
Doente do sexo masculino, 58 anos, internado numa Unidade de Psiquiatria de Longa Duração por antecedentes de esquizofrenia do tipo paranoide com humor depressivo e comportamentos autolesivos. Foi encaminhado para o serviço de urgência após ingestão acidental de duas próteses dentárias, removidas ainda na instituição. Apresentou-se com queixas de cervicalgia anterior. Ao exame objetivo, encontrava-se hemodinamicamente estável, apirético, com enfisema subcutâneo cervical e lacerações na orofaringe. A avaliação analítica evidenciou elevação dos parâmetros inflamatórios. A radiografia cervicotorácica e a tomografia computadorizada cervicotorácica revelaram enfisema subcutâneo cervical bilateral e pneumomediastino, sem sinais de corpo estranho. A nasofibrolaringoscopia evidenciou lacerações na parede posterior da orofaringe, sem alterações na hipofaringe ou laringe. Foi adotada uma abordagem médica conservadora: sete dias de antibioterapia endovenosa empírica, nutrição entérica exclusiva por sonda nasogástrica e vigilância na unidade de cuidados intermédios. Teve alta ao oitavo dia de internamento com resolução das lacerações da orofaringe, do enfisema e da clínica associada.
Introdução: A colocação de tubos de ventilação transtimpânicos (TVT) é um procedimento cirúrgico frequentemente realizado em idade pediátrica. Apesar de existirem inúmeras guidelines suportadas por vasta literatura quanto aos critérios para a sua colocação, as indicações para a sua remoção eletiva permanecem por esclarecer. Objetivos: Avaliar fatores associados a perfuração timpânica persistente após remoção eletiva de tubos de ventilação transtimpânicos (TVT) em crianças e comparar técnicas de remoção/reparação. Material e Métodos: Estudo retrospetivo que incluiu crianças submetidas a remoção eletiva de TVT (2015-2024). Perfuração persistente foi definida como ausência de encerramento aos 6 meses. Analisaram-se idade, sexo, tempo de permanência do TVT, indicação e técnica (remoção isolada, avivamento, miringoplastia ou ambas). Resultados: Foram incluídos 25 doentes (60% feminino), idade média na remoção 8,4 anos e tempo médio de permanência do TVT 42,2 meses. A perfuração persistente ocorreu em 28%. Não se observaram diferenças significativas entre técnicas/intervenção na membrana timpânica (MT). Conclusões: A perfuração após remoção eletiva foi frequente. Idade mais avançada, sexo feminino e permanência prolongada do TVT parecem aumentar o risco, sem benefício claro de intervenção local concomitante.
Objetivos: Avaliar o desempenho diagnóstico da citologia aspirativa por agulha fina (CAAF) nos nódulos tiroideus e identificar preditores de malignidade dos nódulos Bethesda III-IV. Desenho do Estudo: Estudo retrospetivo unicêntrico. Material e Métodos: Nos adultos tratados cirurgicamente entre 2016-2025, classificámos a citologia como benigna, suspeita/maligna ou inconclusiva (respetivamente Bethesda II, V-VI, III-IV) e a histologia como benigna ou maligna. Avaliámos a concordância citologia-histologia e a acuidade da CAAF considerando diferentes abordagens das citologias inconclusivas. Nestas últimas, analisámos a associação entre malignidade e características clínicas e ecográficas. Resultados: Em 72 doentes, 23 apresentaram citologia benigna, 14 suspeita/maligna e 35 inconclusiva. A concordância citologia-histologia foi globalmente fraca, mas excelente excluindo citologias inconclusivas (κ 0,266 vs 0,830; p<0,001). A acuidade da CAAF variou entre 56,9% e 91,9%, dependendo da abordagem das citologias inconclusivas. Nos nódulos Bethesda III-IV, nenhuma variável mostrou associação significativa com malignidade. Conclusões: Citologias Bethesda III-IV reduzem a acuidade da CAAF. Identificar preditores de malignidade permitirá otimizar a seleção cirúrgica.
Este estudo teve como objetivo avaliar a suscetibilidade à cinetose em pilotos em instrução da Academia da Força Aérea Portuguesa e identificar indivíduos de risco para intervenção precoce. Trata-se de um estudo observacional transversal com análise retrospetiva dos Estágios de Seleção de Voo entre 2015 e 2025. Foram avaliados 95 alunos-piloto através do MSSQ-Short, validado para a população portuguesa, e analisados registos institucionais de 463 candidatos. A maioria apresentou suscetibilidade baixa (67,4%), enquanto 32,6% revelou suscetibilidade moderada ou elevada e 28% reportou cinetose no Estágio de Seleção de Voo. Na análise retrospetiva, 46,6% foram eliminados, sendo que 22% dos desistentes e 15–16% dos inaptos apresentaram sintomatologia compatível com cinetose. Indivíduos com MSSQ≥5 apresentaram maior risco de cinetose (OR=4,06; IC95%: 1,58-10,43). O MSSQ-Short demonstrou utilidade como instrumento de rastreio e estratificação de risco em contexto aeronáutico.
Objetivos: Caracterizar os achados de ressonância magnética (RM) em doentes com suspeita de disfunção olfativa idiopática (DOI) e avaliar a correlação entre o volume do bulbo olfativo (BO) e a função olfativa. Desenho do Estudo: Estudo retrospetivo e transversal. Material e Métodos: Foram incluídos 61 doentes com DOI avaliados entre 2018 e 2025. A função olfativa foi avaliada através do Portuguese Smell Test e a RM do trato olfativo permitiu avaliação volumétrica do BO e caracterização de achados estruturais. A correlação entre volume do BO e função olfativa foi analisada através do coeficiente de Spearman. Resultados: A atrofia do BO foi o achado imagiológico mais frequente (60.6%). A RM identificou uma causa específica em 3.3% dos casos. Observou-se tendência para correlação positiva entre volume médio do BO e pontuação DIF, sem significância estatística (ρ=0.296; p=0.051). Conclusões: A RM mantém relevância na avaliação da DOI, permitindo identificar causas específicas em casos selecionados. A ausência de correlação significativa entre volume do BO e função olfativa reforça a heterogeneidade fisiopatológica da DOI.
El uso de catéteres centrales de inserción periférica (PICC) en pacientes oncológicos presenta ventajas, pero conlleva riesgos. Presentamos el caso de un varón con carcinoma epidermoide de laringe programado para laringectomía total y vaciamiento cervical bilateral. Tras la inducción anestésica, se insertó un PICC. Durante la disección del nivel IV izquierdo, se observó salida de líquido lechoso adyacente a la vena yugular interna (VYI), sugiriendo lesión del conducto torácico (fístula quilosa). Tras intentos fallidos de ligadura para controlar el débito, se notó una coloración blanquecina anómala en la pared de la VYI. Se sospechó malposición del PICC; tras una retirada parcial inefectiva, la manipulación obligó a ligar y seccionar la VYI. Se confirmó que la punta del catéter estaba alojada dentro del vaso seccionado. Se retiraron los fragmentos y se ligaron los muñones venosos, resolviendo el cuadro clínico.
Objective: To understand if the pandemic's effects reflected in the post-COVID period for HNC patients. Materials and Methods: Retrospective study including all patients with a diagnosis of HNC between January 2020 and December 2025. Cancer was staged using the AJCC 2025 guidelines. Results: 277 patients were included, 89.5% (n= 248) from the male sex, with a mean age of 63.49 years. Referral to appointment time was shorter during COVID (p= 0.009), with no differences found in observation to diagnosis time (p= 0.328) and diagnosis to treatment time (p= 0.818). No significant difference was found between the number of patients with Stage III-IV disease (p= 0.191). The percentage of patients who died before the 1-year mark was significantly higher for patients diagnosed during COVID years (p= 0.042). Conclusion: Adaption during COVID minimized the negative impacts of the pandemic, with no significant difference in staging and mortality decreasing as the pandemic progressed.
Objetivos: Avaliar se existe uma correlação entre a presença de colapso epiglótico e as variáveis demográficas, antropométricas, polissonográficas e decorrentes da Drug Induced Sleep Endoscopy (DISE). Desenho do Estudo: Estudo observacional retrospetivo. Material e Métodos: Doentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono submetidos a DISE em 2025. Foi utilizada a classificação de VOTE, sendo considerado apenas o colapso primário da epiglote, caracterizado como presente (E+) se ocorrer colapso total (Classificação 2+ no DISE). Resultados: Foram incluídos 75 doentes, dos quais 27% (n=20) tinham E+. Verificaram-se diferenças significativas na distribuição do Friedman Tongue Position (FTP) entre doentes com e sem colapso epiglótico (p=0,037). Na regressão logística multivariável, apenas o FTP se associou de forma independente ao colapso epiglótico (OR 3,39; p=0,011), enquanto idade, sexo, índice de massa corporal, perímetro cervical e índice apneia/hipopneia não apresentaram associação significativa. Conclusões: O FTP foi o único preditor independente encontrado, sugerindo que uma posição mais alta da língua predispõe ao colapso epiglótico.
Introdução: Alguns fatores de risco cardiovascular têm sido associados à vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), com a hipótese de potenciar a degeneração utricular, mas as evidências que a sustentam continuam controversas. Objetivos: Avaliar a prevalência de fatores de risco cardiovascular (FRCV) e o seu eventual impacto na ocorrência de VPPB e suas variantes. Material e métodos: Foram incluídos 37 doentes diagnosticados consecutivamente com VPPB, e 37 controlos emparelhados por idade. Os casos apresentaram uma idade média de 64,1 ± 11,7 anos e incluíram 30 mulheres e 7 homens. A relação entre FRCV, nos quais se incluem a hipertensão arterial (HTA), a diabetes mellitus (DM), a dislipidemia (DLP), a doença cardiovascular e cerebrovascular (DCVC), e a VPPB foi avaliada por análise uni e multivariada. Resultados: Foi identificada uma maior prevalência de DM nos doentes em comparação com os controlos (p<0.05) bem como uma maior presença simultânea dos três FRCV nos indivíduos com VPPB (p<0.05). Por outro lado, a presença de FRCV não influenciou a duração e a recorrência dos episódios de VPPB, nem o canal semicircular afetado. A presença de DM associou-se a um risco significativamente elevado de VPPB (odds ratio ajustado de 9,3; IC 95% 1,5–56,4). Conclusão: A VPPB poderá estar associada um risco vascular acrescido em alguns doentes, especialmente diabéticos e com outros FRCV em simultâneo. A confirmação desta evidência em estudos com maior número de indivíduos poderia reforçar medidas de diagnóstico precoce em doentes de risco. No entanto, a maioria dos casos de VPPB parece ser idiopática ou por outros fatores ainda não confirmados.
Introdução: A otite média crónica cursa frequentemente com a destruição da cadeia ossicular, condicionando uma interrupção da condução entre a membrana timpânica e a janela oval. A ossiculoplastia procura reestabelecer a transmissão do som entre estas duas estruturas. A avaliação dos resultados auditivos das ossiculoplastias é dificultada pela heterogeneidade do ambiente do ouvido médio. O Ear Environment Risk (EER) score foi desenvolvido para estratificar este risco e permitir uma comparação mais objetiva dos resultados cirúrgicos. Objetivos: Com este trabalho pretendemos avaliar o impacto que os materiais de reconstrução (autólogos vs titânio) têm nos resultados funcionais da ossiculoplastia utilizando uma abordagem ajustada ao EER. Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo com doentes submetidos a ossiculoplastia entre 2014 e 2024. O outcome primário foi a obtenção de um resultado auditivo tardio dentro do intervalo esperado segundo o EER, definido operacionalmente como um GAOm pós-operatório igual ou inferior ao Q3 reportado na coorte original de validação do EER para o respetivo grupo de risco. As comparações entre os materiais de reconstrução foram realizadas utilizando os testes qui-quadrado (χ²) ou exato de Fisher. Foi realizada uma regressão logística multivariável para avaliar a associação independente entre o material de reconstrução e o resultado, com ajuste para o tipo de ossiculoplastia (PORP vs TORP) e para a realização de mastoidectomia canal-wall down. Um modelo de sensibilidade secundário incluiu um ajuste adicional para a presença de colesteatoma. Análises secundárias avaliaram os resultados precoces (<6 meses) versus tardios (>6 meses) e a estabilidade dos resultados ao longo do tempo por meio de uma análise de transição. Resultados: Foram incluídos 120 ouvidos, dos quais 102 (85,0%) apresentavam audiograma pós-operatório tardio (≥6 meses). Em 76.5% dos casos foi obtido um resultado funcional dentro do esperado, sem diferença significativa entre reconstruções autóloga (71.2%) e de titânio (82.2%; p=0.197). Estes achados foram consistentes na análise por subgrupos. Na análise multivariável, o material de reconstrução não se associou de forma independente ao resultado funcional ajustado ao EER (OR ajustado 1,44; IC 95% 0,54–3,81). Os resultados mantiveram-se mesmo quando ajustados para o tipo de ossiculoplastia (PORP ou TORP) ou para a presença de uma cavidade de mastoidectomia radical. O ajuste adicional para a presença de colesteatoma não alterou significativamente os resultados. Os resultados funcionais precoces (em TI) baseados no EER não diferiram significativamente entre os materiais. A análise de transição nos 96 ouvidos com seguimento completo mostrou que 61,5% mantiveram resultados funcionais dentro do esperado no período pós-operatório precoce e o tardio. A distribuição global das transições de resultado funcional não diferiu significativamente entre os materiais (p=0,234). Conclusões: A avaliação dos resultados auditivos através de uma abordagem ajustada ao EER revelou resultados comparáveis entre materiais autólogos e próteses de titânio.
Objetivo: Avaliar o impacto da redução amigdalina por radiofrequência com adenoidectomia na qualidade de vida de crianças com síndrome de apneia obstrutiva do sono utilizando o questionário OSA-18. Material e Métodos: Estudo prospetivo incluindo 44 crianças (2–15 anos) com SAOS, submetidas a adenoidectomia e redução amigdalina por radiofrequência. A qualidade de vida foi avaliada no pré-operatório e 3–6 meses após cirurgia através da versão portuguesa do questionário OSA-18. Resultados: Observou-se uma redução significativa no score OSA-18 de 71,02 para 35,16 (p < 0,001), com melhoria em todos os domínios, particularmente nos distúrbios do sono e na preocupação dos cuidadores. A obesidade associou-se a menor melhoria (p = 0,015) e a scores pós-operatórios mais elevados (p = 0,028). Conclusão: A redução amigdalina por radiofrequência com adenoidectomia melhora significativamente a qualidade de vida, constituindo uma alternativa eficaz à amigdalectomia total. A obesidade constitui fator independente de piores resultados.
A traqueotomia é um procedimento útil na abordagem da via aérea, mas pode gerar complicações raras como enfisema subcutâneo e pneumomediastino, principalmente se for realizado no contexto emergente. Este caso trata-se de um doente do sexo masculino, de 44 anos, com uma lesão laríngea extensa, tendo sido submetido a traqueotomia emergente. No pós-operatório imediato apresentou enfisema subcutâneo exuberante com pneumomediastino, permanecendo hemodinamicamente estável. O alargamento da sutura e oxigenoterapia foram suficientes para resolução do caso. O enfisema subcutâneo e o pneumomediastino após traqueotomia são complicações raras e geralmente autolimitadas. O diagnóstico precoce e medidas conservadoras podem evitar intervenções invasivas.
Introdução: As abordagens cirúrgicas transorbitárias permitem aceder a diversas estruturas orbitárias, periorbitárias e da base do crânio, podendo ser utilizadas de forma isolada ou combinada. Objetivo: Sistematizar os principais aspetos relativos à utilização de abordagens transorbitárias na otorrinolaringologia. Material e Métodos: Revisão da literatura acerca dos princípios, indicações e técnicas inerentes às abordagens transorbitárias superior, lateral, medial e inferior, ilustrando a sua aplicabilidade com três casos clínicos: drenagem de mucocelo frontal com extensão orbitária, descompressão lateral da órbita e drenagem de abcesso subperiósteo. Resultados: As abordagens transorbitárias permitem abordar cirurgicamente um vasto leque de patologias de forma direta e minimamente invasiva, permitindo uma rápida recuperação e excelentes outcomes funcionais e estéticos. Para a sua execução é necessário domínio da anatomia da região periorbitária, planeamento cirúrgico rigoroso e uma abordagem multidisciplinar. Conclusão: As abordagens transorbitárias são técnicas versáteis, seguras e eficazes que assumem relevância crescente no arsenal cirúrgico de um Otorrinolaringologista.
Objetivos: Construção de um algoritmo de abordagem diagnóstica para aplicar nos casos de carcinoma epidermóide da cabeça e pescoço com tumor primário desconhecido. Material e Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases de dados PubMed e Scopus em junho de 2025, focada em estudos sobre a abordagem diagnóstica do carcinoma epidermoide da cabeça e pescoço com tumor primário desconhecido. Resultados: O protocolo proposto inicia-se com uma estratificação vírica através da pesquisa de p16 e EBER na biópsia da adenopatia, seguida de uma abordagem diagnóstica sequencial guiada por estes resultados, integrando uma avaliação imagiológica funcional com PET-TC antes da realização de biópsias de locais suspeitos. Nos casos com EBER negativo, é recomendada uma exploração cirúrgica sistemática do trato aerodigestivo superior, que, na ausência de lesões suspeitas, deve ser complementada com amigdalectomia total bilateral e mucosectomia ipsilateral da base da língua. Nos casos com EBER positivo, o foco diagnóstico é dirigido para a nasofaringe, sendo recomendada avaliação imagiológica com ressonância magnética. Conclusões: Uma abordagem sistematizada nos casos de carcinoma epidermoide em adenopatias cervicais com tumor primário desconhecido poderá permitir uma melhor utilização dos recursos atualmente disponíveis e aumentar a taxa de identificação do tumor primário.
Pleomorphic adenoma (PA) is the most common benign salivary gland neoplasm, yet its occurrence in the upper lip, especially as multiple swellings, is extremely rare. We present a 46-year-old female with progressive, painless multiple upper lip swellings over one year. Clinical examination, fine-needle aspiration cytology, and contrast-enhanced CT imaging supported the diagnosis. Surgical excision via a mucosal approach was performed, preserving anatomical and aesthetic structures. Histopathological analysis confirmed pleomorphic adenoma. The patient had an uneventful recovery with no recurrence at six months. This case highlights the importance of recognizing atypical Pleomorphic Adenoma presentations and ensuring complete, cosmetically sensitive excision.
Os quistos branquiais parafaríngeos são lesões raras, com cerca de 40 casos descritos na literatura, sendo a excisão cirúrgica o tratamento de eleição. Apresenta-se o caso de um homem de 34 anos, sem antecedentes relevantes, avaliado por roncopatia e apneia do sono. Ao exame objetivo sublinha-se uma tumefação submucosa da parede lateral direita da orofaringe, com extensão até à hipofaringe. A RM evidenciou uma lesão quística no espaço parafaríngeo sugestiva de quisto do segundo arco branquial. Foi realizada excisão cirúrgica da lesão por via transcervical, e a histologia confirmou o diagnóstico. No pós-operatório identificou-se paralisia da corda vocal direita, com recuperação funcional após reabilitação. A RM de controlo aos 12 meses foi negativa para persistência/recorrência da lesão. Este caso destaca a raridade dos quistos branquiais em localização parafaríngea, o papel da RM no diagnóstico e planeamento cirúrgico, e a necessidade de reconhecer potenciais complicações associadas ao tratamento destas lesões em localizações anatómicas complexas.
OBJETIVOS: Avaliar a correlação entre o impacto funcional da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) e o índice de massa corporal (IMC), perímetro cervical (PC), índice de apneia/hipopneia (IAH), escala de Epworth (ESS) e a escala visual analógica da roncopatia (VAS). DESENHO DO ESTUDO: Estudo observacional retrospetivo. MATERIAL E MÉTODOS: Doentes com SAOS diagnosticado entre 2020-2024. O impacto funcional foi medido pela escala Functional Outcomes of Sleep Questionnaire-30 (FOSQ-30). RESULTADOS: Dos 64 doentes incluídos, 69% (n = 44) eram homens e 81% (n = 52) apresentava SAOS ligeira/moderada. Verificou-se uma correlação negativa entre o FOSQ-30 e a ESS (r = -0,673; p < 0,001) e a VAS (r = -0,280; p = 0,025). Não houve significado estatístico nas correlações com o IMC, o PC e o IAH, assim como entre doentes com SAOS ligeiro, moderado e grave. CONCLUSÕES: A sonolência diurna e a intensidade da roncopatia são os principais preditores do impacto funcional em doentes com SAOS, independentemente da gravidade polissonográfica. Assim, devemos integrar escalas funcionais e sintomáticas na avaliação clínica destes doentes, de forma entender o real impacto desta patologia na sua qualidade de vida.
Introdução: A cefaleia rinogénica, faz parte da International Classification of Headache Disorders (ICHD) e inclui as cefaleias com origem em patologia nasossinusal. Uma das etiologias mais debatidas, dentro da cefaleia rinogénica, é a cefaleia por ponto de contacto mucoso, sendo uma entidade controversa que, em 2018, foi removida da ICHD-3. Objetivos: Compreender se os pontos de contacto mucoso são uma verdadeira entidade clínica e se a sua correção cirúrgica é eficaz na resolução da dor. Material e Métodos: Revisão sistemática segundo as normas PRISMA. Pesquisa realizada na plataforma PubMed usando “rhinogenic headache” e “contact point headache”, em inglês e português, sem restrições de data. Foram incluídos estudos que avaliassem a prevalência de pontos de contacto mucoso e a sua associação com a cefaleia e estudos que reportassem resultados clínicos de doentes submetidos a tratamento cirúrgico. Resultados: Dos 220 artigos inicialmente identificados, 80 eram potencialmente elegíveis para ambos os objetivos desta revisão, sendo que 33 preencheram critérios de inclusão para os mesmos. A maioria dos estudos reportou melhoria significativa da dor, com redução da Escala Visual Analógica (EVA). No entanto, apresentam várias limitações, como amostras pequenas (≤50 doentes) e seguimento curto (<24 meses). Conclusões: Os pontos de contacto mucoso devem ser considerados uma etiologia potencial em casos de cefaleia refratária. Alguns doentes podem beneficiar da correção cirúrgica para eliminar o contacto mucoso, no entanto, é importante gerir as expectativas do doente, uma vez que a evidência atual é limitada por viés metodológico e heterogeneidade dos estudos. São necessários ensaios clínicos randomizados com amostras maiores e seguimento prolongado.
Esophageal foreign body (FB) impaction is a medical emergency due to its potential complications. This is a single-center retrospective review of 47 cases of esophageal FB impaction managed with rigid esophagoscopy at a tertiary care hospital between 2013 and 2023. Data on demographics, presentation and complications were analyzed using descriptive statistics, Chi-square, Kruskal-Wallis tests and multivariate logistic regression. Patients had a mean age of 52 years, with 85.1% being adults. Globus sensation (80.9%) and odynophagia (61.7%) were the most common symptoms. Fish bones were the leading FB type in adults (40.0%) and coins predominated in children (58.0%). Complications occurred in 40.4% of cases. Significant associations were observed between object size, delayed presentation and complications (p< 0.05). Rigid esophagoscopy is the gold-standard for managing esophageal foreign bodies in the cricopharyngeal and cervical esophagus. Our study suggests that early intervention is critical, particularly for patients presenting with identified risk factors.
Objectivos: Comparar a eficácia da septoplastia, quando realizada sob anestesia local versus geral no tratamento do desvio do septo nasal. Desenho do estudo: Estudo Prospetivo Observacional. Material e Métodos: Doentes com diagnóstico de desvio do septo nasal, submetidos a septoplastia sob anestesia geral (n=45) ou local (n=45), preencheram questionários de avaliação da qualidade de vida relacionada com a obstrução nasal (NOSE; SNOT-22; escala visual analógica (EVA)), antes e 3 meses após a cirurgia. Resultados: Ambos os grupos demonstraram reduções significativas nos scores NOSE, SNOT-22 e EVA pós-operatórios, sem diferenças estatisticamente significativas entre a septoplastia sob anestesia local e geral. A dor média na septoplastia sob anestesia local foi 2.4/10. O grau de satisfação com a cirurgia foi similar em ambos os grupos. Conclusões: A septoplastia sob anestesia local é uma alternativa eficaz e segura à septoplastia sob anestesia geral, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes com obstrução nasal.