
A institucionalização da Gestão do Conhecimento (GC) na Administração Pública é um desafio ante a fragmentação informacional e saberes tácitos. Este estudo, derivado de dissertação de mestrado (Martins, 2025) da Universidade Federal de Juiz de Fora, analisa as formações em serviço ofertadas pela Superintendência de Desenvolvimento e Avaliação (SDA/SEE-MG) às Diretorias de Pessoal das Superintendências Regionais de Ensino, investigando a conversão do conhecimento individual em patrimônio organizacional. A pesquisa, um estudo de caso qualiquantitativo, triangulou análise documental, entrevistas com gestores e questionários com 108 servidores. Os resultados indicam que, embora relevantes, as formações carecem de fluxos padronizados, memória organizacional e retroalimentação. Como contribuição, propõem-se diretrizes para a GC na SDA, através de um Plano de Ação Educacional estruturado em memória institucional, comunicação e atualização contínua. Conclui-se que tais mecanismos aprimoram as práticas formativas e posicionam a GC como instrumento de governança e eficiência pública.
Em 2012, a Lei n.o 12.711 estabeleceu cotas para o ensino superior e o ensino técnico de nível médio em instituições federais. Passados mais de dez anos, há uma carência de estudos sobre as cotas no Ensino Médio Integrado (EMI) e sua operacionalização, assim como sobre as abordagens que considerem as normas integradas, como leis, decretos, portarias e editais, que compõem o "Sistema de Cotas". O objetivo deste artigo é analisar o processo de implementação desse sistema por meio dos editais. O trabalho partiu de uma pesquisa exploratória que examinou cinco editais de Institutos Federais (IFs) destinados à seleção de alunos para o EMI, a fim de observar o modelo operacional vigente à época e seus impactos. A análise revelou variações na operacionalização das cotas no EMI, uma vez que, em algumas situações, 80% dos candidatos cotistas também concorreram a vagas da ampla concorrência, e alguns IFs (60%) implementaram ações afirmativas autônomas.
Este artigo problematiza a relação entre educação afetiva e neurociência a partir de uma perspectiva crítica, tensionando as apropriações tecnicistas e neoliberais da educação socioemocional no contexto escolar contemporâneo. Fundamentado em contribuições da neurociência, da pedagogia crítica e das teorias do desenvolvimento humano, o estudo analisa o afeto como dimensão constitutiva do processo educativo, indissociável das relações sociais, culturais e históricas que atravessam a escola. A partir do diálogo com autores da pedagogia crítica, discute-se o risco da redução do afeto a competências individuais mensuráveis, bem como os efeitos de culpabilização do sujeito e apagamento do coletivo promovidos por determinadas políticas educacionais. Conclui-se que uma educação socioemocional crítica deve reconhecer o afeto como prática ética, política e emancipatória, reafirmando a centralidade da relação professor-aluno como espaço de humanização e resistência no fazer docente.
A sociedade do século XXI, caracterizada por sua complexidade, imprevisibilidade e mudanças contínuas, demanda dos indivíduos habilidades como letramento digital, autonomia, colaboração, criatividade e solução de problemas complexos. Nesse cenário, a aprendizagem contínua é crucial, dada a insuficiência das abordagens tradicionais de ensino. Recursos tecnológicos, especialmente a Inteligência Artificial (IA), ganham destaque por otimizar as estratégias de ensino. O objetivo deste trabalho é investigar como a Inteligência Artificial pode favorecer o desenvolvimento das habilidades dos estudantes do século XXI. Para este fim, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, explorando literaturas publicadas entre 2020 e presente data e pertinentes ao tema. A análise das obras selecionadas revela que a IA possui forte potencial para auxiliar os indivíduos, tanto na manutenção da motivação e engajamento quanto na contribuição para o desenvolvimento das competências desejáveis para o contexto atual.
Este artigo apresenta uma revisão de literatura sobre a docência no ensino superior, com ênfase nos cursos de Licenciatura em Física, tomando a experiência de Bondía (2002) como eixo analítico. O objetivo consiste em analisar como a produção acadêmica da última década concebe a docência universitária, a formação docente e o lugar atribuído à experiência e à reflexão na constituição da identidade profissional. Trata-se de uma revisão de artigos publicados entre 2014 e 2024, na qual os resultados evidenciam a coexistência de concepções instrumentais e experienciais de formação docente, bem como a escassez de estudos que mobilizem a experiência como acontecimento formador na Licenciatura em Física. Conclui-se que a valorização da experiência vivida e refletida amplia a compreensão da docência universitária como prática formativa complexa.