
A olivicultura tem avançado para regiões não tradicionais, como o sul do Brasil, onde a variabilidade microclimática de Santa Catarina favorece a adaptação dos cultivares. Este estudo avaliou a floração de cinco cultivares de oliveira (Arbequina, Arbosana, Grappolo, Koroneiki e Picual) em Rancho Queimado, SC, no ciclo 2023/24, considerando a duração das fases fenológicas e as exigências térmicas e de frio. ‘Arbequina’ destacou-se pela maior precocidade, iniciando a floração em julho, enquanto a plena floração ocorreu entre setembro e início de outubro para a maioria dos cultivares. ‘Picual’ apresentou menor acúmulo térmico para completar a floração, indicando boa adaptação local. ‘Arbequina’ também mostrou menor exigência de frio. A temperatura média foi de 15°C, com alta umidade relativa e precipitação durante todo o período. Os resultados evidenciam diferenças relevantes entre cultivares, auxiliando na escolha de materiais mais adaptados à olivicultura catarinense.
A cebola é a segunda hortaliça mais produzida no mundo, alcançando a marca de 111 milhões de toneladas em 2022. Apesar da sua importância, ainda se desconhece as características do resíduo proveniente do beneficiamento da cebola (RBC). Este trabalho teve como objetivo (1) determinar a composição e teor de nutrientes no resíduo do beneficiamento da cebola, considerando suas frações; (2) classificar o mesmo segundo a legislação federal brasileira, visando sua possível utilização como fertilizante. A amostragem do RBC foi realizada em 15 diferentes pontos, geograficamente distribuídos dentro do Município de Aurora, SC. Estes incluíram as unidades de beneficiamento/classificação da cebola (UBCC), locais de descarte inapropriado e locais de descarte comuns. No processo de caracterização observou-se que o resíduo é constituído de duas frações, uma oriunda de restos de tecidos vegetais e uma fração de solo que vem aderida aos tecidos vegetais. Na sua forma integra, o RBC apresentou densidade de 302,82kg/m³, baixa relação C:N (15,8:1) e importante percentual de matéria orgânica (64,83%) e carbono orgânico (20,07%). Quando estratificado, cerca de 38% do resíduo correspondia à fração de solo e 62% à fração vegetal. O RBC apresentou teor de Nitrogênio de 1,27%, sugerindo potencial como fonte de N para fertilização de áreas. Em termos gerais, o teor de nutrientes é comparável a alguns resíduos vegetais (ex. cascas de café, mamona, amendoim) e animais (ex. lodo de esgoto, esterco sólido bovino).
A saúde do solo é um conceito dinâmico e multifacetado, fundamental para a sustentabilidade dos ecossistemas e dos sistemas agrícolas. Um solo saudável é biologicamente ativo, produtivo e capaz de prestar serviços ambientais essenciais. A avaliação da saúde do solo pode ser realizada por meio de bioindicadores, como a atividade das enzimas arilsulfatase (ARIL) e β-glicosidase (BG). Essas enzimas são sensíveis às mudanças no manejo do solo e refletem a “memória do solo” quanto à saúde. Este trabalho de revisão buscou sintetizar pesquisas sobre as atividades enzimáticas de ARIL e BG em diversas regiões e sistemas de manejo no Brasil. Observou-se que a interpretação dos valores enzimáticos requer calibração regionalizada e que práticas conservacionistas, como sistemas agroflorestais, plantio direto e integração lavoura-pecuária, tendem a elevar a atividade dessas enzimas em comparação com o cultivo convencional, o que impacta positivamente o acúmulo de matéria orgânica e a produtividade. Além disso, alguns estudos evidenciam que fatores como a fertilização (nitrogenada) e a calagem influenciam positivamente a atividade enzimática, enquanto a compactação do solo e algumas inoculações microbianas podem exercer efeitos negativos. A variação nos valores das enzimas ARIL e BG, relatada na literatura, reforça a necessidade de estudos regionalizados em diferentes biomas e culturas no país. A revisão objetiva, portanto, criar um mapa regionalizado da saúde do solo com enfoque no estado de Santa Catarina, visando auxiliar na tomada de decisão e no planejamento agrícola.
A tecnologia do sal proteinado em Santa Catarina foi desenvolvida pela Epagri na Estação Experimental de Lages para melhorar os indicadores zootécnicos dos rebanhos bovinos em regiões com ocorrência de geadas, especialmente em pastagens nativas. O objetivo principal do uso de sal proteinado é suprir a deficiência de nitrogênio das bactérias do rúmen, que são capazes de extrair energia da pastagem ingerida pelos bovinos, através do processo de fermentação. Quando utilizado, o sal proteinado promove um aumento do consumo de forragem e maior ingestão de nutrientes, revertendo uma situação de perda de peso corporal para mantença ou pequenos ganhos. Os estudos sobre as deficiências nutricionais dos rebanhos da região foram iniciados em 1984 e culminaram, em 1995, no desenvolvimento da tecnologia conhecida como Sal Bock, amplamente utilizada por pecuaristas Planalto Sul Catarinense e de outras regiões do sul do Brasil. Para uso eficaz do sal proteinado são necessárias algumas práticas de manejo, desde uma fase de adaptação até a pesagem dos animais no início e fim do período de utilização. Por beneficiar a microbiota ruminal e favorecer um melhor aproveitamento das pastagens crestadas por geadas, a utilização do sal proteinado também contribui, indiretamente, para redução das queimadas do campo nativo, um benefício ambiental importante e amplamente questionado pela sociedade.
A vitivinicultura de altitude em Santa Catarina consolidou-se como referência na produção de vinhos finos. Contudo, a atual demanda por produtos de qualidade superior exige o constante aprimoramento dos processos enológicos. Neste sentido, estratégias como controle térmico e uso de tecnologias específicas são essenciais para elevar a qualidade dos vinhos. O estudo avaliou metodologias de manipulação do mosto em vinhos tintos das cultivares Cabernet Sauvignon, Montepulciano e Sagrantino, nas safras de 2022/2023 a 2024/2025, buscando otimizar a qualidade final. Foram aplicadas estratégias pré-fermentativas e fermentativas, incluindo modulação da temperatura de fermentação (26°C constante ou decrescente 26→22°C), maceração pré-fermentativa a frio (0–2°C por 48h), alteração da relação casca/polpa (remoção de 25% do mosto) e diferentes frequências de pigeage (uma e três vezes ao dia). Essas intervenções influenciaram os parâmetros físico-químicos, microbiológicos e cromáticos. A modificação da relação casca/polpa aumentou o teor alcoólico, acidez e extração fenólica. A maceração a frio favoreceu a estabilidade microbiológica e a longevidade. A modulação térmica contribuiu para maior extração de antocianinas e a frequência tripla de pigeage impactou a fermentação e o controle microbiológico.
A macieira é alógama e exige polinizadoras com pelo menos um alelo S diferente dos dois alelos S da cultivar produtora para ocorrer a fertilização e deve existir alta percentagem de sincronização da floração entre elas. O objetivo deste trabalho foi indicar duas cultivares polinizadoras em regiões entre 900m e 1.200m de altitude que apresentem elevada percentagem de sincronia com a cultivar produtora durante a floração, produzam grande quantidade de grãos de pólen compatível, produzam frutos com alta qualidade comercial e apresentem resistência genética à mancha foliar de glomerella (MFG). Os percentuais de coincidência de floração com os polinizadores indicados por este trabalho em relação à indicação da Epagri, foram maiores para ‘Daiane’, ‘Elenise’, grupo ‘Gala’, ‘Lorenzo’ e ‘Luiza’; foram iguais para ‘Castel Gala’, grupo ‘Fuji’, ‘Isadora’ e ‘Venice’; e pouco menores para ‘Monalisa’. Maior percentual de sincronização da floração ocorreu nos anos com maior quantidade de frio hibernal (>419HF ou >568UF). Nas altitudes a que se destinam as indicações deste trabalho ocorrem microclimas, que aliados às alterações climáticas anuais podem alterar as épocas de floração das cultivares.
A pitaia é uma cactácea cultivada cultivada em todas as regiões do Brasil, sendo Santa Catarina um importante estado produtor. No município de São João do Itaperiú foram observados cancros com picnídios em cladódios apodrecidos de pitaia amarela colombiana (Selenicereus megalanthus). Assim, o objetivo deste estudo foi verificar a ocorrência do cancro da pitaia em Santa Catarina. Para isto, o fitopatógeno foi isolado a partir de cladódios de pitaia com sintomas de cancro. Posteriormente, foram realizadas avaliações morfológicas, moleculares e testes de patogenicidade. Com base nas características morfológicas e na sequência da região ITS, o patógeno foi identificado como Neoscytalidium dimidiatum. A partir dos testes de patogenicidade, o fungo mostrou-se patogênico. N. dimidiatum foi reisolado dos tecidos sintomáticos, confirmando os postulados de Koch. Até onde sabemos, este é o primeiro relato de cancro em S. megalanthus causado por N. dimidiatum no estado de Santa Catarina.
As abelhas dependem de recursos florais para sua nutrição, o que influencia diretamente a sua imunidade. Além disso, fatores abióticos modulam o desempenho das colônias e a sanidade apícola. Ademais, as alterações antropogênicas podem modificar a composição, a qualidade e a disponibilidade desses recursos. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar o desenvolvimento colonial e a sanidade de Apis mellifera em dois ambientes da Mata Atlântica. As avaliações ocorreram quadrimestralmente, entre dezembro de 2022 e novembro de 2024, em cinco colônias nos municípios de Florianópolis e Santa Rosa de Lima, Santa Catarina, Brasil. Foram avaliadas a população de abelhas adultas, área dos favos ocupada com cria aberta e fechada e com alimento armazenado (mel e pólen). A sanidade foi determinada com base na infestação de Varroa destructor e na incidência e prevalência de Nosema spp. No inverno, em Florianópolis, as temperaturas médias mais elevadas reduziram o esforço de termorregulação, favorecendo a expansão tanto da cria aberta quanto da cria fechada. Em Florianópolis, observaram-se maiores níveis de infestação por V. destructor, provavelmente devido ao microclima local e à disponibilidade de recursos florais. A prevalência de Nosema spp. em abelhas operárias variou de 45% a 63% em Florianópolis e de 30% a 85% em Santa Rosa de Lima, provavelmente influenciadas pela umidade relativa do ar e o estresse nutricional. Dessa forma, é essencial manter vigilância sanitária, adotando práticas de manejo ajustadas ao microclima e ao contexto local para sustentar a resiliência das colônias de A. mellifera, especialmente em ambientes antropizados.
A depuração é um processo para reduzir a contaminação microbiana em moluscos bivalves, como as ostras, a níveis aceitáveis para o consumo humano por meio da manutenção dos animais em tanques com água salgada. A depuração só pode ser realizada por estabelecimentos registrados junto ao serviço oficial de inspeção de produtos de origem animal. Os sistemas convencionais de depuração ocupam grandes áreas, dificultando o uso em pequenos estabelecimentos. Como alternativa, a Epagri desenvolveu um sistema vertical compacto, de fácil construção, composto por caixas de pescado adaptadas, dispostas em pilhas sobre um reservatório de onde a água marinha é recirculada e desinfetada por radiação UV. A eficiência do sistema foi avaliada em três ensaios de depuração de ostras com ciclos de 42 horas. Todas as amostras de ostras utilizadas nos ensaios apresentaram níveis iniciais de Escherichia coli acima do limite legal para consumo de moluscos vivos, variando entre 330 e 3.300 NMP/100g. Após 21 horas de depuração todas as amostras apresentaram níveis de E. coli abaixo do limite legal de 230 NMP/100g, permanecendo assim até o final dos ensaios. Conclui-se que o sistema vertical desenvolvido proporciona melhor aproveitamento de espaço físico, é eficiente na redução de E. coli e tem potencial para aplicação em pequenos estabelecimentos processadores.
A partir do volume 39, em fevereiro de 2026, a revista Agropecuária Catarinense passa a adotar plenamente as seis conformidades de Ciência Aberta propostas pelo SciELO: alinhamento explícito à Ciência Aberta em suas políticas editoriais, adoção da licença CC-BY, aceitação de manuscritos depositados em servidores de preprints, publicação contínua, exigência de declaração de disponibilidade de dados de pesquisa e promoção do peer review informado, com incentivo à avaliação aberta. Para isso, a RAC revisou suas políticas editoriais, padronizou etapas do fluxo editorial, criou instrumentos de acompanhamento e ampliou exigências no momento da submissão, incluindo declarações sobre ética, autoria, dados de pesquisa e avaliação aberta. Além disso, fortaleceu sua atuação em redes acadêmicas e sociais para ampliar a divulgação científica. Este editorial aborda a nova fase da revista contextualizando os principais pontos do alinhamento da revista às regras do Scielo.
Brazilian environmental legislation is approaching its centennial anniversary. Throughout this period, the legislation has undergone changes to adapt to the socioeconomic reality of each era. Due to its strong impact on rural areas, changes have occurred because of constant pressure from several sectors, including the productive sector, society, scientists, and environmentalists. Different narratives emerge according to worldviews, interests, and political and social contexts. Despite global evidence of the current environmental crisis, preserving, conserving, and restoring natural ecosystems are still seen in Brazil as obstacles to rural development. This view is reflected in the current legal instruments and proposals for changes. In this article, we briefly discuss the conflicting narratives that underpin legislative construction considering current sustainability principles. Our goal is to present scientific and technical references demonstrating that environmental legislation should be viewed as an ally, not an obstacle, to rural development, offering new production perspectives based on the multifunctionality of rural property.
Fusarium head blight, a disease primarily caused by the fungus Fusarium graminearum, is one of the most significant phytosanitary challenges for wheat cultivation in southern Brazil. This disease severely affects both yield and grain quality, primarily due to the production of mycotoxins, particularly deoxynivalenol (DON), a compound of high toxicity to both humans and animals. The incidence of Fusarium head blight (FHB) tends to increase in years marked by the occurrence of the El Niño climatic phenomenon, especially during the flowering stage of the crop, when environmental conditions are most conducive to infection. Effective management of FHB requires the implementation of an integrated approach that includes preventive measures, appropriate cultural practices, the use of cultivars with higher genetic resistance, as well as continuous monitoring of crop fields and meteorological conditions. Given the high toxicity of the mycotoxins associated with the disease, along with the inherent challenges of its control, the ongoing improvement of integrated management strategies is imperative, alongside the strengthening and strict enforcement of current sanitary regulations.
This review aimed to analyze the effects of Kappaphycus alvarezii extract as a biofertilizer for species of agricultural interest, considering scientific articles published between 2020 and 2024. The systematic review followed Prisma criteria and was conducted in the Capes Periodicals Portal database. Of the 480 articles initially identified, 25 addressed the use of K. alvarezii with a focus on the agronomic area. Among the evaluated crops, corn, rice, and tomato stood out, totaling 72% of the studies. A significant variation in results was found concerning the concentrations of the tested extracts, i.e., between 0.1% and 10% (v/v), indicating that the efficacy of the biofertilizer may be dose-dependent. Additionally, the method of application may also play an important role. However, in general, the studies demonstrate that the algal extract not only stimulates plant growth and productivity but also enhances their resistance to stresses. Furthermore, it positively influences molecular mechanisms, plant health, and the soil microbiome, contributing to production systems with lower environmental impact. Thus, the biofertilizer from K. alvarezii may be a viable alternative for sustainable agriculture.
Protected cultivation in Nova Trento, SC, has enabled wine grape production in a subtropical climate, however, cultivars with compact bunches may have their performance impaired by the occurrence of rot. Bunch architecture can be altered by biostimulants or manual berry removal. This study evaluated the effect of these techniques on the Pinot Noir, BRS Vitória, and BRS Ísis cultivars during the 2021/22 growing season in Nova Trento. The techniques used to modify bunch architecture included berry thinning, bunch tip pruning, and the application of plant extract-based biostimulants. The incidence and severity of rot, bunch physical characteristics, and grape technological ripeness were evaluated. The biostimulants plant extracts + seaweed extract increased berry number, bunch length, and rachis mass in BRS Vitória. In Pinot Noir, plant extracts + seaweed extract resulted in increased bunch and rachis length and mass. Biostimulants reduced the compaction index in all cultivars, with seaweed extract being most effective in BRS Ísis and the most efficient combination in the Pinot Noir and BRS Vitória cultivars.
Sea cucumbers play fundamental ecological roles in marine ecosystems, but due to their high commercial value, several species have been subject to intense fishing exploitation. The development of technologies for cultivating sea cucumbers emerges as a sustainable alternative, with the induction of spawning being an essential step for larviculture and juvenile production. This study presents the results of spawning inductions for Holothuria (Halodeima) grisea, a species of commercial interest and the target of indiscriminate fishing in Brazil. Between 2021 and 2025, 45 inductions were performed, testing combinations of physical, mechanical, and biological stimuli. In experiments conducted until 2023, the applied methods, which are effective for other species, showed low efficiency for H. grisea. Experiments carried out after 2024, including maintenance in a recirculating system for 5 to 7 weeks, combined with greater temperature variations, resulted in a significant increase in gamete release, enabling fertilization. These results indicate that prolonged laboratory conditioning favors gonadal maturation and increases spawning success. The results, combined with the feasibility of larval culture and the recent production of juveniles, open new perspectives for the cultivation of sea cucumbers in Brazil.
Choosing an ideal substrate is crucial for producing quality seedlings. This study aimed to evaluate the effect of different proportions of peat (P) and carbonized rice husk (CRH) on the production of sour passion fruit seedlings. The experiment was conducted in a randomized block design, using six substrate formulations (100% CRH, 80% CRH/20% P, 60% CRH/40% P, 40% CRH/60% P, 20% CRH/80% P, and 100% P), with four replicates and six seedlings per plot. Seedling height (cm), number of leaves, stem diameter (mm), root dry mass (RDM), and shoot dry mass (SDM) (g) were evaluated 150 days after sowing. The obtained data were subjected to polynomial regression analysis. Physical and chemical characteristics of the formulated substrates were also analyzed. The maximum seedling response was estimated at 64.3% peat for RDM, 70.2% for stem diameter, 71.9% for number of leaves, 82.1% for SDM, and 83.7% for height. These formulations showed high porosity, a more acidic pH, and high water retention capacity. Substrates with proportions ranging from 64% to 84% peat and 36% to 16% CRH promoted greater growth of sour passion fruit seedlings.
Os pepinos-do-mar desempenham funções ecológicas fundamentais nos ecossistemas marinhos, mas devido ao elevado valor comercial, diversas espécies vêm sofrendo intensa exploração pesqueira. O desenvolvimento de tecnologia de cultivo surge como alternativa sustentável, sendo a obtenção de gametas viáveis etapa essencial para a larvicultura e produção de juvenis. Este estudo apresenta resultados de induções à desova de Holothuria (Halodeima) grisea, espécie de interesse comercial e alvo de captura indiscriminada no Brasil. Entre 2021 e 2025 foram realizadas 45 induções, testando combinações de estímulos físicos, mecânicos e biológicos. Nos experimentos conduzidos até 2023, os métodos aplicados, eficazes para outras espécies, mostraram baixa eficiência para H. grisea. A partir de 2024, com a manutenção prévia dos reprodutores em sistema de recirculação por 5 a 7 semanas, associada à maior variação de temperatura, obteve-se significativa ampliação na liberação de gametas, permitindo fertilizações. Os resultados indicam que o condicionamento prolongado em laboratório favorece a maturação fisiológica das gônadas e amplia o sucesso nas desovas. Estes resultados, associados à viabilidade da larvicultura e à recente produção de juvenis em laboratório, abrem novas perspectivas para o cultivo integral de pepinos-do-mar no Brasil.
A legislação ambiental brasileira está próxima de completar um século de existência. Ao longo desse período vem sofrendo alterações que buscam adaptá-la à realidade socioeconômica de cada tempo. Por ter uma forte incidência no meio rural, as alterações ocorrem devido às constantes pressões, ora do setor produtivo, ora da sociedade, dos cientistas e dos ambientalistas. Diferentes narrativas são construídas de acordo com visões de mundo, interesses e conjunturas político-sociais que coexistem. Mesmo diante das evidências globais da crise ambiental atual, a preservação, a conservação e a restauração dos ecossistemas naturais ainda são vistos, no Brasil, como entraves ao desenvolvimento rural. E essa visão se reflete nos instrumentos legais vigentes e nas propostas atuais de alteração. Neste artigo fazemos uma breve discussão acerca dos conflitos de narrativas que embasam a construção legislativa à luz dos princípios atuais da sustentabilidade. Buscamos apresentar referências científicas e técnicas que demonstram que a legislação ambiental deve começar a ser tratada não mais como um entrave ao desenvolvimento rural, mas como uma aliada a partir de novas perspectivas de produção, baseadas na multifuncionalidade da propriedade rural.
O cultivo protegido em Nova Trento, SC, tem viabilizado a produção de uvas viníferas em clima subtropical, contudo cultivares com cachos compactos podem ter seu desempenho prejudicado pela ocorrência de podridões. A arquitetura dos cachos pode ser alterada por bioestimulantes ou remoção manual de bagas. Este trabalho avaliou o efeito dessas técnicas nos cultivares Pinot Noir, BRS Vitória e BRS Ísis, durante o ciclo 2021/22, em Nova Trento. As técnicas para modificar a arquitetura dos cachos foram o raleio de bagas, a poda da ponta dos cachos e a aplicação de bioestimulantes à base de extratos vegetais. Foram avaliadas a incidência e severidade de podridões, as características físicas dos cachos e a maturação tecnológica das uvas. Os bioestimulantes (extratos vegetais + extrato de alga) aumentaram o número de bagas, o comprimento e a massa do cacho e da ráquis da ‘BRS Vitória’. Em ‘Pinot Noir’, extratos vegetais + extrato de alga geraram maior comprimento e massa do cacho e da ráquis. Os bioestimulantes reduziram o índice de compactação do cacho em todos os cultivares, sendo extrato de alga mais eficaz na ‘BRS Ísis’ e a combinação mais eficiente nos cultivares Pinot Noir e BRS Vitória.
A giberela, enfermidade causada predominantemente pelo fungo Fusarium graminearum, constitui um dos principais problemas fitossanitários da cultura do trigo na Região Sul do Brasil. Esta doença compromete significativamente tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos, sobretudo em virtude da produção de micotoxinas, com destaque para o deoxinivalenol (DON), substância de elevada toxicidade para humanos e animais. A incidência da giberela é intensificada em anos caracterizados pela ocorrência do fenômeno climático El Niño, especialmente durante o estádio de espigamento da cultura, quando as condições ambientais se mostram mais favoráveis à infecção. O manejo eficaz da giberela requer a adoção de uma abordagem integrada, que contemple medidas de caráter preventivo, práticas culturais adequadas, utilização de cultivares com altos níveis de resistência genética, além do monitoramento constante das áreas de cultivo e das condições meteorológicas. Considerando-se a elevada toxicidade das micotoxinas associadas à doença, bem como os desafios inerentes ao seu controle, é imperativo o contínuo aprimoramento das estratégias de manejo integrado, aliado ao fortalecimento e à rigorosa aplicação da legislação sanitária vigente.