
A Educação de Jovens e Adultos é fundamental para promover a inclusão educacional e social de quem não teve acesso à escolarização na idade regular ou se evadiu ao longo do percurso acadêmico. Este estudo busca refletir sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas no âmbito do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, no curso técnico de Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – Campus São Gabriel da Cachoeira. A metodologia baseou-se em relatos e percepções de um docente e coordenadores do curso ao longo de cinco anos (2021-2025). Os resultados evidenciam avanços na permanência e no sucesso dos estudantes, por meio de processos seletivos diferenciados, práticas interdisciplinares e projetos participativos, embora persistam limitações estruturais e a necessidade de ampliação de políticas públicas de apoio.
Prosseguindo o trabalho de Martins Júnior et al., este artigo continua uma revisão sistemática de literatura (RSL) sobre coformação docente no PIBID, na área de Ciências da Natureza e com ações interdisciplinares. O objetivo é analisar qualitativamente os textos selecionados na RSL e expor novas compreensões sobre o assunto em tela. Para tanto, adotaram-se o IRaMuTeQ e a Análise Textual Discursiva como procedimentos metodológicos, executando-se as últimas etapas da RSL – conforme Campos, Caetano e Gomes – em 21 trabalhos, coletados da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, do Portal de Periódicos da Capes, da SciELO e do ResearchRabbit. Produziram-se duas categorias emergentes complementares: 1) contribuições do PIBID para a formação profissional, principalmente em ambiente escolar; 2) construção de dados de pesquisa sobre atividades de iniciação à docência. Elas ensejaram novos conhecimentos sobre aspectos político-pedagógicos e teórico-metodológicos das pesquisas investigadas.
Este artigo analisa a docência feminina como forma de intelectualidade institucionalizada na História da Educação. Partindo do diálogo com o conceito de intelectual orgânico, formulado por Antonio Gramsci, e articulando-o à categoria “gênero”, conforme problematizada por Joan Scott, sustenta-se que a atuação das mulheres no interior das instituições escolares constituiu elemento estrutural na produção de hegemonia e na direção cultural. A partir de revisão bibliográfica e análise histórico-documental, argumenta-se que a feminização do magistério não deve ser compreendida apenas como fenômeno demográfico ou laboral, mas também como processo que possibilitou a emergência de formas específicas de produção cultural exercidas cotidianamente no espaço escolar. Contudo, critérios historicamente masculinizados de reconhecimento intelectual contribuíram para a invisibilização dessas práticas na historiografia educacional. Ao propor a categoria “intelectualidade docente feminina institucional”, o estudo desloca o foco da excepcionalidade individual para a dimensão estrutural da atuação feminina na escola e oferece nova chave interpretativa para a compreensão das relações entre gênero, poder e cultura na História da Educação.
O artigo analisa historicamente as concepções de infância e práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Estadual João Pinheiro, localizada em Ituiutaba, Minas Gerais, no período de 1966 a 1988, com ênfase no processo de implantação e consolidação Educação Infantil na instituição. Inserido no campo da História da Educação, especialmente no contexto da escolarização mineira, o estudo investiga como diferentes concepções de criança, educação e formação moral se materializaram nas práticas escolares cotidianas, articulando políticas educacionais, cultura escolar e transformações sociais ocorridas durante o período. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na análise de fontes documentais institucionais, legislações educacionais, registros escolares e na história oral, por meio de depoimentos de ex-diretoras, professoras, ex-alunos e memorialista local, possibilitando a articulação entre memória, experiência e documentação histórica. Os resultados evidenciam que as práticas educativas estavam fortemente marcadas pelo disciplinamento, pela centralidade da memorização, por rituais cívicos e religiosos, bem como pela adoção do método global-analítico, expressando permanências da pedagogia tradicional e os impactos do contexto político da ditadura civil-militar sobre a cultura escolar. Ao mesmo tempo, identificam-se mudanças graduais nas concepções de infância, com a progressiva incorporação de perspectivas que reconheciam a criança como sujeito em desenvolvimento, ainda que subordinada a mecanismos institucionais de controle, vigilância e normalização. O estudo conclui que a trajetória da Educação Infantil na Escola Estadual João Pinheiro revela tensões entre permanências disciplinares e processos de modernização pedagógica, contribuindo para a compreensão da história regional da educação pública e das transformações nas formas de escolarização da infância em Minas Gerais.