
Este estudo tem por objetivo compreender as barreiras de acesso ao Ensino a Distância (EaD) digital em Moçambique. O autor questiona, serão as infraestruturas e as desigualdades sociais as duas maiores barreiras de acesso ao Ensino a Distância (EaD) digital em Moçambique? Para responder, socorre-se de reflexões de alguns autores que pesquisaram sobre a realidade do EaD em outros quadrantes do mundo, visando estabelecer um paralelismo de modo a compreender o fenômeno. A metodologia é de abordagem qualitativa, sendo a discussão feita à luz da Dialética Epistemológica, atendendo ao fato de nos permitir construir algum conhecimento sobre o EaD Digital em Moçambique, por meio da tese, antítese e síntese. As variáveis de análise foram selecionadas em função de estudos precedentes, como são os casos de Preti e Maciel (2024), Zacarias (2017) e Mombassa e Arruda (2018), que se referem à parte dessas enquanto constrangimentos ao sucesso do EaD Digital. Os resultados indicaram que, a par da Desigualdade Social Digital e do Equipamento e Infraestrutura Adequada, o Acesso à Internet e Tecnologia é também um dos principais problemas no processo de implantação do EaD digital em Moçambique.
Este artigo analisa uma experiência de Robótica Educacional Criativa na formação inicial de professores, realizada em um laboratório de fabricação digital (FabLab) com licenciandos de Matemática e Ciências da Natureza. O estudo tem como objetivo compreender como a mediação tecnológica híbrida, em contexto de docência compartilhada, reconfigura saberes, papéis e práticas formativas. Fundamenta-se no construcionismo de Seymour Papert e na Aprendizagem Criativa de Mitchel Resnick, adotando uma abordagem qualitativa, caracterizada como estudo de caso e pesquisa-formação. Os resultados indicam que, mesmo diante de tensões infraestruturais, a experiência favoreceu autoria, colaboração e integração entre áreas, evidenciando o papel da mediação docente na aprendizagem.
As transformações contemporâneas da educação, marcadas pela intensificação do trabalho e pela incorporação de dispositivos digitais, impõem novos desafios à saúde mental docente. Este estudo analisa como essas mudanças incidem na produção de subjetividade de professoras da educação infantil. Fundamentado em referenciais da Saúde Coletiva, da Educação e da Psicologia Social, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa de orientação cartográfica, utilizando observação do cotidiano institucional e entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciam processos de exaustão e de potência que expressam tanto o desgaste decorrente das condições de trabalho quanto a construção de estratégias de cuidado, resistência e produção de novos sentidos para a docência.
Este estudo tem como objeto a elaboração e a avaliação de itens de Matemática gerados por Inteligência Artificial Generativa. O objetivo é analisar a qualidade técnica, cognitiva e psicométrica desses itens, à luz de referenciais da Educação Matemática, da Avaliação Educacional e da Psicometria. Trata-se de uma pesquisa exploratória, desenvolvida em ambiente computacional controlado, com base em dados simulados. Quatro sistemas de IA (ChatGPT, Gemini, Perplexity e DeepSeek) foram utilizados para gerar itens de múltipla escolha alinhados à habilidade EF09MA09 da BNCC, analisados segundo a Taxonomia de Bloom Revisada e a Teoria Clássica dos Testes. Os resultados indicam coerência técnica dos itens, embora revelem variações no nível cognitivo mobilizado, na qualidade dos distratores e no desempenho psicométrico estimado, evidenciando a necessidade de mediação docente e de protocolos metodológicos rigorosos.
Este artigo tem como objetivo analisar como professores dos anos iniciais do ensino fundamental têm integrado as tecnologias digitais às suas práticas pedagógicas no período pós-pandemia e identificar os principais desafios enfrentados nesse processo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza analítica-descritiva, realizada com 48 professores da rede estadual de ensino de um município do interior paulista, por meio da aplicação de questionário. Os resultados indicam ampliação do uso das tecnologias digitais no cotidiano escolar e o fortalecimento das habilidades docentes, embora persistam desafios relacionados à infraestrutura, à formação continuada e ao uso pedagógico das ferramentas digitais.
Este estudo analisa como se configuram os Saberes Docentes Ambientais nas produções de licenciandos em Ciências Biológicas, no contexto do Estágio Supervisionado I, a partir de uma experiência formativa mediada por Inteligência Artificial (IA). A proposta, de caráter gamificado, fundamentou-se na Jornada do Herói e na Metodologia de Resolução de Problemas, por meio de um Ideathon voltado às questões das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul, resultando na elaboração de soluções e protótipos. Os dados foram analisados por Análise de Conteúdo, com apoio do Atlas.ti, considerando nove produções. Os resultados indicam a relevância da integração entre tecnologias digitais, reflexão pedagógica e compromisso socioambiental na formação inicial docente.
O dossiê Formação Docente na Era Digital: práticas, desafios e saberes em transformação, discute os impactos da cultura digital sobre a educação contemporânea e os processos de formação docente. O avanço das tecnologias digitais, da inteligência artificial e dos ambientes conectados vem deslocando o debate educacional do uso instrumental das tecnologias para a compreensão crítica de suas implicações pedagógicas, éticas, políticas e sociais. Discute-se como a formação de professores deve transcender o desenvolvimento de competências técnicas, contemplando reflexão crítica, compromisso democrático, inclusão, equidade e desenvolvimento humano. A partir da análise dos dezenove estudos que compõem o dossiê, evidencia-se a centralidade de temas como inclusão educacional, formação inicial e continuada, educação emocional, metodologias ativas, gamificação, inteligência artificial, gestão escolar, robótica educacional, acessibilidade, interculturalidade e desenvolvimento profissional docente. Os trabalhos reunidos demonstram que as tecnologias digitais não constituem um tema periférico, mas integram o próprio contexto em que se desenvolvem os processos educativos. Como síntese, o dossiê reafirma a necessidade de abordagens interdisciplinares e de políticas formativas que possibilitem aos docentes atuar de forma crítica, ética e colaborativa diante dos desafios da cultura digital, preservando os princípios da formação humana, da justiça social e do direito à educação.
Fragilidades na formação e a escassez de práticas metodológicas alternativas frequentemente restringem a ação docente e a participação ativa dos estudantes. No intuito de desenvolver conhecimentos sobre metodologias desde a formação inicial, esta pesquisa propôs e aplicou a Árvore de Habilidades, uma estratégia de ensino gamificada que consiste em percursos com abordagens metodológicas específicas para o saber docente. A estratégia foi implementada em uma turma de Licenciatura em Química para investigar seus impactos na motivação e no engajamento. Os resultados apontam a Árvore de Habilidades como um ambiente propício à motivação e ao engajamento, ao possibilitar diferentes formas de interação para o desenvolvimento de materiais de ensino e ao respeitar as preferências individuais de estilo de aprendizagem.
Neste trabalho, desenvolvemos uma forma de lição de casa em formulários digitais, para ressignificar a tarefa aos alunos e reduzir o tempo de correção do professor. Baseados na prática reflexiva (Schön) e pesquisa-ação (Hopkins), seguimos uma metodologia mista em três ciclos. Os resultados indicam que a ferramenta facilita a organização do professor e dos alunos; oferece feedback imediato e melhora a metacognição dos estudantes; otimizando o tempo de correção, reduzindo a carga de trabalho docente. A pesquisa demonstrou a importância do diálogo entre professor e aluno para construir um modelo que fizesse sentido aos estudantes. Concluímos que a pesquisa-ação, combinada à prática reflexiva, promove inovações pedagógicas significativas, beneficiando professores e alunos.
Este artigo analisa a mentoria no âmbito do Programa de Formação Continuada para Diretores Escolares (Proditec) como estratégia formativa para gestores escolares, a partir de análise documental de seus materiais estruturantes. Os resultados evidenciam a centralidade da mentoria na articulação entre reflexão sobre a prática, contextualização dos processos educativos e aprendizagem colaborativa. A proposta aproxima-se de perspectivas de formação situada e dialógica, ao valorizar a experiência e a construção coletiva de saberes. Contudo, apontam-se tensões relacionadas à necessidade de intencionalidade pedagógica para evitar abordagens tecnicistas. O estudo contribui para o debate sobre formação continuada e gestão escolar.
Este ensaio teórico tem como objetivo problematizar a inserção do Complemento da BNCC Computação (2022) na Educação Básica brasileira, à luz da Educação Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS), discutindo suas implicações epistemológicas, curriculares e formativas para a formação inicial e continuada de professores. Metodologicamente, desenvolve análise crítico-interpretativa da literatura e do documento normativo. Os resultados indicam que, embora o documento apresente aberturas para a problematização dos impactos sociais das tecnologias digitais, mantém centralidade em competências técnico-cognitivas, o que pode favorecer leituras instrumentalistas na implementação curricular.
A comunicação pública da ciência (CPC) é crucial para tornar a ciência acessível e compreensível ao público em geral. Este artigo analisa no campo da CPC o processo de formação de divulgadores científicos no Espaço Ciência Viva. Com base em estudo de caso empírico e longitudinal, examinamos a atuação de universitários na produção de conteúdo para as redes sociais digitais (RSD) do museu, em um cenário de plataformização da divulgação científica. A análise de 1.130 publicações revela que 60% do conteúdo refere-se à divulgação de eventos institucionais, enquanto 32% constitui divulgação científica. Esse desequilíbrio, agravado pela governança algorítmica, configura tensão entre a formação do divulgador científico e a demanda por comunicação institucional. Os resultados indicam que as RSD possuem potencial formativo, mas seu aproveitamento exige estratégias pedagógicas que preservem o caráter crítico e dialógico da divulgação científica frente às pressões algorítmicas e às necessidades institucionais de visibilidade.
A crescente presença da Inteligência Artificial (IA) na educação tem reconfigurado processos de ensino e aprendizagem. No âmbito da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, esses sistemas vêm sendo utilizados como Tecnologia Assistiva (TA), a modificar formas de acesso aos conteúdos e organização dos percursos de aprendizagem. Este artigo analisa os desafios e as implicações pedagógicas e éticas do uso da IA como TA. Trata-se de um estudo teórico-analítico, fundamentado em revisão de literatura e análise conceitual. Argumenta-se que o potencial inclusivo desses sistemas depende da mediação pedagógica crítica e de critérios éticos explícitos, pois, quando utilizados sem tais referenciais, podem reforçar processos de normalização e reproduzir desigualdades no contexto da Educação Especial.
Neste artigo analisamos quatro documentos de referência sobre violência/abuso sexual contra crianças e adolescentes, com o objetivo de identificar menções aos meninos como vítimas e problematizar seu silenciamento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter documental, composta por materiais produzidos por órgãos governamentais e organizações da sociedade civil utilizados em ações de enfrentamento da violência/abuso sexual. A análise, orientada pelos Estudos de Gênero e das Masculinidades, evidencia que, embora os documentos utilizem uma linguagem universal, há escassa problematização das vulnerabilidades dos meninos. Consideramos que essa ausência contribui para a invisibilização de suas experiências e para a fragilização das estratégias de prevenção e proteção.
Este artigo analisa oralidades matriarcais de uma mulher negra, quilombola e griô comunitária, percebendo em seus fazeres, saberes e afetos, outros modos de vida que corroboram para um olhar sobre a educação para a diversidade racial. Desenvolvido no território Curral Velho (PI), o estudo destaca Dona Depa, cuja resistência apresenta-nos pistas contracoloniais à perspectiva colonizadora de educação. Com uso da Cartografia e de referências epistemológicas, como Hampâté Bâ (1999), Carneiro (2023), Bispo (2019), Fanon (2022), Sodré (2002), Hooks (2023), Sousa (2020), Mbembe (2013) e Deleuze e Guattari (1995), o estudo aponta a matriarcalidade griô como perspectiva humanitária e comunitária de construção da cultura de direitos humanos e de uma educação antirracista.
Este artigo analisa a adoção da Inteligência Artificial por docentes da educação básica no contexto da Educação 5.0, destacando o tempo de docência como fator explicativo da frequência e das finalidades de uso. Com abordagem quantitativa, descritiva e comparativa, examina respostas de 156 professores de diferentes redes e regiões do Brasil. Os resultados indicam que docentes iniciantes utilizam IA com maior frequência e de forma mais exploratória, enquanto professores mais experientes tendem a um uso instrumental e irregular, voltado principalmente ao planejamento pedagógico. Tais diferenças são interpretadas à luz do habitus docente e das condições institucionais e formativas, evidenciando desafios na formação continuada para usos críticos, éticos e pedagogicamente significativos.
Este estudo objetivou sistematizar as competências necessárias ao professor na era da Inteligência Artificial (IA) sob a perspectiva da Sequência Fedathi. Para isso, realizamos uma revisão bibliográfica, na qual analisamos os estudos de Borges Neto e colaboradores sobre a Sequência Fedathi e o uso de tecnologias na educação, bem como pesquisas que versam sobre os riscos da IA na educação. Os resultados apontaram que a Sequência Fedathi evidencia o desenvolvimento de competências docentes para o uso das tecnologias que consistem em saber manusear, avaliar os resultados e criar com os recursos da IA, mobilizando saberes e conhecimentos. Concluímos que o professor fedathiano possui criticidade nos processos de ensino, o que o torna competente no uso de ferramentas tecnológicas, como a IA.
Este artigo analisa as propostas de formação continuada em Inteligência Artificial (IA) ofertadas na plataforma AVAMEC, com o objetivo de identificar as dimensões (a) tecno-pedagógica, (b) ético-crítica e (c) infraepistêmica do letramento em IA. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada na análise dos cursos ofertados entre 2022 e fevereiro de 2026. Os resultados evidenciam uma orientação formativa centrada na dimensão tecno-pedagógica, seguida de abordagens de cunho ético-crítico. Em contrapartida, identificou-se baixa incidência de propostas que visem discussões sobre infraestrutura computacional, governança de dados, modelos fundacionais e dependência tecnológica que influenciam a produção, circulação e legitimação do conhecimento. O estudo contribui para o campo ao propor a conceituação de uma dimensão infraepistêmica como componente do letramento em IA e indicar sua pertinência como perspectiva analítica para estudos sobre formação docente, especialmente em contextos do Sul Global.
Este estudo investiga a docência na rede estadual paulista, atravessada por plataformas digitais e por dinâmicas de performatividade algorítmica. O objetivo é compreender as vivências docentes diante da plataformização, problematizando a ausência de formação crítica e os modos de resistência no cotidiano escolar. Trata-se de uma pesquisa narrativa, desenvolvida com um grupo colaborativo composto por 19 docentes, cujas narrativas foram interpretadas por meio de uma abordagem indiciária. O referencial teórico fundamenta-se na teoria histórico-cultural de Vigotski, articulada às contribuições de autores que discutem políticas educacionais e epistemologia narrativa. Os resultados apontam tensões, como a perda de autonomia, a intensificação das práticas de vigilância e a fragilização da formação crítica, ao mesmo tempo que evidenciam movimentos de resistência e apropriações críticas das tecnologias digitais.
Este estudo analisa o engajamento de estudantes de graduação em uma disciplina online sobre acessibilidade e inclusão ofertada por uma universidade pública brasileira. Adota abordagem qualitativa e interpretativa, articulando indicadores de participação à análise de conteúdo das interações em fóruns de discussão. Os resultados evidenciam elevada participação nas atividades iniciais, seguida de redução gradual e posterior estabilização, acompanhadas pelo aprofundamento das reflexões e pela ampliação das compreensões acerca da acessibilidade, do capacitismo e da inclusão. Conclui-se que disciplinas transversais em ambientes virtuais de aprendizagem favorecem a construção de sentidos e fortalecem a formação para a educação inclusiva quando sustentadas por mediações pedagógicas críticas.