
Este trabalho relata os insights da experiência de estudantes de medicina em um projeto de extensão sobre hábitos de alimentação saudável e Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) com adolescentes de uma escola pública de Minas Gerais. As atividades foram realizadas com 138 estudantes de 14 a 18 anos, matriculados no Ensino Médio. A estratégia de ensino e aprendizagem por metodologias ativas e as experiências nos módulos de Práticas de Integração, Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC), atividades curriculares dos estudantes de medicina, favoreceram o planejamento das ações do projeto e a seleção do grupo-alvo. A aplicação de um diagnóstico participativo aos adolescentes com a pergunta norteadora “O que você mais gostaria de saber sobre alimentação saudável?” precedeu a dinâmica em sala de aula. As respostas obtidas foram divididas criticamente em grandes blocos, que orientaram a abordagem do tema e a elaboração de um material educativo. A dinâmica cumpriu seu objetivo ao dialogar e problematizar conceitos, além de incentivar a criatividade e a comunicação dos adolescentes por meio de atividades interativas. A interação comunitária permitiu que os estudantes elaborassem insights sobre a extensão universitária e a importância de sua curricularização para a qualidade da formação médica, com base na análise do Projeto Pedagógico do curso. As DCNT podem ser prevenidas e até tratadas quando associadas a uma alimentação saudável, sendo importante que os adolescentes entendam a influência de suas escolhas em suas saúdes e qualidades de vida, a curto e a médio-longo prazo. O trabalho evidenciou, ainda, a necessidade de uma educação alimentar e nutricional continuada nas escolas para a promoção da saúde e como a universidade se torna um agente imperioso nessa relação.
O intuito do trabalho é ampliar ações em um grupo comunitário do assentamento Cabeceira do Rio Iguatemi, no Distrito de Paranhos – Mato Grosso do Sul, que desenvolve uma ação de viveirismo. Devido vulnerabilidade econômica dos produtores participantes, o projeto busca através da produção de mudas de espécies nativas e frutíferas promover renda aos produtores, além da conservação dos ambientes naturais e a sustentabilidade no manejo da biodiversidade. Serão cultivadas espécies como canafístula, copaiba, cedro e amendoim falso, além de outras mudas como ypê rosa e amarelo, uva japonesa, nim, ingá, jaboticaba, pitanga vermelha, goiaba vermelha, acerola, pocam, mexerica, tarumã, farinha seca, cachoteira, jamelão, marfim, soita, ameixa nativa, cumbaru, erva mate, laranjinha, limão, sidra, coco e romã. Os trabalhos serão desenvolvidos por um grupo de 13 famílias, onde as atividades serão divididas entre si, serão essas responsáveis pelo plantio das sementes, irrigação, cuidar da estrutura do local, coletar sementes nas matas, manejar o minhocário, realizar a adubação, que serão acompanhadas por meio de assistência técnica. Para a ampliação do viveiro serão utilizados materiais como tubetes, saquinhos, canos de irrigação dentre outros. Ao longo das visitas serão realizadas reuniões com todos os participantes para debater questões pertinentes ao projeto e as atividades que serão realizadas no dia. As sementes das árvores nativas serão retiradas de árvores presentes na região, escolhendo as melhores sementes.
Este estudo tem objetivo identificar quais são os tipos de violência obstétrica que acometem as mulheres, no ambiente hospitalar, e a percepção delas sobre o tratamento recebido pelos profissionais de saúde. Trata-se de uma revisão integrativa, conduzida nas bases de dados CINAHL, BVS, Web of Science, Science Direct, Scopus e Embase, sem limitação do ano de publicação, conduzido pela ferramenta PRISMA. Definiu-se como população as gestantes; o fenômeno de interesse foi a prática da violência obstétrica, bem como a percepção da mulher sobre o tratamento recebido pelos profissionais de saúde; e o contexto o ambiente hospitalar. Foram identificados 12 artigos para amostra final. Os achados foram divididos em duas categorias: “Formas de violência obstétrica” como violência física, verbal, psicológica e institucional, e “Percepção das mulheres sobre a assistência prestada” fazendo com que as mulheres se se sintam impotentes, humilhadas, abandonadas, com medo, angustiadas e repletas de tristeza. Foi identificado que violência obstétrica ocorre com muita frequência no ambiente hospitalar, apresentando-se de diversas formas. As mulheres sentem sentimentos negativos com relação a tratamento que recebem no ambiente hospitalar. Dessa forma, é fundamental a discussão e aprofundamento sobre essa temática, buscando sensibilização, humanização e mudanças nas condutas por parte de todos profissionais.
O Programa de Educação Tutorial (PET) Odontologia da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) realiza anualmente o CinePET, uma atividade científico-cultural que promove, através do cinema e do debate, o enriquecimento da experiência acadêmica, profissional e social. O objetivo deste trabalho é fazer um relato de experiência da realização desta atividade entre os anos de 2019 e 2023. Para cada edição, foram selecionados filmes e/ou documentários que abordam temáticas diversas, e estes foram divulgados ao público em conjunto com informações adicionais do evento. Para cada edição, após o período disponível para o público consumir o conteúdo divulgado, uma mesa redonda foi realizada com palestrantes convidados a fim de efetuar um câmbio de conhecimentos e experiências sobre os temas abordados. O evento ocorreu de forma síncrona pela plataforma YouTube, salvo os anos de 2019 que, em período pré-pandêmico, foi realizado de forma presencial, e de 2020 que, em período pandêmico, as atividades da instituição estavam suspensas. Por meio de formulários de avaliação disponibilizados ao final de cada edição do CinePET foi possível averiguar o nível de satisfação do público atingido, sendo uma média de quarenta e sete respondentes em todos os anos. Como resultados, a maioria do público considerou as atividades como ótimas, alcançando porcentagens acima de 90% de aprovação nas categorias de programação do evento, atuação dos palestrantes e importância dos temas expostos. Através disso, foi possível observar o impacto positivo obtido para a comunidade interna e externa da UNIFAL-MG, beneficiando o público com trocas de experiências e conhecimentos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. O suicídio é um fenômeno de etiologia multifatorial, devendo ser considerado enquanto um problema de saúde pública e, por isso, sua prevenção é de extrema importância. Nesse sentido, o objetivo do presente artigo é apresentar uma proposta de programa psicoeducativo de prevenção do suicídio para população de adultos e idosos, desenvolvida a partir de ações de extensão realizadas em contextos educacionais e assistenciais de vulnerabilidade. O Gatekeeper Training (Treinamento de Sentinelas) foi a estratégia escolhida para alcançar esse propósito. Como resultados, observou-se junto ao público-alvo uma diminuição nos estigmas e tabus oriundos do senso comum sobre o suicídio; melhora no conhecimento sobre o fenômeno; maior sensibilização quanto à importância da prevenção do suicídio e um possível efeito multiplicador da ação a partir do interesse de levar à comunidade o conhecimento construído colaborativamente durante as ações. Conclui-se que o programa de Gatekeeper Training é recomendado para a apoiar a prevenção do suicídio em contextos comunitários, ampliando a conscientização do público acerca da importância do tema.
O objetivo no presente artigo é explanar a criação dos jogos lúdicos que foram realizados pelo Projeto de Extensão TREE – UFPB: sensibilização sobre o correto descarte e reaproveitamento dos resíduos eletroeletrônicos na região metropolitana de João Pessoa - PB e a partir disso, refletir sobre como a metodologia ativa contribui para o processo de ensino-aprendizagem, não somente através do conhecimento à respeito das áreas de ensino convencional, mas também no desenvolvimento de conhecimento em educação ambiental, com desenvoltura em realizar atividades em equipe, bem como a preocupação social em disseminar os conhecimentos sobre sustentabilidade. Os jogos desenvolvidos foram: Treebuleiro, Caixa Surpresa, Treememória, Futreebol e Labirintree, relacionados aos conceitos sustentáveis e/ou a partir de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos coletados pelo TREE, como placas de circuito impresso (PCI).
A comunicação é uma habilidade essencial para a interação eficaz entre o cirurgião-dentista e os demais agentes que compõem sua prática profissional. As diferentes realidades de trabalho do profissional de saúde requerem a capacidade de saber agir e interagir que envolve habilidades comunicacionais. Este estudo objetivou compreender os processos de aprendizagem para domínio da comunicação com o paciente e equipe. Trata-se de um estudo de avaliabilidade sobre os objetivos de aprendizagem da subdimensão “comunicação com o paciente e equipe” a luz da taxonomia de Bloom. A validação ocorreu pelo consenso de Delfos com participação de 12 experts em educação na área odontológica. Foram validados sete critérios após duas rodadas de consenso. Os objetivos de aprendizagem validados neste estudo representam um avanço em direção ao preconizado sobre capacidade de comunicação nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Assim, constituem-se em importante embasamento na construção de novas estruturas curriculares e metodologias de ensino. O reconhecimento do professor da área clínica na promoção de intervenções educativas que considerem os objetivos de aprendizagem validados pode proporcionar um processo de comunicação competente que contribuam para a autonomia, empoderamento e protagonismo do paciente.
Na região Sul do Brasil, existe uma lacuna na integração entre a pesquisa de flores e a extensão devido à incipiente comunicação entre os envolvidos nesse assunto. Com o intuito de incentivar trabalhos integrativos na área de floricultura implementou-se um programa de extensão na Universidade Federal de Santa Catarina como objetivo central de semear, trocar e multiplicar conhecimento sobre flores na microrregião de Curitibanos, SC, a partir de atividades de extensão com estudantes, agricultores, comerciantes e consumidores. Temos como objetivo nesse artigo demonstrar os resultados do programa de extensão Semear conhecimentos para colher flores. Foram realizados levantamentos sobre o cultivo de flores na microrregião através de questionários qualitativos desenvolvidos para quatro públicos-alvo: agricultores, extensionistas rurais, comerciantes e população em geral. Consequentemente, agricultores interessados no cultivo específico do gladíolo receberam orientação técnica da Equipe PhenoGlad, com planejamento prévio da época do plantio e manejo durante o desenvolvimento das plantas. Fundamentados nesses cenários foram organizados seminários, roteiros técnicos e cursos teórico-práticos sobre cultivo do gladíolo, tendo em vista atender ao público de agricultores e técnicos extensionistas que estiveram envolvidos no projeto, assim como estudantes e pesquisadores interessados. A partir disso, desenvolveu-se um canal de comunicação entre universidade e comunidade a partir das mídias sociais que estão sendo veículos de troca de experiências e de divulgação de informações obtidas da pesquisa para o agricultor. Essas informações alcançaram diferentes extratos da população. Os resultados práticos do programa envolveram a formação de recursos humanos em nível de graduação, diante do envolvimento de estudantes em todas as etapas do trabalho. A divulgação do potencial da floricultura na microrregião foi efetivada através dos diversos eventos e publicações em mídias sociais da equipe. Além disso, oportunizou-se a inserção de uma fonte alternativa de renda para agricultores, ampliando a diversificação dos produtos na propriedade e na feira livre, que atualmente, além de seus produtos cotidianos também oferece a opção de flores para os consumidores.
O projeto Ervaterapia visa aperfeiçoar a formação integral dos discentes do ensino médio por meio de ações com a comunidade externa, utilizando-se do conhecimento sobre plantas medicinais como um instrumento de aproximação com a natureza de modo a promover a saúde e o bem-estar. O presente artigo traz reflexões acerca das oficinas de produção de sabonetes artesanais com ervas medicinais cultivadas na horta comunitária do campus. Foram realizadas 10 oficinas abertas à comunidade no IFC e 4 oficinas em parceria com o CRAS, com o objetivo de conscientizar os participantes sobre o uso excessivo de medicamentos alopáticos, apresentando as ervas medicinais como alternativa de promoção de saúde, além de promover uma fonte de renda alternativa com a comercialização de sabonetes naturais.As oficinas duravam em média 3 horas entre uma pequena introdução teórica sobre os benefícios das plantas medicinais, prática da produção de sabonetes, modo de comercialização, confraternização e avaliação final. Na oportunidade, os participantes conheceram o Instituto, os cursos disponibilizados e os projetos realizados. Como resultado, o projeto proporcionou a aproximação entre comunidade e a instituição de ensino, evidenciando a extensão como, não só um pilar para a formação dos discentes, mas também essencial para a democratização do conhecimento promovendo o desenvolvimento social e econômico regional.
As arboviroses são um problema crescente de saúde pública no mundo, por seu grande potencial disseminativo e ocorrência de agravos. Nesse sentido, a educação em saúde é uma ferramenta importante para conter novas epidemias, principalmente diante de um cenário com crescente número de casos notificados e confirmados. Este artigo tem a finalidade de relatar a experiência de uma equipe do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET Saúde/Interprofissionalidade) na abordagem sobre arboviroses em ações do Outubro Rosa e Novembro Azul, no município de São Mateus, Espírito Santo. Na interpelação foi abordado a forma de transmissão, os principais sintomas da dengue clássica e da hemorrágica, as orientações em caso de suspeita, a forma de prevenção, incluindo a realização do check-list domiciliar, e a situação epidemiológica local. Com a realização dessas ações concomitantemente com as ações do Outubro Rosa e Novembro Azul, foi possível um maior alcance de indivíduos, o que facilitou a abordagem do tema para a população. Somado a isso, trabalhar de forma interprofissional permitiu aos integrantes da equipe compreender os papéis de profissionais de saúde de diferentes formações, bem como respeitar as atribuições de cada profissão.
Apresenta um relato de experiência de estágio extracurricular desenvolvido no contexto das políticas públicas em município da região metropolitana de Porto Alegre/RS. Durante dois anos (2020-2022), foram acompanhadas famílias em situação de vulnerabilidade social, vinculadas ao Programa Criança Feliz (PCF), o foco dos acompanhamentos visou identificar e monitorar avanços no desenvolvimento psicossocial das crianças, bem como oferecer apoio a mulheres em situação de violência doméstica. Contudo, para atender aos objetivos acima, não bastava apenas realizar visitas domiciliares, seria necessário buscarmos levantar conhecimentos mais detalhados sobre a realidade social das famílias atendidas o que não populações vulnerabilizadas, por meio da adoção da observação participante que, associada à entrevista e à escuta clínica, resultou uma importante ferramenta para o trabalho do psicólogo no âmbito das políticas públicas de assistência social, assim como proporcionou uma aproximação mais adequada entre teoria e a prática no campo da Psicologia Social.
Relatar a experiência vivenciada por discentes em Enfermagem durante as atividades extensionistas com idosos residentes em uma ILPI. Trata-se de um relato de experiência sobre atividades de um projeto de extensão que teve como ênfase a promoção da qualidade de vida de idosos residentes em uma ILPI situada em Divinópolis/MG. O projeto é vinculado ao curso de Enfermagem da UFSJ, com parceria da UEMG/Unidade Divinópolis, e foi desenvolvido entre abril de 2016 a março de 2018. Foi realizado o acolhimento com todos os idosos da ILPI, estabelecendo, por meio da atenção humanizada, o vínculo e a responsabilidade compartilhada. As oficinas realizadas com os idosos foram: massinha de modelar; desenhos, pintura em papel e em tecido; confecção de porta-retratos; fotografia; educação bucal; brincadeiras de rodas e com dança; bingo; oficina de beleza; jardinagem e árvore de natal. O projeto oportunizou o atendimento de uma necessidade local e contribuiu para a qualidade de vida dos idosos institucionalizados, trazendo um impacto positivo e uma transformação social para esta população.
Embora seja um recurso primordial ao mantimento da sobrevivência humana, até 2019, cerca de 2,7% da população brasileira não tinha acesso ao abastecimento de água potável. As consequências desta privação atingem principalmente indivíduos que residem em comunidades ou assentamentos socioeconomicamente vulneráveis, impactando em suas atividades de subsistência, à exemplo da agricultura comunitária/familiar. Desta forma, como alternativa facilitadora ao acesso a este bem natural, está o aproveitamento de água de chuva, que também permite poupar volumes de água tratada para usos mais nobres. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a viabilidade do uso de água de chuva precipitada para suprimento da demanda de irrigação de uma horta comunitária existente na Comunidade Feminista Menino Chorão, localizada em Campinas (SP). Para tanto, foi utilizada uma metodologia de avaliação da oferta de chuva no local de estudo baseada nos dados de séries históricas de precipitação, bem como da demanda a ser suprida, com a estimativa da área irrigada. A determinação do volume a ser armazenado foi feita a partir de três métodos propostos para essa finalidade, sendo estes: o método Rippl, o método Azevedo Neto e o método da Norma NBR 15527:2019. A partir dos métodos aplicados, foi sugerido um volume de 35 m³ a ser armazenado, por meio de um reservatório inferior e com distribuição da água por gravidade, como permite a topografia do local. Conclui-se, portanto, uma viabilidade favorável ao aproveitamento de água de chuva na região estudada, cuja pluviosidade alterna entre períodos de grandes volumes precipitados e quem podem ser utilizados em períodos de seca. Como análises que podem ser complementares ao trabalho, aponta-se o estudo da qualidade da água de chuva, por meio dos seus parâmetros de químicos.
O relato descreve a reflexão das vivências dos universitários e residentes no processo da Relatoria da 10ª Conferência Estadual de Saúde de Rondônia, e sua relação com a formação em saúde. Trata-se de um estudo do tipo relato de experiência sistematizado do evento, que ocorreu entre 29 e 31 de maio de 2023, com a participação de 514 pessoas. Os universitários vivenciaram a Comissão de Relatoria desenvolvendo atividades como recepção e análise das propostas dos 52 municípios, organização do evento e sistematização da vivência. Percebe-se que o trabalho na Relatoria se deu por meio de diálogos com gestores, prestadores, trabalhadores e usuários, mostrando aos estudantes, que saúde e democracia são condições que ensinam e ensejam mobilização social e boas lutas na defesa do Sistema Único de Saúde. O caráter pedagógico da Conferência propiciou discussões na busca de estratégias na defesa das políticas públicas e da justiça social. Considera-se que esta experiência foi uma oportunidade bastante enriquecedora e formativa, potencializando o desenvolvimento da interprofissionalidade, habilidades, competências e a construção de práticas inovadoras e comprometidas com o Sistema Único de Saúde e com a população.
As demandas complexas e contínuas de cuidados para crianças com deficiência desencadeiam sentimento de insegurança, culpa, sobrecarga e baixa autoestima nas mães e cuidadoras. Diante disso, vê-se a necessidade de desenvolver estratégias que promovam a regulação desses cuidados. Este artigo relata a experiência de extensionistas dos cursos da área da saúde frente às ações realizadas para estimular e encorajar mães e cuidadoras de crianças com deficiência a priorizarem seu próprio bem-estar. O projeto de extensão, realizado entre março e setembro de 2023, consistiu em rodas de conversa desenvolvidas em dois centros de reabilitação localizados em Belo Horizonte/MG. As rodas de conversa abordaram temas sobre autocuidado, benefícios da atividade física, relacionamento conjugal, ansiedade, cansaço, sobrecarga e representações de maternidade. Através do projeto, evidenciou-se o papel essencial da atuação multiprofissional e a criação de espaços de escuta para promover qualidade de vida das mães e cuidadoras.
Este texto propõe-se a relatar a experiência do projeto de extensão de “Introdução a Agroecologia”, elaborado pelo Laboratório Estado, Fronteira e Relações Sociais, para as turmas do quarto ano da Escola Municipal Engenheiro Waldyr Becker, do município de Toledo, Paraná. As atividades foram previa e concomitante orientadas por aparato teórico, tanto de processos educativos quanto da reflexão agroecológica, ambos presentes no texto. Sua elaboração compreende o caráter educativo da agroecologia e a educação ligada ao processo produtivo, como características ontológicas, não apropriadas privadamente. Considerando o ser humano como parte da natureza, explicita-se o caráter agroecológico da educação. A estrutura dos encontros segue a ordem do texto, num movimento que parte do concreto, daquilo que é visto e vivido, mas não necessariamente elaborado, para então, iniciar a problematização e instrumentalização, para, posteriormente, voltarmos ao concreto, agora instrumentalizados durante o processo dialético de produção de conhecimento.
O vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ainda constitui um grave problema de saúde mundial com cerca de 37 milhões de pessoas infectadas (UNAIDS, 2021). O uso das redes sociais como ferramentas de informação pode contribuir para a prevenção dessa questão global. O presente estudo de relato de experiência em atividade de extensão, apresenta uma abordagem qualitativa de caráter descritivo e seus dados são relativos ao período de fevereiro de 2021 até janeiro de 2023. As ações extensionistas consistem na publicação de postagens e vídeos animados na plataforma do Instagram®. Os temas abordados são acerca das infecções causadas pelo vírus HIV, assim como por parasitos, e outros tópicos relacionados. Também foi possível disseminar conhecimentos sobre a prevenção de doenças e questões vacinais durante um cenário crítico da pandemia pelo SARS-CoV-2 por meio de fontes confiáveis. Foram produzidas 89 postagens de imagens e 34 postagens de vídeos com um total de 25.132 impressões e 1704 interações publicadas na plataforma do Instagram®. É possível concluir que todas as postagens trouxeram impressões ou interações com seu público, demonstrando que a divulgação científica foi promovida.
O objetivo deste estudo foi relatar a experiência do funcionamento de um serviço de teletriagem vinculado a um projeto de extensão realizado em uma Faculdade de Odontologia no sul do Brasil. Devido à COVID-19, as práticas clínicas dos estudantes de odontologia foram suspensas em março de 2020. Para a retomada segura dos atendimentos, foram necessárias medidas para mitigar o risco de propagação do vírus Sars-CoV-2. Uma ação proposta pela Faculdade de Odontologia foi a implementação de um serviço que realizava teletriagens, a fim de identificar sinais e sintomas de COVID-19 nos pacientes agendados, além de fornecer informações sobre medidas adotadas na faculdade para a realização do atendimento de forma segura. Docentes, técnicos administrativos em educação e discentes participaram das ações do serviço de teletriagem, que foi iniciado em dezembro de 2020. Ao longo de 8 meses de funcionamento, foram realizadas 863 teletriagens com a identificação de 37 pacientes com manifestações de sinais, sintomas ou história de possível contato relacionado à COVID-19. Entre os sinais e sintomas mais mencionados, estavam a dor de cabeça intensa (36,9%) e a desarranjo intestinal (26,3%). Por conseguinte, conclui-se que a teletriagem contribuiu para a retomada de atendimentos odontológicos clínicos de forma segura, em um período no qual não havia vacina ou quando a vacinação ainda estava iniciando. Destaca-se a importância do envolvimento de toda comunidade acadêmica que contribuiu para a retomada das atividades clínicas, beneficiando toda a comunidade.
Observa-se nas últimas décadas o aumento da população de cães e gatos no país e o estreitamento do vínculo entre tutor e animal. Para essa relação ser benéfica a ambos, alguns aspectos sobre a saúde dos animais e o seu bem-estar devem ser difundidos. Sabe-se que a desinformação acarreta em casos de maus-tratos e abandonos de animais com consequentes problemas de saúde pública. Neste sentido, o Programa DiverPet surgiu com o objetivo de disseminar os conceitos sobre o bem-estar animal para assegurar a qualidade de vida dos cães e gatos e colaborar para a conscientização ambiental através de ações de extensão presenciais com crianças e adultos e ações virtuais nas redes sociais do programa, contribuindo também para a formação profissional dos acadêmicos de medicina veterinária ao executarem e planejarem ativamente essas ações. Nas ações presenciais com crianças foram abordados os conceitos de bem-estar animal, saúde de cães e gatos, enriquecimento ambiental, reciclagem e sustentabilidade e as crianças puderam confeccionar brinquedos fundamentados no enriquecimento ambiental com materiais recicláveis para seus animais de estimação. Para mensurar o desempenho dessas ações foi elaborada uma avaliação com questões objetivas que era respondida pelas crianças ao final da ação. Nas ações de extensão presenciais com adultos foi realizada uma oficina abordando o correto manejo nutricional, onde os participantes receberam informações teóricas e puderam confeccionar biscoitos naturais para seus animais de estimação e no final responderam um questionário avaliativo. Devido à pandemia pela COVID-19 o programa precisou se adaptar, realizando ações virtuais por meio de publicações em mídias sociais e mantendo os objetivos de disseminar informações para garantir a qualidade de vida dos animais, além de informações sobre a COVID-19. Entre os resultados obtidos pelo programa destaca-se o acerto de 97,36% das questões pelas crianças e o bom alcance que as postagens receberam nas mídias sociais, além do impacto positivo para a formação profissional dos acadêmicos de medicina veterinária, organizadores e executores das ações. Com as ações e seus resultados observou-se a importância da realização de ações de extensão com o foco em promover a melhoria do bem-estar animal, aliando ao bem-estar humano e ao meio ambiente, ou seja, fomentando o Bem-Estar Único.
Este relato apresenta o percurso da experiência recente de construção da curricularização da extensão no Curso de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista, por meio do olhar da gestão do Curso. O caminho percorrido contou com tensões e disputas, em um contexto favorável do campus no que diz respeito às ações de extensão desde sua criação e ao projeto político pedagógico pautado na integração ensino-serviço-comunidade. O momento de intensificação do processo de construção da curricularização era adverso, com restrição de atividades presenciais provocada pela pandemia, desafios na sustentação do ensino remoto, precarização das condições de trabalho e de vida, incluindo os profissionais e as comunidades parceiras da Universidade, além do desmonte das políticas públicas de saúde, educação, alimentação e nutrição. O processo participativo na discussão da inserção da extensão na matriz curricular do Curso permitiu destacar a trajetória potente de docentes, técnicos administrativos em educação e estudantes em ações articuladas de ensino, pesquisa e extensão, bem como novas possibilidades de arranjos de conteúdos e carga horária com caráter extensionista, enfatizando a comida como um direito. A proposta resultou em um mosaico de temas e atores, que ilustrou a complexidade, a interdisciplinaridade e a intersetorialidade, colocadas para os campos da Saúde, da Alimentação e Nutrição e o investimento do Curso na formação de nutricionistas aptos ao pensamento crítico e ao trabalho em saúde, pautado na perspectiva ético-política de justiça social, equidade e sustentabilidade.