
O estudo avaliou uma versão atualizada do aplicativo SuporteCovid, destinado a capacitar profissionais da saúde para manejarem variáveis ambientais relacionadas à Covid-19 que influenciam respostas emocionais associadas à saúde. Trata-se de um estudo avaliativo descritivo, que utilizou métodos quantitativos e qualitativos para examinar a adequação do conteúdo e a usabilidade do aplicativo. Participaram seis psicoterapeutas, três enfermeiras, uma médica, uma nutricionista e uma técnica de enfermagem. Inicialmente, o protótipo do aplicativo que estava na plataforma FIGMA foi disponibilizado aos participantes via e-mail. Em seguida, eles foram orientados a navegar pelas telas do aplicativo e a responderem a um formulário sobre a adequação das informações, estratégias de manejo de sentimentos e linguagem utilizada. Um psicoterapeuta e uma enfermeira realizaram a avaliação em tempo real com uma das pesquisadoras; a enfermeira realizou a avaliação presencialmente enquanto o psicoterapeuta o fez via Google Meet. A avaliação foi seguida de entrevista semiestruturada, com objetivo de aprofundar a análise relacionada à usabilidade do aplicativo. Os resultados apontaram alta pontuação para todas as questões e boa usabilidade, embora tenham indicado a necessidade de ajustes no design e na organização das seções do aplicativo. O aplicativo apresenta potencial para apoiar profissionais da saúde em contextos de crise sanitária, contribuindo para a promoção da saúde emocional. A preservação e o cuidado com a saúde emocional dos profissionais de saúde são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida e saúde dos mesmos, com repercussões na assistência em saúde qualificada e humanizada a outrem.
O objetivo foi discutir os fatores que levaram à criação do Programa de Certificação de Boas Práticas à Saúde pela ANS e os obstáculos à sua implementação. A metodologia compreendeu uma revisão narrativa da literatura sobre motivadores e barreiras à adoção da Atenção Primária à Saúde (APS) em seguro saúde, além de um estudo de caso em uma operadora de autogestão, com a avaliação de indicadores antes e após a certificação. A transição para o modelo de APS decorre das limitações do modelo biomédico, do envelhecimento populacional e dos resultados positivos do Sistema Único de Saúde. A certificação da agência fomenta práticas preventivas e a integralidade do cuidado. Na operadora analisada, a execução de programas específicos resultou em avanços nos indicadores, com ênfase na área odontológica e elevação da pontuação geral de 0,6903 para 0,8052 entre 2017 e 2022. Conclui-se que a estratégia de APS apresenta viabilidade na Saúde Suplementar, embora demande o enfrentamento de desafios de adaptação relacionados ao modelo tradicional de livre demanda entre usuários e prestadores.
O envelhecimento populacional se associa ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), exigindo estratégias que minimizem o impacto dessas patologias na funcionalidade senescente. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil clínico e analisar a qualidade de vida (QV) de idosos com DCNTs, comparando indivíduos praticantes (P1) e não praticantes (P0) de atividade física. Realizou-se estudo transversal, descritivo e quantitativo com 68 idosos. A coleta de dados utilizou instrumentos de caracterização clínica e questionários validados de QV. A análise estatística empregou métodos descritivos e inferenciais para a comparação de variáveis independentes. Os resultados demonstraram que o grupo P1 apresentou escores de QV estatisticamente superiores em todos os domínios estudados (físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente) e nas percepções globais de saúde (p<0,0001) em relação ao P0. No perfil clínico, as associações são significativas entre a inatividade física e a incidência de diabetes mellitus (p=0,02; OR=3,37), indicando um risco três vezes maior para o grupo P0. Conclui-se que a prática regular de atividade física constitui um determinante positivo na QV e um fator protetivo relevante contra comorbidades específicas, como o diabetes mellitus. Os resultados reiteram a necessidade de políticas públicas externas para o envelhecimento ativo e o papel dos profissionais de saúde na promoção e prevenção, associando medidas não farmacológicas.
Este estudo objetiva analisar a epidemiologia das internações por insuficiência renal crônica em indivíduos acima de 20 anos, no Sudeste brasileiro, em um período ainda não analisado (2020-2024). Estudo transversal, descritivo, quantitativo, embasado no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), dados coletados no DATASUS. Foram avaliados sexo, raça/cor, idade, óbitos e taxa de incidência por estados, entre janeiro de 2020 e novembro de 2024. Houve, no Brasil, 632.266 internações, 294.398 sudestinas, onde São Paulo liderou numericamente (140.984) e Minas Gerais em taxa de incidência (391,12). Predominaram sexo masculino (57,77%), pardos (39,24%) e idosos de 60-69 anos (25,02%). Óbitos totais foram 36.479. A pesquisa revela alta frequência de hospitalizações decorrentes de insuficiência renal no Sudeste brasileiro, porém é limitada quanto às notificações de dezembro/2024 e à associação entre causas e efeitos. Logo, necessitam-se mais pesquisas, para melhorar planejamentos assistenciais.
Este estudo descreveu o perfil epidemiológico das notificações de violência interpessoal e/ou autoprovocada registradas no Estado do Paraná entre 2019 e 2023. Foi realizado um estudo descritivo com análise de séries temporais com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, conforme variáveis sociodemográficas e características dos eventos. Foram notificados 192.330 casos, sendo a maioria mulheres, com prevalência de violência física (35,2%) e psicológica (19,5%). A residência foi o principal local de ocorrência (74,7%), afetando predominantemente indivíduos de raça branca e com escolaridade de até oito anos incompletos. Os achados corroboram a literatura existente sobre prevalência de violência física, contra mulheres, na residência. Houve redução nas notificações durante a pandemia de COVID-19, seguida por uma recuperação entre 2022 e 2023. Diante do cenário das disparidades regionais encontradas, recomendam-se estratégias adaptadas a cada regional, como a vigilância e capacitação de profissionais nos municípios com maior subnotificação.
Este estudo descreve o perfil clínico-laboratorial de 37 crianças e adolescentes (0-15 anos) hospitalizados por mononucleose infecciosa (MI) por Epstein-Barr vírus (EBV). em um hospital terciário do sul do Brasil (2014-2024). Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob número CAAE 79100124.9.0000.5361. Dados retrospectivos de prontuários mostraram predominância do sexo masculino e faixa etária pré-escolar (2-6 anos), com tempo médio de internação de 5,2 dias. Os sintomas mais frequentes à admissão foram febre, linfadenopatia cervical e hiporexia. Complicações (derrame pleural, ascite, citopenias) ocorreram em 29,73% dos casos, com uma internação em UTI. Alterações sugestivas de MI no leucograma foram observadas em 70,27% dos pacientes e elevação de transaminases em 37,83%. Não houve óbitos. Os resultados destacam a variabilidade clínica da MI por EBV em pediatria, com potencial para complicações, reforçando a necessidade de monitorização. Estudos prospectivos são necessários para identificar preditores de gravidade e otimizar o manejo desses pacientes.
Este estudo avaliou a cascata de cuidado da tuberculose no município de Colombo, Paraná, entre 2017 e 2023. Realizou-se uma pesquisa observacional, retrospectiva e quantitativa com base em dados do SINAN, analisando perfil epidemiológico, acesso a exames e desfechos dos pacientes. Foram notificados 266 casos, com predominância de homens brancos entre 30 e 50 anos. A baciloscopia foi o exame mais utilizado, apesar da recomendação do teste molecular rápido, que teve baixa adesão. A taxa de cura foi de 61,6%, inferior à meta da OMS, e houve perda de seguimento de 60,2% dos pacientes durante o tratamento, com destaque para falhas no preenchimento das fichas de notificação. A análise demonstrou fragilidades nos critérios de encerramento de casos, especialmente em pacientes com baciloscopia positiva ao final do tratamento. A cascata de cuidado revelou pontos críticos na adesão, diagnóstico e monitoramento, sendo fundamental para direcionar intervenções no controle da tuberculose.
Nas últimas décadas, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados tem contribuído para o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Em 2022, novas normas de rotulagem nutricional foram implementadas com o objetivo de facilitar a escolha alimentar mais saudável por parte dos consumidores, destacando-se o símbolo de advertência em forma de “lupa”. Este estudo quantitativo, realizado por meio de questionário online, avaliou o conhecimento da população sobre o novo modelo de rotulagem e sua influência na decisão de compra. Foi possível observar que a maioria dos participantes possui bom nível de escolaridade e demonstra hábito de leitura dos rótulos, porém ainda há dificuldades na interpretação das informações nutricionais, especialmente relacionadas a termos técnicos e compreensão dos nutrientes. Aproximadamente 45% relataram evitar produtos com o símbolo de advertência, indicando impacto positivo da rotulagem frontal. Os resultados reforçam a importância da rotulagem como ferramenta educativa e a necessidade de estratégias contínuas de educação nutricional para ampliar o entendimento e promover escolhas alimentares conscientes, contribuindo para a saúde pública.
O apoio social é um determinante da saúde na velhice, especialmente em contextos de crise. Objetivo: analisar a relação entre o apoio social antes e após a pandemia de coronavírus e a disfunção cognitiva em idosos. Método: estudo longitudinal com dados da coorte EpiFloripa Idoso (Florianópolis), referentes às ondas 3 (2017–2019) e 5 (2023–2024). Foram utilizadas as escalas de Apoio Social MOS-SSS, Mini Exame do Estado Mental e Avaliação Cognitiva de Montreal, com análises ajustadas por regressão logística e de Poisson. Resultados: foi encontrado maior prevalência de disfunção cognitiva entre idosos que passaram a ter baixo apoio social (OR=2,04; IC95%:1,06–3,93), especialmente entre os mais velhos, menos escolarizados e sem uso da internet. Na análise de incidência, manter baixo apoio social aumentou o risco de disfunção cognitiva (OR=1,46; IC95%:0,67–3,17). Conclusão: mudanças negativas no apoio social elevam o risco de disfunção cognitiva em idosos.