
Este artigo analisa como as políticas interculturais no ensino superior se materializam, se tensionam e se reinventam na formação de professores da região Norte do Brasil. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter analítico-documental, fundamentada na triangulação entre documentos institucionais, dados do Censo da Educação Superior e estudos acadêmicos recentes. Os resultados indicam que as políticas de ações afirmativas ampliaram o acesso de estudantes indígenas às universidades públicas, especialmente por meio de cotas, processos seletivos específicos e licenciaturas interculturais. Contudo, persistem desafios relacionados à permanência, à conclusão dos cursos e ao reconhecimento epistêmico. Conclui-se que a efetivação da interculturalidade crítica requer transformações estruturais nas práticas curriculares, pedagógicas e institucionais do ensino superior.
O presente estudo analisa de que maneira as diretrizes estabelecidas pela Conferência Mundial sobre o Ensino Superior -CMES/1998 influenciaram as reformas, políticas e estratégias da educação superior na América Latina e no Caribe. Utiliza abordagem qualitativa e pesquisa documental para responder como tais diretrizes se mostraram insuficientes para a universalização do ensino. A análise organiza-se em cinco categorias: (a) os antecedentes das conferências (b) as diretrizes da CMES/1998 (c) o papel das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC); (d) as contribuições da Conferência Regional da UNESCO (CRES-1996) (e) o cenário contemporâneo da educação superior na América Latina e no Caribe no período pós-conferência. Conclui-se que, após duas décadas, persistem influências dos organismos internacionais, com avanço da mercantilização e necessidade de políticas que reduzam desigualdades.
Ante el avance de la inteligencia artificial y la creciente incorporación de tecnologías digitales en los sistemas educativos, la Ley n.º 14.533/2023 instituyó en Brasil la Política Nacional de Educación Digital (PNED). Esta política se presenta como una estrategia de modernización del sistema educativo mediante el fortalecimiento de la educación digital, la formación docente y el desarrollo de competencias digitales. El presente estudio analiza críticamente el discurso que sustenta la PNED, con el objetivo de identificar las racionalidades políticas y económicas que orientan su formulación, particularmente en la articulación entre el Estado, los organismos multilaterales y el sector privado. Metodológicamente, se trata de una investigación documental basada en el análisis de contenido propuesto por Laurence Bardin (2011), aplicada a la legislación y a documentos internacionales relacionados con la agenda de educación digital. Los resultados evidencian la persistencia de una lógica gerencial y tecnocrática en las políticas educativas, caracterizada por la centralidad de la innovación tecnológica, la formación docente orientada por competencias y la asociación entre educación digital y desarrollo económico. Se concluye que la PNED actualiza discursos previamente consolidados en reformas educativas anteriores, sin constituir necesariamente una ruptura con modelos previos de incorporación de tecnologías en la educación.
Este estudio identifica los conceptos de patria presentes en libros de lecturas oficiales del Paraguay utilizados en las escuelas primarias: El Paraguayo. Libro Segundo (1945) de Ramón Indalecio Cardozo, Patria Mía (1950) de Concepción Leyes de Chaves y Acosta Ñu (1970) de Mercedes Domaniczky de Céspedes. A partir de un análisis crítico del discurso, fundamentado en las teorías del nacionalismo, se distinguen tres dimensiones constitutivas de la patria: como memoria colectiva, como proyecto normativo y como territorio-historia, lo cual evidencia una evolución desde el liberalismo pedagógico hacia el nacionalismo heroico autoritario, producto de las tensiones ideológicas entre la emancipación pedagógica y el control estatal. Los resultados evidencian que la noción de patria se configura como una categoría históricamente situada en los textos escolares, en estrecha relación con proyectos políticos y pedagógicos determinados.
O foco desse artigo são as antropologias indígenas no Brasil. Seu interesse é seguir questões que estudantes, pesquisadoras e pesquisadores indígenas desenvolvem no âmbito da Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges (ABIA) acerca de vivências universitárias e sentidos da formação em antropologia, além de estratégias de “incidência indígena” no campo antropológico. Partimos de questões discutidas no evento remoto de criação da ABIA em 2020, buscando aprofundá-las no diálogo com artigos, dissertações e teses elaboradas por indígenas antropólogos/as. O texto sobrevoa alguns temas da etnologia ameríndia - como dimensões do parentesco, aspectos das formas políticas e modos de conhecimento ameríndios, além de abordar a colaboração em/entre antropologia/s, pretendendo ser mais uma contribuição entre outras que têm imaginado futuros capazes de multiplicar antropologias.
O artigo analisa a Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012) como marco da democratização do acesso às universidades federais brasileiras, destacando seus avanços, limites e desafios contemporâneos. Argumenta-se que a política produziu mudanças relevantes no perfil de ingresso, ampliando a presença de estudantes oriundos de escolas públicas, de baixa renda e pertencentes a grupos étnico-raciais historicamente marginalizados. Contudo, sustenta-se que a efetividade da política não se esgota no acesso formal, pois desigualdades educacionais prévias e vulnerabilidades socioeconômicas impõem barreiras à permanência e à conclusão dos cursos. O estudo articula análise normativa, dados educacionais e literatura especializada para demonstrar que os efeitos da Lei de Cotas dependem de condições institucionais como financiamento, assistência estudantil e políticas de acolhimento acadêmico. Além disso, discute-se a dimensão simbólica e cultural da política, evidenciando disputas em torno de mérito, pertencimento e interculturalidade no espaço universitário. Conclui-se que a democratização efetiva da Educação Superior requer não apenas a manutenção da reserva de vagas, mas o fortalecimento de mecanismos de permanência, monitoramento e transformação institucional.
Este artigo analisa a experiência inicial da Licenciatura em Educação Escolar Quilombola Nêgo Bispo da Universidade Federal de Pernambuco, no núcleo formativo de Recife (PE), à luz da interculturalidade crítica e do pluralismo epistêmico. A partir de um estudo de caso qualitativo e implicado, examinam-se processos de interculturalização da experiência formativa no primeiro módulo do curso, considerando a organização pedagógica, a agência estudantil, as tensões produzidas pelo racismo institucional e os limites das políticas públicas de formação. Argumenta-se que a presença de estudantes quilombolas reconfigura os modos de funcionamento do ensino superior, favorecendo a valorização dos saberes ancestrais e a construção de práticas formativas situadas. Conclui-se que a experiência evidencia a universidade como espaço político em disputa, fundamental para uma educação superior socialmente referenciada.
Este artigo analisa o 1º Fórum de Educação Superior para Povos Indígenas e Quilombolas, realizado em agosto de 2025, no Rio de Janeiro. Os dados derivam de escutas prévias realizadas nos territórios e das discussões do evento, visando construir políticas afirmativas "com" e não apenas "para" essas populações. Apresentamos propostas de ingresso, permanência e abertura epistêmica, além de compartilhar a perspectiva de estudantes sobre o cenário de silêncios e colonialidade na universidade. Oferecemos um diagnóstico do acesso de povos tradicionais ao ensino superior no Rio de Janeiro, ressaltando que tais políticas não devem ser apenas para aumentar o contingente discente, mas também por reparação e justiça epistêmica. É urgente, sobretudo, transformar as estruturas institucionais para acolher esses saberes e garantir uma efetiva mudança no sistema educacional.
O artigo analisa a incorporação da interculturalidade, da diversidade e das ações afirmativas na formação docente de licenciaturas em universidades federais de Pernambuco. Fundamentado em Azevedo (2008), Bourdieu (1996; 1997; 1999), Costa e Oliveira (2025) e Gomes (2017; 2021), compreende o currículo como campo político de disputas simbólicas e reprodução social. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativo-quantitativa de natureza analítico-documental, baseada na análise de PPCs vigentes, matrizes curriculares e documentos institucionais, conforme Cechinel et al. (2016), com apoio conceitual da noção de tema em Bardin (1977). Os resultados evidenciam uma institucionalização desigual e fragmentada das políticas interculturais, indicando que a presença formal de disciplinas e núcleos não assegura, isoladamente, uma formação docente comprometida com a justiça social e a pluralidade epistemológica.
O artigo promove um diálogo entre Psicologia, pluralismo epistêmico e pensamento feminista negro, partindo da crítica às abordagens hegemônicas que relegam a segundo plano as dinâmicas sociais, institucionais e de poder que produzem e reproduzem as restrições de acesso a direitos, especialmente no campo da vulnerabilidade social, compreendida em sua dimensão multidimensional e relacional. Desenvolve-se uma reflexão teórica a partir da inserção da obra de Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo, escrita em 1960, como referencial do componente curricular Psicologia e Vulnerabilidade Social, em um curso de graduação em Psicologia, evidenciando deslocamentos nas concepções de autoria intelectual, produção de conhecimento e formação acadêmica. A análise também se ancora na crítica ao racismo epistêmico, entendido como mecanismo de hierarquização e silenciamento de saberes não hegemônicos, particularmente aqueles produzidos por mulheres negras. Conclui-se que a ampliação das leituras sobre a subjetividade da população negra brasileira constitui um exercício fundamental de pluralização epistêmica, com implicações para a formação e a intervenção psicológica.
La enseñanza de la conquista de Iberoamérica representa un campo de disputa epistemológico en el cual convergen narrativas históricas, políticas e identitarias en constante tensión. Este artículo analiza la imposibilidad de una enseñanza neutral de dicho proceso, esto bajo la premisa de que toda práctica pedagógica porta compromisos normativos y a su vez reproducen o cuestionan relaciones de poder ya establecidas. Esto a partir de perspectivas situadas en la experiencia negra del Pacífico colombiano, esta investigación emplea un análisis crítico de las narrativas dicotómicas de la “Leyenda Negra” y la “Leyenda Rosa” las cuales han estado presente en textos escolares y discursos etnoeducativos regionales. Es por lo que se propone el tránsito hacia enfoques decoloniales que visibilicen la agencia, las resistencias y las epistemologías de los pueblos africanos y su descendencia en el proceso colonial. Con todo esto, el aporte principal de este articulo radica en la integración de referentes culturales y territoriales, como el Festival Petronio Álvarez y las geografías afrodescendientes, como herramientas de reparación epistémica y alfabetización de la diáspora, fundamentales para una educación histórica emancipadora en contextos de diversidad étnica.
Este artículo analiza las experiencias de estudiantes indígenas y no indígenas de la Universidad Autónoma de Nayarit (UAN), con especial atención en su definición y la forma en la que viven la interculturalidad en el ámbito universitario. Apoyada de una metodología cualitativa con enfoque en la etnografía digital, realicé entrevistas semiestructuradas por videollamadas para recopilar los testimonios que describen cómo la interculturalidad dentro de la universidad responde a una perspectiva funcional que no cuestiona las estructuras de poder que sostienen las desigualdades provocadas por el racismo, principalmente. Planteando la necesidad de avanzar hacia una interculturalidad crítica y decolonial que cuestione y proponga transformaciones profundas en las estructuras de poder que ocurren dentro de las universidades en Abya Yala.
Este artículo ofrece una lectura crítica de la Educación Infantil contemporánea en España y Europa, situada en la tensión entre la norma, el cuidado y la pedagogía. A partir de una revisión documental cualitativa y la triangulación de fuentes institucionales, normativas y académicas, se analizan los discursos políticos y pedagógicos que configuran la etapa, así como sus efectos en la práctica educativa. El estudio identifica tres tensiones principales: la expansión cuantitativa frente a la calidad pedagógica, la relegación del cuidado como eje educativo y la instrumentalización de la innovación. Se argumenta la necesidad de revalorizar la Educación Infantil como espacio ético, relacional y comunitario, subrayando el papel del profesorado y las condiciones estructurales que sostienen una pedagogía democrática y situada.
El presente trabajo muestra la relevancia teórica y práctica de la articulación entre interculturalidad y género en una universidad intercultural mexicana. A través de la reflexión etnográfica de procesos educativos en la Universidad Veracruzana Intercultural (UVI) donde la interculturalidad y el género se enlazaron, se afirma que prácticas feministas en la institución han consolidado la vocación ética y política de estudiantes de la UVI y han motivado a estudiantes y docentes hombres a reflexionar su masculinidad, a través de la gestión colectiva de un grupo de hombres en la universidad. Paralelamente, la reflexión etnográfica llevó a repensar esquemas formales que permiten una comprensión histórica compleja de la relación entre Estado nacional y pueblos indígenas en México en general y particularmente, los procesos formativos y el impacto social de la UVI.
Desde un enfoque de investigación-acción se realizaron entrevistas con personal académico y administrativo del Tecnológico Universitario del Valle de Chalco, México, sobre el significado y las prácticas de la interculturalidad. Los resultados muestran que ésta se concibe como convivencia horizontal entre culturas, reconocimiento de saberes construidos fuera del aula, cuestionamiento de desigualdades y afirmación de la identidad. Las y los participantes destacan la necesidad de fortalecer la formación docente e impulsar proyectos curriculares y extracurriculares que permitan a los estudiantes reconocerse en su historia y territorio. Finalmente, se plantea que este estudio, desarrollado en una universidad tecnológica, refuerza la pertinencia de transversalizar la interculturalidad en el currículo como vía para avanzar hacia una educación antirracista, anticlasista y libre de discriminación.
En las últimas décadas, la interculturalidad ha adquirido creciente relevancia en la educación superior de América Latina, en un contexto marcado por la ampliación del acceso de juventudes indígenas y afrodescendientes y por el reconocimiento de sus derechos en diversos marcos normativos. Este artículo analiza tres ejes principales: la discusión en torno a la interculturalidad y su relación con el racismo/antirracismo; las experiencias de jóvenes indígenas; y las transformaciones —y límites— en las dimensiones curriculares y epistémicas. Desde una perspectiva basada en el diálogo entre investigaciones etnográficas de distintos países de la región, se concluye que la interculturalización de la educación superior requiere transformaciones estructurales que involucran una revisión profunda de las formas de producción y validación del conocimiento.
Este artículo propone un ejercicio de reflexión sobre las posibilidades de pensar la universidad desde la interculturalidad. Para ello, aborda los orígenes históricos de la universidad y el desarrollo de los sistemas contemporáneos de aseguramiento de la calidad, a la vez que explicita la comprensión de la interculturalidad como un proyecto político transformador. Con el surgimiento y lenta pero consistente ampliación de proyectos de educación superior intercultural, observamos una tensión en torno a cómo hacer conversan categorías como calidad e interculturalidad. Así para muchos de estos proyectos surge la pregunta ¿Es posible interculturalizar el aseguramiento de la calidad? En este contexto, la interculturalidad se plantea no solo como un proyecto dirigido a determinados sectores sociales, sino como una herramienta clave para fortalecer la misión social de la universidad y su aporte a la producción de conocimiento.
Este artículo analiza críticamente las políticas interculturales en la educación superior brasileña y la propuesta de una Universidad Indígena Intercultural. Basado en la interculturalidad crítica de Catherine Walsh, cuestiona los límites de la universidad tradicional ante las demandas de pluralismo epistémico y justicia [1]cognitiva. Metodológicamente, es una investigación cualitativa y analítica que emplea revisión bibliográfica y producciones de investigadores indígenas. Examina experiencias de la Universidad Federal de Goiás y de la Universidad Autónoma Indígena Intercultural (Colombia), dialogando con los aportes de Santos de Souza y Carvalho sobre tensiones y prácticas pedagógicas. Los resultados revelan que, pese al mayor acceso, persiste una interculturalidad funcional que no altera la colonialidad del saber. Se concluye que una Universidad Indígena Intercultural debe ser un proyecto político-epistémico que transforme la educación superior y reconozca efectivamente el conocimiento ancestral colectivo indígena como base para la producción de saber.
This study analyses a pedagogical renewal process carried out in a secondary school located in a marginalised area of Castile and León that failed to take root. The research focuses on extracting valuable lessons from its development, analysing both the partial achievements and the obstacles encountered, all of which are inherent in the attempt to build an alternative educational model. The results reflect not only the particular experience of this school, but situations common to many disadvantaged educational contexts, familiar to any professional committed to teaching in complex environments. The findings demonstrate how pedagogical renewal projects in vulnerable contexts face structural challenges that, far from being failures, offer fundamental lessons for future educational interventions.
This paper analyzes public officials' assessments of the expertise required for educational governance in the province of Buenos Aires. We seek to analyze how these assessments construct justifications for expert legitimacy linked to their professional careers in a current context of challenging governance. Based on an analysis of interviews with officials from the subnational education administration (2015-2019), we observed changes in assessments of expertise and recruitment. These responded to the configuration of an initial model based on career bureaucratic professionals within the system for the construction of governance due to their proximity to the education system. A second, post-bureaucratic model oriented toward integrating professionals from outside the system with public-private backgrounds due to their technical knowledge for modernization and innovation.