
A intolerância religiosa, apesar das garantias constitucionais de liberdade de culto, permanececomo prática recorrente nos centros urbanos brasileiros, especialmente contra grupos historicamentemarginalizados, como as religiões de matriz africana. Este artigo analisa como tais manifestações dediscriminação se articulam com a organização socioespacial das cidades, afetando diretamente oexercício do direito à cidade, entendido como o direito à participação, à permanência e à apropriação doespaço urbano. A partir de uma perspectiva interdisciplinar que articula estudos urbanos, direitoshumanos, sociologia e antropologia da religião, discute-se como conflitos simbólicos e materiais setraduzem em práticas de exclusão territorial, violência e apagamento cultural. Conclui-se que oenfrentamento à intolerância religiosa demanda políticas públicas integradas, programas educativos ereconhecimento efetivo da diversidade religiosa como elemento constitutivo de cidades democráticas eplurais.
O cuidado pré-concepcional constitui uma estratégia relevante para a promoção da saúde reprodutiva e para a prevenção de desfechos adversos maternos e perinatais. Apesar de sua importância, sua oferta ainda é limitada nos serviços de Atenção Primária à Saúde. Objetivou-se descrever o conhecimento, as percepções e as práticas relacionadas à oferta do cuidado pré-concepcional por trabalhadores de saúde na Atenção Básica. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, realizado no ano de 2020 em oito Unidades Básicas de Saúde da zona leste do município de São Paulo. Participaram 83 profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros, que responderam a um instrumento estruturado, autoaplicável, composto por seções sobre características profissionais, conhecimento, atitudes e realização de ações de cuidado pré-concepcional. O conhecimento foi mensurado por meio de escore (0–13), e as demais variáveis foram analisadas por frequências absolutas e relativas. Os trabalhadores apresentaram nível considerável de conhecimento e percepções amplamente favoráveis quanto à relevância e base científica do cuidado pré-concepcional. A maioria relatou ofertar ações como avaliação da intenção reprodutiva, divulgação do cuidado e aconselhamento após teste rápido de gravidez. Entretanto, a prescrição de ácido fólico no período pré-concepcional foi a ação menos referida, associada a barreiras normativas e organizacionais. Embora haja conhecimento e atitudes positivas entre os trabalhadores de saúde, persistem lacunas na implementação efetiva do cuidado pré-concepcional. O fortalecimento da formação profissional, a padronização de protocolos e a reorganização dos processos de trabalho são essenciais para ampliar e qualificar a oferta desse cuidado na Atenção Básica.
O presente estudo tem como objetivo analisar a relação entre o direito à moradia e asdesigualdades territoriais, discutindo o processo de favelização em conjuntos habitacionais no Estado doRio de Janeiro. A pesquisa busca compreender como políticas públicas de habitação social, voltadas àredução do déficit habitacional, acabam por reproduzir padrões históricos de segregação urbana. Ametodologia adotada baseia-se em revisão bibliográfica, análise documental de programas habitacionaise observação de casos empíricos em diferentes regiões do estado. Foram examinados aspectos comolocalização dos empreendimentos, infraestrutura urbana, acesso a serviços públicos e dinâmica socialdas comunidades instaladas. Os resultados apontam que muitos conjuntos habitacionais, implantados emáreas periféricas e desprovidas de equipamentos urbanos, enfrentam rápida deterioração e processos deautoconstrução semelhantes aos das favelas. Conclui-se que, sem políticas integradas de urbanização einclusão social, o direito à moradia não se concretiza plenamente, perpetuando desigualdades territoriais.Assim, é imprescindível repensar o modelo de produção habitacional para que ele promova o acesso àcidade e à dignidade humana de forma sustentável.
O atual artigo estuda o Termo Territorial Coletivo como proposta de inclusão social sustentávele preocupação ambiental na sociedade contemporânea, através de possibilidades de inclusão dos gruposmenos favorecidos. Visa estudar a questão fundiária brasileira, especificamente da cidade do Rio deJaneiro que participou de inúmeras intervenções estatais e processos de gentrificação. Como objetivostemos: análise dos processos de gentrificação, a necessidade de um meio ambiente inclusivo, o TTCcomo constituição do comum e o estudo de caso da comunidade de Trapicheiros. No artigo será usada ametodologia descritiva, através de pesquisas bibliográficas e trabalho de campo, para melhorentendimento.
O presente estudo teve como objetivo avaliar o estilo de vida e a qualidade de vida de líderes comunitários voluntários da Igreja Adventista do Sétimo Dia no estado de São Paulo, bem como analisar a associação entre essas variáveis, considerando o ajuste por fatores sociodemográficos. Trata-se de um estudo transversal, com amostra composta por 159 participantes, que responderam a um questionário online contendo informações sociodemográficas, o instrumento Q8RN para avaliação do estilo de vida e o SF-36 para mensuração da qualidade de vida. As análises incluíram estatística descritiva, análise de variância (ANOVA) e regressão linear múltipla. Os resultados evidenciaram predominância de estilo de vida classificado como “bom” (59,2%) e “muito bom” (27,0%). Observou-se associação estatisticamente significativa entre melhor estilo de vida e maiores escores em todos os domínios da qualidade de vida, com padrão progressivo entre as categorias. Na análise ajustada, participantes com estilo de vida “regular” apresentaram reduções significativas em diversos domínios, incluindo vitalidade, saúde mental e aspectos sociais. Entre as variáveis sociodemográficas, o sexo feminino associou-se a piores escores em vitalidade e saúde mental, enquanto o nível socioeconômico mostrou associação com o estado geral de saúde. Conclui-se que padrões mais saudáveis de estilo de vida estão associados a melhores níveis de qualidade de vida, reforçando a importância da promoção de hábitos saudáveis entre líderes comunitários, considerando seu papel estratégico na disseminação de práticas de saúde e no fortalecimento do bem-estar coletivo.
Este artigo revisa a menção à alimentação e à atividade física nas políticas públicas federais de educação e meio ambiente, considerando o princípio da intersetorialidade. A revisão sistemática de escopo baseou-se em leis, decretos, portarias e resoluções vigentes. Foram analisados documentos oficiais disponíveis nos sites dos Ministérios da Educação e Meio Ambiente e Mudança do Clima. Após identificar os documentos, realizou-se busca por termos relacionados à alimentação e atividade física. Na pasta da Educação, a busca resultou em 48 documentos oficiais; 31,25% mencionaram os temas de interesse, sendo 18,75% referentes à alimentação, 8,33% à atividade física e 4,17% a ambos de forma intersetorial. Conclui-se que persistem desafios na articulação entre setores para a formulação de políticas públicas federais.
Nos últimos anos, os debates acerca da ocupação do solo urbano e dos conflitos decorrentesdas dinâmicas de urbanização no Brasil têm se intensificado. Busca-se, com esta pesquisa, compreendercomo a cidade e seus conflitos são pensados desde a origem das formas de ocupação, especialmente asirregulares, bem como os instrumentos de controle social empregados por grupos historicamentemarginalizados pelo poder público. Tais mecanismos, em muitos casos, têm inviabilizado a efetivaçãoda regularização fundiária enquanto política pública. O objetivo geral desta pesquisa consiste empromover uma reflexão crítica entre o discurso teórico e a prática da política pública de garantia dodireito à moradia, especialmente no que se refere à execução da Lei nº 13.465/2017, que instituimecanismos de regularização fundiária urbana. Embora a legislação preveja um processo integrado queenvolva dimensões jurídicas, urbanísticas, ambientais e sociais, observa-se que, na prática, sua aplicaçãopode ocultar a incorporação de assentamentos irregulares fora do contexto legal das cidades, resultandoem violações aos princípios fundamentais em razão de persistentes os conflitos urbanos. Comometodologia, a pesquisa adota o levantamento bibliográfico, com a identificação e análise de publicaçõese fontes diversas sobre o tema, de modo a possibilitar a verificação das hipóteses inicialmente propostas.
O presente trabalho discute a tensão existente entre a utopia de uma cidade justa e a normatividade que rege a produção do espaço urbano no Rio de Janeiro. Partindo do conceito de direito à cidade, formulado por Lefebvre, analisa-se como políticas urbanas, megaeventos, pressões imobiliárias e desigualdades estruturais configuram um cenário em que a legislação e os instrumentos de planejamento se mostram insuficientes para garantir inclusão, participação e equidade territorial. O objetivo geral é compreender de que modo as contradições entre ideal normativo e prática urbana contribuem para a reprodução de injustiças socioespaciais na cidade do Rio de Janeiro. A metodologia adotada combina revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos (Lefebvre, Harvey, Maricato, Caldeira), análise documental de políticas urbanas e estudos críticos sobre megaeventos, bem como leitura de relatórios e pesquisas empíricas produzidas por instituições como o IPP, IBGE e Observatório de Metrópoles. Os resultados evidenciam que a cidade permanece como campo de disputas simbólicas, políticas e econômicas, no qual determinados grupos detêm maior poder de influenciar o território. Conclui-se que superar a distância entre utopia e norma exige repensar os mecanismos de produção do espaço urbano, fortalecer a participação social e reconhecer que a efetivação do direito à cidade é um desafio central para aprofundar a democracia e reduzir desigualdades históricas no Rio de Janeiro.
A saúde ocupacional de profissionais de emergência é um fator crítico para os sistemas de saúde, dada a exposição contínua a estressores físicos e psicossociais. Este estudo observacional transversal investigou o perfil de saúde, o estilo e a qualidade de vida de 71 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da região metropolitana de Campinas, São Paulo. A coleta de dados incluiu variáveis sociodemográficas e de saúde, de qualidade de vida (WHOQOL-Bref), e de estilo de vida (Questionário dos 8 Remédios Naturais - Q8RN) e a composição corporal por bioimpedância elétrica. Os resultados revelaram uma elevada prevalência de sobrepeso (45,7%) e obesidade grau I (28,6%), com 72,3% da amostra apresentando percentual de gordura corporal inadequado. Entre os domínios da qualidade de vida, o "meio ambiente" obteve os menores escores (58,2 ± 11,8), sendo significativamente inferior aos demais (p < 0,0001). A análise de regressão logística demonstrou associação significativa entre idade, índice de massa corporal e a presença de doenças metabólicas e cardiovasculares. Conclui-se que os profissionais do SAMU apresentam expressiva prevalência de excesso de peso e qualidade de vida moderada, reforçando a necessidade urgente de estratégias institucionais de promoção da saúde ocupacional voltadas a essa população.
A promoção da saúde mental é componente essencial das políticas públicas de saúde. Nesse contexto, serviços vinculados à universidades, como policlínicas universitárias, integram assistência, formação profissional e produção de conhecimento, favorecendo práticas de cuidado. Este estudo analisou a percepção de profissionais de uma policlínica universitária sobre desafios e potencialidades da promoção da saúde mental e sua contribuição para o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Trata-se de estudo exploratório e descritivo, de abordagem mista, com participação de 36 profissionais de diferentes categorias da saúde. A coleta de dados ocorreu por questionários e grupos focais. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por análise de conteúdo. Os resultados indicaram predominância de profissionais jovens, majoritariamente mulheres, com elevada escolaridade. Observou-se compreensão ampliada, porém difusa, sobre saúde mental, com tendência à medicalização e encaminhamento para psicologia e psiquiatria. Muitos relataram insegurança no manejo de casos e ausência de capacitação. As principais barreiras foram: falta de treinamento e recursos institucionais, enquanto potencialidades o trabalho multiprofissional e a inserção territorial. Conclui-se que a policlínica universitária pode fortalecer a promoção da saúde mental e a articulação com a RAPS, mediante formação permanente e maior integração com a rede SUS.
The aim of this study was to assess the nutritional status (NS) and anthropometric assessment data of children and adolescents aged 4 to 17 years, enrolled in Adventist schools located in the southern region of the city of São Paulo, Brazil. This exploratory, descriptive, cross-sectional, population-based study evaluated body mass index (BMI), waist circumference (WC), waist-to-height ratio (WtHR), and triceps skinfold thickness (TSF) in 9,649 schoolchildren, of whom 52% were female. Agreement among the different diagnostic methods ranged from 72% to 89%, and Kappa indices (κ) varied from moderate (κ = 0.45) to substantial (κ = 0.75). The prevalence of overweight (OVW) and obesity (OBE) assessed by BMI was 11% and 25%, respectively, while excessive adiposity (EA) and obesity assessed by TSF were 20% and 17%. The prevalence of abdominal obesity measured by WC was 31%, and the prevalence of cardiovascular risk related to abdominal obesity assessed by WtHR was 24%. Obesity prevalence was significantly higher among boys (p < 0.05), and prevalences did not differ significantly between Adventist and non-Adventist students, except at ages 5, 6, and 7 years according to BMI, at 10 years according to TSF, and at 6 years according to WtHR. These findings are comparable to those observed in the Brazilian pediatric population and reinforce that overweight, obesity, and central adiposity remain a major public health concern, demanding urgent administrative, educational, and preventive strategies aimed at promoting healthy lifestyles from childhood and adolescence
O presente trabalho analisa os processos de gentrificação no estado do Rio de Janeiro e suasrepercussões sobre o direito à cidade, discutindo como intervenções urbanísticas, políticas dereestruturação territorial e dinâmicas de mercado imobiliário têm produzido deslocamentoscompulsórios, exclusões socioespaciais e redefinições identitárias em áreas populares. A partir de casosemblemáticos como Porto Maravilha, Vidigal, Santa Teresa, Praça Mauá e regiões do Grande Méierexamina-se como a valorização urbana, aliada a interesses privados e ações estatais, intensificadesigualdades e reconfigura a paisagem social. O objetivo geral consiste em compreender de quemaneira os processos de gentrificação violam ou tensionam o direito à cidade, entendido, segundoLefebvre (2001), como o direito à apropriação, participação e permanência nos espaços urbanos. Ametodologia articula pesquisa bibliográfica, análise documental (leis, relatórios técnicos, editais e planosurbanísticos), levantamento de dados empíricos (preços de aluguel, remoções, investimentos públicos) eestudos de caso, permitindo correlacionar empiricamente os impactos territoriais e sociais dagentrificação. Os resultados demonstram que, embora apresentadas como políticas de revitalização, asintervenções analisadas atuam como mecanismos de expulsão indireta, fragilizando comunidadestradicionais e aprofundando desigualdades socioespaciais. Conclui-se que a efetivação do direito àcidade no Rio de Janeiro exige instrumentos jurídicos e urbanísticos que assegurem permanência,participação democrática e proteção contra remoções, garantindo que transformações urbanas não seconvertam em agentes de exclusão.
Este estudo teve como objetivo investigar a relação entre o estilo de vida e a saúde mental de jovens adultos, com idades entre 20 e 29 anos, participantes de uma Feira de Saúde Virtual. O desenho do estudo foi transversal, tendo a amostragem por conveniência, através do método “Snowball”, para recrutar dos participantes. A coleta de dados foi realizada por meio do site www.q8rn.com, que agregou informações sociodemográficas e de saúde, além de aplicar o Questionário Oito Remédios Naturais (Q8RN) e o questionário de Transtornos Mentais Leves (SRQ-20). As análises descritivas foram conduzidas, e a relação entre as variáveis foi examinada por meio do teste de correlação de Pearson. Entre os 273 participantes, a maioria era do sexo feminino (69,9%), de cor branca (45,8%), solteira (82,8%), com ensino superior (60,8%) e pertencente à religião Adventista (64,8%). Os resultados do Q8RN indicaram que as dimensões “nutrição” e “descanso” apresentaram pontuações abaixo da média, enquanto as mulheres obtiveram escores significativamente mais baixos na dimensão “exercício” (p=0,001). Conclui-se que a adesão à prática de atividades físicas apresentou disparidades entre os gêneros, e demonstra-se também necessário que os jovens se atentem mais aos cuidados com a alimentação e o descanso. Além disso, práticas como a adoção de uma dieta balanceada, a realização regular de exercícios físicos e a promoção de um sono reparador são fatores essenciais para a manutenção da saúde integral e devem ser incentivadas.
O presente trabalho visa avaliar as relações entre a qualidade de vida geral, a qualidade de vida no trabalho (QVT), o estilo de vida e os níveis de estresse de gestores escolares de uma rede privada de escolas confessionais na região Sul do Brasil. Trata-se de um estudo transversal e observacional. A amostra por conveniência foi composta por 34 gestores escolares de ensino médio. A coleta de dados ocorreu on-line, utilizando questionários validados: SF-36 (qualidade de vida geral), QWLQ-bref (QVT), Estilo de Vida Fantástico e a Escala de Percepção de Estresse (EPS-10). Os dados foram submetidos à análise descritiva e à correlação de Pearson. A amostra foi predominantemente masculina, com idade média de 47,9 anos e Índice de Massa Corporal (IMC) médio de 29,3 kg/m², indicativo de sobrepeso. A QVT apresentou correlação significativa e positiva com o estilo de vida e com a qualidade de vida global, impulsionando os domínios de vitalidade e saúde mental. Observou-se também uma relação forte e inversa entre o estilo de vida saudável e a percepção de estresse. O estilo de vida e a QVT atuam como determinantes cruciais na modulação da tensão ocupacional. A promoção de hábitos adequados e a otimização das condições laborais formam um pilar indissociável para a mitigação do esgotamento e proteção da saúde do gestor educacional.
A educação sexual configura-se como uma importante estratégia de promoção da saúde, podendo ser desenvolvida no contexto familiar como forma de favorecer o desenvolvimento, a autonomia e o autocuidado de adolescentes. Este trabalho tem como objetivo compreender as percepções e os desafios no contexto familiar relacionados à educação sexual de adolescentes.O estudo teve como método uma revisão sistemática da literatura, realizada no primeiro semestre de 2026. A busca dos estudos foi conduzida nas bases de dados LILACS, SciELO, MEDLINE, ERIC e Biblioteca Virtual em Saúde, com recorte temporal dos últimos cinco anos. Foram identificadas quatro categorias principais: fragilidade e ausência de diálogo entre pais e adolescentes; despreparo parental para abordar a sexualidade; influência de tabus, cultura e religião; e as consequências do distanciamento familiar, com destaque para a vulnerabilidade dos adolescentes. Conclui-se que as barreiras no contexto familiar comprometem a efetividade da educação sexual, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias que promovam o diálogo, o apoio e a orientação às famílias, a fim de contribuir para a promoção da saúde e a adoção de comportamentos seguros entre adolescentes.
O presente trabalho, intitulado Segurança Pública e Espaço Urbano: A “Pseudo” LetalidadePolicial nas Favelas do Rio de Janeiro e os Limites do Estado de Direito, tem como objetivo geralanalisar criticamente a atuação policial nas favelas do Rio de Janeiro, considerando os impactos doparadigma da guerra urbana, a influência de determinações jurídicas, como a ADPF nº 635, e os desafiospara a implementação de uma segurança pública cidadã.A metodologia adotada é de caráter qualitativo,com abordagem interdisciplinar, combinando análise documental de legislações, decisões judiciais erelatórios oficiais, revisão bibliográfica de autores especializados em segurança urbana e direito, além deestudo de casos e dados estatísticos sobre operações policiais e letalidade nas favelas. Essa abordagempermite compreender de forma integrada os aspectos jurídicos, sociais e territoriais que moldam aintervenção estatal em comunidades periféricas.Os resultados indicam que a percepção de letalidadecrescente frequentemente ignora fatores estruturais, como desigualdade social, precariedade urbana epresença de grupos criminosos, que influenciam a dinâmica da violência e das operações policiais.Conclui-se que a construção de uma segurança pública efetivamente cidadã exige a articulação depolíticas jurídicas, urbanísticas e sociais, valorizando a participação comunitária e reconhecendo assingularidades territoriais das favelas. O estudo evidencia que a superação do modelo repressivo emilitarizado é essencial para garantir o direito à cidade, a função social da propriedade e a cidadaniaplena, transformando o direito à vida e à segurança em uma realidade concreta para todos os moradores.
A infraestrutura portuária tem sido historicamente um indicador de desenvolvimento econômico, conectando regiões ao comércio global. No Rio de Janeiro, o projeto Porto Maravilha representa uma das maiores intervenções urbanas da cidade, promovido sob a justificativa de revitalização sustentável e inovação urbana. Entretanto, sua implementação tem sido marcada pela financeirização do território, gentrificação e deslocamento de populações vulneráveis, levantando questionamentos sobre a efetividade de suas diretrizes urbanísticas e ambientais. Este artigo tem como objetivo analisar criticamente o Porto Maravilha a partir de três eixos principais. O primeiro investiga o urbanismo de exceção e a captura do planejamento urbano pelo mercado, evidenciando como a flexibilização de normas e a predominância das Parcerias Público-Privadas (PPPs) favoreceram grandes investidores imobiliários em detrimento da população local. O segundo eixo examina a financeirização da cidade e o uso dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs) como instrumentos especulativos, destacando seus impactos na valorização artificial do solo e na exclusão socioespacial. O terceiro eixo discute a sustentabilidade urbana no contexto do Porto Maravilha, avaliando em que medida as diretrizes ambientais do projeto garantiram benefícios concretos e inclusivos à população ou foram instrumentalizadas para atrair investimentos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica, análise documental e observação dos impactos urbanos. Os resultados indicam que, longe de promover um modelo sustentável e inclusivo, o Porto Maravilha reforça desigualdades, priorizando a acumulação de capital e limitando o direito à cidade.
A contaminação ambiental por microplásticos (MPs) tornou-se uma preocupação de saúde pública em todo o mundo. Esta revisão sistemática, realizada entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2026, analisa as evidências científicas sobre os efeitos da exposição a microplásticos na saúde humana, com foco nas implicações para a promoção da saúde e qualidade de vida. Seguindo as diretrizes PRISMA, foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science. Os resultados mostram que a exposição humana aos MPs se dá por inalação, ingestão e contato dérmico, com detecção em diversos órgãos e fluidos, incluindo pulmões, sangue e placenta. Os mecanismos de toxicidade incluem estresse oxidativo, inflamação, disrupção endócrina e disbiose intestinal. A evidência crescente associa a exposição a MPs a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, respiratórias e distúrbios metabólicos. Conclui-se que os microplásticos são um determinante ambiental da saúde, portanto exigem políticas públicas preventivas, educação em saúde e mais pesquisa com vistas a mitigar seus impactos.
O presente trabalho tem como objetivo principal analisar a inter-relação entre o direito à moradia e o direito à cidade, identificando de que forma esses instrumentos jurídicos e sociais se complementam na busca pela efetivação da dignidade da pessoa humana e da cidadania plena. Busca-se compreender como a concretização desses direitos depende de políticas públicas integradas e da atuação conjunta entre Estado, sociedade civil e iniciativa privada.O método de pesquisa adotado é de natureza qualitativa e exploratória, fundamentado em pesquisa bibliográfica e documental. Foram analisados textos legais, como a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Cidade e os planos diretores municipais, bem como obras doutrinárias e estudos acadêmicos que abordam a temática da habitação e do urbanismo. Essa abordagem permitiu compreender o contexto normativo e os desafios práticos da aplicação dos direitos à moradia e à cidade no Brasil.Como conclusão, constatou-se que, apesar da sólida previsão legal, ainda há um distanciamento entre o plano jurídico e a realidade social. O déficit habitacional, a exclusão urbana e a desigualdade de acesso aos serviços públicos demonstram a necessidade urgente de políticas eficazes e intersetoriais. A efetividade desses direitos requer não apenas ações estatais, mas também o engajamento social e o fortalecimento da gestão democrática das cidades, visando à construção de espaços urbanos mais justos, inclusivos e sustentáveis.
O dossiê “O Rio para quem? Direito à cidade, política habitacional e conflitos urbanos” reúne investimentos em pesquisa que analisam as transformações recentes na cidade do Rio de Janeiro a partir de diferentes perspectivas, como as políticas habitacionais, processos de favelização, regularização fundiária, financeirização do território e alternativas coletivas de gestão da terra. Os artigos aqui compilados apresentam questionamentos sobre como a cidade vem sendo produzida, para quem ela é planejada e quais mecanismos aprofundam as desigualdades socioespaciais.