
This essay explores philosophical aspects of Science Fiction based on the prologue of Hannah Arendt’s “The Human Condition”. In dialogue with Heidegger and Prigogine/Stengers, it reflects on modern emancipation and the rejection of the Earth and the creator God. Science Fiction is seen as a form of liberation from Fantasy, with man as an explorer of nature. It discusses technological alienation and the transition from mythical fantasy to scientific narratives, comparing Odysseus’ journey with “2001: A Space Odyssey”.
O objetivo do artigo é analisar qual a concepção de autoridade propugnada pelo Tractatus llamados depués Summule Logicales de Pedro Hispano, que expõe a dialética em um contexto de ascensão das universidades e disputas no campo do conhecimento sobre o estatuto da Filosofia. Para tanto, o trabalho foi dividido em duas partes: primeiro, contextualizamos o Tractatus em seu período, estrutura, autoralidade e origem; em seguida, discutimos o conceito de autoridade epistêmica em Pedro Hispano, cotejando-o com as concepções de Alberto Magno e Boaventura.
Os estudos sobre a escravidão no Brasil expandiram-se para áreas interioranas, como os sertões baianos, onde a dinâmica escravocrata difere das observadas nos centros urbanos e no Recôncavo. Nesse contexto, investiga-se a presença e a agência dos sujeitos escravizados e afrodescendentes no interior da Bahia, com foco na Fazenda Maracujá. Adota-se uma abordagem bibliográfica que dialoga com fontes históricas, censitárias e contemporâneas para compreender as dinâmicas escravocratas da região e a formação da comunidade quilombola.
O artigo endereça o sucesso alcançado por uma banda de música country (Banda Buffalo) da pequena cidade de Santa Gertrudes/SP que teve participação em programas de auditório na TV, participou de novela veiculada nacionalmente e alcançou vendagem significativa de seu LP de estreia (após dificuldades de divulgação de seu disco). Defende-se que parte daquele sucesso comercial seria motivado pelo fato de a banda constituir, na TV, uma espécie de síntese cultural metafórica do contexto político-econômico nos anos 1990 no Brasil.
O presente artigo teve por objetivo descrever, por meio de jornais brasileiros, a sociogênese do fisiculturismo de mulheres entre os anos de 1978 e 1999. A pesquisa utilizou metodologia documental baseada no acervo da Hemeroteca Nacional Digital, que permitiu o levantamento e a análise de 68 periódicos brasileiros. As fontes foram selecionadas pelo termo “fisiculturismo” e examinadas em sua integralidade, identificando as dinâmicas iniciais da inserção feminina no esporte. Os resultados apontaram que a presença de mulheres nos campeonatos ocorreu já na década de 1970, anterior ao que indicava a literatura, e que o período estudado foi marcado pela consolidação da identidade da modalidade, pela desvinculação do halterofilismo e pelas controvérsias em torno do uso de anabolizantes e da feminilidade das competidoras. Observou-se também o papel central da mídia na construção de representações sociais sobre o corpo feminino e na promoção do fisiculturismo como espetáculo. Conclui-se que entre 1978 e 1999 o fisiculturismo de mulheres no Brasil passou por um processo de estruturação esportiva, simbólica e midiática, que definiu as bases para o desenvolvimento posterior da modalidade no país.
No presente artigo, problematizamos a obra Pequena História do Cinema Brasileiro (1955), do pesquisador Francisco Silva Nobre. Procuramos compreender os motivos pelos quais seu trabalho é tão pouco debatido, encontrando-se à margem dos estudos sobre a historiografia do cinema brasileiro. Do ponto de vista teórico, a fundamentação de Michel de Certeau (2007) acerca da operação historiográfica nos permite lançar luz sobre elementos debatidos por Silva Nobre, bem como realizar um mergulho na historicidade da obra e no diálogo estabelecido com seus contemporâneos, isto é, os críticos-historiadores de seu tempo.
Este artigo analisa a Narrativa da Custódia de Santo Antônio do Brasil (1621) de Fr. Manuel da Ilha, a qual retrata a atividade missionária dos frades menores na América portuguesa. Comparando esta obra com outros registros franciscanos a respeito da catequese em diferentes partes do Império português, busca-se examinar os elementos centrais da propaganda missionária franciscana, analisando como estes religiosos capitalizaram a escrita para legitimar e promover seu trabalho apostólico no competitivo cenário das missões modernas.
O pensamento de Álvaro Maia e Leandro Tocantins representa uma preciosa fonte de informação para o acesso à visão de Amazônia nos períodos referentes aos projetos de intervenção nacional para integração. Por meio de uma história das ideias e uma breve sociologia dos intelectuais, procurou-se revelar a Amazônia deixando de ser um “problema nacional” e passa a ser vista como solução, auxiliando na compreensão da atual crise ambiental ao se revelar mundialmente sua importância para a conservação da vida no planeta.
Fênix: Revista de História e Estudos Culturais. NEHAC, v. 22, n. 02, jul – dez . 2025. Colaboraram com este periódico nos pareceres dos manuscritos submetidos pelo sistema de avaliação revisão por pares duplo-cego (Double-Blind Peer Review).
O objetivo do presente artigo é estudar o fenômeno da circulação de manuscritos iluminados entre a nobreza durante o século XIV, aplicado a um manuscrito iluminado em específico: o Saltério de Luttrell (c. 1330-1345), um Saltério feito sob a comitência de um cavaleiro inglês, Sir Geoffrey Luttrell (1276-1345), com considerável influência sobre seu conteúdo imagético. Como constatamos, esse conteúdo foi reutilizado e ressignificado posteriormente por diversos membros da nobreza inglesa, algo que nem mesmo sua forte personalização impediu.
O texto traz à baila a literatura de Inglês de Sousa através do conto Acauã. Busca-se, com esse artigo, apontar os fragmentos de um pensamento cultural sobre a Vila de Faro, cristalizados nas representações dessa obra, que já associavam esse lugar, no século XIX, a um “imaginário de feitiço”. O artigo se constrói dentro da História Cultural, ao valer de conceitos caros a esse campo – como imaginário e representações –, nessa medida, utiliza-se da relação fronteiriça entre História & Literatura, ao instrumentalizar textos literários como fontes históricas.
Resenha do livro Ojos vendados. Tortura y representación em la cultura visual contemporánea, de Juan Albarrán Diego, que aborda diferentes representações artísticas sobre a tortura. O livro foca produções realizadas a partir da redemocratização da Espanha no final dos anos 1970, explorando especialmente os campos do audiovisual, das artes cênicas e das artes visuais.
O artigo analisa a narrativa visual do National Heroes’ Acre, destacando os processos de construção da memória nacional e monumentalização do passado para fins políticos no Zimbábue entre as décadas de 1980 e 2000. Na primeira parte, discute os processos de descolonização e o papel da ZANU-PF na elaboração de discursos nacionalistas e usos do passado. Em seguida, dialogando com os conceitos de "lugares de memória" e "enquadramentos de memória", investiga a criação de uma narrativa teleológica que glorifica a ZANU-PF e Robert Mugabe como protagonistas da história zimbabuense.
Em uma primeira tentativa de integrar as influências da Pop Art e do underground novaiorquino ao contexto inglês, David Bowie, no álbum Hunky Dory (1971), estabelece as bases para o desenvolvimento do Glam Rock na primeira metade da década de 1970. Ao destacar os elementos presentes nessa interação entre o material estético herdado e sua recriação na música de Bowie, buscamos identificar a presença de técnicas e processos de produção em estúdio que reforçam características que podem ser interpretadas como antiutópicas em comparação a projetos de outros artistas da mesma época. Dessa forma, analisamos brevemente a faixa “The Murder Mystery” (1969), destacando o desenvolvimento de uma estética que reflete uma “estrutura de sentimento” associada à Factory de Andy Warhol, e identificamos a continuidade dessa sensibilidade após o afastamento de Warhol do projeto Velvet Underground (1969). Essa sensibilidade transcende a cena underground de Nova Iorque, como evidenciamos em nossa análise de “Queen Bitch”, faixa que faz parte do quarto álbum de estúdio de Bowie.
Publicado no ano de 2020, o livro dos autores Carlos Félix Piovezani Junior e Emílio Gentile pode ser categorizado como um livro de visões contraditórias sobre o Fascismo. Intitulado “A linguagem fascista”, a proposta do Doutor Carlos Piovezani com o livro é apresentar um paralelo entre o que seria a linguagem fascista do passado e do presente.
Para responder a como escrever a história de uma igreja e a quem recorrer para contar essa história, esse artigo investiga memórias e discursos sobre a Igreja de Cristo no Brasil, estabelecida em 1948. Enquanto a igreja, através de textos de seus mediadores oficiais, pastores-historiadores, se apresenta como parte da história protestante brasileira, Dr. Timothy Benjamin Thomas, cuja família que se instalou no norte do Brasil, contesta as narrativas e apresenta sua verdade de alguém que viveu a experiência missionária no interior do Amazonas.
Neste número temos a enorme satisfação de publicar VINTE E QUATRO (24) artigos na Seção Livre. Como de hábito, esse conjunto se caracteriza pela multiplicidade/diversidade de pontos de vista, mas sempre em sintonia com as temáticas que dão identidade ao periódico. Por fim, mas não menos importante, devemos salientar que a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com TRÊS (03) sugestões bibliográficas instigantes. Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.
Objetiva-se analisar a narrativização estética do corpo no Jornal Amazônia, publicado em Belém/Pará. Na capa e contracapa, o corpo é o elemento central na construção narrativa de matérias e transita entre a sedução e a violência, na interface do estético e do midiático. A partir dos conceitos “estética da violência” e “imagem mediática”, sustenta-se que a estetização de negação e afirmação do corpo no Jornal Amazônia é uma estratégia comunicacional de venda de produtos midiáticos ou não, que esvazia o debate da/sobre a violência urbana na capital paraense.
Este estudo examina a influência da ideologia neofascista de Bolsonaro na educação, especialmente nas escolas cívico-militares, a partir de uma abordagem qualitativa e bibliográfica. Baseado na Escola de Frankfurt e na sociologia clássica, reflete-se sobre a imposição ideológica e disciplinar nessas instituições, evidenciando a estratégia do governo. Os resultados destacam a instrumentalização da religião e estratégias de mobilização, indicando que a militarização das escolas é arbitrária diante das questões sociais.
Este artigo tem como objetivo analisar a atuação educacional do Padre Júlio Maria de Lombaerde, junto às Irmãs Cordimarianas, na região amazônica, especificamente no estado do Pará, entre os anos de 1913 e 1923. Essa pesquisa histórica envolveu análise de diários e matérias de jornais, além de levantamento bibliográfico. Inferimos que o religioso desempenhou um papel fundamental como intelectual a serviço da manutenção da hegemonia construída historicamente pela Igreja Católica no Brasil.