
O presente artigo discute as relações entre desenvolvimento rural e crise ecológica na Amazônia a partir do estudo comparado de três realidades rurais distintas que marcam os municípios de Paragominas, Cametá e Tomé Açu, no estado do Pará, Amazônia, Brasil. Os dados empíricos resultam da experiência dos autores, produto de inúmeras viagens a campo e diálogo com agricultores, técnicos e pesquisadores nos municípios estudados. A partir dessas realidades, questiona-se a ausência das dimensões histórica, cultural e natural nos debates sobre desenvolvimento da agricultura e se coloca o problema do conflito estrutural entre natureza e economia. Identificam-se três trajetórias distintas: a expansão do modelo agrícola clássico convencional moderno, a intensificação do agroextrativismo e o surgimento de uma forma híbrida, baseada em agroflorestas. O modelo convencional, característica de Paragominas, permite altos rendimentos econômicos, apesar de fortes impactos ambientais negativos. O modelo agroextrativista, presente em Cametá, é ecologicamente equilibrado, entretanto reproduz pobreza no campo. Enquanto o modelo baseado em SAFs, típico de Tomé Açu, permite rendimentos moderados com sustentabilidade ecológica.
A economia japonesa tem sido amplamente debatida por sua singularidade, ao deter o maior nível de dívida pública da atualidade, combinado a uma inflação persistentemente baixa, juros reduzidos e amplo acesso ao capital internacional. Diante das limitações da visão macroeconômica do mainstream em explicar esse fenômeno, a Teoria Monetária Moderna (MMT) surge como uma lente analítica alternativa para analisar esse cenário, oferecendo uma nova perspectiva sobre a função da moeda e dos gastos governamentais. Este artigo tem como objetivo investigar a aplicação dos princípios da MMT no Japão, analisando suas políticas fiscal e monetária para determinar o grau de alinhamento com as diretrizes da teoria. Por meio de um diálogo direto com autores centrais da MMT, como Wray e Mitchell, conclui-se que a despeito do Japão não ser integralmente um caso modelo da aplicabilidade da MMT, sua trajetória de elevados déficits fiscais e baixas taxas de juros evidencia as fragilidades do paradigma econômico dominante.
a concepção de desenvolvimento para a Amazônia sempre foi vinculada ao imaginário que se tem sobre a região e, consequentemente, à lógica dualista desenvolvido/subdesenvolvido, criando uma estrutura centro-periferia. Esse artigo tem, como objetivo, analisar as controvérsias oriundas das políticas desenvolvimentistas implementadas na Amazônia a partir dos Grandes Projetos Econômicos. A metodologia empregada incluiu as pesquisas bibliográfica e documental, por meio do método analítico dialético-histórico. A discussão aponta que as políticas de desenvolvimento implementadas na Amazônia se amparam nas práticas discursivas da modernidade e do progresso, por meio das gerações de emprego e de renda, visando a exploração dos recursos naturais, sem considerar as sociedades amazônicas que dependem do ecossistema para a sua sobrevivência. Nesse sentido, torna-se fundamental reconhecer e valorizar as diversidades que compõem a Amazônia, dando voz e espaço às comunidades locais e as suas formas de organização social e econômica.
O objetivo deste artigo é articular um arcabouço teórico capaz de analisar a economia camponesa como estrutura social enraizada em diversas realidades no agrário mundial, reconhecendo sua resiliência e seu desenvolvimento. Para tanto, adotamos uma metodologia teórico-conceitual que parte do debate clássico marxista, em Vladmir Lênin e Karl Kautsky, sobre a desintegração do campesinato e propõe a convergência entre Alexander Chayanov e Karl Polanyi para fundamentar a economia camponesa como uma substantiva, validada por Jan Douwe van der Ploeg em sua leitura empírica da recampesinização global. A conclusão deste trabalho é que a recampesinização se configura como a expressão concreta da luta contínua dos camponeses contra o desenraizamento capitalista através da coprodução e da gestão familiar. As evidências em diferentes países comprovam que as estruturas camponesas adotam práticas reprodutivas diversificadas (pluriatividade, novos mercados, cooperação local) baseadas no fundamento da unidade familiar, mostrando que elas evoluíram e estão substantivamente relacionadas à dinâmica econômica contemporânea.
Os restaurantes populares constituem uma instituição para se combater a fome e prevenir a insegurança alimentar, oferecendo refeições a baixo custo devido aos subsídios do governo, mas ricos em vitaminas e nutrientes. O presente trabalho teve como objetivo propor uma sugestão de política pública inclusiva no município de Parauapebas, visando indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, tendo os restaurantes populares como eixo central. A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa foi exploratória, documental e analítico-interpretativo, em relação à abordagem do problema a pesquisa é qualitativa, com dados e informações bibliográficos. Nesse contexto, o trabalho apresentou um panorama e, posteriormente, uma sugestão de política pública referente aos restaurantes populares. Além disso, o presente estudo analisou a estrutura dos restaurantes populares no Brasil, sendo oferecido ao final uma sugestão de implementação. Conclui-se que devido as desigualdades sociais no município em questão, a implementação do restaurante popular traria benefícios em cadeia, da agricultura familiar a geração de oportunidades aos indivíduos mais vulneráveis.
Este trabalho tem por objetivo realizar uma análise sobre as dinâmicas inflacionárias que marcaram a economia global no período pós-2020. A pesquisa adota abordagem qualitativa e descritiva, baseada em revisão de literatura econômica e em análise de dados secundários provenientes de organismos internacionais e bases oficiais, como FMI, BIS, Federal Reserve, Eurostat, Banco Central do Brasil e IBGE. A investigação parte do debate sobre as origens da inflação, examinando como as mudanças na composição da demanda, as disrupções nas cadeias de suprimento e os choques geopolíticos — com destaque para a guerra entre Rússia e Ucrânia — se tornaram fatores centrais nas perturbações de preços. Argumenta-se que tais eventos expuseram vulnerabilidades profundas e preexistentes no sistema econômico, e não devem ser interpretados como pressões transitórias. Dessa forma, eles revelaram uma dimensão estrutural que é particularmente crítica para a estabilidade das economias em desenvolvimento.
O texto propõe ao exercício analítico de delinear uma concepção de ética econômica em Marx a partir da perspectiva crítica deste autor à ética smithiana, referencial em sua época. Para alcançar o intento, a teoria dos sentimentos morais é inicialmente sintetizada, enfatizando seus pressupostos, e na sequência é elaborada uma crítica marxiana a essa tese, baseada em sua perspectiva teórico-metodológica materialista dialética. Ao final, chegou-se à conclusão que o exercício proposto permitiu agregar linhas de raciocínio aos trabalhos já publicados sobre ética marxista, que tomavam por base exclusivamente a obra do próprio autor.
o Brasil é o quarto maior produtor mundial de mandioca, com destaque para o Pará, que lidera a produção nacional com cerca de 4,7 milhões de toneladas anuais, sendo 93% oriundos da agricultura familiar. Na região Nordeste paraense, a microrregião Bragantina, composta por municípios como Bragança, Augusto Corrêa, Tracuateua e Viseu, adota predominantemente sistemas de cultivo de subsistência em pequenas propriedades familiares. O artigo tem como objetivo analisar o perfil socioeconômico dos produtores com estabelecimentos certificados e não certificados na Adepará localizados nos municípios de Bragança, Augusto Correa, Tracuateua e Viseu que fazem parte da Indicação Geográfica da farinha de Bragança. Utilizando abordagem mista, foram avaliados 21 produtores entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Os resultados revelaram disparidades significativas: produtores certificados apresentam maior diversificação produtiva, acesso a mercados externos e rendimentos superiores, enquanto os não certificados enfrentam desafios como sazonalidade, menor escala produtiva e dependência de atravessadores. A pluriatividade emerge como estratégia crucial para complementar a renda, destacando a relevância da agricultura familiar e da transmissão de conhecimentos tradicionais. A educação formal e o saber tradicional são pilares essenciais para o fortalecimento da atividade integrando valores culturais e sociais. Conclui-se a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso à certificação, promovam melhorias estruturais nas casas de farinha e fortaleçam a cadeia produtiva. Este estudo reafirma a importância da produção de farinha de mandioca como atividade econômica e cultural essencial, contribuindo para a preservação da identidade local e a sustentabilidade das comunidades rurais.
Este artigo examina as razões históricas que levaram China e Japão a responderem de maneiras profundamente distintas ao desafio imposto pelo avanço ocidental a partir do século XIX. Embora ambos compartilhassem tradições milenares e posições centrais na Ásia Oriental, suas trajetórias frente à pressão militar, tecnológica e institucional das potências ocidentais divergiram significativamente. A China, sustentada por um vasto território, relativa autossuficiência econômica e uma longa história como centro político e cultural da região, subestimou o risco representado pelo Ocidente industrializado. Esse sentimento de superioridade civilizacional contribuiu para respostas ineficazes e tardias, resultando em crescente fragilidade frente às potências estrangeiras. Em contraste, o Japão reagiu de forma rápida e decisiva após a chegada do Comodoro Perry em 1853. Após um período inicial de instabilidade, o país promoveu a Revolução Meiji, substituindo o regime Tokugawa e implementando reformas profundas que modernizaram suas instituições, indústria e forças armadas. Esse processo permitiu ao Japão industrializar-se quase um século antes de seus vizinhos asiáticos, incluindo a China, alterando o equilíbrio regional. O artigo discute, assim, como decisões políticas, percepções culturais e estrutura institucional moldaram trajetórias contrastantes de desenvolvimento.
O fenômeno do desmatamento nas regiões que compõem os biomas Amazônicos é um dos principais assuntos discutidos no meio acadêmico no século XXI. Com o objetivo contribuir para o debate acerca do fenômeno do desmatamento no Brasil frente a expansão da atividade agropecuária (agrícola) com base em revisão bibliográfica e por meio de aplicação de modelagem econométrica em séries temporais – tendência (variação), cointegração de (Engle-Granger) e causalidade de (Granger) para o estado do Pará, a partir de dados a nível estadual da variável dependente: taxa de desmatamento em (hectares), e variáveis independentes: área plantada da soja em (hectares), área plantada do milho em (hectares), Produto Interno Bruto (a preço correntes) para o período de 2004-2019. Os resultados da análise de tendência mostraram que todas as séries apresentaram variação (tendência) crescente, sendo vistas como possíveis ‘drivers/proxies’ explicativas do desmatamento. Os resultados dos modelos de cointegração evidenciam que o milho não acompanha a produção da soja, e as séries soja versus desmatamento e PIB versus desmatamento estão cointegradas, inclusive evidenciando causalidade bidirecional entre as séries Desmatamento e Produto Interno Bruto do estado do Pará a uma ordem de até 6 defasagens, no período analisado, de 2004 a 2019.
The purpose of this paper is to survey the literature that empirically evaluates the distributional impacts of monetary policy concerning gender and race. In the first two sections, we present the empirical strategies and their results. Most of the surveyed papers find asymmetric effects of monetary policy. For racial minorities, we find clear evidence of higher sensitivity to interest rate shocks and changes. Regarding gender, the literature has mixed results for labor market outcomes, but more clear evidence for wealth distribution. We suggest that central bankers and policymakers promote more empirical and theoretical studies on the effects of monetary policy on racial and gender distribution.
ste trabalho se propõe a abordar a questão das instituições e do saneamento básico na Amazônia Legal (AML), analisando a atuação do poder público e dos mercados sob uma perspectiva institucionalista, em especial a Nova Economia Institucional (NEI). Tem-se que a questão central é a importância das instituições na provisão e universalização do saneamento básico, fundamental para o desenvolvimento socioeconômico de qualquer região, em especial a amazônica, que enfrenta desafios estruturais e geográficos. Baseado na NEI e na crítica de Fiani à abordagem dos mercados, analisa-se como a relação entre o público e privado, dada instituições como a ANA e o Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). Para isso, a análise dos dados de saneamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) é fundamental, revelando avanços do saneamento, dando algum destaque à ação privada, mas ainda aquém mesmo das médias nacionais. Sendo assim, considera-se a necessidade de uma atuação híbrida, conciliando o setor público e privado, buscando associar soluções tecnológicas adaptadas à realidade amazônica, principalmente nas pequenas localidades e municípios, visando acelerar a universalização do saneamento básico na AML
O artigo apresenta o panorama dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que condizem com uso e ocupação do solo, relacionando, também, os estados e municípios que mais (menos) contribuem com a redução nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Particularmente, a análise volta-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 13 e 15. Toma-se como o embasamento teórico-conceitual da justiça climática e dados do Sistema Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, e dos Censos Agropecuários do IBGE de 2006 e 2017, para mostrar que existem diferenças entre estados e municípios na divisão das responsabilidades na emissão de gases de efeito estufa derivadas dos processos de uso e ocupação do solo, nos esforços de mitigação climática e participação na Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil (NDC) e na condição de vulnerabilidade dessas unidades territoriais aos potenciais impactos e efeitos das mudanças climáticas dentro da região e que vão de encontro a uma noção de justiça climática na própria região amazônica
O estudo investiga a agricultura familiar e analisa sua relação com a assistência técnica no Brasil, especialmente no estado do Pará. Em seguida, foi conduzida uma análise comparativa dos recursos alocados à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER-PARÁ) entre 2018 e 2023. Por fim, o estudo abordou a racionalidade dos principais agentes envolvidos: o Estado, a EMATER e os agricultores familiares. O objetivo foi destacar a importância do EMATER como a principal forma de assistência técnica na região, revelando que, apesar da boa utilização dos recursos, ainda há uma significativa disparidade no volume per capita em comparação com outras regiões. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, as regiões Norte e Nordeste concentram mais de 50% dos estabelecimentos de agricultura familiar do país, mas também apresentam os maiores percentuais de estabelecimentos sem orientação técnica. O Estado do Pará foi escolhido para a pesquisa devido à sua relevância como principal produtor agropecuário da região Norte. A análise da racionalidade limitada demonstra que as incertezas fazem com que os agentes tomem decisões baseadas nas informações disponíveis, ressaltando a interdependência entre o Estado, a EMATER e os agricultores familiares.
A Economia Política da Urbanização de Paul Singer é uma obra hoje clássica da Economia Política brasileira, lançada em primeira edição em 1973, demonstra como o processo de urbanização está ligado intrinsecamente ao desenvolvimento do capitalismo. O autor se baseia no processo de formação das cidades, buscando integrar um conjunto de vetores como as relações de exploração econômica no meio rural, buscando seus excedentes para alimentar a cidade, as migrações internas e os problemas daí decorrentes
A intensificação das atividades econômicas capitalistas de produção, consumo e circulação e a expansão do espaço territorial urbano das sociedades modificam os atuais níveis médios de temperatura mundial o que caracteriza um desequilíbrio climático em escala global, ademais as mudanças climáticas e a disponibilidade de água estão interrelacionadas. O Brasil possui 18% das reservas de água doce do globo terrestre sendo grande parte destas reservas procedentes da Amazônia, em adição a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) normatiza à governança da água no Brasil e determina que a água é um recurso natural limitado dotado de valor econômico. Destarte, a questão que norteia à discursão nesse artigo é quais desafios estratégicos da PNRH tem interrelação com as mudanças climáticas em Marabá na Amazônia paraense em contraste com o do desenvolvimento sustentável? Nesta intenção utiliza-se uma abordagem relacional-dialética com fundamentos na Teoria Marxista da Dependência- TMD, pois por meio desta compreende-se que os recursos naturais do Brasil contribuem à expansão da taxa de acumulação da economia dos países dominantes que em razão da transferência de valor como intercâmbio desigual obtêm lucros extraordinários e ao mesmo tempo ocorre neste processo um crescente processo de degradação dos rios da Amazônia paraense.
Este artigo tem o objetivo de investigar a dinâmica do capital da Vale S/A concatenado com as transformações do setor mineral mundial. A relevância desse estudo está circunscrita nos debates sobre as crises ambientais presente nas conferências sobre as mudanças climáticas. Nesse sentido, a intensidade do uso de recursos minerais, em nível global, ampliou na oferta de minerais e metais, a fim de, acompanhar o ritmo do crescimento econômico no pós segunda guerra e no aumento do consumo material de bens minerais, isso impulsionou o debate pertinente ao esgotamento dos recursos naturais, desse modo, assinala-se uma crítica sobre a concepção de sustentabilidade defendida pela economia convencional. Ademais, examina-se dois aspectos que contribuíram decisivamente para as transformações do setor mineral global, e, por conseguinte, para atuação da Vale S/A na Amazônia, a saber, a dilatação da oferta de minerais e metais na década de 1990 e o boom dos preços das commodities nos anos 2000. Evidencia-se a presença do capital mineral transnacional na Amazônia e a apropriação de benefícios advindo de políticas públicas. Por fim, demonstra-se o processo de fusão e aquisição de capital da Vale S/A. Portanto, o referencial teórico para esta análise embasou-se nas leis de concentração e centralização de capital, tal como apresentadas por Marx. As ondas de Fusão e aquisição da Vale S/A nos anos 2000 em diante estabelecem elementos de concretude para essa percepção teórica
O presente artigo discute como Belém pode torna-se um modelo de economia verde na Amazônia, ainda mais com a chegada da COP 30. Com objetivo em compreender como a cidade pode se tornar um modelo de desenvolvimento sustentável, equilibrando crescimento econômico e conservação ambiental, no qual enfrenta desafios na sua aplicação. Para isso, a pesquisa se baseia na importância das instituições e políticas públicas voltadas para que a ideia transforme-se em realidade. A partir da análise podemos concluir que Belém ganha notoriedade no debate global, criando oportunidades para melhorar sua infraestrutura e fortalecer práticas sustentáveis. Por fim, conclui-se que o futuro da economia verde na Amazônia depende de engajamento social, boa governança e investimento responsável
Este artigo analisa a reprimarização da economia brasileira, a partir do paradigma da economia ecológica, ramo surgido a partir da década de 1980, de caráter transdisciplinar, que dialoga com a economia do desenvolvimento e com o pensamento pós-keynesiano e que ampliou o objeto da Teoria da Dependência, colocando a natureza no processo das trocas internacionais. Os principais precursores – Georgescu-Roegen (1971) e René Passet (1979) – trouxeram duas balizas determinantes: a tese da finitude dos recursos naturais (irreversibilidade entrópica) e a ideia de que a natureza precede a economia, temas negligenciados pela ortodoxia. O artigo discute o intercâmbio desigual de bens ecológicos, usando como proxy o fluxo material do país (que aponta para a reprimarização), o estado estacionário do ponto de vista ecológico e propõe estudos sobre a política fiscal verde como instrumento institucional para mitigar a degradação provocada pela forma capitalista de produzir.
The advancement of digital technologies has transformed services into strategic inputs for manufacturing, intensifying intersectoral interactions. This shift challenges traditional sector-based approaches, which may yield biased indicators of structural change. This article presents an accessible and replicable methodological guide based on the vertical integration approach, which distinguishes outsourcing from the tertiarization of productive activities, providing more robust indicators of structural transformation. Excel spreadsheets are used to illustrate key concepts and procedures, while R scripts automate the calculations using data from the OECD’s (2023) Inter-Country Input-Output Tables. The aim is to support researchers and policymakers in analyzing the interactions between manufacturing and services in the context of productive offshoring. By integrating up-to-date international databases, a methodology aligned with the contemporary productive structure, and accessible computational tools, this study contributes to advancing the research agenda on structural change.