
Este artigo analisa as percepções de professores, coordenadores e gestores da Rede Municipal de Ensino em Campinas sobre segurança escolar e cultura de paz no Programa Égide (Estratégia Integrada Contra Incidentes em Escolas). A partir das entrevistas do Processo Seletivo com a seleção de profissionais das cinco regiões da cidade, identifica desafios, expectativas e contribuições na prevenção da violência escolar. Desenvolvido pela PUC-Campinas, em parceria com as Secretarias de Segurança Pública e Educação, o projeto propõe estratégias intersetoriais. O estudo destaca a importância da escuta dos educadores e do fortalecimento das relações entre escola, família e comunidade para garantir um ambiente escolar seguro e democrático.
Este artigo enquadra-se no domínio mais amplo do Projeto “Mediação de Conflitos: para uma Convivência Cidadã”, que decorreu entre 2019 e 2023 em quatro Agrupamentos de Escolas do Distrito do Porto. O artigo apresenta os principais resultados da análise SWOT efetuada pelas mediadoras que realizaram as atividades do projeto. Este método permite obter uma avaliação estruturada, que se materializa na identificação e análise crítica de fatores internos e externos que influenciam a eficácia e a sustentabilidade das iniciativas de intervenção. Concluímos que a avaliação com recurso ao método SWOT revelou-se essencial para a melhoria das várias áreas da intervenção em questão e para a consolidação da mediação no contexto escolar.
A educação inclusiva (EI) pressupõe um ensino de qualidade que promova a equidade e o desenvolvimento integral de todos os estudantes. Este artigo analisa criticamente políticas e práticas educativas adotadas por países signatários da Declaração de Salamanca, à luz do conceito de inclusão, com o propósito de compreender a evolução das dinâmicas que caracterizam a efetivação global da EI. Embora os movimentos internacionais tenham promovido avanços nas políticas educativas, persistem práticas que contrariam os princípios da EI. A efetivação da EI exige capacitação docente em pedagogia inclusiva(PI) e mudança paradigmática na mentalidade dos profissionais de educação.
Neste estudo propusemos analisar a massa crítica das mulheres e dos homens na Câmara Municipal de Gaia (CMG), ao longo dos anos, na medida em que existe uma carência ao nível da exploração da informação desagregada por género. Assim, através dos Balanços Sociais, foram realizadas análises exploratórias, representações gráficas e testes de hipóteses. A análise estatística mostrou que as tendências de sub-representação reportadas na literatura são contrariadas no caso do número de efetivos mulheres na Administração Pública em Portugal, entre 2011 e 2022, e na CMG, a partir de 2017. Adicionalmente, a CMG albergou diferenças significativas entre géneros, ao nível das carreiras e modalidades de vinculação.
As práticas restaurativas e a justiça restaurativa têm se destacado como ferramentas eficazes na promoção da convivência pacífica e na gestão de conflitos em contextos educativos. Este artigo examina o seu impacto em escolas e universidades, evidenciando o fortalecimento das relações interpessoais, a redução de incidentes disciplinares e a promoção da inclusão. A pesquisa, de abordagem qualitativa e baseada na revisão de literatura, destaca benefícios como maior empatia e envolvimento comunitário, além de desafios, como resistência inicial e recursos limitados. Conclui-se que a adoção sistemática dessas práticas pode transformar a cultura institucional, criando ambientes educativos mais saudáveis e cooperativos.
Este artigo apresenta a experiência de implementação do projeto europeu SOS Centers, com enfoque na realidade portuguesa. Através de uma abordagem qualitativa e participativa, recorreu-se a técnicas como questionários, observação e análise documental. O estudo descreve o envolvimento de jovens na criação e dinamização de Centros SOS em contexto escolar, enquanto estratégia de prevenção da violência contra crianças e jovens. A intervenção incidiu em duas escolas públicas, com participação ativa de alunos e profissionais. Os resultados apontam para a valorização da intervenção entre pares, o reforço da sensibilização comunitária e a consolidação de práticas colaborativas no ambiente escolar.
Neste trabalho, objetivamos desenvolver uma abordagem sobre mediação social incidindo, empiricamente, no contexto brasileiro, tendo em conta o que se convencionou chamar, em sociologia da educação, de “era dos incidentes escolares”, cuja marca distintiva é a violência nas instituições educativas. Partimos do seguinte problema de investigação: como tem sido desenvolvida a mediação social no Brasil em face da violência escolar? A nossa hipótese é que as ações de mediação social no Brasil são fragmentadas e limitadas pontualmente a alguns contextos. Conclusivamente, assinalamos que a era dos incidentes escolares resulta de um conjunto de factores associados, como problemas estruturais da sociedade e de gestão dos sistemas de ensino.
A teoria construcionista crítica emprega três dimensões interligadas (real, simbólico e imaginário) para esclarecer a emergência das construções sociais. O uso de robôs humanoides em experimentos científicos é influenciado por essas dimensões. Ao considerar esta perspectiva, exploramos os argumentos de Turing, Searle e Mori para desenvolver um novo experimento mental. O robô humanoide atua assim como uma plataforma para a interação do imaginário, do simbólico e do real. O funcionamento do contexto tecnológico entrelaça-se fortemente com o seu “interior” e “exterior”. Consequentemente, não é cientificamente válido rotular tecnologias específicas (sem contexto) como superiores ou inferiores.
Este estudo analisa as perceções de 770 estudantes do Ensino Superior (ES) português sobre conflitos interpessoais. Os dados, resultantes da aplicação de um inquérito por questionário, mostram que os estudantes têm uma perceção negativa relativamente ao conflito, consideram ser comum a ocorrência de conflitos no ES, mencionam as “diferenças de opinião” como a principal razão para a ocorrência de conflitos interpessoais e reconhecem a relação estudante-estudante como a mais geradora de conflitos. Conscientes da realidade conflitual vivida pelos estudantes no ES é essencial integrar nestes contextos estratégias de gestão construtiva de conflitos, como a mediação, para promover o bem-estar individual e coletivo dos estudantes e das instituições.
Este artigo analisa o processo de revelação da vitimização sexual por homens durante a infância e/ou adolescência. Foram entrevistados treze homens, residentes em Portugal, com idades entre 25 e 63 anos, e os dados foram analisados por meio de uma análise de conteúdo temática. Os resultados mostram que o compartilhamento dessa experiência é frequentemente adiado por anos devido a fatores como autoculpabilização e medo de revitimização e descredibilização. Em contrapartida, a maturidade, o apoio emocional e a intimidade nas relações interpessoais facilitam a revelação. O desalinhamento com a masculinidade normativa emerge como um fator central nesse processo, reforçando as barreiras socioculturais à comunicação da vitimização.
O enfoque no urbanismo ecológico desafia as conceções existentes de planeamento urbano. Neste artigo, defendemos que um quadro articulado entre a ecologia política de Bruno Latour e o conceito de transação social de Jean Rémy pode ajudar a conceber um planeamento mais participativo. Sugere-se que as duas abordagens teórico-analíticas, quando combinadas, permitem considerar que a sociedade é composta por redes de associações que são alimentadas e transformadas por transações sociais, fornecendo um ponto de entrada analítico para a compreensão do papel que as cidades ocupam na crise ecológica e climática.
A criminalização da violência obstétrica é uma das reivindicações dos movimentos sociais pela humanização do parto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a existência de maus-tratos nos cuidados de saúde sexual e reprodutiva, considerando-os um fenómeno global. Em Portugal, houve uma tentativa de avançar com a criminalização da violência obstétrica, algo que foi contestado pela Ordem dos Médicos (OM) e, nessa sequência, levou à criação de um movimento social pelo reconhecimento deste problema. Este artigo pretende analisar a resposta da OM à luz da literatura existente e relata a criação do movimento #EuVivo, como forma de valorização dos movimentos sociais contra a violência obstétrica.
Acknowledging the harmful impact gender stereotypes have on children’s social and emotional development and education (Fawcett Society, 2020; King et al., 2021) is essential to fostering a positive developmental process. Utilising a gender and emotion socialisation lens, this preliminary study investigates the expression of gender stereotypes and feeling rules in school interactions. Building from Judith Butler’s (2006) theory of gender performativity and Arlie Hochschild’s (1979, 2012) concepts of feeling rules and emotion work, an ethnographic study was conducted at a Portuguese primary school in the spring of 2023. The preliminary data observed feeling rules and gender stereotypes in classroom discourse, learning material, and student acts.
O artigo propõe-se verificar empiricamente as repercussões do conceito de luto saudável, identificando os efeitos da medicalização do luto para a experiência de pais e mães que perderam os seus filhos. Para tanto, utiliza uma abordagem qualitativa e microssocial, com dados coletados por meio de 33 entrevistas semiestruturadas. Os dados foram analisados através de técnicas de análise de conteúdo e revelaram que a lógica médica de apreensão do luto não se impõe de modo homogêneo, havendo resistência por parte dos enlutados em conceber seu sofrimento exclusivamente por este viés.