
Este estudo analisa o projeto BioQueer como uma estratégia de educação científica crítica no contexto do ensino superior, articulando ações de divulgação científica digital e atividades formativas presenciais voltadas à problematização das Diferenças do Desenvolvimento do Sexo (DDS), do sexo biológico e do gênero. Trata-se de um estudo de caso de natureza qualitativa e descritiva, com apoio de dados quantitativos descritivos, fundamentado na análise das métricas do perfil @bioqueer na plataforma Instagram, na sistematização dos conteúdos produzidos e na descrição das ações presenciais desenvolvidas no âmbito do projeto. Os resultados indicam amplo alcance dos conteúdos digitais, com predominância de visualizações por usuários não seguidores, evidenciando o potencial de circulação do conhecimento científico para além da comunidade acadêmica. Observou-se que os vídeos curtos se configuraram como a principal estratégia de engajamento, enquanto os materiais educativos impressos e digitais, aliados às ações presenciais, favoreceram o aprofundamento conceitual, a continuidade do vínculo com o público e a reflexão crítica sobre os conteúdos abordados. Conclui-se que a integração entre mídias digitais, materiais pedagógicos e práticas extensionistas potencializa a divulgação científica como prática pedagógica crítica, contribuindo para a formação cidadã, para a problematização de discursos biologizantes e normativos e para a democratização do conhecimento científico no ensino superior latino-americano.
Bullying is widely recognized as a serious psychosocial issue that affects students' health and development. Two studies were conducted with the following objectives: 1) integrating available evidence in the literature on how sociometric status related to boys' perpetration of school bullying, and 2) identifying sociometric positions of a group of boys identified as aggressors in classrooms. The cross-sectional study involved 165 male adolescents aged 11 to 19. Data was collected using the Sociometric Scale and analyzed descriptively and exploratively. The results revealed various factors influencing the relationship between sociometric status and bullying. Despite both aggressors and victims facing similar levels of rejection, perceptions varied, with victims seen as more vulnerable and aggressors as stronger. The complexity of popularity dynamics and associated contradictions highlighted the interconnectedness of sociometric status, rejection, and popularity in the context of bullying. The findings also suggested that aggressors were perceived as disruptive by peers, showing prevalence in behaviors associated with rejection and disorder. Both studies provided significant insights into bullying dynamics among boys, its link with sociometric status, and the complexities of social interactions in classrooms. The theoretical and practical implications are extensive. It highlighted the intricate nature of social interactions and sociometric status, emphasizing their influence on bullying dynamics. This underscores the need to further understand how rejection, popularity, and perceptions impact students' aggressive behaviors. Moreover, identifying aggressors as disruptive by peers indicates the importance of intervention strategies focusing on this behavior.
Este artigo tem como objetivo identificar as contribuições de Vygotsky e Benjamin nas teses brasileiras para a Educação Infantil no Brasil, com foco nas “interações”, um dos eixos das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil. A metodologia de pesquisa utilizada foi de abordagem qualitativa, de natureza exploratória e se classifica como uma pesquisa bibliográfica tendo como corpus de análise oito teses. A Análise de Conteúdo foi selecionada para a análise dos dados. Os resultados demonstraram que, mesmo inseridas em contextos históricos e epistemológicos distintos, as teorias de Vygotsky e Benjamin convergem em assuntos para compreender as interações na Educação Infantil. As interações, com foco em Vygotsky e Benjamin revelam a criança como um ser ativo e social que aprende através do corpo, da linguagem e da imaginação. Os dois autores expressam ao leitor que a construção do conhecimento ocorre por meio de interações.
A pandemia de COVID-19 evidenciou o papel central dos profissionais de saúde como agentes estratégicos na mitigação de crises sanitárias. Expostos a elevado risco de infecção, intensa sobrecarga emocional e responsabilidades ampliadas na promoção da saúde pública, esses necessitam de proteção adequada, sendo a vacinação uma medida fundamental para garantir a segurança e a continuidade dos serviços de saúde. A hesitação vacinal, embora minoritária, está associada a fatores de desinformação, dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das vacinas, receio em relação ao processo de desenvolvimento das vacinas, receio em relação à segurança e barreiras de acesso. O presente estudo, realizado com 276 profissionais da SES/DF, identificou elevada taxa de adesão vacinal (99,3%), apesar da persistência de desconfianças relacionadas à rapidez no desenvolvimento das vacinas. Observou-se predominância do sexo feminino na amostra (78,3%), refletindo a composição da força de trabalho em saúde. A análise quali-quantitativa evidenciou que 79,7% dos participantes relataram infecção prévia por SARS-CoV-2, reforçando a importância de medidas de proteção, como o uso de equipamentos de proteção individual. Ademais, 47,5% dos profissionais relataram vivência de luto durante a pandemia. Embora a hesitação vacinal tenha se mostrado reduzida, sua presença reforça a necessidade de estratégias contínuas de educação em saúde, pautadas na transparência e na evidência científica. Dessa forma, políticas institucionais consistentes e ações educativas direcionadas são essenciais para fortalecer a confiança na vacinação e garantir a proteção coletiva no contexto dos serviços de saúde.
Este estudo tem o objetivo de analisar quais compreensões acerca das práticas psicomotoras em sua articulação com o trabalho pedagógico nos processos de ensino e aprendizagem de crianças de cinco anos são evidenciadas por professoras da Educação Infantil. A pesquisa foi embasada nos pressupostos da abordagem qualitativa, sendo realizada por meio de um estudo de caso. Para a geração dos dados, utilizamos a revisão bibliográfica, a observação participante, a entrevista narrativa e a análise documental. A análise dos dados foi fundamentada a partir dos Núcleos de Significação propostos por Aguiar e Ozella (2006; 2013). Os achados revelaram que as professoras compreendem as práticas psicomotoras e a sua articulação com o trabalho pedagógico por meio das experiências lúdicas, evidenciando, nesta relação, os âmbitos corporal, social e cognitivo das crianças. Contudo, verificou-se que, na interlocução com o trabalho pedagógico, a Psicomotricidade não é inserida de forma intencional, sinalizando lacunas em relação à formação inicial ou continuada das docentes no que diz respeito aos conhecimentos sobre a referida Ciência.
Este artigo analisa os desafios pedagógicos desenvolvidos por um professor autista que atuou com estudantes com deficiência durante a pandemia de COVID-19, no Distrito Federal, Brasil. A pesquisa insere-se no contexto de fechamento das escolas e da transição para o ensino remoto, que impactou milhões de estudantes brasileiros, com efeitos mais severos sobre famílias em situação de vulnerabilidade e sobre a educação especial. Entre os fatores identificados, destacam-se a precariedade no acesso às tecnologias digitais, a ausência de diretrizes unificadas para orientar o ensino remoto e a intensificação das desigualdades socioeconômicas. Além disso, discute-se o efeito das políticas públicas implementadas no período que, ao priorizarem medidas de austeridade e individualizarem responsabilidades, fragilizaram o suporte à educação pública e sobrecarregaram professores e famílias. De abordagem qualitativa, fundamentado na Teoria Histórico-Cultural, o estudo baseia-se na realização de entrevista semiestruturada, enfatizando a compreensão dos sentidos produzidos pelo docente diante dos desafios pedagógicos. A investigação considera tanto o contexto histórico e social quanto a condição do professor como pessoa autista, por meio de uma orientação teórico-metodológica baseada na análise semântico-dialética. O eixo de análise destacado é a dimensão pedagógica, que evidencia recursos utilizados, estratégias construídas e dificuldades enfrentadas no acesso à tecnologia. Ao iluminar a perspectiva de um sujeito que experienciou a pandemia simultaneamente como educador e como pessoa com deficiência, o artigo busca compreender os modos de mediação criados e os obstáculos pedagógicos enfrentados. Pretende-se, assim, contribuir para aprofundar a reflexão sobre a inclusão escolar em tempos de crise, reconhecendo-a como processo histórico e social que exige investimento, políticas públicas consistentes e práticas pedagógicas que favoreçam a participação efetiva de todos os estudantes.
O ensaio problematiza o paradigma dominante da pesquisa jurídica orientada pela tecnologia dogmática, entendida como arranjo epistêmico que organiza a ciência do direito em torno da decidibilidade. Nesse horizonte, mobilizou-se a colagem, em diálogo com Deleuze, para produzir um estranhamento na “língua jurídica” e tornar-se, no interior dela, um “nativo estrangeiro”. A partir dessa perspectiva, criticou-se a capilarização do tecnicismo experiencial na pesquisa jurídica conjugada com os seus sintomas: manualismo, reverencialismo, lógica de pareceres e confusão epistemológica. Baseado ainda em Pierre Bourdieu, analisaram-se os operadores linguísticos que sustentam o monopólio do campo jurídico em “dizer o justo”, observando os efeitos de neutralização, universalização e apriorização que estão refletidos, inevitavelmente, na produção de conhecimento. Ao final, o texto delineia táticas não prescritivas aliadas ao procedimento de uma genealogia de si, a fim de desativar a sacralidade do discurso jurídico e abrir possibilidades epistemológicas na referida área.
O objetivo geral deste estudo foi propor um jogo interdisciplinar com RPG (Role-Playing Game) digital em Língua Inglesa. Trata-se de uma pesquisa descritiva exploratória. Neste estudo descreve-se a forma como foi construído o jogo e os componentes que fizeram parte do mesmo em consonância com a BNCC. Uma das autoras deste estudo leciona Língua Inglesa e Língua Portuguesa na escola designada como Escola da Floresta Olho da Coruja (EFOC), localizada em Chapada - RS, que trabalha com a metodologia de projetos de forma interdisciplinar. Assim, optou-se por um enredo que não apenas atendesse à temática do projeto anual, mas também fosse capaz de englobar conhecimentos inerentes a todos os componentes curriculares do ensino fundamental. Seguindo a temática elencada para 2024, “Vivendo com insetos”, foi criado o jogo de RPG digital para uso em sala de aula, nomeado “Insect Forest” (Floresta dos Insetos). Foi adquirido o software RPG Maker MZ, por meio da plataforma Steam, onde é possível a compra de jogos e softwares para computadores. Criaram-se avatares que representam os professores e estudantes da escola e desenvolveu-se um mapa da escola, com a representação dos ambientes da mesma. Todos os diálogos são em inglês, exceto por uma fase, que requer conhecimentos de Língua Portuguesa. Em cada etapa o estudante/jogador enfrentará enigmas e, ao resolvê-los, passa para a próxima etapa e recebe “poderes especiais”. Acredita-se que o jogo, por meio dos desafios propostos, contribua para o protagonismo dos estudantes, que devem tomar decisões a cada etapa e possibilite a revisão dos conteúdos curriculares inseridos no mesmo.
Este artigo move-se pela aposta no enfrentamento das violências corporais e sexuais que vicejam sobre alguns corpos infantis brasileiros. Emerge, na contemporaneidade, um conjunto de campanhas digitais relativas à proteção das infâncias que produz certo reconhecimento das crianças como sujeitos de direitos corporais e sexuais. Assim, questionamos: Como a Campanha #NÃOSECALE, do Instituto Liberta, opera no enfrentamento das violências corporais e sexuais vivenciadas nas infâncias? O corpus analítico delimita-se em um combinado de imagens produzidas pela Campanha #NÃOSECALE, as quais são elaboradas a partir de relatos de histórias de mulheres adultas que enunciam publicamente que foram violentadas corporal e sexualmente na infância. A escolha metodológica baseia-se em Schwengber (2012) a partir do uso de imagens como recurso metodológico de pesquisas pós-críticas em educação, e, ainda, na perspectiva foucaultiana (Foucault, 2004, 2015) acerca dos discursos e enunciados veiculados nas imagens. As análises permitem reconhecer que a Campanha #NÃOSECALE exerce papel educacional e político (da palavra) ante as violências, as quais estão implicadas ao processo enunciativo, isto é, de exposição, de produção e de compartilhamento da dor e do sofrimento vivido nas histórias de vida. Pelo ato de narrar-se, contar-se, suas vozes transitam nessa dinâmica de fragilidade, de denúncia e de responsabilização de todos nessa forma de partilha. Além disso, a campanha #NÃOSECALE contribui para que diversos sujeitos se inspirem e tomem coragem de falar sobre a violência vivenciada, uma vez que os relatos de histórias contribuem para romper o indizível, fazendo com que essas violências sejam percebidas, reconhecidas e discutidas publicamente.
A escola é reconhecida como espaço de formação, socialização e construção de identidades, sendo objeto de investigações que buscam compreender suas representações em diferentes grupos sociais. Este estudo teve como objetivo analisar as representações sociais de “escola” de 50 graduandos em Química do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), ingressantes entre 2020 e 2021. Para o tratamento dos dados, foram empregadas três técnicas complementares: Análise Prototípica, Análise de Similitude e Análise de Conteúdo. Os resultados indicam que o Núcleo Central das representações é constituído pelos termos “aprendizado” e “professor”, evidenciando a centralidade das dimensões cognitiva e pedagógica. No sistema periférico, destacam-se “amizade” e “socialização”, associados à dimensão social e sensíveis ao contexto pandêmico de Covid-19. Observa-se, ainda, a presença de elementos relacionados ao desenvolvimento pessoal, indicando uma compreensão ampliada da escola como espaço de formação integral. Os achados diferem parcialmente da literatura e sugerem uma representação positiva da escola, articulando dimensões cognitivas, pedagógicas e socioafetivas. O estudo contribui para a compreensão das concepções de futuros professores, evidenciando implicações para a formação docente e a construção da identidade profissional.
Uma grande cidade, neste artigo denominada Cidade Modelo, com crescimento populacional de 14,1% (2010-2020), enfrenta carência de vagas escolares nas periferias, agravada pelo fechamento de escolas em áreas centrais. Este estudo analisou os impactos dessa desativação, considerando a distribuição desigual de infraestrutura educacional, especialmente em regiões com multirresidenciais populares. A pesquisa qualitativa e exploratória revela que, enquanto escolas centrais foram desativadas devido à queda no número de matrículas, as periferias, como bairros com multirresidenciais populares, enfrentam superlotação e escassez de infraestrutura educacional. A desativação sem redistribuição de recursos amplia desigualdades, como no caso da Escola B, integrada à outra unidade escolar sem planejamento adequado. A municipalização de instituições como Escola D e Escola G também eliminou o Ensino Médio nessas áreas. Verificou-se o reaproveitamento de escolas desativadas como centros comunitários ou culturais para atender demandas locais. O estudo conclui que a integração entre políticas educacionais e urbanas é crucial para garantir o acesso equitativo à educação e o desenvolvimento sustentável, enfatizando a importância de ações coordenadas entre educação e urbanismo para garantir a oferta de educação de qualidade em todas as regiões de Cidade Modelo.
Quando visitamos um lugar e ficamos muito bem impressionados, ou quando temos uma experiência que consideramos ter sido importante para nós, costumamos contar isso a outros, sugerindo que, se possível, também visitem esse lugar ou façam também a experiência que tivemos. Aqui não queremos falar de um lugar que visitamos, mas de um livro que nos chegou às mãos e cuja experiência de leitura gostaríamos de compartilhar, sugerindo, por óbvio, que muitos outros venham a fazê-la. Assim, mais do que dizer do que trata o livro, o que no todo seria tarefa impossível, ou apresentar todos os seus qualificados ensaios, queremos falar da importância de vir a ter um exemplar desta obra na biblioteca particular da casa, especialmente em se tratando de alguém que se ocupa com educação, com a formação humana ou, simplesmente, de alguém que queira pensar sobre sua condição de “homem singularizado entre os homens”, para nos valermos de uma expressão de Mario Osorio Marques (1995, p. 10).
O Ensino de Biologia instiga reflexões e debates acerca da diversidade de temáticas que emergem nos diferentes espaços da sociedade, ensejando a formação crítica, a participação social e a tomada de decisão consciente. Sob essa perspectiva, a área requer uma fundamentação ancorada no compromisso ético e na consciência política – o que exige a articulação ativa das vozes emergentes dos sujeitos históricos, cujos saberes e vivências são moldados por contextos socioambientais e temporais específicos - que a ciência não pode mais negligenciar. Nesse sentido, a interação sociocultural, promovida pelos eventos científicos e acadêmicos da área, consolida-se como um canal indispensável para amplificar diálogos plurais, ao potencializar as premissas de um profícuo intercâmbio de saberes e da coprodução do conhecimento.
Os componentes curriculares têm como objetivo permitir a apropriação adequada de conceitos, a fim de que os conhecimentos/saberes possam ser estabelecidos de uma forma integrada para que sejam significativos durante o processo de aprendizagem dos alunos. Para facilitar e fortalecer a aprendizagem de Ciências, a Epistemologia e a História da Ciência têm sido acrescentadas aos currículos dos cursos da área de Ciências da Natureza, entre outros. O objetivo dessa pesquisa foi investigar se a Epistemologia e a História da Ciência são abordadas no currículo da licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo, Rio Grande do Sul. O estudo, de natureza qualitativa, do tipo documental, teve, como campo empírico, os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) desde sua primeira oferta. Todos os PPC apresentaram os temas como componentes curriculares obrigatórios, além de optativos. Eles foram sendo modificados, atualizados e aperfeiçoados, à medida que houve reformulações nos PPC do curso ao longo dos anos. Isso evidenciou a importância dada pelo curso à presença da Epistemologia e da História da Ciência na formação inicial de professores da área.
Apresenta-se um estudo realizado com o objetivo de analisar a representação de cientistas em livros didáticos da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (CNT) disponibilizados no PNLD de 2021. Trata de uma pesquisa de cunho qualitativo do tipo documental, em que foram analisados dois livros didáticos que pertencem a duas coleções para o Ensino Médio sendo as mais utilizadas nas escolas da região das Missões/RS. O processo de análise foi conduzido por categorias estabelecidas a priori, sendo que para esse trabalho discute-se a categoria Quem faz Ciência. Essa categoria busca analisar se a Ciência é apresentada como um trabalho individual, realizado por um único cientista ou se ela é resultado de um esforço coletivo, envolvendo diferentes pesquisadores. Os resultados identificados a partir dessa investigação evidenciam que os livros didáticos apresentam distintas formas de apresentar os aspectos que tratam da representação de cientista, alguns demonstram um maior comprometimento com a inserção de aspectos históricos por meio da inserção de elementos que contribuem para humanizar o processo de construção do conhecimento científico. No entanto, destaca-se nos livros analisados a Ciência apresentada como fruto do trabalho individual predominando nos excertos, subestimando a importância da colaboração de diversos pesquisadores, sugerindo erroneamente que a Ciência é uma construção individual.
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que integrou a Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) e o Pensamento Excelente como referenciais teórico-metodológicos para a análise do pensamento crítico e criativo no ensino de Ciências. Realizada com estudantes do sexto ano, a investigação desenvolveu parâmetros qualitativos para identificar manifestações desse pensamento em produções escritas sobre o interior da Terra. Os resultados demonstram que a articulação entre EAM e Pensamento Excelente mostrou-se consistente para caracterizar indícios de criticidade e criatividade nas interpretações dos estudantes. Conclui-se que essa integração amplia as possibilidades de análise qualitativa do pensamento excelente no contexto da educação científica.
A figura feminina cientista contribuiu e contribui significativamente para o desenvolvimento da Ciência-Tecnologia (CT), no entanto permanecem sendo invisibilizadas em muitas ferramentas educacionais, dentre elas os Livros Didáticos (LD), que persistem reproduzindo estereótipos, principalmente ao que remete a pessoa que faz CT. Sob esse enfoque, objetivamos verificar se houve a presença do obstáculo epistemológico do Conhecimento unitário e pragmático no modo como as imagens das/os cientistas são apresentadas em LD de Ciências da Natureza e suas Tecnologias do Ensino Médio. Para tal, tivemos como corpus de análise as sete coleções aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático de 2021, utilizando como metodologia de análise a Análise Textual Discursiva, dividida em três etapas: unitarização, categorização e comunicação. Dessa investigação, emergiam duas categorias: i) Sozinha ou acompanhada? Mirando uma CT do século passado, de cor branca, grisalha e nos laboratórios e ii) Costurando possibilidades e desafios futuros: figura feminina na modernidade. A não representatividade feminina na CT pode aludir um obstáculo do conhecimento unitário e pragmático pelo fato de generalizar a CT como masculina, e/ou realizada por uma pessoa branca, idosa, de cabelos e barba grisalhos, em um laboratório ao lado de suas vidrarias, desse modo, deixando de lado os demais grupos, os invisibilizando. Dito isso, os LD permanecem reproduzindo um certo padrão de cientista ou até mesmo indicando que essa não se faça na modernidade, pela falta de exemplos trazidos. Logo, essas representações carecem um olhar cuidadoso para que não continuemos barrando inserções quaisquer no meio científico-tecnológico.
Diante do crescimento de discursos anticientíficos e da desinformação nas redes sociais, torna-se essencial fortalecer estratégias educacionais que promovam a Alfabetização Científica (AC). A ideia de implantação de um Clube de Ciências, visa criar oportunidades de aprendizagem investigativa, despertar o interesse dos estudantes pela Ciência e incentivar o desenvolvimento de uma postura crítica. Para validação dessa proposta se investigou as percepções de professores dos anos iniciais acerca da utilização do laboratório e do Clube de Ciências. Através da análise do questionário aplicado, identificou-se os principais obstáculos enfrentados e o interesse docente na adoção de metodologias investigativas. Os resultados revelam que, apesar do reconhecimento da importância da experimentação, fatores como falta de tempo, formação específica e estrutura física limitam sua realização. Em contrapartida, observa-se ampla aceitação à proposta como estratégia de promoção da AC. Conclui-se que iniciativas como essa, são essenciais para qualificar o ensino de Ciências nos anos iniciais.
O Brasil enfrenta uma redução de professores da Educação Básica e pesquisas indicam um cenário pessimista para os próximos anos. Desse modo, o presente trabalho buscou compreender as perspectivas de egressos de um curso de Ciências Biológicas em atuar na carreira docente. Para tanto, utilizou-se um questionário para coleta de dados que foram tratados a partir dos pressupostos da Análise de Conteúdo. Os resultados apontam que as perspectivas em atuar na Educação Básica são mais comuns entre os egressos que não possuem experiência profissional na área, porém, observa-se uma tendência de desistência da profissão entre aqueles que já atuaram em algum momento como professores desse nível de ensino. Tais dados indicam uma relação entre as condições de trabalho na área e o interesse dos egressos em permanecer na profissão.
Este estudo analisa percepções de docentes de Ciências da rede municipal de Florianópolis acerca do currículo e da prática pedagógica, considerando a relação entre formulações teóricas e desafios do cotidiano escolar. A investigação, de abordagem qualitativa, contou com 36 participantes que responderam a questionários voltados à identificação de suas concepções curriculares. Os resultados indicam que os docentes apresentam formação qualificada, com expressiva participação em programas de pós-graduação, majoritariamente na área de Educação em Ciências. Observou-se prevalência de concepções críticas e pós-críticas de currículo, com ênfase em sua dimensão política e social, bem como rejeição a modelos exclusivamente técnicos ou tradicionais. No âmbito da Educação em Ciências, os docentes demonstram alinhamento com pressupostos construtivistas, valorizando a problematização de conhecimentos prévios e as implicações sociais da atividade científica. Ainda que se verifiquem sobrecarga laboral, intensificação do trabalho e limitações estruturais, os docentes assinalam o exercício de autonomia para ressignificar prescrições curriculares em função das realidades escolares. A pesquisa evidencia tensões entre as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as concepções docentes, além da percepção de diferentes agentes e instâncias de atuação na construção curricular. Conclui-se pela necessidade de se reconhecer o protagonismo docente nos processos de reelaboração curricular e de se assegurar que as políticas educacionais incorporem as especificidades do trabalho pedagógico e os saberes produzidos pelos professores no cotidiano escolar.