
Originalmente publicado no livro The geopolitical aesthetic: cinema and space in the world system (1995), o ensaio de Jameson analisa o filme Os terroristas (Kong bu fen zi, 1986), de Edward Yang, pensando como a experiência urbana no pós-modernismo e a identidade fluida de Taiwan impactam a narrativa da obra. Neste jogo, desvela-se a falência da noção moderna de sujeito e a crise na oposição binária entre ficção e realidade.
Taylor Swift’s The Tortured Poets Department reveals recurring semiotic strategies in pop culture, oscillating between creativity and standardization: a dialectic that, according to Fredric Jameson, defines postmodernity, a cultural framework where remnants of modernism, fostered by capitalist rationalization and its oppositional art, still survive. The pursuit of novelty and a distinctive style attest to this residual survival in a mass culture where Swift recoins the poète maudit: a transgressive, decadent sensibility that, combined with elements of Romanticism and postmodern frenzy, shapes a pop malditism marked by traits of today’s subjectivity.
Em narrativas seriadas há um gancho interpretativo que chama a atenção dos consumidores Queer: o Queerbaiting, manobra que tem como objetivo criar uma expectativa de criação de um par romântico não explícito dentro da obra. A partir de um estudo teórico-metodológico, que envolve revisão bibliográfica, observação participante e entrevistas semiestruturadas em grupo, temos o seguinte problema de pesquisa: é possível comprovar que uma produção faz/fez Queerbaiting? Nosso objetivo foi o de encontrar traços que apontassem que a estratégia está acontecendo e tínhamos as hipóteses de que a serialidade é a causa e a frustração das fãs é consequência deste fenômeno.
Este artigo propõe a fruição da instalação Passagens, Homenagem a Walter Benjamin (1990-1994), de Dani Karavan, como uma experiência cinematográfica. No campo da percepção e da memória, tomando-se as noções de enquadramento, efeitos de realidade, imagem-fluxo, efeito-montagem e efeito-cinema, com base nos escritos de Merleau-Ponty, Aumont, Eisenstein, Bellour e Dubois, tece-se uma análise de Passagens como um dispositivo de visão capaz de propiciar uma experiência cinematográfica, apesar da ausência de uma imagem fílmica. No caminhar pelas intervenções, na memória das impressões visuais e na rememoração da história, vivencia-se um filme imaginário – um cinema para despertar.
Este artigo analisa os filmes Un chien andalou e L’âge d’or, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, desafiando as categorias historiográficas de David Bordwell (2013). Com uma aborda-gem interdisciplinar que integra psicanálise, filosofia e estudos cinematográficos, destaca-se a crítica radical dos filmes à ordem política, religiosa e cultural dos anos 1930. A análise revela como o surrealismo cinematográfico de Buñuel e Dalí transcende classificações tradicionais, contextualizando sua produção no cenário do fascismo e da Guerra Civil Espanhola, além de sua influência em cineastas como Lynch, Almodóvar e von Trier. Conclui-se que essas obras reafirmam o cinema como espaço de ruptura e liberdade criativa.
Este artigo tem como objetivo analisar o curta--metragem Belém 350 anos (1966), do cineasta Líbero Luxar-do, investigando as narrativas de modernização e as múltiplas formas de representação da cidade de Belém (PA). Para tan-to, realizou-se uma análise do contexto histórico e urbanís-tico da cidade, da carreira de Luxardo e de sua relação com autoridades locais, destacando seu papel na produção de filmes propagandísticos para o governo, bem como uma análise fílmica do referido filme. Conclui-se que o cinema de Luxar-do revela tanto suas intenções quanto o subtexto do filme, o qual reflete as narrativas em disputa na época, assim como a situação social, econômica, cultural e política daquele período.
Olga Futemma é uma cineasta brasileira que atuou entre as décadas de 1970 e 1980. Considerando a consistência dos temas e da abordagem cinematográfica de sua obra, propo-nho investigar um conjunto de materiais encontrados no acervo da Cinemateca Brasileira, composto por cinco argumentos de filmes não realizados de autoria de Futemma. O objetivo da análise é entender de que forma essa produção escrita dialoga com o restante de sua obra e como ela pode ser incorporada ao escopo de análise da filmografia da diretora.
Os Espaços da Comunicação, de Roger Odin, exercita um método minucioso de análise dos mais variados fenômenos da comunicação humana, com ênfase no cinema expandido e no audiovisual. Nesse sentido, o trabalho de Odin remete a obras como Fundamentos da Teoria dos Signos, publicado em 1976, de Charles W. Morris, originalmente publicado em 1938. Nesse trabalho, Morris se aprofunda na dimensão pragmática da linguagem e da comunicação. De certa maneira, Odin atualiza o interesse pela dimensão pragmática com sua semiopragmática, recombinando instrumentos de análise dos processos comunicacionais. Com rigor e desprendimento, Odin oferece um modelo teórico atento às particularidades da Comunicação de seu tempo.
O artigo analisa o filme Eros, de 2024, dirigido por Rachel Daysi. O filme é feito a partir da montagem de imagens captadas com a constituição de um dispositivo: a diretora pediu a pessoas que filmassem suas “intimidades” em motéis. Busca-se mostrar como o filme revela as mutações contemporâneas da noção de intimidade, bem como os limites entre as imagens amadoras da vida privada e o espetáculo. Além do mais, enfatiza-se como, em Eros, o gênero feminino funciona como um elemento que desestabiliza certa hierarquia da distribuição dos olhares e o modo de elaboração de dispositivos no documentário brasileiro recente.
The popularization of the english word live recently to symbolize the production of real time audiovisual content for the internet has in this article a presentation of its historical trajectory, from the advent of this word published in an English dictionary for the first time in 1934, to the current contextualization of implications of live in the most recent manifestations of a particular digital technology: conversational softwares, known as chatbots. For this reason, we present this translation into portuguese of the essay “Live from cyberspace”, by Philip Auslander, which addresses the implications of these uses for understanding live performance and the crisis surrounding the liveness in relation to digital technologies as an ontological discussion about who performs it.
Este artículo se detiene en los primeros films del documentalista argentino Alejandro Fernández Mouján que abordan, en su conjunto, distintas problemáticas de la región de Chaco (Argentina) en un contexto de avance neoliberal. El análisis se detiene en los diálogos que estos films establecen entre sí a partir de la recurrencia de ciertos motivos audiovisuales y del trabajo sobre operaciones de archivo. A la luz de la trayectoria del realizador, este artículo también estudia cómo la búsqueda narrativa en estos films navega entre las formas y las temáticas del cine ambiental, sin alejarse de los lineamientos de la tradición del documental social argentino y latinoamericano.
The presence of audiovisual artifacts in domestic environment creates different living habits. This study reflects on domestic audiovisual consumption relations during the COVID-19 pandemic. This period made the private environment more relevant and changed habits. This research explains this processes by ethnographies of reception and cultural studies theories. Information was collected by a questionnaire and interviews with residents of Curitiba, Brazil, about their television and streaming consumption habits. The pandemic changed family and spatial arrangements in the collected sample but some habits related to earlier uses remained throughout that process.
Este artigo apresenta uma análise sociológica do filme República dos Assassinos (1979), de Miguel Faria Júnior, a partir dos conceitos de testemunha, trauma e vítima de Cynthia Sarti e Myriam Jimeno. Ao dissecarmos as personagens da travesti Eloína e da atriz Marlene, será possível vislumbrar como ambas estão inseridas nos três conceitos indicados, devido a suas respectivas interações com Mateus Romeiro, membro dos “Homens de Aço”. Assim, a película contribui para o estabelecimento de uma memória que forneça um lugar para a dor das vítimas do Esquadrão da Morte e para a denúncia das atrocidades de grupos paramilitares que prevalecem até os dias de hoje.
O livro de Manuel Rivas, El lápiz del carpintero, publicado em 1998, é ambientado na Galícia durante a Guerra Civil espanhola. Há, porém, uma ligação com o presente, liderada pelo objeto/personagem do título. É por meio desse fio condutor, também, que a narrativa une história real e ficção. A partir da análise do livro, este artigo pretende investigar como esse traço narrativo é traduzido intersemióticamente no filme homônimo do diretor Antón Reixa, de 2003, e também visa compreender a percepção de como nos dois títulos (livro e filme) se aglutinam as experiências referentes à memória e à identidade.
Quais relações podemos estabelecer entre uma imagem de um desfile militar em 1971, outra que um fotojornalista deixa guardada por dez anos antes de publicá-la, uma fotografia da Aeronáutica de presos trocados por um embaixador, a articulação dessa imagem num documentário junto a um depoimento, uma publicidade de TV que diz que ela “sobreviveu à câmara de tortura” e a transmissão da Copa do Mundo de 1970? O artigo reúne e analisa diferentes formas através das quais as imagens operam disputas narrativas em torno do significado da ditadura militar brasileira (1964-1985) e, a partir da justaposição de imagens, se propõe a tratar dos termos das disputas nos quais estão em jogo nosso passado e nosso futuro.
Em uma formulação muito própria, Walter Benjamin viu na fotografia a presença de futuros passados. A fotografia, nesse sentido, aninha um futuro que só encontraremos depois, quando pudermos lê-lo com os olhos atualizados de outro presente. Partimos de fotografias e escritos dos primeiros inventores e entusiastas da fotografia para investigar pistas de futuro por eles deixadas. Nesse trajeto, nos deparamos com muitas janelas e as identificamos como local privilegiado dos experimentos e como metáfora para uma fotografia que estava por vir. Recuperando algumas janelas do século XIX, encontramos discursos a respeito do futuro e da reconfiguração das maneiras de sentir e viver o tempo.
Este artigo analisa as categorias de autorretrato e selfie para compreender as problemáticas espaço-temporais presentes no pensamento de Mauricio Lissovsky que envolvem a construção da imagem de si. Pela chave da performance, busca-se compreender a historicidade dos autorretratos até o fenômeno das selfies e apontar maneiras diferenciadas por meio das quais os corpos compõem relatos de si, com intencionalidades e sentidos próprios que configuram modos diversos de encarar o espaço e tempo nas experiências fotográficas. Apesar de apresentarem as matrizes do gênero, os autorretratos sélficos trazem especificidades em sua performance, o gesto como modo de instaurar o espaço-tempo fotográfico.
Feito originalmente para homenagear Mauricio Lissovsky, o texto se dedica a dois temas intricados. Primeiro, trata do último livro do autor, A fotografia e seus duplos; e, em seguida, discute como a ontogênese por ele proposta se constitui como um estudo histórico das formas fotográficas na perspectiva de seu devir. Trata-se, aqui, de homenagear o autor e, simultaneamente, destacar sua relevância como pensador original, fundamental nos estudos acerca da fotografia, no Brasil e no mundo.
Com as imagens de Rineke Dijkstra e Nan Goldin, retomamos, estética e politicamente, a noção de máquina de esperar de Mauricio Lissovsky, observando as relações entre a espera das fotógrafas e das mulheres retratadas em suas maternidades. A ideia é abordar, por meio das obras Recém-mãe, de 1994, e Daqui à maternidade, do período de 1986 a 2000, o modo como, ao retratarem a experiência materna, elas impregnam a imagem com a sua qualidade e restabelecem o poder de indeterminação da máquina lissovskiana face a uma antimáquina de expectação feminina.