
Introdução: Exames laboratoriais fazem parte da pesquisa científica em Educação Física, e tem se expandido, especialmente, na avaliação de biomarcadores metabólicos, hormonais, inflamatórios e hematológicos. Esses marcadores permitem analisar respostas e adaptações ao exercício físico, além de interações psicofisiológicas. No entanto, a confiabilidade dos resultados depende do controle adequado em todas as fases da coleta de material: pré-analítica, analítica e pós-analítica, sendo a primeira a principal fonte de variação e possíveis falhas. Objetivo: Discutir os principais fatores associados aos erros pré-analíticos em pesquisas na área da Educação Física e suas implicações na interpretação de biomarcadores relacionados ao exercício físico. Conclusão: Erros pré-analíticos podem ocorrer devido à falta de padronização das condições dos participantes, bem como a falhas na coleta, identificação e processamento das amostras. Em estudos de campo, esses desafios tendem a ser ampliados, podendo comprometer a integridade das amostras e a confiabilidade dos resultados. A fim de prevenir e/ou minimizar a ocorrência desses problemas, recomenda-se a adoção de protocolos padronizados e o treinamento técnico adequado da equipe, pois, são fundamentais para garantir maior qualidade metodológica nas pesquisas em Educação Física.
Introdução: O basquetebol é um esporte de alta intensidade com movimentos que predispõem a lesões musculoesqueléticas, especialmente em membros inferiores. Apesar de sua popularidade no Brasil, há escassez de dados epidemiológicos sobre lesões em atletas amadores e profissionais. Objetivo: Estimar a prevalência de lesões em atletas amadores e profissionais de basquetebol no Brasil. Métodos: Realizou-se um estudo transversal descritivo por meio de um questionário online aplicado a 103 atletas amadores e profissionais de basquete. Foram coletados dados sociodemográficos, de prática esportiva e histórico de lesões. Resultados: A maioria dos participantes era do sexo masculino (89,3%), na faixa etária de 18–24 anos (40,8%). A prevalência de lesões foi de 73,8%. As lesões articulares/ligamentares foram as mais frequentes (44,7%), com tornozelo (30,1%) e joelho (27,2%) como as localizações mais afetadas. A maioria das lesões ocorreu durante jogos (37,9%) ou treinos (35,9%). Quase metade dos atletas (44,7%) recorreu à fisioterapia. Conclusão: A alta prevalência de lesões, principalmente em membros inferiores, reflete as demandas biomecânicas do esporte e a falta de programas preventivos estruturados no basquete. Os resultados reforçam a necessidade de implementar diretrizes de prevenção e orientação específicas para essa população.
Introdução: A corrida de rua é amplamente praticada e pode estar associada ao escapismo, que se manifesta como autoexpansão ou autossupressão. Contudo, ainda é pouco compreendido como essas dimensões se expressam em corredores experientes. Objetivo: Caracterizar as dimensões motivacionais do escapismo em corredores de rua experientes, identificando a predominância entre as dimensões de autoexpansão e autossupressão. Métodos: Estudo observacional seccional do qual participaram 33 corredores de rua experientes (com frequência mínima de três treinos semanais e tempo de prática e competição superior a um ano. Os participantes responderam, via Google Forms, à versão traduzida da Escala de Escapismo, composta por 14 itens distribuídos entre as dimensões de autoexpansão, autossupressão e atenção à tarefa, em formato Likert de cinco pontos. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de médias e percentuais para caracterizar a predominância das dimensões motivacionais do escapismo. Resultados: Foi encontrado que corredores experientes se relacionam mais com a dimensão positiva em relação ao escapismo. Isto é, praticavam a corrida de rua com foco no aperfeiçoamento pessoal, não adotando a abordagem negativa relacionada a escapar dos problemas do cotidiano. Conclusão: Corredores experientes tendem a apresentar maior envolvimento com motivações positivas, relacionadas à autoexpansão, utilizando a corrida como meio de crescimento pessoal e bem-estar, diferentemente de apresentarem a abordagem negativa de escapar dos problemas da vida diária.
Introdução: A ansiedade é um transtorno prevalente entre adultos jovens, impactando negativamente a qualidade de vida e o desempenho funcional. Nesse contexto, o exercício físico tem sido amplamente investigado como uma estratégia não farmacológica para a redução dos sintomas de ansiedade. Objetivo: Identificar e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre os efeitos da atividade física / treinamento físico sobre sintomas de ansiedade presentes na literatura especialmente no contexto pós-pandemia da CoViD-19. Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada a partir da busca em bases de dados eletrônicas, incluindo PubMed, SciELO e LILACS, no período de 2020 a 2025. Foram utilizados descritores relacionados à ansiedade e exercício físico. Os critérios de inclusão envolveram estudos originais, disponíveis na íntegra, publicados em português e inglês. Foram excluídos estudos duplicados, revisões e artigos que não abordavam diretamente a temática. Resultado e Discussão: Os estudos analisados demonstraram que a prática regular de exercício físico está associada à redução significativa dos níveis de ansiedade, com destaque para exercícios aeróbicos e programas estruturados. Observou-se melhora nos parâmetros psicológicos e fisiológicos, com impacto positivo na saúde mental. Conclusão: O exercício físico mostrou-se uma estratégia eficaz na redução da ansiedade em adultos jovens, podendo ser utilizado como abordagem complementar no manejo clínico desses pacientes.
Introdução: Atletas são frequentemente expostos a cargas intensas de treino e competição, o que aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas. Essas lesões podem comprometer a função, além de desencadear respostas psicológicas negativas, como ansiedade, depressão, catastrofização e cinesiofobia, que impactam a recuperação. Embora esses fatores já sejam associados a prognósticos desfavoráveis em pacientes com dor crônica, sua influência específica em atletas ainda não foi suficientemente explorada, justificando a necessidade desta pesquisa. Objetivo: Examinar a influência dos fatores psicológicos na mudança na função musculoesquelética em atletas lesionados de diversas modalidades esportivas. Métodos: Estudo quasi-experimental longitudinal, com amostra por conveniência do qual participaram 31 atletas lesionados. A função musculoesquelética foi avaliada pela Escala Funcional Específica do Paciente (Patient-Specific Functional Scale: PSFS) e as variáveis independentes foram: cinesiofobia, catastrofização da dor, ansiedade e depressão. Foi realizada a avaliação pré-tratamento, iniciada a intervenção (tratamento fisioterápico) e, após, foi realizada a avaliação pós-tratamento, no último atendimento. Utilizou-se regressão linear múltipla hierárquica para investigar a associação dos fatores psicológicos (cinesiofobia, depressão e catastrofização da dor) com a mudança na função musculoesquelética . O nível de significância adotado foi de 95%. Resultados: Houve correlação moderada entre depressão, cinesiofobia e mudança na função. No modelo de regressão, a cinesiofobia e a depressão explicaram 43,4% da variância da função e a cinesiofobia, isoladamente, explicou 15,2%. Conclusão: Cinesiofobia e depressão foram preditores de mudança na função os resultados foram discutidos.
Introdução: Nas últimas décadas, as práticas corporais e atividades físicas passaram a ocupar um papel essencial na saúde pública, com a Organização Mundial da Saúde e a American Heart Association enfatizando sua relevância na prevenção de doenças crônicas. Contudo, no Brasil, a participação dos Profissionais de Educação Física (PEF) no sistema de saúde ainda é limitada. Objetivo: Relatar a experiência da inserção simultânea de 39 PEF nas equipes da Atenção Primária à Saúde em uma cidade do norte de Minas Gerais. Métodos: Estudo de caso, longitudinal, com abordagem descritiva e reflexiva para comunicar e analisar de forma qualiquantitativa essa experiência prática e profissional. Resultados: Os participantes mencionam os exercícios como estratégias de prevenção e controle de doenças crônicas, além de recursos terapêuticos para determinadas condições físicas. Conclusão: O trabalho dos PEF tem sido reconhecido como fundamental na obtenção de resultados mais eficazes na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida da população, reforçando avanços no condicionamento físico, na mobilidade e na saúde mental dos participantes.
Introdução: Os periódicos científicos de acesso aberto gratuito, denominados diamond open access, que não cobram taxas de submissão nem de publicação, desempenham papel central na democratização do conhecimento. Contudo, enfrentam crescente dificuldade em recrutar e reter pareceristas voluntários, comprometendo o fluxo editorial e a celeridade das respostas aos autores. Objetivo: Analisar as causas e consequências da crise de revisão por pares nesses periódicos, seus impactos para a disseminação científica e formular um apelo à comunidade acadêmica pelo engajamento responsável nesse processo. Conclusão: A revisão por pares voluntária constitui um bem público da ciência. Sua preservação exige reconhecimento institucional, redistribuição equitativa de responsabilidades e o resgate da consciência coletiva dos pesquisadores sobre seu papel no ecossistema científico.
Introdução: Em qualquer modalidade esportiva, testes específicos são essenciais para o planejamento individualizado. No caso do Mixed Martial Arts (MMA) ainda não há consenso sobre o teste que mais reflita a prontidão do atleta para o melhor desempenho. Objetivo: Apresentar o teste de desempenho para o MMA, o MMA Performance Test, examinar sua reprodutibilidade em relação às respostas fisiológicas, perceptivas e funcionais (estado de prontidão autopercebida) e analisar a associação do nível de rendimento e da categoria de peso com essas variáveis. Métodos: Estudo quasi-experimental com 20 atletas de MMA, do sexo masculino, distribuídos em dois grupos de acordo com a classificação do nível de rendimento (NR) atlético, divididos em profissionais (PRO; n=11) e de elite (ELT; n=9). Foram avaliadas: frequência cardíaca (FC), lactato sanguíneo (LAC), percepção subjetiva de esforço (PSE), e o estado de prontidão (EP) autopercebida MMA Performance Test. A reprodutibilidade das medidas foi investigada pela ANOVA one-way. Resultados: FC, PSE e LAC mostraram reprodutibilidade, com exceção da PSE após o 2º round (p=0,000). O NR estava associado à FC no 1º (p=0,016) e no 3º rounds (p=0,049), e a PSE nos três rounds (p<0,05). Não houve interação entre NR e CP, indicando que esses fatores afetam o desempenho de forma independente. O aumento do LAC após o teste confirma a alta solicitação do sistema glicolítico. Conclusão: O MMA Performance Test evoca respostas fisiológicas similares às do combate real e é reprodutível, indicando ser uma ferramenta eficaz para monitoramento e planejamento do treinamento em atletas de MMA.
Introdução: A prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem aumentando significativamente nos últimos anos. As características do TEA incluem comportamentos repetitivos, dificuldades de comunicação e comorbidades, como epilepsia e atrasos no desenvolvimento motor. Crianças com TEA enfrentam desafios na percepção de riscos, o que resulta em vulnerabilidade a acidentes, incluindo afogamentos. A natação tem se mostrado uma ferramenta valiosa para o desenvolvimento motor, social e emocional dessas crianças. Objetivo: O presente estudo objetivou realizar uma revisão de literatutra acerca dos métodos avaliativos utilizados para mensurar as habilidades de natação em crianças com TEA, analisando as metodologias mais comuns e seus respectivos impactos. Métodos: Foi realizada uma busca sistemática nas bases de dados MEDLINE, SciELO, LILACS e Web of Science, levando-se em consideraçãoo a escala PEDro para análise da qualidade dos estudos. Resultados e Discussão: Os estudos analisados demostraram que diferentes programas de natação, como o iCan Swim e o CIMAT, promovem melhorias significativas nas habilidades aquáticas e motoras. A natação não apenas contribui para a inclusão e segurança aquática, mas também melhora a qualidade de vida das crianças com TEA. A pesquisa destaca a necessidade de qualificação de profissionais para atender a demanda crescente e enfatiza a importância de abordagens personalizadas que considerem as características individuais das crianças. Conclusão: A natação é identificada como uma intervenção eficaz para crianças com TEA, mostrando potencial para promover habilidades aquáticas e melhorar a qualidade de vida das mesmas. Entretanto, vale ressaltar a importância de avaliações adequadas e metodologias específicas para essa população.
Introdução: O condicionamento físico é essencial para o sucesso operacional militar, sendo o treinamento físico fundamental para manter e aprimorar a aptidão física. Objetivo: Analisar longitudinalmente a aptidão neuromuscular e cardiorrespiratória de cadetes do segmento feminino da Força Aérea Brasileira (FAB) durante os quatro anos de sua formação na Academia da Força Aérea (AFA). Métodos: Estudo observacional, longitudinal, do qual participaram do estudo 22 cadetes do sexo feminino ingressantes na AFA em 2016, que foram acompanhadas até a formatura em 2019. Os parâmetros avaliados incluíram resistência muscular dos membros superiores (flexões de braço), resistência muscular localizada abdominal (abdominais) e capacidade aeróbia (teste de corrida de 12 minutos para estimativa do VO2máx). As avaliações foram realizadas anualmente, com acompanhamento longitudinal dos resultados ao longo do período. Resultados: Os resultados indicaram estabilidade nos valores de VO2máx ao longo dos quatro anos, enquanto foram observadas melhorias nos testes de força muscular, tanto para flexões quanto para abdominais. Apesar da constância na aptidão cardiorrespiratória, o treinamento contribuiu para a manutenção dos índices mínimos exigidos para o efetivo da FAB. Conclusão: Conclui-se que o programa de treinamento físico promovido pela AFA, alcançou seu propósito de manter e aprimorar a aptidão física das cadetes femininas, atendendo aos parâmetros estabelecidos para sua faixa etária e sexo. O estudo sugere a necessidade de futuras pesquisas, inclusive considerando o impacto das adaptações pós-pandemia, para otimizar os treinamentos e métodos avaliativos de capacidade física.
Introdução: O programa de treinamento físico baseado em esportes tem sido uma das estratégias utilizadas para manter a tropa em condições de prontidão dentro do ambiente da aviação militar. Objetivo: Avaliar a associação de prática de diferentes modalidades esportivas com aptidão física e com desempenho operacional em voo em cadetes da Força Aérea Brasileira (FAB). Métodos: Estudo observacional seccional. Como amostra foram selecionados cadetes aviadores do 2º ano (112) e do 4º ano (93) no ano de 2024. As variáveis de exposição analisadas foram idade, gênero, nota do Teste de Aptidão do Condicionamento Físico Militar (TACF) padrão e as modalidades esportivas de ocorrência na prática regular do Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAV) da FAB (atletismo, basquete, esgrima, futebol, judô, natação, orientação, pentatlo militar, polo aquático, tiro esportivo, triatlo, voleibol). Para avalição dos resultados foram feitas análises descritivas e testes de comparações de médias. Resultados: Modalidades esportivas associadas a prática aeróbia apresentaram melhores escores no TACF, tanto para o 2° quanto para o 4° ano. A prática de pentatlo militar foi associada aos melhores resultados de aptidão física. Não houve associação entre a modalidade praticada com melhores valores de desempenho em voo, nem para o 2° e nem para o 4° ano. Os sujeitos com os melhores valores de aptidão física, obtiveram também melhores valores de desempenho em voo. Conclusão: A aptidão física elevada, e não a modalidade esportiva específica, é o fator que se associa significativamente aos melhores resultados de desempenho em voo.
Introdução: A Deficiência Energética Relativa no Esporte (REDs) descreve a condição em que a ingestão energética é insuficiente para sustentar as demandas fisiológicas impostas pelo exercício físico. Mais recentemente, esse conceito foi expandido para o ambiente operacional, dando origem ao RED-M (Relative Energy Deficiency in Military). No contexto militar, fatores como treinamento intenso e prolongado, privação de sono, estresse térmico, logística alimentar limitada e práticas de controle de peso aumentam a vulnerabilidade ao desenvolvimento de baixa disponibilidade energética. Esse desequilíbrio pode comprometer múltiplos sistemas fisiológicos, gerando impacto negativo na saúde, no desempenho físico e cognitivo e, consequentemente, na prontidão operacional. Objetivo: Este artigo teve como objetivo discutir a relevância, os mecanismos e as implicações do RED-M, com foco nas Forças Armadas. Tendo sido abordados os fatores de risco específicos do ambiente militar, os efeitos da insuficiência energética sobre sistema ósseo, endócrino, metabólico e psicológico, e os prejuízos associados ao desempenho físico e cognitivo. Além disso, foram destacadas estratégias fundamentais para triagem, monitoramento e manejo do RED-M, enfatizando o papel contínuo e estratégico do profissional de Educação Física na identificação precoce de sinais e na adequação das cargas de treinamento. Conclusão: O RED-M é uma condição emergente no ambiente militar, com potencial para comprometer saúde, desempenho e prontidão operacional. Seu reconhecimento precoce e a aplicação de protocolos de triagem e manejo baseados em evidências são essenciais para reduzir riscos e otimizar o desempenho.
Introdução: Hormônios andrógenos desempenham um papel importante na saúde do homem. Sua deficiência inicia-se gradualmente a partir dos 30 anos de idade, trazendo sintomas físicos e impacto na qualidade de vida. Em contrapartida, a prática de exercícios físicos é uma das principais estratégias não farmacológicas que promovem a saúde e o bem-estar, trazendo benefícios para massa muscular e composição corporal devido a regulação dos níveis hormonais. Objetivo: Investigar os efeitos do exercício físico nos níveis hormonais em homens adultos jovens. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa com abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória da literatura. Os acervos eletrônicos e Periódicos da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed, Web of Science e SPORTDiscus, sendo as três últimas acessadas por meio do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) foram consultados para buscar estudos de intervenção sobre marcadores hormonais vs treinamento resistido/combinado e aeróbio em homens adultos jovens, publicados entre 2020 e 2024 com faixa etária de 20 a 26 anos e escritos em português ou inglês. Resultados e Discussão: Exercício físico quando planejado, estruturado e repetitivo eleva os níveis de testosterona e IGF-1 em homens adultos jovens e dependem da combinação de intensidade e volume dos programas para promover benefícios tanto para a aptidão física quanto para a saúde endócrina. Conclusão: Os estudos incluídos nessa revisão reforçam o papel do exercício físico como estratégia não farmacológica para a promoção da saúde masculina, destacando os efeitos a curto e longo prazo sobre o eixo hormonal.
Introdução: Os Jogos Olímpicos Rio-2016 deixaram um expressivo conjunto de instalações esportivas como legado, cuja gestão passou a ser responsabilidade de diversas instituições públicas. No caso do Complexo Esportivo de Deodoro (CED), a administração foi em grande parte assumida pelo Exército Brasileiro (EB). A efetividade dessa gestão é um tema relevante diante dos desafios recorrentes associados à sustentabilidade de legados olímpicos. Objetivo: Analisar a gestão das instalações do Legado Olímpico sob responsabilidade do EB, com foco nas atividades desenvolvidas, nos custos de manutenção e nas pendências estruturais. Métodos: Estudo longitudinal com abordagem quali-quanti, cuja metodologia de pesquisa foi composta por análise documental, pesquisa bibliográfica e coleta de dados em pesquisa de campo. A amostra compreendeu cinco instalações esportivas localizadas na Zona Olímpica de Deodoro. Os dados foram catalogados em fichas de registro para as análises. Resultados: As arenas ainda enfrentam pendências relacionadas a restruturação e vícios construtivos, estimadas em R$ 38 milhões. A manutenção é financiada majoritariamente por Termo de Execução Descentralizada (TED) e complementada por Termos de Autorização de Uso (TAU). Foram registrados mais de 550 eventos desde 2016, com destaque para o Centro Militar de Tiro Esportivo (CMTE). As instalações também sediam o Programa Forças no Esporte (PROFESP), voltado à inclusão social. Conclusão: Apesar das limitações estruturais e patrimoniais, a gestão do EB demonstra avanços significativos na utilização e sustentabilidade das arenas, promovendo o esporte de alto rendimento, a iniciação esportiva e ações de inclusão. A consolidação definitiva do legado requer a resolução de pendências legais e estruturais.
Introdução: A potência muscular é uma capacidade física fundamental para o militar. Compreender o quanto do desempenho de potência muscular é explicado pela força pode contribuir para o planejamento do TFM voltado para a aptidão muscular. Objetivo: Estimar a magnitude da correlação linear de força com potência muscular de membros superiores em adultos jovens do sexo masculino, militares do Exército Brasileiro. Métodos: Estudo observacional seccional com amostragem por conveniência, composta por 20 militares do Exército Brasileiro, do sexo masculino, todos com pelo menos três anos de experiência em treinamento físico militar. Os participantes realizaram o teste de 1 RM no supino reto com barra livre para medir a força máxima e o teste de arremesso de medicine ball para avaliar a potência muscular. A correlação linear entre as variáveis foi analisada por meio do coeficiente de correlação produto-momento de Pearson e sua magnitude foi estimada pelo R2. Resultados: Os resultados mostraram uma correlação positiva significativa de magnitude moderada (r = 0,677; p = 0,001; R2 (%) = 45,83%) entre a força máxima e a potência muscular de membros superiores. Conclusão: Os resultados demonstraram a magnitude do efeito da força no composto potência muscular e confirmaram o modelo teórico-conceitual dessa capacidade física que engloba o produto das capacidades físicas força e velocidade.
Introdução: A dor na coluna em pilotos e tripulantes militares compromete a segurança das operações. Evidências na área sugerem que o emprego de exercícios físicos pode reduzir a intensidade e/ou a prevalência de dor em diferentes regiões da coluna, porém os resultados são conflitantes. Objetivo: Avaliar na literatura se o exercício físico é capaz de reduzir a intensidade ou a ocorrência da dor em diferentes regiões da coluna vertebral em pilotos e tripulantes militares, considerando estudos experimentais presentes na literatura. Métodos: Estudo de revisão sistemática com busca realizada em dez bases científicas, utilizando frase de busca contendo descritores para a variável de desfecho e de exposição. Não houve restrição de idioma ou data de publicação. Foi utilizada a estratégia PICOS (Patient; Intervention; Control; Outcome(s); Study design), para estabelecer os critérios de elegibilidade dos estudos As recomendações Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020 Statement) foram seguidas para sua redação. Resultados e Discussão: Foram encontrados 17.522 estudos. Após aplicados os critérios de exclusão, nove trabalhos integraram o presente estudo, dentre os quais quatro demonstraram resultados favoráveis ao exercício físico. Os estudos apresentaram grande variabilidade nos protocolos de exercício e outros problemas metodológicos. Conclusão: Permanece inconclusivo se exercícios físicos são capazes de reduzir a intensidade e/ou a prevalência da dor na coluna vertebral em pilotos e tripulantes militares. Os resultados foram discutidos.
Introdução: A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é comum em contextos esportivos e militares. A reconstrução do LCA (RLCA) é o tratamento padrão, mas ainda não há consenso sobre os critérios ideais para o retorno às atividades operativas, fundamentais para prevenir novas lesões. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico (função física autorreferida e prontidão psicológica) e avaliar o desempenho funcional em militares da Marinha do Brasil no pós-recuperação de cirurgia de RLCA. Métodos: Estudo de coorte retrospectiva com 93 militares da Marinha do Brasil que realizaram RLCA a partir de janeiro de 2017. Foram aplicados questionários (anamnese, função física autorreferida e prontidão psicológica, via Internet. Vinte e um militares participaram da avaliação de desempenho funcional (dinamometria isocinética do joelho em 60, 180 e 300°/s). Utilizou-se o teste t de Student e de Mann-Whitney para amostras independentes. Resultados: Participaram 93 militares (96,7% do sexo masculino), com média de idade de 33,7 anos. A maioria (82,8%) relatou satisfação com o tratamento e 53,8% ainda não haviam retornado ao nível funcional pré-lesão. O futebol foi identificado como a principal atividade esportiva associada à ocorrência da lesão. Em desempenho funcional, a razão agonista/antagonista foi inferior a 60% no lado operado, sem diferenças significativas entre os membros. Conclusão: O futebol foi a principal atividade associada à lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) e mais da metade dos militares relatou não ter retornado ao nível funcional pré-lesão. Não houve diferenças significativas na avaliação isocinética entre o lado operado e não operado. Os resultados foram discutidos.
XII Fórum Científico da Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx) - jun 2025 - Em breve.
Introdução: O combate moderno exige a adoção de novas capacidades operativas e uma melhor qualificação dos recursos humanos. Nesse contexto, a capacitação física ainda desempenha um papel de destaque dentre as capacidades e qualificações para a prontidão do militar. Sendo assim, para a manutenção da aptidão física da tropa, o treinamento físico e os testes específicos visam preparar e avaliar o militar para as tarefas e demandas do combate. Objetivo: Examinar a correlação dos testes de força isométrica e dos testes que compõem o Teste Físico Operacional (TFO) do Exército Brasileiro (EB) com o desempenho em tarefas de combate simuladas (TCS) específicas do EB. Métodos: Estudo observacional que integra um estudo longitudinal sobre a eficiência do TFO, do qual participaram no total 234 militares da ativa, sendo 116 do estudo preliminar (de ambos os sexos) e do presente estudo, foram 118 participantes do sexo masculino, fisicamente ativos, servindo em um Batalhão de Infantaria. Os indivíduos realizaram testes físicos voltados para aptidão muscular e cardiorrespiratória, além de realizarem as TCS específicas do EB. A correlação entre cada teste-tarefa foi estimada por meio do coeficiente de correlação de Pearson (r). Resultados: O teste de força de preensão manual foi o único teste que apresentou correlações significativas (de fraca a moderada) com todas as TCS, sendo que para transporte de ferido (TF) e transposição de obstáculo as correlações foram desprezíveis (r<0,3). Dentre os testes físicos do TFO, os que apresentaram maiores valores preditivos foram o lanço-arrasto-carregamento (LAC) e a corrida contínua de 3.200m (CC). LAC exibiu correlação forte (r=0,7–0,8) com todas as TCS e CC apresentou correlações de moderada a forte com quase todas as TCS, à exceção da tarefa TF. Conclusão: Este estudo demonstrou o efeito preditor dos testes físicos em relação ao desempenho nas TCS específicas do EB. Os achados sugerem que a avaliação composta de testes físicos multitarefas em conjunto com a CC podem ser utilizados com confiabilidade em relação ao desempenho nas TCS.
Introdução: As tecnologias vestíveis vêm transformando o cenário do desempenho humano, especialmente no contexto dos atletas táticos — profissionais como militares, policiais e bombeiros. Esse tipo de tecnologia inclui dispositivos eletrônicos que podem ser incorporados ao corpo ou às vestimentas, e permitem o monitoramento contínuo de parâmetros fisiológicos essenciais à saúde e ao desempenho humano. Objetivo: Identificar tecnologias vestíveis que podem ser utilizadas para otimizar o desempenho operacional de atletas táticos. Conclusão: Identificadas algumas das tecnologias vestíveis, discutiu-se a relevância de seu emprego no planejamento do treinamento do atleta tático com vistas ao aprimoramento do desempenho operacional do militar. Dispositivos como smartwatches, sensores de: movimento (acelerômetros), atividade muscular (eletromiografia: EMG), temperatura e glicose permitem controle em tempo real de parâmetros críticos e inovações como óculos, anéis, roupas e calçados inteligentes complementam esse ecossistema tecnológico, com dados estratégicos e suporte à tomada de decisões. Assim, essas ferramentas se consolidam como aliadas fundamentais na segurança, eficiência e preparação dos profissionais que atuam em contextos operacionais de alta exigência.