
O trabalho analisa, com base em documentação primária diversa, as finanças públicas da província de Goiás entre c.1870 e 1890, com foco na arrecadação, nos limites fiscais, nas formas de financiamento e na dinâmica da dívida pública. A base arrecadatória era estreita e fortemente dependente da atividade pecuária, especialmente da exportação de gado, tornando a receita vulnerável a flutuações de mercado e contribuindo para a instabilidade orçamentária. A divisão de competências tributárias no Império dificultava a ampliação das receitas locais, resultando em déficits recorrentes e no não cumprimento das metas de arrecadação. Para lidar com os desequilíbrios fiscais, tornaram-se frequentes ajustes ao longo do exercício, por meio de operações de crédito, repasses pontuais do governo central e tentativas frustradas de contenção de despesas. A partir do final da década de 1870, intensificou-se o uso de apólices da dívida provincial, ampliando o endividamento. Nos anos finais do período, a dívida permanecia elevada em relação à arrecadação, evidenciando seu caráter estrutural.
Resenha do livro ODISIO, Juan, ROMERO SOTELO, María Eugenia y UGARTECHE, Oscar (coordinadores). Las raíces del neoliberalismo en América. Iliberalismo político y liberalismo económico, 1930-1990. México: Fondo de Cultura Económica e UNAM, 2026
Este artigo investiga a trajetória da indústria têxtil no Maranhão entre 1880 e 1940, explorando suas fases de implementação, expansão e declínio. Fundamentado nas teorias de estruturas de mercado de Paolo Sylos Labini e Joan Robinson, o estudo analisa como a concentração oligopolista, a gestão familiar e a defasagem tecnológica influenciaram a competitividade regional. A abordagem metodológica integra análise histórica e microeconômica, utilizando dados sobre investimentos, produção e dinâmicas de mercado. Inicialmente, o setor beneficiou-se de contextos externos favoráveis, como a demanda por algodão local e políticas pós-abolição que ampliaram a disponibilidade de mão de obra. Contudo, a partir de determinado período, enfrentou desafios crescentes devido à concorrência de regiões mais industrializadas, que adotaram economias de escala e modernização acelerada. A gestão familiar, embora garantisse continuidade, limitou a inovação e a adaptação às mudanças do mercado. A estrutura oligopolista, marcada por poucas empresas dominantes, reduziu a competitividade e inibiu a entrada de novos agentes, conforme indicado por indicadores de concentração. A pesquisa revela que a baixa eficiência operacional, aliada à dificuldade de ampliar a capacidade produtiva, tornou o setor vulnerável a crises. Conclui-se que políticas industriais devem priorizar especificidades locais, incentivar a modernização e fortalecer redes produtivas, evitando ciclos de estagnação. A experiência maranhense destaca a necessidade de equilibrar concentração de mercado com dinamismo econômico para promover desenvolvimento sustentável em regiões periféricas.
Este artigo tem o objetivo de descrever a ocupação do território da Palestina durante o mandato britânico (1922-1947) a partir de uma atualização do conceito de colonização de povoamento. Para tanto, revisamos as modalidades de colonização apresentadas por Leroy-Beaulieu a partir dos critérios de tipo de produção, regime de trabalho e regime de propriedade da terra. Notamos que a aquisição de terras pelos judeus sionistas cumpre a função de criar uma força de trabalho assalariada rural entre árabes-palestinos que deve ser excluída do mercado de trabalho nascente. A hipótese original de Ghassan Kanafani é que a convergência de interesses de ingleses e judeus sionistas permitiu que transição da produção agrícola pré-capitalista de árabes-palestinos para uma produção industrial fosse conduzida pelo capital judeu durante as décadas de 1930 e 1940.
Resenha do livro Novo Mundo: metamorfoses da colonização, escrito por João Quartim de Moraes e Ligia Osorio Silva.