
Introdução: A displasia broncopulmonar (DBP) é fator de risco precoce para alterações no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e sua gravidade predispõe a déficits funcionais, comportamentais, sensoriais e nutricionais no desenvolvimento pôndero-estatural no recém-nascido (RN) acometido. O General Movements Assessment (GMA) é uma avaliação para identificar precocemente os movimentos gerais anormais de RNs, com alta sensibilidade e especificidade para alterações no neurodesenvolvimento. Sendo assim, a identificação precoce dessas alterações permite intervenções antecipadas, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida de neonatos em cuidados intensivos. Além disso, possibilita o planejamento de ações nos três níveis de atenção à saúde, promovendo prevenção, proteção e recuperação dessas condições. Objetivo: Analisar a qualidade da movimentação espontânea de recém-nascidos (RNs) com displasia broncopulmonar (DBP), em comparação aos RNs sem esse diagnóstico. Material e Métodos: Foi realizado um estudo caso-controle, observacional, com usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo casos os RNs com DBP, internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Foram incluídos RNs prematuros avaliados pelo GMA e excluídos os RNs que apresentaram patologias osteoarticulares ou malformações congênitas do Sistema Nervoso Central (SNC) e aqueles que estavam em uso de drogas vasoativas e depressores do SNC no momento da avaliação. Os dados foram analisados por estatística descritiva e para verificar a associação entre os movimentos gerais e a DBP foram utilizados o teste Qui-Quadrado ou teste exato de Fisher e regressão logística binária (α = 0,05). Resultados: Dos 225 prematuros, 76 (33,8%) compuseram o grupo caso e 149 (66,2%) o grupo controle. A DBP e idade gestacional (IG) menor ou igual a 32 semanas aumentaram em 9,12 e 8,80 vezes, respectivamente, a chance de alterações na movimentação espontânea. Conclusão: A DBP esteve associada a maior chance de alterações dos movimentos gerais nos períodos “preterm” e “wrinthing movements”, sem permitir estabelecer uma relação causal.
Introdução: A Doença Renal Aguda (DRA) apresenta-se como uma complicação frequente e determinante de desfechos desfavoráveis em pacientes críticos. Objetivo: Avaliar o perfil clínico e farmacoterapêutico e os desfechos de pacientes críticos com DRA. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e analítico. Foram coletados dados clínicos e farmacoterapêuticos de pacientes com DRA internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no período de janeiro de 2024 a abril de 2025, sendo considerado o óbito como desfecho principal. Resultados: Foram incluídos 114 pacientes, correspondendo a uma incidência de DRA de 13,0%. A maioria eram do sexo masculino (71,0%), com idade média geral de 54,0 ± 18,0 anos. O óbito ocorreu em 52,0% dos pacientes, enquanto 36,0% recuperaram a função renal durante a internação e 12,0% receberam alta da UTI ainda com disfunção renal. Pacientes com maior gravidade clínica inicial apresentaram evolução desfavorável, com óbito mais precoce, enquanto os sobreviventes permaneceram mais tempo na UTI. Alterações como níveis elevados de sódio sérico, presença de choque circulatório e ocorrência de acidente vascular cerebral foram mais frequentes entre os pacientes que evoluíram a óbito. A presença de medicamentos potencialmente nefrotóxicos ocorreu em 90,0% dos casos, e a polifarmácia excessiva em 44,7% dos pacientes, com predomínio de antibacterianos, fármacos cardiovasculares e medicamentos para distúrbios ácido-relacionados. Conclusão: A DRA foi frequente e associada a elevada mortalidade na UTI, principalmente relacionada à gravidade clínica e a fatores fisiopatológicos sistêmicos, reforçando a importância do monitoramento rigoroso e da avaliação criteriosa da farmacoterapia em pacientes críticos.
Introdução: A formação inicial em Educação Física ainda carece de alinhamento com as demandas da saúde pública, especialmente no contexto hospitalar, mesmo já reconhecida como área de atuação no Sistema Único de Saúde. Objetivo: O estudo objetiva compreender como estagiários-egressos percebem o papel do Profissional de Educação Física (PEF) em hospitais e o impacto dessa experiência na graduação em Educação Física. Material e Métodos: Trata-se de um estudo de abordagem mista (qualitativa descritiva com apoio quantitativo). Os dados foram coletados por meio de questionário online aplicado a 29 estagiários-egressos. A amostra foi composta majoritariamente por indivíduos do sexo masculino. A análise quantitativa foi realizada por estatística descritiva utilizando o software SPSS (versão 22), enquanto os dados qualitativos foram analisados por meio de análise de conteúdo temática. Resultados: Os dados indicaram que 89,7% dos participantes só conheceram a possibilidade de atuação hospitalar do PEF durante o estágio. Observou-se, ainda, que muitos desconheciam previamente o papel do profissional de Educação Física no ambiente hospitalar. Discussão: A falta de conhecimento prévio sobre a atuação do PEF em hospitais reflete limitações na formação acadêmica e na integração curricular com as demandas do SUS. Desafios persistem como a visão fragmentada da atuação profissional e a predominância de práticas tradicionais e hegemonia do pensamento biomédico. O estudo destaca, ainda, a necessidade de currículos interprofissionais para preparar futuros profissionais para trabalhar em equipes. Conclusão: O estágio supervisionado é uma ferramenta essencial para aproximar os estudantes das reais demandas da saúde pública e preparar profissionais mais alinhados aos princípios do SUS. Reformulações curriculares são necessárias para integrar melhor a Educação Física ao contexto hospitalar e promover uma prática mais interdisciplinar, interprofissional e centrada no cuidado integral.
Introdução: A prevalência da obesidade tem aumentado de forma acelerada em todas as faixas etárias e regiões do mundo, representando um dos maiores desafios contemporâneos para os sistemas de saúde e para a sustentabilidade econômica global. Objetivo: Analisar as hospitalizações e os custos relacionados à obesidade no Espírito Santo, no período de 2010 a 2024. Material e Métodos: Estudo descritivo, ecológico, de séries temporais, baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Foram incluídas hospitalizações com diagnóstico principal de obesidade (CID-10 E66 e subcategorias). As variáveis analisadas incluíram perfil sociodemográfico, causas de internação, taxas de hospitalização e custos. A tendência temporal foi avaliada por regressão de Prais-Winsten. Resultados: No período analisado, registraram-se 9.239 hospitalizações por obesidade, com idade média de 41,17 anos, predominância do sexo feminino (88,41%) e da raça amarela (39,87%). A principal causa de internação foi obesidade devida ao excesso de calorias (69,93%). Observou-se tendência crescente das hospitalizações (β1 = 46,68; p = 0,009), passando de 201 internações em 2010 para 1.016 em 2023. Os custos também apresentaram crescimento significativo (β1 = 301.672; p = 0,002), variando de R$ 969.586,00 em 2010 para R$ 5.976.277,00 em 2023. Em 2020, houve queda nos indicadores, seguida de retomada nos anos subsequentes. Conclusão: As hospitalizações e os custos por obesidade apresentaram tendência ascendente, reforçando a relevância da obesidade como problema de saúde pública e econômico. Os achados destacam a necessidade de políticas intersetoriais de prevenção e controle, visando reduzir o impacto clínico e financeiro dessa condição.
Introdução: A endometriose caracteriza-se como uma doença inflamatória estrogênio-dependente, afetando globalmente 190 milhões de pessoas. Essa condição acomete principalmente órgãos da região pélvica, promovendo impactos sociais, econômicos e de saúde pública. Sua fisiopatologia está relacionada a alterações imunológicas, estresse oxidativo e possível influência da microbiota intestinal. Objetivo: Revisar a literatura acerca da influência de padrões alimentares saudáveis na melhora dos sintomas clínicos da endometriose. Material e Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa em conformidade com as recomendações do PRISMA e a estratégia PICOS. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, LILACS e Web of Science. Foram incluídos estudos nos idiomas português, inglês e espanhol, com texto completo disponível gratuitamente, publicados entre 2020 e 2025, limitando-se estudos em humanos. Excluíram-se estudos de revisão, dissertações, teses e trabalhos que não apresentaram consonância com a pergunta norteadora. Não foram realizadas análises estatísticas. Resultados: Dentre os 209 registros, foram incluídos 6 estudos. A amostra foi composta por 280 mulheres com endometriose, com média de idade variando entre 27 e 39,1 anos. Identificaram-se três artigos sobre dieta pobre em FODMAPs e três sobre dietas específicas, incluindo a mediterrânea, a com baixo teor de níquel e a cetogênica modificada com TCM. De forma geral, os estudos demonstraram que ajustes alimentares adequados podem atuar como coadjuvantes ao tratamento convencional, promovendo redução significativa da dor pélvica, dispareunia, disquesia, disúria e desconfortos gastrointestinais, além de melhorias na qualidade de vida. Dietas com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes mostraram-se eficazes por colaborarem com a regulação da resposta imunológica e redução do estresse oxidativo, fatores associados à fisiopatologia da doença. Conclusão: Dessa forma, a adoção de padrões alimentares equilibrados e individualizados constitui uma estratégia promissora no manejo clínico da endometriose, ressaltando-se a necessidade de novos estudos para consolidar essas evidências e subsidiar práticas nutricionais baseadas em evidências científicas.
Introduction: Acute myocardial infarction (AMI) in young adults is a growing public health problem, due to its functional and socioeconomic impact on this population. Among the risk factors, metabolic syndrome (MS) stands out for its association with a higher incidence and worse prognosis of AMI. Objective: The objective of this systematic review with meta-analysis was to investigate the relationship between MS and AMI in adults and young adults. Methods: The search was conducted in the PubMed, Embase, Scopus, SciELO and Web of Science databases, without language or period restrictions. Observational studies that evaluated individuals ≥ 18 years old, with an emphasis on the age range between 18 and 50 years, diagnosed with AMI and MS according to NCEP ATP III, IDF, or WHO criteria, were included. Article selection and data extraction were performed using the Rayyan QCRI platform, the risk of bias was assessed using the ROBINS-I tool, and statistical analyses were conducted using RStudio 2023.12.0. Results: Fifteen studies met the criteria, totalling 3,339 patients with AMI. The association meta-analysis demonstrated that the presence of metabolic syndrome (MS) was associated with an almost four times greater risk of AMI in young individuals (OR = 3.96; 95% CI: 1.98–7.93), with substantial heterogeneity (I² = 68%). The prevalence of MS in myocardial infarction patients was 54% (95% CI: 49–59) according to the NCEP ATP III criteria, and 58% (95% CI: 49–67) according to the IDF. Conclusion: Despite the heterogeneity among the studies, the findings reinforce the strong association between metabolic syndrome and AMI in young adults, highlighting its high prevalence in this population, and may support the development of more effective strategies and public policies to reduce cases of AMI.
Introduction: Critically ill patients present clinical and metabolic changes, and enteral nutrition therapy is an integral part of treatment, with formulations of diverse compositions available on the market. Objective: To analyze the nutritional composition of closed-system enteral nutrition formulations available for use in Brazilian Intensive Care Units. Methods: This is a cross-sectional, observational, and descriptive study. We performed a composition analysis of labels/portfolios of enteral nutrition in a closed system from the three main brands supplying to Brazil, to obtain data such as the quantity and source of macronutrients, and compliance to international and national recommendations about the quantity of micronutrients. Pearson correlation, ANOVA and Kruskal-Wallis were conducted with SPSS software version 23.0. Results: Forty-two enteral nutrition formulations were analyzed. All samples provided micronutrient levels recommended by Brazilian legislation, except for vitamin D. Maltodextrin was the main carbohydrate source, and glucose syrup was present in five samples. Fiber was present in 57%, with a predominance of soluble fibers. Calcium caseinate was the main protein source, and only 21.4% of the samples had a blend of animal and plant-based proteins. Sunflower and canola oils were the main lipid sources, and 61.9% of the formulations contained fish oil. Conclusion: Enteral nutrition composition can influence gastrointestinal tolerance, immune and inflammatory response, the prevention of malnutrition and ICU-acquired weakness.
Introdução: Os exercícios terapêuticos em grupo são amplamente utilizados na Atenção Primária à Saúde (APS), no entanto, permanecem lacunas quanto à sua efetividade na prática clínica. Objetivo: Investigar os efeitos de um programa de exercícios terapêuticos em grupo, com duração de 8 semanas, sobre testes funcionais, dor e força de preensão manual (FPM) em usuários assistidos por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Material e Métodos: Estudo quase experimental, com amostra por conveniência. Foram realizadas avaliações pré e pós intervenção sobre a capacidade funcional por meio dos testes Timed Up and Go (TUG), teste de sentar e levantar de 30 segundos (TSL) e teste de Caminhada de 6 minutos (TC6), dor (Escala Numérica de Dor - END) e FPM (Dinamômetro hidráulico Saehan®). A comparação antes e pós-intervenção foi realizada através do teste t de Student pareado para variáveis paramétricas e do teste de Wilcoxon para não paramétricas, utilizando o software SPSS 22.0, adotando-se nível de significância de p ≤ 0,05. Adicionalmente, foi realizada análise estratificada por sexo (TUG, TSL e FPM). Resultados: Participaram 25 indivíduos (16 mulheres e 9 homens), com média de idade de 67,28 ± 9,51 anos. Houve melhora no TSL (10,52 ± 2,52 para 11,90 ± 2,80 segundos; p=0,001; d=0,74) e no TUG (9,77 ± 3,07 para 8,44 ± 2,20 segundos; p=0,002; d=0,68), além de redução da dor nos membros inferiores (END: 1 [0–5] para 0 [0–1]; p=0,014; d=0,84). Não foram observadas diferenças significativas para FPM (direita: p=0,97; esquerda: p=0,10) e TC6 (410 [351–477] para 405 [374–480] metros; p=0,70). Conclusão: O programa de exercícios em grupo por 8 semanas, na APS, apresentou melhora da capacidade funcional e redução da dor nos membros inferiores, sem impacto na capacidade aeróbica e na FPM.
Introdução: A Cannabis sativa contém diversos canabinoides, especialmente THC e CBD, que apresentam potencial farmacológico. A esclerose múltipla caracteriza-se por desmielinização associada à ativação anômala de linfócitos T CD4⁺/CD8⁺, produção de autoanticorpos por linfócitos B e falhas na regulação das células T reguladoras, resultando em inflamação e dano neuronal. Apesar dos avanços terapêuticos, persistem limitações, tornando os canabinoides uma alternativa promissora. Objetivo: Avaliar os efeitos do uso de canabinoides no perfil secretório de citocinas na esclerose múltipla. Material e Métodos: Revisão sistemática e meta-análise conduzida segundo PRISMA, abrangendo ensaios clínicos, coortes e caso-controle publicados até setembro de 2025, nas bases de dados PubMed, Cochrane e Scielo. A seleção e avaliação dos artigos foram realizadas por pesquisadores independentes, utilizando ferramentas para avaliação de risco de viés. A meta-análise utilizou RevMan 4.2.2 e o pacote meta. Calculou-se diferenças com IC 95% e a heterogeneidade foi avaliada pelo teste I². Resultados: A revisão sistemática incluiu sete artigos. Desses, três estavam aptos à meta-análise. Nos grupos de indivíduos portadores de esclerose múltipla que faziam uso de canabinoides, houve uma elevação significativa da IL-17 (-1,09; IC 0,88–1,29), aumento global do TNF-α (22,61; IC 21,09–24,13), elevação dos níveis de IL-12 (41,36; IC 38,24–44,49) e pouco efeito estatístico para o IFN-γ (−0,01; IC −0,04–0,01). Conclusão: Embora o uso de canabinoides tenha alterado o padrão secretório de citocinas inflamatórias, os resultados devem ser interpretados com cautela devido à elevada heterogeneidade entre os estudos e a escassez de padronização dos compostos e das doses. Apesar do benefício clínico descrito para dor e espasticidade, os seus efeitos imunomoduladores da cannabis medicinal na autoimunidade permanecem inconclusivos.
Introduction: Cystic fibrosis (CF) is a chronic genetic disease with multisystemic impact, primarily respiratory, which can compromise functioning in children and adolescents. The Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (PEDI-CAT) is a functional tool based on the International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF), with potential to assess multiple domains of functioning. Objective: To evaluate the relationship between functioning, clinical severity, and respiratory impairment in children and adolescents with CF. Material and Methods: A cross-sectional observational study was conducted with 26 participants aged 6 to 21 years with a confirmed diagnosis of CF. Anthropometric and spirometry characteristics (forced expiratory volume – FEV1), functional capacity (Six-Minute Walk Test – 6MWT), Shwachman-Kulczycki score, and functioning (PEDI-CAT) were assessed. Correlations were analyzed using Pearson’s coefficient, and group comparisons by t-test. Results: All PEDI-CAT domains showed a positive and moderate correlation with FEV1 (r = 0.46–0.57; p < 0.05), and the mobility domain was positively and moderately correlated with clinical severity (r = 0.48; p = 0.01). No significant correlations were observed between PEDI-CAT domains and the 6MWT. Children with greater respiratory obstruction presented higher scores in the responsibility domain of the PEDI-CAT (p < 0.05). Conclusion: Functioning, as measured by the PEDI-CAT, is related to clinical and respiratory severity in CF. The instrument proved to be sensitive in discriminating functional differences, particularly in the responsibility domain
Introduction: Sudden infant death syndrome (SIDS) is defined as the unexpected death of an infant under one year of age with no clear cause, typically occurring during sleep, and associated with various environmental risk factors. International recommendations for SIDS prevention include avoiding drug use, but the specific role of cocaine in increasing the risk of the syndrome is not well established. This is a systematic review of the literature on the association between parental cocaine use and the occurrence of SIDS. Objective: To conduct a systematic review of the literature on the association between parental cocaine use and the occurrence of SIDS. Material and Methods: The databases searched included PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus, Web of Science, and LILACS, from their inception to December 2024. Study selection was conducted independently by two researchers, and disagreements were resolved by a third author. This review was registered in PROSPERO (CRD42024591448). Results: Eleven studies were included, all conducted in developed countries. A statistical analysis specifically correlating SIDS with cocaine use was available in seven studies, and in four of them, the results suggested an association between exposure and outcome. However, there were limitations related to the lack of data on the frequency, route, and intensity of drug use, with variation among studies in how this exposure was assessed. Conclusion: The studies analyzed in this systematic review suggest a possible association between cocaine use and the risk of SIDS. However, further research is needed to explore mechanisms related to maternal and paternal drug use during pregnancy and the postpartum period in order to establish a more accurate correlation with SIDS.
Introdução: A Doença Renal Crônica e o tratamento hemodialítico impõem limitações significativas aos pacientes. O tratamento frequente e prolongado, muitas vezes necessário para manutenção da vida nos pacientes renais crônicos em estágio avançado, interfere nas atividades cotidianas, no trabalho, na autonomia e nas interações sociais, podendo acarretar diversos impactos para a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares. Nesse contexto, as estratégias de humanização desempenham um papel crucial na mitigação desses impactos. Objetivo: O presente relato de experiência visa descrever e apresentar as estratégias de humanização utilizadas pelo ambulatório de hemodiálise de um hospital universitário. Relato de Experiência: Trata-se de um relato desenvolvido a partir da experiência de duas psicólogas no ambulatório de hemodiálise de um hospital universitário federal localizado na região Sudeste do Brasil, com a descrição de atividades realizadas. As ações envolveram pacientes em tratamento hemodialítico, seus familiares e a equipe multiprofissional do serviço, sendo planejadas e executadas a partir das demandas identificadas no cotidiano assistencial. As estratégias implementadas incluíram a realização de eventos comemorativos, atividades lúdicas durante as sessões de hemodiálise, grupos de apoio para familiares e ações de educação em saúde, com foco na promoção do bem-estar, no fortalecimento de vínculos e na ampliação da autonomia dos usuários. Conclusão: As atividades foram capazes de incentivar a autonomia dos usuários em seu próprio cuidado, fortalecer a criação de vínculos e promover ambientes mais acolhedores em meio ao adoecimento e tratamento hemodialítico. Como principais lições, a experiência demonstra que práticas de humanização simples, de baixo custo e adaptáveis ao contexto institucional podem qualificar o cuidado, sendo passíveis de replicação em outros serviços, desde que haja adaptação ao contexto, escuta, sensibilidade às demandas e engajamento da equipe.
Objetivo: Identificar os aspectos que dificultam o acesso ao diagnóstico da tuberculose sob a ótica da pessoa acometida, na perspectiva de contribuir para a melhoria nas ações de controle da doença. Material e Métodos: Estudo transversal, de cunho avaliativo, constituído por 105 pessoas com tuberculose que realizavam as consultas de controle na Atenção Primária à Saúde e no Serviço de Referência Especializado de um município prioritário mineiro. Utilizou-se o instrumento PCATool-Tuberculose na versão dos doentes para a coleta dos dados e o resultado foi analisado no software R pela estatística descritiva de cada uma das variáveis referentes ao componente “acesso ao diagnóstico” do questionário. Resultados: O acesso ao diagnóstico apresenta fragilidades que se relacionam com questões do sistema de saúde e da pessoa acometida pela tuberculose, com o primeiro acesso e diagnóstico ocorrendo nos serviços de saúde de alta complexidade tecnológica, busca tardia para os cuidados com a saúde na percepção do adoecimento, dificuldades de identificação precoce dos sintomáticos respiratórios pelos profissionais de saúde, assim como sucessivas visitas aos serviços para conseguir atendimento e diagnosticar a doença. Conclusão: O acesso ao diagnóstico da tuberculose é influenciado não apenas por fatores organizacionais do sistema de saúde, mas também por determinantes individuais e sociais relacionados ao adoecimento. Esses aspectos revelam vulnerabilidades nos serviços de atenção à tuberculose, comprometendo o controle da doença. Diante disso, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde mostra-se essencial para enfrentar tais fragilidades e minimizar os impactos das desigualdades sociais sobre o cuidado ao doente. te.
Introdução: O Programa Nacional de Gestão de Custos foi instituído pelo Ministério da Saúde, para impulsionar a administração de custos no setor público de saúde, utilizando a metodologia de custeio por absorção. Apesar de ser uma ferramenta gratuita, das 41 unidades hospitalares da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), somente 11 haviam formalizado sua adesão até agosto de 2022. Objetivo: Este estudo buscou examinar os fatores que exercem influência na adesão ao PNGC nos hospitais da rede EBSERH. Material e Métodos: Trata-se de um estudo de campo, descritivo e exploratório, com abordagem quantitativa e qualitativa (análise de conteúdo), utilizando as respostas fornecidas por 33 dos 38 chefes dos setores de contabilidade da EBSERH. A coleta de informações foi feita através do Microsoft Forms, sendo o instrumento disponibilizado entre 11 de setembro e 13 de outubro de 2023. Resultados: 87,9% dos participantes são chefes titulares do SCONT, 81,8% possuem mais de um ano de experiência na função, e 75,8% têm a especialização como sua mais alta titulação. 42,42% declararam que a unidade hospitalar a que pertencem aderiu espontaneamente ao PNGC, enquanto 57,58% reportaram a não adesão voluntária. As principais barreiras mencionadas durante a adesão voluntária foram ligadas à ausência de dados confiáveis e precisos, à necessidade de aporte de recursos operacionais e financeiros, a questões inerentes ao Sistema de Apuração e Gestão de Custos do SUS (ApuraSUS) e ao PNGC, e à resistência às mudanças organizacionais. Os avanços reportados após a adesão ao PNGC incluem a melhoria na qualidade dos serviços prestados, o aumento da eficiência operacional, a tomada de decisão fundamentada em dados e a estabilidade financeira do hospital. Conclusão: Para que a adesão ao PNGC seja incentivada, são propostas medidas que englobam a comunicação e capacitação, aprimoramento da ferramenta, concessão de incentivos e premiações e a institucionalização do PNGC.
Introdução: O glaucoma é uma doença ocular que, quando não identificada e tratada corretamente, pode levar à perda progressiva da visão. Embora seja mais comum em adultos, o glaucoma pediátrico possui características clínicas e epidemiológicas próprias, o que dificulta seu diagnóstico e manejo precoce. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico de pacientes pediátricos (0 a 14 anos) internados por glaucoma no Brasil entre 2014 e 2024. Material e Métodos: Estudo ecológico e descritivo com dados secundários obtidos do DATASUS, analisando variáveis como faixa etária, região, sexo, raça, tempo médio de internação e óbitos. Resultados: Foram registradas 959 internações, das quais, 31,9% ocorreram em crianças entre 1 e 4 anos; 49,5% em indivíduos brancos; e 55% no sexo masculino. A região Sudeste concentrou a maioria das internações registradas (55,47%); seguida pela região Sul (19%); Centro-Oeste (15%); Nordeste (8%); e Norte (2,6%). Os maiores registros ocorreram em 2016, e a média de permanência em ambiente hospitalar foi de 1,6 dias. Não houve registros de óbitos por glaucoma no período analisado. Conclusão: Os dados destacam a importância do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso a serviços especializados na redução de internações por glaucoma pediátrico no país.
Introduction: Li-Fraumeni syndrome is a rare, autosomal dominant disease, first described in the 1960s. Characterized by mutations in the p53 tumour protein gene, making the carrier more prone to developing neoplasms. It most often affects young women and the most prevalent neoplasms are breast cancer (most frequent), adrenocortical carcinoma (prevalent in children under 5), Central Nervous System (CNS) tumors, soft tissue sarcomas, osteosarcomas and leukemias. It has well-established diagnostic criteria in the medical literature and its diagnosis is confirmed by genetic mapping. Objective: To describe the case of a patient with Li-Fraumeni syndrome. Case Report: This is a case of a 33-year-old woman, diagnosed with bilateral breast carcinoma during an infertility investigation, who underwent bilateral mastectomy and adjuvant chemotherapy followed by hormone therapy. After two years, the patient had to give birth early due to a recent diagnosis of colorectal carcinoma. She was referred to a referral center for further investigation, where she was also diagnosed with lung carcinoma and melanoma in situ skin cancer. Genetic mapping was carried out and a diagnosis of Li-Fraumeni syndrome was made. Conclusion: Li-Fraumeni syndrome is a rare clinical and molecular condition that needs to be disseminated among health professionals for better management.
Introdução: A redução da capacidade funcional, nível de atividade física e sedentarismo em pacientes em hemodiálise podem estar relacionados a eventos cardiovasculares, hospitalizações e mortalidade. Objetivo: Avaliar a associação entre força de preensão manual, velocidade de marcha, nível de atividade física e qualidade de vida de pacientes em hemodiálise com mortalidade e hospitalização em um intervalo de 24 meses. Material e Métodos: Estudo longitudinal prospectivo em que 124 pacientes com DRC (59,1 ± 13,5 anos, 59,7% do sexo masculino) de dois centros de diálise foram acompanhados por 24 meses. No período basal do estudo, dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais foram coletados, juntamente com avaliações de força de preensão manual, velocidade de marcha, nível de atividade física e qualidade de vida (Item Short-Form Health Survey-SF-36). Para avaliação dos desfechos “hospitalização” e “mortalidade”, foi realizado acompanhamento mensal presencial. As associações entre a força de preensão palmar, velocidade de marcha, nível de atividade física e a qualidade de vida com a hospitalização e a mortalidade foram testadas utilizando a análise de regressão logística e regressão de Cox. Resultados: As incidências de hospitalização e mortalidade foram 36,3% e 12,9%, respectivamente. Na análise univariada foi observado que o menor nível de atividade física foi associado à hospitalização (OR= 0,95; IC95%: 0,91 - 0,99; p= 0,045), e a menor velocidade de marcha (HR= 0,14; IC95%: 0,03 - 0,58; p= 0,007), força de preensão palmar (HR= 0,94; IC95%: 0,89 - 0,99; p= 0,043) e pontuação na dimensão dor do SF-36 (HR= 1,02; IC95%: 1,00 - 1,04; p= 0,044) foram associados à mortalidade. Entretanto, na análise multivariada apenas o escore máximo de atividade física foi significativamente associado ao risco de hospitalização (OR= 0,95; IC95%: 0,91 - 0,99; p= 0,045). Conclusão: O nível de atividade física foi associado ao risco de hospitalização nos pacientes em hemodiálise.
Introdução: As doenças inflamatórias intestinais (DII) são condições crônicas que afetam o trato gastrointestinal, caracterizadas por etiologia multifatorial, envolvendo predisposição genética, disfunção imunológica, alterações na microbiota intestinal e influências ambientais. A incidência global das DII tem aumentado, embora os tratamentos atuais busquem suprimir a inflamação, não há cura definitiva, e os medicamentos disponíveis frequentemente apresentam limitações e efeitos adversos. Nesse contexto, a inclusão do exercício físico como coadjuvante ao tratamento convencional surge como abordagem promissora. Objetivo: Reunir evidências sobre a influência dos exercícios físicos nos desfechos clínicos e na qualidade de vida de pacientes com DII. Material e Métodos: Revisão Sistemática sobre o impacto dos exercícios físicos nos desfechos das DII, conduzida por meio da metodologia PRISMA, abrangendo estudos publicados até novembro de 2024 em diversas bases de dados. A seleção e avaliação dos artigos foram realizadas por pesquisadores independentes, utilizando ferramentas para avaliação de risco de viés. Foram incluídos ensaios clínicos e estudos observacionais que se enquadram no objetivo proposto. Divergências foram resolvidas por consenso ou pela intervenção de um terceiro revisor. Resultados: Foram analisados oito artigos que atenderam aos critérios de seleção do estudo. Entre os desfechos analisados, foram apontados redução dos sintomas, melhora da inflamação e da atividade da doença, benefícios quanto ao bem-estar e qualidade de vida, além da viabilidade e segurança da prática desses exercícios em pacientes com DII. Conclusão: A prática regular de atividade física não intensa impacta positivamente os desfechos clínicos, com enfoque no nível de atividade da doença e a qualidade de vida de pacientes com DII. Em geral, os exercícios aprimoram a autopercepção de saúde, embora seja necessário esclarecer se isso ocorre por mecanismos diretos ou por benefícios secundários. Pode ser recomendada a prescrição de atividade física para esses pacientes, como uma estratégia complementar no manejo das DII.
Introdução: A Síndrome de Prader-Willi (SPW), um distúrbio genético raro, é a principal causa de obesidade genética, acarretando alterações neurológicas, hormonais e alimentares desde o período pré-natal. A nutrição é um elemento chave desde a infância, tendo em vista que a síndrome evolui em fases alimentares distintas, desde desnutrição com possível necessidade de via alternativa de alimentação a hiperfagia e obesidade severa. Objetivo: Este relato tem como objetivo apresentar o manejo nutricional de um lactente com SPW durante internação hospitalar prolongada. Relato de Caso: O paciente foi admitido no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG apresentando hipotonia generalizada, sucção ineficaz e classificado como pequeno para a idade gestacional. Diante do exposto, instituiu-se via alternativa de alimentação, com acompanhamento nutricional diário. As condutas para melhora do estado nutricional foram adotadas considerando as condições clínicas, a tolerância gastrointestinal e a aceitação individual. Após 88 dias de internação, o paciente apresentou, na alta hospitalar, ganho de 3,320kg e crescimento de 10,7cm, alcançando eutrofia em todos os indicadores antropométricos avaliados. Recebeu alta com alimentação exclusivamente por via oral, em uso de fórmula infantil adequada para a faixa etária. Discussão: Recém-nascidos com SPW apresentam parâmetros antropométricos reduzidos, incluindo peso ao nascer, estatura e índice de massa corpórea, com valores aproximadamente 15% inferiores. O atraso no desenvolvimento reforça a relevância do diagnóstico precoce, do acompanhamento nutricional contínuo e da atuação integrada da equipe multiprofissional para otimizar o prognóstico desses indivíduos. Conclusão: Este relato de caso evidencia a importância do acompanhamento nutricional precoce e individualizado em lactentes com SPW, demonstrando seu potencial na prevenção de complicações, adequação da antropometria e promoção de ingestão alimentar adequada.
Introdução: O exercício aeróbico (EA) é um pilar no tratamento de pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). A intensidade adequada é necessária para o resultado assertivo e seguro. Devido ao acesso limitado ao teste ergométrico (TE) máximo para avaliação direta da frequência cardíaca máxima (FCmáx), fórmulas de predição da FCmáx podem ser alternativas para a prescrição. Objetivo: Comparar a FCmáx no TE e nas fórmulas de predição bem como a intensidade do EA prescrita por ambos. Material e Métodos: Foram incluídos indivíduos com DM2, idade> 18 anos, de ambos os sexos. A FCmáx foi obtida por meio de TE máximo em esteira e por meio das fórmulas (220- idade) e Tanaka (208-0,7 x idade). A prescrição da intensidade moderada do EA foi realizada a partir da %FCmáx e %FC reserva. Foi realizada a análise de variância (Anova) com post hoc de Tukey e o coeficiente de correlação de Pearson. Resultados: Foram incluídos 17 participantes, 52±10 anos, 52,9% do sexo feminino. A FCmáx prevista pelas fórmulas foi maior do que a obtida pelo TE (220- idade= 168±10; Tanaka= 171±7; TE= 153±19 bpm; p< 0,05). Não houve diferença entre as fórmulas. Houve correlação moderada entre a FCmáx TE e as fórmulas (220-idade r= 0,38; Tanaka r= 0,39). A prescrição do EA realizada pela FCmáx obtida no TE apresenta valores inferiores aos apresentados por ambas as fórmulas. Conclusão: A FCmáx predita pelas fórmulas é maior que a FCmáx do TE. A prescrição da intensidade do EA de moderada intensidade com uso de fórmulas superestima os valores de FC em comparação ao TE.