
O propósito deste artigo é refletir sobre os fundamentos conceituais e propositivos da Segurança e da Soberania Alimentar, estabelecendo, ainda, uma relação com as comunidades tradicionais pesqueiras. Os procedimentos metodológicos adotados se fundamentam na abordagem qualitativa, por permitir uma análise mais interpretativa dos dados, os quais foram obtidos por meio de revisão e levantamento bibliográfico. Afirmou-se que a fome e a insuficiência de alimentos tornaram-se temas centrais em distintos âmbitos políticos e representativos, nos quais a Organização das Nações Unidas Para a Alimentação e Agricultura (FAO) desempenhou um papel central no engajamento de lideranças globais e ´proposição de medidas para o enfrentamento desse problema social crônico e conquista da Segurança Alimentar. Contudo, o enfoque mercadológico dessas propostas não sucumbiu à prevalência da fome. Nesse cenário, povos e comunidades tradicionais de todo o mundo organizados em movimentos sociais passaram a defender a Soberania Alimentar como alternativa. Concluiu-se que ainda que esses povos vivenciem realidades culturais e geográficas distintas, a proposta da Soberania Alimentar demonstra capacidade de adaptação a cada contexto, podendo ser integrada à experiência de produção alimentar em ambientes aquáticos.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade da Educação Básica em que o ensino é visto por muitos, inclusive educadores, como compensatório, no qual os conteúdos e conceitos são explicitados sem aprofundamento e problematizações, resultando num contexto escolar enfadonho e desinteressante, além de uma Geografia distante da realidade espacial concreta dos estudantes. Apesar dessa conjuntura, por vezes desfavorável, entendemos que, no chão da escola, ações educativas diversificadas, a exemplo do uso de músicas, fotos, reportagens e memes, podem ser realizadas pelos professores, visando dinamizar o ensino e a aprendizagem em turmas da EJA, de modo que a Geografia, neste caso, no ensino de clima e tempo atmosférico, possibilite o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes em relação à realidade espacial que vivenciam. O presente artigo, então, objetiva debater a importância do ensino de tempo e clima na formação dos estudantes, além de apresentar uma proposta didático-pedagógica, tendo a microrregião Ilhéus-Itabuna como recorte geográfico. Assim, além do aprofundamento teórico e conceitual no âmbito da temática proposta, são apresentadas sugestões de práticas diversificadas para ensino de clima e tempo atmosférico em aulas de Geografia para a modalidade EJA.
Desde o final dos anos 1970, a cultura hip hop tem feito parte da realidade urbana de Cuba, atualmente movimentando uma série de variáveis espaciais como grupos de rap, crews de break, estúdios fonográficos, entre outros. Propomos aqui uma análise da temática a partir da noção de circuito cultural, apontando para o conjunto de materialidades, fluxos e articulações dinamizados em torno de uma dada manifestação artística. Destacamos a categoria território usado e sujeitos corporificados em diálogo com a sociologia. Em nossa metodologia, além do levantamento bibliográfico e documental, lançamos mão de trabalhos de campo (visitas técnicas e entrevistas semiestruturadas) realizados em Cuba. Em um primeiro momento, propomos a demarcação de períodos para história territorial do hip hop em Cuba; em seguida, tratamos do panorama do circuito na década de 2010, pondo em relevo: (i) seus fixos, fluxos e articulações; (ii) a institucionalidade estatal, abordada a partir da ação da Agência Cubana de Rap; (iii) a articulação do rap cubano alhures, destacando o trabalho conjunto dos Grupos Inquérito (Brasil) e La Invaxión (Cuba). Buscamos, assim, contribuir para o debate sobre o papel da dimensão cultural do espaço, enquanto via para que pensemos e ajamos rumo a usos menos desiguais do território.
Cientes da dimensão social do espaço geográfico e de sua complexidade na contemporaneidade, nesta pesquisa olhamos para aqueles sujeitos que transgridem as normas sociossexuais que se dão no espaço, como as pessoas trans, população que têm suas experiências corporalizadas potencialmente afetadas pela cisheteronormatividade espacial, a partir de constantes processos de interdição e de violência figuradas pelo ódio, crueldade e abjeção. À luz destas problemáticas, o presente trabalho objetivou analisar a distribuição espacial dos casos de assassinatos de pessoas trans no Brasil, no período de 2017 a 2022, isto é, com elaboração de cartografias das visibilidades e (in)visibilidades dessas violências a partir das técnicas de anamorfose e antianamorfose. Nessa perspectiva, a Cartografia é utilizada neste trabalho como uma linguagem primordial no processo investigativo, a construção teórico-metodológica deste estudo envolveu uma abordagem quali-quantitativa, que incluiu além de uma revisão bibliográfica, a análise de dados da Rede Trans Brasil bem como o método cartográfico proposto por Slocum et al. (2013). Nos resultados obtidos, verificou-se que as representações espaciais elaboradas possuem uma função ativa na investigação geográfica, exercendo um papel de denúncia e contestação às violências praticadas contra a população trans no Brasil, dessa forma mapear é dar existência a um fenômeno. Para a apreciação dos resultados registrou-se as impressões de pessoas trans que fizeram a leitura das representações.
A agricultura familiar desempenha um papel importante no desenvolvimento local e regional por meio da produção de alimentos e uso da terra. Deste modo, objetivou-se analisar os aspectos da agricultura familiar e o uso da terra em Mato Grosso, utilizando dados do Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A pesquisa aponta que a agricultura familiar ocupa uma área de 5.131.104 hectares, distribuída em 81.635 estabelecimentos, a maioria localizada na mesorregião norte do estado. Dos agricultores, 81,7% são do gênero masculino, sendo a maioria de cor branca e com habilidades de leitura e escrita. A forma de acesso às terras foi, em sua maioria, por meio de compra de particulares, com a maior concentração de áreas entre 5 e 100 hectares. Apenas 23.758 agricultores são associados a associações ou sindicatos e a maior parte das receitas obtidas são provenientes dos próprios estabelecimentos, principalmente relacionada à criação de gado e culturas temporárias. Apesar de sua importância na oferta de alimentos essenciais, a agricultura enfrenta escassez de crédito, com apenas parte dos produtores conseguindo algum tipo de financiamento.