
A Medicina Regenerativa tem-se destacado como abordagem promissora no tratamento da Dor Crónica, permitindo não só o alívio dos sintomas, mas também a possibilidade de modificar o curso natural da doença. Este artigo de opinião apresenta uma análise crítica da evolução da Medicina regenerativa, do estado atual de evidência científica, dos potenciais riscos associados à sua adoção precoce e da necessidade de regulamentação, formação científica e investigação que sustentem a sua aplicação clínica. Argumenta-se que a Medicina Regenerativa pode representar uma verdadeira mudança de paradigma em vários cenários clínicos — desde que seja aplicada com rigor científico e responsabilidade. A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) é convidada a liderar esta reflexão, promovendo uma integração informada e ética desta nova fronteira terapêutica.
Contexto e objetivos: A dor crónica pediátrica é uma condição prevalente, complexa e subdiagnosticada, com impacto significativo na qualidade de vida e funcionalidade das crianças. Este estudo apresenta uma análise retrospetiva dos casos acompanhados na consulta multidisciplinar de dor crónica pediátrica de um hospital central ao longo de oito anos (de agosto de 2016 a agosto de 2024). Conteúdos: Foram incluídos 173 doentes, 46 (26,6%) do sexo masculino e 127 (73,4%) do sexo feminino, com idade média de 13,3 anos. Os principais diagnósticos foram dor crónica generalizada primária, dor cervical e lombar crónica secundária a síndrome miofascial, dor musculoesquelética dos membros e síndrome de dor regional complexa. Entre os doentes, 50 (28,9%) apresentavam absentismo escolar; 69 (39,9%) referiam alterações do sono e 124 (71,7%) eram sedentários. Apenas 49 (28,3%) realizavam atividade física regular. Relativamente ao impacto nas atividades de vida diária, 54 (31,2%) apresentavam limitação funcional. A terapêutica farmacológica foi iniciada em 82 (66,5%) casos, sendo possível a sua suspensão em 16 (13,9%) aquando da alta. Foram orientados para programa de reabilitação 144 doentes (83,5%) e 92 (53,2%) necessitaram de apoio psicológico. A toxina botulínica foi utilizada em 20 doentes (11,6%), maioritariamente para espasticidade. Quanto à evolução clínica, 83 (47,9%) obtiveram alta, 45 (26,0%) faltaram ao seguimento, 35 (20,2%) mantêm vigilância e 10 (5,8%) transitaram para consulta de adultos. Conclusões: Estes dados reforçam a necessidade de estratégias multidisciplinares organizadas para o diagnóstico precoce, seguimento estruturado e reabilitação integral das crianças com dor crónica, sublinhando a sua relevância enquanto problema emergente de saúde pública.
Contexto: A dor constitui a principal causa de incapacidade e de redução da qualidade de vida a nível mundial. Apesar do crescente impacto sobre os doentes e sobrecarga nos sistemas de saúde, a investigação na área da dor continua a ser subfinanciada e negligenciada. A identificação e priorização, por parte dos intervenientes, das áreas que requerem atenção urgente permitirá orientar o financiamento, reduzir o desperdício científico, melhorar a eficácia da investigação e da terapêutica da dor e fomentar a aplicação da evidência científica. Neste estudo, a Federação Europeia da Dor (EFIC, European Federation of IASP Chapters) desenvolveu uma Estratégia de Investigação sobre a Dor para a Europa. Métodos: O estudo recorreu a múltiplos métodos, incluindo revisões da literatura, debate entre especialistas em diferentes áreas, um inquérito e uma reunião final de consenso. O inquérito transversal foi conduzido junto de 628 investigadores, clínicos, formadores e profissionais da indústria, todos europeus e com atividade na área da dor, com o objetivo de classificar e hierarquizar prioridades de investigação. A reunião final de consenso contou com um painel multidisciplinar de especialistas, incluindo pessoas com experiência de vida com dor crónica, provenientes de 23 países. Os resultados do inquérito orientaram as discussões, conduzindo à definição das prioridades principais. Resultados: A análise de conteúdo identificou nove temas no inquérito, dos quais cinco se destacaram como prioritários: (i) compreensão da fisiopatologia da dor; (ii) compreensão e abordagem das comorbilidades; (iii) avaliação crítica das terapêuticas existentes; (iv) desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas; (v) exploração dos impactos biopsicossociais da dor. As abordagens físicas, psicológicas e sociais foram valorizadas com o mesmo nível de prioridade que os tratamentos farmacológicos. As prioridades definidas foram validadas pelo painel de peritos, que sublinhou ainda a importância de incluir, de forma clara, os conceitos de previsão, prevenção, autogestão e gestão personalizada da dor na estratégia final. Conclusões: O conteúdo da lista final de prioridades de investigação reflete uma abordagem holística à gestão da dor. A atribuição de igual relevância às dimensões física, psicológica e social, a par dos tratamentos farmacológicos, evidencia a importância de uma estratégia de investigação com orientação biopsicossocial abrangente. A validação das cinco principais prioridades pelo painel de peritos, juntamente com a ênfase nos conceitos de previsão, prevenção, autogestão e gestão personalizada da dor, fornece uma orientação clara para investigação futura de base, translacional e clínica. Importância: A EFIC desenvolveu uma Estratégia de Investigação sobre a Dor para a Europa, identificando áreas prioritárias que merecem maior foco e apoio financeiro. A implementação e ampla divulgação desta Estratégia são fundamentais para aumentar a realização de projetos urgentes nesta área, assegurar o financiamento adequado e promover a transposição dos resultados da investigação para a prática, com o objetivo final de reduzir o impacto pessoal, social e económico da dor.
Introdução: A Terapia por Ondas de Choque (TOC) extracorporais é uma modalidade terapêutica não invasiva no tratamento de várias patologias músculo-esqueléticas. Foi inicialmente utilizada no âmbito da litotrícia para o tratamento da nefrolitíase, mas no início da década de 1990, a sua aplicação difundiu-se no tratamento de outras patologias músculo-esqueléticas. Objetivo(s): O presente artigo de revisão analisa os mecanismos de ação das Ondas de Choque (OC) focais e radiais, com particular enfoque nos mecanismos responsáveis pelos seus efeitos terapêuticos, destacando-se, entre estes, a analgesia. São ainda discutidas as diferenças entre os dois tipos de ondas, as implicações clínicas dos respetivos mecanismos e o potencial da TOC no tratamento de diferentes condições músculo-esqueléticas. Adicionalmente, são apresentadas as principais aplicações clínicas da TOC com base na evidência científica disponível, nomeadamente uma revisão das indicações formais de tratamento conforme estabelecido pela International Society for Medical Shockwave Therapy (ISMST). Discussão: Os efeitos terapêuticos da TOC resultam essencialmente de fenómenos de mecanotransdução que desencadeiam respostas biológicas, como a angiogénese, a regeneração tecidular, a modulação neuroquímica e a alteração na perceção nociceptiva. No que diz respeito ao mecanismo analgésico, as OC parecem atuar por meio da degeneração seletiva de fibras nervosas sensoriais periféricas, da redução de neuropeptídeos pró-álgicos, da hiperestimulação analgésica dos nociceptores e da modulação reflexa da transmissão da dor. Conclusão: Conclui-se que a TOC é uma opção segura e eficaz, e que proporciona alívio da dor em diversas patologias do sistema músculo-esquelético, sendo que a sua aplicação deve ser considerada como parte integrante de uma abordagem multimodal no tratamento da dor.
A dor neuropática (DN) é frequentemente uma condição crónica de difícil controlo, com grande impacto na qualidade de vida e elevada componente refratária associada ao tratamento farmacológico convencional. A lidocaína e a cetamina, administradas por via endovenosa, têm emergido como opções terapêuticas eficazes, devido aos seus mecanismos de ação distintos e complementares. Neste artigo, apresentam-se três casos clínicos de doentes com DN refratária, os quais foram propostos para tratamento com perfusões endovenosas de lidocaína e cetamina, com o objetivo de melhorar o controlo da DN e qualidade de vida. O tratamento combinou perfusões endovenosas de lidocaína 2,5 mg/kg e cetamina 0,15-0,3 mg/kg, em regime ambulatório com cadência média de 8 semanas entre perfusões. Durante o seguimento dos doentes estabeleceu-se como objetivo uma redução significativa da DN avaliada pela «Numerical Rating Scale», o que permitiu titular negativamente a dose de fármacos adjuvantes. Este artigo de relato de casos evidencia o papel benéfico da cetamina e lidocaína em DN refratária, enquanto tratamento terapêutico para a abordagem clínica de doentes refratários à terapêutica convencional.
Total knee and hip arthroplasties (TKA/THA) are effective interventions to improve pain and disability due to severe osteoarthritis. However, some patients do not recover as expected and may develop chronic post-surgical pain (CPSP). Identifying pre-/post-surgical risk factors is relevant to inform preventive strategies. This study aimed to identify the prevalence and predictors of CPSP at 12 months after TKA and THA. It was a prospective observational study with patients undergoing TKA (n = 127) or THA (n = 113) evaluated before surgery, and at 48 h, 3, 6, and 12 months after surgery. Assessments included demographic, clinical, pain-related, disability, health-related quality-of-life, and psychological variables. Predictors of CPSP at 12 months (pain numerical rating scale > 3) were analyzed in three separate multinomial logistic regression models, including baseline and 48h variables that distinguished between groups (no/mild, moderate, and severe pain). The prevalence of CPSP was 30.4% 12 months after TKA/THA, with the final regression model identifying female sex (odds ratio [OR] = 3.307, p = 0.046), longer pre-surgical pain duration (OR = 1.005, p = 0.048), higher pre-surgical anxiety (OR = 1.125, p = 0.021), and more intense acute post-surgical pain (APSP) (OR = 1.358, p = 0.014) as significant predictors of severe CPSP, in comparison with no/mild pain. A relevant proportion of patients (30.4%) developed CPSP after TKA and THA. Sex, pre-surgical pain duration, pre-surgical anxiety, and APSP emerged as predictors of CPSP. Interventions targeted at these relevant risk factors may be promising to prevent pain chronification.
A dor crónica, particularmente a dor crónica generalizada e a fibromialgia têm alta prevalência em Portugal, impactando significativamente na qualidade de vida e gerando elevados custos. A fibromialgia afeta aproximadamente 1,7% da população e carateriza-se por dor generalizada e vários sintomas. As diretrizes de tratamento priorizam abordagens não-farmacológicas e autorregulação, permitindo aos pacientes gerir a sua saúde de forma eficaz. Este estudo teve como objetivo comparar os efeitos de videoaulas de filosofia aplicados na vida quotidiana com sessões de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) no tratamento de doentes com dor crónica generalizada. Aprovado pela Comissão de Ética da Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULSEDV), o estudo incluiu 52 pacientes, dos quais 22 foram selecionados e divididos em dois grupos: para além do tratamento seguido na unidade de dor, um grupo de pacientes (Grupo 1; N = 11) seguiu adicionalmente uma intervenção elaborada de filosofia aplicada ao quotidiano, enquanto outro grupo de doentes (Grupo 2; N = 11) seguiu adicionalmente um protocolo de exercícios físicos leves. Ambos os grupos foram acompanhados durante 24 semanas, com avaliações regulares utilizando questionários validados. Foram observadas melhorias significativas nos sintomas e funcionalidade dos doentes do grupo 2 quando comparados aos participantes do grupo 1. Os índices de ansiedade diminuíram significativamente em ambos os grupos, sem diferença entre eles.
Objetivo: Este documento visa propor critérios de referenciação dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) para Unidades de Dor (UD) Hospitalares e os critérios de alta destas unidades e referenciação para os CSP, assegurando uma continuidade de cuidados eficaz no tratamento da dor crónica. Metodologia: O documento foi elaborado através de um processo de consenso. Incluiu contribuições da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), do Grupo de Estudos da Dor da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), e das UD do país, recolhidas via inquéritos e discussões em eventos científicos. As recomendações finais foram votadas e aceites por maioria ≥ 75%. Resultados: Foram definidos critérios de referenciação baseados na gravidade e complexidade da dor crónica, com tempos de resposta prioritários para casos específicos. Inclui-se a proposta de critérios para alta, permitindo uma contrarreferenciação organizada e eficiente para os CSP.
Contexto e Objetivo: A dor crónica pós-cirúrgica, definida como dor persistente por mais de três meses após procedimento cirúrgico, afeta negativamente a qualidade de vida dos pacientes. A prevalência de dor neuropática em casos de amputações traumáticas varia entre 3 e 30%. Este artigo relata o caso clínico de uma paciente de 48 anos que sofreu amputação da falange distal do quarto dedo da mão direita após mordedura pelo seu cão e que desenvolveu dor neuropática periférica severa. Considerando a refratariedade dos tratamentos convencionais, foi proposta uma abordagem multimodal com o objetivo de reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida. Conteúdo: O tratamento combinou (I) bloqueio analgésico periférico interdigital com ropivacaína 2 mg/ml com (II) aplicação tópica de capsaicina a 8% à volta do coto. Durante o seguimento clínico de seis meses, a paciente apresentou (I) redução significativa da dor avaliada pela Escala Numérica de Dor (EN) de 9/10 para 4/10; (II) redução da área de dor referida no coto para uma área de meio centímetro, e (III) redução nos índices de ansiedade de 13 para 7 e de depressão de 13 para 6, avaliados pela escala Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). Esta melhoria global permitiu retomar as atividades de vida diárias. Conclusões: A combinação de bloqueio analgésico com aplicação de capsaicina a 8% transdérmica, aliada ao uso de fármacos de primeira linha para dor neuropática, resultou num controlo eficaz da dor neuropática crónica e dos sintomas de ansiedade e depressão. Este caso reforça a importância da abordagem multimodal personalizada no tratamento da dor crónica pós-cirúrgica, proporcionando a recuperação funcional e emocional.
A coxartrose é uma causa comum de dor crónica da anca (DCA), com um impacto funcional significativo e o seu tratamento inclui medicação analgésica, programas de reabilitação, procedimentos minimamente invasivos e cirurgia. O bloqueio PENG (Pericapsular Nerve Group) consiste na injeção corticoanestésica dos ramos articulares do nervo femoral e do nervo obturador acessório, responsáveis pela inervação da anca. A utilização desta técnica com radiofrequência (RF), para um efeito mais prolongado, é atualmente pouco descrita na literatura. Esta série de casos pretendeu avaliar a eficácia da RF pulsada (RFP), guiada por ecografia, utilizando a técnica PENG, como uma opção terapêutica minimamente invasiva na DCA na coxartrose. Foram incluídos 13 participantes, tendo sido realizada uma avaliação inicial da intensidade da dor, interferência da dor nas atividades de vida diária (AVD) e o exame objetivo da anca – Momento T0. Foi realizada RFP, guiada por ecografia, dos ramos articulares do nervo femoral e do nervo obturador acessório. As avaliações iniciais foram repetidas após três meses (Momento T1) e foi realizado o estudo comparativo das amostras, utilizando o Teste-T e o Teste de Wilcoxon. A maioria dos indivíduos teve uma diminuição estatisticamente significativa da intensidade máxima da dor e da interferência na «atividade geral» aos três meses após a intervenção. Além disso, 6 dos 13 participantes (46,2%) diminuíram a utilização de medicação analgésica. Os resultados obtidos são promissores na utilização desta técnica como alternativa terapêutica na DCA relacionada com a coxartrose, sobretudo quando existem contraindicações cirúrgicas ou aguardam cirurgia. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar resultados.
O envelhecimento da população tem apresentado desafios importantes na área da saúde, especialmente no que diz respeito à gestão de doentes idosos submetidos a cirurgia, onde a analgesia no pós-operatório é um tema crucial. Este trabalho tem como objetivo rever os principais desafios enfrentados no controlo da dor em doentes idosos submetidos a cirurgia, apresentando estratégias farmacológicas baseadas na literatura para melhorar a gestão da dor pós-operatória nesta população.
A omalgia crónica é uma condição prevalente que causa impacto significativo na saúde física e psicológica dos doentes, afetando negativamente a sua qualidade de vida. O bloqueio nervoso supraescapular (BNS) ecoguiado tem sido proposto como uma terapêutica eficaz na omalgia crónica refratária a tratamentos convencionais. Contudo, a maioria dos estudos não explora o real benefício desta técnica na intensidade da dor e função do ombro ao longo do tempo. Neste contexto, os principais objetivos deste estudo foram descrever o BNS ecoguiado e explorar qual o seu benefício clínico e funcional na omalgia crónica ao longo de 12 semanas. Realizou-se um estudo piloto observacional prospetivo, que incluiu doentes adultos com omalgia crónica seguidos num centro português de Reumatologia. Os doentes foram avaliados em quatro momentos: um primeiro momento presencial, aquando da realização do BNS; e três momentos posteriores, por telefone, que ocorreram 1, 4 e 12 semanas após o BNS. A Escala Numérica de Dor e a Oxford Shoulder Scale foram aplicadas em todas os momentos, para avaliar a intensidade da omalgia e a funcionalidade do ombro, respetivamente. Um total de 13 doentes com omalgia crónica e patologia da coifa dos rotadores foram incluídos. O BNS ecoguiado associou-se a uma melhoria significativa na intensidade da dor e funcionalidade do ombro até às quatro semanas. Não foram reportados eventos adversos. O BNS demonstrou ser uma abordagem terapêutica bem tolerada pelos doentes e com benefício clínico e funcional na omalgia crónica ao longo do tempo.
A presente revisão narrativa pretende traçar a relação do Pilates com a reeducação postural, tentando esgotar o conjunto das variáveis significativas para a área que cada vez mais se pretende substituir à Fisioterapia clínica. Veremos que, sendo sobrestimado, o Pilates não fornece, ainda, evidência que o sobrepuje às outras formas de exercício, com este a poder ser encarado de diversas maneiras, passíveis de dificultar a retirada de ilações concretas. A «reeducação postural» é abrangida pelas diferentes latitudes de uma intervenção global, que, não podendo subtrair-se à ciência, deve dela recolher o conjunto «holístico», de variáveis como «postura», «flexibilidade» e «força», que, aqui, sintetizamos. A sua relação com a temática das «raquialgias» abrevia a Fisioterapia, colocando-a numa situação em que a sua relevância é questionada, sobretudo no encadeamento com as variáveis psicossociais, bem como com a medicina «anti-sintomática». A revisão (que incide, sobretudo, sobre revisões sistemáticas) inclui os seguintes temas fundamentais: Pilates vs. raquialgias; «core» vs. raquialgias; exercício vs. raquialgias; «controlo motor» vs. raquialgias; «postura» vs. raquialgias; transporte de mochilas; exercício vs. deformidades posturais; exercício vs. escoliose (incluindo Pilates, método Schroth e Physiotherapeutic scoliosis-specific exercise); reeducação postural global; reabilitação postural; perceções dos fisioterapeutas sobre «postura correta»; educação postural e back school; natação; neurodinâmica; terapia manual vs. deformidades posturais; fatores psicossociais, incluindo benefícios «psicológicos» do Pilates. Conclusão: a compreensão das variáveis como um todo é necessária à orientação futura de estudos que abarquem o conjunto das diversas variáveis, bem como a segurança das práticas, para a qual a melhor solução constitui o equilíbrio entre as abordagens posturais e as antisintomáticas. A compreensão em causa tem de incluir a relação dos fatores posturais com os nociceptivos, passando pelo movimento que os concilia. De resto, o fator placebo tem de ser naturalmente incluído, sem o qual será impossível perceber a zona de relevância da intervenção fisicalista.
Embora a sua recomendação seja duvidosa, os canabinoides demonstram ter alguns efeitos benéficos na qualidade de vida dos pacientes com dor crónica. Este estudo tem por objetivo descrever as atitudes dos médicos das Unidades de Dor dos hospitais portugueses face à prescrição de canabinoides para o tratamento da dor crónica, no contexto da legislação portuguesa de 2018. Foi criado um questionário específico com base na revisão da literatura e na adaptação de estudos semelhantes pré-existentes, o qual foi distribuído de 8 de janeiro a 26 de fevereiro de 2024. Analisámos as respostas de 27 profissionais, maioritariamente anestesiologistas (81,5%), do sexo feminino (77,8%), com uma idade mediana de 59 anos. Os resultados indicam que mais de 80% dos inquiridos consideram os canabinoides uma opção terapêutica legítima, e 55,6% já prescreveram canábis medicinal, reportando uma melhoria na gestão da dor crónica em 76,9% dos casos. Contudo, 30,7% dos médicos expressaram preocupações acerca do potencial aumento no risco de abuso de substâncias. O estudo destaca também desafios na acessibilidade devido ao elevado custo e ao estigma associado, com 46,2% dos respondentes a argumentarem que a legislação atual é insuficiente para assegurar o acesso adequado dos pacientes a esta terapêutica. Os resultados sugerem uma aceitação moderada dos canabinoides na gestão da dor crónica, apesar das barreiras percebidas à sua plena integração terapêutica.
Background: Fibromyalgia is a highly prevalent musculoskeletal disorder.Despite this, it gets much depreciation by society, patients, and even doctors.Objectives: The objective of the study was to improve our deep understanding of the various spheres of its pathophysiology, and to realize the importance of continuous medical/patient education in this topic.Contents: Fibromyalgia is slowly being associated with some biologic markers.Its treatment is most of the times lacking in success, especially because of the psychosocial aspect of this disease.Explaining fibromyalgic syndrome broadly to our patients will increase the chances of significant recover.Conclusion: Education might just be the missing key to a better overall success in treating and managing this condition.
António Coimbra (1928-2021) played a pioneering role in scientific research on Pain in Portugal, an area that has expanded greatly since its inception.This paper aims to reconstruct the biography of this unique figure in national science, analyzing aspects of his academic, scientific, and personal trajectory, and contextualizing the impact of his teachings and examples in creating a true scientific lineage.To carry out the work, in addition to researching documents related to his academic and clinical career, scientific articles he published, doctoral theses he supervised, and the book he wrote about the History of Science and Medicine, a field he dedicated himself to after retiring, were analyzed.Additionally, in order to know a little more about the man behind the academic career, several collaborators and disciples of the Professor, as well as his direct family members were interviewed.
A lombalgia é um sério problema de saúde pública e tem vindo a merecer especial atenção por parte dos profissionais de saúde, sendo o médico de família o pilar de avaliação e tratamento destes doentes. A classificação da lombalgia e as recomendações terapêuticas diferem substancialmente entre as diferentes sociedades médico-científicas tornando a abordagem um verdadeiro desafio para o clínico na sua prática diária. O objetivo desta revisão é elaborar um algoritmo original de efetividade terapêutica relativo à lombalgia aguda e crónica, com aplicabilidade e utilidade na prática clínica em medicina geral e familiar, e também aumentar o reconhecimento da importância de uma correta classificação temporal e etiopatogénica no sucesso da abordagem terapêutica da dor lombar. Os autores efetuaram uma pesquisa bibliográfica utilizando os motores de busca PubMed, UptoDate e INDEX de revistas médicas portuguesas e os termos MeSH «Low back pain», «Algorithm», «Pain» e «Treatment», incluindo artigos escritos em inglês e português. A avaliação diagnóstica do doente com lombalgia é desafiante e requer a tomada de decisões clínicas complexas. Assim, a avaliação padronizada da dor é fundamental na escolha da abordagem terapêutica.
Osteoarthritis (OA) of the trapeziometacarpal (TMC) joint is a common disabling condition with potential surgical resolution. However, complications following these procedures can include superficial radial neuropathy, contributing to hand disability. The aim of our study was to analyze pain management by neuromodulation of the superficial radial nerve (SRN). Patients undergoing TMC OA surgical procedures at Trás-os-Montes and Alto Douro Hospital Center between March 2012 and March 2022 were included. SRN diagnosis block was performed at the first visit with local anesthetic. One month after a successful diagnostic nerve block, pulsed radiofrequency (PRF) of the SRN was performed. Primary endpoint was pain at rest and the secondary outcomes were: hand grip, Functional Index Questionnaire (FIHOA) and Kapandji score. 30 patients met the inclusion criteria. Of the total, 13 patients reported pain and paresthesia on the dorsolateral aspect of the hand, but only 6 patients agreed to participate. Of the total patients, 5 were female, with 2 patients reporting symptoms bilaterally. Pain at rest was described with a median of 8 [IQR 7-8] at baseline and 0 [IQR 0-1,24] after PFR (P = 0.011). Median hand grip (kg) after PFR was 26.8 [IQR 24-31.6] compared to 23.3 [IQR 22.5-25.7] from baseline (P = 0.025) and Kapandji score improved from 6 [IQR 5.8-7.3 from baseline to 7 [IQR 6-8] (P = 0.102). FIHOA index improved 16.5 [IQR 10-21] at baseline to 13.5 [IQR 7.8-18] (P = 0.02). Neuromodulation of SRN may represent a safe and effective approach to treat pain associated with TMC OA surgery.