
Os Parques Tecnológicos são ambientes de inovação que têm como objetivo dinamizar as economias regionais e nacionais, tornando-as mais competitivas. Eles integram um ecossistema de inovação que também envolve incubadoras, aceleradoras e núcleos de inovação tecnológica. Nesse sentido, entender a relação entre inovação e território tem se tornado cada vez mais relevante, especialmente quando observamos como essas dinâmicas se materializam em contextos urbanos, como o da cidade de Curitiba. Assim, esta pesquisa buscou analisar os Parques Tecnológicos da cidade de Curitiba e suas imbricações com o território. O estudo combina uma revisão bibliográfica sobre o tema e um levantamento de dados e informações junto a instituições como a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), o Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação do Paraná (SEPARTEC) e outras entidades pertinentes, possibilitando uma análise aprofundada das características, impactos e estratégias desses parques. O trabalho também examina o papel das políticas públicas voltadas à inovação na capital paranaense quanto a consolidação e ao fortalecimento dessas iniciativas, destacando como contribuem para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do território. Em Curitiba, em particular, as políticas públicas voltam-se fortemente à expansão e ao fortalecimento desses ambientes, abrangendo tanto iniciativas públicas quanto privadas, o que explica o expressivo número de parques existentes no município. Espera-se, assim, oferecer subsídios para a compreensão do papel dos parques tecnológicos na promoção da inovação e na inserção de Curitiba no contexto desses ambientes de inovação.
As áreas protegidas são uma das principais estratégias de conservação da biodiversidade da atualidade. Elas correspondem a espaços geográficos delimitados, geralmente por meios legais, e geridos com o objetivo de assegurar a conservação da natureza à longo prazo. Existem diversas tipologias de áreas protegidas, tanto em âmbito internacional quanto nacional, tais como Parques, Estações Ecológicas, dentre outras. Os Monumentos Naturais (MONAs) são uma dessas categorias de áreas protegidas, cujo objetivo é preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. O objetivo deste artigo é realizar um resgate histórico do termo “monumento natural”, bem como da instituição destes territórios, no Brasil e no mundo. Para tanto, utilizamos a pesquisa bibliográfica enquanto metodologia científica. Os resultados desta pesquisa indicam uma história complexa da instituição dos MONAs no Brasil e no mundo, na qual os conceitos e significados atribuídos a esses territórios sofreram diversas transformações ao longo do tempo. Etimologicamente, a palavra monumento apresenta três acepções: memória, história e monumentalidade (estética). Embora o termo “monumento natural” tenha surgido no início do século XX, sua concepção esteve subjacente à criação dos primeiros Parques Nacionais, no Brasil e nos EUA. As primeiras utilizações do respectivo termo remetem às legislações de proteção do patrimônio cultural de alguns países, como Brasil e Japão. Foi somente a partir da década de 1940 que os MONAs começaram a ser encarados como uma categoria de áreas protegida. Apesar disso, o deslocamento definitivo do termo “monumento natural” das políticas de proteção ao patrimônio na direção da instituição de áreas protegidas só foi ocorrer na década de 1990, no contexto internacional. No Brasil, tal deslocamento ocorreu após a promulgação da Lei 9.985, de 2000. Ao longo dos anos, a concepção de monumento natural foi se modificando, havendo incorporação de novos significados e supressão de outros.
A pandemia de COVID-19 evidenciou a importância do saneamento básico para a saúde pública e a qualidade de vida. Medidas como lavar as mãos, tomar banho todas as vezes que se expor fora de casa e manter higiene constante se tornaram essenciais para conter o vírus. No entanto, mais da metade da população mundial, incluindo o estado da Paraíba, não tem acesso adequado a saneamento. Assim, o objetivo deste artigo é investigar a relação entre o avanço dos casos de COVID-19 e a situação socioeconômica e de saneamento básico nos 223 municípios do Estado da Paraíba, com a intenção de melhor direcionar políticas públicas e o planejamento dos municípios. A metodologia envolveu análises estatísticas com técnicas de clusters (Ligação Simples, Ligação Completa, K-means) e correlação de Spearman, aplicadas via Software RStudio. Foram analisados dados de saneamento, socioeconômicos e de incidência do vírus. Os dados utilizados para posterior mensuração dos resultados foram de saneamento básico, socioeconômicos e de incidência do vírus. Verificou-se que os 223 municípios analisados apresentam precariedade quanto ao acesso de serviços básicos de saneamento, de acordo com as análises estatísticas realizadas, não foi possível verificar uma correlação entre o acesso ao saneamento básico e o COVID-19. Entretanto, a incidência se mostrou maior onde o PIB e a Renda per capita eram maiores, mostrando uma possível relação entre a maior concentração de casos onde os aglomerados urbanos e comercio são maiores. Através dos dados obtidos fica evidente uma fragilidade econômica significativa, destacando a importância de políticas públicas que melhorem as condições socioeconômicas e de saúde. Tais investimentos podem proporcionar melhores condições de vida para toda a população e assegurar assim uma resposta mais eficaz às crises sanitárias futuras.
Este artigo aborda diferentes técnicas para geração de pontos aleatórios sobre o globo. A longitude (X) e a latitude (Y) são entendidas como variáveis aleatórias contínuas, contidas nos intervalos entre -180° e 180° e entre -90° e 90°. Duas possibilidades são levadas em conta, ambas considerando essas duas variáveis como independentes. A primeira utiliza distribuições uniformes para as duas variáveis (modelo uniforme) e a segunda utiliza uma distribuição uniforme para a longitude e uma distribuição cosseno para a latitude (modelo cosseno). São apresentadas as funções de distribuição de probabilidade para as distribuições marginais de X e Y, e conjuntas - vetor aleatório (X, Y). Também são apresentadas as propriedades de esperança e variância para as distribuições marginais, bem como demonstra-se a independência das distribuições conjuntas. Considerando todo o globo, observou-se que o modelo uniforme tende a gerar uma densidade de pontos por área menor na região equatorial e maior nos polos, enquanto o modelo cosseno tende a gerar uma densidade variável ao redor de uma média constante. Assim, o modelo cosseno corrige um enviesamento causado pela geometria não-euclidiana inerente ao formato terrestre. Uma demonstração realizada para duas áreas no território brasileiro mostrou que, utilizando a distribuição cosseno, a porção sul do Rio Grande do Sul teria 14,73% a menos de chance na geração de pontos, em comparação com a região equatorial. Essa diferença ocorre por conta da variação da extensão dos paralelos ao longo das latitudes.
Os rios contribuem de sobremaneira no transporte de materiais associados aos sólidos totais em suspensão (TSS), responsáveis pela fertilização e pelo balanço de sedimentos para as zonas costeiras adjacentes. Dada esta relevância, a variabilidade especial e temporal das plumas costeiras devem ser constantemente monitoradas, uma vez que, anomalias de TSS podem estar associadas com impactos antrópicos regionais e/ou anomalias no clima. Neste sentido, o presente estudo implementou o algoritmo de Tassan sobre dados orbitais referentes a porção da desembocadura do rio São Francisco entre os anos de 2013 e 2021, visando identificar oscilações sazonais desta localidade. Os resultados obtidos pelo perfil plotado indicaram maiores valores de TSS para a região da desembocadura do rio São Francisco, com reduções expressivas na medida em que o perfil avança em direção à porção marinha adjacente. Adicionalmente, foi observada ausência de oscilações significativas nos níveis de TSS locais. Possivelmente, o expressivo quantitativo de barramentos artificiais ao longo da bacia do São Francisco em consonância com os baixos índices de pluviosidade na região está afetando a dinâmica dos sedimentos para as porções à jusante. Esperamos que este trabalho possa contribuir com futuras medidas que visem o manejo adaptativo da região frente os atuais desafios de sustentabilidade.
O Parque Nacional Indígena do Xingu é uma área protegida abrangendo 2,8 milhões de hectares no norte de Mato Grosso, situado em uma zona de transição entre dois grandes biomas – Cerrado e Floresta Amazônica –, sendo uma das mais importantes terras indígenas do país. Deste modo, objetivou-se identificar as alterações da cobertura e do uso da terra na área proposta para implantar a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Xingu, unidade de conservação proposta pelo Zoneamento Socioeconômico Ambiental do Estado de Mato Grosso, localizada no entorno sudoeste do Parque, em um lapso temporal de 36 anos. A APA teria como objetivo proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, ao conectar o Parque Indígena do Xingu e a Estação Ecológica Estadual do Rio Ronuro. Os dados da cobertura e do uso da terra foram obtidos na plataforma MapBiomas dentro de um recorte temporal abrangendo 1985, 1995, 2005, 2015 e 2021. Os resultados demonstraram as mudanças ocorridas na paisagem, com a supressão da Floresta Amazônica e cerradões, reflexo do aumento das atividades antrópicas. As áreas florestais correspondiam a 89,1% da área em 1985 e 57,5% em 2021, sendo substituídas por pastagens e soja. O impacto ambiental negativo causado pela supressão da vegetação não compromete apenas os corredores ecológicos, mas também infere no ciclo hidrológico e disponibilidade hídrica, prejudicando a capacidade de fornecimento futuro de água. Por isso, destaca-se a importância da implementação da APA do Rio Xingu com um plano de manejo que proteja a região sudoeste do Parque Nacional do Xingu.
A atuação dos agentes produtores do espaço urbano em Altamira atravessou diversas fases, desde a abertura da Rodovia Transamazônica na década de 1970 até a construção do complexo da UHE Belo Monte em 2011. Esses eventos contribuíram de maneira significativa para a produção de espaços urbanos impulsionados por agentes do setor imobiliário, resultando em uma urbanização dispersa. Desta forma, a presente pesquisa tem como objetivo analisar o processo de expansão urbana de Altamira-PA a partir da perspectiva da promoção imobiliária com o advento do complexo da UHE Belo Monte. A metodologia da pesquisa consistiu no levantamento bibliográfico e consulta cadastral na Prefeitura Municipal de Altamira e no Cartório de Registro de Imóveis do 1ª Oficio. As informações coletadas foram consolidadas na forma de gráficos, tabelas, quadros e mapas. Constatou-se que os primeiros grandes loteamentos surgiram no final da década de 1970 e 1980, intensificando-se ao longo das décadas seguintes. Sobretudo na década de 2010, houve um ritmo de ocupação e inserção na marcha urbana muito mais intenso do que nas décadas anteriores. Os principais agentes promotores foram as incorporadoras, atraídas pelos investimentos de Belo Monte, a Norte Energia S.A. por meio dos RUCs, e o Estado com as políticas nacionais de habitação (PMCMV).
A proposta deste estudo é compreender a transformação do espaço urbano de Curitiba-PR, com ênfase nas casas de arquitetura tradicional em madeira. O Código de Posturas de 1919, instrumento legislativo que definiu as normas de uso do solo na cidade, contribuiu para a produção de uma paisagem moldada pela segregação, na qual as casas de madeira integraram um âmbito de exclusão devido ao material construtivo. A partir de amostragens, foi possível constatar que nas últimas décadas, a produção do espaço urbano em Curitiba atrelou-se a uma lógica mercantil e especulativa, evidenciada nos vazios urbanos, isto é, terrenos subutilizados que substituem, paulatinamente, as casas tradicionais. Neste sentido, embasando-se no método regressivo-progressivo proposto por Henri Lefebvre — que preconiza o regresso a condições pretéritas como ferramenta capaz de proporcionar a decodificação de configurações materiais impressas no espaço geográfico do presente — este trabalho busca compreender, a partir das casas tradicionais, a transformação da paisagem urbana de Curitiba entre 2001-2023.
Após o rompimento da barragem em Mariana – MG, grandes impactos ocorreram nos três pilares: social, ambiental e econômico; atingindo diretamente comunidades a jusante que dependiam do rio Doce para obter sua fonte de subsistência e proporcionar condições de vida. O objetivo desse estudo é realizar uma análise socioeconômica e ambiental da população ribeirinha à jusante do rio Doce após o desastre de Mariana-MG. O método utilizado foi uma análise qualitativa através de questionários, registros fotográficos e análise do relatório de expedição científica do Grupo Independente de Avaliação do Impacto Ambiental Samarco/Rio Doce – GIAIA junto à moradores ribeirinhos de Mariana – MG no rio Doce e sua foz no Espírito Santo. Com base nas respostas adquiridas, notou-se que o desastre ambiental afetou principalmente agricultores e pescadores que dependiam do recurso hídrico diretamente, sendo necessária investir em bombas e canos para capturarem água de outros locais. Apesar disso, muitos ainda não sabem sobre a qualidade sanitária que o rio se encontra hoje. Referente ao auxílio, não foram todas as pessoas que receberam visita da Samarco que obtiveram esse benefício, não sendo compreensível o método utilizado para essa escolha. Assim, a justiça determinou recentemente que a Fundação Renova retomasse o pagamento da indenização aos pescadores e agricultores de subsistência. Alguns dos sintomas manifestados e relatados pelos entrevistados foram manchas de pele e diarreia após o desastre ambiental.
Os Planos Municipais de Saneamento Básico são instrumentos de planejamento que visam subsidiar as ações em saneamento básico a curto, médio e longo prazo nos municípios brasileiros, com base em um diagnóstico fidedigno das condições de seus territórios. Compreendendo o saneamento como importante fator contribuinte ao desenvolvimento de regiões, controle de paisagem e de condições de saúde, o documento deve ser reflexo dos anseios da população, das necessidades e das especificidades locais e regionais. A elaboração desses documentos exige uma discussão que envolva a sociedade e, considerando a sua relevância aos municípios, ao meio ambiente e às condições de saúde, deve ser coordenado com responsabilidade. O objetivo deste artigo é identificar o perfil dos planejadores em saneamento básico na região do Alto Oeste Potiguar. Para isso, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, descritivo-exploratória, de campo, através da aplicação de um questionário estruturado e pôde-se verificar que há uma grande variação, tanto entre as funções ocupadas pelos responsáveis pela elaboração dos municípios quanto entre as secretarias/pastas responsáveis pela condução do processo. Ao fim, destaca-se a necessidade de uma melhor delimitação ou indicação do perfil de profissional indicado para ocupação dessa função, visando o correto diagnóstico e o correto planejamento das ações que impactarão diretamente nas condições de vida da população, a curto, médio e longo prazo.
Como uma contraditória e limitada resposta aos diversos passivos ambientais e sociais que o agronegócio – face atual do capitalismo agrário – tem gerado nas últimas décadas, presencia-se na atualidade a emergência de experiências de produção orgânica por empresas deste setor, especialmente aquelas que são controladas por acionistas interessados nas movimentações do mercado financeiro. Tais ações se colocam como parte da reforma de alguns dos procedimentos operacionais do capitalismo agrário, sem, contudo, prever modificações estruturais na agricultura e na alimentação. Neste artigo, avalia-se o exemplo da Usina Monte Alegre Adecoagro (Soros), que é a principal representante do setor sucroenergético no Sul de Minas Gerais, uma região reconhecida pelo seu protagonismo na produção de café. O artigo é resultado de diversos trabalhos de campo realizados entre 2018 e 2020, análises documentais e sistematização de dados secundários, especialmente por meio da elaboração de cartogramas. Demonstra-se que, apesar de ser uma das únicas unidades produtivas do Brasil a promover um circuito produtivo que almeja ser sustentável, esta unidade da ADECOAGRO reproduz as contradições do processo de mercantilização da comida e dos bens naturais que têm caracterizado o neoliberalismo, pois tem como pano de fundo a extração da renda da terra e a obtenção de lucros ampliados como forma de atender aos interesses de acionistas.
Experimentações advindas da geografia animal, vegetal e elemental são bem conhecidas e vinculadas à primeira metade do século XX. No início da segunda metade do século XX, paulatinamente, movimentos intelectuais passaram a consolidar pressupostos que se opunham aos métodos tradicionais da pesquisa científica, com repercussões notórias para a geografia. Gradativamente foi se formando a base de pensamento mais-que-humano, à medida que o rótulo em questão se associa predominantemente com abordagens relacionais apoiadas no pós-estruturalismo, Teoria Ator-Rede e, mais recentemente, nas Teorias Não-Representacionais. Essa mudança de abordagem significou um deslocamento de conceitos estanques, de categorias coletivas, para a abordagem do afeto identitário. Assim, as pesquisas mais-que-humanas tem se apoiado nas noções de afeto e assemblages como instrumentos de leitura das relações heterogêneas multiespécies e elementais. A transcendência da representação traz como significado a abertura de um amplo horizonte epistemológico para a geografia, bem como se apresenta como um convite à interdisciplinaridade envolvendo áreas das humanidades e outras áreas de diferentes domínios. O artigo em questão centra-se em apresentar como a transcendência da representação se torna muito importante nas abordagens relacionais: as representações são compreendidas como elementos que interferem, mas não definem, o afeto e a agência multiespécie emaranhada em redes. Em outra via, as representações também são o produto das relações afetivas.
A representação do ambiente por intermédio de mapas, cartas topográficas, imagens de satélites dentre outros tem demonstrado ser um recurso cada vez mais presente na Geografia devido à possibilidade de integração sistêmica das informações de uma determinada área. Em um Sistema de Informação Geográfica, os mapas possibilitam estruturar, orientar e integrar os elementos de modo hierárquico, viabilizando a elaboração de modelos sínteses que indicam parte da complexidade de um determinado fenômeno. Desta forma, este artigo tem como objetivo apresentar o mapeamento da Bacia do Ribeirão Vermelho, Lavras/MG, Brasil, voltado para o reconhecimento das áreas suscetíveis às inundações e alagamentos. A fundamentação teórico-metodológica teve como base a Teoria Geral dos Sistemas aplicada à Geografia Física que direciona as análises dos fenômenos considerando a integração das partes com o todo. Os materiais são compostos por dados cartográficos e secundários dos quais foram elaborados uma série de mapas temáticos voltados para a identificação dos atributos que contribuem de modo mais significativo para a investigação. Para isso, foram adotados os procedimentos da Análise Multicritério de Decisão e Análise Hierárquica de Processos como parâmetros para integração entre as variáveis. As informações apontam que a Bacia do Ribeirão Vermelho, no geral, possui uma baixa suscetibilidade às inundações e alagamentos (50,26%), entretanto, as classes de alto (12,85%) e muito alto (0,34%) contemplam grande parte dos eventos registrados e validados a partir dos dados da Defesa Civil.
O artigo aborda a relação entre centralidade urbana e saúde pública em cidades médias, através da análise da dispersão da Covid-19 na Região dos Vales-RS, entre março de 2020 e março de 2022, buscando compreender as relações de centralidade regional de Santa Cruz do Sul e Lajeado. Para isso, o estudo envolveu etapas de pesquisa bibliográfica, coleta de dados secundários da infraestrutura de saúde, fluxos de demanda por atendimento de saúde, total de pacientes, pessoal ocupado, pessoas infectadas, óbitos e total de vacinados durante o recorte temporal, na região. Os resultados mostram que os casos se concentraram nas cidades médias, sendo que as atividades industriais predominantes vinculadas à região, notadamente de produção de tabaco e de carne, desempenharam papel relevante na disseminação do vírus. A disponibilidade de recursos de saúde e a vacinação foram fundamentais para enfrentar a pandemia, podendo observar que houve uma diminuição de óbitos após a aplicação das vacinas. A pesquisa contribui para a compreensão da dispersão territorial da Covid-19 na Região dos Vales, fornecendo informações para formulação de políticas públicas mais eficazes na gestão da saúde e proteção da população.
Os lixões a céu aberto constituem-se como uma problemática muito comum nas cidades brasileiras, podendo ocasionar inúmeros impactos ambientais na natureza e sociedade. Não obstante, o município serrano de Serrinha dos Pintos-RN, objeto desta pesquisa, descarta seus resíduos em um lixão a céu aberto, situado em ambiente de escarpa erosiva, causando impacto ambiental à localidade. Com base no exposto, esta pesquisa objetiva entender como se apresenta o gerenciamento dos resíduos sólidos no referido município. Para tanto, foram utilizadas referências bibliográficas de autores que também trabalham essa temática. Para avaliar os impactos ambientais negativos do lixão a céu aberto do município foram utilizadas o instrumento de avaliação do tipo checklist e a matriz de Leopold. Ainda foram realizadas entrevistas com o Secretário do Meio Ambiente e os coletores de resíduos do município em tela, a fim de entender como esses resíduos são despejados nesse local. Nessa perspectiva, observou-se que os resíduos sólidos quando descartados em um lixão a céu aberto, podem causar diversos impactos ambientais negativos degradando o solo, a água, o ar e o relevo, sobretudo, quando esses resíduos são despejados em uma área elevada como as escarpas serranas, como é o caso desse estudo, logo, a concentração desses resíduos nas escarpas pode gerar inúmeros impactos ambientais.
Este trabalho pretende apresentar informações sobre a decomposição foliar das espécies Laguncularia racemosa (L.) C. F. Gaerth, Rhizophora mangle L., Conocarpus erectus L. e os grupos taxonômicos da fauna invertebrada do solo atuantes nesse processo, no município de Marechal Deodoro, estado de Alagoas. A pesquisa ocorreu na área do Complexo Estuarino-Lagunar Mundaú/Manguaba (CELMM), no período de maio a julho de 2019, iniciando-se pela quantificação da velocidade da decomposição foliar por meio de litterbags, que foram distribuídos na superfície do solo contendo folhas das três espécies, tendo em seguida, a realização da triagem, limpeza e pesagem do material remanescente. Além disso, foram identificados os organismos invertebrados presentes nesse conteúdo foliar e aplicados os índices ecológicos de Shannon (H) e Pielou (e), além da riqueza e abundância. A partir da observação realizada, também foram obtidos dados de precipitação pluvial dos meses avaliados. Das espécies estudadas nos 90 dias, a que apresentou decomposição mais acelerada é a L. racemosa, seguida das espécies C. erectus e R. mangle. Enquanto aos organismos invertebrados presentes no material remanescente, a maior dominância é de Larva de Lepidoptera e Larva de Hymenoptera, confirmados pelos índices de diversidade (H) e uniformidade (e), registrados em maio e julho, principalmente na espécie C. erectus, influenciando no processo de decomposição; já o material remanescente, no decorrer dos meses, é influenciado pela precipitação pluvial.
Regiões costeiras são particularmente vulneráveis aos impactos decorrentes de eventos extremos, tais como furacões e frentes frias. Neste sentido, o presente trabalho determinou o grau de vulnerabilidade costeira para o município de Árboletes a partir de um índice específico que foi desenvolvido para este fim. Para tanto, foram analisados eventos extremos (frentes frias e furacões) que ocorreram em 2020, tendo este referido ano, apresentado número anomalamente positivo de eventos desta natureza. O índice aqui proposto chamado de Índice de Vulnerabilidade Costeira de Árboletes (IVCA), foi implementado a partir do input de distintas variáveis ambientais, a saber: altura das ondas, amplitude das marés, nível do mar, precipitação, geomorfologia e taxas de erosão. Os resultados encontrados sugerem que os setores com maior vulnerabilidade encontram-se nas áreas topograficamente mais baixas do litoral onde centenas de famílias exercem atividades socioeconômicas e que historicamente tem sofrido os efeitos da erosão costeira. Adicionalmente, foi possível observar que sob condições antes e após a passagem de eventos extremos, a região apresentou vulnerabilidade classificada como baixa e moderada, sugerindo a influência destes episódios atípicos sobre a região. Esperamos que a presente contribuição possa auxiliar na tomada de decisões acerca da gestão integrada da zona costeira e do planejamento territorial.
O contexto de construção social de “escassez hídrica” com o qual os habitantes do semiárido convivem historicamente, nos levam a buscar compreender em que medida a gestão dos recursos hídricos do espaço em tela contribuiu/contribui para produção e reprodução de situações de seca no semiárido nordestino? Dessa feita o presente artigo tem por intento averiguar na literatura a maneira como foram empreendidas algumas das gestões dos recursos hídricos do semiárido nordestino no tocante às denominadas políticas de convivência com as secas. Como percurso metodológico, optamos por fazer uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL), por meio da qual, debatemos minuciosamente a temática em questão, a partir de um referencial teórico apropriado à temática em tela. A RIL, tipo de Revisão Sistemática de Literatura, constitui-se como uma forma criteriosa de busca e coleta de informações e dados que servem para elaboração de um ensaio com lastro em pesquisas pretéritas (MORANDI; CAMARGO, 2015). A RIL teve como autores principais Silva (2003), Suassuna (20011), Soares e Barbosa (2020), Leite e Amorim (2020) e Neto (2017) além de outros que também têm como objeto de estudo a temática em tela. Dentre as conclusões iniciais às quais chegamos, acreditamos que as políticas públicas de gestão hídrica e de “combate às secas” empreendidas no semiárido nordestino tiveram, historicamente, como características a fragmentação e a adoção de caráter quase sempre imediatista, além de favorecer ainda aqueles que detêm o poder econômico e político local.
Este artigo analisa o envelhecimento populacional de doze países da América do Sul, com o propósito de conhecer a expectativa de vida dos idosos maiores de 65 anos e discutir as consequências da falta de atenção para a qualidade de vida dessa população, tendo como base os dados demográficos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL, com ênfase nos anos 1990 e 2015, os quais foram ilustrados em forma de tabelas, gráficos, pirâmides etárias e mapas para melhor visualização e análise. Perguntas como: quantos são os idosos? Onde há maior concentração de idosos no sul da América? Qual a relação entre a taxa de fecundidade e o envelhecimento? Qual a conexão das faixas etárias de jovens e adultos com o topo da pirâmide? Foram respondidas por meio das variáveis representadas por porcentagens: % de pessoas com 65 anos a mais, % de jovens de 0 e 14 anos, % de adultos de 15 a 64 anos, Taxa de Fecundidade, Esperança de vida ao nascer e Índice de Envelhecimento. Ademais, foi produzido um breve recorrido teórico sobre o tema. Os países com a melhor esperança de vida ao nascer são Chile, Uruguai e Argentina, bem como são esses os países que mais têm % de idosos, invertendo algumas posições. As menores taxas de fecundidade ficaram para o Chile e Brasil. Ainda, o Chile é o país com maior índice de envelhecimento. Bolívia e Guiana são os países com a menor expectativa de vida. No entanto, Bolívia foi o país em que mais aumentou a esperança de vida em 25 anos (1990 a 2015), passando de 56,5 para uma expectativa de vida de 67,8 anos.
A paisagem pode ser definida como a materialização de um instante da sociedade, formada por volumes, cores, movimentos, odores, sons, etc., ou seja, é tudo aquilo que é perceptível através dos sentidos humanos Alterações na paisagem podem ser influenciadas por fatores econômicos, sociais, políticos entre outros, sendo a exploração mineral um exemplo destes. Como são evidentes as transformações nos municípios em que se estabelecem empresas de mineração, faz-se necessário observar, analisar e documentar as alterações que são percebidas desde o início dos processos de instalação. Em 2007, iniciaram-se os trabalhos do Projeto Serrote da Laje, localizado nos municípios de Craíbas-AL e Arapiraca-AL, conduzido pela Mineração Vale Verde (MVV), visando a extração de minério de cobre. O presente artigo busca evidenciar algumas alterações na paisagem de Craíbas, utilizando-se de imagens históricas de satélite (através da ferramenta Google Earth Pro) e análise estatística do fluxo de veículos, buscando compreender a relação destas alterações com a instalação do Projeto Serrote da Laje. Os resultados mostram uma clara alteração visual na paisagem, comparando as imagens de satélite de duas épocas distintas. Já a análise do fluxo de veículos mostrou que há significativa alteração, revelando consideráveis contribuições do referido empreendimento na alteração da paisagem do município.