
Os primeiros socorros são cuidados imediatos de extrema importância para o prognóstico das vítimas em situações de urgência, visando manter funções vitais e evitar o agravamento. Embora a Lei Lucas (Lei nº13.722/2018) estabeleça a obrigatoriedade de treinamento para profissionais de ensino, ainda se vê insegurança da parte de alunos e professores quanto ao manejo de emergência. Tendo em vista o que foi constatado acima, este trabalho tem como objetivo relatar o processo de construção de um guia contendo conteúdos organizados em um passo a passo das condutas a serem adotadas em diferentes situações de emergências escolares, com a finalidade de oferecer orientações práticas e acessíveis sobre como agir diante de agravos à saúde. A metodologia, qualitativa e do tipo relato de experiência, organizou-se em diagnóstico situacional, levantamento bibliográfico e desenvolvimento do site pela plataforma Canva. Os resultados mostram que a navegação facilitada do guia, que aborda nove agravos como desmaios, engasgo e parada cardiorrespiratória, viabiliza a agilidade no atendimento. A implementação na Escola Ângelo Lima de Amorim, por meio de simulações, promoveu a capacitação de alunos e professores, além da doação de um kit de primeiros socorros com acesso ao guia via QR code. A integração entre as tecnologias e a educação em saúde foi importante para tornar a escola um ambiente mais seguro.
Este artigo analisa a importância da aprendizagem da Língua Portuguesa para a inclusão social e profissional de imigrantes venezuelanos jovens e adultos residentes em Tupãssi, Paraná. Parte-se do reconhecimento de que a barreira linguística, somada ao processo migratório, à vulnerabilidade econômica, à desestruturação familiar e às diferenças culturais, dificulta a adaptação, o acesso ao trabalho e a participação comunitária. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, reunindo estudos sobre educação, migração e integração social, além de dados do IBGE, do Governo Federal e da Prefeitura Municipal de Tupãssi. A discussão fundamenta-se, especialmente, nas contribuições de Paulo Freire, José Carlos Libâneo, Mattos, Perdomo e Viegas. Os resultados indicam que o domínio da língua local constitui instrumento de autonomia, comunicação, empregabilidade e redução de situações de discriminação e isolamento. Evidenciam, ainda, a necessidade de ações articuladas entre poder público e comunidade, com destaque para a oferta de iniciativas de alfabetização e para a reativação da Educação de Jovens e Adultos no município. Conclui-se que o ensino da Língua Portuguesa pode favorecer o autossustento dos imigrantes, a melhoria de sua qualidade de vida e o equilíbrio socioeconômico local.
Este artigo analisa a configuração atual das estruturas governamentais responsáveis pelas políticas para as mulheres no Brasil, com aprofundamento no Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa é documental e baseia-se no levantamento de legislações, decretos e atos normativos relativos aos organismos de políticas para as mulheres nas 27 unidades federativas e nos 92 municípios fluminenses, realizado em julho de 2026. A análise considera não apenas a existência desses organismos, mas sua posição hierárquica na administração pública e o fundamento normativo de sua institucionalização. No caso fluminense, os resultados são colocados em diálogo com estudos anteriores sobre os organismos municipais, especialmente os dados de 2009 e 2013 analisados por Santos (2021), permitindo observar permanências e mudanças na configuração institucional da política. O estudo parte da compreensão de que a criação de organismos governamentais constitui dimensão relevante da incorporação das demandas das mulheres à agenda estatal, embora sua existência formal não implique, isoladamente, autonomia ou capacidade de atuação. Ao atualizar empiricamente a literatura sobre a institucionalização dessas políticas, o artigo evidencia a importância de examinar não somente a presença dos organismos, mas o lugar institucional que ocupam e os mecanismos jurídicos que sustentam sua inserção na estrutura governamental.
O acesso à cultura constitui dimensão relevante da cidadania e encontra proteção na Constituição Federal de 1988. Nesse contexto, o artigo analisa o Vale-Cultura como política pública de democratização do acesso aos bens e serviços culturais, considerando sua formulação, desenho institucional, implementação e principais desafios. A pesquisa é qualitativa, descritiva e exploratória, desenvolvida mediante pesquisa bibliográfica e documental, com análise da legislação do Programa de Cultura do Trabalhador, documentos institucionais e estudos acadêmicos. A análise demonstra que o Vale-Cultura representou importante iniciativa ao reconhecer as barreiras econômicas à fruição cultural e criar benefício destinado prioritariamente aos trabalhadores de menor renda. Contudo, sua implementação revelou limitações relacionadas à adesão voluntária dos empregadores, à desigual distribuição territorial da oferta cultural, à concentração do consumo e ao encerramento do incentivo fiscal destinado à participação empresarial. Conclui-se que o programa ampliou as possibilidades de acesso, embora seu alcance tenha permanecido inferior aos objetivos estabelecidos. A experiência evidencia que a efetivação dos direitos culturais exige políticas articuladas, com instrumentos econômicos, oferta territorialmente acessível, incentivos adequados, monitoramento e avaliação permanente.
O presente estudo teve como objetivo analisar os desafios do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/25) na proteção de crianças e adolescentes contra a violência digital, considerando as características do ambiente virtual e os limites dos mecanismos jurídicos existentes. Trata-se de uma revisão de literatura, de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, realizada a partir da análise de estudos relacionados ao cyberbullying, proteção integral e regulamentação digital. Os resultados demonstraram que o cyberbullying apresenta características próprias, como anonimato, rápida disseminação e permanência dos conteúdos ofensivos, intensificando os danos psicológicos e sociais às vítimas. Verificou-se que o Estatuto Digital representa avanço normativo ao estabelecer uma abordagem preventiva, ampliar os deveres das plataformas digitais e fortalecer a proteção integral prevista no ordenamento jurídico brasileiro. Entretanto, permanecem desafios relacionados à fiscalização, responsabilização dos provedores, identificação dos autores e efetividade prática das medidas previstas. Conclui-se que o enfrentamento da violência digital exige atuação conjunta entre Estado, família, escolas e plataformas tecnológicas, associando medidas jurídicas, educação digital e prevenção para garantir um ambiente virtual mais seguro para crianças e adolescentes.
Este estudo tem como objetivo analisar a evolução e a aplicação’ das normas de preços de transferência no Brasil, com ênfase na adaptação das políticas nacionais aos padrões internacionais, especialmente às diretrizes da OCDE. No que se refere à lacuna, observa-se que a rigidez dos métodos previstos pela legislação brasileira, associada às divergências em relação às práticas internacionais, tem gerado críticas, resultando em desafios como a bitributação, insegurança jurídica e prejuízos à competitividade de multinacionais atuantes no país. A relevância do tema decorre do fato de que, desde a introdução do princípio arm’s length pela Lei nº 9.430/1996, tornou-se indispensável promover o alinhamento normativo com padrões globais, sobretudo diante do processo de aproximação do Brasil à OCDE. Quanto à metodologia, o estudo adota abordagem qualitativa, de natureza descritiva, fundamentada em análise documental da legislação vigente, com destaque para a Lei nº 14.596/2023, além das normas contábeis aplicáveis, especialmente o CPC 05. Em relação aos resultados e contribuições, constata-se que a recente reforma introduz mudanças significativas, como novos métodos de cálculo e a ampliação do conceito de partes relacionadas, contribuindo para o aprimoramento da análise de comparabilidade, mitigação da erosão da base tributável e fortalecimento do papel da contabilidade na promoção da transparência e da qualidade das informações financeiras. Por fim, no que tange ao impacto, os achados ampliam a compreensão da interação entre fiscalidade corporativa e conformidade regulatória, oferecendo subsídios para pesquisadores, profissionais e formuladores de políticas no contexto brasileiro de preços de transferência.
Trata-se de revisão integrativa da literatura científica sobre as inter-relações entre sustentabilidade e saúde pública no período de 2015 a 2025. Neste artigo, buscou-se analisar conceitos, desafios, práticas e evidências relacionados à forma como a sustentabilidade, influencia nos determinantes e os resultados em saúde pública. Revelou-se a diversidade institucional e disciplinar entre os autores, com predominância de pesquisadores vinculados a universidades europeias e organismos internacionais, sugerindo liderança dessas instituições na produção científica sobre o tema. Observou-se também crescimento irregular, do interesse acadêmico ao longo do período estudado. Quanto às publicações, houve forte concentração de artigos na revista The Lancet e em periódicos sediados principalmente no Reino Unido e em outros países europeus, refletindo a relevância dessas regiões no debate sobre saúde global e sustentabilidade. Em relação aos métodos de pesquisa, predominam revisões narrativas, revisões sistemáticas e relatórios internacionais, indicando que o campo ainda está em processo de consolidação teórica e conceitual, com menor número de estudos empíricos primários. As conclusões convergem ao afirmar que a incorporação de princípios de sustentabilidade é essencial para fortalecer e tornar mais resilientes os sistemas de saúde diante dos desafios ambientais e sanitários atuais. Assim, a integração entre sustentabilidade e saúde pública é compreendida como um compromisso ético e político com o desenvolvimento humano e com a construção de sistemas de saúde mais justos e sustentáveis.
Os avanços tecnológicos na área da saúde ampliaram significativamente a capacidade diagnóstica e contribuíram para maior precisão na identificação e no tratamento de diversas doenças. Entretanto, a distribuição dessas tecnologias ainda ocorre de forma desigual no Brasil, refletindo diferenças socioeconômicas, regionais e estruturais que dificultam o acesso da população aos exames de imagem, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). O presente estudo teve como objetivo analisar as desigualdades no acesso às tecnologias de imagem avançadas à luz do princípio bioético da justiça, equidade, dignidade humana e responsabilidade social no cuidado em saúde. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada por meio de levantamento de artigos científicos na base de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), no período de janeiro a abril de 2026. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, em língua portuguesa e com acesso gratuito, que abordassem a relação entre bioética, justiça em saúde e diagnóstico por imagem. Os resultados evidenciaram que a distribuição das tecnologias de imagem no Brasil está diretamente relacionada às condições socioeconômicas, com maior concentração em regiões mais desenvolvidas e no setor privado, o que limita o acesso da população dependente do SUS. Além disso, identificaram-se barreiras ao longo do percurso assistencial, como dificuldades de acesso à atenção básica, fragmentação da rede de serviços e obstáculos geográficos e econômicos, que contribuem para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento. Tais desigualdades comprometem não apenas os desfechos clínicos, mas também a dignidade humana, configurando uma violação dos princípios bioéticos da justiça e da equidade. Conclui-se que a superação dessas disparidades exige o fortalecimento de políticas públicas, investimentos em infraestrutura, descentralização das tecnologias diagnósticas e maior integração dos serviços de saúde, visando garantir acesso universal, equitativo e oportuno às tecnologias de imagem.
O presente artigo analisa a relação entre vulnerabilidade territorial, acesso à água potável e efetividade do direito à saúde em comunidades ribeirinhas amazônicas, considerando o controle de doenças endêmicas e de veiculação hídrica. Parte-se da constatação de que a abundância hídrica da Amazônia não assegura, por si só, segurança no consumo humano, uma vez que o acesso à água potável depende de tratamento adequado, abastecimento regular, armazenamento seguro, saneamento básico e vigilância permanente. O problema de pesquisa consiste em verificar em que medida a precariedade do acesso à água potável em comunidades ribeirinhas contribui para a vulnerabilidade territorial e compromete a efetividade do direito à saúde. A hipótese adotada é que a ausência de acesso regular, seguro e universal à água potável intensifica a exposição a riscos sanitários, amplia a ocorrência de doenças evitáveis e revela insuficiências das políticas públicas de saneamento, saúde ambiental e gestão de recursos hídricos. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, realizada por meio de revisão bibliográfica e análise documental. Os resultados indicam que a vulnerabilidade ribeirinha decorre da combinação entre isolamento geográfico, dependência do transporte fluvial, sazonalidade dos rios, baixa infraestrutura, saneamento precário e presença estatal descontínua. Conclui-se que a efetivação do direito à saúde nesses territórios exige políticas públicas intersetoriais, territorializadas e preventivas, capazes de integrar abastecimento de água, saneamento básico, vigilância da qualidade da água, saúde ambiental, transporte fluvial e participação comunitária.
Este artigo analisa a expansão urbana, a valorização imobiliária e a vulnerabilidade socioespacial na Região Urbana do Prosa, em Campo Grande – MS, considerando as transformações ocorridas entre 2000 e 2024. A investigação parte da hipótese de que o crescimento urbano da região não ocorreu de forma homogênea, mas produziu uma configuração territorial marcada pela coexistência entre áreas altamente valorizadas, dotadas de infraestrutura, serviços e equipamentos públicos, e bolsões de vulnerabilidade social persistente. A discussão articula dados e informações de planejamento urbano, indicadores de inclusão/exclusão social e vulnerabilidade, além de elementos interpretativos extraídos da discussão sobre segregação, fragmentação e produção desigual do espaço urbano. Os resultados preliminares indicam que bairros como Chácara Cachoeira, Santa Fé e Carandá se consolidaram como espaços de forte valorização e baixa vulnerabilidade, enquanto áreas como Noroeste e Veraneio permanecem associadas a condições de precariedade socioeconômica, menor renda, fragilidade urbana e maior exposição a processos de exclusão. Conclui-se que a Região do Prosa expressa um padrão de urbanização seletiva, no qual a centralidade político-administrativa, comercial e ambiental contribui para a valorização de determinados setores, ao mesmo tempo em que reforça desigualdades territoriais nas bordas da região.
A formação de Técnicos em Enfermagem no Brasil exige metodologias ativas que promovam aprendizagem significativa. A gamificação tem emergido como estratégia promissora para aumentar engajamento e retenção de conhecimentos. Este trabalho sintetiza as evidências sobre o uso da gamificação no ensino técnico de enfermagem no Brasil entre 2016 e 2026. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme o PRISMA 2020, com buscas realizadas em BDTD, SciELO, PubMed, LILACS, Web of Science, Google Scholar e repositórios institucionais. Foram incluídos 10 estudos, predominantemente relatos de experiência e dissertações publicados entre 2022 e 2025. As principais ferramentas identificadas foram plataformas digitais (Seppo, Kahoot, Quizizz), jogos de tabuleiro e aplicativos. Os achados demonstram aumento da motivação, engajamento, reaprendizagem de conteúdos práticos e desenvolvimento de competências socioemocionais. Conclui-se que a gamificação apresenta potencial como ferramenta complementar no ensino técnico de enfermagem, embora a evidência atual seja limitada e predominantemente qualitativa.
O presente artigo analisa a relação entre o desenho e a avaliação de políticas públicas em contextos de alta complexidade, com foco nos limites e nas possibilidades de adaptação institucional em situações de crise. A literatura clássica tende a organizar o processo de políticas públicas a partir de uma perspectiva sequencial, estruturada em fases como formulação, implementação e avaliação. No entanto, tal abordagem apresenta limitações quando confrontada com contextos marcados por elevada incerteza, multiplicidade de atores e dinâmica política intensa. Nesses cenários, o desenho das políticas e os processos de avaliação assumem papel central na capacidade de adaptação das intervenções públicas. Com base em revisão teórica da bibliografia da área, o artigo examina o desenho de políticas públicas como elemento estruturador da ação estatal, considerando a definição de problemas, objetivos e instrumentos, e discute a avaliação como processo contínuo de produção de informação e retroalimentação decisória. Argumenta-se que, em contextos de crise, a articulação entre desenho e avaliação torna-se fundamental para permitir ajustes ao longo da execução das políticas, embora essa articulação seja condicionada por fatores institucionais e políticos. Como contribuição, o estudo propõe uma análise integrada dessas dimensões, destacando limites analíticos e possibilidades de aprimoramento da capacidade adaptativa do Estado em situações críticas.
Os conceitos de sustentabilidade socioambiental e economia circular possuem profundas semelhanças e aproximações, destacando-se na gestão e reincorporação de resíduos sólidos nas cadeias produtivas. Tais processos englobam termos e práticas correlatas, como desenvolvimento sustentável, reciclagem, logística reversa e circularidade. Diante dessa perspectiva, o presente artigo desenvolve uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de sustentabilidade socioambiental e economia circular, analisando criticamente suas principais interfaces no setor de resíduos sólidos. A compreensão articulada desses conceitos demonstra como ambas as abordagens podem atuar de forma integrada para mitigar a complexa problemática dos resíduos sólidos urbanos na sociedade. Adicionalmente, o trabalho evidencia que a efetiva transição para modelos circulares no território brasileiro ainda enfrenta importantes desafios estruturais e sociais, exigindo o fortalecimento da gestão compartilhada entre o poder público, o setor privado e a sociedade civil, além do aprimoramento da infraestrutura da coleta seletiva e do desenvolvimento de ações continuadas de educação ambiental e responsabilidade compartilhadas.
Ao considerar a consolidação da Justiça Restaurativa como política pública judiciária no âmbito do Poder Judiciário brasileiro, especialmente a partir da Resolução CNJ nº 225/2016 e sua progressiva institucionalização no Tribunal de Justiça do estado de Goiás, mostra-se relevante compreender como essa política se estrutura concretamente para além de sua previsão normativa. Objetiva-se analisar o processo de implementação da Justiça Restaurativa no referido Tribunal, no período de 2021 a 2025, a partir da atuação do Núcleo de Justiça Restaurativa, assim examinando as diretrizes normativas, os arranjos institucionais, os procedimentos administrativos, os recursos mobilizados, os limites e as potencialidades identificados no período. Para tanto, procedeu-se a uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, mediante análise de atos normativos, relatórios institucionais, planilhas de acompanhamento e processos administrativos relacionados à operacionalização da política. Desse modo, observa-se que a implementação da Justiça Restaurativa no Tribunal ocorreu de forma progressiva e incremental, com fortalecimento do Núcleo como órgão de macrogestão, ampliação das atividades e dos programas restaurativos e da articulação entre normas, recursos, procedimentos administrativos e unidades responsáveis pela execução das práticas, embora persistam desafios relacionados à capilaridade territorial, à estrutura de pessoal, ao financiamento e aos mecanismos de monitoramento e avaliação. O que permite concluir que a consolidação da Justiça Restaurativa como política pública judiciária depende não apenas de sua institucionalização normativa, mas também do fortalecimento contínuo das capacidades administrativas e operacionais necessárias à transformação das diretrizes institucionais em práticas restaurativas qualificadas e territorialmente ampliadas.
A finalidade deste artigo é analisar e propor a implantação de um sistema pa-drão de sinalização de riscos aquáticos e segurança na Praia de Ajuruteua, municipio de Bragança, Estado do Pará. A proposta visa evitar acidentes com banhistas e promover a educação preventiva neste ambiente. A pesquisa to-mou como base legislações nacionais, normas internacionais, diretrizes da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) e preceitos da Or-ganização International Life Saving Federation (ILS). Como metodologia, apli-cou-se, análise documental, mapeamento da praia e o estudo de viabilidade da aplicação do projeto ao local. O estudo aponta para resultados significativos na redução de afogamentos e acidentes no local, oferece respaldo técnico e jurídico aos órgãos atuantes da área, permite uma compreensão universal, fa-cilita a acessibilidade e fortalece a imagem institucional da cidade de Bragan-ça como destino turístico Seguro. Porquanto, em conformidade com a análise realizada, concluiu-se que a efetivação de uma sinalização preventiva de ris-cos é uma medida urgente e eficaz para a preservação da vida e acidentes na região litorânea do municipio.
O crescimento das cidades inteligentes exige soluções eficientes para o gerenciamento de dados urbanos, porém a diversidade de plataformas de Internet das Coisas (IoT - Internet of Things) e a ausência de padronização dificultam a escolha do ecossistema ideal para diferentes aplicações. Este trabalho apresenta uma análise comparativa de seis plataformas de Internet das Coisas (IoT) aplicadas no contexto de Cidades Inteligentes: TagoIO, Arduino IoT Cloud, ThingsBoard, Ubidots, Blynk e Cumulocity (Software AG). Para a validação experimental, utilizou-se o microcontrolador ESP32 como base de hardware, simulando cenários urbanos como controle de semáforos, iluminação pública e telemetria ambiental por meio dos protocolos Hypertext Transfer Protocol (HTTP) e Message Queuing Telemetry Transport (MQTT). As plataformas foram avaliadas com base na experiência do usuário (UX), conectividade, capacidade de customização e complexidade de configuração, considerando as limitações de seus planos gratuitos. Os resultados indicam que, enquanto a plataforma Ubidots se destaca no design de interface e usabilidade, soluções como o ThingsBoard oferecem maior robustez e controle técnico para projetos de grande escala. Este estudo fornece um referencial técnico para auxiliar desenvolvedores na seleção do ecossistema IoT mais adequado para escalabilidade e estabilidade urbana.
O presente trabalho tem por objetivo analisar a marginalização do migrante nas regiões fronteiriças vinculadas à Rota Bioceânica e sua relação com o tráfico de pessoas, com ênfase no Estado de Mato Grosso do Sul. Para tanto, examinam-se os principais instrumentos legais que compõem o ordenamento jurídico brasileiro no tratamento ao migrante e ao refugiado, estabelecendo-se um paralelo entre a Constituição Federal, as Leis nº 9.474/1997, nº 13.445/2017 e nº 13.684/2018, e os tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, com destaque ao Protocolo de Palermo. Analisam-se, ademais, dados oficiais do sistema prisional sul-mato-grossense, com o intuito de identificar a presença e a distribuição espacial de estrangeiros nas unidades penais, buscando compreender as possíveis relações entre a marginalização social e o encarceramento dessa população, bem como sua exposição a contextos de exploração humana. A pesquisa parte da hipótese de que a ausência de políticas públicas eficazes de acolhimento, regularização migratória e inclusão socioeconômica, associada ao fortalecimento de uma lógica securitária nas regiões de fronteira, favorece a marginalização da população migrante e potencializa sua exposição ao tráfico de pessoas. A metodologia adotada é de natureza dedutiva, fundada em revisão de literatura especializada e análise documental da legislação nacional e internacional pertinente, bem como no levantamento e na interpretação de dados oficiais divulgados pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (AGEPEN).
O artigo aborda o impacto do ciberativismo na proteção socioambiental, analisando o caso real de uma Ação Civil Pública (ACP) em Silves e Itapiranga, no Amazonas. O estudo contextualiza modelos de democracia, destacando como o ambiente digital pode ampliar a participação cidadã em questões públicas. A pesquisa tem como propósito examinar a relevância do ciberativismo na proteção socioambiental em Silves e em Itapiranga, no AM. Para isso, pretende-se avaliar como o ativismo em rede influencia o envolvimento social e exerce pressão sobre órgãos ambientais, reguladores e empresas, além de apresentar recomendações para o seu aprimoramento como um instrumento eficaz na defesa socioambiental. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, utilizando o método de procedimento dedutivo. O trabalho fundamenta-se no mecanismo de estudo de caso aliado à pesquisa bibliográfica e à análise documental da ACP nº 1021269-13.2023.4.01.3200. Os resultados demonstram que o ciberativismo rompeu a invisibilidade de comunidades tradicionais, resultando em uma decisão judicial que reconheceu danos consumados e a existência de povos isolados. Conclui-se que o ciberativismo representa uma ferramenta essencial para promover a preservação socioambiental, permitindo à sociedade civil desempenhar um papel ativo na prevenção de danos ecológicos, superando limitações geográficas e burocráticas.
A indústria da construção civil enfrenta, nas últimas décadas, desafios crescentes relacionados à sustentabilidade, à eficiência produtiva e à redução de impactos ambientais. O Light Steel Framing (LSF), um método construtivo industrializado que utiliza perfis de aço galvanizado formados a frio. O LSF é destacado por sua construção a seco, sem necessidade de argamassas ou água, agilizando o processo e reduzindo desperdícios. A estrutura é composta por elementos como guias, fitas, bloqueadores e montantes, que conferem estabilidade e suporte. Além de ser sustentável, o LSF oferece vantagens em resistência, isolamento térmico e acústico, e rapidez de execução. As análises evidenciam o potencial do LSF como uma alternativa viável e sustentável para atender às demandas do setor da construção civil. Em contrapartida, sua adoção no contexto brasileiro ainda enfrenta desafios relevantes, como a necessidade de mão de obra qualificada, maior disseminação das normas técnicas e resistência cultural do mercado frente a métodos inovadores.
A Educação Interprofissional (EIP) emerge como uma estratégia capaz de qualificar a atenção à saúde por meio do trabalho em equipe e da prática colaborativa, alinhando-se aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, barreiras estruturais, culturais e curriculares ainda dificultam sua implementação plena. Objetiva-se discutir a Educação Interprofissional aplicada ao ensino superior na área da saúde para o SUS. Para tanto, trata-se de um estudo reflexivo sobre a EIP no contexto da formação em saúde. Desse modo, observa-se que a EIP possui trajetória consolidada internacionalmente, sendo reconhecida pela OMS como estratégia essencial para a prática colaborativa. No Brasil, políticas públicas favorecem avanços na interação ensino-serviço, mas persistem desafios relacionados à lógica disciplinar, identidades profissionais rígidas e currículos fragmentados. A literatura destaca competências centrais sustentadas por valores éticos, comunicação, papéis profissionais e trabalho em equipe, além da necessidade de metodologias ativas, como simulação e aprendizagem baseada em problemas. Conclui-se que a EIP é essencial para desenvolver competências colaborativas e qualificar o cuidado; apesar de seus efeitos no Brasil ainda precisarem de aprofundamento, sua incorporação nos currículos é fundamental para alinhar a formação às necessidades do SUS.