
O presente artigo consiste em uma revisão de escopo que tem como objetivo investigar a produção científica brasileira sobre branquitude. Para isso, foi realizada uma busca nas bases de dados Psycinfo, BVS Psi, SciELO e periódicos CAPES, utilizando o termo “branquitude” como palavra-chave. A busca inicial resultou na identificação de 200 publicações, e após a aplicação dos filtros, o número foi reduzido para 12 trabalhos. Os resultados indicam que o tema da branquitude desperta interesse em diversas áreas, embora as publicações ainda sejam escassas. Das teorias e conceitos adotados nos artigos, é possível destacar os seguintes termos, a saber: raça, racismo, miscigenação, branqueamento e democracia racial. No entanto, em relação às lacunas teóricas, não foram encontrados estudos quantitativos, o que aponta para a necessidade de desenvolvimento de pesquisas mais sistemáticas e representativas da população nacional. Conclui-se que os estudos sobre essa temática representam uma oportunidade de ampliação dos debates sobre racismo, uma vez que colocam o sujeito branco como categoria de análise, rompendo com a lógica de que o branco não possui cor/raça, possibilitando, com isso, a discussão sobre sua participação nos processos de (re)produção das desigualdades raciais.
Violência sexual contra crianças e adolescentes é um tema de necessário aprofundamento. Sua discussão envolve garantia de direitos, marcadores sociais de diferença, como gênero e raça, desigualdades entre gerações, dentre outros. Por vezes, profissionais da saúde se deparam com dificuldades, como o manejo inadequado de casos que resulta em cenários de subnotificações. Sabe-se que a violência sexual contra crianças ou adolescentes está inserida em outras formas de violações de Direitos Humanos, o que denota a necessidade de discussão sobre a temática. Esse aprofundamento necessita discutir gênero e as dinâmicas entre gerações, já que o maior perfil colocado em situação de violência sexual é o de meninas negras atravessadas pelas desigualdades sociais e que, na maioria das vezes, os agressores que colocam essas meninas em situação de violência sexual são homens adultos. Assim, este artigo procura problematizar desafios da violência sexual e promover reflexões sobre o tema. Nesta proposta, nos debruçarmos sobre duas forças: a violência contra crianças e adolescentes, e os desafios encontrados por psicólogas(os) no campo da assistência social.
O tempo em que as crianças passam em frente às telas tem aumentado nos últimos anos; com isso, as interações sociais face a face sofreram modificações. Entretanto, poucos estudos têm investigado os indícios de associação entre o Tempo de Tela e seus efeitos emocionais em crianças. Com a alta exposição ao Tempo de Tela, despertou-se a necessidade de compreender como o tema tem sido discutido na literatura científica. Dessa forma, foi feito uma revisão sistemática de literatura nas bases de dados PubMed, Scielo e Web of Science utilizando os descritores: screen time, children, child, emotion, emotions, emotional, por meio da recomendação Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-analyses: The PRISMA Statement. A revisão resultou em 11 artigos. Em seguida, os artigos passaram por uma análise de conteúdo por meio do software IraMuTeQ, obtendo uma Nuvem de palavras e uma Análise de similitude. Os resultados evidenciaram que fatores como gênero da criança, renda familiar e os diferentes tipos de tela estão associados aos efeitos emocionais no público infantil.
O presente estudo teve por objetivo compreender as percepções e as expectativas de apoio social de casais homossexuais (gays e lésbicas) habilitados para adoção de uma criança. Realizou-se um estudo de caso coletivo com três casais que estavam habilitados, por meio do Sistema Nacional de Adoção (SNA), para adoção de uma criança de zero a seis anos. Os instrumentos utilizados foram um questionário de dados sociodemográficos, o Inventário de Percepção de Suporte Familiar (IPSF) e uma entrevista semiestruturada. A entrevista foi transcrita e analisada com base na análise temática e os dados foram triangulados com o IPSF. Os resultados indicaram três principais fontes de apoio aos participantes: (i) o parceiro; (ii) a família de origem; e (iii) os amigos ou colegas de trabalho. Em todos os casos, cônjuge e amigos foram reconhecidos como vínculos de apoio no momento de decisão e espera pela adoção; em dois casos, no entanto, havia pouca percepção de apoio familiar. A expectativa de receber apoio para o desempenho da parentalidade com a chegada da criança foi reconhecida em alguns casos. Ampliar o conhecimento sobre os casais homossexuais que optam pela adoção pode orientar a prática dos profissionais que os acolhem no âmbito jurídico.
Ao analisar os índices de abandono escolar, reprovação e violência, torna-se urgente a criação de práticas de intervenção voltadas ao Ensino Médio no contexto da escola pública. O presente artigo tem como objetivo analisar como as pesquisas recentes no campo da Psicologia têm compreendido o uso do teatro no trabalho do(a) psicólogo(a) em contextos coletivos. Para isso, foi realizada uma revisão crítica de literatura em duas bases de dados: (1) Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e (2) a Scientific Electronic Library Online [SciELO], utilizando-se os descritores “Teatro” e “Psicologia”. Foram analisadas 25 produções científicas referentes ao período de 2015-2019, sendo elas: 7 teses, 15 dissertações e 3 artigos. Como resultado, os estudos apontam o caráter fortemente político do teatro, visto que sua prática favorece a autonomia dos sujeitos e impulsiona seu potencial de ação para a transformação dos contextos de que tomam parte. Logo, as pesquisas analisadas apontam que o teatro pode ser um importante instrumento de atuação do psicólogo escolar, promovendo espaços de expressão, reposicionamento das emoções, colocando em foco os conflitos do ambiente escolar, abrindo espaços dialógicos para a ressignificação das relações.