
Nas religiões de matriz africana, quizilas são proibições que orientam a relação dos iniciados com as divindades, podendo ser alimentares, de vestuário ou comportamentais. São descritas e analisadas as experiências com as quizilas alimentares no contexto das sociabilidades de iniciados do Candomblé. Trata-se de artigo original que utiliza abordagem qualitativa, fundamentado em observação participante e entrevistas semiestruturadas, com iniciados de duas comunidades-terreiro de Candomblé de nação Ketu, localizadas no subúrbio ferroviário de Salvador-BA. Foram encontradas tensões entre a convivialidade e as quizilas, que dificultam a manutenção destas em contextos de sociabilidade e participação em momentos de comensalidade. Estratégias são mobilizadas pelos iniciados para evitar constrangimentos sociais nessas situações e a exclusão social de certos grupos. Em alguns casos, evitam participar de eventos ou espaços, ou permanecem presentes, mas não participam da comensalidade. A pesquisa evidencia que as quizilas alimentares impõem desafios significativos ao convívio social dos iniciados, sobretudo nas sociabilidades com não adeptos do Candomblé, devido à incompreensão dos princípios religiosos que fundamentam essas práticas.
As intervenções baseadas em mindfulness vêm sendo adotadas e têm demonstrado efetividade na melhora das condições crônicas. Esta pesquisa avaliou a efetividade de um protocolo brasileiro de mindfulness para promoção da saúde (MBHP), nos formatos presencial – controle (PC) e intervenção (PI) – e on-line – controle (OC) e intervenção (OI) – no estado nutricional, comportamento alimentar e estilo de vida (práticas alimentares, nível de atividade física e autoeficácia para o exercício físico) de usuários da atenção primária à saúde com condições crônicas, na cidade de São Paulo, através de um estudo piloto, controlado e randomizado. Os resultados demonstraram que,em relação ao estado nutricional, a maioria dos participantes se encontrava com sobrepeso e obesidade, sendo o menor valor médio de IMC no grupo PC e o maior no grupo OI. Na comparação do estado nutricional antes e após as intervenções, observou-se perda de peso nos grupos PC, PI e OI, sem diferenças entre os grupos. Foram verificadas melhoras nas práticas alimentares em todos os grupos, de forma diferenciada entre eles, sendo os melhores avanços nos grupos PC e OI e redução de práticas inadequadas no grupo PI. Na avaliação do comportamento alimentar, apenas o descontrole alimentar apresentou redução significativa no grupo OC. Não foram verificadas mudanças nos parâmetros relacionados à prática e autoeficácia do exercício físico. O MBHP melhorou o comportamento alimentar, o autocuidado e o estilo de vida dos usuários avaliados, diferenciando-se a depender do formato das intervenções e do momento da avaliação.
Introdução: A alimentação passou por diversas transformações ao longo do tempo, especialmente com a inserção de dispositivos eletrônicos, como celulares e televisão (TV). Esses avanços tecnológicos alteraram os hábitos alimentares da população, influenciando a qualidade da alimentação e a relação com a comida. Dessa forma, torna-se relevante investigar os fatores associados ao hábito de comer em frente à TV, sobre tudo em diferentes faixas etárias. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo verificar os fatores associados ao hábito de comer em frente à TV em adultos e idosos da cidade de Criciúma, localizada no Sul Catarinense. Método: Trata-se de um estudo transversal de base populacional, conduzido entre março e dezembro de 2019. A amostra foi composta por 820 indivíduos, com predomínio do sexo feminino (63,8%) e idade de 60 anos ou mais (45%). A coleta de dados incluiu informações sociodemográficas, hábitos alimentares e comportamentais. A análise estatística foi realizada para identificar associações entre o hábito de comer assistindo TV e variáveis como idade, cor da pele e consumo de alimentos ultraprocessados. Resultados: A prevalência do hábito de comer assistindo TV foi de 38,5%. Após análise ajustada, observou-se que os indivíduos mais jovens apresentaram maior prevalência desse hábito (RP 2,11 [IC95% 1,69;2,34]; p<0,001), com uma tendência linear inversa em relação à idade (p<0,001). A variável “cor da pele” também apresentou maior relação com o hábito de comer assistindo TV [RP 1,43 [IC95% 1,12;1,82]; p=0,006). Esse achado mostra evidências importantes de que o hábito de comer assistindo TV está associado com diferentes fatores.
Introdução: O romance O quinze, de Rachel de Queiroz, publicado em 1930, é um marco da literatura da seca no Brasil. Objetivo: Realizar análise histórico-literária do romance O quinze, procurando identificar os significados do conceito de fome, bem como compreender como a autora relatou aspectos do ambiente alimentar, dos hábitos e práticas alimentares no contexto temporal e ambientação da obra. Método: A análise fundamentou-se em referencial teórico-conceitual do campo da Nutrição, complementada por revisão bibliográfica. Resultados: A palavra “fome” foi usada com múltiplos e complexos significados, sendo os mais frequentes: morrer de fome por privação alimentar (em função da seca e da miséria); sensação biológica momentânea por não ter o que comer; ter fome crônica ou de longa duração; fome como sujeito ou ente maligno; e significados hiperbólicos: roncar de fome, chorar de fome, embriagar-se de fome e enlouquecer de fome. A descrição das consequências biológicas e sociais da fome denota a aproximação da autora com os movimentos literários do naturalismo e do realismo social. A autora abordou com precisão a dieta básica das famílias de sertanejos retirantes. Utilizando recursos do realismo literário, de forma simples e coloquial, a escritora procurou retratar as degradantes consequências provocadas pela fome e miséria. Portanto, seguiu a trilha dos romances que inauguraram a literatura da seca. Conclusão: Embora não explicite a determinação histórico-social e política da fome e suas formas de enfrentamento no contexto cearense da seca de 1915, o romance procura abordar a temática dentro de uma perspectiva crítico-social.
Introdução: Os resíduos de agrotóxicos em alimentos devem ser monitorados para que estas substâncias não estejam acima dos limites máximos permitidos nos produtos adquiridos em supermercados e consumidos pela população. No Brasil, relatórios de rastreabilidade desses resíduos fazem parte do controle de qualidade e segurança alimentar. O estado de Santa Catarina possui participação relevante neste segmento. Objetivo: Avaliar os relatórios de resíduos de agrotóxicos do programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (RAMA) dos anos de 2018-2023 em supermercados no estado de Santa Catarina. Método: Estudo de pesquisa documental exploratória, através da análise retrospectiva dos relatórios de resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal in natura. Resultados: 3.538 laudos de coletas no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2023 analisados, sendo 53 produtos e 700 variedades de produtos. Os ingredientes ativos monitorados no período começaram com 242 (2018) e finalizaram com 419 (2023). Em todos os anos foram encontradas inconformidades, desde substâncias não autorizadas até proibidas. Laranja, morango, alface, pimentão e cenoura apresentam maior frequência de não conformidades. Conclusão: Os resultados reforçam a necessidade de monitoramento e rastreabilidade de resíduos de agrotóxicos em alimentos de origem vegetal in natura, para ofertar alimentos seguros aos consumidores.
Este ensaio teórico visa analisar a trajetória histórica, política e conceitual da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no Brasil e fomentar uma reflexão crítica para a formação da EAN como a conhecemos hoje. O conceito de EAN, atualmente definido pelo Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional (MREAN) para Políticas Públicas, reflete uma prática intersetorial, multiprofissional, transdisciplinar, e contínua, que promove a autonomia e abrange todos os ciclos da vida e aspectos do comportamento alimentar. A transformação da EAN no Brasil é resultado da influência de uma variedade de campos, setores e atores que têm moldado e continuam a moldar as práticas e propostas nesse campo. O artigo apresenta a influência do patriarcado higienista no advento da EAN, destacando a mediação pelas discussões acerca da fome e na produtividade dos trabalhadores. Analisa, ainda, a intersecção com a promoção da saúde e EAN, fortalecida com a publicação do MREAN.
Este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho de serviços de alimentação em relação ao cumprimento de medidas de higiene e segurança para prevenção da disseminação da Covid-19 e identificar fatores associados. Trata-se de um estudo transversal, realizado entre maio e agosto de 2021, com 137 serviços de alimentação localizados na região dos Inconfidentes, estado de Minas Gerais, Brasil. Foi realizada regressão logística multivariada para identificar os fatores associados ao desempenho dos serviços de alimentação quanto ao cumprimento das medidas de higiene e segurança. A amostra foi composta principalmente por restaurantes (35,8%) e lanchonetes/fast food (22,9%). Apenas 30,7% dos estabelecimentos apresentaram mais de 75% de conformidade com as medidas de higiene e segurança. A presença de nutricionista na equipe (OR=34,7), a existência de manual de boas práticas implementado (OR=4,5), a redução do horário de funcionamento (OR=3,66), a dificuldade na implementação do serviço de delivery (OR=3,74) e a dificuldade em encontrar orientações sobre protocolos de segurança (OR=0,16) associaram-se independentemente à maior probabilidade de o serviço de alimentação apresentar mais de 75% de conformidade. Conclui-se que a prevalência de serviços de alimentação com mais de 75% de conformidade durante a pandemia de Covid-19 foi baixa. Estratégias para reduzir as dificuldades enfrentadas pelos serviços de alimentação, bem como a presença de nutricionista e Manual de Boas Práticas, podem contribuir para a melhoria no desempenho desses estabelecimentos em relação à conformidade com essas medidas.
Objective: To identify the nutritional diagnoses (DN) of people using home enteral nutrition (NED), through the application of the second step of the Nutrition Care Process (PCN), using the Standardized Nutrition Care Process Terminology (TPCN). Methods: Observational, cross-sectional and descriptive study with people using NED assisted by the Program of Nutritional Care for People with Special Feeding Needs (PAN) of a municipality in the Southern region of Brazil. Data collection occurred between June 2016 and February 2018, including socioeconomic, demographic, food security, medical history, nutritional status, and food consumption data, and were obtained from people using NED and their caregivers. The DN were identified according to the TPCN of the Academy of Nutrition and Dietetics (AND), organized into three domains: Intake (IN), Clinical Nutrition (NC), and Nutritional Behavior/Environment (CN). Results: 123 people participated, with a mean age of 63.7 ± 21.1 years and a per capita income of 2.6 minimum wages; 41 DN were identified, the most prevalent being: suboptimal fiber and vitamin D intake (100%), swallowing with difficulty (100%), physical inactivity (79.7%), suboptimal self-care management (79.7%), self-feeding with difficulty (79.7%), suboptimal magnesium (68.3%) and folate (67.5%) intake, unintentional weight loss (56.9%), food insecurity (51.2%), and suboptimal protein intake (50.4%). Conclusion: The most frequent DN are related to the intake of essential nutrients, difficulties with swallowing and self-feeding, self-care, and physical activity practice. The standardized diagnosis can guide prioritization and increase the effectiveness of home nutritional intervention.
The use of body mass index (BMI) to assess nutritional status in older adults may be controversial. According to the obesity paradox, older adults who present overweight may have better outcomes compared to individuals that present a normal weight. Specific BMI cut‑offs for older people were proposed by some entities.This short narrative umbrella review aims to realize if it is appropriate to recommend higher BMI values in the elderlyconsidering the most recent evidence about the obesity paradox. Systematic reviews and meta-analyses available in the Pubmed database were identified and selected according to defined criteria, and the main results were presented. In the present review, 27 studies extracted from these reviews were analyzed, but only 12 (44.5%) found significant results regarding the obesity paradox. It was observed that potential benefits of higher BMI values are even less frequent for BMI values ≥ 30 kg/m2. Therefore, controversy remains regarding the use of BMI in ageing groups. Epidemiological confounding may be linked to better outcomes linked to higher BMI values. It should be ensured that discussion does not involve the promotion of obesity in elderly, which is an indisputable risk factor for the development and worsening of several chronic diseases.
The study aimed to evaluate of the reliability and structural validity of the Brazilian version of the Parental Feeding Style Questionnaire (PFSQ).Parents/guardians of 269children between 4-5 years old completed the translated and culturally adapted PSFQ. Subscale Cronbach’s alpha examined internal consistency, and exploratory and confirmatory factor analyses were applied to assess the structural validity of the questionnaire. Cronbach’s alpha of subscales ranged from 0.63 to 0.78, and the overall consistency was good (alpha=0.73). Confirmatory factor analysis indicated that a four-factor model was valid to asses feeding parental style after the rearrangement of 22 out of the 27 questions in the original questionnaire into four dimensions denominated: (a) instrumental and emotional feeding; (b) prompting or encouragement to eat; (c) control over eating; and (d) permissive feeding. The psychometric evaluation of the PFSQ determined the proposition of a new version with fewer questions to characterize parental feeding styles.
Introduction: Although international studies link intuitive eating (IE) to health benefits, Brazilian research addressing IE, eating attitudes, and body satisfaction in adolescents remains limited. Objective: To examine differences in IE, body image, and disordered eating behaviours according to body mass index (BMI). Methods: Cross-sectional study with 150 adolescent girls aged 13-19yo. Participants completed the Intuitive Eating Scale-2, which evaluates tendency to follow their physical hunger and satiety signs. Body (dis)satisfaction was assessed with a figure rating scale. Disordered eating was evaluated via the Disordered Eating Attitudes Scale (DEAS) with five subscales, including "normal eating concept" and “relationship with food”. Weight and height were measured for BMI, and z-scores for age/sex to classify girls weight status. Girls were classified as intuitive or non-intuitive eaters. Differences between BMI categories and outcomes were analysed using chi-square and Student’s t-tests. Results: Among non-intuitive eaters, 52% were overweight, none reported body satisfaction, all desired weight reduction. In girls without excess weight, the “normal eating concept” score was lower compared to overweight intuitive eaters (p<0.01). Overweight intuitive eaters scored lower on “relationship with food” compared to those without excess weight (p<0.01). The total DEAS score was higher in non-intuitive girls without excess weight than intuitive eaters (p<0.05). Overweight intuitive eaters also scored lower on the DEAS total scale compared to non-intuitive peers without excess weight (p<0.05). Conclusion: Girls with higher IE scores (≥3) were more satisfied with their bodies and exhibited fewer disordered eating attitudes, regardless of BMI.
O sistema alimentar hegemônico está associado à má nutrição e ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis, como a hipertensão arterial. O objetivo deste artigo é descrever o sistema alimentar, segundo a percepção de sujeitos com diagnóstico de hipertensão arterial. Trata-se de pesquisa qualitativa, desenvolvida na Atenção Primária à Saúde em Ouro Preto, Minas Gerais, por meio de quatro oficinas utilizando a técnica do mapa falante, com duração média de 90 minutos. Os dados produzidos foram organizados em relatórios e submetidos à análise de conteúdo, segundo a técnica temática. Os participantes relataram mudanças no sistema alimentar, destacando a transição de práticas alimentares baseadas no cultivo e nopreparo familiar para o consumo de alimentos ultraprocessados. Associaram essas transformações à perda de qualidade sensorial dos alimentos, à menor diversidade alimentar e ao uso intensivo de insumos químicos, com impactos negativos na saúde planetária. Além disso, identificaram o preço dos alimentos como fator determinante para as escolhas alimentares e reconheceram as feiras como espaços que favorecem o acesso aos alimentos saudáveis. Conclui-se que os sujeitos percebem o sistema alimentar hegemônico como um fator de risco à saúde e reconhecem a necessidade de mudanças para promover a alimentação adequada e saudável.
Introdução: Para Gérard Scallon, competência é um “saber-agir” baseado na “mobilização e utilização eficazes” e interiorizadas de um conjunto integrado de recursos, tendo em vista resolver um entrelaçamento de situações. Este conceito foi adotado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná para direcionar a elaboração dos currículos por competência dos cursos, incluindo o Curso de Graduação em Nutrição. Objetivo: Relatar a experiência de elaboração desse currículo, implementado para estudantes que ingressaram na graduação em Nutriçãoem 2019. Métodos: Detalha-se sua concepção, iniciada em 2016, desde seus referenciais teóricos. Para tanto, são abordados os direcionamentos da universidade, as formações realizadas com e por docentes, os métodos utilizados para aproximação com o mercado e as múltiplas etapas de construção metodológica da Matriz por Competência, para que se cumpra a formação profissional da saúde no âmbito da alimentação e nutrição. Resultados: Tomaram-se como referência o Plano de Desenvolvimento Institucional da universidade para 2019-2023, as Diretrizes Curriculares Nacionais e pesquisas com egressos(as) e empresas da região. Os conceitos adotados pela Universidade para cada etapa de planejamento do currículo por competências foram também utilizados no Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Nutrição, o que permitiu alinhamentos construtivos e integrados,queresultaram na construção de competências que valorizam o potencial da Ciência da Nutrição para o alcance do bem-estar da Humanidade, considerando-se sua interdependência com o ambiente natural saudável e sustentável. Conclusão: A experiência e o ativismo social e técnico de seu corpo docente, somados ao apoio de uma estrutura específica da universidade que orientou, a partir de uma base conceitual, todas as etapas de construção do currículo por competências, foram decisivos para que sua elaboração se desse de maneira organizada.
Objetivo: Avaliar a disponibilidade de informações sobre alergia alimentar (AA) e intolerância alimentar (IA) em crianças da educação infantil na rede pública de ensino municipal de Simões Filho-BA. Métodos: Pesquisa transversal realizada com dados adquiridos em 19 unidades escolares, contemplando 1.607 alunos e respostas obtidas por questionário fornecido aos responsáveis das crianças matriculadas na escola com maior número de estudantes. Resultados: Identificou-se prevalência de 57,9% de unidades com investigação sobre reação adversa alimentar (RAA). Prevalência de 1,3% de casos de AA ou IA entre os escolares e 3,4% na unidade com maior quantidade de alunos, com prevalência maior entre o sexo masculino, da creche, com RAA envolvendo leite. Conclusão: O incentivo de práticas públicas que visem à investigação de RAA é essencial para promover o direcionamento de verbas públicas à compra de itens que contemplem as necessidades nutricionais desses escolares.
Introdução: A adolescência é marcada por alterações físicas e psicossociais importantes que demandam uma alimentação saudável, especialmente em condição de restrição de liberdade, na qual refeições adequadas precisam ser garantidas. Objetivo: Avaliar a adequação nutricional do padrão estabelecido para as refeições de Unidades Socioeducativas em regime de internação de uma capital da Região Sudeste brasileira. Métodos: Estudo transversal sobre 30 cardápios (180 refeições), organizados a partir do padrão estabelecido para as refeições das Unidades (alimentos, frequências mensais, quantidades e horários determinados). Efetuou-se análise descritiva contemplando a categorização dos alimentos segundo os graus de processamento da classificação NOVA e a comparação com as recomendações nutricionais (energia, macro e micronutrientes) do Institute of Medicine para o público-alvo. Resultados: Os alimentos ultraprocessados estão presentes em 26,3% das refeições, como o lanche da tarde e a ceia, em que a presença desse grupo de alimentos alcança 50% dos cardápios. Os alimentos in natura e minimamente processados compõem 47,6% das refeições, sendo ofertados de forma exclusiva na colação. Os teores de energia, fibras, cálcio, ferro e sódio ultrapassaram as recomendações em todos os cardápios. Houve oferta excessiva de lipídios (35,15%) em um cardápio. Conclusões: O consumo de ultraprocessados e o aporte inadequado dos nutrientes avaliados podem trazer prejuízos à saúde, tais como ganho excessivo de peso e aumento do risco de desenvolver DCNTs. Assim, o padrão estabelecido para as refeições precisa ser reformulado, priorizando alimentos in natura e minimamente processados e o atendimento às necessidades nutricionais desse ciclo da vida.
Introdução: As neoplasias hematológicas, associadas aos tratamentos antineoplásicos, podem desencadear alterações na composição corporal, aumentando o risco de sarcopenia e comprometimento da qualidade de vida. Objetivo: avaliar a associação entre sarcopenia e qualidade de vida em pacientes hospitalizados com neoplasias hematológicas. Método: Estudo transversal, com pacientes adultos e idosos, de ambos os sexos, internados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, no ano de 2024, com diagnóstico de neoplasia hematológica. Foram coletadas variáveis demográficas, clínicas, nutricionais e de qualidade de vida. O diagnóstico de sarcopenia foi estabelecido quando os indivíduos apresentaram circunferência muscular do braço e força de preensão palmar reduzidas. Para avaliar a qualidade de vida foi utilizado o questionário específico para pacientes com câncer, o The Functional Assessment of Cancer Therapy – General, onde quanto maior foi a pontuação, melhor foi a qualidade de vida, sendo o grupo do menor tercil classificado como pior qualidade de vida. Resultados: a amostra foi composta por 35 pacientes, com média de idade 55,0±15,8. A sarcopenia foi encontrada em 28,6% dos indivíduos e a baixa qualidade de vida, por sua vez, foi observada em 34,3% dos pacientes, com mediana de 72,0 pontos. Houve associação no limiar da significância estatística entre a sarcopenia e qualidade de vida (p=0.053). Conclusão: A presença de sarcopenia e a baixa qualidade de vida foram achados importantes, fazendo-se necessário outros estudos, com caráter longitudinal e com amostras maiores para alcançar conclusões mais precisas sobre o papel da sarcopenia na qualidade de vida nessa população. Palavras chaves: sarcopenia; neoplasia; qualidade de vida; estado nutricional.
Objetivo: Descrever o uso de suplementos e o aporte de micronutrientes advindos da alimentação e suplementação de crianças de 6 a 59 meses assistidas em Unidades Básicas de Saúde do SUS no Rio de Janeiro. Métodos: Estudo transversal. Foram coletados dados sobre uso de suplementos e consumo alimentar (recordatório de 24 horas). As análises foram realizadas no software R. Resultados: A prevalência do uso de suplementos foi de 51,0%, sendo 14,1% para suplementos de ferro, 24,6% de vitamina A e 36,2%, de vitamina C. As médias de consumo de micronutrientes oriundos de ambas as fontes (alimentos e suplementos) foram superiores ao Estimated Average Requirement. Houve 45,4% de inadequação em relação às recomendações para o consumo de cálcio. Conclusão: É necessário ampliar políticas de promoção da alimentação adequada e saudável e a cobertura dos programas de suplementação implementados pelo Ministério da Saúde, e desencorajar o uso indiscriminado de suplementos desnecessários.
Introdução: Os Restaurantes Populares (RP) visam garantir o acesso à alimentação nutricionalmente adequada e monetariamente acessível. Os RP são equipamentos de promoção de segurança alimentar e nutricional e, para além da alimentação, também propõem garantir comensalidade, direito à dignidade e cidadania. Assim, o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) se materializa por meio da garantia da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) prevista nesses equipamentos. Na pandemia da Covid-19, foi uma das estratégias em Santos-SP para distribuir refeições para a população mais vulnerabilizada. Objetivo: Este estudo analisa se um RP atua em Santos-SP como equipamento público de promoção do DHAA para a população em situação de rua (PSR). Método: Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa. A construção das informações é produto da análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas realizadas com a PSR e diário de campo, entre outubro e dezembro de 2022. Resultados e Discussão: A maioria dos entrevistados foram homens, com baixa escolaridade e migrantes. O RP foi elogiado pela maioria dos sujeitos, com ressalvas à higiene do banheiro, críticas quanto à quantidade insuficiente de refeições e ao fechamento do serviço aos domingos, o que inviabiliza o acesso à alimentação todos os dias. Conclusão: Observaram-se diferentes percepções quanto à garantia do DHAA e o não reconhecimento do RP como um equipamento público que promove a garantia de direitos, principalmente o DHAA, pela PSR. O estudo aponta a necessidade de ampliar e qualificar o acesso ao DHAA pela PSR, com foco na intersetorialidade e integralidade do cuidado.
Introduction: Restrictive measures during the COVID-19 pandemic directly impacted on the population's eating habits. Objective: To evaluate changes in eating habits, access to food and perceived stress during COVID-19 confinement, reported by patients returning to nutritional outpatient follow-up in a public reference unit in the treatment of infectious diseases in Rio de Janeiro. Methods: Cross-sectional study, with 75 patients over 18 years of age, from July to December 2020. We collected sociodemographic data, eating habits during confinement, and applied validated questionnaires to access healthy and unhealthy food intake markers (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional form), food insecurity (short version of Brazilian Food Insecurity Scale), and Perceived Stress Scale. Statistical Package for Social Sciences (SPSS®) version 16.0 (IBM Corp, Armonk, NY) was used for data analysis. Variables were described as median and interquartile range (IQR), and absolute numbers and frequencies, and association between them was investigated by Pearson’s chi-square test. P values < 0.05 showed statistically significant tests. Institution's Ethics Committee approved the study and all participants signed an informed consent. Results: During confinement, most patients changed their eating habits (68%) and felt that they “used food to cope with stress and anxiety” (53.3%), despite this, healthy food had the highest frequency of consumption. Almost half of participants (46.7%) were in food insecurity situation. The majority (61.9%) were categorized as moderate stress. Food insecurity was more frequent among people with low household income (p=0.004), people living with HIV (p=0.024), people who changed food purchase routine (p=0.008), people with worsening eating habits (p=0.009), and people with moderate/high stress (p=0.004). Conclusions: COVID-19 confinement interfered negatively in patient’s eating habits and perceived stress. Although negative feelings were reported by most patients, and the majority presented moderate stress, healthy food intake markers had the highest frequency of consumption.
Introdução: Em unidades de alimentação e nutrição, o planejamento de cardápios é etapa central para a produção de refeições em contextos produtivos, econômicos e sociais cada vez mais complexos. Neste sentido, o Lean pode ser uma abordagem eficaz para a gestão de cardápios, promovendo eficiência operacional e qualidade, por meio da eliminação de desperdícios nos processos. Objetivo: Analisar o processo de planejamento de cardápios de uma UAN offshore, para propor aprimoramentos a partir da aplicação dos princípios da filosofia Lean. Métodos: Realizou-se estudo de caso descritivo, qualitativo e quantitativo em navio-escola fundeado no Estado do Rio de Janeiro. Analisaram-se as condições estruturais e físico-funcionais da UAN utilizando lista de verificação baseada na legislação sanitária; o planejamento do cardápio e as percepções do trabalho, através de entrevista semiestruturada com o cozinheiro; o fluxo produtivo, por meio do mapeamento do processo; e as preferências alimentares dos tripulantes, através de questionário quali-quantitativo. Resultados: Foram identificados 33% de inconformidades quanto à lista de verificação higiênico-sanitária; longo tempo de processamento dos alimentos; cruzamentos de fluxos e desperdícios; ausência de planejamento de cardápios, com impacto negativo sobre o fluxo operacional e no trabalho do cozinheiro. Conclusão: Na pesquisa com a tripulação, identificou-se uma percepção positiva sobre a alimentação saudável, com preferência por alimentos de suas regiões de origem. Recomenda-se, portanto, a implementação da gestão de cardápios que otimize desde o planejamento à entrega das refeições, com foco na qualidade. A adoção da filosofia Lean é sugerida como um método eficaz para essa melhoria.