
O lazer é um direito social e sua democratização é prejudicada pela desigualdade de acesso e infraestrutura deficiente. Este estudo analisou as condições estruturais dos espaços e equipamentos dos polos do Programa Academia da Saúde em Limoeiro, no estado de Pernambuco. Foi realizada uma pesquisa exploratória, descritiva e analítica, com visitas in loco, utilizando o Instrumento para Avaliação de Estruturas para Atividade Física. Todos os polos oferecem aulas gratuitas, como aulas de danças e ginástica coletiva, e possuem pistas de caminhada. Porém, não possuem banheiros, bebedouros e vestiários. Os polos do Juá e da Cidade Alta têm melhor qualidade estrutural, no entanto, os demais possuem condições medianas ou ruins. Os resultados evidenciam a necessidade de melhoria na infraestrutura dos polos, de modo a garantir condições adequadas para a prática de atividade física e o exercício do direito ao lazer.
O patrimônio cultural relaciona-se à uma memória social e liga passado, presente e futuro. Assim, a valorização da história e cultura local colabora para a constituição da memória coletiva e fortalece o pertencimento. Os objetos de estudo são o Palácio Araguaia, sede do Governo do Estado e o Memorial Luiz Carlos Prestes com o objetivo de analisá-los enquanto patrimônios e seus uso turísticos. A pesquisa é qualitativa e exploratória utilizando as categorias de Drummond (2004) para avaliar os fatores críticos que influenciam a visitação a patrimônios e a análise dos dados fundamentada em Geertz (2017). Os resultados confirmam a importância dos bens enquanto patrimônio cultural e sua relevância enquanto atrativo turístico, dada a relevância histórica. Contudo necessitam de ações de conservação física e aperfeiçoamento das técnicas de interpretação do acervo para aproximar a comunidade e fomentar o turismo.
O filme brasileiro lançado em 2024 "Ainda estou aqui", dirigido por Walter Salles, se tornou foco de comentários na mídia nacional e internacional. Talvez nunca antes tivesse tido tanta visibilidade uma obra cinematográfica brasileira. Os objetivos deste artigo é analisar o por quê dessa ampla repercussão do filme e identificar qual a mensagem central do filme à luz da filosofia da linguagem e dos estudos do lazer. Trata-se de pesquisa exploratória, de natureza qualitativa, inspirada na descrição densa como forma de análise e em diálogo com autores da filosofia da linguagem e do lazer. O filme tem como forma e conteúdo uma mensagem contemporânea que mobiliza sentidos e emoções no espectador e isso faz com que gere um interesse tanto nacional como internacional. A obra apresenta como mensagem central que as relações humanas e o conteúdo social do lazer são fundamentais para a vida em sociedade.
O cenário pandêmico mostrou a produção e a incorporação de outras maneiras e novos hábitos de comunicação e de interação nos espaços das academias de ginástica. Nesse contexto, desenvolvemos uma etnografia em diferentes grupos de práticas corporais, numa academia de ginástica da cidade de Porto Alegre/RS. A imersão etnográfica ocorreu entre junho de 2020 e agosto de 2022. Após a possibilidade de reabertura, a academia de ginástica precisou ser, primeiramente, um lugar seguro, mas isso significou transitar, emocionalmente, entre ‘a segurança em risco’ e o ‘risco da segurança’. Portanto, o objetivo do estudo foi compreender como as pessoas produziram suas relações nesse universo, levando em consideração a busca por um lugar de cuidado e de acolhimento. As práticas em meio a uma pandemia foram vividas a partir de duas lógicas: ‘do cuidado e do relaxamento’, ambas importantes para sustentar a academia como um lugar seguro.
A proposta desta capa parte do entendimento do esporte e do lazer como direitos que atravessam corpos, trajetórias e diferentes formas de existência. Ao trazer Tifanny Abreu, primeira atleta trans a atuar na Superliga feminina brasileira, para o centro da composição visual, a imagem não busca produzir consenso, nem responder de forma definitiva aos debates atuais sobre a participação de pessoas trans no esporte de alto rendimento. O objetivo é registrar uma discussão pública que mobiliza instituições esportivas, universidades, movimentos sociais e diferentes campos do conhecimento. A escolha estética dialoga com a ideia de presença, pessoas trans em espaços historicamente regulados por normas rígidas de gênero, no esporte profissional, no lazer, na universidade e na produção científica. Nesse sentido, a imagem afirma o direito à participação como dimensão fundamental da vida social. Como publicação vinculada à UFMG, a revista Licere também se insere em um contexto institucional marcado por debates sobre acesso, permanência e reconhecimento. A aprovação da reserva de vagas para pessoas trans na graduação e na pós-graduação da universidade evidencia que a discussão sobre participação social não se restringe ao esporte, ela atravessa igualmente os espaços de formação, convivência e produção do conhecimento. Pensar o lazer, nesse contexto, implica discutir circulação, permanência e direito à existência nos diferentes espaços sociais. A discussão sobre pessoas trans no esporte não pode ser reduzida ao rendimento. Ela envolve experiências de pertencimento, circulação e possibilidade de existência pública sem exclusão. Falar sobre lazer, nesse contexto, significa discutir acesso ao corpo, ao cuidado e às práticas culturais e esportivas. A capa propõe um posicionamento em defesa da participação de pessoas trans, mulheres e homens, nos diferentes espaços sociais e esportivos, reconhecendo que o debate institucional permanece em disputa em diferentes países e organizações esportivas. Ao mesmo tempo, entende que nenhuma regulamentação esportiva deve desconsiderar as pessoas envolvidas. Visualmente, a composição busca construir uma imagem direta, sem recorrer à caricatura ou ao excesso simbólico. A escolha cromática, aliada à centralidade da figura retratada, reforça a dimensão pública do debate e a legitimidade da presença trans no esporte contemporâneo. Mais do que ilustrar uma pauta, esta capa acompanha uma reflexão sobre acesso, participação e direito ao lazer diante das experiências sociais, corporais e identitárias que atravessam o esporte contemporâneo.