
Introduction: Major depressive disorder (MDD) is a disabling mental disorder with high global prevalence. While sedentary behavior (SB) has been consistently linked to adverse health outcomes, the influence of social determinants on SB in individuals with MDD, particularly from an intersectional perspective, remains underexplored. Objective: To investigate whether social determinants, analyzed intersectionality, are associated with the severity of depressive symptoms in adults with MDD, considering different levels of SB. Methods: A total of 108 adults (18-59 years) with a clinical diagnosis of MDD participated in an online survey. SB was assessed with the International Physical Activity Questionnaire. Depressive symptoms were measured with the Beck Depression Inventory. Social determinants were combined into a Jeopardy Index to classify participants into a dominant group and a minority group. Results: The association between social determinants and depression severity was moderated by SB level. In the low SB group, belonging to the minority group was associated with a higher proportion of moderate/severe depression (91.3% vs. 8.7%; p = 0.039) and a seven-fold increased risk for these symptoms (OR = 7.0; 95% CI: 1.27 - 38.47) compared to the dominant group. In contrast, no association was found in the high SB group. Conclusion: The intersectionality of social determinants was associated with depression severity in the low SB group. These findings reinforce the need for public health policies that consider social vulnerabilities to mitigate the impact of MDD, even in populations that do not exhibit high-risk sedentary behaviors.
Introdução: A duração do epoch pode influenciar as estimativas obtidas por acelerômetros. Objetivo: Comparar os efeitos de diferentes durações de epoch no tempo médio de atividade física moderada a vigorosa (AFMV) de adultos que utilizaram o acelerômetro GT3X+. Métodos: Estudo metodológico com dados do Estudo Longitudinal dos Determinantes da Atividade Física, uma coorte de técnicos administrativos e professores de uma universidade no estado do Rio de Janeiro. Os dados de atividade física foram capturados usando um acelerômetro (ActiGraph, GT3X+), usado no pulso não dominante por 7 dias. O tempo de AFMV foi calculado para epochs de 1s, 5s, 10s, 15s, 30s e 60s. Testes de variância foram propostos para as médias de AF em cada epoch, teste post-hoc de Bonferroni para análise pareada e gráficos de BlandAltman para análise de concordância. O processamento dos dados do acelerômetro e todas as análises estatísticas foram realizados no software R. Resultados: Compuseram a amostra 255 participantes (média de idade: 44,0 (± 10,7); 55,3% homens). O tempo médio de AFMV foi maior em epochs de menor duração do que naquelas de maior duração (p < 0,001). A AFMV avaliada com epochs de 1s resultou em 94,8 minutos (95% IC: 90,6; 99,0), enquanto o de 60s resultou em 67,4 minutos (95% IC: 62,8; 72,1), uma diferença média significativa de 27,7 minutos (p < 0,05). Conclusão: As diferenças encontradas mostram que epochs com durações muito diferentes podem produzir estimativas mais difíceis de comparar e levar a conclusões imprecisas. Para aumentar a comparabilidade entre estudos que utilizam acelerômetros, é essencial informar a duração do epoch utilizado.
Background: High-intensity interval training (HIIT) is known to improve insulin sensitivity, glycemic control, and body composition in people with type 2 diabetes mellitus (T2DM). Intermittent hypoxia (i.e., reduced oxygen availability) combined with HIIT may enhance glycemic control through convergent insulin-independent molecular pathways, including AMP-activated protein kinase activation and GLUT 4 translocation. Objective: To evaluate whether 8 weeks of intermittent hypoxia and HIIT, both isolated and combined, improve glucose homeostasis and related health outcomes in individuals with T2DM. Methods: This single-blind, randomized controlled trial will recruit 64 individuals (18-65 years) with T2DM. Participants will be randomly assigned to one of four groups: 1) HIIT with inter-effort recovery hypoxia (inspired oxygen fraction, FiO₂, of 0.135), 2) HIIT in normoxia (FiO₂ = 0.209), 3) passive intermittent hypoxia (FiO₂ = 0.135) or 4) control. Interventions will last 8 weeks, with three sessions per week. HIIT will be performed on a cycle ergometer at intensities based on the heart rate corresponding to the respiratory compensation point and peak power output, as determined by baseline cardiopulmonary exercise testing. The primary outcome is glycated hemoglobin, while secondary measures include glucose homeostasis, cardiorespiratory fitness, cardiovascular health, body composition, and hematological, metabolic, and behavioral outcomes. Generalized linear mixed models (α = 0.05) will be used for statistical analysis. Discussion: This study explores a novel non-pharmacological approach to T2DM management by applying intermittent hypoxia only during recovery periods of HIIT sessions. This method aims to elicit adaptations comparable to conventional intermittent hypoxia, while preserving training quality and offering a more practical, ecologically valid intervention.
Introdução: A Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde (ANPPS) visa alinhar o financiamento de pesquisas pelo Ministério da Saúde com as prioridades de saúde da população. Portanto a ANPPS pode aproximar as pesquisas em atividade física das políticas de saúde. Objetivo: Analisar as pesquisas em atividade física financiadas pelo Ministério da Saúde quanto a: a) evolução temporal do número, valor total e valor por pesquisa; b) distribuição por eixos temáticos e subagendas da ANPPS. Métodos: Trata-se de um estudo de série temporal, de abrangência nacional, realizado por meio de consulta no repositório “Pesquisa Saúde”, no período de 2002 a 2023. A análise de regressão linear segmentada foi utilizada para estimar a variação anual, com um intervalo de confiança de 95%. Resultados: Foram financiadas 234 pesquisas e o valor total deflacionado foi de aproximadamente R$ 60,0 milhões, o que corresponde a um investimento médio de R$ 256,5 mil por pesquisa. Foram reveladas oscilações no número e no financiamento, com tendência decrescente para o número, o valor total e o valor por pesquisa. O eixo de consequências para a saúde concentrou o maior número de pesquisas (69,2%) e de recursos (69,9%). Entre as subagendas, destacaram-se as doenças crônicas não transmissíveis quanto ao número de pesquisas (26,1%) e a epidemiologia quanto ao montante de recursos (27%). Conclusão: O tema da atividade física esteve presente na agenda de pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, é necessário ampliar o montante de recursos para pesquisas em atividade física, principalmente no eixo de políticas.
Introdução: A vizinhança é o local mais utilizado para a prática de atividade física em razão das limitações funcionais de adultos mais velhos; consequentemente, a percepção do ambiente pode interferir em sua adesão e na satisfação com a vida. Objetivo: Investigar a relação entre a percepção da prática de atividade física no contexto da vizinhança e a satisfação com a vida em adultos mais velhos. Métodos: Estudo transversal com dados do ELSI-Brasil (2019-21). Avaliou-se a associação entre satisfação com a vida (desfecho) e percepção de atividade física na vizinhança (exposição), ambos autorreferidos. A análise incluiu estatística descritiva, bivariada e regressão de Poisson (bruta e ajustada), com IC de 95%. Resultados: Dos 6.717 participantes, 60% (IC 95%: 52,4 - 67,2) relataram alta satisfação com a vida e 67,4% (IC 95%: 61,7 - 72,6) percebiam a vizinhança como agradável para atividades físicas. A maior satisfação associou-se a: idade de 60-69 anos, escolaridade ≥ 12 anos, ter parceiro, maior renda, ausência de déficit cognitivo ou depressivo, nunca ter fumado, consumo pesado e ser ativo. Após ajuste por variáveis socioeconômicas, clínicas e de estilo de vida, a percepção ambiental positiva aumentou a prevalência de satisfação com a vida em 21% (RP: 1,21; IC 95%: 1,06 - 1,38). Conclusão: Vizinhanças que favorecem a mobilidade ativa aumentam a satisfação com a vida em idosos. Portanto, planejar espaços urbanos acessíveis é uma estratégia essencial para promover o bem-estar e o envelhecimento saudável.
Introdução: A covid-longa preocupa devido aos prejuízos funcionais persistentes. O exercício físico pode mitigar esses efeitos; contudo, ainda é necessário compreender como esses benefícios são percebidos no retorno às atividades de vida diária (AVDs). Objetivo: Avaliar o retorno às AVDs percebidas como prejudicadas em sobreviventes com covid-longa após treinamento físico multicomponente. Métodos: Ensaio clínico randomizado controlado, conduzido por 24 semanas. O Grupo Intervenção (GI) participou de um programa de treinamento multicomponente, enquanto o Grupo Controle (GC) recebeu recomendações de atividade física. As AVDs foram avaliadas pela Escala Funcional Específica do Paciente (0 = pior execução; 10 = melhor execução) no pré-intervenção, 12 e 24 semanas. As médias foram analisadas por Equações de Estimativas Generalizadas (α = 0,05). Resultados: Participaram 29 adultos (16 mulheres; 52,1 ± 13,9 anos), previamente hospitalizados por covid-19, com sintomas persistentes como fadiga, dispneia, mialgia e perda de memória, relatando 2,8 ± 1,3 AVDs limitadas. Ambos os grupos apresentaram melhoras às AVDs ao longo do tempo (GI: pré 15,0 ± 1,8 pontos; 12 semanas 20,7 ± 2,2 pontos; 24 semanas 22,5 ± 2,4 pontos | GC: pré 10,7 ± 1,6; 12 semanas 17,6 ± 2,8 pontos; 24 semanas 20,8 ± 3,0 pontos), sem diferença estatisticamente significativa entre grupos. Conclusão: Observou-se melhora das AVDs em ambos os grupos ao longo do tempo, sugerindo benefícios do treinamento e das recomendações de atividade física, além da possível influência do curso natural da recuperação, reforçando a relevância das orientações de atividade física na reabilitação dessa população e contexto clínico.
Introdução: A avaliação dos níveis de atividade física (AF) em indivíduos utilizando questionários subjetivos é complexa, principalmente devido à sua extensão e complexidade. Objetivo: Avaliar a concordância e a capacidade discriminatória das classificações da Brief Physical Activity Assessment Tool (BPAAT) em relação a parâmetros de AF medidos objetivamente. Métodos: Foram incluídos indivíduos adultos (18-59 anos). A concordância e a capacidade discriminatória da BPAAT foram comparadas objetivamente utilizando acelerômetros triaxiais utilizados por cinco dias consecutivos. Resultados: Dos 385 indivíduos triados para elegibilidade, 169 foram avaliados. A BPAAT foi capaz de categorizar os participantes do estudo como suficientemente e insuficientemente ativos para as variáveis objetivas de acelerometria de contagem por minuto (cpm), equivalente metabólico da tarefa (MET) e número de passos (valores de Cohen’d = -0,57 [-0,89; -0,25]; -0,59 [-0,91; -0,27]; -0,52 [-0,84; -0,20], respectivamente). O mesmo foi observado para os tempos nas diferentes classificações de AF. Conclusão: As classificações obtidas por meio do BPAAT demonstraram a capacidade de discriminar objetivamente indivíduos em medidas derivadas da acelerometria, como cpm, MET, tempo em diferentes intensidades de AF e número de passos.
Introduction: The covid-19 pandemic led to substantial disruptions in daily routines worldwide, with potential impacts on physical activity and sedentary behavior. Objective: This study evaluated self-reported changes in physical activity (PA) and sitting time (ST) during the covid 19 pandemic in Brazil and examined sociodemographic correlates of these behaviors. Methods: Data were obtained from the nationwide EPICOVID 2.0 survey, which included 33,250 participants. Changes in PA and ST were self-reported, and weighted multinomial logistic regression analyses were conducted. Results: Overall, 29.3% (95% CI: 28.8 – 29.8) reported never practicing PA, 30.1% (95% CI: 29.6 – 30.7) reported decreased PA, 8.6% (95% CI: 8.3 – 8.9) increased PA, and 31.9% (95% CI: 31.5 – 32.5) no change. Regarding ST, 34.4% (95% CI: 33.8 – 34.9) reported an increase, 9.7% (95% CI: 9.4 – 10.1) a reduction, and 55.9% (95% CI: 55.4 – 56.5) no change. Participants reporting a decrease in ST had lower odds of reporting a decrease in PA (OR = 0.29; 95% CI: 0.22 – 0.40). Women had higher odds of decreased PA than men, with no gender differences observed for ST. Higher education was associated with higher odds of decreased PA and increased ST. Conclusion: These findings indicate that the pandemic affected PA and ST differently across population subgroups, with sociodemographic factors playing a key role. Targeted public health strategies are needed to promote PA and reduce ST, particularly among vulnerable groups.
Introdução: Mães de filhos com transtorno do espectro autista (TEA) podem apresentar diversos problemas relacionados aos hábitos de saúde. No entanto, a atividade física (AF) e o comportamento sedentário (CS) ainda são pouco investigados nesse grupo. Objetivo: Analisar a proporção de mães de crianças e adolescentes com TEA que aderem às recomendações de AF e CS, bem como os fatores associados a essa aderência. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com 665 mães de crianças e adolescentes com TEA. Os níveis de AF e CS foram avaliados por meio do International Physical Activity Questionnaire (versão curta). A AF foi classificada em “atende” ou “não atende” às recomendações (150 min/sem), enquanto o CS foi categorizado em quartis. Utilizou-se regressão logística binária para identificar fatores associados à AF e ao CS. Resultados: Cerca de 80% das mães não atenderam às recomendações de AF. Maior idade (OR: 1,040; IC 95%: 1,006 – 1,075) e ter filhos crianças (OR: 2,406; IC 95%: 1,404 – 4,124) aumentaram a chance de não adesão à AF. Mães cujos filhos realizavam terapia (OR: 1,518; IC 95%: 1,015 – 2,272), que trabalhavam (OR: 2,631; IC 95%: 1,770 – 3,911) e mais jovens (OR: 0,972; IC 95%: 0,946 – 0,998) apresentaram maior probabilidade de CS elevado. Conclusão: A maioria das mães não atendeu às recomendações de AF, especialmente aquelas mais velhas e com filhos crianças. Por outro lado, mães mais jovens, com filhos em terapia e que trabalhavam apresentaram maiores níveis de CS.
Introdução: A atividade física deve ser reconhecida como eixo estratégico para a promoção da saúde, fundamentada em princípios de universalidade, equidade, integralidade e participação comunitária. Entretanto, a baixa adesão da população à prática regular constitui um dos principais desafios para a efetivação dessas diretrizes em escala global. Objetivo: Analisar a atenção dada à equidade, à diversidade e à inclusão na agenda retórica presidencial brasileira correlata à promoção da atividade física, no período de 1990 a 2024. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo, exploratório e documental, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados foram coletados nos planos de governo dos candidatos eleitos à Presidência da República, nos discursos de posse e nas mensagens anuais presidenciais enviadas ao Congresso Nacional. Resultados: Os resultados evidenciam que a presença da atividade física na agenda retórica presidencial brasileira entre 1990 e 2024 é limitada e irregular, com número reduzido de menções nos documentos analisados e praticamente inexistente nos planos de governo e discursos de posse. As referências identificadas concentram-se majoritariamente nas mensagens presidenciais enviadas ao Congresso Nacional, ainda assim de forma pontual e pouco articulada aos princípios de equidade, diversidade e inclusão. Conclusão: Conclui-se que tanto a atenção à atividade física quanto aos princípios de equidade, diversidade e inclusão são praticamente inexistentes na agenda retórica, revelando baixa priorização e ausência de comprometimento consistente com esses temas nos documentos analisados. Destaca-se, portanto, a necessidade de novos estudos sobre a presença da atividade física nas demais agendas de políticas públicas brasileiras.
Introdução: A prática regular de atividade física (AF) é fundamental para a saúde física e mental, especialmente na adolescência. Contudo, grande parte dos jovens no mundo não atinge os níveis recomendados de AF, observando-se ainda tendência de declínio na participação nessa fase da vida. A comunidade LGBT+, embora represente parcela significativa da população brasileira, frequentemente recebe pouca atenção em relação às suas necessidades e experiências específicas no contexto da prática de AF. Objetivo: Estudo exploratório-descritivo, com abordagem de métodos mistos convergentes, que teve como objetivo identificar barreiras e facilitadores para a prática de AF entre estudantes LGBT+ do Ensino Médio em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Métodos: Participaram 50 estudantes (15 identificando-se como LGBT+), com 18 anos ou mais, que responderam a um questionário online. Os dados quantitativos foram analisados por meio do teste binomial de Poisson para proporções, enquanto os qualitativos por análise de conteúdo de Bardin. Resultados: As barreiras mais relatadas foram falta de tempo e de recursos financeiros. Entre estudantes LGBT+, predominaram barreiras ambientais, enquanto entre os demais destacou-se a percepção de insegurança. Quanto ao gênero, observou-se maior escore médio de barreiras entre estudantes do gênero feminino (26,1 ± 9,2) em comparação ao masculino (13,8 ± 13,7) (p = 0,028). Entre os facilitadores, destacaram-se aspectos interpessoais, especialmente o humor, mais citados por estudantes LGBT+, que também relataram preferência por modalidades individuais. Conclusão: A presença de facilitadores interpessoais e o papel de apoio da Educação Física escolar enfatizam a necessidade de ambientes educacionais inclusivos. Os resultados reforçam a importância de ambientes educacionais inclusivos e de intervenções que promovam acesso equitativo à AF para adolescentes de diferentes identidades de gênero e orientações sexuais.
Objective: To evaluate the effects of a physical exercise intervention on anthropometric, biochemical, and cardiorespiratory fitness parameters in overweight and obese children. Methods: A randomized controlled trial was conducted with 45 schoolchildren aged 8–11 years from public schools in Uberaba, Minas Gerais, Brazil. Participants were allocated into a control group (n = 22) and two intervention groups: court-based (n = 11) and pool-based (n=12). The 21-week program included three weekly 60-minute sessions of aerobic, recreational, and game-based activities. Outcomes included body mass, body mass index, waist circumference, skinfolds, physical activity and sedentary behavior (accelerometers), VO2max (Shuttle Run), and biochemical markers (cholesterol, HDL-c, LDL-c, triglycerides, glucose, leptin, adiponectin). Analyses were performed using two-way repeated measures ANOVA (group × time) (p < 0.05). Results: The sample was mostly female (55.1%) with a mean age of 9.1 ± 1.0 years. No significant between-group differences were found for anthropometric, biochemical, or fitness outcomes (p > 0.05). The court-based group showed reductions in waist circumference and leptin, while both intervention groups showed reductions in triceps skinfold thickness, although these changes were not statistically significant. No significant group × time interaction effects were observed for physical activity or sedentary behavior variables. Conclusions: Short-term exercise-only interventions did not produce significant changes in the studied parameters. Future studies should investigate whether different intervention structures, durations, and complementary components may lead to different results in childhood obesity management.
Introduction: This analytical essay invites the physical activity community to move beyond counting minutes and explore the context in which physical activity occurs. Objective: To advocate for a recontextualization of research frameworks and guidelines. Current frameworks - habitual, ecological, and structural - often reinforce North-centric assumptions and insufficiently address oppressions such as racism, patriarchy, and homophobia. Development: This essay advocates for the need to confront systemic power structures in the pursuit of a more nuanced understanding of physical activity within frameworks and guidelines, particularly by incorporating knowledge from the Global South and addressing the domain issue. Final considerations: Ultimately, this essay calls for an equity approach to physical activity and health, one that addresses the systemic barriers that have historically excluded marginalized groups from engaging in physical activity that is safe, enjoyable, and dignified.
Introdução: A L-arginina (L-Arg) é precursora essencial na síntese de óxido nítrico (ON) e promove efeitos hipotensores. Contudo, evidências sobre seu papel na hipotensão pós-exercício (HPE) são limitadas, especialmente após exercício de força (EF) em normotensos, dado que as pesquisas existentes priorizam o exercício aeróbio. Objetivo: Investigar se a suplementação oral de L-Arg potencializa a HPE após uma sessão de EF em 12 homens normotensos e inativos fisicamente. Métodos: Os participantes receberam 6 g de L-Arg ou placebo ao término do protocolo de EF (60% de 1RM, 3 séries de 12 repetições) e 30 minutos após, com monitoramento da pressão arterial (PA) por 60 minutos em duas sessões. As análises estatísticas utilizaram ANOVA de medidas repetidas, post hoc de Tukey e teste t de Student (p < 0,05). Resultados: Os participantes apresentaram, na linha de base: 26,5 ± 4,98 anos; 22,8 ± 1,80 kg/m²; PA sistólica e diastólica de 106 ± 5 e 69 ± 9 mmHg, respectivamente. A redução da PA na condição L-Arg foi significativamente maior que no placebo aos 45 e 60 minutos pós-EF (p < 0,05), com reduções máximas de 21,5 ± 8,3 mmHg (sistólica), 11,3 ± 7,2 mmHg (diastólica) e 18,1 ± 8,7 mmHg (média). A concentração plasmática de ON foi significativamente superior aos 60 minutos na sessão com L-Arg (pré: 15,3 ± 1,2 vs. pós: 24,6 ± 3,5 µM/L) em comparação ao placebo (pré: 15,9 ± 3,2 vs. pós: 14,9 ± 0,4 µM/L). Conclusão: A suplementação de L-Arg potencializou a HPE após EF em normotensos, sugerindo seu potencial como intervenção não farmacológica na prevenção primária de doenças cardiovasculares, possivelmente mediada pelo aumento da biodisponibilidade de ON.
Introdução: Praticar atividade física insuficientemente é considerado um fator de risco para o acometimento de doenças crônicas não transmissíveis. Esse comportamento apresenta distribuição diferente entre grupos populacionais, revelando disparidades regionais e sociais no Brasil. Objetivo: Identificar as iniquidades da prática insuficiente de atividade física entre os sexos ao longo do início do século XXI no Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional de corte transversal realizado com o uso de dados secundários de acesso aberto do Repositório de Dados de Iniquidades em Saúde disponíveis no Monitor de Iniquidades em Saúde da Organização Mundial da Saúde. Foram observados dados do Brasil, de 2001 até 2022. Resultados: Os dados apontam que as desigualdades em atividade física persistem, principalmente entre mulheres, tendo 30,9% de prática insuficiente de atividade física na população em geral em 2001 (masculino – 29,3%; feminino – 32,5%) e 40,9% em 2022 (masculino – 35,7%; feminino – 45,8%) (IC 95%: 32,4% - 59,9%). Conclusão: A redução de iniquidades no acesso e prática de atividade física necessita do investimento em vigilância e monitoramento de desigualdades, bem como do fortalecimento de ações intersetoriais. É essencial que políticas públicas considerem determinantes sociais de saúde e possibilitem ambientes equitativos e mais ativos.
Objective: This study examined changes in cardiovascular health-related outcomes, movement behaviors, and body composition in older adults with hypertension 15 months after the onset of the covid-19 pandemic. Methods: Fifteen older adults were included in this longitudinal study with a 15-month follow-up. Assessments included cardiac structure and function, vascular health markers (arterial stiffness, endothelial function, and carotid intima-media thickness), 24-hour blood pressure and heart rate variability, cardiorespiratory fitness, accelerometer-based physical activity (PA) and sedentary behavior (SB), and body composition. Generalized linear mixed models were used for data analysis. Results: After 15 months, participants showed a significant increase in SB (β = 41 min/ day; p = 0.007), a reduction in light-intensity PA (β = ‒39 min/day; p = 0.008), a decrease in step count (β = ‒1,343 steps/day; p = 0.002), and a reduction in peak oxygen uptake (β = ‒1.7 mL/kg/min; p = 0.034). A small but significant decrease was also observed in left ventricular posterior wall thickness (β = ‒0.5 mm; p = 0.046). No significant changes were found in other outcomes (p > 0.05). Conclusion: Deleterious changes in movement behaviors and cardiorespiratory fitness were observed 15 months after the onset of the covid-19 pandemic in older adults with hypertension, despite the absence of significant changes in a broader range of cardiovascular health-related outcomes.
Introdução: Aulas de Educação Física e Esporte de qualidade oferecem experiências que estimulam habilidades pessoais, sociais, autoestima, além de competências físicas e cognitivas. Objetivo: descrever as experiências positivas e negativas nas aulas de Educação Física e Esporte e suas relações com desigualdades a partir das características demográficas (gênero, idade, raça/cor, escolaridade do responsável financeiro familiar e região de moradia) de estudantes. Método: estudo epidemiológico transversal, de base escolar e abrangência estadual, realizado em 2021, com 1.303 adolescentes (51% do gênero feminino). Utilizou-se instrumento validado para analisar as experiências nas aulas de Educação Física e Esporte (Youth Experience Survey for Sport Portuguese Version). O índice absoluto de desigualdade e o índice de concentração foram calculados para avaliar as desigualdades. Resultados: Os grupos que se destacaram com maiores experiências positivas, quando comparados com seus pares, foram: as meninas, com 4,49 pontos (IC 95%: 1,73;7,25) em habilidades pessoais e sociais, os estudantes ≥18 anos com 9,93 (IC 95%: 5,49;14,37) em habilidades pessoais e 5,65 em iniciativa (IC 95%: 1,21;10,09), os indígenas com 16,52 (IC 95%: -12,32; 45,36) em habilidades pessoais e sociais e os alunos do interior com pontuações em habilidades pessoais e sociais de 7,79 (IC 95%: 4,99; 10,59), habilidades cognitivas de 4,86 (IC 95%: 1,95; 7,77), e experiências de iniciativa de 4,16 (IC 95%: 1,36; 6,97). Alunos indígenas apresentaram menores pontuações em habilidades cognitivas -9,04 (IC 95%: -38,72; 20,65) e maior exposição a experiências negativas -16,38 pontos (IC 95%: -29,82; -2,95), quando comparados aos alunos brancos. Conclusão: Apesar de variações sociodemográficas, a maioria das experiências foi uniforme, com poucas desigualdades.
Introdução: A gestação representa um período de intensas mudanças físicas, emocionais e sociais, que requerem adaptações para garantir o bem-estar materno e fetal. Nesse contexto, a prática de atividade física (AF) pode contribuir para a prevenção de complicações gestacionais e para a promoção da saúde da gestante e do bebê. No entanto, a adesão a níveis adequados de AF durante a gestação permanece baixa. Objetivo: Avaliar a prática de AF entre gestantes atendidas na rede pública de saúde de Curitiba, Paraná, Brasil, bem como sua associação com fatores sociodemográficos e clínicos relacionados ao acompanhamento pré-natal. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, vinculado à Coorte de Saúde Materno-Infantil de Curitiba, com participação de 195 gestantes com idade igual ou superior a 16 anos. Foram coletadas informações sociodemográficas, clínicas e relacionadas à prática de AF, analisadas por estatística descritiva e inferencial, utilizando teste Qui-quadrado e regressão de Poisson com estimador robusto. Resultados: Há elevada prevalência de inatividade física: 80,5% das gestantes não atingiram os 150 minutos semanais de AF moderada e 89,2% não realizaram atividades vigorosas por ao menos 10 minutos contínuos. Apesar disso, 77,4% relataram caminhar por pelo menos 10 minutos diários. O tempo sedentário predominou entre 4 a 6 horas diárias. A consulta com profissional de Educação Física foi um fator associado positivamente à maior prática de AF moderada. Conclusão: Há necessidade de ampliar o acesso à orientação profissional e desenvolver estratégias interdisciplinares para promoção da AF segura durante a gestação, visando melhores resultados materno-infantis.
Objetivo: Foi avaliar a adoção, o alcance e a efetividade do Programa Vida Ativa Melhorando a Saúde (VAMOS, versão 2.0) implantado na Atenção Primária à Saúde de diferentes regiões do Brasil. Métodos: Trata-se de uma intervenção comunitária composta por 12 encontros conduzidos por profissionais de saúde, com avaliações realizadas no baseline e pós-intervenção. Resultado: A taxa de adoção pelos profissionais foi de 72,7% (n = 8). O alcance das estratégias de recrutamento foi de 0,34% (n = 231), o alcance da intervenção foi de 61% (n = 141) e a taxa de retenção dos participantes foi de 75,8% (n = 107). Observou-se aumento no tempo dedicado à atividade física total, redução do comportamento sedentário, melhora no consumo de alimentos saudáveis, redução da circunferência da cintura e aumento da percepção positiva de qualidade de vida (p < 0,05). Conclusão: O Programa VAMOS apresentou taxas elevadas de adoção e alcance, além de efetividade na promoção de mudanças positivas em atividade física, alimentação saudável, medidas corporais e percepção positiva da qualidade de vida, evidenciando seu potencial como estratégia de promoção da saúde na Atenção Primária.
Objective: The study investigate study was to investigate the effects of a physical exercise program on the motor skills and physical activity levels of children with Autism Spectrum Disorder (ASD). Methods: Forty-nine children, aged 8 to 10 years, were randomly assigned to an exercise group (EG; n = 29) and a control group (CG; n = 20). The EG participated in a 16-week program, with three weekly sessions of 50 minutes each, consisting of both aerobic and strength exercises. Motor skills were measured by the Test of Gross Motor Development-2. Physical activity was assessed by accelerometry before the intervention, after 8 weeks, and after 16 weeks. Data analysis was conducted using Generalized Estimating Equations and Bonferroni post-hoc tests (α = 0.05). Results: 39 children completed the intervention. The results showed that the EG had higher scores related to motor skills compared to the CG after the intervention. Additionally, significant improvements in motor skills were observed in the EG from week 0 to week 8 and from week 8 to week 16, with no changes over time in the CG. The CG reduced physical activity levels from week 0 to week 8, and the EG remained stable. Conclusion: Children with ASD benefited from the physical exercise program, showing improvements in motor skills and maintenance of physical activity levels. Exercise programs should be used to promote inclusion in physical exercise promotion, mitigating disparities in access to physical activity and its associated benefits.