
O artigo apresenta o processo metodológico da escuta das(os) jovens negras(os) residentes no bairro de Bangu, no município do Rio de Janeiro. O estudo objetivou conhecer e escutar estudantes do Ensino Médio, de uma escola pública do bairro conhecido pelos índices de violência juvenil. O critério metodológico para a seleção dessas(es) discentes considerou principalmente a Autodeclaração Etnico-racial de cada um(a) e o desejo de participar da pesquisa. A metodologia qualitativa teve como instrumento o desenvolvimento da escuta sensível (Barbier, 2002) e a educomunicação (Malachias, 2014), baseada nas entrevistas, rodas de conversa e na produção de um material educomunicativo compartilhado no Instagram. A pesquisa evidenciou o interesse das(os) jovens sobre os temas racismo/violência; oportunizou a criação de conteúdo reflexivo na linguagem das(os) jovens e propiciou a manifestação de afetos e aquilombamento.
Bruce LaBruce me perguntou o que o cartaz de The Visitor (2025) me disse e a partir deste encontro, entre pés e Passolini, encontrei uma cena queercore de uma Toronto punk no final dos anos 80. Em uma entrevista com o diretor canadense, dialogamos sobre anarquismo, pornografia e cinema pela beira de um passado noturno de bares lésbicos e festas de couro onde anjos, bichas, putas, misândricas, skinheads, zumbis, motoqueiros, ex-presidiários e todo um proletariado refazem um mundo pornolitúrgico que coloca o enlatado de Warhol como sopa a ser servida no escuro do darkroom. Se houver um apocalipse queer, Bruce LaBruce será o profeta de uma nova verdade que nunca existiu sobre o sexo.
Este artigo analisa as transformações do pensamento político e estético de Mário Pedrosa a partir de três viagens decisivas em sua trajetória: Alemanha, Estados Unidos e Chile. Cada um desses deslocamentos provocou uma inflexão em sua maneira de conceber a relação entre arte, política e sociedade. Na Alemanha, aderiu ao trotskismo; nos EE.UU, consolidou-se como crítico de arte moderna; e no Chile, sob influência do governo da Unidade Popular, assumiu uma perspectiva terceiro-mundista e latino-americanista. O texto se concentra neste último período, destacando seu papel na criação do Museu da Solidariedade e seus projetos inacabados após o retorno ao Brasil, como o Museu das Origens. Sustenta-se que a experiência chilena marcou a passagem de uma estética modernista para a valorização das artes populares e indígenas como formas de resistência cultural e política.
O artigo aponta como o Modernismo dos anos 1920, baseado em São Paulo, construiu uma memória de si mesmo como movimento decisivo para a cultura do Brasil no século XX, mas identifica que, desde os anos 1980, surgiu e se consolidou uma crítica a essa memória, explicitando a pluralidade de forças modernizantes na arte. Essa crítica colocou em relevo a irresolução de uma questão essencial: como escapar ao elitismo da arte ao pensar o Brasil? Para Mário de Andrade, a música seria o caminho mais provável, por sua capacidade de comunicação; o que evidenciaria sua força inconteste com a canção popular. Daí emergiu uma promessa de felicidade pela cultura, dificilmente cumprida na realidade social. O artigo questiona se o que Chico Buarque pensou ser a negação da canção, com o rap, não denuncia o fosso entre o sonho modernista e a concretude nacional.