
Introduction As part of a second study within a broader research project grounded in the Elaboration Likelihood Model, this qualitative study explored how young adults navigate, assess, and use sexual- and mental-health information encountered on social media, examining the perceived impacts on behaviors, emotional well-being and peer support. Objective To explore how young adults evaluate, interpret, and use sexual- and mental-health information encountered on social media, examining credibility assessment, perceived behavioral and emotional effects, self-regulation strategies, and peer-support dynamics. Methods Semi-structured interviews were conducted with seven young adults aged 18–30. Data were analyzed using Bardin’s content analysis framework, following pre-analysis, systematic coding and interpretative categorization. Results Participants reported daily social media use and frequent exposure to content on anxiety, sleep hygiene, consent, sexually transmitted infection prevention and contraceptive practices. Credibility was judged through professional credentials, the presence of references, linguistic tone and triangulation across sources. While high-quality content encouraged protective behaviors, such as consistent condom use, scheduling sexually transmitted infection testing and adopting coping strategies, misinformation triggered verification behaviors, unfollowing, or reporting posts. Social media exerted ambivalent effects on mental health: short-term relief coexisted with increased anxiety, comparison pressure, and sleep disruption. Conclusion The findings indicate that the impact of social media depends less on exposure and more on the perceived credibility of content and the digital competencies of users. Interventions aiming to improve youth sexual and mental health should integrate evidence-based content creation, inclusive communication, and targeted digital literacy training.
Introdução A crescente diversidade cultural em Portugal desafia as organizações de saúde a promover ambientes de trabalho positivos, capazes de apoiar as equipas multiculturais e de responder às necessidades dos clientes de diferentes origens culturais. A competência cultural emerge na literatura como uma ferramenta essencial para ambientes de prática de enfermagem favoráveis e para o planeamento e prestação de cuidados culturalmente congruentes. Objetivo Analisar o impacto da competência cultural no ambiente de prática de enfermagem e a sua relação com a prestação de cuidados culturalmente congruentes numa unidade de saúde em Portugal. Métodos Estudo quantitativo, transversal e descritivo-correlacional, realizado com 155 enfermeiros de uma Unidade Local de Saúde da região de Lisboa, entre fevereiro e junho de 2024. O instrumento de recolha de dados integrou o Questionário de Competência Cultural para Profissionais de Ajuda, a Escala do Ambiente de Prática de Enfermagem NWI-R-PT e uma questão sobre a perceção da adequação dos cuidados culturalmente congruentes prestados. A análise dos dados foi efetuada com estatística descritiva e inferencial, utilizando o SPSS Statistics versão 27. Resultados Verificou-se que a dimensão “Apoio Organizacional” da competência cultural é um preditor significativo de um ambiente de prática de enfermagem mais favorável (β = 0,202; p < 0,001). Adicionalmente, níveis mais elevados da dimensão “Conhecimento Cultural” associaram-se a uma perceção mais positiva quanto à adequação da prestação de cuidados culturalmente congruentes (p < 0,05). Conclusão A competência cultural demonstrou ter impacto significativo no ambiente de prática de enfermagem, sendo a dimensão “Apoio Organizacional” um preditor de contextos de trabalho mais favoráveis. Verificou-se igualmente uma relação positiva entre “Conhecimento Cultural” e a perceção da adequação dos cuidados culturalmente congruentes. Estes resultados evidenciam que o desenvolvimento da competência cultural, particularmente ao nível organizacional e formativo, constitui um fator estratégico para promover ambientes de prática mais positivos e cuidados mais ajustados às necessidades culturais dos clientes.
Introdução Os fenómenos meteorológicos extremos refletem a variabilidade climática e são influenciados pelas alterações climáticas, resultando em elevadas taxas de morbilidade, mortalidade e problemas de saúde mental. Neste contexto, os sistemas de saúde exigem respostas integradas ao longo do ciclo de gestão de catástrofe e a enfermagem assume um papel estratégico, sustentado na sua proximidade às comunidades e em competências como avaliação contínua, coordenação de cuidados, comunicação em saúde e apoio psicossocial. Contudo, a evidência sobre a sua integração explícita em planos de emergência permanece limitada, sobretudo em contextos insulares. Objetivo Este estudo teve como objetivo analisar a integração das intervenções de enfermagem em planos de emergência no contexto das alterações climáticas. Métodos Estudo qualitativo com análise documental de três planos de emergência dos Açores, disponíveis publicamente e que contemplem cenários de risco natural e organização da resposta multissetorial. A análise de conteúdo, de natureza indutiva e dedutiva, foi realizada com recurso ao WebQDA®, tendo como base o ciclo de gestão de catástrofes e os domínios de competências do International Council of Nurses. Foram assegurados critérios de rigor metodológico através de leitura aprofundada dos documentos, codificação sistemática dos dados, validação das categorias emergentes e manutenção de um registo transparente do processo analítico. Resultados Da análise emergiram 9 temas, 22 subtemas e 133 intervenções de enfermagem relacionadas com o ciclo de catástrofe. Observou-se predominância nas fases de resposta e preparação, com menor representação na mitigação e recuperação. Conclusão A enfermagem está presente em todas as fases da gestão de catástrofes, ainda que de forma pouco explícita. O reforço da sua integração nos planos é essencial para fortalecer a resposta dos sistemas de saúde face às alterações climáticas. Este estudo contribui para a consolidação do papel da enfermagem como elemento central na adaptação dos sistemas de saúde aos desafios climáticos emergentes.
Introdução Com base em investigações anteriores, uma equipa de enfermeiros, higienista oral e dentista concebeu uma intervenção de cuidado de higiene oral para gerir os sintomas orais em pessoas com cancro em cuidados paliativos. O envolvimento dos intervenientes é necessário para melhor compreender as suas perspetivas acerca da intervenção, bem como o contexto onde esta será aplicada. Objetivo Caracterizar as perspetivas e sugestões dos enfermeiros especialistas em cuidados paliativos sobre a intervenção proposta de cuidados de higiene oral. Métodos Foi realizado um estudo qualitativo, exploratório e descritivo. Onze enfermeiros de cinco serviços de internamento de cuidados paliativos em Portugal participaram em dois focus group online síncronos. Dois médicos participaram em entrevistas individuais. As entrevistas foram gravadas, transcritas e o conjunto de dados gerado foi submetido a uma análise temática reflexiva segundo uma abordagem dedutiva. Resultados Foram gerados três temas a partir do conjunto de dados. Os participantes consideram que os componentes da estratégia de gestão de sintomas proposta são adequados ao contexto e aos doentes a que se destina. Os participantes consideram que os enfermeiros das suas unidades podem aderir à estratégia de gestão de sintomas proposta. A estratégia de gestão de sintomas proposta pode ter vários resultados possíveis, relacionados com o estado dos sintomas ou com indicadores sensíveis a alterações no estado dos sintomas. Conclusão Os participantes consideraram a intervenção de cuidado de higiene oral proposta como adequada ao seu contexto de trabalho. Os participantes reconheceram a intervenção como sendo baseada na evidência e consideraram-na como uma melhoria das atuais práticas de cuidados de higiene oral.
Introdução A literatura em Saúde Ocupacional documenta uma elevada prevalência de lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) entre profissionais de saúde, sendo os enfermeiros o grupo de maior risco. A etiologia, reconhecidamente multifatorial, conjuga exigências biomecânicas e psicossociais, frequentemente exacerbadas por constrangimentos organizacionais, como a escassez de recursos humanos e materiais. Esta sinergia de fatores constitui-se como determinante primário para o aumento do absentismo, desgaste prematuro e rotatividade. Torna-se, assim, imperativa uma avaliação ergonómica sistemática para fundamentar estratégias de prevenção baseadas em evidência. Objetivo Analisar a perceção dos Enfermeiros Obstetras (EOs) sobre os riscos de LMELT e avaliar objetivamente o nível de risco das posturas adotadas na prática clínica. Métodos Estudo de método misto convergente, integrando Photovoice e análise ergonómica. As atividades percecionadas como de alto risco foram fotografadas pelos EO, seguidas de narrativas (entrevista) para extrair as perceções de risco. O mesmo corpus fotográfico foi submetido a avaliação ergonómica objetiva através da escala REBA (Rapid Entire Body Assessment). Resultados Participaram 20 EO (95,8% mulheres; 24,55 anos de experiência média). A análise REBA revelou que 65,3% das posturas (10,5% risco muito elevado; 54,8% risco elevado) exigiam intervenção imediata, não se registando posturas de baixo risco. Os resultados identificaram espaços confinados, equipamentos inadequados, organização do trabalho e exigências laborais como riscos-chave, expressando as preocupações dos EO. Conclusão A convergência entre a perceção subjetiva e a avaliação objetiva confirma a natureza de alto risco do trabalho obstétrico. Estes achados reforçam a necessidade urgente de intervenções ergonómicas e organizacionais direcionadas para mitigar os riscos de LMELT e confirmam a consciencialização do risco pelos EO.
Introdução O co-design tem-se afirmado como uma abordagem estratégica essencial na conceção de intervenções em saúde centradas na pessoa. No contexto da prescrição social (PS), o envolvimento ativo dos utentes e de atores comunitários locais revela-se fundamental para reforçar a pertinência, a aceitabilidade e a sustentabilidade das intervenções. Todavia, a sua aplicação prática em intervenções de PS continua a ser limitada e pouco explorada na literatura científica. Objetivo Analisar a extensão e as características das práticas de co-design em intervenções de PS dirigidas a adultos de meia-idade e pessoas idosas, com base em dados secundários extraídos de uma revisão sistemática. Métodos A presente revisão foi conduzida de acordo com as diretrizes metodológicas do PRISMA. A questão de investigação foi: “As intervenções de prescrição social são eficazes na promoção da qualidade de vida em adultos com 55 ou mais anos?”. Foram pesquisadas sete bases de dados e repositórios, utilizando vocabulário controlado (e.g., MeSH) e termos livres relacionados com prescrição social, qualidade de vida, autoeficácia, apoio social e populações de meia-idade ou idosas. Os termos foram combinados com operadores booleanos (AND, OR). Aplicaram-se filtros de idioma (inglês e português) e delimitou-se o período entre janeiro de 2016 e dezembro de 2024. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (RCTs), estudos quase-experimentais e observacionais, bem como literatura cinzenta, de modo a reduzir o viés de publicação. Os critérios de inclusão abrangeram estudos com participantes ≥55 anos, que avaliassem intervenções de prescrição social e reportassem pelo menos um dos seguintes desfechos: qualidade de vida, autoeficácia ou apoio social. Excluíram-se estudos sem dados empíricos originais, que não cumprissem os critérios etários ou que não avaliassem os desfechos de interesse. Para além dos desfechos principais, foram extraídas informações sobre os atores envolvidos nas estratégias de co-design, procedendo-se posteriormente a uma síntese narrativa dos dados. Resultados Dos sete estudos incluídos que reportaram a implementação de intervenções, verificou-se uma variabilidade considerável quanto ao grau de integração do co-design. Cinco estudos referiram explicitamente a utilização de elementos desta abordagem. Em quatro deles, os utentes participaram nos processos de conceção, sobretudo através de entrevistas ou do fornecimento de feedback sobre protótipos. Profissionais de saúde e organizações comunitárias estiveram envolvidos em vários casos, ainda que, frequentemente, em funções de apoio. Apenas um estudo mencionou o envolvimento de atores ao nível da formulação de políticas públicas, e dois estudos não reportaram qualquer participação de atores relevantes. Observou-se, de forma geral, uma grande heterogeneidade na conceptualização e operacionalização do co-design, variando entre consultas pontuais e processos participativos estruturados. Conclusão Apesar do crescente reconhecimento do co-design no plano teórico, a sua integração efetiva na prática da prescrição social permanece inconsistente. Muitas intervenções carecem de mecanismos sólidos para envolver, de forma significativa, os utentes e os atores locais nas fases iniciais de desenvolvimento. O reforço das metodologias participativas e a promoção da colaboração intersectorial podem contribuir para uma maior adequação das intervenções às necessidades das comunidades, aumentando a sua eficácia e sustentabilidade. Estes resultados evidenciam a relevância do co-design na prossecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente o ODS 3 (Saúde de Qualidade), o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e o ODS 17 (Parcerias para a Implementação dos Objetivos), ao promover abordagens inclusivas, baseadas na comunidade e intersectoriais na inovação em enfermagem.
Introdução O avanço da Inteligência Artificial na saúde representa uma revolução tecnológica com profundas implicações éticas e clínicas. No entanto, os benefícios e riscos desse avanço não são igualmente distribuídos, levantando questões sobre dilemas bioéticos seus e impactos na prática da saúde e enfermagem. Investigar a produção científica global sobre Inteligência Artificial, ética e saúde permite identificar temas consolidados, emergentes e negligenciados, essenciais para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em especial, saúde de qualidade, inovação e redução das desigualdades. Objetivo Mapear a produção científica global sobre Inteligência Artificial na saúde, com foco em ética, identificando tendências, lacunas e principais contribuintes na área. Métodos Foi realizada uma análise bibliométrica utilizando as bases de dados Scopus, Web of Science e PubMed. Foram incluídos artigos publicados entre janeiro de 2015 e maio de 2025. Os dados foram processados com o pacote Bibliometrix em R e visualizados por meio do Biblioshiny. A análise incluiu produção científica anual, tendências temáticas, evolução de palavras-chave, redes de colaboração e impacto das fontes. Resultados Foram analisados 1.390 documentos. A produção científica cresceu exponencialmente a partir de 2020. A análise temática revelou que “Inteligência Artificial”, “Ética” e “Saúde” são temas motores, enquanto “Bioética”, “Privacidade” e “Aprendizagem de Máquina” são temas básicos ainda pouco desenvolvidos. O mapa de colaboração mostrou concentração na América do Norte e Europa Ocidental, evidenciando assimetrias globais. Conclusão Há forte centralidade nos debates sobre ética e Inteligência Artificial, mas o desenvolvimento de temas como bioética e justiça social permanece limitado. A prática de saúde enfermagem deve ocupar papel estratégico na construção de soluções tecnológicas inclusivas, contribuindo para a redução de desigualdades e fortalecimento dos sistemas de saúde. A ampliação da colaboração internacional e o investimento em pesquisas no Sul Global são urgentes para a equidade e ética digital em saúde.
Introdução A pesca artesanal é essencial para a subsistência e a cultura de muitas comunidades tradicionais no Brasil e no mundo.1,2 Presente em ambientes como mares, rios, lagos e manguezais, estima-se que um em cada 200 brasileiros seja pescador artesanal, o que evidencia sua importância no país.3 Objetivo Analisar os comportamentos, interações e práticas culturais no trabalho da pesca artesanal, e sua relação com o processo saúde-doença dos pescadores em uma ilha do Paraná. Métodos Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de abordagem etnográfica, realizada na Ilha de Superagui, no município de Guaraqueçaba-PR. Baseia-se no método etnográfico de Bronislaw Malinowski, com uso da observação participante. A população será composta por pescadores residentes, homens e mulheres com 18 anos ou mais. A coleta de dados inclui observação participante, entrevistas etnográficas, questionários semiestruturados e registros como diário de campo, fotografias e áudios. A análise seguirá as etapas da etnografia: preparação, imersão, observação, documentação e interpretação. O estudo iniciou-se em 2024, com término previsto para 2027. A análise será apoiada pelos softwares Word, Excel® 2016 e Iramuteq. Resultados Nas visitas realizadas em fevereiro e outubro de 2024, observou-se que a principal atividade econômica local é a pesca de camarão. A unidade de saúde conta com médico e odontólogo apenas uma vez por semana, dificultando o acesso contínuo à saúde. Para atendimentos emergenciais, os moradores precisam se deslocar por via marítima até Guaraqueçaba (cerca de 30 a 35 km, com duração de 50 minutos a 1h30) ou Paranaguá (aproximadamente de 35 a 46 km, com tempo viagem entre 50 minutos a 2h05), o tempo de viagem é variável conforme o tipo de embarcação e as condições do mar, que enfrentam dificuldades de transporte, como a ausência de ambulanchas. Conclusão O estudo parcial evidenciou vulnerabilidades no acesso à saúde de pescadores artesanais, sugerindo a ampliação da atenção básica, formação profissional sensível à cultura local e políticas públicas intersetoriais específicas em conjunto com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), especialmente o ODS 3 da saúde e bem-estar, de qualidade e do ODS 8 trabalho digno e crescimento econômico.
Introdução A pneumonia é uma das principais causas de hospitalização a nível mundial, afetando diferentes faixas etárias, com maior risco para adultos/idosos. Além de representar uma significativa carga de morbimortalidade, a hospitalização prolongada devido à pneumonia está associada a elevados índices de imobilidade, com os doentes a permanecerem até 95% do tempo na cama.1,2 A baixa mobilidade hospitalar é um fator de risco evitável, tornando a implementação de estratégias de mobilização precoce essencial para a melhoria dos resultados em saúde.1 Objetivo Identificar as evidências disponíveis sobre as intervenções a implementar para a mobilização precoce no adulto/idoso hospitalizado com Pneumonia. Métodos Realizou-se uma revisão sistemática de efetividade, conforme diretrizes da Cochrane3, para responder à questão: “Quais as intervenções garantem a mobilização precoce em adultos/idosos hospitalizados com pneumonia?”. Foram incluídos estudos envolvendo adultos e idosos hospitalizados com pneumonia, abordando intervenções como levante, transferência, deambulação e mobilização precoce. As bases de dados consultadas incluíram CINAHL, MEDLINE, Scopus, Cochrane Library, CENTRAL, PEDro, OTseeker e B-On. O protocolo foi registado na PROSPERO. Avaliaram-se o risco de viés com a ferramenta RoB 2 e a qualidade da evidência com a abordagem GRADE. Resultados Foram analisados 10 RCT´s, que destacam que a mobilização precoce exige capacitação contínua das equipas de saúde, através de treino presencial e/ou online, sessões práticas e monitorização sistemática. A implementação eficaz das intervenções inclui a avaliação inicial detalhada, a mobilização progressiva ajustada à condição clínica do doente, o uso de exercícios específicos e a aplicação de escalas de monitorização. O envolvimento ativo dos doentes e familiares, através de educação e materiais informativos, mostrou-se fundamental para a adesão às estratégias. A adaptação das intervenções às necessidades individuais, aliada ao uso de tecnologias assistidas e equipamentos especializados, favorece a recuperação funcional. A monitorização contínua e reuniões interdisciplinares são essenciais para garantir a eficácia e segurança das intervenções implementadas. Conclusão A mobilização precoce em pacientes com pneumonia reduz complicações associadas ao repouso prolongado, favorece a reabilitação funcional e melhora a qualidade de vida. A sistematização dessas intervenções promove o cuidado centrado na funcionalidade e contribui para a formação de profissionais de saúde.
Introdução O crescente aumento da prevalência mundial das doenças cerebrovasculares, fortemente associado aos estilos de vida, é preocupante e reflete-se de forma significativa na qualidade de vida dos doentes. Apesar dos avanços terapêuticos, mantém-se uma elevada probabilidade de persistência de sequelas que afetam o autocuidado, a funcionalidade e, consequentemente, a qualidade de vida. Em Angola, são ainda escassos os estudos sobre a capacidade funcional e cognitiva de pessoas em processo de reabilitação após um acidente vascular cerebral. Objetivo Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil clínico, funcional e sociodemográfico de pessoas em reabilitação pós-AVC. Métodos Estudo observacional transversal com 230 adultos residentes na comunidade e em processo de reabilitação num centro de reabilitação especializado. Os dados foram recolhidos entre maio e dezembro de 2024. Os instrumentos aplicados foram o Índice de Barthel, a Escala de Equilíbrio de Berg, a escala de atividades instrumentais de vida diária e o Six-item Cognitive Impairment Test. Foram efetuados testes de associação (X2/ANOVA ou t), com α=0,05. Resultados A idade média dos participantes foi 56,35±12,77 anos; 54,8 % homens. Entre cuidadores: 57,8 % mulheres; 46,1 % com ≥39 anos; 43,5 % filhos. Os participantes com melhor funcionalidade (Barthel) e equilíbrio (Berg) frequentaram mais sessões de reabilitação. As pessoas com mais idades são mais dependentes, tem maior risco de queda e de alterações cognitivas. Conclusão A amostra evidencia elevada carga de dependência funcional e necessidade de reabilitação, com forte participação de cuidadores familiares. Os achados apoiam estratégias de enfermagem orientadas ao autocuidado e educação do cuidador, devendo estudos prospetivos explorar determinantes e efeitos de intensidade de reabilitação.
Introdução A autoeficácia é fundamental para a autogestão de saúde da pessoa em fase de recuperação de um enfarte do miocárdio.1 A avaliação da autoeficácia cardíaca é essencial para que os profissionais de saúde possam implementar intervenções centradas na pessoa, que promovam uma gestão eficaz da sua condição.2 Objetivo Traduzir e avaliar as propriedades psicométricas da versão Portuguesa da escala de autoeficácia cardíaca (PT-CSE). Métodos O estudo seguiu uma abordagem metodológica em duas fases. Na Fase I, realizou-se a tradução e adaptação cultural da escala original, recorrendo a uma tradução seguida de retro-tradução de modo a garantir a equivalência linguística e conceptual da versão portuguesa.3 Na Fase II, foram avaliadas a validade estrutural, convergente e discriminante, bem como a consistência interna, com base numa amostra de conveniência constituída por 102 pessoas com diagnóstico de enfarte do miocárdio. Foi realizada uma análise fatorial exploratória e confirmatória, utilizando o método de máxima verosimilhança com informação completa (Full-Information Maximum Likelihood, FIML). Resultados A análise fatorial confirmatória apoiou uma escala multidimensional composta por 13 itens, com boa consistência interna global e fiabilidade robusta nas subescalas. Foram confirmadas as validades convergente e discriminante. Conclusão A escala PT-CSE é um instrumento válido e fiável para avaliar a autoeficácia cardíaca na população portugueses após um enfarte do miocárdio. Permite compreender a perceção sobre as suas capacidades e crenças após o evento cardíaco. A inclusão da avaliação da autoeficácia cardíaca na prática clínica pode optimizar os cuidados clínicos tradicionais promovendo práticas mais centradas na pessoa e melhorar os resultados de saúde.
Introdução Os recém-nascidos (RN) prematuros são particularmente vulneráveis, e os cuidados neuroprotetores centrados no RN e família são essenciais para melhorar o desenvolvimento, reduzir custos e a carga da doença, promovendo saúde e bem-estar (ODS 3). No entanto, esses cuidados são frequentemente omitidos em Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais, influenciados por fatores como a elevada carga de trabalho dos enfermeiros. Objetivo Avaliar a relação entre a carga de trabalho e a qualidade dos cuidados neuroprotetores em UCIN, bem como explorar a associação entre essa relação e os indicadores de neurodesenvolvimento infantil a curto e médio prazo. Métodos Estudo de doutoramento com desenho misto e multi-estudos. Estudos preliminares incluíram seis focus groups com análise de conteúdo e será realizada uma Revisão Scoping para apoiar a construção de um instrumento de medição — Neonatal Neuroprotective Interventions Scoring (NeoNIS). A construção do questionário basear-se-á em instrumentos validados, com estudos psicométricos prévios. O estudo principal será realizado em seis UCIN, com submissão prévia às comissões de ética, consentimento informado e anonimato dos participantes assegurados. Resultados Espera-se caracterizar a relação entre a carga total de trabalho dos enfermeiros e a dedicada aos cuidados neuroprotetores, e compreender como o rácio dessas cargas impacta os outcomes imediatos ao nível do neurodesenvolvimento, evidenciando a necessidade de políticas que garantam qualidade de cuidados, equidade e educação em saúde (ODS 4 e 10). Conclusão Os resultados contribuirão para fundamentar decisões políticas relativas às dotações de pessoal de enfermagem, com impacto na qualidade dos cuidados, na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento infantil saudável.
Introdução O envelhecimento populacional global, especialmente na Europa, tem aumentado a procura por cuidadores informais que assistem idosos com doenças crónicas e dependências. Paralelamente, a crescente diversidade cultural, impulsionada pela globalização e migração, evidencia a necessidade de intervenções em saúde que sejam digitais e culturalmente sensíveis, capazes de responder aos desafios enfrentados por cuidadores de diferentes origens culturais. Objetivo Esta revisão scoping visa identificar e sintetizar as evidências sobre intervenções digitais em saúde, culturalmente sensíveis, que promovam a saúde e o bem-estar de cuidadores informais, com foco em estratégias adaptadas à diversidade cultural e linguística decorrente das tendências demográficas atuais. Métodos Seguindo as diretrizes Cochrane e PRISMA-P, será realizada uma pesquisa abrangente nas bases de dados CINAHL, MEDLINE, Nursing & Allied Health Collection, Cochrane Library, MedicLatina, WoS Core Collection e Scopus. Serão incluídos estudos com cuidadores informais (≥18 anos) que prestam cuidados não remunerados a idosos (≥65 anos), cujas intervenções digitais (aplicativos, teleconsulta, recursos online) sejam explicitamente adaptadas para relevância cultural. Serão considerados ensaios randomizados e não randomizados publicados em inglês ou português entre 2014 e 2025. A extração e avaliação da qualidade metodológica dos dados será feita independentemente por três revisores, utilizando as ferramentas ROBVIS e ROBINS-I. Dados quantitativos de ensaios clínicos randomizados serão sintetizados por meta-análise; outros desenhos serão apresentados de forma narrativa. Resultados Esperados Espera-se mapear o panorama das intervenções digitais culturalmente sensíveis, destacando seus efeitos sobre o bem-estar psicológico, autoeficácia, qualidade de vida e sobrecarga dos cuidadores. Serão identificados facilitadores e barreiras para a implementação de cuidados digitais culturalmente responsivos. Conclusão A sistematização das evidências sobre intervenções digitais culturalmente sensíveis permitirá o desenvolvimento de estratégias de apoio mais inclusivas e eficazes para cuidadores informais, subsidiando profissionais de saúde e formuladores de políticas na resposta às necessidades de populações cada vez mais diversas.
Introdução Os recém-nascidos internados em Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) são sujeitos a diversos estímulos dolorosos no seu cuidado e tratamento. Os enfermeiros possuem um papel crucial na implementação de estratégias de gestão da dor. Os pais, quando devidamente preparados e guiados, podem aplicar estratégias para reduzir a dor do recém-nascido durante os procedimentos dolorosos na UCIN, o que também reduz o stress dos pais e fomenta a vinculação entre pais e recém-nascido. Esta abordagem está em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na medida em que promove a Saúde de Qualidade (ODS-3) e Reduz as Desigualdades (ODS-10) através da capacitação das famílias no seu papel de cuidadores e ajudando-as a integrar o recém-nascido na vida da família, especialmente os que nasceram pré-termo ou com condições crónicas. Objetivo Explorar as perceções dos enfermeiros peritos em UCIN quanto às estratégias que permitem que os pais colaborem na gestão da dor do recém-nascido. Métodos Foram conduzidos estudos exploratórios, qualitativos e descritivos, com recurso a grupos focais online, para explorar a opinião das enfermeiras da UCIN quanto às estratégias utilizadas pelos enfermeiros para envolver os pais na gestão da dor dos seus recém-nascidos. Resultados A mostra do estudo foi recrutada em três UCINs da Área Metropolitana de Lisboa, e consistiu em 24 enfermeiras peritas em UCIN e com mais de cinco anos de experiência. A análise de dados está ainda em curso e, até agora identificou a opinião das enfermeiras quanto à dor do recém-nascido e estratégias de enfermagem para promover o envolvimento parental na gestão da dor no recém-nascido, que estão agrupadas em duas categorias e cinco subcategorias. Conclusão O sucesso das intervenções de enfermagem que capacitam os pais na gestão da dor dos seus recém-nascidos depende de fatores que se focam nos pais, enfermeiros e organizações. O envolvimento parental na gestão da dor do recém-nascido promove a Saúde de Qualidade através do cuidado parental e da redução da dor do recém-nascido. Também Reduz Desigualdades na medida em que promove a vinculação pais-recém-nascido com os recém-nascidos que não podem estar no seu ambiente familiar após o nascimento pela sua especial condição clínica. Uma abordagem de enfermagem sistemática e baseada em evidências é essencial para promover e sustentar eficazmente este envolvimento.
Introdução A transição de cuidados refere-se ao processo de transferência de responsabilidade e partilha de informações clínicas relevantes e precisas sobre o estado de saúde de um doente, de um profissional de saúde para outro.1 Foram identificados fatores como a ausência da padronização dos procedimentos, a pressão temporal, a complexidade da situação clínica dos doentes, a escassez de recursos humanos e a formação insuficiente dos profissionais2 que comprometem a segurança e eficácia da transição de cuidados. Estes fatores aumentam a probabilidade de erros nos diagnósticos e terapêutica, com potenciais consequências graves para os doentes, como lesões permanentes, assim como implicações económicas para as instituições de saúde.3 Estes eventos adversos têm maior incidência entre o serviço de urgência e o serviço de medicina intensiva. Objetivo Sintetizar a evidência científica existente sobre as intervenções de enfermagem que garantam a transição de cuidados eficaz da pessoa em situação crítica. Métodos Será uma revisão sistemática de métodos mistos e seguirá as orientações do JBI e PRISMA-P, com pesquisa nas bases de dados CINAHL, MEDLINE (PubMed), Scopus, Web of Science, Cochrane e JBI. Serão incluídos estudos quantitativos, qualitativos e de métodos mistos. Serão considerados estudos que explorem intervenções de enfermagem na transição de cuidados da pessoa em situação crítica entre os serviços de urgência e medicina intensiva., com enfoque na eficácia e segurança dessa transição. Resultados Espera-se que esta revisão sistemática forneça uma visão abrangente das evidências disponíveis relativamente à comunicação e transmissão entre enfermeiros, permita identificar métodos, técnicas e protocolos usados para resolver este problema, bem como os instrumentos usados para monitorizar os eventos adversos associados ao processo de transição de cuidados. Os resultados desta revisão podem identificar práticas que contribuam para a melhoria da continuidade de cuidados e segurança do doente.
Introdução A Educação Permanente em Saúde (EPS), instituída pela Portaria nº 1.996/2007 é uma estratégia essencial para qualificar os serviços de saúde e fortalecer as práticas colaborativas entre trabalhadores, gestores e usuários. Alinhada às demandas contemporâneas, ao fomentar práticas reflexivas e orientadas pelas necessidades dos territórios, a EPS pode impulsionar avanços significativos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030, especialmente em relação à saúde de qualidade, à redução das desigualdades e à promoção da cultura da paz, justiça e instituições eficazes, ao consolidar ambientes de aprendizagem mais inclusivos, éticos e integrados às políticas públicas. Objetivo Desenvolver uma matriz de avaliação da EPS em municípios goianos. Métodos Estudo metodológico de abordagem qualitativa, recorte da pesquisa “Educação Permanente em Saúde em Municípios do Estado de Goiás: avaliação-participativa e intervenção”, realizada em duas fases, entre maio/2018 e março/2022. Realizou-se grupos focais com 37 trabalhadores, gestores e representantes do controle social, em quatro municípios goianos. A análise dos dados utilizou o software WebQDA e o método de interpretação de sentidos. Resultados Na primeira fase, identificaram-se oito categorias analíticas que geraram 15 questões distribuídas nos eixos estrutura, processo e resultado, compondo a versão inicial da matriz avaliativa. Após avaliação e ajustes consensuados entre os participantes, consolidou-se a versão final com 17 questões. Os próximos passos envolvem aplicar a matriz em contextos municipais para analisar sua validade prática e contribuição à gestão da EPS. Conclusão A matriz desenvolvida é um instrumento estratégico e participativo para avaliar a EPS nos municípios goianos. Sua aplicação pode aprimorar a qualidade da assistência à saúde e fortalecer a Política Nacional de EPS, contribuindo para o alcance dos ODS 3, 4, 10 e 16. Espera-se que gestores e apoiadores incorporem o instrumento nas práticas institucionais, promovendo inovação, equidade e melhoria contínua na gestão e organização dos serviços de saúde.
Introdução As fraturas de fragilidade (FF) constituem um problema crescente de saúde pública, com 70.700 casos registados em Portugal em 2019.¹ Estas estão associadas a uma taxa de mortalidade de 25% ao fim de um ano² e a um elevado impacto económico. A gestão deste risco envolve múltiplos componentes em interação, nos quais o conhecimento e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado são essenciais.³ Objetivo Explorar a associação entre o risco de FF, o conhecimento relacionado com a osteoporose e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado, bem como diferenças em função do género e do grupo etário. Métodos Estudo transversal, cuja amostra por conveniência é constituída por indivíduos com idades entre 50 e 74 anos, utentes numa Unidade de Saúde Familiar, Unidade de Saúde Pública e dadores num Centro de Colheitas de Sangue em Lisboa, com domínio da língua portuguesa e sem défices cognitivos. A recolha de dados (agosto–novembro de 2025) incluiu variáveis sociodemográficas e medidas relacionadas com: risco de fratura a 10 anos estimado pelo FRAX (fratura osteoporótica major: alto risco ≥11%, risco intermédio >7 a <11%, baixo risco ≤7%; fratura extremidade proximal do fémur: alto risco ≥3%, risco intermédio >2 a <3%, baixo risco ≤2%); Osteoporosis Knowledge Assessment Tool (OKAT; pontuação entre 0 e 20); e Exercise of Self-Care Agency Scale (ESCA; pontuação entre 0 e 116). As comparações estatísticas foram realizadas através do teste t de Student ou ANOVA. O estudo foi aprovado por um Comité de Ética (CAML84/25). Resultados A amostra incluiu 141 indivíduos (55,3% mulheres; idade média 61.8±7.2 anos; 50.0% com ensino superior). Sete mulheres relataram história de FF. 24.3% das mulheres e 11.3% dos homens apresentavam risco moderado a elevado de FF a 10 anos. As mulheres apresentaram uma pontuação média significativamente superior no OKAT (8.9±3.4 vs 7.1±3.2; p=0.002). Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre a capacidade para realizar atividades de autocuidado e o género, faixa etária, conhecimento ou risco de FF. Conclusão Uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens apresentava risco moderado a elevado de FF, sendo que aproximadamente 60% demonstrava um conhecimento limitado sobre osteoporose. Estes achados evidenciam a necessidade de desenvolver uma intervenção complexa destinada à prevenção de FF, através do rastreio sistemático e da promoção do autocuidado.
Introdução A escassez de enfermeiros constitui um desafio global com repercussões na qualidade dos cuidados, na segurança dos doentes e na sustentabilidade dos serviços de saúde. Entre os fatores que influenciam a retenção destaca-se o ambiente de prática de enfermagem, entendido como o conjunto de características organizacionais que facilitam ou constrangem a prática profissional. Ambientes favoráveis associam-se a maior satisfação, melhor desempenho e menor intenção de saída, enquanto ambientes desfavoráveis contribuem para a rotatividade, insatisfação e burnout. A pandemia da COVID-19 intensificou a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos e o stress ocupacional, com impactos significativos no abandono da profissão, tornando a retenção um desafio acrescido, mas imperativo. Apesar da extensa produção científica, persiste a ausência de uma síntese abrangente que integre a evidência existente. Este protocolo visa colmatar essa lacuna, ao propor uma revisão umbrella que consolide o conhecimento atual e apoie decisões organizacionais fundamentadas. Objetivo Identificar revisões sistemáticas da literatura que descrevam as características do ambiente de prática de enfermagem que contribuem para a retenção ou intenção de rotatividade dos enfermeiros nos hospitais. Métodos Protocolo baseado nas orientações da JBI, incluindo as bases de dados: JBI, Cochrane, CINAHL, Medline e Scopus. Dois revisores independentes farão a seleção e avaliação com apoio de um terceiro em caso de discordância. A qualidade será avaliada com a JBI Critical Appraisal Checklist e a ROBIS e os dados serão sintetizados narrativamente. Registo do protocolo: INPLASY doi 10.37766/inplasy2023.11.0039 Conclusão Este protocolo orienta a elaboração de uma revisão umbrella destinada a consolidar e sintetizar a evidência de revisões sistemáticas sobre a associação entre o ambiente da prática de enfermagem, a retenção e a intenção de rotatividade de enfermeiros no contexto hospitalar. A síntese prevista irá mapear a evidência disponível, destacar domínios do ambiente de prática potencialmente modificáveis e informar ações organizacionais e políticas orientadas para reforçar a estabilidade da força de trabalho e a qualidade dos cuidados.
Introdução A formação em saúde requer elevados níveis de inteligência emocional, o que implica o desenvolvimento de competências que permitam reconhecer compreender e gerir eficazmente as emoções promovendo, no futuro Professional, o crescimento emocional e intelectual. Objetivo Avaliar o nível de Inteligência Emocional de um grupo de estudantes do ensino superior que frequentavam cursos da área das ciências da saúde, explorando a relação entre a Inteligência Emocional e variáveis sociodemográficas. Métodos Estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado em fevereiro de 2024. A recolha de dados foi feita através de um questionário com dados sociodemográficos e a Escala de Inteligência Emocional de Schutte, validada para Portugal. Participaram 178 estudantes de uma instituição privada no Norte de Portugal. Os dados foram analisados com o IBM SPSS Statistics (29.0), utilizando estatística descritiva e inferencial. Resultados Os participantes demonstraram um nível elevado de Inteligência Emocional, com uma média do score total de 72,20%. A idade e o estado civil apresentaram uma associação significativa com a perceção das emoções, e o sexo, com a perceção das emoções dos outros. Os estudantes com maior Inteligência Emocional eram, tendencialmente, mais velhos, casados ou em união de facto, portugueses, do sexo feminino e frequentavam o curso de Licenciatura em Enfermagem. Conclusão Evidencia-se que os participantes demonstraram competências para gerir e compreender as suas emoções e as dos outros, apresentando um nível elevado de Inteligência Emocional. Contudo, há necessidade de integrar estratégias individualizadas que promovam o desenvolvimento da Inteligência Emocional, contribuindo para uma formação mais completa na formação dos profissionais de saúde.