
Introdução: o Distúrbio Alimentar Pediátrico (DAP) compromete o desenvolvimento infantil e impacta a dinâmica familiar, demandando intervenções multi e interdisciplinares, com participação da Fonoaudiologia. A escassez de materiais educativos fundamentados em evidências para orientar famílias representa uma lacuna na prática clínica. Objetivo: identificar, por meio de revisão integrativa, as características do DAP, as abordagens terapêuticas descritas e os profissionais envolvidos em seu manejo, além de desenvolver material educativo destinado às famílias com base nos achados. Métodos: realizou-se revisão integrativa nas bases PubMed, LILACS, SciELO e Cochrane Library, complementada por busca manual na revista CoDAS, contemplando o período entre janeiro de 2015 e maio de 2025. Foram incluídos 13 estudos. Os dados foram extraídos por instrumento estruturado e analisados quanto ao delineamento e nível de evidência. Procedeu-se ainda à exploração complementar da literatura para fundamentar a elaboração do material educativo. Resultados: os estudos evidenciaram manifestações do DAP nos domínios médico, nutricional, de habilidades de alimentação e psicossocial. As abordagens terapêuticas ressaltaram a importância da atuação interdisciplinar, com ênfase em estratégias comportamentais e no manejo alimentar. A Fonoaudiologia foi descrita como componente relevante das equipes, especialmente na avaliação e intervenção das habilidades orais e funções orofaciais. O material educativo foi estruturado com base nessas evidências. Conclusão: as evidências analisadas reforçam o caráter multidimensional do DAP e a importância da atuação articulada entre diferentes profissionais de saúde, incluindo o fonoaudiólogo. Esses achados subsidiaram a elaboração de uma cartilha educativa destinada a famílias e cuidadores, que deverá ser submetida a processos de validação.
Introdução: A compreensão dos marcos do desenvolvimento infantil é fundamental para a prática pedagógica e para a detecção precoce de alterações. No entanto, lacunas na formação inicial de professores ainda dificultam a atuação preventiva e colaborativa no ambiente escolar. Objetivo: Relatar e analisar o impacto de oficinas educativas sobre os marcos do desenvolvimento na infância para futuros educadores. Método: Estudo do tipo transversal com abordagem descritiva, realizado com 40 estudantes do ensino médio técnico em magistério. Aplicaram-se questionários pré e pós oficinas para avaliar conhecimento, autopercepção e satisfação dos participantes. A análise descritiva desses dados foi feita por meio do cálculo de frequência absoluta e percentagem simples para os itens de questões fechadas. Resultados: Antes da intervenção, 67,5% relataram apenas conhecimento básico sobre os marcos do desenvolvimento e 12,5% declararam não possuir nenhum conhecimento prévio. Após as oficinas, 92,5% passaram a se classificar em nível avançado e 100% afirmaram conhecer a atuação do fonoaudiólogo. A maioria avaliou os encontros como excelentes (87,5%), relatou ter aprendido conteúdos novos (100%) e declarou intenção de aplicar os conhecimentos em sua prática profissional (95%). Conclusão: As oficinas mostraram-se eficazes para ampliar o conhecimento dos futuros educadores sobre os marcos do desenvolvimento infantil e sobre a atuação fonoaudiológica, além de promover elevada satisfação e intenção de uso prático dos conteúdos. Os achados reforçam a relevância de incluir ações formativas intersetoriais na formação docente, fortalecendo a promoção do desenvolvimento infantil no contexto escolar
Objetivo: Descrever os efeitos de uma abordagem terapêutica combinada no manejo do transtorno do zumbido. Analisar os efeitos da auriculoterapia, Barra de Access e do aconselhamento fonoaudiológico no transtorno do zumbido. Métodos: Estudo clínico exploratório, sendo um relato de caso com caráter longitudinal. A participante foi submetida à anamnese semiestruturada, meatoscopia, audiometria tonal liminar, logoaudiometria e medidas de imitância acústica. Para caracterização do zumbido e análise dos efeitos das intervenções, aplicaram-se, pré e pós-intervenção: Escala Visual Analógica (incômodo e volume), Tinnitus Handicap Inventory, Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão e Whoqol-bref. Também foi realizada triagem para zumbido com influência somatossensorial, vascular e metabólica. Detalhamento do caso: Mulher, 57 anos, com perda auditiva mista moderadamente severa na orelha direita e severa na esquerda, sem histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas. A intervenção foi conduzida em duas etapas: inicialmente, auriculoterapia; posteriormente, inclusão do aconselhamento fonoaudiológico e da Barra de Access. Resultados: Observou-se redução do incômodo e do volume do zumbido nas duas etapas, além de melhora do impacto psicológico, com diminuição de sintomas ansiosos e depressivos. Conclusão: A integração entre auriculoterapia, Barra de Access e aconselhamento fonoaudiológico demonstrou efeitos positivos na redução dos sintomas e no bem-estar da paciente, reforçando a relevância de abordagens terapêuticas combinadas no manejo do zumbido.
Introdução: A respiração é vital para o organismo, e o modo respiratório fisiologicamente mais adequado se dá pelo nariz. Respirar pela boca pode trazer diversas adaptações para o sistema estomatognático, o que inclui assimetrias faciais e aumento da altura da face. É importante identificar estes casos já na infância para que futuramente essas alterações sejam minimizadas ou até eliminadas e o desenvolvimento aconteça de maneira adequada. Objetivo: Identificar a influência do padrão respiratório nas medidas antropométricas orofaciais de crianças, com relação ao sexo e à faixa etária. Metodologia: Estudo observacional, analítico, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa. A coleta de dados se deu por meio da análise de prontuários da CEFONO para o grupo de crianças respiradoras orais (RO), e foi realizada a medição antropométrica da largura, altura e terços faciais, utilizando um paquímetro digital, de crianças respiradoras nasais (RN) que foram recrutadas pelas pesquisadoras. Os dados foram organizados em planilhas e analisados estatisticamente com nível de significância de 5% (p<0,05). Resultados: Participaram da pesquisa 200 crianças, sendo 100 no grupo pesquisa (RO)e 100 no grupo controle (RN). Houve diferenças para a medida do canto de olho direito a lábio direito no grupo RN (p<0,031), com maiores valores obtidos para meninos. A comparação dos resultados das medidas faciais de acordo com a faixa etária, observou diferenças entre grupos para a variável “Glabela a Sub-nasal”, em ambas as faixas etárias. Conclusão: O padrão respiratório oral em crianças está associado a diferenças em medidas antropométricas orofaciais, especialmente no terço médio da face.
Introdução: A fonoaudiologia utiliza amplamente exercícios musculares na reabilitação da disfagia há mais de 30 anos; contudo, essas intervenções nem sempre se apoiam em fundamentos consolidados da fisiologia do exercício. Este estudo objetiva compreender e integrar conceitos centrais dessa área para sustentar práticas baseadas em evidências na reabilitação da deglutição, com ênfase nos mecanismos de adaptação muscular em seus aspectos fisiológicos e moleculares, incluindo a Síndrome da Adaptação Geral (SAG), a hormese/mitohormese e o destreino. Descrição: Trata-se de uma revisão narrativa, exploratória e conceitual nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Web of Science, LILACS, SciELO e Google Scholar. A análise revelou escassez de estudos que integrem diretamente os princípios da fisiologia do exercício, a SAG, a hormese e o destreino à reabilitação fonoaudiológica da disfagia. Diante dessa lacuna, o manuscrito articula evidências da fisiologia do exercício e de áreas correlatas para discutir como estímulos terapêuticos repetidos podem romper transitoriamente a homeostase e desencadear respostas adaptativas nos músculos envolvidos na deglutição. São abordadas as fases de alarme, resistência e exaustão da SAG, os efeitos de estressores controlados sobre mecanismos celulares protetores e supercompensatórios, o papel das espécies reativas de oxigênio e da biogênese mitocondrial, bem como as repercussões do destreino. Além disso, são discutidos os princípios de individualidade biológica, especificidade, sobrecarga progressiva e reversibilidade aplicados à dosagem terapêutica. Conclusão: A incorporação desses conceitos fortalece o raciocínio clínico fonoaudiológico, qualifica a dosagem e a progressão dos exercícios e favorece intervenções mais seguras, eficazes e sustentáveis, especialmente em pacientes com baixa reserva funcional.
O objetivo do trabalho é verificar os benefícios da realização das oficinas em grupo para a população idosa com base em revisão integrativa da literatura. A busca de artigos foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed, LILACS e SciELO no período compreendido entre 2016 e 2025. As buscas em LILACS e SciELO foram realizadas por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), sem restrição de localização, nos idiomas português, inglês e espanhol. Para a seleção dos estudos, foram utilizados os descritores em ciências da saúde: (elderly) and (memory) and (Memory training). Foram selecionados 12 artigos, os quais apresentaram que os encontros para estimulação da memória tiveram duração de quatro a 24 semanas, com o tempo de duração entre 60 e 120 minutos. A faixa etária das pessoas variou entre 60 e 82 anos, e somente um artigo abordou pessoas com idade acima de 80 anos. Nos estudos analisados, a escolaridade predominante entre as pessoas idosas era de nível superior. O treino cognitivo auxilia os participantes no que tange às funções cognitivas, como a memória e atenção, além das funções executivas e benefícios emocionais, como o aumento de confiança e autoestima.
A realidade virtual (RV) é um recurso tecnológico que possibilita a simulação de ambientes reais ou simulados, com elevado grau de interatividade, proporcionando ao usuário a sensação de imersão e presença. Observa-se, contudo, uma frequente confusão entre diferentes experiências tecnológicas, desde o uso de óculos imersivos que transportam o usuário para ambientes digitais, desencadeando reações emocionais intensas, até a interação com elementos virtuais sobrepostos à tela de tablets ou smartphones, ou ainda a exibição de filmes em três dimensões com óculos específicos. Tais distinções evidenciam a necessidade de uma definição precisa do que caracteriza a RV, de suas propriedades e equipamentos, a fim de orientar sua aplicação terapêutica de forma adequada. Esta revisão teórica e conceitual tem como objetivo elucidar as características fundamentais da RV, com ênfase na área da Fonoaudiologia, de modo a subsidiar a escolha e o uso criterioso desses recursos na prática clínica. A RV oferece um amplo espectro de possibilidades para avaliação e reabilitação fonoaudiológica em diferentes contextos de atuação. A produção científica na área vem se ampliando, abrangendo desde o desenvolvimento de aplicativos voltados à reabilitação e à comunicação até sua incorporação em sessões terapêuticas presenciais. A consolidação de evidências científicas mostra-se, portanto, essencial para assegurar o uso assertivo da RV, permitindo explorar seu potencial máximo, adequar suas características ao perfil dos usuários e favorecer melhores desfechos clínicos.
Introdução: A Triagem Auditiva Neonatal Universal é uma importante estratégia de saúde pública para identificar e diagnosticar precocemente a deficiência auditiva em recém-nascidos. O cumprimento das etapas de triagem, diagnóstico e reabilitação dentro dos prazos recomendados é essencial para garantir o desenvolvimento adequado das habilidades auditivas e da linguagem. Diante disso, torna-se fundamental investigar o percurso diagnóstico dessas crianças, considerando o tempo de início e conclusão, os fatores envolvidos e os achados audiológicos, como subsídio para aprimorar os fluxos assistenciais e garantir a efetividade das ações em saúde auditiva infantil. Objetivo: O objetivo da presente pesquisa é estudar o processo de diagnóstico eletrofisiológico em neonatos que falharam na Triagem Auditiva Neonatal Universal. Método: Estudo descritivo-exploratório, com abordagem quantitativa e qualitativa. Foram analisados prontuários de lactentes com até 12 meses de idade, que compareceram para avaliação audiológica após falha na Triagem Auditiva Neonatal Universal ou ausência de realização da triagem. A análise estatística incluiu correlações de Pearson, teste de Kruskal-Wallis e modelos de regressão linear múltipla, com nível de significância de 5%. Resultados: A amostra foi composta por 24 crianças encaminhadas após falha na triagem auditiva neonatal universal. A idade média de início do diagnóstico foi de 78 dias, com 25% das crianças iniciando o processo aos 90 dias ou mais. Das 24 crianças, 79,2% finalizaram o diagnóstico. Conclusão: Os resultados reforçam a importância da articulação entre triagem e diagnóstico, do acolhimento familiar e da organização eficiente dos fluxos de atendimento para garantir o desenvolvimento pleno da criança com deficiência auditiva.
A incorporação da Inteligência Artificial Generativa (IAGen) na saúde tem se intensificado, abrangendo diagnóstico, prognóstico, telessaúde, suporte à decisão clínica e produção científica. Na Fonoaudiologia, esse processo ocorre de forma heterogênea e ainda sem diretrizes nacionais específicas, apesar dos avanços em análise automatizada da fala, da voz, da linguagem e da deglutição. Esta comunicação tem como objetivo sintetizar criticamente a literatura científica e as diretrizes institucionais vigentes, discutindo possibilidades, limitações e princípios para o uso ético e baseado em evidências da IA na Fonoaudiologia. Na avaliação e no diagnóstico, modelos de aprendizado de máquina têm mostrado desempenho promissor na classificação de distúrbios da comunicação, além de avanços em videofluoroscopia da deglutição. Entretanto, persistem limitações como amostras reduzidas, baixa diversidade cultural e ausência de validação externa. Na intervenção, ferramentas voltadas à personalização terapêutica, monitoramento e tele reabilitação apresentam potencial, embora dependam de supervisão profissional e integração com planos individualizados. No ensino, a IA configura um novo paradigma, demandando atenção à ética, à integridade acadêmica e à literacia tecnológica. Diretrizes internacionais convergem ao afirmar que a IA deve atuar como suporte, com supervisão humana, transparência, proteção de dados e validação rigorosa. Na escrita científica, seu uso é admitido como auxílio operacional, não substituindo a autoria humana. A IA se constitui como um instrumento promissor para ampliar recursos diagnósticos, terapêuticos e científicos na Fonoaudiologia, porém, necessita de validação rigorosa, transparência algorítmica, capacitação profissional e responsabilidade ética.
Introdução: O envelhecimento está relacionado à maior prevalência de disfagia. Objetivo: Identificar, associar e correlacionar o autorrelato de sintomas e a possibilidade de disfagia em idosos atendidos em um ambulatório de geriatria antes da primeira consulta. Material e método: Estudo observacional e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (número 5.530.009), realizado entre setembro/2022 e agosto/2023, em um hospital universitário. Os dados foram obtidos por meio da análise de prontuários e aplicação do Eating Assessment Tool (EAT-10) e do Rastreamento de Disfagia Orofaríngea em Idosos em ambiente hospitalar (RaDI-H). As comorbidades foram baseadas no Índice de Comorbidade de Charlson (ICC). Foram realizadas análises estatísticas descritivas e inferenciais por meio dos testes exato de Fisher e de Spearman. Resultados: Participaram 56 (100%) pacientes, com prevalência do sexo feminino (n=43; 77%) e mediana de idade de 75 anos. A maioria apresentava comorbidades (n=39; 69,7%), principalmente com peso 1 (n=35, 89,7%), como diabetes leve sem complicações (n=17; 43,5%) e provável sarcopenia (n=33; 58,9%). Observou-se 100% de alimentação via oral, queixa de deglutição e de alterações respiratórias em 6 pacientes (10,7%) e queixas de voz/fala (n=4; 7,1%). Houve autorrelato de sintomas indicativos de disfagia (n=15; 27%) e possibilidade de disfagia (n=11; 20%), com associação e correlação positiva forte. Conclusão: Neste estudo, 27% dos idosos, antes da primeira consulta com geriatra, apresentaram autorrelato de sintomas indicativos de disfagia e 20% apresentaram possibilidade de disfagia. Houve associação e forte correlação entre os protocolos, indicando que maiores escores de autorrelato correspondem à maior possibilidade de disfagia.
A voz é importante para a constituição do sujeito, possibilitando a expressão de emoções e pensamentos. Quando existem dificuldades ou alterações na emissão vocal, que impedem a sua produção adequada, ocorre a disfonia. Nessa perspectiva, o fonoaudiólogo é o profissional competente para o atendimento clínico-terapêutico, para a promoção da saúde da voz e a prevenção de suas alterações, podendo atuar na Atenção Primária à Saúde (APS), o que contribui para a integralidade do cuidado aos usuários do Sistema Único de Saúde. Desse modo, o objetivo do presente estudo foi verificar a percepção dos fonoaudiólogos da APS do município de Campinas-SP acerca do acompanhamento de casos de disfonia infantil. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo descritivo, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob número 68427523.2.0000.5404, com amostra composta pelos 13 fonoaudiólogos que integravam a APS do município. A coleta de dados contemplou um questionário de caracterização dos participantes e uma entrevista semiestruturada. A análise dos dados obtidos foi realizada por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Os dados evidenciam que a disfonia infantil na APS é considerada uma questão de saúde pouco prevalente ou inexistente, além da não consideração e desvalorização das queixas vocais na infância pelos profissionais e pelos familiares, o que afeta a integralidade do cuidado. A equipe de saúde em geral apresenta pouco conhecimento sobre o fluxo de cuidado em saúde vocal no município, evidenciando a necessidade de instrumentalização dos profissionais quanto às possibilidades de cuidado para as queixas de voz.
Introdução: O aprendizado nos primeiros anos do Ensino Fundamental envolve habilidades em leitura, escrita e matemática, ligadas ao desenvolvimento neurocognitivo e ao contexto socioeconômico. Observa-se uma desigualdade entre as redes pública e privada, com desempenho superior da rede privada, especialmente após a pandemia. Essa diferença impacta tanto o rendimento acadêmico quanto as funções cognitivas. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo comparar o desempenho de crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental das redes pública e privada em tarefas acadêmicas e cognitivas. Métodos: Estudo transversal, quantitativo e exploratório, vinculado ao projeto multicêntrico “Programa de intervenção multiprofissional de redução de danos da pandemia para estudantes, pais e professores: evidências de mapeamento cognitivo, de saúde física e mental, e laboral”. Fizeram parte da pesquisa 21 alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, sendo 10 de escola pública e 11 de escola privada. Aplicou-se o Teste de Desempenho Escolar - Segunda Edição (TDE-II), subtestes de escrita, leitura e aritmética para avaliação da aprendizagem e outros testes padronizados para avaliação da cognição. Resultados: Estudantes das escolas privadas apresentaram médias superiores em comparação com os das escolas públicas nas habilidades acadêmicas e na maioria das habilidades cognitivas avaliadas. Apesar das diferenças nos subtestes do TDE-II, ambas as redes apresentaram médias acima das normas esperadas da avaliação. Conclusão: Observou-se melhor desempenho de crianças da rede privada em habilidades de aprendizagem e em alguns indicadores cognitivos, em comparação à rede pública. Esses resultados sugerem a influência de fatores educacionais e contextuais no desenvolvimento infantil e apontam para a necessidade de estratégias voltadas à redução das desigualdades e à promoção da equidade educacional. A rede pública exige ações efetivas para promover equidade educacional.
Introdução: a prematuridade é considerada um fator de risco tanto para o desenvolvimento neuropsicomotor quanto para a linguagem. Objetivo: descrever o conhecimento de responsáveis de crianças nascidas pré-termo sobre o desenvolvimento da linguagem, bem como analisar o impacto de uma intervenção educativa fonoaudiológica pautada em vivências e no uso de material instrucional, comparando o perfil de conhecimento e as práticas de estimulação antes e após a intervenção. Método: pesquisa-ação com abordagem qualitativa em mobilidade remota. A amostra foi constituída por oito responsáveis de crianças prematuras (10 a 19 meses de idade cronológica), integrantes de um programa de Follow-Up de um hospital público no estado da Bahia. Utilizou-se uma entrevista semiestruturada de 20 questões aplicadas em dois momentos pré e após intervenção. A ação consistiu em quatro encontros síncronos dialógicos e na utilização de uma cartilha virtual autoral. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e à análise de conteúdo temático. Resultados: os relatos indicaram influência positiva das vivências, com ampliação do conhecimento sobre marcos comunicativos e ressignificação de práticas estimuladoras na rotina familiar. O empoderamento dos responsáveis permitiu uma percepção mais refinada das necessidades comunicativas das crianças. Observou-se que barreiras tecnológicas e socioeconômicas influenciaram a participação. Conclusão: As vivências fonoaudiológicas, mediadas por tecnologias educativas, promoveram o empoderamento parental e a ampliação de estímulos linguísticos no ambiente domiciliar, atuando como fator de proteção ao neurodesenvolvimento. Ressalta-se a importância do fortalecimento de políticas públicas direcionadas para a saúde da comunicação na primeira infância.
Objetivo: Testar a usabilidade e a aceitação de usuários de uma ferramenta de e-learning voltada para o treino do raciocínio clínico na prática fonoaudiológica de disfonias comportamentais, desenvolvida a partir de painel de consenso de especialistas. Métodos: Estudo metodológico de teste de usabilidade e aceitação de uma plataforma digital de simulação, utilizando o questionário Net Promoter Score (NPS) e perguntas direcionadas às dimensões de satisfação, efetividade e eficiência. Participaram 35 alunos do quinto e do sexto períodos do curso de fonoaudiologia. As respostas subsidiaram o aprimoramento da plataforma e a definição dos encargos da ferramenta. Resultados: Denominada Script Voz, a plataforma foi concebida em formato web com seis casos clínicos reais de disfonias comportamentais. Na dimensão satisfação, o NPS indicou 100% de aprovação (NPS excelente). Quanto à efetividade, 94,3% dos usuários relataram ter desenvolvido raciocínio clínico para o atendimento de disfonias comportamentais em adultos. Na dimensão eficiência, a maioria considerou adequada a clareza da linguagem, a organização de imagens, vídeos e informações, o enunciado das perguntas e o tamanho das fontes. Com base nesses resultados, a plataforma foi aprimorada e elaborado o manual do usuário. Conclusão: O Script Voz é uma ferramenta e-learning gratuita de treinamento do raciocínio clínico, cujo teste de usabilidade demonstrou alta aceitação e potencial para apoiar o ensino e a aprendizagem em fonoaudiologia em casos clínicos de disfonia comportamental.
Introdução: a interação social influencia diretamente o desenvolvimento da linguagem e da cognição humana. Em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) desafios na interação social podem gerar dificuldades na expressão e compreensão verbal, impactando o desenvolvimento da linguagem. Objetivo: este estudo investigou percepções de familiares sobre o desprovimento social no desenvolvimento da linguagem de crianças autistas. Método: a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, analisando entrevistas semiestruturadas com familiares de pessoas com TEA, sem deficiência intelectual associada. Os dados foram examinados por meio da análise de conteúdo temática, considerando os eixos diagnóstico, desenvolvimento da linguagem, socialização, formas de comunicação e adaptações. Resultados: indicaram que o diagnóstico, embora inicialmente impactante, constitui um ponto central para a compreensão da criança e o acesso a intervenções e direitos. O desenvolvimento da linguagem apresentou-se heterogêneo, com relatos de regressão da fala, vocabulário restrito e uso de comportamentos não verbais como forma de comunicação. A socialização foi descrita como uma área de dificuldade recorrente para toda a família, marcada por afastamento social, limitações na reciprocidade e preocupação com a inclusão. As formas de comunicação evidenciaram predominância da comunicação não verbal para expressar desconfortos e necessidades. As adaptações realizadas pelas famílias demonstram esforços voltados ao bem-estar e à participação social dos seus filhos. Conclusão: as narrativas revelam que as experiências sociais de pessoas com TEA são permeadas por desafios comunicativos e sensoriais, demandando a mediação familiar.
Introdução: A alimentação é fundamental para o crescimento infantil. Em crianças com Síndrome de Down, no entanto, pode ser prejudicada por alterações anatômicas, motoras e sensoriais que comprometem sucção, mastigação e deglutição. Essas dificuldades repercutem no estado nutricional, no desenvolvimento da fala e na qualidade de vida. A ausência de protocolos padronizados reforça a necessidade de estudos que subsidiem intervenções efetivas. Objetivo: Analisar a literatura científica quanto ao impacto das disfunções orais no desenvolvimento alimentar de crianças com Síndrome de Down. Método: Trata-se de revisão de escopo conduzida conforme a metodologia do Joanna Briggs Institute. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, SciELO, Embase, Scopus, Biblioteca Virtual em Saúde e Google Scholar. Foram identificados 214 estudos, dos quais 38 foram excluídos por duplicidade. Após triagem dos títulos e resumos, 87 artigos foram avaliados integralmente, resultando em quatro inclusões. A busca na literatura cinzenta identificou 210 estudos, dos quais apenas um foi selecionado. A amostra final foi composta por cinco estudos. Resultados: Todos os estudos incluídos foram realizados no Brasil e publicados em português, sendo um estudo clínico, duas revisões de literatura e dois estudos de caso. Conclusão: As disfunções orais impactam de maneira significativa o desenvolvimento alimentar de crianças com Síndrome de Down, dificultando a transição alimentar e comprometendo a nutrição e a qualidade de vida. A intervenção fonoaudiológica precoce e contínua é fundamental para minimizar essas dificuldades e promover avanços funcionais na alimentação.
A broncoaspiração representa um dos principais desfechos negativos em indivíduos com disfagia, associando-se a pneumonias aspirativas, aumento de tempo de internação, necessidade de suporte ventilatório e mortalidade. Apesar dessa relevância, a Fonoaudiologia ainda tende a abordar a aspiração predominantemente como um evento patológico dicotômico, e não como um processo biológico, regulado por mecanismos próprios de defesa pulmonar. Este texto tem como objetivo descrever, de forma atualizada e integrada, os principais mecanismos fisiológicos envolvidos na proteção pulmonar, em especial a tosse, a depuração mucociliar, a resposta imune inata alveolar, o papel dos pneumócitos, do sistema linfático e da homeostase microbiana, e contextualizá-los à broncoaspiração e à prática fonoaudiológica. Abordamos as implicações desses mecanismos para a avaliação, o prognóstico e o manejo clínico da disfagia, enfatizando que o tratamento exclusivo das alterações de deglutição nem sempre é suficiente para prevenir pneumonias aspirativas e outras comorbidades respiratórias. Defende-se uma visão ampliada que incorpore estratégias multiprofissionais de proteção pulmonar, incluindo treinamento muscular respiratório, técnicas de depuração, dispositivos de pressão expiratória positiva, higiene oral intensiva, monitoramento funcional e educação em saúde. A compreensão desses mecanismos deve orientar práticas clínicas, organização curricular e novas pesquisas, aproximando a Fonoaudiologia da fisiologia respiratória e da imunologia pulmonar.
Reconhecer os desafios vivenciados pelos familiares é essencial para a efetividade do cuidado, considerando que eles compõem a principal rede de apoio às crianças. O objetivo desta pesquisa foi investigar a trajetória percorrida pelas famílias desde a percepção dos primeiros sinais de alteração no desenvolvimento de seus filhos até o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a entrada em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). O método adotado foi qualitativo, descritivo, de corte transversal. Para a obtenção dos dados, realizaram-se entrevistas com familiares/responsáveis de 30 crianças com diagnóstico de TEA em atendimento no CAPS ij de um município de grande porte do Estado de São Paulo. Trechos das entrevistas foram transcritos para posterior análise linguístico-discursiva dos enunciados. Os resultados apontaram que os primeiros sinais percebidos pelos participantes estavam relacionados ao processo de aquisição da linguagem, como ausência da fala, falta de contato visual e dificuldade de interação. Outros sinais referiam-se a aspectos sensoriais ou comportamentais. A maioria das mães (18) foi a primeira a notar esses sinais, por volta dos dois anos de idade das crianças. O percurso até o serviço de assistência iniciou-se com consulta ao pediatra da Unidade Básica de Saúde, ocasião em que manifestaram suas queixas e suspeitas. O pediatra encaminhou para acolhimento no CAPS, avaliação e atendimento, ou orientou algumas famílias a aguardar. Ressalta-se a importância de considerar os familiares como peça fundamental no cuidado de pessoas com TEA, valorizando seus relatos para que os encaminhamentos ocorram de forma precoce e assertiva.
Introdução: As Fissuras Labiopalatinas são malformações congênitas que afetam as estruturas e as funções orofaciais, incluindo o estreitamento e/ou assimetria da cavidade nasal, o que pode causar dificuldades quanto à resistência da passagem de ar pela via nasal e comprometer a função respiratória, levando a adaptações. Objetivo: analisar a permeabilidade nasal em um grupo de crianças com Fissuras Labiopalatinas, associar à classificação da fissura, ao tipo e ao modo respiratório. Material e Método: trata-se de um estudo observacional, descritivo e quantitativo, por análise de banco de dados. A amostra foi composta por dados clínicos de 15 participantes de um grupo de extensão universitária, a partir dos dados do Protocolo PROTIFI. Foi verificado a permeabilidade nasal, a presença de simetria ou assimetria através do Teste do Espelho. Este projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer número: 1.900.382) da instituição de saúde proponente e da instituição de ensino coparticipante. Resultados: as fissuras do tipo transforame unilateral à direita demonstraram assimetria com menor fluxo de ar para o lado nasal direito; as do tipo transforame unilateral à esquerda com menor fluxo nasal foram do lado nasal esquerdo; os tipos de fissura pós-forame e transforame bilateral apresentaram fluxo nasal simétrico. Conclusão: O fluxo nasal apresentou assimetria do lado acometido pela fissura labiopalatina. O tipo respiratório de maior ocorrência foi o médio superior e o modo oronasal.