
Introdução: A Doença Renal Crónica e a hemodiálise impactam a capacidade funcional, associadas a sarcopenia e sedentarismo, fatores de risco para maior morbilidade e mortalidade. A integração sistemática de testes funcionais na vigilância de doentes hemodialisados pode apoiar a identificação precoce de declínio e o planeamento de intervenções de reabilitação individualizadas. Objetivo: Descrever a evolução da capacidade funcional, ao longo de 18 anos, de um utente hemodialisado. Metodologia: Estudo descritivo, tipo relato de caso, orientado pelas Case Report Guidelines. Foram realizadas três avaliações da capacidade funcional (2007, 2012 e 2025) com Sit-to-Stand Test em 30 segundos (STS 30s), o Timed Up and Go Test (TUG) e a força de preensão manual (HGS). Resultados: Participou um homem, atualmente com 55 anos. Observou-se estabilidade do STS 30s entre 2007 e 2012, com 19 repetições, seguida de declínio em 2025 (13 repetições). No TUG verificou-se aumento progressivo do tempo, de 6 segundos em 2007 para 10 segundos em 2025. Na força de preensão manual registaram-se reduções marcadas: na mão direita, de 27Kgf em 2007 para 8kgf em 2025; na esquerda, de 29 kgf para 8kgf. Discussão: Observou-se uma redução clinicamente relevante da capacidade funcional, mais acentuado no último momento de avaliação, em consonância com a literatura sobre o declínio funcional em doentes hemodialisados. Conclusão: Verificou-se uma redução consistente e acentuada da funcionalidade ao longo dos 18 anos, reforçando a importância de programas estruturados de reabilitação para mitigar os efeitos do envelhecimento, da inatividade e do estado catabólico associado à hemodiálise.
Introdução: A vulnerabilidade fisiológica pediátrica converte a patologia respiratória numa deterioração rápida, tornando-a a principal causa de internamento. Embora a reabilitação respiratória seja um pilar estratégico na prevenção de complicações, a evidência permanece fragmentada, o que compromete a padronização e a segurança dos cuidados. Metodologia: Scoping review baseada na metodologia Joanna Briggs Institute (JBI) orientada pela questão: “Quais as intervenções de reabilitação respiratória descritas na literatura científica para crianças (0-14 anos) hospitalizadas com patologia respiratória aguda ou crónica exacerbada?”. A pesquisa foi realizada entre janeiro e setembro de 2025 nas bases de dados MEDLINE Complete, CINAHL Complete (via EBSCOhost), B-on e outras fontes de informação científica, incluindo a RCAAP e o Google Académico.Foi realizada nos idiomas português, francês, inglês e espanhol. A seleção e extração de dados foram efetuadas por dois revisores independentes, com recurso a um formulário de extração previamente definido. Resultados: Foram identificadas intervenções de reabilitação estruturadas em três domínios: 1) Reeducação Funcional Respiratória, centrada na higiene brônquica e na mobilização precoce; 2) Gestão do Regime Terapêutico e Vigilância Clínica, focada na segurança e na tolerância à atividade; 3) Parceria de Cuidados, recorrendo ao lúdico para promover a adesão. A evidência concentra-se nos cuidados intensivos e intermédios, revelando elevada heterogeneidade técnica entre as faixas etárias. Conclusão: Os resultados deste mapeamento reforçam a ideia de que a reabilitação respiratória pediátrica exige uma abordagem diferenciada, o que fundamenta a necessidade de protocolos adaptados às especificidades da criança, no contexto hospitalar. A escassez de literatura científica produzida por enfermeiros revela uma lacuna no conhecimento próprio da disciplina, reforçando a necessidade de que os enfermeiros de reabilitação liderem investigação que valide o valor acrescentado da especialidade na recuperação da criança com patologia respiratória, permitindo a consolidação de indicadores de processo e de resultado que evidenciem os ganhos em saúde gerados pelos cuidados especializados.
Introduction: Urinary incontinence is a common condition in the postpartum period, with a significant impact on quality of life. Pelvic floor muscle training (PFMT) is the first-line treatment; however, adherence to conventional interventions is often limited. Telerehabilitation has emerged as a promising strategy to improve access to and adherence to PFMT through digital technologies. Despite growing evidence of its effectiveness, gaps remain regarding the standardization of interventions for postpartum women. Objective: This scoping review aims to map and analyze telerehabilitation interventions for PFMT in the management of postpartum urinary incontinence (UI). Methods: A scoping review was conducted following the Joanna Briggs Institute framework for scoping reviews. A comprehensive search was performed across multiple databases, including Medline Complete, CINAHL Complete, PubMed, Cochrane, Scopus, Web of Science, and BASE, as well as relevant professional associations such as ICS, FIGO, EAU, SPG, APNUG, FSPOG, and APU. No time restrictions were applied. Studies involving postpartum adults in a home setting, focusing on telerehabilitation interventions for urinary incontinence management, available in open access and full text, and with different study designs were considered for inclusion. Results: Seven studies were included in this review, identifying seven different telerehabilitation approaches for PFMT aimed at managing postpartum UI. These interventions primarily utilized mobile applications, biofeedback devices, and remote monitoring tools to enhance adherence, provide education, and improve pelvic floor muscle strength. Conclusion: This review highlights the efficacy and feasibility of telerehabilitation interventions in postpartum UI management, supported by high-quality evidence from randomized controlled trials. Telerehabilitation enhances adherence to PFMT, provides interactive educational resources, and offers cost-effective, accessible solutions for postpartum care. Future research should focus on the long-term effects of these interventions, the integration of emerging technologies such as artificial intelligence, and cultural adaptability to ensure widespread accessibility and effectiveness. As digital health continues to evolve, telerehabilitation is expected to become a fundamental component of postpartum rehabilitation, offering innovative and scalable solutions for UI management.
Introdução: A artroplastia Total do Joelho (ATJ) é uma das intervenções cirúrgicas, com maior predominância no tratamento da gonartrose. Assim surge o conceito de pré-habilitação, como o processo de fomentação da capacidade funcional e psicológica da pessoa no pré-operatório. Este estudo tem como objetivo de mapear as intervenções de pré-habilitação implementadas em pessoas submetidas a artroplastia total do joelho, identificando domínios de intervenção, contextos de aplicação e principais outcomes avaliados. Metodologia: A scoping review seguiu a abordagem do Joanna Briggs Institute (JBI). A pesquisa foi realizada, entre setembro e outubro de 2024, nas bases de dados MEDLINE (via PubMed) e CINAHL (via EBSCO) e motor de busca Google Académico, como fonte complementar para a identificação de literatura cinzenta. Foram incluídos estudos envolvendo adultos submetidos a artroplastia total do joelho e intervenções de pré-habilitação implementadas no período pré-operatório, incluindo apenas os estudos com idiomas em inglês, português e espanhol. A seleção seguiu o fluxograma PRISMA-ScR. Resultados: Foram incluídos trinta estudos. O contexto hospitalar destaca-se com um domínio de 73%. Relativamente aos domínios o musculoesquelético foi o mais frequente (83%), seguido da componente educativa (40%) e cardiorrespiratória (27%). Os principais outcomes avaliados incluíram dor, funcionalidade, qualidade de vida e tempo de internamento. Conclusão: A evidência demonstra predominância de intervenções centradas no treino musculoesquelético, com reduzida padronização e escassa integração multimodal. O mapeamento realizado reforça a necessidade de evolução para programas com abordagens mais estruturadas e multimodais.
Introdução: A deglutição comprometida constitui um problema frequente em pessoas com patologia neurocirúrgica associando-se a um maior risco de complicações e ao aumento do tempo de internamento. Neste contexto, assume-se como uma área de investigação prioritária na especialidade de enfermagem de reabilitação decorrente das intervenções autónomas do enfermeiro nesta dimensão clínica. A utilização sistemática do Gugging Swallowing Test (GUSS) pode apoiar a identificação precoce de alterações da deglutição, garantir a segurança da pessoa e apoiar a tomada de decisão clínica. Metodologia: Estudo quantitativo, descritivo, observacional e transversal, realizado numa unidade de internamento neurocirúrgica, incluindo 81 participantes avaliados entre março de 2024 e 2025. Foram recolhidos dados sociodemográficos e clínicos, aplicando-se o GUSS para caracterização da deglutição. Resultados e discussão: Dos participantes incluídos, 51,8% apresentaram disfagia moderada, 21% grave e 14,8% ligeira, sendo que 12,3% não evidenciaram alterações de deglutição. A maioria dos participantes (79%) manteve alimentação por via oral segura, enquanto 7% necessitaram de colocação de sonda nasogástrica (SNG) para prevenção de complicações. Destaca-se a remoção de 24 sondas nasogástricas após avaliação especializada. A consistência tipo pudim foi a mais prescrita (40%), seguida de mel (34%) e néctar (26%). No período analisado, 87,7% dos participantes apresentaram deglutição comprometida. Durante o período de observação, não foram registadas complicações associadas nos participantes avaliados. Conclusão: A aplicação sistemática do GUSS sugere benefício na identificação precoce da deglutição comprometida, reforçando a importância de protocolos padronizados e da capacitação das equipas de enfermagem na segurança alimentar e reabilitação, embora o desenho do estudo possa limitar a inferência de causalidade.
Introdução: A diferenciação profissional entre enfermeiros generalistas e especialistas constitui um desafio para a gestão de serviços e de cuidados de reabilitação. Através de um enquadramento inovador que articula gestão, diferenciação profissional e bem-viver, este estudo explora como gerir serviços e cuidados de reabilitação no contexto desta diferenciação profissional, visando a articulação entre cuidados gerais e especializados para a promoção do bem-viver das pessoas. Metodologia: Reflexão teórico-prática baseada em revisão narrativa da literatura científica e normativa sobre gestão de serviços de saúde e processos de reabilitação. A análise incluiu 38 artigos científicos e 15 documentos normativos, seguindo os princípios da análise temática. Resultados: Identificaram-se cinco eixos de gestão: serviços de internamento não específico com necessidades de reabilitação; serviços especializados de internamento de reabilitação; gestão de cuidados continuados; gestão de serviços na comunidade; e gestão de cuidados de reabilitação. A análise evidenciou a diferenciação entre gestão de serviços e gestão de cuidados, destacando competências específicas em supervisão, liderança clínica e articulação interprofissional. Discussão: O bem-viver através da reabilitação exige modelos de gestão inovadores que articulem múltiplos contextos assistenciais. Persistem desafios como envelhecimento populacional, escassez de profissionais e barreiras arquitetónicas. As perspetivas futuras apontam para modelos baseados em valor, tecnologias digitais, como telereabilitação e inteligência artificial, e participação ativa das pessoas como co-gestores do processo de reabilitação. Conclusão: A gestão eficaz dos serviços e dos cuidados de reabilitação é estruturante para promover o bem-viver, exigindo articulação entre contextos assistenciais e complementaridade de competências profissionais.
Introdução: A definição de objetivos e metas constitui um elemento central na organização dos processos de trabalho em enfermagem de reabilitação, orientando o planeamento, a tomada de decisão e a avaliação da qualidade dos cuidados. Objetivos: Analisar criticamente como a definição de objetivos e metas condiciona os processos de trabalho dos enfermeiros de reabilitação e propor recomendações para a prática profissional. Metodologia: Reflexão fundamentada numa revisão narrativa da literatura científica, em documentos normativos da Ordem dos Enfermeiros e na experiência clínica dos autores. Reflexão: A definição de objetivos e metas influencia três domínios interdependentes dos processos de trabalho: a prestação e gestão dos cuidados, a avaliação de desempenho profissional e os processos de formação contínua. Identificaram-se benefícios associados à melhoria da eficácia, qualidade e segurança dos cuidados, bem como desafios relacionados com metas irrealistas, foco excessivo em indicadores quantitativos e limitada integração das dimensões psicossociais e subjetivas da reabilitação. Conclusão: A definição reflexiva, colaborativa e centrada na pessoa de objetivos e metas constitui um instrumento estruturante dos processos de trabalho dos enfermeiros de reabilitação, contribuindo para a excelência clínica, o desenvolvimento profissional e a sustentabilidade dos serviços de saúde. Recomenda-se a utilização de indicadores sensíveis à reabilitação e o fortalecimento de competências em planeamento, comunicação e avaliação.
Introdução: Cuidar de um familiar dependente, em contexto domiciliário, expõe o cuidador a um risco de desenvolver sintomatologia musculoesquelética, devido à exposição contínua a diferentes fatores de risco associados a essa atividade. Este estudo tem como objetivo mapear a evidência sobre a vulnerabilidade dos cuidadores à sintomatologia musculoesquelética identificando sintomas, fatores de risco e programas de intervenção. Metodologia: Scoping Review segundo metodologia JBI. Critérios de inclusão: cuidadores (participantes) com sintomatologia musculoesquelética ou programas de intervenção (conceito) em contexto domiciliário (contexto). A pesquisa bibliográfica decorreu sem restrição de tempo e idioma nas bases de dados EBSCOHost, PubMed, Scopus e WOS e literatura cinzenta no RCAAP e rastreio de referências bibliográficas (30/08/2025). A seleção e extração de dados foram realizadas por dois autores de forma independente, com recurso a um terceiro revisor para resolução de conflitos. O protocolo foi registado no OSF. Resultados: Dos 861 registos identificados foram incluídos 34 estudos. Os cuidadores apresentam sintomas musculoesqueléticos exacerbados na coluna, ombros, pernas/joelhos e punhos/mãos. Os fatores de risco agrupam-se nos domínios: individual, biomecânico, psicossocial e organizacional. Os programas de intervenção multidimensionais centrados em educação, exercício terapêutico e adaptação ergonómica do domicílio revelam-se eficazes na prevenção e redução da sintomatologia, promovendo melhorias na saúde física, sobrecarga percebida e no bem-estar do cuidador. Conclusão: Esta scoping review evidencia vulnerabilidade musculoesquelética nos cuidadores em contexto domiciliário, com sintomatologia frequente e persistente em múltiplos segmentos anatómicos, associada à exposição cumulativa aos fatores de risco inerentes ao cuidar. Reforça-se a necessidade de estratégias sustentáveis de prevenção e intervenção nesta população.
Introdução: A DPOC apresenta-se como a doença respiratória crónica mais prevalente na pessoa adulta, sendo uma condição heterogénea caracterizada por sintomas respiratórios decorrentes de alterações da via aérea ou alveolares, causando obstrução ao fluxo aéreo. Decorrente desta apresentação clínica, a pessoa apresenta alterações na função respiratória, com limitação da atividade, indicadores de morbilidade e probabilidade de exacerbações, sendo imprescindível para o controle e gestão da doença a reabilitação respiratória, como parte integrante da resposta à doença. Objetivo: Identificar os ganhos sensíveis aos cuidados de Enfermagem de Reabilitação na otimização da função respiratória, intolerância à atividade de uma pessoa com o diagnóstico de DPOC e bronquiectasias. Método: Estudo descritivo do tipo relato de caso alicerçado nas guidelines da CAse REports. Aplicado o Processo de Enfermagem com recurso ao Padrão documental dos Cuidados da Especialidade de Enfermagem de Reabilitação a uma pessoa do sexo masculino, admitido num Serviço de Internamento com alteração da função respiratória e intolerância à atividade. Resultados: Com a implementação do programa de intervenção de Enfermagem de Reabilitação foram evidenciados ganhos na gestão e controlo da dispneia, com consequente melhoria na ventilação, diminuição da intolerância à atividade e melhoria da adesão ao regime medicamentoso, culminando com adaptação positiva e transição de cuidados para contexto comunitário. Conclusões: Com a sistematização e implementação de um programa individualizado que responde às necessidades da pessoa é possível a melhoria dos indicadores de morbilidade e consequentemente a promoção de uma adaptação positiva à doença e incremento na qualidade de vida.
Introdução: O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios em saúde pública. O equilíbrio é determinante para a autonomia da pessoa idosa, estando associado à prevenção de quedas. O objetivo deste estudo foi mapear a evidência científica sobre as intervenções do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação (EEER) promotoras do equilíbrio na pessoa idosa. Metodologia: Foi realizada uma Scoping review com base nas orientações definidas pela Joanna Briggs Institute (JBI), orientada pela questão de investigação: “Quais as intervenções do enfermeiro de reabilitação promotoras do equilíbrio na pessoa idosa?”. A pesquisa foi efetuada nas bases de dados PubMed, CINAHL complete, MEDLINE complete, MedicLatina, Nursing & Allied Health Collection: Comprehensive e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Foram considerados todos os artigos publicados em português, inglês, espanhol e francês, no período compreendido entre 2020 e 2025, que incluiram pessoas idosas (≥65 anos) residentes na comunidade. Resultados: Foram incluídos 23 estudos, que evidenciaram quatro categorias de intervenção promotoras do equilíbrio na pessoa idosa: exercícios musculoarticulares, sensoriomotores, cognitivo-motores e multicomponente. Estas estratégias mostraram melhorias significativas no equilíbrio, marcha, proprioceção e prevenção de quedas. Conclusão: As intervenções do EEER promotoras do equilíbrio têm um impacto positivo na manutenção da funcionalidade e prevenção de quedas, na pessoa idosa. Programas multicomponente, que integrem treino muscular, sensorial e cognitivo, apresentam maior eficácia, na abordagem a esta problemática.
Introdução: A pessoa com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) apresenta diminuição da capacidade funcional (CF). O Enfermeiro de Reabilitação (ER), maximiza a CF da pessoa com melhoria da qualidade de vida. Integrado no projeto “A Pessoa com DPOC–(Re)Habilitar na Comunidade”, foi implementado um Programa de Reabilitação Respiratória (PRR) à pessoa com DPOC na Comunidade com o objetivo de avaliar a efetividade de um Programa de Reabilitação Respiratória no equilíbrio estático e dinâmico, na capacidade aeróbia para a marcha e na força dos membros inferiores da pessoa com DPOC. Metodologia: Estudo quási-experimental (grupo único). Amostragem não probabilística (conveniência), decorreu numa UCC da região norte. Participaram 52 pessoas. Implementado um PRR durante 8 semanas (2 vezes/semana). Variáveis avaliadas antes e após o PRR: equilíbrio estático, dinâmico, capacidade aeróbia para a marcha e força dos membros inferiores. Instrumentos de recolha de dados: Escala Poma/Teste de Tinetti; Prova de marcha de 6 minutos e Teste de sentar e levantar em 1 minuto. Resultados: O PRR influenciou positivamente a CF da Pessoa com DPOC nas variáveis avaliadas, revelando elevada associação positiva entre a pontuação obtida antes e após o PRR. Quanto à força muscular dos membros inferiores, verificamos que, após o PRR, as médias são superiores. Confirmamos a efetividade do PRR nas três variáveis: equilíbrio estático, dinâmico, capacidade aeróbia para a marcha e força dos membros inferiores. Conclusão: O Enfermeiro de Reabilitação implementa RR, na comunidade, com ganhos efetivos na CF da pessoa com DPOC.
Introdução: A implantação de dispositivos cardíacos permite o aumento da sobrevida na pessoa com doença cardíaca, mas interfere na capacidade de autocuidado, muitas vezes pela falta de conhecimentos sobre as necessidades de adaptação. Os programas de reabilitação cardíaca têm como uma das suas componentes core a educação para a saúde. Neste sentido, torna-se fundamental um programa de reabilitação, cuja componente educacional se foque na melhoria da capacidade funcional com promoção da independência no autocuidado. Surgiu, assim, a necessidade de avaliar a eficácia de um programa educacional na obtenção de ganhos em conhecimento resultantes de responsabilidade da enfermagem de reabilitação em utentes submetidos a implantação de dispositivos cardíacos. Metodologia: Estudo exploratório que compara os conhecimentos sobre a adequada gestão terapêutica da população submetida a implantação de dispositivos cardíacos, antes e após. Resultados: Foram incluídos 18 utentes, maioritariamente do sexo masculino (61%) e que apresentavam uma média de idade 73,17±9,02; 61% em regime de ambulatório e os demais em internamento (39%). Após o programa educacional houve um ganho de 30% do nível de conhecimento das pessoas. Discussão: Uma intervenção de enfermagem de reabilitação na componente educacional, estruturada e individualizada, deveria ser parte do cuidado das pessoas com necessidade de implantação destes dispositivos, com ganho em conhecimento e com aparente melhoria da capacidade de autocuidado terapêutico. Contudo, os regimes de intervenção ambulatória encetam desafios importantes para a resposta dos enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação, pelo diminuto contacto presencial e continuidade de cuidados, abrindo a possibilidade para a implementação de uma metodologia de cuidados de telessaúde. Conclusão: A reabilitação é crucial para a recuperação das pessoas com dispositivos cardíacos, dado que conduz a ganhos de conhecimento com possibilidade de impacto na capacidade de autocuidado, devendo ser disseminada noutros contextos.
Introduction: Total hip arthroplasty is an orthopedic surgery that significantly impacts functionality and limits the ability for self-care. The intervention of the Rehabilitation Nurses is essential in providing education, training, and empowering the person, ensuring a safe transition process. Objective: Describe the benefits of implementing a Rehabilitation Nursing plan in the training of a person undergoing total hip arthroplasty, allowing for a safe transition back home. Methodology: Descriptive study, case report type, regarding a person who underwent total hip arthroplasty. The Barthel index, the Functional Independence Measure, the Numerical Pain Scale, the Timed Up and Go Test, the Morse scale, the modified Medical Research Council and the Learning Checklist in Total Hip Arthroplasty were used as evaluation instruments. After identifying nursing diagnoses, an individualized rehabilitation care plan was developed and implemented based on Nursing Ontology, and the respective outcomes were presented. Results: There was an improvement in the training of the person undergoing hip arthroplasty. Gains were achieved in balance, pain reduction, increased muscle strength and joint range of motion, reduced fall risk, and improvements in knowledge, functionality and independence in the performing daily living activities. Conclusion: The implementation of a Rehabilitation Nursing Care Plan contributed to the improvement of functionality and empowerment of the person undergoing Total Hip Arthroplasty, allowing for a safe transition.
Introdução: A insuficiência cardíaca descompensada conduz a uma diminuição da capacidade funcional, pelo que urge a necessidade de se implementar precocemente um programa de reabilitação cardíaca. Objetivo: Avaliar a evolução da capacidade funcional da pessoa internada por insuficiência cardíaca descompensada após a implementação de um programa de treino físico aeróbio e individualizado, com recurso à Short Physical Performance Battery. Metodologia: Descrição retrospetiva de casos clínicos submetidos ao programa Early Rehabilitation in Cardiology - Heart Failure com avaliação dos parâmetros vitais, perceção subjetiva de esforço (antes/após a sessão), Short Physical Performance Battery (admissão/regresso a casa) e teste de marcha de 6 minutos (regresso a casa). Resultados: Foram selecionados cinco casos clínicos, três do género feminino e dois do género masculino, com uma média de idades de 75 anos, sendo que três apresentaram fração de ejeção preservada (> 50%), dois com classe IV e três com classe III da New York Heart Association. O tempo médio de internamento foi de 50,00±38,42 dias. O programa de reabilitação teve uma duração média de 16,20±14,60 sessões, sem registos de eventos adversos associados. Todas as pessoas beneficiaram do programa de intervenção, com melhorias na pontuação total da Short Physical Performance Battery (4,60±3,04 versus 8,40±3,36 pontos), o que representa um incremento da capacidade funcional. A média do teste de marcha de 6 minutos foi de 128,00±98,00 metros percorridos, no regresso a casa. Conclusão: A aplicação do programa Early Rehabilitation in Cardiology - Heart Failurem ambiente hospitalar, pode ter influenciado os ganhos na capacidade funcional das pessoas estudadas, verificando-se evolução positiva da aplicação da Short Physical Performance Battery com diferenças relevantes nos momentos avaliados.
Introdução: Os sintomas musculosqueléticos nos estudantes de enfermagem a realizar ensino clínico são frequentes. A intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação é fundamental na capacitação dos estudantes através de um programa integrador. Este estudo tem como objetivos descrever os sintomas musculoesqueléticos em estudantes de enfermagem antes e após o ensino clínico e analisar as implicações e o grau de satisfação da formação em ergonomia. Metodologia: Integrado num projeto de investigação no âmbito da sintomatologia músculoesquelética, a presente investigação constitui um estudo piloto de natureza quantitativa, exploratória e longitudinal. Amostra não probabilística de conveniência, incluiu estudantes do Curso de Licenciatura em Enfermagem em ensino clínico em contexto hospitalar. Instrumentos: Questionário sociodemográfico; Questionário de Satisfação e o Questionário Nórdico Músculo-Esquelético. Este ultimo questionário, foi aplicado antes e após a realização de vários ensinos clínicos em contexto hospitalar, com cerca de um ano de intervalo. Realizou-se uma intervenção formativa sobre ergonomia entre o primeiro e segundo momento de recolha de dados. Realizada estatística descritiva com recurso SPSS 28.0. Resultados: A amostra foi constituída por 71 estudantes do Curso de Licenciatura em Enfermagem (3º ano) no início e 33 no final, maioritariamente do género feminino e sem formação/informação em Ergonomia, com idades entre 20 a 25 anos. Antes de iniciar os ensinos clínicos constatou-se que nos últimos 12 meses as suas queixas se situam maioritariamente a nível das regiões lombar, cervical e torácica, com nível de dor entre 2 e 4 da escala numérica que integra o Questionário Nórdico Músculoesquelético. Após realização de vários ensinos clínicos em contexto hospitalar, verificou-se que a área mais problemática foi a região lombar e o nível de dor situou-se entre 2 e 5. Conclusão: Após a intervenção formativa, verificou-se diminuição do número de queixas em todas as áreas.
Introdução: Procurou-se compreender o processo de cuidados em reabilitação realizado por enfermeiros especialistas no âmbito hospitalar em Portugal. Metodologia: É uma pesquisa qualitativa do tipo relato de experiência. Realizou-se observação não-participante de enfermeiros de reabilitação no seu processo de cuidar em dois hospitais da região norte de Portugal. Resultados: A partir das observações, foram criadas cinco categorias que delimitam os resultados da investigação, sendo estas: Competências Específicas do Enfermeiro de Reabilitação; Condições de Trabalho; Processo de Reabilitação; Técnicas de Suporte aos Cuidados de Reabilitação; e Atitude no Processo de Cuidar. Discussão: As categorias demonstram as fortalezas e as adversidades que os enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação possuem e enfrentam na sua prática laboral. Estas são permeadas pelos benefícios às pessoas que recebem os cuidados de reabilitação, porém é percebido a dificuldade no manejo clínico devido à interferência de processos administrativos e planejamento da gestão. Conclusão: Percebe-se a importância da prática da enfermagem de reabilitação no processo de cuidar, tendo em vista a promoção da autonomia e emancipação da pessoa, tendo sempre em vista o bem-viver da pessoa e comunidade.
Introdução: Qualidade em saúde inclui eficácia, efetividade, eficiência e adequação, sendo influenciada pela dimensão técnica, interpessoal e ambiental, fundamental para a satisfação da pessoa. Satisfação é um indicador essencial da melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem e norteia práticas que garantem resultados positivos. Este estudo pretendeu conhecer a satisfação com os cuidados prestados pelos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER), analisar a influência da consulta pré-operatória na perceção das pessoas sobre a sua recuperação e satisfação. Metodologia: Estudo quantitativo, descritivo e transversal com 73 pessoas submetidas a cirurgias ortopédicas entre julho e dezembro de 2022, selecionadas por conveniência. Avaliado o perfil sociodemográfico, perceção sobre a consulta pré-operatória e a satisfação com os cuidados de enfermagem, através de questionário com uma escala Likert de 5 pontos. Resultados: 80,8% das pessoas encontram-se totalmente satisfeitos. Maior nível de satisfação está associado a menores habilitações. As mulheres mostraram-se mais satisfeitas, bem como as pessoas com elevado compromisso funcional. Pessoas que frequentaram a consulta pré-operatória referiram maior grau de satisfação do que quem não frequentou, embora estas diferenças não tenham sido estatisticamente significativas. Não foram encontrados participantes insatisfeitos. Discussão: Apesar da satisfação elevada com os cuidados de enfermagem de reabilitação, há áreas a melhorar, como o tempo dedicado aos cuidados e o envolvimento do cuidador. Conclusão: Dados obtidos podem justificar recursos, criar estruturas que favoreçam um exercício profissional de qualidade e legitimar o número de EEER dedicados à reabilitação nos serviços. Mais tempo dedicado à pessoa/cuidador, propicia ganhos em Saúde e qualidade de vida.
Introdução: Após um período de internamento numa Unidade de Medicina Física e Reabilitação, a pessoa poderá manter limitações decorrentes do evento que levou à sua hospitalização. É objetivo relatar a experiência na implementação de um projeto de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem – Projeto Cuidando – direcionado para a capacitação do cuidador da pessoa internada, com foco na promoção da sua autonomia. Metodologia: Relato de experiência, descritivo e retrospetivo do projeto de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem designado por “Cuidando“. Resultados: Foram analisados os resultados relativos ao número de pessoas internadas com critérios de inclusão no projeto, ensinos e treinos realizados, com os respetivos ganhos em capacitação e satisfação dos cuidadores com a intervenção dos enfermeiros da unidade. Integraram o projeto 65% das pessoas internadas entre janeiro e junho de 2024. As temáticas sobre as quais foram realizadas mais sessões de ensino foram “prevenção de quedas e segurança”, “treino de marcha”, “administração de heparina de baixo peso molecular” e “gestão do regime terapêutico”. Em 75% das temáticas sobre as quais foram realizadas sessões de ensino e treino, 100% da amostra de cuidadores ficou capacitada. Conclusão: Com base nos resultados de capacitação obtidos pelos cuidadores, o Projeto Cuidando é capaz de oferecer valor acrescido na resposta às necessidades dos cuidadores das pessoas internadas, facilitando uma transição segura para o domicílio após o período de internamento.
Introdução: A otimização da condição de saúde e a melhoria da qualidade de vida em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica representa um domínio de atenção ao nível dos cuidados de saúde. Apesar dos programas de reabilitação respiratória fazerem parte do repertório de intervenções destinadas para o controlo e gestão da doença o seu efeito é limitado e pouco duradouro ao longo do tempo se não existir nenhuma estratégia de manutenção e acompanhamento. O presente estudo tem como objetivo desenvolver uma intervenção complexa de enfermagem que, introduzida num programa de reabilitação respiratória, seja capaz de contribuir para melhorar a gestão dos sintomas e promover a manutenção dos comportamentos saudáveis adquiridos, assim como prolongar os benefícios do programa em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Metodologia: O desenho de estudo baseia-se no modelo das intervenções complexas e, para o desenvolvimento da intervenção, recorreu-se a um conjunto de estratégias e de métodos necessários para uma melhor sistematização e organização dos conceitos, nomeadamente através da realização de uma revisão sistemática da literatura, reuniões com a equipa (enfermeiros especialistas em enfermagem e reabilitação), análise da documentação e formação à equipa. Conclusão: O resultado final encerra uma intervenção complexa que se desenvolve no decurso de um programa de 12 meses, contemplando para além de um programa de reabilitação respiratória inicial (durante 3 meses), uma componente de manutenção realizada com suporte de chamadas telefónicas durante 9 meses, de forma a reforçar os comportamentos apreendidos e ajudar a envolver as pessoas.
Introdução: A doença coronária isquémica apresenta uma alta taxa de mortalidade e incapacidade associada. A determinação da capacidade para o exercício é um passo fundamental na planificação do treino de exercício ao longo do programa de reabilitação cardíaca, permitindo assim reduzir o impacto negativo desta doença. O objetivo deste estudo é determinar a capacidade para o exercício após evento isquémico agudo e perceber se a mesma se encontra significativamente alterada face aos valores de referência. Metodologia: Estudo transversal retrospetivo, com amostragem não probabilística de conveniência, recorrendo à avaliação da Prova de 6 minutos de marcha após síndrome coronário agudo com e sem supradesnivelamento do segmento ST, para caracterização da capacidade para o exercício em doentes após evento agudo. Comparou-se a distância percorrida com a distância teórica prevista com base na equação de Enright, sendo verificado se a diferença resultante destes dois parâmetros é diferente para os grupos de doentes com e sem supradesnivelamento do segmento ST. Resultados: Foram incluídos 315 doentes no estudo, 76.2% do sexo masculino (n=240), com idade média de 62 anos (dp=11.6). Verificou-se uma diminuição da distância percorrida face à distância preditiva em ambos os grupos (com e sem supradesnivelamento ST), sendo esta mais acentuada no grupo com supradesnivelamento ST (p=0.039). Discussão: A diferença decorrente das avaliações pressupõe uma perda funcional, provavelmente decorrente do internamento pelo evento agudo. Deste modo, uma determinação real do nível funcional irá permitir uma planificação mais ajustada do plano de treino de exercício atendendo ao evento que levou ao internamento. A utilização dos valores de referência com base nas equações existentes não parece estar ajustada à realidade e às necessidades dos doentes. Conclusão: As equações preditivas existentes sobrestimam a capacidade para o exercício de doentes após evento coronário isquémico agudo. Sugere-se a determinação de uma nova equação que permita estimar a real capacidade para o exercício para esta tipologia de doentes.