiências didático-pedagógicas de introdução da literatura digital no Ensino Secundário, realizadas no âmbito do projeto “Introdução à Literatura Digital nos Ensinos Básico e Secundário” (ILDEBS). Dois mestrandos em estágio e uma professora já profissionalizada desenvolveram atividades com turmas do 11.º e 12.º anos, em escolas de Coimbra, explorando obras digitais em articulação com textos do programa de Português. As didatizações incidiram sobre a remediação digital do poema “D. Dinis”, de Fernando Pessoa, e sobre a obra interativa Perda de Controlo, de Serge Bouchardon, confrontada com cenas de Frei Luís de Sousa, de Garrett, e de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de Saramago. Os resultados revelam que os alunos responderam positivamente à leitura das obras digitais, valorizam a interatividade e a multimodalidade, e reconhecem a literatura digital como um instrumento que potencia a compreensão dos textos literários do programa. São igualmente discutidos os condicionalismos logísticos e temporais da implementação, bem como pistas para experiências futuras.
O presente artigo tem como objetivo compreender de que forma as plataformas de autopublicação Kindle Direct Publishing e Wattpad possibilitam e restringem a remidiação de interfaces de outras plataformas digitais, além de discutir as contribuições da remidiação para a construção de sentido dentro de narrativas ficcionais. Para isso, é realizada uma breve contextualização dos conceitos de plataforma de autopublicação, intermidialidade, remidiação e o processo de leitura de interfaces digitais. Na sequência, são feitas as análises das remidiações de plataformas de redes sociais nas obras 280 Caracteres, publicada por Nino Cavalcante no Kindle direct publishing (KDP), e Instagram, publicada por @_autoramahh no Wattpad. Por fim, discute-se de que maneira a remidiação em ambos os casos se apropria de conhecimentos e convenções digitais para aproximar o leitor do universo narrativo criado na página.
This study evaluates the applicability of Classical Translation Models (CTMs) specifically Newmark’s (1988) procedures and Vinay and Darbelnet’s (1995) direct and oblique models within Audiovisual Translation (AVT). By analyzing 50 metaphorical expressions from the Chinese documentary A Bite of China, the research identifies a systemic inadequacy in CTMs. Their monosemiotic focus on textual equivalence fails to account for multimodal cues, intersemiotic coherence, and technical subtitling constraints. The findings reveal that 64% of metaphors were simplified or neutralized, driven by "visual anchoring" and "constraint-driven demetaphorization". While CTMs successfully describe linguistic shifts, they fail to explain the cognitive and multimodal drivers behind them. To address these gaps, the study proposes a Hybrid Analytical Model integrating Conceptual Metaphor Theory (CMT), classical procedures, and Pedersen’s (2011) ECR framework. This multidimensional approach demonstrates that metaphor translation in subtitling is an act of cross-cultural reconstruction necessitated by the interplay of verbal, visual, and auditory channels. The study offers theoretical interventions for translation pedagogy and practical insights for subtitling culturally dense multimodal content.
Refletindo a realidade, os contos de fadas têm sido usados para ensinar maneiras específicas de compreender o mundo a membros de determinadas sociedades. A forma como contamos essas histórias está sempre mudando, não apenas em sentido ideológico, mas também em como as materializamos. A partir da análise de um evento do conto da Chapeuzinho Vermelho, este artigo busca comparar três experiências de narrativa oferecidas por diferentes mídias: um livro ilustrado, um aplicativo para smartphone e um videogame de realidade virtual. A análise visa esclarecer como a variação midiática impacta a criação de diferentes regimes de realidade ficcional para a mesma história. Com base em estudos sobre narratologia transmidiática e cognição corporificada/distribuída, argumenta-se que essas diferentes experiências de ficcionalidade alteram as maneiras pelas quais transpomos o conhecimento da ficção para a compreensão de nossa realidade imediata.
Este artigo versa sobre os conceitos de Letramento Digital e Letramento em Inteligência Artificial, propondo o Letramento Ciborgue como uma leitura anárquica e pós-humana dessas práticas educativas. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise conceitual. A análise parte da compreensão de que o LD, consolidado nas últimas décadas como prática social voltada à criticidade e à competência multimodal, encontra limites diante das transformações instauradas pela emergência das inteligências artificiais generativas. O Letramento em IA surge, então, como resposta ética e pedagógica, buscando integrar a IA aos processos educativos de modo crítico, responsável e sustentável. No entanto, ao manter o humano como centro do conhecimento e da decisão, este ainda reproduz a ontologia antropocêntrica que estrutura o pensamento moderno. A partir das contribuições de autores como Kuhn (2013), Feyerabend (2007), Haraway (2000), Hayles (1999), Marchesini (2010), Latour (2021) e XXX (2024; 2025), argumenta-se que as práticas de letramento contemporâneas exigem uma revisão epistemológica que reconheça a cognição como fenômeno distribuído entre humanos e não humanos. Conclui-se que o Letramento Ciborgue não apenas amplia o escopo dos letramentos anteriores, mas inaugura um modo de pensar a educação como ecologia de inteligências, na qual aprender implica corresponder e coexistir com o outro, biológico ou maquínico, em uma rede de práticas sociais interdependentes.
O presente artigo analisa o fenômeno da poesia visual contemporânea brasileira que emerge nas redes sociais digitais e posteriormente transita para o suporte impresso, observando, nesse movimento, a reconfiguração das relações entre autoria, leitura e criação. A partir do conceito de contra-assinatura, investiga-se o papel ativo e performativo do leitor, que, ao compartilhar, recriar e ressignificar as poesias visuais, torna-se coautor das obras. O estudo compreende a leitura como ato criador e socialmente situado, mais especificamente a partir do advento das redes sociais digitais, como um movimento inédito no mercado literário brasileiro. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa de produções de leitores a partir de perfis de poetas visuais brasileiros contemporâneos no Instagram, todos também com livros publicados, evidenciando práticas de reelaboração estética, formal e discursiva. Os resultados apontam que a contra-assinatura do leitor traz novos marcos situados na história da relação autor-leitor na literatura. E não apenas amplia os sentidos dos textos poéticos, mas também modifica os modos de circulação e legitimação da literatura no cenário digital, promovendo uma democratização da produção e do acesso à poesia. Conclui-se que a poesia visual contemporânea brasileira configura um campo de criação compartilhada, no qual leitura e escrita se entrelaçam em um processo contínuo de reinvenção literária.
Este artigo descreve e reflete sobre o modo como iniciativas digitais recentes em São Tomé e Príncipe podem contribuir para a promoção da leitura literária, da educação literária e da literacia digital num contexto marcado por limitações estruturais, difícil acesso ao livro e desigualdades no acesso a recursos educativos. Partindo da criação do Repositório Digital do Ministério da Educação, do Programa Nacional de Aprendizagem Digital e da adoção da plataforma Learning Passport, discute-se, em particular, o curso “Baú Nón”, concebido como espaço de divulgação, preservação e mediação da literatura santomense e africana em formato digital. A iniciativa é analisada enquanto resposta pedagógica e cultural à reduzida circulação material do livro e ao frágil contacto de muitos estudantes com textos literários, sobretudo santomenses. O artigo considera ainda a introdução da disciplina de Literacia Digital na 9.ª classe, no ano letivo de 2025-2026, como um passo relevante para transformar o acesso digital em competência crítica e criativa. Defende-se, assim, que o digital pode propiciar a ampliação do acesso à literatura e criar novas formas de mediação cultural e educativa.
Neste artigo, apresenta-se um estudo de caso, com alunos de ensino superior, baseado nos resultados de duas experiências de utilização da ferramenta DLNotes. A partir das anotações realizadas por duas turmas do Mestrado em Ensino de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no ano letivo de 2025-2026, analisa-se quantitativa e qualitativamente o processo de leitura destes discentes perante o texto literário, nomeadamente no que concerne ao uso de estratégias metacognitivas. Deste modo, é possível formular recomendações pedagógicas para o estudo da literatura em sala de aula, tornando-se evidentes as vantagens deste recurso digital no meio docente. Após uma breve reflexão sobre os desafios que a leitura coloca aos alunos no século XXI, numa primeira parte do artigo, descrever-se-á uma experiência inicial de anotação livre, com cinco alunos da unidade curricular Seminário de Português I, do 1.º Semestre do 2.º ano do Mestrado, os resultados da análise estatística dos dados obtidos e os seus contributos para a abordagem do texto literário. A segunda parte tem como foco a avaliação, agora alargada a mais três alunos, do uso de estratégias metacognitivas, através do estudo das anotações semânticas feitas pela turma de Seminário de Português II, do 2.º Semestre do 2.º ano do mesmo curso.
This paper examines the transformation of Fantasy from a literary genre into a multisemiotic and technocultural practice, arguing that mythopoeia operates as a symbolic and epistemological matrix within contemporary digital culture. Drawing on J.R.R. Tolkien’s formulation of worldbuilding and myth-making, it proposes that Fantasy constitutes a creative and cognitive framework through which fictional worlds are constructed as coherent symbolic systems. Building on scholarship in media theory and semiotics (Jenkins, 2006; Bolter & Grusin, 2000; Manovich, 2002; Wolf, 2012; Murray, 2017), the paper investigates how media convergence and participatory platforms have expanded Fantasy into a multisemiotic ecosystem integrating text, image, sound, performance, and interaction. Through a theoretical-analytical methodology grounded in bibliographical review and supported by illustrative examples drawn from contemporary franchises and digital practices, the study argues that Fantasy operates as a distributed mythopoeic praxis. In this environment, audiences become co-authors, and fictional worlds evolve into dynamic transmedia systems sustained by collaborative practices and algorithmic circulation. The paper further contends that this shift reconfigures the cultural function of myth, displacing it from transcendence to digital immanence while preserving its role as a structure of meaning. Ultimately, it demonstrates that Fantasy constitutes a mode of knowledge that organizes the contemporary imaginary, articulating symbolic, technological, and affective dimensions in the production of meaning within global Pop Culture and digital environments.
No presente artigo discutimos acerca dos impactos da pandemia da Covid-19 na formação de leitores por meio da contação de histórias durante o ensino remoto, com foco nos desafios e possibilidades encontrados por duas professoras do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, de uma escola pública de Pau dos Ferros/RN. A pesquisa é de abordagem qualitativa, do tipo de campo e utiliza como técnica para a coleta de dados o questionário e a entrevista coletiva. Utiliza uma fundamentação teórica com base em autores como Alves (2020); Amarilha (2012); Busatto (2012; 2013); Bezerra (2020), dentre outros, que discorrem sobre as tecnologias e a contação de histórias, suas características e contribuições para o desenvolvimento do gosto pela leitura. Os resultados indicam que, apesar dos desafios, a contação de histórias e a mediação de leitura foram adaptadas criativamente para formar leitores, despertando seu prazer pelo universo fabuloso da literatura. Ademais, os dados apontam para a importância do papel do professor enquanto mediador, dado que durante o ensino remoto as professoras atuaram como facilitadoras do encontro dos alunos com as histórias através de diferentes técnicas e recursos digitais. Concluímos que, a partir das práticas de leitura desenvolvidas no contexto remoto, há a necessidade de investimento em novas políticas públicas que oportunizem um maior suporte e preparo técnico e humanizado para atender às demandas tecnológicas e pedagógicas que permeiam a docência.
Este artigo analisa a obra Requiem Diurnus (2024), de Diego Bonilla, um projeto intermidiático que emprega jornalismo de dados e inteligência artificial (ChatGPT, DALL-E) para construir um memorial estético digital sobre feminicídios perpetrados em diversos locais do mundo. A metodologia do estudo consiste na análise textual e visual dos cartazes do projeto, interpretando como neles se conjugam a temática da morte e a materialidade das obras. Teoricamente, o trabalho se fundamenta em autores como Diana Russell, Marcela Lagarde e Rita Segato para a discussão sobre o feminicídio; em Diego Bonilla e Rodolfo Mata para a reflexão sobre literatura e tecnologia computacional; e em Vilém Flusser para a questão das imagens técnicas e de suas dimensões materiais. O texto explora como Bonilla utiliza a IA para coletar dados, gerar imagens e poemas, subvertendo a opacidade dos processos técnicos e expondo a dimensão crítica e estética do feminicídio, ressaltado a capacidade da obra de restaurar a subjetividade das vítimas e fomentar debates sobre IA, arte e política.
This paper investigates how locative media strategies in children's books can promote spatial knowledge. Locative media relates information to space, which is considered one of the central elements of the narrative. Narratives are used to condense and remember experiences and are fundamental to our understanding of time and time-based events. The use of locative resources in children's books can create new narratives for space, which are rearranged to support the meaning of the story being told, expanding the reader's interactions and senses. Through a theoretical review and a description of the creation process of locative digital books, developed by undergraduate students in 2023, this study identifies the narrative elements of space and spatial elements in the narrative. It also discusses how they can be used to enhance spatial knowledge and comprehension of the narrative. As a result, this paper proposes guidelines for the use of locative media strategies to design digital books that can enrich children's reading experiences and foster topological skills.
Com o avanço das tecnologias digitais, novos recursos e propostas surgem no campo educacional. Com isso, é necessário que a escola acompanhe essas transformações a fim de garantir um ensino de qualidade coerente com a sociedade atual. Entre essas novidades está o livro digital de literatura infantil, que apresenta um novo formato ao artefato cultural (Rezende, 2019; Santos, 2022; Spalding, 2012). O objetivo deste trabalho foi investigar a recepção dos jovens leitores ao livro digital de literatura infantil. A pesquisa utilizou uma proposta interventiva, na qual foram realizadas três sessões de leitura de livros digitais de literatura infantil com alunos de 7 e 8 anos de uma escola pública da cidade de Fortaleza. Ao final das sessões, foram conduzidas entrevistas semiestruturadas, as quais permitiram que os alunos apresentassem seus respectivos pontos de vista sobre as experiências. As falas das crianças apontaram para três aspectos: o livro digital permite uma nova forma de interação com a tecnologia que fomenta a leitura e a autonomia; as sessões permitiram que as crianças caracterizassem o livro digital de literatura infantil; e a pesquisa apontou para a fundamental importância de considerar a acessibilidade do livro para o público ao qual se destina. Portanto, a partir da pesquisa, compreendemos o potencial educacional do livro digital de literatura infantil, considerando sua versatilidade e sua interatividade.
Este artículo examina los modos de apropiación de la literatura digital en Colombia entre 1995 y 2020, atendiendo tanto a su recepción en medios no especializados como a la producción crítica académica. Se identifican tres rasgos fundamentales: la relación inicial con las tecnopoéticas y el videoarte, la irrupción de autores provenientes de campos científicos y tecnológicos, y la centralización del fenómeno en Bogotá. Asimismo, se analizan hitos de legitimación como el reconocimiento internacional de Golpe de Gracia y la inclusión de Gabriella Infinita en la historiografía de la novela colombiana. A partir de estas evidencias, se sostiene que la literatura digital colombiana ha evolucionado en los márgenes de la tradición impresa y de los circuitos institucionales, con un desarrollo crítico dependiente de la academia.
Este artículo está enfocado a estudiar una obra literaria electrónica reciente, Textos Guerreros (2017) del autor mexicano Pablo Somonte Ruano. Cabe destacar que la crítica de literatura digital en México aún está en ciernes y esta obra es un ejemplo de la vasta producción y circulación de literatura electrónica en el país. El análisis hecho en el presente documento parte de tres perspectivas principales, la Literatura y la ciudad, el visualismo literario en conjunción con el soporte digital y la manera de interacción con el lector que propone esta pieza. Esto permite remarcar la relación de Textos Guerreros con la ciudad, el paseo, la protesta política y la promoción del uso de software libre como manera de uso ideal para el soporte digital. Del mismo modo, se profundiza en el carácter técnico, retórico y poético, al destacar las características visuales, digitales e interactivas de esta obra considerada como un poema aleatorio.
Las redes de colaboración en la investigación son elementales para el desarrollo y la difusión del conocimiento. En la última década los estudios de literatura electrónica en América Latina se han visto beneficiados por el surgimiento de estas redes para visibilizar la diversidad en la actividad investigadora y creativa en la región a nivel internacional. En este artículo exponemos los alcances que han tenido este tipo de iniciativas de colaboración en el desarrollo de la literatura electrónica en México. En primer lugar, abordamos la situación actual de esta práctica artística y de los estudios literarios correspondientes en el país; en segundo lugar, exponemos el impacto que han tenido las redes de colaboración en la enseñanza de la literatura electrónica a nivel universitario; y finalmente, presentamos un proyecto en curso que tiene como objetivo crear colaborativamente una Cronología de la literatura electrónica en México. La exposición de estos tres puntos ha revelado que la práctica multidisciplinaria, el diálogo intergeneracional y el impacto social de la investigación académica son claves para el fortalecimiento y la evolución de redes de investigación y colaboración en torno a la literatura electrónica y otras disciplinas afines.
Este artigo analisa a obra de literatura digital E-Imigrações (2021), de Alckmar Luiz dos Santos, Rafael Soares Duarte e Vinícius Rutes Henning, a partir dos conceitos de arte “pós-autônoma” (CANCLINI, 2012) e de “arte inespecífica” (GARRAMUÑO, 2014), apoiando-se também nas reflexões de Bauman (2017) sobre processos migratórios e de Silviano Santiago (2000) sobre o entre-lugar. Argumenta-se que, por um lado, a forma híbrida da obra — que articula elementos de histórias em quadrinhos, poesia e programação/engine em regime de multimodalidade — a posiciona como objeto inespecífico no nível dos sistemas, refletindo a erosão de barreiras entre linguagens e modos de expressão. Por outro lado, do entre-lugar estético ao entre-lugar sociológico, analisamos o tema da imigração para mostrar que, na obra, conteúdo, forma e lugar sistêmico se reforçam mutuamente a partir da ideia de deslocamento e de entre-lugar. Mostramos, ainda, que a ancoragem institucional da obra (circulação crítica, ISBN, atuação em circuitos como NUPILL/Observatório) evidencia sua afirmação sistêmica na literatura, mesmo quando opera hibridismos formais. A análise demonstra como a inespecificidade da obra não é apenas um efeito, mas a própria materialização da experiência fragmentada do sujeito deslocado, oferecendo um relato para um mundo que já não se organiza por narrativas únicas e contribuindo para a compreensão de particularidades estéticas e políticas da literatura digital produzida no Sul Global.