
Introdução: O impacto do isolamento na pessoa idosa, durante a pandemia por SARS-CoV-2, especialmente em serviços de urgência (SU), foi um tema de grande preocupação. A pandemia exigiu medidas rigorosas de prevenção e controlo de infeções, tornando os ambientes de cuidados mais desafiadores para as pessoas idosas. As intervenções de enfermagem foram fundamentais para promover o cuidado-de-si, o conforto, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas idosas em situação de isolamento. Objetivos: Conhecer, na primeira pessoa, os sentimentos e necessidades das pessoas idosas isoladas num SU, durante a pandemia; bem como as dificuldades sentidas pelos profissionais de saúde no cuidado integral a estas pessoas. Materiais e métodos: Foi desenvolvido um projeto de investigação-ação, tendo como instrumento de colheita de dados entrevistas semiestruturadas a pessoas idosas e um questionário a enfermeiros e médicos, num SU. Os dados foram analisados com recurso a análise de conteúdo e estatística descritiva. Resultados: Participaram no estudo 20 pessoas idosas em isolamento num SU e 36 enfermeiros e 14 médicos que lhes prestavam cuidados nesse contexto. As entrevistas, aplicadas às pessoas idosas, revelaram o impacto negativo do isolamento na sua saúde emocional e social, destacando o papel fulcral da família como suporte. Os questionários aplicados à equipa de saúde possibilitaram identificar as necessidades e expectativas dos profissionais, reconhecendo o seu potencial e sentido ético na prestação de cuidados integrais. Mostram também que a adoção de medidas simples e de baixo custo, como: a melhoria na comunicação, a autorização de visitas de familiares, adaptações no ambiente físico e uma abordagem de cuidados mais holística e centrada na pessoa, contribuem significativamente para enfrentar grandes desafios de saúde pública, como os constrangimentos impostos pela COVID-19. Conclusões: Conclui-se que o envolvimento da família e uma comunicação eficaz são fundamentais para promover o bem-estar emocional das pessoas idosas. As intervenções realizadas visaram não apenas melhorar o conforto e a qualidade de vida destas pessoas, mas também fortalecer a parceria entre os profissionais de saúde, pessoas idosas e suas famílias, promovendo um cuidado integral.
O sofrimento é uma experiência universal e inevitável da condição humana, que se intensifica perante a doença grave e a proximidade da morte. Na incapacidade de alterar um contexto de vida, como a refratariedade de uma doença incurável, avançada e progressiva, somos desafiados a olhar da perspetiva do sentido e do sofrimento. Ancorados neste pressuposto, os profissionais de cuidados paliativos implementam intervenções clínicas que têm como meta mitigar o sofrimento e possibilitar que doentes e cuidadores vivam a doença, perspetivando esperança e sentido. O objetivo deste estudo de caso é promover a reflexão, à luz da evidência, entre o sofrimento humano e os cuidados paliativos, compreendendo-os como expressão ética e humana do cuidado integral. Esta reflexão parte de uma visão ampliada do sofrimento, abarcando as suas dimensões física, psicológica, social e espiritual, e apresenta os cuidados paliativos como uma resposta compassiva ao sofrimento e à finitude. Neste estudo de caso reflete-se sobre o conceito de sofrimento humano nas suas múltiplas dimensões e significados. Identificam-se as fontes de sofrimento com base na análise de um caso clínico. A busca de sentido no sofrimento e o sofrimento dos profissionais de saúde são abordados da perspetiva da medicina paliativa, num tempo em que a escassez de recursos e a acessibilidade emergem como desafios dos modernos sistemas de saúde. O sofrimento é inerente à condição humana, particularmente na situação de doença avançada. Não sendo possível eliminá-lo, pode ser trabalhado, levando-o a limites toleráveis. A intervenção em Cuidados Paliativos apresenta-se como uma filosofia de cuidado que resgata a dignidade, a empatia e o valor da vida até ao último instante, constituindo-se como um caminho ético e humano diante da morte.
Introdução: A infeção do local cirúrgico é uma das complicações mais frequentes no pós--operatório, impactando diretamente a morbilidade, a mortalidade e os custos em saúde. O banho pré-operatório, praticado desde a Antiguidade e atualmente integrado em protocolos de prevenção de infeção, constitui uma intervenção de enfermagem destinada a reduzir a carga microbiana da pele, embora o seu contributo isolado para a diminuição da infeção do local cirúrgico permaneça heterogéneo e objeto de debate. Materiais e métodos: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura de texto e opinião, de acordo com as recomendações do Joanna Briggs Institute. A pesquisa foi realizada nas bases de dados científicas MEDLINE, CINAHL, Cochrane e Scopus, utilizando os descritores Medical Subject Headings e Descritores em Ciências da Saúde, combinados por operadores booleanos, e foi complementada por literatura cinzenta e por documentos normativos internacionais e nacionais, sem restrição temporal, incluindo publicações em português, inglês e espanhol. Resultados: Foram incluídos 31 documentos, entre diretrizes internacionais e nacionais, revisões, estudos comparativos e literatura histórica. A análise evidenciou a evolução do banho pré-operatório, de prática higiénica e ritualística, para intervenção clínica padronizada, reconhecida como responsabilidade da enfermagem. Inicialmente associado à ideia de proteção contra males, o banho é hoje sustentado por evidências microbiológicas que comprovam a redução significativa da carga bacteriana da pele. A literatura aponta uma redução consistente da carga microbiana cutânea após o banho, sobretudo quando se utiliza gluconato de clorohexidina entre 2% e 4%. No entanto, os estudos não permitem concluir de forma inequívoca se o banho, isoladamente, reduz a incidência de infeção do local cirúrgico. A evidência sugere ainda que o modo de aplicação do antisséptico influencia a sua concentração na pele e, consequentemente, a sua eficácia. A adesão do doente e a correta execução da técnica, potenciadas pela educação e supervisão de enfermagem, revelam-se fatores determinantes para a efetividade desta intervenção. Conclusão: O banho pré-operatório é uma intervenção de enfermagem relevante na prevenção da infeção do local cirúrgico, devendo integrar um conjunto de medidas e não ser aplicado isoladamente. O seu baixo custo e potencial benefício, aliados aos riscos da sua não aplicação, justificam a sua manutenção em protocolos institucionais, o investimento em educação do doente, a padronização de procedimentos, bem como a investigação adicional que clarifique o seu impacto nos resultados clínicos.
Introdução: A doença grave e o sofrimento associado afetam a pessoa não apenas na sua dimensão corporal, mas também no núcleo identitário que a constitui como ser moral, social, espiritual e criativo. O sofrimento associado à doença não se confunde com a dor e apela, pela sua natureza complexa, à reflexão que vai além do domínio técnico-científico, entrando no âmbito da filosofia e da transcendência. Objetivos: Os objetivos deste artigo consistem na exploração das reflexões de alguns filósofos sobre a questão do sofrimento associado à doença e no diálogo com perspetivas mais abrangentes do campo da ontologia, da ética e da teologia, com vista a um entendimento holístico do fenómeno do sofrimento humano associado à doença grave. Material e métodos: Reflexão filosófica de base teórica a partir de textos e obras de filósofos sobre a questão multidimensional e transversal da doença e do sofrimento. Resultados: Remetendo para uma experiência humana ambivalente que é, simultaneamente, do domínio da interioridade e da exterioridade, o sofrimento impõe algumas dificuldades nocionais. O sofrimento entendido como rutura e questionamento da relação eu-outro-mundo, como diminuição da capacidade de agir, como um imediato existencial e essencial do ser-no-mundo e como resultante do olhar clínico objetivante e classificatório, apela à complexidade do próprio ser que sofre enquanto ser vivente, aberto, em permanente construção de si mesmo e ser questionador do sentido do sofrimento. Se é possível encontrar um sentido para o sofrimento, dentro ou fora limites da vida, é uma questão metafísica que interroga directamente o próprio fundamento do que é o ser humano enquanto vivente capaz de sofrer. Conclusões: As perspetivas filosóficas podem trazer à medicina importantes contributos para a reflexão holística do fenómeno do sofrimento associado à doença e que melhor atendem à dimensão global e complexa do ser humano.
Introdução: As tecnologias digitais vieram simplificar e melhorar a vida das pessoas, de várias formas, mas, em função da forma como são utilizadas, podem representar riscos e perigos, que levam a consequências no desenvolvimento infantil. É importante que os pais norteiem o uso de tecnologias digitais pelos seus filhos. Assim, questionou-se: “Quais os conhecimentos dos pais sobre as implicações das tecnologias digitais no desenvolvimento infantil?”. Objetivos: Analisar na produção científica os conhecimentos dos pais sobre as implicações do uso das tecnologias digitais no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor das crianças; “Identificar, de forma integrada, as perceções parentais sobre riscos, benefícios, fontes de informação, práticas de mediação e intervenções educativas associadas ao uso das tecnologias digitais na infância”. Materiais e métodos: Revisão crítica da literatura, realizada entre março-junho/2025, com pesquisa de estudos no portal EBSCOHost, que incluíssem pais de crianças e que referissem o seu conhecimento sobre os efeitos do uso das tecnologias digitais no desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional das crianças, publicados de 2020-2025 em português, inglês e espanhol, de acesso livre e gratuito, disponibilizados em texto integral e que respondessem à questão de investigação e objetivos. Excluíram-se estudos secundários. Resultados: Incluídos oito estudos. Os pais não possuem conhecimento das recomendações do tempo de ecrã, embora relatem diversos riscos para o desenvolvimento infantil provenientes do uso excessivo dos mesmos. Foram identificados quatro tipos de mediação parental. A internet foi a fonte de informação mais utilizada. A existência de um programa educativo demonstrou resultados positivos na diminuição do tempo de ecrã das crianças. Conclusões: O conhecimento parental é fundamental na gestão do tempo de ecrã das crianças. Deste modo, os enfermeiros podem atuar capacitando os pais para que estes promovam uma mediação saudável e equilibrada das tecnologias digitais.
Introdução: O risco de ocorrência de incidentes de segurança está presente em todas as etapas da prestação de cuidados de saúde. Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo tem emergido uma crescente preocupação com a segurança do doente. No contexto nacional, o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 estabelece a segurança como uma prioridade, estando esta assente em cinco pilares, dos quais se destaca o pilar da comunicação. As falhas na comunicação durante a transferência da responsabilidade de cuidados são consideradas uma das principais causas de incidentes de segurança e, consequentemente, de eventos adversos na área da saúde. Durante o período perioperatório, caraterizado por múltiplas transferências num curto espaço de tempo, é maior o risco de ocorrência de falhas e omissões na transferência da responsabilidade dos cuidados, o que por sua vez potencia a ocorrência de incidentes de segurança e eventos adversos. Objetivo: Mapear as estratégias facilitadoras da transferência da responsabilidade de cuidados no período perioperatório. Materiais e métodos: Foi realizada uma scoping review de acordo com a metodologia proposta pelo JBI. Foram incluídos apenas estudos originais em língua portuguesa e inglesa, sem restrição temporal, que incluíram como participantes enfermeiros e médicos (População) e abordaram as estratégias facilitadoras da transferência da responsabilidade de cuidados (Conceito), no período perioperatório (Contexto). Resultados: Da análise integral dos 56 artigos que compuseram a amostra total foram identificadas diversas estratégias facilitadoras da transferência da responsabilidade de cuidados no período perioperatório que foram agrupadas em quatro eixos temáticos: padronização da comunicação; tecnologia e ferramentas digitais; formação e treino; liderança e cultura organizacional positiva. Conclusões: Da análise dos estudos conclui-se não existir uma abordagem única para otimizar a transferência da responsabilidade de cuidados, sendo fulcral implementar procedimentos combinados que incluam protocolos estruturados, suporte tecnológico e formação contínua associados a uma cultura organizacional positiva.
La implementación de la Ley Orgánica 3/2021 ha permitido consolidar un derecho fundamental, pero también ha evidenciado desafíos importantes: desigualdades territoriales, lagunas en la recogida de datos, dificultades en la identificación de supuestos clínicos, limitaciones en la inclusión de patologías mentales y tensiones derivadas de la objeción de conciencia y la judicialización. La experiencia acumulada ofrece lecciones valiosas para optimizar la regulación, fortalecer los equipos referentes, homogeneizar los criterios clínicos y éticos, y garantizar que la prestación de ayuda para morir se realice de manera segura, equitativa y respetuosa con la autonomía y dignidad de cada paciente.
El sufrimiento constituye uno de los mayores desafíos para la práctica clínica, especialmente en el ámbito de los cuidados paliativos. Aunque se han perfeccionado los tratamientos para el dolor, muchas personas continúan experimentándolo como una amenaza a su integridade que trasciende lo físico y afecta dimensiones psicológicas, sociales y espirituales. Comprender esta complejidad exige superar una visión meramente biologicista y adoptar un enfoque humanizado que reconozca al paciente en su totalidad. Este artículo aborda el sufrimiento humano entendido como un problema y como un misterio, explora su vínculo con la espiritualidad y analiza modelos relacionales y actitudes profesionales que facilitan un acompañamiento ético y transformador.
Introduction: Serious illness is a condition that carries a high risk of mortality, negatively impacts quality of life and daily function, and/or is burdensome in symptoms, treatments, or caregiver stress. This in turn can bring about multifarious forms of suffering, ranging from difficult physical symptoms and painful treatments to changing social relations and existential/spiritual distress. Medical anthropology offers a diverse array of methodologies to study illness-associated suffering. Objectives: In this article, we explore several contemporary methods in medical anthropology to address and study illness-associated suffering. Our overview covers methods that explore both the embodied first-person perspective of illness-associated suffering and the broader socio-cultural and political forces that influence our conceptions about ourselves, suffering and how illness is treated. Methods: Literature review. Results: This investigation highlights not only the powerful tools available in medical anthropology to examine illness-associated suffering but also the multidimensional nature of illness, personhood and suffering, which calls for an equally multimodal way of studying and addressing suffering. Conclusions: In the concluding chapter, we offer a few suggestions for future medical anthropology research and reflect on how to take into account the wholeness of a person and their relations, when trying to understand the nature of illness-associated suffering.
Introdução: Durante os cuidados ao doente crítico e à sua família, o enfermeiro vivencia inúmeras situações geradoras de stresse, que influenciam o seu conforto e, consequentemente, a qualidade dos cuidados prestados. Para lidar com esta realidade, é essencial que o enfermeiro desenvolva e adote estratégias eficazes de gestão do stresse, que potenciem as suas intervenções e, simultaneamente, promovam o seu próprio conforto. Objetivo: Mapear, na evidência científica, estratégias de gestão do stresse utilizadas pelo enfermeiro no cuidado ao doente crítico e família. Materiais e métodos: Scoping review, segundo a metodologia Joanna Briggs Institute, adotando a estratégia Participantes, Conceito e Contexto (PCC). Recorreu-se às bases de dados CINAHL Complete, MEDLINE Complete, PubMed, Cochrane Library, Scopus e o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP). Incluíram-se estudos publicados entre 2013-2025; em português, inglês e espanhol; que evidenciam estratégias de gestão do stresse utilizadas pelo enfermeiro na prestação de cuidados ao doente crítico com idade superior a 18 anos; disponíveis em texto integral. Resultados: Os 21 artigos analisados destacam que os fatores de stresse resultam de aspetos institucionais e das exigências técnicas, emocionais e relacionais. Foram identificadas diversas estratégias de gestão de stresse, agrupadas em categorias psicossociais, profissionais/organizacionais e de autocuidado, distribuídas pelos momentos pré, durante e pós evento stressante. Entre estas incluem-se o planeamento, a formação, o suporte entre colegas, o debriefing, técnicas de relaxamento, espiritualidade e humor, cuja articulação parece favorecer maior conforto emocional e psicológico dos enfermeiros. Conclusão: A gestão do stresse dos enfermeiros no cuidado ao doente crítico é um processo complexo e dinâmico que resulta de fatores institucionais e das exigências do cuidado, o que afeta o seu conforto. As estratégias identificadas apontam para a necessidade de abordagens integradas de gestão de stresse, articuladas entre o nível individual e organizacional. As lacunas encontradas reforçam a importância de fortalecer condições de apoio e formação, bem como de aprofundar a investigação sobre a aplicação e os efeitos dessas estratégias no conforto dos profissionais.
Introdução: A enfermagem perioperatória é cada vez mais complexa e reconhecida, não só pelas competências que lhe são atribuídas, mas também como uma disciplina reconhecida com um domínio próprio. O doente cirúrgico é um indivíduo, sujeito a uma grande vulnerabilidade e risco, devido ao contexto em que se insere. Pelo que, a maximização da sua segurança é um foco fulcral na qualidade dos cuidados de saúde. Assim, a implementação de estratégias para minimizar ou evitar a ocorrência de situações adversas é uma meta em saúde. A simulação clínica é vista como ferramenta na formação, educação e capacitação dos enfermeiros, surgindo assim, a necessidade de sintetizar a evidência científica sobre este tema. A scoping review foi realizada atendendo as recomendações do Joanna Briggs Institute (JBI). Objetivo: Mapear a evidência científica sobre o uso da simulação clínica na formação em enfermagem perioperatória na maximização da segurança do doente cirúrgico. Materiais e métodos: Optou-se pela metodologia do JBI. Para definir os critérios de inclusão utilizámos a mnemónica “PCC”, de acordo com as recomendações do JBI para as revisões scoping, correspondendo à população, conceito e contexto. A população abrangeu os enfermeiros perioperatórios e enfermeiros em formação na área perioperatória, o conceito incluiu estudos que retrataram a simulação clínica como uma estratégia na formação do enfermeiro perioperatório e o contexto envolveu o ambiente perioperatório que compreendeu todos os estudos em cuidados pré, intra e pós-operatórios. Atendendo aos critérios de inclusão, todos os estudos que não cumpriram os critérios foram excluídos. A pesquisa realizou-se recorrendo às bases de dados: CINAHL Complete (via EBSCO), MEDLINE (via PUBMED), COCHRANE, Scopus e Web of Science; e literatura cinzenta será pesquisada em Opengrey e RCAAP. A pesquisa, a análise da relevância dos estudos e a extração e síntese dos dados, foi realizada por dois revisores independentes. Na pesquisa inicial selecionou-se 79 artigos que após a sua análise, sendo sete incluídos no estudo. Resultados: Este estudo mapeia as evidências sobre a aplicação da simulação clínica na formação de enfermagem perioperatória, visando melhorar a segurança do doente cirúrgico. A simulação clínica contribui para aprimorar competências técnicas e não técnicas, facilita a integração dos profissionais na prática dos cuidados, minimiza erros e fortalece a confiança dos enfermeiros perioperatórios. No entanto, ainda se enfrentam alguns desafios na sua implementação, no que se refere a custos e exigências operacionais. A simulação é amplamente reconhecida como uma ferramenta fundamental para a formação e segurança do doente no contexto perioperatório. Conclusão: Esta revisão permitiu identificar o impacto da simulação clínica na formação e capacitação dos enfermeiros perioperatórios. E que seja, subsequente, a base para a produção de outros estudos neste âmbito, nomeadamente estudos nacionais.
Objective: This review seeks to map, analyse and describe in national and international literature the concept of hope in adults with inflammatory bowel disease to answer the following question: What do we know about hope in adults with inflammatory bowel disease? Introduction: Inflammatory bowel disease (IBD) is a chronic, progressively evolving disease whose prevalence is increasing, which demonstrates the need for more and better interventions to prevent and control these diseases in order to promote a better quality of life and overall well-being for those affected by them. Promoting hope is a spiritual necessity and understanding this need is crucial for improving patient-centred care and for promoting appropriate supportive intervention. Inclusion criteria: The review will include all the evidence identified that describes hope in adults (male and female, aged 18 or over) in outpatient, inpatient, or day hospital settings. Methods: The databases where the search was conducted are Pubmed, CINAHL complete (by EBSCO); JBI Database of Systematic Reviews and Implementation Reports; Cochrane Library, including Cochrane Database of Systematic Reviews (CDSR), Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE); PsycINFO and PROSPERO-International prospective register of systematic reviews, as at November 2024.
In 2024, the Portuguese National Health Service (SNS) underwent a major structural reform. Central to this reform was the expansion of Local Health Units (ULS) and the adoption of a capitation-based funding model, replacing the previous activity-based contracts. This article critically examines the design and early implementation of the new funding model, highlighting its theoretical strengths -particularly in promoting efficiency and care coordination - while identifying practical limitations that may undermine its effectiveness. These include challenges in risk adjustment, outdated costing structures and weak enforcement mechanisms. While the reform is a relevant step to align incentives in the health system, its long-term success will depend on technical refinement and its concrete implementation at a local level.
Introdução: Partilhamos um estudo sobre o cuidado, atravessando diversos contributos, e desembocando na ética de enfermagem. Objetivos: respigar sentidos e aferir entendimentos sobre o cuidado na ética de saúde, em geral, e na ética de enfermagem, em particular. Materiais e métodos: leituras, análises e interpretações sobre o cuidado, escolhendo autores dos territórios da ética, da filosofia moral e da enfermagem. Resultados: organizamos a sequência de perspetivas e argumentos em dez capítulos sucessivos e progressivos, que se configuram como peças de raciocínio em ordem a compor um horizonte integrado. Incluímos teorias, teorização de processos, análises de conceito e selecionamos os elementos mais estruturantes para responder ao objetivo. Conclusões: agregamos os elementos que configuram o cuidado profissional, como resposta, capacitante, competente, incorporando valores, assente na relação e definindo sentido e horizonte que alicerça uma ética de enfermagem.
Introdução: A Perturbação de Luto Prolongado (PGD) é uma perturbação mental caracterizada por saudade persistente e dor emocional intensa após a perda de uma pessoa significativa, conduzindo a sofrimento clínico ou prejuízo funcional. Recentemente reconhecida pela CID-11 e pelo DSM-5-TR, representa um importante problema de saúde pública. A deteção precoce através de instrumentos breves e válidos, como a Escala de Luto Prolongado – Versão Reduzida (PG-4), é essencial para prevenir trajetórias de luto crónico. Objetivos: Validar a versão portuguesa da PG-4 e analisar as suas propriedades psicométricas numa amostra de adultos enlutados portugueses. Materiais e métodos: Foi utilizada uma amostragem não probabilística em bola de neve, envolvendo 175 adultos portugueses que perderam uma pessoa próxima nos seis meses anteriores. Os participantes completaram a PG-4, a Escala de Impacto do Evento-6 (IES-6) e a Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (MSPSS). A estrutura fatorial foi analisada através de AFE e AFC. A fiabilidade foi avaliada com o Ômega de McDonald e a validade por correlações de Pearson. Resultados: A AFE e a AFC confirmaram uma estrutura unidimensional, explicando 60% da variância total (KMO = .82; Bartlett p < .001). A fiabilidade foi muito boa (ω = .86). Verificou-se validade convergente elevada com a IES-6 (r = .78; p < .001) e validade divergente com a MSPSS (correlações não significativas). Conclusões: A versão portuguesa da PG-4 é um instrumento válido e fiável para identificar indivíduos em risco de PGD, adequado para contextos clínicos e de investigação, incluindo cuidados de saúde primários.
Introdução: A gestão eficaz dos sintomas é essencial para melhorar a qualidade de vida da pessoa doente com necessidades paliativas. A via subcutânea é uma opção fundamental para administração de terapêutica e fluidos, quando a via oral deixa de ser possível. Objetivos: Identificar a perceção dos enfermeiros em cuidados hospitalares acompanhados por uma equipa intra-hospitalar de suporte em cuidados paliativos acerca dos desafios e oportunidades da utilização da via subcutânea. Métodos: Paradigma quantitativo, um estudo descritivo transversal, através da aplicação de um questionário com perguntas fechadas a enfermeiros de uma unidade hospitalar acompanhados por uma equipa intra-hospitalar de suporte em cuidados paliativos. Utilizou-se uma análise estatística descritiva através das frequências. Resultados: Participaram 103 enfermeiros (n=103). A maioria, 68,9% (n=71) reconheceu as vantagens da via subcutânea, como segura e cómoda. 47,6% (n=49) adquiriram conhecimentos sobre a técnica através de colegas de trabalho. A técnica da hipodermóclise foi indicada principalmente para substituir a via oral 25,1% (n=59) e para sedação/analgesia 24,3% (n=57). As principais contraindicações mencionadas foram a recusa da pessoa doente 22,0% (n=67) e lesões na pele 21,1% (n=64). Quanto às complicações, edema local 29,20% (n=76) e dor/desconforto 25%(n=65) foram citados. 61,2% (n=63) acreditava que o volume máximo administrado em 24 horas era de 1000-1500ml. A falta de prescrição médica 31,6% (n=78), a falta de conhecimento prático 30,8% (n=76) e a falta de conhecimentos teóricos 26,30% (n=65) foram as principais razões para a subutilização da via subcutânea. Conclusões: A via subcutânea é percebida como benéfica, mas a falta de conhecimento prático e a ausência de prescrição médica são barreiras à sua utilização. Contudo, os enfermeiros dos cuidados hospitalares acompanhados pela equipa intra-hospitalar de suporte em cuidados paliativos, consideram que a utilização da via subcutânea, nomeadamente a técnica de hipodermóclise, se constitui num desafio para os profissionais de saúde e numa oportunidade para proporcionar conforto à pessoa em fim de vida e, consequentemente, dignificar o processo de fim de vida. Mas a formação que possuem é insuficiente. É essencial melhorar a formação e promover a educação contínua sobre a via subcutânea.
Objetivos: Mapear as vivências experienciadas pelos estudantes de enfermagem em contextos de cuidados de saúde infantil e pediátrica. Introdução: O modelo de formação em enfermagem exige a integração de experiências em contexto clínico. A prática em pediatria destaca-se por envolver situações exigentes e emocionalmente desafiantes. Métodos: Realizou-se uma scoping review nas bases de dados CINAHL e PubMed. Critérios de Inclusão: P – estudantes da licenciatura de enfermagem em ensino clínico. C – vivências, experiências e sentimentos e C – contextos clínicos pediátricos. Estudos quantitativos, qualitativos e métodos mistos. Todos os idiomas. Disponibilidade (texto integral), todo o tipo de artigos. Foram consideradas as referências desses artigos. Sem limitação de ano de publicação. Resultados: Foram analisados quatro artigos de metodologia qualitativa. Os resultados foram sintetizados e organizados em dois temas: as vivências do estudante de enfermagem em ensino clínico em contexto de saúde infantil e pediátrico e as vivências destes em oncologia e fim de vida. Conclusões: A enfermagem pediátrica foi considerada como um desafio, mas também geradora de sentimentos positivos. Esta pode trazer benefícios individuais e também mudanças positivas no seu desenvolvimento profissional. Os alunos sentem felicidade no apoio e na ajuda das crianças e da família. Os desafios mais sentidos são a gestão de situações de doença grave, lidar com crianças com dor e que choram, e com os pais preocupados e irritados. A carga emocional relaciona-se com medo, stress e ansiedade (erros de cálculos, preparação/administração de medicação, causar danos). Estes podem ser mais intensos em contextos de cuidados intensivos, oncológicos e/ou fim de vida.
As transformações económicas, sociais e tecnológicas impactam o trabalho, gerando desafios éticos e riscos para a saúde e dignidade dos trabalhadores. No contexto da saúde ocupacional, sublinha-se o papel essencial do enfermeiro do trabalho na promoção de ambientes seguros e saudáveis, atuando com base em princípios éticos, legais e deontológicos. Apresenta-se o enquadramento legal e conceptual da especialidade Enfermagem do Trabalho, as suas competências e modelos de atuação, bem como a identificação de pontos fortes e fragilidades, nomeadamente a necessidade de formação contínua em ética, bioética, comunicação e literacia digital. O Código Internacional de Ética para os profissionais de saúde no trabalho e o Código Deontológico do Enfermeiro português fornecem valores e princípios como igualdade, liberdade responsável, justiça, altruísmo, competência, responsabilidade, respeito e excelência, que devem orientar o enfermeiro do trabalho na sua atuação profissional. A formação ética, a nível académico e profissional, permitirá identificar e resolver questões éticas específicas da área, como conflitos entre sigilo/confidencialidade. e consentimento informado, ou entre interesses do empregador e segurança do trabalhador. Conclui-se ser necessário mais investigação e reforço da formação, de modo a acompanhar as rápidas mudanças tecnocientíficas que afetam a prática da enfermagem do trabalho.
Introdução: Na doença oncológica avançada surgem múltiplos sintomas associados a elevados níveis de incapacidade e sofrimento. Um dos sintomas mais prevalentes é a fadiga. Este estudo, investigou a relevância da intervenção da fisioterapia na redução da fadiga de pacientes com cancro avançado em internamento hospitalar. Materiais e métodos: Estudo quantitativo quasi-experimental e alocação não randomizada. A amostra foi constituída por pacientes com cancro avançado em estadio iv e necessidades paliativas, em internamento hospitalar, que apresentavam um score entre 40% e 50% na escala Palliative Performance Scale (PPS), na sua versão portuguesa. Foram incluídos pacientes com idades compreendidas entre 55 e 79 anos. Foram selecionados 60 pacientes, divididos em dois grupos (n=30): grupo experimental, submetido a intervenção da fisioterapia e grupo de controlo: sem intervenção fisioterapêutica. Para a avaliação da fadiga, foi utilizado o questionário EORTC QLQ-C30 (European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire C-30), especificamente a escala de avaliação do sintoma fadiga. O instrumento foi aplicado em dois momentos distintos, com um intervalo de tempo entre avaliações. Para a caracterização da amostra, foi utilizada estatística descritiva bivariável, enquanto a estatística inferencial foi empregue para analisar as questões de investigação. O nível de significância foi fixado em 5% (p ≤ 0,05) e os intervalos de confiança foram estabelecidos em 95%. As análises estatísticas foram realizadas com recurso ao software SPSS®, versão 29.0. Resultados: O grupo experimental apresentou uma melhoria significativa da fadiga com a média passando de 77,35 (DP = 16,38) no pré-teste para 51,06 (DP = 13,23) no pós-teste. Foi identificado um efeito de interação significativo entre o grupo e o tempo (F = 57,97, p < 0,001, η²p = 0,500), mostrando que a mudança na fadiga ao longo do tempo variou substancialmente entre os grupos. Este efeito de interação destaca que a fisioterapia foi extremamente eficaz em reduzir a fadiga no grupo experimental. Conclusão: Os resultados deste estudo indicam que a fisioterapia representa uma estratégia não farmacológica eficaz na redução da fadiga em pacientes com cancro em estadio iv, contribuindo significativamente para a melhoria do seu bem-estar. Dado que a fadiga é um dos sintomas mais prevalentes e debilitantes nesta população, a inclusão da fisioterapia no plano de cuidados multidisciplinar revela-se essencial. Assim, reforça-se a necessidade da integração de fisioterapeutas nas equipas de cuidados paliativos, de modo a otimizar a qualidade de vida destes pacientes e a promover uma abordagem terapêutica mais abrangente e personalizada.
Introdução: A amamentação é fundamental para a mãe e bebé, promovendo a saúde de ambos. O contacto pele-a-pele imediato após o nascimento facilita a amamentação e traz benefícios significativos para ambos. Objetivo: Mapear os benefícios do contacto pele-a-pele entre mãe e recém-nascido no estabelecimento da amamentação durante o primeiro mês de vida. Materiais e métodos: Foi realizada uma revisão scoping de acordo com os princípios do Joanna Briggs Institute. A pesquisa foi feita em bases de dados da EBSCOhost e limitou-se a estudos publicados entre 2018 e 2023, nos idiomas português, inglês e espanhol, sem limitação no que concerne à metodologia adotada. Resultados: Foram incluídas nesta revisão cinco estudos, após aplicação do processo de seleção definido. Os resultados sugerem que o contacto pele-a-pele beneficia o sucesso da amamentação de forma positiva, no primeiro mês de vida. Infere-se que a amamentação se prolonga mais no tempo, quanto maior for a duração do contacto pele-a-pele. Benefícios socioeconómicos e emocionais, são apontados como uma consequência desta prática. Conclusões: O contacto pele-a-pele revela-se fator determinante da adaptação do RN à vida extra-uterina. É evidente a importância do contacto pele-a-pele entre mãe e RN promovendo uma amamentação bem-sucedida, fortalecendo o vínculo e facilitando o desenvolvimento saudável do bebé.