
In the vast collections of the current Museum of Archaeology and Ethnology (MAE) at the University of São Paulo (USP), there are many archaeological objects from the East (Egypt, Mesopotamia), Greece and Roman sites. One of the main problems with most of these materials is the lack of contextual data, so in many cases the study and analysis of the individual object is the only tool available to clarify its origin and dating. This collection includes a marble stele with an inscription of the Türstein, doorstone type, of Phrygian origin and dating from the 3rd century AD.
This article presents a geoarchaeological analysis of the implementation of constructive landfills that expanded the urbanization of Salvador, Bahia, between the 17th and 19th centuries. The aim is to highlight the relevance of these structures to the urbanization process and territorial control of the Ancient Center of Salvador, carried out by the local elites during the studied period. For a proper presentation, it was necessary to describe the components, form, chronology, and method of implementation of this type of landfill, based on the results of archaeological research, cartographic documents from the time, and secondary sources from the fields of Architecture/Urbanism, Geography, and History. The discussion, centered on landfills as constructive structures, focused on the records of embankments and the filling of cavities opened for building foundations. The research approach adopted was the characterization of constructive landfills within the perspective of anthropogenic terrains, supported by their classification as technogenic deposits and considering them as geological records of human action. As a result, periods of Salvador's urban structuring and the locations where new lands were created were identified, both within the fortified city in the 17th and 18th centuries, and beyond the city walls in the 18th and 19th centuries. The landfills were implemented to promote spatial transformation aimed at territorial appropriation, which benefited the elites.
Este artigo examina o papel de Dacar, capital do Senegal, na trajetória histórica do mercado da arte africana denominada tradicional. A partir de dados etnográficos e históricos, analisa-se a atuação dos antiquários senegaleses na constituição de redes transnacionais, tanto no âmbito intracontinental quanto intercontinental. O estudo também aborda as especificidades do mercado de arte senegalês, destacando as perspectivas pan-africanas, possíveis vieses essencialistas ou etnicistas e as dinâmicas entre os antiquários e o islã.
Este artigo analisa dois trabalhos da arte do contemporâneo criados por artistas senegaleses com importante trânsito no cenário internacional: Particles (2023), de Dior Thiam, apresentada na 15ª Bienal de Dakar, e Bokk – Bounds (2024), de Alioune Diagne, exibida no Pavilhão do Senegal na 60ª Bienal de Veneza. O estudo investiga como ambos mobilizam recursos visuais e simbólicos para formular críticas às heranças coloniais, às violências históricas e às dinâmicas de exclusão, cada qual a partir de perspectivas distintas. Thiam articula, desde uma posição transnacional e diaspórica, geografias múltiplas do continente africano. Diagne ancora sua obra no cotidiano senegalês. A pesquisa combina uma abordagem comparativa e transdisciplinar para a análise estética e documental, contextualização política e leitura curatorial, argumentando que essas obras instauram modos singulares de resistência visual e reelaboração de memória. Deste modo, contribui para a reflexão sobre os entrecruzamentos entre arte, história e política no contemporâneo africano.
Este artigo é parte da minha pesquisa etnográfica de mestrado que analisa a Enciclopédia Bororo enquanto artefato etnográfico que materializa o encontro entre as cosmologias cristã e ameríndia, investigando como a produção imagética salesiana revela as dinâmicas de reconfiguração simbólica do contato intercultural. A pesquisa parte da hipótese de que a Enciclopédia não deve ser compreendida apenas como registro etnográfico produzido pelos missionários sobre os Boe, mas como sistema de comunicação híbrida resultante de processo colaborativo envolvendo agenciamentos e negociações entre diferentes cosmologias. Inicialmente, contextualizo os Boe em seus aspectos territoriais, organizacionais e históricos, explorando o estabelecimento da missão salesiana e as dinâmicas do encontro intercultural, incluindo as perspectivas mitológicas do contato e as transformações culturais resultantes. Em seguida, examino a estrutura, produção e colaboração na Enciclopédia Bororo, destacando o papel fundamental de Tiago Marques Aipiboreu como principal interlocutor indígena. A análise das representações imagéticas e sua evolução temporal revela transformações na perspectiva missionária ao longo das décadas. A investigação da dimensão material da Enciclopédia, através do arquivo documental e acervo museológico do Museu das Culturas Dom Bosco, demonstra a estreita relação entre a obra e os sistemas de catalogação desenvolvidos pelos salesianos. Busco destacar a Enciclopédia como sistema de comunicação híbrida e expressão do pensamento Boe, seguindo a perspectiva de Marta Amoroso sobre a reconfiguração simbólica do contato intercultural. Esta pesquisa é conduzida por meio de abordagem metodológica que interrelaciona a antropologia do arquivo e da arte, compreendendo a Enciclopédia Bororo como objeto de estudo e problematização que transcende a simples documentação para se constituir como projeto singularmente borororista.
Apresentamos neste artigo um quadro geral do desenvolvimento da representação de Poseidon em moedas emitidas por cidades gregas em épocas arcaica e clássica, com o objetivo de compreender em que medida sua representação na documentação monetária foi inovadora em relação àquela nas cerâmicas pintadas e esculturas. Para tal fim, identificamos quais cidades e regiões gregas mais produziram imagens de Poseidon em moedas nestas épocas, como também quais foram as épocas específicas de maior uso. Também estabelecemos padrões gerais de representação dessas imagens na arte grega arcaica e clássica para compreendermos o seu significado simbólico e sua especificidade em moedas a partir de um estudo comparativo, correlacionando a documentação arqueológica com passagens literárias. Por ser baseada em um levantamento documental extenso e inédito sobre esse deus e o seu principal atributo, o tridente, esta pesquisa traz as principais conclusões a respeito da imagética de Poseidon, a qual, surpreendentemente, não foi estudada de forma sistemática até hoje, tornando essa divindade e seu principal atributo, apesar de amplamente conhecidos no ocidente moderno, muito mal compreendidos. Além disso, é nosso objetivo destacar o potencial da moeda como objeto de análise tanto para pesquisas em arqueologia quanto em história.
O presente artigo pretende apresentar a carreira de Koyo Kouoh, curadora camaronense, que fez sua formação na Suíça, e escolheu Dacar para viver e trabalhar. A partir do arquétipo da aranha-mãe, fiandeira, tecelã, trago as exposições Body Talk: Feminism, Sexuality & The Body e When We See Us – A Century of Black Figuration in Painting e os espaços Raw Material Company, criado em Dacar por Kouoh e Zeitz MOCAA, na Cidade do Cabo, no qual foi chamada para trabalhar em 2019 para, em diálogo com suas entrevistas e textos, demonstrar como o trabalho de Kouoh acima de tudo buscava estabelecer redes de criadores, artistas e pensadores no continente africano.
Cet article part des cadres sociopolitiques, contextuels, qui donnent sens au contenu de deux fresques de graffiti hip-hop produites par le collectif d’artistes RBS Crew entre 2018 et 2021. Ces deux œuvres collectivement produites s’inscrivent dans une certaine continuité et intertextualité l’une par rapport à l’autre en remettant en question, de façon très critique, les rapports de type néocolonial que des élites essentiellement politiques qui sont au pouvoir au Sénégal tisseraient avec leurs homologues occidentaux, tout en se montrant violents avec leurs concitoyens qu’ils seraient censés protéger. En endossant le costume de porte-voix de la population sénégalaise, voire africaine ou opprimée en général, les artistes définissent une conception de la pratique artistique adossée à l’engagement sociopolitique avant tout. Le modus operandi utilisé, qui puise sur divers registres (mondes du cinéma, littérature, musique rap, caricatures, etc.) dénote de la volonté des artistes à s’appuyer sur des références communes mais diversifiées, dont certaines sont simplifiées, dans le but de rendre les messages plus facilement décodables et compréhensibles. Ce faisant, cet « art utile » essayant de rendre les messages plus accessibles et s’opposant à une conception de « l’art pour l’art » ou, autrement, à une conception d’un art-mystère, irrigue profondément et de manière distinctive ces mondes des graffiti au Sénégal. Une telle conception des arts nous amène à repenser la modularité des graffiti hip-hop à l’aune du type d’objectifs poursuivis par les artistes selon les contraintes de leurs environnements de production ainsi qu’une hiérarchisation des enjeux qui sous-tendent le processus créatif.
Este artigo traz reflexões sobre os festivais de Dacar (1966) e de Argel (1969). Existe uma ampla literatura sobre os impactos dos dois festivais, discussões entre arte, Negritude, Pan-africanismo, inúmeros arquivos, materiais de jornais, filmes, artigos e livros. Nossa proposta vai no sentido de complementar, ler nas entrelinhas e considerar os festivais como arenas políticas em espaço-tempo delimitados, quase fatos sociais totais. Nosso foco se encontra nas nuances e críticas escritas, evidenciando, por exemplo, vozes da diáspora, adentrar tensões internas e levantar questões não tão recorrentes, confrontando as intenções dos Festivais com reivindicações das populações dos dois países. Nossa atenção se concentrou em críticas internas e externas ao festival de Dacar. Em seguida, interrogamos o festival pan-africano de Argel que silenciou identidades presentes no nascimento da Nação argelina e mantinham vivas suas tradições de festivais saarianos. Não se trata de uma comparação entre os festivais e sim de um estudo de suas especificidades em atuações que resultaram em inviabilizações de diferentes culturas no decorrer desses espetáculos mundiais. O autor e a autora procuram se debruçar sobre os processos históricos dos dois festivais, problematizando os aspectos políticos dessas arenas, vitrines das culturas africanas em movimento.
Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica acerca da reconstituição de paleoambientes de ocupação humana realizados nos últimos quinze anos no Brasil utilizando o bioindicador fitólitos, partículas de opala biogênica depositadas nas células vegetais. O objetivo é disponibilizar à comunidade científica trabalhos sobre a aplicação dos fitólitos em contextos arqueológicos. As pesquisas com fitólitos têm obtido um grande crescimento, pois são essenciais para compreensão da evolução das paisagens ao longo do Holoceno. Nesta compilação observou-se que que existe uma grande disparidade espacial na produção científica, que está concentrada principalmente nas regiões Norte (39% dos trabalhos e 32% dos sítios) e Sul (27% dos trabalhos e 27% dos sítios), enquanto no Nordeste, os trabalhos são escassos (7% dos estudos e 14% dos sítios) e nenhum foi registrado para o Centro-Oeste. Entre os 40 sítios arqueológicos levantados, os tipos mais estudados são os sambaquis (15), seguidos dos abrigos sob rocha (11) e sítios a céu aberto (10). Na Região Norte foram estudados 5 sítios de Terra Preta e apenas 1 casa subterrânea, na Região Sul. Apesar do déficit de publicações, que felizmente vem apresentando uma tendência de aumento a partir de 2014, o trabalho reforça positivamente a capacidade dos fitólitos boa ferramenta arqueológica na reconstituição de paleoambientes de ocupação humana, no uso da terra e na dieta, dada à sua resistência, mostrando-se estáveis aos efeitos adversos do intemperismo físico, químico e/ou biológico.
The Museu de Arqueologia e Etnologia of the Universidade de São Paulo (Brazil) possesses a Palmyrene funerary relief, which is one of the two pieces of its kind preserved in Latin America. This paper re-examines the relief through an iconographic, epigraphic, and prosopographical analysis. First, we offer data on the acquisition history of the piece, as well as an interpretation of its main iconographic elements. Secondly, the Palmyrene Aramaic epitaph of the relief (PAT 0650) is examined through its transliteration, translation, paleographic notes, and an onomastic analysis of each of the anthroponyms mentioned. Finally, a prosopographical commentary is offered based on the genealogical links of the epitaph with two other inscribed reliefs (PAT 0651 and PAT 0652).
Baseado em pesquisa multidisciplinar que cruza áreas de produção de conhecimento , marcadamente a dança e a antropologia, este artigo discorre sobre as afirmações da pensadora e coreógrafa Germaine Acogny e sua contribuição para a movimentação de um pensamento contemporâneo sobre corpo, autonomia e cosmologias africanas a partir da experiência senegalesa. Desenvolvemos um arco discursivo que começa no período das independências africanas, contextualizando as políticas públicas para as artes e especificamente a relevante e ambígua proposta de Leopold Sedar Senghor , passando pela escola Mudra África em Dacar até chegar no projeto da Escola de Areias, Centro Internacional de danças africanas tradicionais e contemporâneas. Aborda-se também a passagem de Acogny pelo Balé da Cidade de São Paulo nos anos 90´s e as provocações geradas nesse encontro insuspeito para a época. Toma-se o conceito de transatlanticidade, forjado pela historiadora Beatriz Nascimento , como vetor que nos possibilita ler a experiência negra redefinida da África para as Américas e levanta-se alguns apontamentos sobre como essa reinvenção passa por reconsiderar as agências africanas e suas respostas às eurocentricidades. As colaborações sul-sul possibilitam reconstruções de imagens e engendramento de novas percepções sobre corpos e territórios.
O dossiê discute expressões artísticas senegalesas que emergiram a partir da cidade de Dacar ou em diálogo com ela, destacando conexões, contradições, disputas, movimentos e reinvenções interregionais. Compila as contribuições do I Seminário Internacional Afluências nas artes desde Dacar com foco na integração de legados locais e externos, nas trocas entre artistas e instituições africanas e na influência da criação senegalesa no Brasil, França e além. Analisa-se o papel das dinâmicas culturais, coleções, festivais, exposições e curadorias na configuração das artes e dos museus. O dossiê traz discussões sobre a centralidade de Dacar como polo de produção e circulação artística, destacando o papel de Léopold Sédar Senghor na consolidação de debates sobre negritude, pan-africanismo e independência das ex-colônias francesas. Aborda, ainda, o impacto de revistas e festivais, como o Festival Mundial das Artes Negras e o Festival Pan-africano de Argel. São discutidos os processos de colecionismo, circulação e mercantilização da arte africana. O texto também destaca manifestações contemporâneas de resistência e crítica, como o coletivo RBS Crew, e o papel inovador de artistas (Dior Thiam, Alioune Diagne), curadores (Koyo Kouoh), coreógrafos (Germaine Acogny) nas artes senegalesas e africanas. Por fim, evidencia a vitalidade da presença senegalesa nas Bienais de São Paulo e o deslocamento dos centros de produção, circulação e crítica da arte africana, indicando desafios e transformações epistêmicas atuais.
Apesar de ser o principal atributo de Poseidon, uma das divindades gregas mais conhecidas, a iconografia do tridente foi pouco estudada. Em moedas, foi amplamente representado de formas variadas, assumindo uma complexidade única que carece até hoje de uma explicação sobre seus significados simbólicos em contexto de fabricação e uso, principalmente do ponto de vista identitário da pólis, substituindo, em muitos casos, a própria imagem de Poseidon. Apresentamos neste artigo um quadro geral do desenvolvimento da iconografia do tridente em moedas emitidas por cidades gregas nas épocas arcaica e clássica, a partir de padrões gerais de representação. Nosso objetivo foi compreender em que medida sua representação na documentação monetária foi inovadora em relação àquela nas cerâmicas pintadas e esculturas. Para isso, identificamos quais cidades e regiões gregas mais produziram imagens do tridente em moedas nessas épocas, bem como quais foram os períodos específicos de maior uso. Por fim, propusemos interpretações sobre o significado simbólico do tridente quando representado em moedas, correlacionando a documentação arqueológica com passagens literárias.
This article revisits the general context in which the ideas shaping the thought of L. S. Senghor were developed. It outlines the contours of these ideas and the stakes that drive the Négritude movement in response to the growing aspirations for independence in the French colonies, with Paris as its main hub of activity. It was during this period that several decisive events were organized, namely the two Congresses of Black Writers and Artists in 1956 (Paris) and 1959 (Rome), as well as the First World Festival of Negro Arts in 1966. The latter contributed to building Dakar’s image as a cultural and intellectual capital. Repositioning Senghor within this period requires a dual approach. In the first part, the focus is on the fundamentally cultural aspects of Pan-Africanism, rooted in both Anglophone and Francophone intellectual spheres. Senghor moves within this world, where he meets key historical figures. The publications of the time reflect complex divergences among African intellectuals regarding their stance on colonization. This fragmentation is evident in the genealogy of subversive journals, which were often short-lived due to internal disagreements among their leaders or repression by the colonial authorities. In the second part, the journal Présence africaine is presented within a global map of periodicals and their positions on independence and liberation struggles. From the outset, this journal has served as a rich forum for debates on African arts, publishing texts by prominent experts. The various articles on classical arts go beyond ethnological analysis to explore aesthetic dimensions. Moreover, the journal accompanies scientific gatherings by publishing their proceedings. This period is marked by a vibrant intellectual and literary history, in which Senghor was both a privileged witness and a key player.
Quando enfrentamos como arqueólogos a estratigrafia de sítios, escavamos “camadas” que, geralmente, não podemos definir geneticamente e as caracterizamos pela cor e textura, esperando que um geocientista nos ajude em sua interpretação. Mas não deveria o arqueólogo ser um bom intérprete da estratigrafia arqueológica, cuja origem é natural e cultural? Não deveríamos ter ferramentas metodológicas e conceituais para avaliar como um sítio se formou, como foi soterrado e como chegou até os dias de hoje? Estas são questões básicas que surgem quando pensamos a geoarqueologia como arqueologia, perspectiva que deveria ser parte de nossa formação disciplinar. Geoarqueologia não é geociência, é arqueologia. Trata-se de questões que nos interessam enquanto arqueólogos, sobre nossos problemas e objeto de estudo, nossas escalas e inferências. Isso não nos impede de recorrer a diferentes profissionais, como geólogos, geógrafos ou pedólogos, em busca de análises ou estudos específicos, mas como arqueólogos devemos lidar com os aspectos básicos do contexto geoambiental do sítio da mesma forma que lidamos com os materiais líticos, ósseos ou cerâmicos presentes no registro arqueológico. A geoarqueologia fornece o contexto de interpretação e trata de questões tão importantes quanto o caráter primário ou secundário de um sítio, o significado da associação entre os materiais que contém, a resolução e contemporaneidade dos depósitos arqueológicos, sua preservação, os possíveis hiatos entre camadas, assim como a origem natural ou cultural de alguns elementos e estruturas escavadas. Abordar aspectos interpretativos tão básicos da disciplina significa que os estudos geoarqueológicos não podem ser ignorados em nenhuma investigação arqueológica e devem ser uma parte inevitável do currículo de graduação de todo profissional arqueólogo.
La presencia de depósitos arqueológicos en contextos dominados por la sedimentación eólica es frecuente en áreas costeras así como en algunos sectores continentales. La dinámica de esta sedimentación presenta algunas características recurrentes y otras disímiles de acuerdo al marco geomorfológico del que se trate, pero en cada caso se verá expresada, junto a otros factores, en los procesos de formación del registro. En este estudio se comparan conjuntos arqueológicos en formas eólicas móviles y fijas, procedentes de localidades del centro y sur de la Argentina, con el fin de obtener un panorama de las semejanzas y diferencias involucradas. Tal comparación se efectúa a partir de siete variables geoarqueológicas que afectan propiedades espaciales y temporales del registro arqueológico, entre ellas, la génesis y dinámica de la acumulación eólica, los procesos de incorporación al sustrato de la evidencia cultural, el desarrollo de suelos y discontinuidades erosivas, las condiciones geoquímicas de preservación y los factores de perturbación. Como resultado, el trabajo avanza en una caracterización comparativa que permite generar expectativas respecto a algunas propiedades que presentará el registro arqueológico en los sitios ubicados en esos contextos, colaborando en su estudio e interpretación.
Las ocupaciones del Precerámico en la sierra norte del Ecuador, en localidades cercanas a la ciudad de Quito, han sido fruto de intensos debates respecto a su cronología y conservación. La evidencia disponible proviene del sitio “El Inga” y se remite a utillajes líticos en obsidiana, fechados de 14 C y una estratigrafía disturbada por procesos erosivos. Esto conllevó a que las ocupaciones tempranas de esta zona tengan una cronología cuestionable por la ausencia de estudios geoarqueológicos que evalúen la matriz del registro arqueológico y el proceso de formación de estos sitios. Sin embargo, en la localidad de Sangolquí, se pudo registrar y excavar sitios tempranos (13.500 – 4.500 BP), los cuales tenían una estratigrafía mejor conservada por depósitos de cenizas y de lahares del volcán Cotopaxi. A partir de estos datos más una serie de análisis de cenizas volcánicas, fechados de 14 C y reconstrucciones de la geomorfología del Holoceno Temprano de esta zona, se ha podido establecer los cambios que generó el volcán Cotopaxi en el paisaje de estos sitios, pasando de un relieve de colinas pequeñas a colinas alargadas que fueron modeladas por depósitos de lahares hacia el 4.500 BP.
O estudo da história e da arqueologia da Sicília por muito tempo concentrou-se nas áreas costeiras e nos maiores centros urbanos. Nos últimos anos, contudo, houve um crescimento significativo no interesse por pesquisas voltadas às áreas interiores, demonstrando que essas regiões também eram dinâmicas e apresentavam intensa atividade comercial e produtiva. A ocupação humana no interior da ilha remonta ao Neolítico e se intensificou nos períodos históricos subsequentes. Fontes escritas indicam que, do final do século V EC ao século XVII, muitos locais do interior, outrora densamente povoados em épocas clássicas, tornaram-se semidesertos ou com população esparsa. Entretanto, a arqueologia revela uma história mais complexa, desafiando essas narrativas. Este estudo evidencia como a Arqueologia da Paisagem, aliada a abordagens interdisciplinares das Ciências Sociais, pode elucidar aspectos históricos das paisagens que permanecem pouco documentados nas fontes escritas e insuficientemente investigados pela pesquisa arqueológica. Resultado de uma colaboração entre arqueólogos e a comunidade local interessada em explorar e valorizar seu território, a pesquisa busca mapear o movimento de pessoas e bens em uma pequena região interiorana, analisando padrões de assentamento. O objetivo principal é compreender de que maneira a exploração da terra e a adaptação às suas condições físicas moldaram o desenvolvimento social nessa microrregião ao longo dos séculos.
Fazendo referência à uma produção bibliográfica arqueológica, histórica e antropológica sobre histórias e oralidades indígenas, pretendo reforçar, neste texto, a importância das histórias indígenas na práxis arqueológica. Ao mesmo tempo, quero defender a necessidade de uma arqueologia do colonialismo, do presente e do mundo contemporâneo, na Amazônia. Abordarei essas questões a partir de minha experiência de pesquisa colaborativa com o povo Asurini do Xingu.