
Sabe-se que o estágio supervisionado promove a integração entre a universidade e o ensino básico, aproximando os futuros docentes da realidade escolar e das práticas de reflexão na educação. Por esta razão, o presente estudo busca relatar as experiências vivenciadas na disciplina de estágio supervisionado II, durante o curso de licenciatura em Ciências Biológicas, pela Universidade Estadual do Pará-UEPA. As atividades ocorreram em 2022, com uma turma de 8ª ano do ensino fundamental II, em uma escola localizada no município de Tucuruí, sudeste paraense. Neste contexto, objetivou-se realizar aulas didáticas e contextualizadas, associando o conteúdo de reprodução animal, com a vivência dos alunos fora do ambiente escolar, respeitando assim seus conhecimentos prévios. Foram realizadas aulas e jogos dinâmicos sobre o conteúdo de reprodução sexuada e assexuada dos animais, por meio de recursos de audiovisual e materiais didáticos de baixo custo. Na aplicação das atividades pôde-se observar resultados positivos e desafios na implementação deste novo método, demostrando a importância de se repensar em práticas pedagógicas e metodologias de ensino que valorizem os saberes dos alunos, trazendo novas perspectivas sobre o âmbito educacional como espaço formador e sistematizador do conhecimento científico.
Este trabalho se trata de um estudo que tem por objetivo identificar a contribuição do Programa de Residência Pedagógica (PRP) à formação inicial de professores que ensinarão matemática nos Anos Iniciais. Teoricamente, aportamos aos saberes docentes. Metodologicamente, trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. Como colaboradores do estudo, tivemos 10 residentes envolvidos em atividades do subprojeto "Alfabetização em linguagem e em matemática: experiências formativas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental", aprovado no Edital CAPES n. 24/2022, participe do programa institucional de Residência Pedagógica da Universidade Federal do Pará. Para a constituição das informações, disponibilizamos um questionário com nove perguntas abertas. Das análises, é possível afirmar que o envolvimento dos residentes com as diferentes atividades do Programa, permitiu o desenvolvimento dos saberes docentes, o conhecimento, a experiência e os pedagógicos.
O trabalho analisou os Projetos Pedagógicos de dois cursos de Pedagogia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - localizados no estado do Rio Grande do Sul (Campus Erechim e Campus Cerro Largo) - com o intuito de problematizar como o ensino de Ciências da Natureza é contemplado nos currículos. A metodologia caracteriza-se como qualitativa de cunho documental, analisando os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs). A análise concentrou-se nos componentes curriculares (CC) obrigatórios relacionados com aspectos do Ensino de Ciências da Natureza. Para seleção dos CC foram examinadas ementas, objetivos e bibliografias básicas. Após a análise foram selecionados os seguintes CC: “Ensino de Ciências I” e “Ensino de Ciências II” (Campus Erechim); “Educação em Ciências da Natureza I” e “Educação em Ciências da Natureza II” (Campus Cerro Largo). A análise revelou certa equivalência entre os currículos analisados e ênfase em aspectos como alfabetização científica, educação ambiental e práticas investigativas.
Este artigo aborda políticas de formação docente em Ciências Biológicas, como parte de um projeto amplo realizado na UFSC, UnB, UERJ e UFRJ, no âmbito da Chamada CNPq/MCTI Nº 10/2023 – Edital Universal. O referencial teórico baseia-se no campo de Formação de Professores da área de Ensino de Ciências e Biologia. Foi realizado um levantamento de literatura sobre a formação de professores de Ciências e Biologia no PIBID, incluindo a revisão de teses de doutorado (2007-2023) na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. Os resultados preliminares mostram que o PIBID: (1) fomenta práticas pedagógicas críticas e reflexivas; (2) fortalece a confiança na atuação profissional; (3) incentiva metodologias inovadoras e interdisciplinares; (4) concentra produções nas regiões Sul e Sudeste; (5) funciona como política de permanência para muitos estudantes; (6) apresenta lacunas de produção nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Este estudo analisa a produção acadêmica publicada na Revista Eletrônica Ludus Scientiae entre 2017 e 2024, com foco nas práticas lúdicas relacionadas ao Ensino de Biologia. A pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de levantamento bibliográfico e análise fundamentada em Bardin (2011). Inicialmente foram identificados 115 trabalhos, dos quais 19 abordavam o uso do lúdico no ensino de conteúdos biológicos, compondo o corpus analisado. Os dados foram organizados e sistematizados em planilhas, considerando aspectos como tipo de produção, filiação institucional dos autores, formatos das atividades e abordagens conceituais do lúdico. Os resultados indicam que a presença da Biologia é quantitativamente menor em comparação a outras áreas das Ciências da Natureza, especialmente a Química. Observa-se predominância de produções vinculadas a instituições públicas e forte relação das propostas com processos de formação de professores. No plano conceitual, identificou-se diversidade terminológica e, em muitos casos, ausência de aprofundamento teórico sobre a ludicidade. Além disso, predominam jogos estruturados voltados à revisão de conteúdos, enquanto propostas mais investigativas aparecem em menor número. Conclui-se que, embora o lúdico apresente potencial relevante para o ensino de Biologia, ainda há necessidade de maior rigor teórico e metodológico nas pesquisas e práticas desenvolvidas.
Reconhecendo a importância da Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT), o presente estudo objetivou investigar as práticas pedagógicas desenvolvidas por professores que ministram o componente curricular de Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental das redes municipal e estadual de Curitiba-PR. Metodologicamente, a pesquisa caracterizou-se como de abordagem qualitativa, de natureza explicativa, com utilização de observação participante e entrevistas com 21 professores. Por meio da Análise Textual Discursiva, emergiram as seguintes categorias: i) O ambiente de aprendizagem – caracterizando o perfil dos estudantes e os aspectos metodológicos; ii) Indicadores de Alfabetização Científica e Tecnológica – averiguando sua presença nas aulas de Ciências; e iii) Percepções acerca da prática pedagógica – contemplando a visão do professor. A análise dos dados evidenciou que, no que tange às práticas e às contribuições do Ensino de Ciências, a maioria dos participantes destacou o desenvolvimento de atividades experimentais, construção de maquetes, rotação por estações, sendo que a inclusão de temas sociais se faz presente no planejamento da maioria dos docentes. Ademais, a formação continuada destacou-se como um fator essencial para o aprimoramento das práticas pedagógicas. Conclui-se que investigar as práticas docentes constitui um caminho para (re)pensar e discutir o processo de formação de professores, visando ao desenvolvimento da criticidade, autonomia e do seu aperfeiçoamento profissional.
Partindo do pressuposto que as instituições de ensino são cruciais na formação e desenvolvimento dos cidadãos, essas possuem a responsabilidade de difundir informações que sejam relevantes para a sociedade, necessidade que está sendo intensificada pela emergência climática. Dessa forma, através de uma Revisão Integrativa, o presente trabalho investiga sobre quais problemáticas e indagações perante a Educação Ambiental foram identificadas no vestibular de verão de 2024 e de 2025 da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Os dados apresentados conferem que parte das palavras-chave associadas à Educação Ambiental apresentam-se descontextualizadas de seu vínculo à proteção do meio ambiente ou embasamento para uma visão crítica nos acontecimentos mundiais. Quanto às que estão relacionadas, abordam sobre eventos climáticos e política ambiental, mostrando que ainda, quando se trata de informações ambientais, as avaliações precisam ser pensadas a partir de eventos ambientais atuais, tal como a emergência climática.
Diversos estudos questionam as imagens proliferadas acerca do fazer científico, inclusive propondo práticas de ensino que perfuram estereótipos sobre o que é ciência. Porém, que movimentos nós, enquanto pesquisadoras nas/com as ciências temos praticado para produzir desvios dessa imagem em nossas próprias pesquisas? Como provocar outros olhares sobre a pesquisa e o processo de investigação? Como isso perpassa o ambiente escolar e nos atravessa enquanto professoras de Ciências e Biologia? Com a intenção de nos movimentar em torno dessas questões, construímos o presente texto a partir do encontro com três materiais: uma coletânea de definições feitas por crianças, um audiovisual e um livro escrito por artistas em diálogo com comunidades tradicionais. Materialidades que, apesar de não estarem lotadas na "casa das ciências”, provocaram-nos a pensar outros modos de composição com a pesquisa e a docência, de maneira a estabelecer relações de atenção e cocriação com o que nos atravessa.
Embora as Mudanças Climáticas Globais (MCG) sejam reconhecidas como o maior desafio do milênio e integrem o sistema educacional brasileiro, este estudo de caso identifica uma lacuna entre as diretrizes institucionais e o processo formativo nas escolas. Por meio da aplicação de questionários com alunos do Novo Ensino Médio (NEM), os resultados revelaram uma predominância de abstenções, respostas vagas ou imprecisões conceituais. Notou-se uma incapacidade majoritária em definir as MCG, mesmo em níveis rudimentares (Categoria 1), além da recorrência de definições equivocadas sobre o fenômeno (Categoria 4). Os dados evidenciam o distanciamento entre o currículo prescrito e a efetiva apropriação do conhecimento pelos estudantes
A Lei nº 15.100/2025 regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais, incluindo telefones celulares, por estudantes nas instituições de ensino da educação básica tanto públicas quanto privadas do território nacional. Neste trabalho objetivou-se compreender as percepções dos estudantes (Ensino Fundamental e Médio) de uma escola pública do Sudoeste do Paraná sobre a restrição do emprego de celulares no ambiente escolar. Para tal, utilizou-se um questionário composto por quatro questões e analisado de maneira quali-quantitativamente. Participaram da pesquisa 33 estudantes e, a partir dos dados, foi possível perceber a necessidade de um maior esclarecimento sobre os limites da utilização do celular na escola. Alguns estudantes apoiam-se na perspectiva pedagógica para justificar a presença indiscriminada do aparelho nas salas de aula, no entanto não refletem sobre os malefícios trazidos para a saúde física, emocional e para o aprendizado.
Nesta pesquisa, busca-se compreender o contexto em que emergem as discussões sobre Pensamento Crítico (PC) nos trabalhos publicados nos Anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), nas edições de 2015 a 2023. Ancoramo-nos nas contribuições teóricas do campo do Pensamento Crítico no contexto educacional. A análise dos trabalhos selecionados foi realizada em duas etapas: a primeira, de caráter exploratório, consistiu na apreciação dos títulos e das palavras-chave. Na segunda, de natureza qualitativa, os trabalhos foram examinados a partir dos pressupostos da Análise de Conteúdo. Nessa etapa, foram consideradas duas situações: os níveis de ensino investigados e os referenciais teóricos sobre o PC adotados nos artigos analisados. De forma geral, os resultados indicam maior incidência de estudos voltados ao Ensino Médio e ao Ensino Superior, em comparação ao Ensino Fundamental, e que autores estrangeiros são mais citados nesta linha teórica.
Concepções alternativas (CA) são formas de explicar os fenômenos científicos que divergem daquelas aceitas pela Ciência, válidas apenas para o contexto no qual foram elaboradas e resistentes a mudanças. Já o perfil conceitual (PC), apresenta a noção de que os indivíduos elaboram explicações sobre o mundo natural a depender do contexto, usando ora da linguagem cotidiana, ora da linguagem científica. Este trabalho buscou identificar possíveis CAs de três participantes com diferentes perfis, realizando inferências à luz do referencial teórico sobre PC. Para isso, os entrevistados responderam três perguntas enfocando noções cotidianas conflitantes com as explicações científicas. Os resultados revelaram equívocos conceituais relacionados aos processos digestivos, termodinâmicos e gravitacionais, demonstrando uma possível influência das vivências cotidianas sobre a escolarização formal. Conclui-se que a tomada de consciência sobre os diferentes perfis conceituais pode favorecer o aprendizado do aluno, ressaltando a importância dos educadores na mediação desse processo.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é uma das principais iniciativas brasileiras de popularização da ciência e ocorre anualmente desde 2004, promovendo a aproximação entre ciência e sociedade por meio de diversas temáticas. Este trabalho visa situar a presença da grande área de Ciências Biológicas no contexto do evento, por meio de uma pesquisa qualitativa e no estudo documental de suas chamadas públicas em edital. Os procedimentos metodológicos seguem os pressupostos da Análise de Conteúdo, e as análises estruturam-se a partir de uma categorização prévia de base teórica e experiencial dos autores. As três categorias discutidas consideram a Biologia como tema central, articulador ou periférico. O estudo das 21 edições, até 2024, indica que, embora os conteúdos biológicos não constituam o mote da SNCT, a área se apresenta como um potente tema articulador ou transversal, cujas implicações e aplicações são consideradas relevantes para o debate público sobre temas atuais.
No contexto da formação inicial de professores este estudo teve como objetivo identificar as concepções de docentes em formação inicial em Ciências Biológicas acerca do Ensino das Ciências. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de natureza aplicada, utilizando a observação participante e um questionário como instrumento de constituição de dados e a análise foi conduzida por meio da Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados revelaram cinco categorias significativas, com destaque para a importância da participação dos discentes por meio de atividades práticas, aulas interativas, metodologias ativas, abordagem adequada dos conteúdos; a valorização dos conhecimentos prévios dos alunos; a diversificação de recursos didáticos; e a necessidade de uma postura docente crítica. Diante desses resultados foi possível identificar elementos com potencial de impactar positivamente o ensino e aprendizagem de Ciências, contribuindo para o aprimoramento das práticas de Ensino em Ciências.
O presente trabalho tem o objetivo central de analisar a construção argumentativa em textos produzidos por estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública em aulas de ciências. Os textos foram produzidos pelos estudantes a partir de atividades planejadas e desenvolvidas em uma Sequência Didática Investigativa (SDI). Para análise, foi selecionado um texto específico, utilizando uma adaptação do modelo proposto por Toulmin e alguns pressupostos da Análise de Discurso (AD) de linha francesa. Os resultados indicam a viabilidade do trabalho com argumentação em aulas de ciências mesmo nos anos iniciais do Ensino Fundamental, demonstrando como esses estudantes produzem textos argumentativos contendo elementos básicos, como dados, justificativas e conclusão. No texto analisado, a argumentação concentra-se principalmente no uso de justificativas para convencer o leitor da legitimidade de seu ponto de vista.
O artigo analisa a presença das abelhas sem ferrão nos Encontros Regionais de Ensino de Biologia da região Sul, destacando sua importância ecológica e potencial educativo. A partir de uma pesquisa qualitativa de natureza documental, foram examinadas as atas digitais de dez edições do evento, buscando identificar menções às abelhas nativas, seus sentidos pedagógicos e abordagens associadas. A investigação se insere no contexto da Educação Ambiental e da valorização da biodiversidade local no Ensino de Ciências e Biologia. O estudo contribui para compreender os desafios da inserção das abelhas sem ferrão nos espaços formativos e materiais didáticos e também aponta possibilidades para fortalecer práticas educativas comprometidas com o território e a sustentabilidade.
Este estudo visa analisar os discursos e silenciamentos presentes na produção acadêmica brasileira sobre a interculturalidade crítica no campoeducacional, com foco na decolonialidade do poder, saber e ser, e em suas contribuições para o ensino de Ciências Biológicas. A pesquisa busca identificar como os discursos acadêmicos sobre interculturalidade são construídos, bem como investigar as ausências e resistências relacionadas à integração de saberes não-hegemônicos, como os saberes indígenas e afrodescendentes, na Educaçãoe, especificamente, no ensino de Ciências Biológicas. O referencial teórico-metodológico adotado é a Análise de Discurso (AD) franco-brasileira, que permite examinar as formas como os discursos educativos reproduzem ou desafiam a hegemonia dos saberes eurocêntricos, e como as práticas pedagógicas podem efetivamente incorporar a interculturalidade crítica. A pesquisa se propõe a refletir sobre as possibilidades de transformação das práticas educativas, contribuindo para uma educação mais democrática, inclusiva e articulada às diferentes epistemologias, na formação de sujeitos conscientes da pluralidade cultural e do conhecimento humano.
A Embriologia trata das etapas da formação do ser humano, desde a gametogênese, formação do zigoto e desenvolvimento do embrião. Ensinar sobre este assunto pode ser um desafio, tanto pelo seu grau de complexidade, quanto pela escassez de materiais que auxiliem o professor em sala de aula. O objetivo do trabalho foi construir um modelo didático detalhado mostrando as fases do Desenvolvimento Embrionário. A atividade foi realizada durante a disciplina de Embriologia e Histologia Humana do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal Farroupilha - Campus Alegrete, utilizando materiais acessíveis, táteis, duráveis e dando ênfase à interatividade. As peças representadas em cada uma das fases podem ser embaralhadas e distribuídas aos estudantes que deverão analisar a ordem correta das etapas. Após dinâmica e questionário com professores em formação, o modelo didático mostrou-se uma ferramenta eficiente no aprendizado de forma lúdica e complementar ao conteúdo teórico. Desenvolver um modelo didático ajuda os licenciandos a perceber a importância deste tipo de abordagem, bem como construir formas inovadoras para o ensino brasileiro.
A violência contra mulheres com deficiência não teve origem no período da pandemia de Covid-19. Contudo, observamos nos dados do Ligue 180 um aumento significativo de denúncias em 2020, registrando um crescimento superior a 30% em relação a 2019. No relatório do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a escola não foi mencionada como veiculadora de informações sobre canais para denúncias, o que nos levou a questionar as abordagens relacionadas à violência contra mulheres em documentos de ensino. A partir dessas informações, pretendemos como objetivo problematizar, a partir da vertente pós-estruturalista dos Estudos Culturais, aproximações entre a temática violência contra mulheres com deficiência e o ensino de Ciências. Nessa investigação, optamos por mostrar o quantitativo de denúncias de violência contra mulheres com deficiência, analisar as abordagens desse tema, no ensino de Ciências, em documentos educacionais vigentes e pesquisas sobre o assunto. Após a coleta das informações, percebemos uma carência de pesquisas, embora os documentos educacionais indiquem possibilidades de aproximações para além da Semana Escola de Combate à Violência contra a Mulher. Ressaltamos a importância do desenvolvimento de estudos que contribuam com o esclarecimento de eventuais dúvidas aos estudantes sobre essas questões de conhecimento de seus corpos.
Este artigo aborda uma pesquisa sobre a produção de desenhos e sua relação com o processo criativo e imaginativo na Educação em Ciências. Na maioria das vezes, a literatura da área associa o desenho a um recurso complementar ao processo de alfabetização científica, deixando de lado outros processos subjetivos que ele pode proporcionar na formação do aluno. O objetivo é analisar a relação entre desenho, criatividade e imaginação por meio da produção de desenhos autorais na formação inicial de professores de ciências. Com base no referencial da Análise de Discurso Francesa, o percurso metodológico consiste na análise de um desenho sobre ave, produzido por um licenciando para aulas de ciências. Os resultados são analisados a partir de três categorias: percepção intuitiva, salto criativo e verificação. Conclui-se que, se esperamos uma Educação em Ciências diferente do modelo transmissivo, então os processos de criatividade e imaginação devem fazer parte dessa discussão.