
As atividades agrícolas e não agrícolas na Amazônia são os meios econômicos que garantem segurança alimentar e nutricional da sociedade do campo. Logo esse trabalho tem como objetivo geral analisar os arranjos adotados pelas Unidades de Produção Agrícola (UPAs), na comunidade São Pedro no município de Limoeiro do Ajuru/PA, na Amazônia Tocantina. Para a coletas dos dados utilizou-se a caminhada transversal, entrevistas diretivas e aplicação de um roteiro semi-estruturado, com a finalidade de compreender as escolhas dos agricultores, para a obtenção do sustento das unidades familiares. No sistema de produção os destaques foram para os cultivos da mandioca, da pimenta-do-reino e do açaí nativo, enquanto as criações se caracterizam pela pequena escala e destinação para o autoconsumo. O estudo relata que os agricultores possuem inúmeras estratégias e possibilidades para manter o sustento de suas famílias, no qual refirma que a agricultura familiar não é apenas uma forma de fazer agricultura e sim parte de uma categoria social.
A ação de herbívoros pode afetar o sucesso no estabelecimento de mudas, e através da silvicultura de precisão, torna-se possível mapear e identificar as relações espaciais ocorrentes. O objetivo do estudo foi avaliar a distribuição espacial dos ataques de herbívoros, capacidade de rebrota e mortalidade. A caracterização do padrão da variabilidade espacial das variáveis foi realizada por meio de análise geoestatística, e a dependência espacial obtida através de ajustes de semivariogramas. A subárea 5 apresentou maior ocorrência de herbivoria (55%), e o modelo de semivariograma que melhor se ajustou foi o exponencial, com dependência espacial forte (15,08%). Considerando as 5 subáreas, a espécie com maior incidência de herbivoria (79,49%) foi o ingá (Inga edulis), e a capacidade de rebrota das plantas foi de 1,44%. O ataque de herbívoros não afetou a taxa de sobrevivência das plantas, e a taxa de mortalidade por causas diversas foi de 5,76%.
Invasões biológicas têm recebido cada vez mais atenção de pesquisadores em todo o mundo e têm se tornado cada vez mais evidente a necessidade de medidas de prevenção. A leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit) é uma espécie arbustivo arbórea que se encontra na lista das 100 espécies invasoras mais agressivas do planeta. O objetivo deste trabalho foi estudar a invasão biológica e controle da leucena no município de Arcos/MG no Brasil. Para a realização da avaliação da ocupação do solo ocorridas pela Leucena dos anos de 2005 a 2017, foram utilizadas imagens dos satélites Landsat 7 e 8. Para cada ano avaliado foram gerados mapas temáticos de ocupação do solo da área de expansão da espécie exótica, a fim de quantificar a área total invadida, para a melhor visualização das áreas ocupadas e das diferentes classes de vegetação nas imagens Landsat, foram gerados mapas com o uso do NDVI (Normalized Difference Vegetation Index). A média de expansão anual da leucena na área foi de 0,112 ha/ano. O controle da espécie foi avaliado utilizando delineamento experimental com oito tratamentos e três repetições em blocos casualizados, sendo os seguintes tratamentos: picloran+2,4D (288 +1.080 g ha-1), triclopir-butotílico (5 L p.c.ha-1), glifosato (2,40 kg i.a.ha-1), isolados e os mesmos aplicado posteriormente no toco, após corte raso. O melhor controle se deu através da realização de corte raso e aplicação de picloram + 2,4D sobre os tocos, atingindo média de 80% de controle da espécie em 360 dias após o tratamento (DAT).
Na Amazônia, entre os vários grupos populacionais que se dedicam ao extrativismo, destacam-se os que estão relacionados à pesca praticada de forma artesanal e são representativos da população que habita em consonância aos rios e o mar. O estudo objetiva a caracterização social, econômica e ambiental em três comunidades pertencentes a Reserva Extrativista Marinha Caeté- Taperuçu e, para assim, contribuir para traçar o perfil de pescadores que residem em três comunidades pesqueiras do município de Bragança, nordeste do estado do Pará, na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu. Foi realizada entrevista através de questionários a 251 famílias de pescadores artesanais entre homens e mulheres, sendo 85 (33,86%) da Vila dos Pescadores, 96 (38,25%) da Vila do Castelo e 70 (27,89%) da Vila do Taperuçu. Os resultados indicam a idade dos entrevistados entre 18 e 55 anos, constatou baixa escolaridade, a maioria possui casa própria e renda anual variando de R$ 3.905,85 a R$5.506,56. O acesso à água se dá pela rede de distribuição e a disponibilização dos serviços de limpeza urbana atendem quase 50% das comunidades. Os resultados obtidos permitiram obter um perfil social, econômico e ambiental dos pescadores artesanais de comunidades pesqueiras na reserva extrativista, podendo contribuir como base para a geração de subsídios que envolvam a implementação de políticas públicas que esteja direcionada a pescadores artesanais na unidade de conservação em questão.
Este estudo analisou o horário de atividade de voo de Arctiini em uma área da Floresta Nacional do Tapajós, Belterra, Pará. As mariposas foram mensalmente capturadas no período de maio de 2019 a fevereiro de 2020, durante três noites consecutivas, na fase de lua minguante/nova, utilizando armadilha luminosa modelo Pensilvânia. Avaliou-se a composição de espécies, a riqueza e a abundância foram utilizadas para realizar a análise circular e relacioná-las com a temperatura através da correlação. Foram capturados 412 indivíduos pertencentes a 94 espécies distribuídas em todas as sete tribos de Arctiini. A maior parte das espécies (S= 72 ou 76,6%) ocorreram em um e dois horários. Os horários de pico, para a riqueza (S= 27) e abundância (N= 101) foram registrados nas primeiras horas (20h) e nas finais (5h) de coleta, respectivamente, corroborados pela análise circular. Desta forma, recomenda-se que a captura seja realizada ao longo da noite, com a finalidade de representar o máximo possível a composição faunística de Arctiini. A correlação obtida mostra que a riqueza sofreu influência da temperatura.
O estudo da vegetação permite conhecer suas características e estado de conservação. Diante disto, o objetivo deste estudo foi analisar a estrutura fitossociológica e a diversidade florística do componente arbustivo-arbóreo em um fragmento de Caatinga, no município de Porto da Folha, Sergipe. A amostragem da vegetação foi realizada por meio de 25 parcelas de 20 x 20 m (400 m²). Foram identificados e registrados todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com circunferência à altura do peito (a 1,30m do nível do solo) ? 6,0 cm e analisadas a estrutura fitossociológica e a diversidade florística (Shannon-Wiener e equabilidade de Pielou). A densidade total foi de 2.641 indivíduos/ha e a área basal, de 15,52 m²/ha, mostrando-se superiores a outras áreas de Caatinga. Os índices de diversidade de Shannon-Wiener (H') e equabilidade de Pielou (J') foram, respectivamente, 2,4 nats/ind. e 0,62. Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. representou 38,89% do total da densidade, sendo a segunda maior área basal total. O estado de conservação do fragmento estudado possibilita a sua utilização como uma área controle para comparação com futuros estudos sobre a vegetação de Caatinga em Sergipe.
Para promover uma análise sobre a sustentabilidade em um determinado sistema de produção, torna-se fundamental levar em consideração uma abordagem que considere, minimamente, indicadores sociais, ambientais e econômicos.Neste tipo de levantamento, os índices de sustentabilidade apresentam-se enquanto resultados gerados por instrumentos de diagnóstico, a fim de possibilitar a coleta e a interpretação de informações. Assim, o presente artigo tem como objetivo demonstrar a utilização da ferramenta de Indicadores de Sustentabilidade das Explorações Agrícolas (IDEA) em uma propriedade rural familiar. A ferramenta IDEA leva em consideração as dimensões agroambiental, sócio-territorial e econômica. A partir do diagnóstico foi possível evidenciar que apesar de a ferramenta apresentar lacunas, constitui-se enquanto importante instrumento de análise, evidenciando que a propriedade objeto deste estudo possui baixos índices de sustentabilidade, necessitando a intervenção e correção de alguns pontos cruciais para que alcance níveis mais satisfatórios de sustentabilidade.
Objetivou-se verificar a influência do uso da gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Steud) em sistema alley cropping na produção de macaxeira (Manihot esculenta Crantz) em unidade experimental em Santarém, Pará. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com 2 tratamentos, distribuídos em 4 repetições. Após 8 meses de plantio, foi realizada a colheita da macaxeira, quantificando-se o número de plantas vivas, o número de raízes por planta e o peso de raízes por parcela. Os resultados denotam que a produtividade de macaxeira com gliricídia foi de 2,3 t/ha, enquanto na testemunha foi de 1,2 t/ha, nas condições expostas neste experimento. A produção de raízes apresentou o melhor resultado da cultura da macaxeira sob a adubação verde com gliricídia, mesmo não apresentando diferença estatística entre tratamentos. Portanto, visando maior abrangência dos dados, sugere-se o redimensionamento da amostragem para as futuras avaliações.
O objetivo desde trabalho compreendeu a avaliação do comportamento agronômico de 22 famílias de meios-irmãos de cacaueiro, considerando componentes de produção e resistência a coleobroca-dos-frutos (Fbroc) e resistência à vassoura-de-bruxa (Fvass). As características foram interpretadas utilizando a análise de variância em modelo de parcela subdividida, com os efeitos de famílias na parcela e anos na subparcela. Para quantificar a adaptabilidade e estabilidade foram interpretadas as estimativas de parâmetros genéticos e o teste não paramétrico de Lin Binns. Os resultados indicam elevada variabilidade genética entre as progênies avaliadas. As progênies AM 1090, AM 1066, AM 1070, AM 1077 e AM 1085 apresentaram melhor adaptabilidade e estabilidade ao longo dos anos para a produtividade. As progênies AM 1068, AM 1081, AM 1091, AM 1095 e AM 1097 tiveram melhores desempenhos para resistência à vassoura-de-bruxa, enquanto AM 1077, AM 1081, AM 1085, AM 1088 e AM 1112, para a resistência à coleobroca-dos-frutos.
A farinha de mandioca (Manihot esculenta Crantz) é um alimento de referência histórica e produto de inestimável valor cultural e econômico na região amazônica. O estudo objetivou investigar os tipos de farinha de mandioca comercializados na feira do Ver-o-Peso (Belém, Pará), considerando a historicidade, socioeconomia e suas expressões bioculturais. A coleta de dados incluiu observação não participante, entrevistas semiestruturadas, aplicação da lista livre e consulta à obras especializadas. Na feira do Ver-o-Peso foram identificados três tipos de farinha (d’água, seca e tapioca), 12 variedades de farinha e três subprodutos (crueira, carimã e goma), tendo a Farinha tip. d’água subtipo. comum o valor máximo de importância. Trata-se de uma farinha de forte apelo econômico, sendo a preferida dos vendedores por significar venda garantida e, pelos consumidores, por ser tradicionalmente acompanhamento obrigatório das refeições. Cada tipologia expressou concepções individuais, resultado de um laborioso processo de produção, venda e consumo, que transitam entre o campo econômico e o biocultural.
No presente artigo buscou-se discutir o papel das incubadoras universitárias e tecnológicas enquanto tecnologia social aplicada à resolução de problemas em empreendimentos econômicos solidários. Destacou-se a importância da interdisciplinaridade como interface entre diferentes áreas de conhecimento, tendo em vista a superação de fragmentos disciplinares da racionalidade instrumental. Em seguida foram abordadas as técnicas e os instrumentos utilizados na obtenção de dados, como o diagnóstico rápido participativo, bem como o uso de questionários e entrevistas para o conhecimento da realidade à luz das metodologias de incubação, que organiza um conjunto de métodos, técnicas e instrumentos para a aplicação de conhecimento coordenado e em conjunto com os agricultores ribeirinhos associados visando mitigar ou consolidar agricultura sustentável sob forma de autogestão local.
A hidrelétrica Belo Monte causou o deslocamento territorial dos ribeirinhos que habitavam as ilhas ao longo do rio Xingu. Com a interrupção dos modos de vida, passaram a lutar pela reconstrução do território. O objetivo do presente artigo foi realizar um diagnóstico dos agroecossistemas ribeirinhos na região Xingu e identificar o seu papel na conservação da biodiversidade. Realizaram-se pesquisa de campo nas comunidades com entrevistas, turnês guiadas e levantamento etnobotânico. Participaram 71 unidades familiares, das quais 42 estavam reassentadas em 10 comunidades, perfazendo a amostra da presente análise. Observou-se diversidade de campos manejados, de espécies vegetais e animais, de trabalho e de produtos em cada agroecossistema familiar. Os ribeirinhos estão plantando agrobiodiversidade, que é parte vital da biodiversidade. Identificaram-se 93 espécies de plantas alimentícias, conservadas em espaços agroflorestais. O território garantido na beira do rio é o grande precursor para a formação dos agroecossistemas.
Analisou as caracteriticas dos sistemas de produção dos pequenos produtores que vem desenvolvendo o manejo do bacurizeiros (Platonia insignis Mart.) no Nordeste Paraense e Marajó. A escolha das Mesorregiões do Nordeste Paraense e Marajó decorreu da informação de que são áreas produtoras que respondem pela maior oferta de frutos de bacuri no estado do Pará. Para realização do levantamento de campo, optou-se por uma amostragem intencional, considerando-se somente os pequenos produtores que possuíam bacurizeiros nos seus estabelecimentos. Foram aplicados ao total 77 questionários entre os 7 municípios estudados, sendo 57 na Mesorregião Nordeste Paraense e 20 no Marajó. Verifica-se que a partir do levantamento socioeconômico realizado nas Mesorregiões do Nordeste Paraense e Marajó, foram analisados os dados de maior relevância que permitisse gerar o perfil dos agricultores que realizam o manejo de bacurizeiros e que realizam algum tipo de comercialização dos frutos ou da polpa de bacuri. Conclui-se ainda que o manejo de bacurizeiros constitui uma estratégia familiar importante para a manutenção das famílias no campo e apresenta potencial de crescimento capaz de atender demanda de exportação, importante para geração de renda.
Este artigo resume um esforço colaborativo de seis anos durante o qual o CIPAV e pecuaristas da cidade de Riberas del San Juan (Cimitarra, Santander) projetaram e implementaram sistemas silvipastoris e agroflorestais com o objetivo de melhorar a produtividade pecuária e gerar condições adequadas para a conservação da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Este processo fez parte do Projeto Vida Selvagem (PVS), uma iniciativa para a conservação de cinco espécies ameaçadas de extinção em Magdalena Medio. Na paisagem desmatada de Riberas del San Juan, as práticas de pecuária geraram forte degradação do solo, os fragmentos florestais foram destinados a se tornar novos pastos e os fazendeiros tinham uma visão negativa das árvores e florestas. O componente do PVS coordenado pelo CIPAV teve como foco a conservação da peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron Müll. Arg.) e outras árvores em perigo de extinção local. No entanto, as condições do terreno e da comunidade de Riberas del San Juan não eram adequadas para iniciar o trabalho com ações diretas de conservação e restauração ecológica. Antes disso, era preciso atender à prioridade dos pecuaristas, ou seja, a melhoria de seu sistema produtivo. Descreve-se o processo de diálogo e formação que levou à adoção das primeiras práticas silvipastoris na área e ao co-desenho de sistemas agroflorestais que contribuem simultaneamente para a soberania alimentar, eficiência produtiva e conectividade ecológica na paisagem fragmentada. Ao longo do tempo, o planejamento das fazendas, o parcelamento das pastagens, a integração das árvores de sombra e a produção de forragem de qualidade, contribuíram para melhorar a eficiência produtiva das propriedades e possibilitaram a liberação de algumas áreas estratégicas para a recomposição das matas ciliares. Corredores e reabilitação ecológica com sistemas agroflorestais. A barreira cultural dos agricultores em relação às árvores foi superada na medida em que eles entenderam os benefícios produtivos e ambientais das plantas lenhosas. As ações voltadas para o fortalecimento da resiliência e produtividade da pecuária sensibilizaram a comunidade para o planejamento de novas ações de restauração ecológica e conservação das espécies focais do PVS e da biodiversidade de seu território.
O objetivo desse trabalho foi avaliar a qualidade dos frutos de plátano, cultivar D’Angola, produzidos em consórcio com espécies arbóreas e em diferentes densidades de plantio. Para isso, o experimento foi delineado em faixas com quatro arranjos silvibananeiros, sendo: plátano (Musa spp. L.) com eucalipto Urocam VM01 (Eucalyptus urophyla S.T. Blake x E. camaldulensis Dehnh.); plátano com casuarina (Casuarina equisetifolia L.); plátano com taxi-branco (Tachigali vulgaris L.F. Gomes da Silva & H.C. Lima) e plátano com acácia (Acacia mangium Willd.). Em cada faixa foram distribuídas ao acaso três densidades de plantio de plátano, sendo: 1.250, 833 e 650 plantas/ha, constituído o tratamento secundário. O plantio solteiro (monocultura) de plátano cv. D’Angola, foi utilizado como testemunha no espaçamento 4,5 m x 2,0 m x 1,6 m (1.923 plantas/ha). Avaliaram-se os seguintes aspectos físicos e físico-químicos dos frutos: massa do buquê, massa do fruto, massa da polpa, comprimento do fruto, diâmetro do fruto, diâmetro da polpa, relação polpa/casca, rendimento da polpa, firmeza da polpa, espessura da casca, sólidos solúveis totais (SST), acidez total titulável (ATT) e relação SST/ATT (ratio). Concluiu-se que o plátano produzido no sistema silvibananeiro apresenta menor massa e comprimento do fruto, quando comparado com o cultivo solteiro. Por outro lado, os frutos atenderam o padrão de qualidade para comercialização, independente da espécie arbórea utilizada no sistema. A densidade de plantio não surtiu efeito na qualidade dos frutos de plátano cv. D’Angola.
Os sistemas silvipastoris (SSP) com plantações de alfarroba branca (Prosopis alba Griseb Leguminosae) destacam-se como uma opção produtiva muito promissora para a região do Chaco. Conhecer o aspecto financeiro levando em conta diferentes contextos é necessário para promovê-los. No presente trabalho, avaliou-se a viabilidade financeira de dois modelos de SSP sob plantios de Prosopis alba (SSP 1 e SSP 2). Foi utilizada a metodologia de avaliação com/sem projetos, comparando-os com sistemas florestais e pecuários puros. A rentabilidade financeira foi definida com base em indicadores financeiros: valor presente líquido (VPL) e taxa interna de retorno (TIR), levando em consideração quatro contextos diferentes, construídos com base em novos conhecimentos entre 2017 e 2021: 1) modelo pecuário puro construído com uma série real de produção de pastagens; 2) maiores ganhos de peso individual (animal) nos sistemas silvipastoris do que a céu aberto; 3) a maior taxa de crescimento de novos materiais genéticos disponíveis para a alfarroba; e 4) melhores preços das toras de plantio. Os SSPs são rentáveis financeiramente nas situações propostas, seja a partir da pecuária ou da arborização pura. O SSP 2 (árvores dispostas em fileira dupla espaçadas 14 m.) parece ser mais competitivo do que o SSP 1 (configuração sólida). Os resultados obtidos nas novas condições analisadas são animadores, pois apresentam retornos positivos. É importante avançar com a pesquisas para aprimorá-los e promover a divulgação dos resultados dos aspectos analisados no trabalho de extensão.
O presente trabalho consiste numa descrição geral dos principais acontecimentos na história do movimento agroecológico no Peru no período 1980 a 2015, através da pesquisa bibliográfica e documental baseada principalmente em artigos, livros e atos administrativos normativos. O objetivo é destacar os principais eventos da história deste movimento social, sua incidência política e a possível materialização desse esforço coletivo na inclusão da Agroecologia no cenário político peruano, com a recente criação da Direção Geral de Desenvolvimento Agrícola e Agroecologia (DGDAA) como parte da reestruturação do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Irrigação do Peru (MIDAGRI) em março de 2021. A consolidação do Conselho Nacional de Produtos Orgânicos (CONAPO) como ente assessor e consultivo do MIDAGRI, apesar do tempo que se passou entre sua constituição (2001-2003) e a sua “operabilidade” (2012 em diante), significou a concretização do trabalho conjunto e articulado entre o Estado e os pequenos produtores ecológicos organizados para o planejamento o de políticas públicas de fomento e promoção da produção orgânica ou ecológica no Peru.
Este artigo tem como objetivo analisar o trabalho coletivo para fins econômicos como uma forma de resistência frente a um grande empreendimento da região amazônica na comunidade quilombola São Manoel. Assim, questiona-se: como o manejo e a implantação de sistemas agroflorestais se evidenciam como ação coletiva em São Manuel? A abordagem de pesquisa foi quantitativa e qualitativa, com fontes primárias e secundárias. Os resultados mostram o histórico das atividades que causaram danos a comunidade e as formas de resistência frente aos avanços de uma grande empresa. A ação coletiva foi fundamental para o sucesso dos sistemas agroflorestais, sendo a força da comunidade essencial para gerar renda, ressignificando o território e sua ocupação.
Alimentos vegetais podem representar mais de 90% da dieta das espécies de tartarugas aquáticas podocnemis. Grande parte desses alimentos vêm das florestas de várzea ou igapós, morada dos ribeirinhos que dominam o conhecimento das plantas, e também é habitat dos quelônios que as usam como alimento. Portanto, entrevistamos 39 ribeirinhos no período de 2019 a 2021, nas comunidades Granja e Piraí, Barreirinha, Amazonas. Com o objetivo de conhecer as plantas consumidas pelas tartarugas, através do saber tradicional dos ribeirinhos. Utilizando técnicas de pesquisa etnobiologica, usando métodos qualitativos e quantitativos de coleta dos dados: bola de neve, lista livre com análise do índice de Smith e rede social. Nas entrevistas foram indicadas 83 etnoespécies, catalogamos 59 espécies, distribuídas em 55 gêneros e 29 famílias botânicas. O capitarí (Handroanthus barbatus) apresentou maior índice de Smith, portanto foi a mais conhecida, seguido do tucuribá (Couepia paraensis), marajá (Bactris riparia), camu-camu (Myrciaria dubia) e o jauari (Astrocaryum jauari). Destacamos as famílias Fabaceae, Myrtaceae e Arecaceae por comtemplarem mais espécies indicadas. Dentre as plantas que catalogamos, as previamente descritas para as espécies de podocnemis na literatura pertenciam a 22 famílias (76%), 26 gêneros (47%) e 30 espécies (51%). Assim, 24% das espécies referem-se ao primeiro registro desses itens alimentares na dieta desses quelônios. Os conhecimentos tradicionais dos ribeirinhos devem ser considerados como informações prioritárias na formulação de estratégias de manutenção e restauração das florestas riparias, para conservação das populações de podocnemidídeos, orientando as legislações para que garantam a conservação dos sistemas sociobiodiversos considerando também o saber do caboclo ribeirinho.
A partir do Instituto Humboldt, estão sendo realizadas pesquisas que relacionam a diversidade e a atividade funcional dos escaravelhos biorrecicladores (Scarabaeinae) e os benefícios para a pecuária, com o objetivo de desenhar uma proposta de oferta tecnológica em pecuária sustentável. O piloto de pesquisa foi realizado na fazenda Chuguaca; Fazendas de gado normando para produção de leite na zona andina central da Colômbia. A diversidade de besouros foi caracterizada por amostragem com armadilhas com isca, e com terrários foi monitorizado o ciclo de vida de três espécies: Homocopris achamas, Ontherus brevicollis e Onthophagus curvicornis. Seis espécies de Scarabaeinae foram registradas, três de lãs com alta atividade em pastagens. A não utilização de ivermectina aumentou notavelmente a atividade dos besouros no estrume. O interesse e curiosidade investigativa que o projeto tem despertado nos proprietários, trabalhadores, técnicos e visitantes da quinta, é essencial para o sucesso no caminho de uma produção pecuária mais amiga do ambiente.