
Este texto apresenta um estudo exploratório sobre representações docentes acerca do juízo profissional, procurando fundamentação teórica e esclarecimento concetual para as mesmas. Foi levado a cabo nas tertúlias desenvolvidas, no âmbito da Rede para a Inovação e Melhoria da Educação (RIMED) – Fundação Manuela Leão (https://www.fmleao.pt/educacao/rimed-2/#), na sub-rede Avaliação Pedagógica. Com a investigação aqui apresentada pretende-se dar um primeiro passo para perceber como é que um grupo de professores exerce o seu juízo profissional em avaliação. Dele emerge a necessidade de se elaborarem, nas escolas, Referenciais de Avaliação que explicitem práticas de avaliação pedagógica das aprendizagens, assentes em verdadeiros critérios de avaliação, através dos quais se torne transparente, para toda a comunidade, a forma como são tomadas as decisões classificatórias e atribuídas as notas.
O Ensino Superior, em Angola, vivenciou nas últimas décadas uma fase de grande expansão a nível do número de estudantes, de cursos e do número e diversidade de instituições. Este estudo situa-se no paradigma qualitativo, tendo como objetivo compreender os fatores de tomada de decisão dos estudantes na escolha do curso e da Instituição de Ensino Superior. Neste sentido, elaborou-se a seguinte pergunta de investigação: Que fatores influenciam nas decisões dos estudantes na escolha do curso e da Instituição de Ensino Superior? Recorreu-se a técnicas de recolha de dados de natureza qualitativa, a observação participativa e a análise documental, e de natureza quantitativa, o inquérito por questionário. Os resultados mostram que os custos associados à frequência do curso e a questão da vocação são fatores primordiais na escolha do curso por parte dos estudantes. Quanto à escolha da Instituição de Ensino Superior, os estudantes priorizam a qualidade de ensino e a disponibilidade do curso de sua preferência.
O programa de inglês como língua estrangeira elaborado pelo INIDE promove a reflexão voltada para a competência comunicativa dos alunos da 12.ª classe. O estudo tem em conta o contexto do antigo município de Belas, na província de Luanda, onde uma escola secundária do ensino público foi selecionada. Sessenta e cinco alunos, dois professores e um representante do INIDE são considerados parte do grupo-alvo. Entretanto, a problemática consiste no facto de que, embora os objetivos estabelecidos pelo programa favoreçam a habilidade comunicativa entre os estudantes finalistas do ensino secundário, as evidências apontam para resultados diferentes. Deste modo, a análise do programa de inglês como língua estrangeira, através de resultados práticos, é um trabalho de pesquisa que avalia o programa de inglês elaborado pelo INIDE dentro do contexto do ensino público angolano. A ideia é avaliar determinadas variáveis do contexto de ensino, de modo a aferir a eficácia do programa como um instrumento pedagógico efetivo e realístico. Contudo, os dados expostos e exaustivamente analisados nos Capítulos Três e Quatro foram obtidos pelos métodos de análise documental, questionário e entrevista, que permitiram a identificação de alguns fatores que, quando não considerados na elaboração de um curso, podem interferir negativamente nos resultados estabelecidos pelos objetivos.
Neste estudo buscou-se compreender as práticas dos educadores do Instituto Federal Catarinense (IFC) sobre a avaliação da aprendizagem no Ensino Médio Integrado. Trata-se de uma pesquisa exploratória, qualitativa e de natureza básica, que utilizou como procedimentos metodológicos pesquisa documental, a aplicação de questionários e a realização de uma oficina temática. A interpretação das informações foi baseada na Análise Textual Discursiva (Moraes, 2003). Os resultados apontam que, embora os educadores reconheçam os princípios do currículo integrado e da avaliação formativa, ainda predominam práticas vinculadas a modelos classificatórios tradicionais. Observou-se também contradição entre a compreensão teórica dos participantes e suas práticas efetivas, bem como a necessidade de ações formativas contínuas para uma efetiva mudança de paradigmas. Esta investigação contribui para o debate sobre a avaliação na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e aponta para a urgência do fortalecimento do diálogo entre teoria crítica e práticas avaliativas.
As aprendizagens essenciais (AE) seguem uma lógica de avaliação para as aprendizagens, mas coabitam com necessidades de regulação por classificação. Como é que estas lógicas convivem? E como é que as escolas interpretam as AE para as transformar em classificações? Aqui, o caso da Educação Física (EF) tem interesse, porque os critérios de sucesso estão nacionalmente uniformizados e têm estabilidade de décadas, sugerindo confiabilidade e validade. Para contribuir para as respostas, fez-se a análise interpretativa dos critérios de avaliação do 12.º ano dos Cursos Científico-Humanísticos de 108 escolas, por aplicação desses critérios a alunos-cenário. Os resultados indicam que apenas duas escolas respeitam as orientações das AE e que 66% classificam pela partição das áreas de avaliação em percentagens. Essa circunstância origina variabilidade de classificações (o mesmo perfil de sucesso educativo pode resultar em 10 ou 20 valores) e é frequentemente possível que os alunos sejam classificados com 10 ou mais valores ainda que não desenvolvam as AE. Assim, dá-se a des-significação das classificações (não existe correspondência com as AE); a EF parece funcionar por senso comum teórico, a partir de crenças e práticas pouco fundamentadas, mas tidas como verdadeiras; e a sociedade poderá estar a receber jovens na expectativa de que tenham competências que, na realidade, não desenvolveram, o que transporta tensões para a vida social.
A avaliação formativa constitui uma prática pedagógica que tem um impacto reconhecido na promoção da qualidade do ensino e das aprendizagens. Com o objetivo de conhecer, em contexto, as práticas de avaliação implementadas por uma equipa pedagógica de professores, e as perceções que professores e alunos tecem das mesmas, foi realizado um estudo de caso, implicando três turmas de uma escola secundária portuguesa. Este estudo exploratório naturalista, de natureza qualitativa, combinou a realização de entrevistas a professores e de focus group a alunos. A análise de conteúdo revelou que nem sempre professores e alunos têm perceções alinhadas sobre as práticas de avaliação. Pese embora a diversidade de práticas de avaliação narradas, notam-se fragilidades no que respeita ao uso intencional e pragmático da informação no que concerne à condução e reorientação da ação, tendo em vista a melhoraria do ensino e das aprendizagens. Os modos de operacionalização da avaliação formativa parecem ser demarcados mais pela identidade dos professores, ou pelo seu conhecimento pedagógico do conteúdo, do que pela ação organizada de uma equipa pedagógica. Paralelamente, percebe-se que a alavancagem das práticas de avaliação formativa através do digital parece facilitar a sua operacionalização.
A escola confronta-se com problemas e desafios complexos que justificam a necessidade de (re)pensar a educação e os ambientes educativos, proporcionando aprendizagens, para além da função de escolarização. Diante deste cenário, a aprendizagem socioemocional no contexto escolar, sustentada no modelo CASEL, tem demonstrado evidências no desenvolvimento pessoal de crianças e jovens, mas também na melhoria dos problemas de internalização e externalização, no rendimento académico e na redução do absentismo escolar dos alunos. Assim, a escola é reconhecidamente um espaço socioeducativo de excelência no qual se reivindica a atuação do educador social. O objetivo deste artigo é contribuir para uma reflexão sustentada do papel do educador social enquanto facilitador de pontes e conexões que estimulem o desenvolvimento de competências socioemocionais de crianças e jovens. Superando uma perspetiva meramente técnica e recreativa, o educador social é atualmente reconhecido pela sua atuação social e pedagógica mais ampla e sustentada, concorrendo para as novas dimensões e funções alargadas que a educação escolar exige. A este propósito compete, numa lógica integradora de múltiplos saberes e práticas, acolher a diversidade de alunos nas suas múltiplas formas, assegurando que, independentemente das suas especificidades e necessidades, aprendam e convivam num ambiente escolar positivo, equitativo e que reforce os direitos e deveres de cada um. Deste modo, afirma-se como imprescindível a figura do educador social na escola para responder mais eficazmente às transformações sociais, em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Em resultado do extraordinário processo de consolidação académica e profissional desenvolvido em Portugal nas últimas décadas, a Pedagogia Social é hoje reconhecida como uma ciência da educação relevante, funcionando como um saber matricial para uma pluralidade de autores-atores. Este texto pretende retratar essa dinâmica de afirmação histórica à luz de um paradigma de hospitalidade, procurando destacar os seus traços mais marcantes e distintivos. Na nossa perspetiva, e tal como procuramos sustentar, a racionalidade pedagógico-social distingue-se pelo seu carácter intrinsecamente relacional, remetendo, a um nível essencial, para a experiência de acolhimento intersubjetivo vivida na relação educativa, enquanto encontro humano transformador conduzido por profissionais devidamente habilitados para o efeito, os pedagogos sociais. Desempenhando funções pedagógicas junto de pessoas de todas as idades e numa diversidade de contextos de intervenção, institucionais e comunitários, estes profissionais têm vindo a protagonizar processos de formação e de afirmação identitária que importa relevar num quadro de cumprimento do direito universal à educação e de promoção de condições de desenvolvimento humano e social inclusivo, justo e solidário.
O texto expõe resultados de um estudo sobre o modo como os valores relacionais, associados ao princípio da hospitalidade, são vividos e percecionados como qualidade de liderança pedagógica nas instituições socioeducativas. Para o efeito, foram estudadas as perceções dos pedagogos sociais sobre valores no âmbito de uma liderança pedagógica pautada pelo valor da hospitalidade. Optamos, em termos metodológicos, por uma estratégia de inquirição direta de atores, através de entrevistas semiestruturadas. Os dados recolhidos e analisados permitiram fundamentar a importância da hospitalidade como princípio de liderança no campo sociopedagógico.
O presente artigo, oriundo de um estágio de Pós-Doutoramento em Ciências da Educação, objetiva discutir, a partir de um recorte sobre os documentos oficiais que regulamentam a formação docente inicial, os pretextos postos na legislação para a organização curricular do ensino superior para as Licenciaturas e os constrangimentos e avanços que auxiliam, ou não, na permanência dos educadores sociais nestes espaços de formação docente brasileiro. Esta pesquisa, de caráter bibliográfico e de análise documental, revela uma discordância entre o conceito de Educação para os diversos contextos sociais, presente na Lei de Diretrizes e Bases Nacionais da Educação, de 1996, e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para as licenciaturas no século XXI. Desta forma, infere-se como desdobramentos da atual formação docente brasileira (1) a supervalorização da educação escolar como espaço social privilegiado para a diminuição das desigualdades sociais, (2) a falta de articulação desta formação, voltada para a educação escolar, com outras formas legítimas de produção de saberes dos grupos empobrecidos, e (3) uma disposição para o afastamento dos educadores sociais dos cursos de licenciaturas no ensino superior brasileiro.
Este artigo aborda os desafios da formação dos Educadores Sociais em Portugal, enquanto profissionais qualificados que atuam em contextos de proximidade e solidariedade social. Insere-se no campo da Pedagogia Social, reconhecida como a ciência da educação que compreende toda a intervenção socioeducativa, e valoriza práticas pedagógicas que fortalecem os laços sociais promovem o bem-estar coletivo. Para tal, recorremos às contribuições de autores nacionais e internacionais, nas diretrizes de entidades oficiais e em diversos estudos que temos vindo a realizar sobre a formação de Educadores Sociais. Os dados trabalhados centram-se nas perceções de diversos educadores sociais acerca das suas necessidades e interesses formativos, com o objetivo de promover a construção de um ethos profissional mais autónomo e reflexivo, essencial para uma atuação eficaz na sociedade contemporânea. A principal conclusão sublinha a urgência de um investimento mais robusto em programas de formação ajustados, que valorizem não apenas a prática profissional, mas que também reforcem a identidade e a capacidade ética dos Educadores Sociais, em consonância com os princípios de justiça social e equidade.
A rápida evolução da Inteligência Artificial (IA) Generativa, com destaque para modelos como o ChatGPT, apresenta novas oportunidades para a capacitação de educadores sociais no âmbito da pedagogia social. Este estudo realizou uma revisão sistemática inicial de 94 artigos, provenientes de bases como IEEE Xplore e Google Scholar, resultando na seleção de 17 estudos relevantes para análise detalhada. Os principais resultados indicam que a IA Generativa pode transformar a formação de educadores sociais, permitindo personalização de conteúdos, automação de tarefas e criação de simulações educativas. Contudo, surgem desafios éticos e operacionais, como privacidade de dados, enviesamento algorítmico e falta de regulamentação. O artigo propõe um modelo de capacitação baseado na integração ética e na inovação pedagógica, destacando estratégias para maximizar o potencial da IA generativa na educação social
A Pedagogia Social, como área de interligação, tem-se destacado como uma abordagem pedagógica focada na inclusão e no desenvolvimento social, sendo fundamental para enfrentar os desafios educacionais contemporâneos. Este estudo tem como objetivo analisar a importância da Pedagogia Social na formação de professores, destacando as suas origens, conceções teóricas e as diversas intervenções pedagógicas que podem ser aplicadas ao contexto educacional atual. Assume-se, assim, o propósito de perceber “de que forma a Pedagogia Social, através da sua interseção entre o social e o educativo, pode contribuir para a formação de professores e a promoção de uma educação inclusiva e socialmente transformadora”. Através de uma abordagem qualitativa, serão analisados estudos clássicos e contemporâneos sobre Pedagogia Social, com foco na sua relevância para o desenvolvimento de práticas educativas voltadas para a inclusão e a equidade. A pesquisa explora como essa abordagem amplia o papel do professor, capacitando-o para lidar com as diversidades sociais, culturais e educacionais presentes nas salas de aula e nas comunidades. Os resultados indicam que a incorporação da Pedagogia Social na formação de professores favorece a consciencialização sobre questões sociais, forma profissionais mais preparados para lidar com a diversidade e fortalece o papel da escola como agente de transformação social.
A Educação Social sempre se afigurou como ideal de profissão feminina, alicerçado em pressupostos de género, socialmente adquiridos, de que as mulheres teriam qualidades inatas que lhes confeririam uma propensão natural para o cuidar e o instruir (Perrot, 1987). Este estudo pretende objetivar o modo como os/as estudantes de Educação Social percecionam a sua área de formação e futura profissão, enquanto forma de afirmação ou não de uma identidade socialmente construída, associada à feminilidade ou masculinidade. Esta análise procurou considerar, igualmente, outros referenciais identitários que possam determinar a perceção dos inquiridos, como a raça, a etnia ou a classe social de pertença. Partindo de uma metodologia mista, aplicou-se um inquérito por questionário a 226 estudantes de Educação Social a frequentar o Ensino Superior público português no ano de 2022. Os resultados permitem-nos confirmar a quase exclusiva presença feminina nos cursos de educação social, embora os/as estudantes não percecionem esta área de formação e profissão como destinada exclusivamente a mulheres. Além disso, de acordo com os/as respondentes a desvalorização da profissão de Educador/a Social decorre sobretudo de questões relacionadas com a identidade profissional e com a diversidade de âmbitos de intervenção, não se encontrando, assim, especialmente ligada à feminização da profissão.
Num mundo em constante evolução, os desafios que se colocam aos profissionais do amanhã serão significativamente distintos dos atuais. O advento de tecnologias disruptivas, como a Inteligência Artificial (IA) ou a democratização do acesso à informação, estão a moldar a nossa sociedade. No futuro, a maioria das profissões que conhecemos terão características e desafios diferentes dos atuais. O ensino e a formação devem adaptar-se, complementando a transmissão de conhecimentos técnicos com o desenvolvimento de competências pessoais e sociais. Não basta ensinar a resolver problemas concretos, há que ensinar a analisar e a formalizar esses problemas, a liderar equipas de trabalho e a tomar decisões, assim como a ter a capacidade para aprender ao longo da vida de forma autónoma e em equipa. O sector marítimo-portuário possui especificidades próprias, às quais o ensino deve atender. O objetivo deste artigo é contribuir para um ensino que vá ao encontro das necessidades atuais e futuras da indústria marítimo-portuária. Especial foco foi dado ao desenvolvimento de competências pessoais e sociais, assim como à adoção de metodologias de ensino disruptivas. É feita uma proposta concreta para a criação de um curso de mestrado na área da gestão logística e da engenharia com aplicação ao sector marítimo, que integra conhecimento académico e propostas de profissionais e autoridades da indústria.
A pandemia da covid-19 levou à necessidade de atender às suas consequências em estudantes do Ensino Superior. Tendo por base um levantamento de necessidades, da Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga, foi solicitado ao Mestrado em Psicologia da Educação a construção e aplicação de um programa de intervenção, com estudantes da licenciatura em Psicologia. Procedeu-se a um levantamento de necessidades aprofundado, tendo os resultados evidenciado dificuldades na gestão do estudo e das emoções. Realizou-se uma revisão de literatura sobre autorregulação da aprendizagem, emocional e social. Construiu-se o programa “Transforma os obstáculos em desafios… e vence-os!” para promover a autorregulação da aprendizagem, emocional e social. O programa assumiu a modalidade de intervenção em grupo, no formato online, tendo sido aplicado a nove estudantes. A avaliação do impacto do programa considerou as apreciações dos estudantes e as pontuações nos instrumentos Questionário da Perceção da Autoeficácia para Autorregular a Aprendizagem, Questionário de Regulação Emocional e Escala de Satisfação com o Suporte Social. Os resultados demonstraram melhorias na gestão do estudo, das emoções e dos relacionamentos. A aplicação futura revelar-se-á essencial para potenciar o desenvolvimento da autorregulação e atenuar dificuldades resultantes da pandemia.
Uma escola socialmente responsiva é, necessariamente, uma escola que congrega na sua identidade a dimensão da justiça curricular. Com o objetivo de iluminar de que modo, no sistema educativo português, as escolas viabilizam respostas para a inclusão e equidade no acesso às aprendizagens, este artigo enuncia um modelo para o estudo dos mecanismos de justiça curricular. O modelo serviu de base a um estudo exploratório, que incluiu o mapeamento de dimensões organizacionais e pedagógicas das escolas relacionadas com a inclusão a partir da análise de conteúdo das forças e áreas de melhoria de 60 relatórios de avaliação externa. Posteriormente, os dados foram usados para investigar associações entre pares de variáveis relacionadas com a inclusão, através do odds ratio e V de Cramer. Constatou-se a existência nas escolas de fragilidades em matéria de justiça curricular, no que respeita ao recurso a metodologias ativas de ensino aprendizagem, à avaliação formativa e à articulação do currículo. Paralelamente, a alavancagem da justiça curricular remete para o investimento em metodologias ativas e, pontualmente, para a existência de ambientes inovadores e promotores da aprendizagem. Os dados recolhidos são omissos no que respeita a mecanismos de suporte à aprendizagem e a alterações de gramática escolar. Os dados produzidos pela avaliação externa estão adstritos ao respetivo contexto, não sustentando uma análise explicativa e preditiva entre os fatores identificados (variáveis) e a inclusão.
A população portuguesa tem um défice histórico de qualificações. Este facto obrigou a que o processo de massificação do ensino, iniciado por altura da Revolução do 25 de Abril, fosse feito sem haver docentes qualificados em número suficiente. Daqui decorreu a criação de um sistema escolar baseado num currículo prescrito, determinado, sem espaço para a autonomia profissional dos docentes. Cinquenta anos depois da Revolução, estamos em plena mudança de paradigma curricular, com políticas de autonomia e flexibilidade que abrem caminho para uma verdadeira educação integral.
A crescente digitalização do sistema educativo favorece uma diferente abordagem para um feedback mais individualizado, sobretudo em contexto de grandes grupos. Os sistemas de gestão da aprendizagem são dotados de módulos de análise estatística globais, com dispendioso licenciamento autónomo, disponibilizando análises para as diferentes atividades pedagógicas desenvolvidas na plataforma, incluindo sistemas personalizados de alerta para identificar lacunas no cumprimento das atividades calendarizadas. Outras ações pedagógicas que se desenvolvem fora da plataforma geram dados que podem não ser ali registados. Assim sendo, o tratamento de dados de diversas fontes pode ser desenvolvido através de ferramentas de Analytics facilitando a construção de dashboards interativos de consulta para professores e estudantes. Daqui resultam dados que permitem informar periodicamente e de forma personalizada os estudantes acerca do seu desempenho. O presente estudo apresenta a arquitetura concebida para acompanhar uma disciplina do 1.º semestre do 1.º ano, de um curso superior de Gestão, com mais de 300 estudantes. Desta arquitetura de suporte ao sistema de informação resultam três instrumentos de gestão: uma aplicação (APP) para os docentes, um dashboard interativo para docentes e estudantes e um relatório individual, semanal, enviado por email para os estudantes. Este relatório personalizado que confronta o desempenho individual com o da turma, explicita os resultados dos minitestes semanais, realizados em aulas teórico-práticas e práticas, testes periódicos de avaliação e atividades realizadas na plataforma. O relatório completa-se com um texto adequado ao desempenho na semana. O estudo termina com uma análise à satisfação dos estudantes de acordo com a informação que lhes é disponibilizada, concluindo gerar-se uma perceção positiva na sua motivação e autoestima que o acesso ao dashboard e ao relatório individualizado proporciona.
Our society, driven by technological innovations, has become increasingly digital and interconnected, making operating tasks easier and faster. The Internet of Things is based (IoT) on a set of technologies that allows intelligent devices, such as sensors, to connect objects to the Internet and collect data that will be stored for later analysis and control. According to the Hype Cycle, it is one of the emerging technologies that we recognize in it an added value for all sectors of society, Education included. In this context, school should take advantage of the possibilities offered by this technology, since it makes the classroom an "open space" where physical limitations are not relevant to the interpretation of the surrounding environment. It supports an active Case-Based Learning (CBL) by exploring issues that meet the interests and context of students and their community. For this, the object under study will be monitored and students will act on it, after analyzing the data, and control the variables, in real time and with constant updating. Thus, this article aims to do a scooping review of literature of data obtained from three databases: B-ON, IEEE Xplore and Google Scholar, between 2014 and 2018. The data obtained will be object of content analysis, in order to investigate the added value of the IoT in Education, especially in what concerns CBL methodology, and to investigate the technology associated with it.