
Orville Adelbert Derby (1851–1915), conhecido como “O Pai da Geologia do Brasil”, foi também pioneiro da meteorítica brasileira. Norte-americano radicado no país a partir de 1870, destacou-se pela criação de instituições científicas, pela formação de coleções geológicas e paleontológicas e pela produção de uma obra decisiva para a geociências nacional. Em 1888, em suas “Notas sobre os Meteoritos Brasileiros”, Derby fez o primeiro levantamento reunindo informações sobre os meteoritos então conhecidos no país, classificando-os como metálicos ou rochosos, de acordo com a literatura internacional da época. Destacou ainda a singularidade do meteorito Angra dos Reis, que mais tarde daria origem a uma nova, e rara, classe de meteoritos, o “angrito”. O estudo do meteorito Bendegó é um dos principais destaques na obra de Orville Derby, representando não apenas um marco na história da ciência meteorítica brasileira, mas também um exemplo da intersecção entre ciência e cultura no Brasil do século XIX. Derby reconstruiu a história do Bendegó e, embora não tenha participado diretamente, auxiliou no planejamento e acompanhou os esforços em campo para transportá-lo do sertão da Bahia ao Rio de Janeiro, atuando ativamente na sua incorporação ao acervo do Museu Nacional. Sobre o Bendegó, Derby publicou em 1895 um amplo estudo bilíngue (português e inglês) com a descrição estrutural, mineralógica e química, segundo sistemática avançada para a época. Derby também comparou meteoritos brasileiros com exemplares estrangeiros, como o Cañon Diablo, e analisou casos de meteoritos “duvidosos” com todo o rigor técnico. Além de seu pioneirismo visionário, o legado meteorítico de Derby inclui o desenvolvimento de um método que ainda sustenta a área no Brasil: inventariar acervos, reconstruir documentos e mobilizar redes locais para registrar novas quedas e achados.
Orville Adelbert Derby (1851–1915), known as “The Father of Brazilian Geology”, was also a pioneer of Brazilian meteoritic science. An American who lived in the country from 1870 onwards, he stood out for the creation of scientific institutions, the formation of geological and paleontological collections, and the production of seminal work for the national geosciences. In 1888, in his “Notes on the Brazilian Meteorites”, Derby made the first survey gathering information about the meteorites then known in the country, classifying them as iron or stony, according to the international literature of the time. He also highlighted the uniqueness of the Angra dos Reis meteorite, which would later give rise to a new, and rare, class of meteorites, the “angrite”. The study of the Bendegó meteorite is one of the main highlights in Orville Derby’s work, representing not only a milestone in the history of Brazilian meteoritic science, but also an example of the intersection between science and culture in nineteenth-century Brazil. Derby reconstructed the history of the Bendegó and, although he did not participate directly, assisted in the planning and accompanied the efforts in the field to transport it from the hinterland of Bahia to Rio de Janeiro, actively working on its incorporation into the collection of the National Museum. On the Bendegó, Derby published in 1895 a comprehensive bilingual study (Portuguese and English) with structural, mineralogical and chemical descriptions, according to advanced systematics for the time. Derby also compared Brazilian meteorites with foreign specimens, such as the Cañon Diablo, and analyzed cases of “dubious” meteorites with all the technical rigors. In addition to its visionary pioneering, Derby’s meteoritic legacy includes the development of a method that still sustains the area in Brazil: inventorying collections, reconstructing documents, and mobilizing local networks to record new falls and finds.
A limitação de dados hidrometeorológicos observacionais, como precipitação e vazão, representa um dos principais desafios para a modelagem hidrológica e a gestão de recursos hídricos em bacias hidrográficas. Este estudo avaliou o desempenho dos dados de precipitação do produto CHIRPS para a Bacia do Ribeirão Claro (SP) em relação aos dados observados in situ de duas estações pluviométricas em um período de 21 anos (2000-2020), utilizando métricas estatísticas e índices extremos de precipitação definidos pelo Expert Team on Climate Change Detection and Indices (ETCCDI). O modelo semi-distribuído SWAT+ foi calibrado e validado em escala mensal utilizando dados de evapotranspiração real derivados do produto MODIS, com o objetivo de avaliar sua aplicabilidade como alternativa à calibração baseada em séries de vazão. Os resultados indicaram que o CHIRPS apresenta bom desempenho na representação das médias de precipitação em escalas mensal e sazonal. Entretanto, os eventos de precipitação extrema foram subestimados, enquanto meses com baixos acumulados de precipitação tenderam a ser superestimados pelo produto. O modelo SWAT+, utilizando os dados do CHIRPS, reproduziu satisfatoriamente as séries mensais de evapotranspiração do MODIS, com valores de NSE entre 0,53 e 0,68, KGE entre 0,62 e 0,80 e PBIAS entre 3,28 e 4,53%. Esses resultados evidenciam o potencial do uso integrado de produtos de sensoriamento remoto para a calibração de modelos hidrológicos em bacias com escassez de dados hidrometeorológicos, ampliando assim as possibilidades de aplicação dessas ferramentas em regiões com monitoramento hidrológico limitado.
The Program for the Consolidation of the National Water Management Pact (Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas – PROGESTÃO), coordinated by Brazil’s National Water and Sanitation Agency (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico – ANA), is a collaborative initiative involving all Brazilian federation units. It aims to enhance articulation and strengthen institutional cooperation to address common challenges and promote sustainable water resource use. This study evaluates the performance, measured by adherence to program targets and annual certification scores, of four Northeastern Brazilian states (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, and Sergipe), all categorized under Typology B, characterized by a satisfactory quali-quantitative balance in most basins, water uses concentrated in a few basins with critical areas, and incidence of conflicts over water use confined to those critical areas. Employing a descriptive, exploratory, and qualitative research approach, the study reveals that, although these states encountered difficulties in meeting certain objectives, the program’s benefits are evident. Notably, it has strengthened State Water Resource Management Systems, expanded access to systematized water resources information, and enhanced policy implementation. Sergipe stands out, having achieved 95.31% of its Progestão targets across the first two cycles, thereby securing substantial financial support from the program, reinforcing accountability and driving systematic improvements in water resources management. Rio Grande do Norte followed with 94.85%, while Maranhão (86.58%) and Piauí (77.09%) demonstrated lower but still meaningful levels of target adherence. The study underscores the Progestão program’s fundamental role in advancing sustainable water management practices within Northeast Brazil, offering critical insights for policy-making and institutional development in water resource governance, while acknowledging the limits of formal target compliance as a proxy for real-world management effectiveness.
A reprodução do espaço geográfico está associada a processos de ordem econômica, política, social e/ou cultural que revelam o papel da agência humana e podem ser registrados em feições de relevo tecnogênicas. Nesse trabalho busca-se identificar, dimensionar e interpretar essas feições presentes na bacia hidrográfica do rio Paraibuna, localizada no Sudeste do estado de Minas Gerais. A operacionalização foi balizada no emprego de técnicas da cartografia geomorfológica retrospectiva/evolutiva de detalhe, com elaboração de mapas representativos de cobertura e uso da terra e identificação de feições tecnogênicas para os anos de 1983 e 2010-2011, na escala de 1:5.000. Foram utilizadas plantas cadastrais, imagens aéreas antigas, de satélites e do Google Earth Pro, além de acervos fotográficos e investigações de campo para mapear e registrar as intervenções tecnogênicas. A morfodinâmica de processos acumulativos e de perdas de materiais na conformação direta e indireta do relevo possibilitou registrar as transformações ocorridas ao longo do tempo e que implicam na alteração da morfologia original em tecnogênica. A classificação das feições tecnogênicas concentrou-se no reconhecimento de terrenos escavados, assoreados, feições erosivas, horizontes de solo alterados por processos físicos e/ou químicos, segmentos de alteração lineares, lagos artificiais, dentre outros. Foram identificadas alterações no leito do rio Paraibuna, tais como pontos de retificação e aterros, geração de barragens e represamentos, bem como foi avaliada a expansão urbana mesclada ao relevo de mares de morros. O baixo curso é ajustado às estruturas geológicas e associa-se à dissecação expressiva dos canais fluviais, tendo segmentos aproveitados para instalação de pequenas usinas hidrelétricas para abastecimento e geração de energia elétrica. Por fim, vale ressaltar que o emprego da cartografia geomorfológica retrospectiva/evolutiva de detalhe foi fundamental no diagnóstico das alterações tecnogênicas e para subsidiar feições mais suscetíveis a processos erosivos.
O Sistema Aquífero Serra Geral (SASG) é caracterizado por aquíferos fraturados, nos quais, a depender da região, os poços irão apresentar diferentes graus de produtividade, bem como mais de uma entrada de água (E.A.). Em função destas características, foi realizado esse estudo na área abrangida pelo município de Passo Fundo, que está situado numa região de maior favorabilidade a ocorrência de aquíferos fraturados. Para esse estudo foram analisados dados geológicos e construtivos (profundidade do poço, litologias, entradas de água e espessura do manto de alteração), bem como hidrogeológicos (nível estático, vazão de estabilização e vazão específica/capacidade específica), que foram obtidos de perfis construtivos dos poços, boletins de perfuração e de ensaios de bombeamento. Os resultados permitiram identificar a ocorrência de poços com produtividade moderada a alta, apresentando vazões de estabilização superiores a 25 m³/h em 17% dos casos e vazões específicas/capacidades especificas maiores que 1 m³/h/m em 32% dos poços. As E.A. identificadas estão localizadas principalmente no intervalo de 25 a 100 m de profundidade, indicando uma tendência de aumento de vazão com a profundidade de ocorrência da E.A. Além disso foi possível identificar que o intervalo de 550 a 620 m de altitude há ocorrência de maior quantidade de E.A. que estão associadas a poços de maior produtividade (> 20 m³/h). Não foi observada uma correlação forte entre a espessura do manto de alteração com os parâmetros vazão de estabilização ou vazão específica/capacidade específica. No entanto, foi possível identificar regiões onde há ocorrência de poços de maior produtividade, sendo que essa produtividade é influenciada pelos lineamentos e pelas E.A.
A geometria hidráulica é uma das principais abordagens empíricas para a compreensão dos ajustes hidráulicos de canais fluviais naturais. Este estudo investiga a influência do clima nos expoentes da geometria hidráulica (b, f e m) a partir da análise comparativa de seções transversais de rios distribuídos em cinco grupos climáticos definidos segundo a classificação de Köppen-Geiger: tropical, seco, temperado, frio e polar. Os dados foram compilados a partir de estudos publicados entre 1953 e 2020 e associados aos respectivos domínios climáticos por meio do cruzamento espacial entre os pontos de coleta e mapas climáticos globais. A análise foi conduzida com base em diagramas triaxial b–f–m, permitindo avaliar os padrões de ajuste hidráulico das seções em relação às subdivisões teóricas associadas às relações largura–profundidade, profundidade–velocidade, número de Froude, área molhada e rugosidade hidráulica. Os resultados indicam que, apesar das marcantes diferenças climáticas entre os grupos analisados, os padrões estruturais médios da geometria hidráulica são amplamente semelhantes. Em todos os domínios climáticos, observou-se predominância de f > b e valores do expoente m concentrados nas subdivisões centrais do diagrama, sugerindo que o clima não atua como um controlador primário da geometria hidráulica. Diferenças entre os grupos climáticos manifestam-se principalmente na dispersão dos expoentes e na ocorrência de valores extremos, especialmente nos climas seco, frio e polar, indicando que o clima exerce influência indireta ao modular a variabilidade dos ajustes hidráulicos, sem alterar os padrões estruturais médios. O estudo contribui para o entendimento da aplicabilidade e das limitações da geometria hidráulica como ferramenta de análise comparativa global, fornecendo subsídios para diagnósticos rápidos de estabilidade hidráulica relativa e para o desenvolvimento de abordagens integradas que incorporem variabilidade hidrológica, conectividade sedimentar e controles geomorfológicos locais.
Permafrost monitoring is a key approach to assess soil responses in paraglacial environments under current climate change. This study investigates the active layer thermal regime of Deception Island by analyzing a seven-year dataset of soil temperature and moisture collected at two contrasting sites: (i) a Haplic Cryosol at Fumarole Bay (FB) and (ii) a Turbic Cryosol at Telefon Bay (TB). Temperature and moisture probes were installed at multiple depths (10–70 cm) and continuously monitored between 2010 and 2016. Statistical analyses included correlation among soil layers and multivariable regression. Results reveal a periglacial soil thermal regime with a shallow active layer, and maximum thaw depths of 86 cm (FB) and 109 cm (TB). At FB, sedimentary discontinuities and marine deposits promoted buffering of the permafrost table, while at TB the uniform volcanic matrix allowed stronger coupling with air temperatures, making permafrost more vulnerable. Although permafrost at FB was warmer, the TB site exhibited greater fragility due to stronger air–soil interactions. No evidence of geothermal heat influence was detected during the monitoring period. These findings provide new insights into permafrost dynamics in volcanic islands of Maritime Antarctica, highlighting the influence of geomorphological and sedimentary settings on active layer variability.
The article presents the methodological approach adopted for the production of the Map of Complex Morphological Units of the Tamanduateí River basin in the Metropolitan Region of São Paulo. This cartographic product results from the correlation between the Pre-Urban Geomorphology and Anthropogenic Morphologies maps and, therefore, relies on retrospective and evolutionary geomorphological cartography. Retrospective and evolutionary cartography consists of identifying and representing the original morphology (pre-urbanization phase) and the sequence of interventions in surface forms and materials, providing an important tool for identifying and interpreting changes in processes. The recognition of the original morphology was based on the general principles of geomorphological cartography, from the analysis and interpretation of aerial photographs from 1952 and 1962, old topographic and planimetric maps, historiography of the city of São Paulo and its surroundings, and iconographic materials. For the preparation of the Anthropogenic Morphology Map, the Land Use and Occupation Maps of the Metropolitan Region of São Paulo and Alto Tietê Basin (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano do Estado de São Paulo [EMPLASA/SP], 2005) were used, as the legend offers important information reflecting some of the indicators of changes pointed out by Rodrigues (2008) for the evaluation of hydrogeomorphological impacts and changes. From the correlation between six units of Original Morphology and seven units of Anthropogenic Morphologies, a total of 33 Complex Morphological Units were obtained. This synthesis allowed the identification of changes processed over more than 150 years and the identification of the types of original morphology on which they were processed.
O artigo apresenta o percurso metodológico adotado para a produção do Mapa de Unidades Morfológicas Complexas da bacia hidrográfica do rio Tamanduateí, na Região Metropolitana de São Paulo. Esse produto cartográfico é resultante da correlação entre os mapas de Geomorfologia Pré-Urbana e de Morfologias Antropogênicas e, portanto, apoia-se na cartografia geomorfológica retrospectiva e evolutiva. A cartografia retrospectiva e evolutiva consiste na identificação e representação da morfologia original (fase pré-urbanização) e a sequência de intervenções nas formas e materiais superficiais, oferecendo importante instrumento de identificação e interpretação de mudanças nos processos. O reconhecimento da morfologia original baseou-se nos princípios gerais da cartografia geomorfológica, a partir da análise e interpretação de fotografias aéreas dos anos de 1952 e 1962, mapas topográficos e planimétricos antigos, historiografia da cidade de São Paulo e seus arredores, e materiais iconográficos. Para a elaboração do Mapa de Morfologias Antropogênicas foram utilizadas as Cartas de Uso e Ocupação do Solo da Região Metropolitana de São Paulo e Bacia do Alto Tietê (EMPLASA, 2005), pelo fato da legenda oferecer importantes informações que refletem alguns dos indicadores de mudanças apontados por Rodrigues (2008), para a avaliação de impactos e mudanças hidrogeomorfológicas. Da correlação entre seis unidades de Morfologia Original e sete unidades de Morfologias Antropogênicas, obteve-se um total de 33 Unidades Morfológicas Complexas. Tal síntese permitiu identificar as mudanças processadas ao longo de mais de 150 anos e, identificar sobre quais tipos de morfologia original elas se processaram.
O Sistema Aquífero Bauru (SAB) é uma fonte vital de água para uma vasta e populosa região do Brasil, abrangendo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Diante da crescente demanda hídrica e da escassez de estudos sobre o comportamento de longo prazo deste aquífero, o presente trabalho teve como objetivo analisar as tendências temporais do nível potenciométrico, precipitação e recarga no SAB. Para isso, foram utilizados dados de 29 poços de monitoramento da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas – RIMAS (SGB, 2025a) e dados de precipitação do produto CHIRPS. A análise estatística foi realizada por meio dos testes não paramétricos de Mann-Kendall e da inclinação de Sen. Os resultados revelaram uma tendência de declínio estatisticamente significativa no nível potenciométrico em 25 dos 29 poços analisados, com taxas de rebaixamento que variam de -0,07 a -1,23 m/ano. Em contrapartida, a análise dos dados de precipitação não mostrou tendência significativa na maior parte da área de estudo. A discrepância entre a estabilidade da precipitação e o declínio acentuado dos níveis d'água sugere que o rebaixamento do nível potenciométrico no SAB é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a intensificação da explotação de água subterrânea e possíveis alterações no comportamento da recarga do aquífero, influenciadas por mudanças na distribuição das chuvas. Estes resultados reforçam a necessidade de um monitoramento contínuo e de estratégias de gestão sustentável para garantir a segurança hídrica na região.
The objective was to study soil formation and to analyze the relationships between soil distribution and vegetation cover at Lions Rump, King George Island, Maritime Antarctica. WRB and Soil Taxonomy systems were applied in association with geomorphological features. Thirteen pedons were sampled and described for their physical, chemical, and mineralogical attributes. Soil mapping and vegetation distribution were performed. Results showed that soils are mainly formed from weathered basalt-andesitic rocks, which are naturally rich in apatite, and have a high P background. Typic Dystrogelepts ornithic and Typic Gelorthents ornithic are the main ornithogenic soils in the study area. Typic Dystrogelepts ornithic represent the deepest, most structured, and reddish soils at Lions Rump. Typic Haplogelepts ornithic are the main soils on the first and second moraine levels from White Eagle Glacier. Typic Haploturbels and Lithic Haploturbels are present just above 80 m a.s.l. (above sea level), especially on the top areas and paraglacial spots, with gelic materials within 100 cm of the soil surface and permafrost within 200 cm. Despite occurring only at higher altitudes, they represent the most extensive soil cover at Lions Rump. Turbic Haplogelepts and Typic Haplorthents occur between 40 and 80 m a.s.l., without the influence of bird nesting and with permafrost absent to a depth of 200 cm. Vitrandic Cryopsamments and Oxyaquic Cryopsamments dominated the first level of terraces and former beaches along the coastal area. Other soils, classified as Lithic Cryorthents Ornithic and Typic Gelifluvents ornithic, occur in very restricted areas: the former on sea stack rock outcrops (basaltic plugs) near the beach, and the latter in a small portion of glacial alluvial fans. Overall, soil distribution and classification in Lions Rump allowed the identification of two main soil domains: Ornithogenic soils (without permafrost) and the Gelisols (above 80 m a.s.l.). Higher P and N contents at ornithogenic sites favor vegetation establishment with the presence of Deschampsia antarctica and Colobanthus quitensis.
The intensive use of vinasse in fertigation can cause adverse environmental impacts due to its high organic matter content and acidic pH, despite its nutrient content, including potassium, nitrogen, and phosphorus. In this context, strategies that promote the recovery of nutrients from vinasse and its more controlled application, such as the use of zeolite enriched with vinasse-derived nutrients (ZV), are promising alternatives. This study comparatively evaluated the effects of applying sugarcane vinasse and zeolite with nutrients recovered from vinasse on the fertility of a typical tropical soil, such as an Oxisol. Natural zeolite samples (1 to 4 mm) adsorbed nutrients from vinasse by column percolation until saturation, recovering 44.22 mg g-1 of K+ and 3.06 mg g-1 of NH4+. Column tests were then conducted to evaluate the application of raw vinasse and nutrient-loaded zeolite (ZV) in soil. When added to the soil, vinasse increased K+ and Ca2+ concentrations by 20x and 1.5x, respectively, whereas ZV increased them by 7x and 6.2x. The Ca2+ ions released by ZV displaced H+ from the colloidal exchange sites of the soil, raising its pH from 4.1 to 5.6, whereas the addition of vinasse increased the pH of the soil only to 4.7 due to the high level of organic acids. Consequently, base saturation (V) of ZV and vinasse soils increased from 10% to 79% and 41%, respectively. ZV improved soil fertility more than vinasse since V>50%, without increasing organic matter. The direct use of vinasse, although beneficial in the short term, poses environmental risks from nutrient leaching and soil acidification. In contrast, the use of ZV can increase soil nutrient availability and promote their gradual release, making this process a more sustainable alternative for agricultural management.
The increase in climate change related disasters has driven the need for public policies that strengthen the resilience and adaptation of urban communities. However, the scarcity of consistent data limits the assessment of cities’ resilience. This study aims to develop a Preliminary Municipal Resilience Index (IPRM), applicable to all Brazilian municipalities, using questions drawn from IBGE’s Basic Municipal Information Survey. The IPRM is composed of 169 indicators, organized into three sub-indices: Disaster Risk Management, Environment, and Social Governance. Each indicator is scored as 1 (favorable to resilience) or 0 (unfavorable), and the index is calculated as the arithmetic mean of the sub-indices. The IPRM was calculated for all 5,570 Brazilian municipalities, revealing an average value of 0.336. The results show performance below the average value of the proposed index for most cities, allowing for the identification of gaps and priorities. The application of the IPRM contributes to the formulation of more effective public policies, promoting the adaptation of municipalities to the demands of climate change.
High-magnitude landslides are natural processes that shape steep slopes and valleys in southern and southeastern Brazil, while also being responsible for some of the most devastating natural disasters recorded in recent years. To improve disaster prevention strategies, this study aimed to analyze the geomorphodynamics of high-magnitude landslides in the Paraitinga Plateau (SP) associated with the extreme 2009/2010 event. The research adopted a detailed approach based on high-resolution geomorphological mapping, integrating multitemporal photointerpretation techniques, fieldwork, and analysis of erosional and depositional features. Results revealed that deeper landslides, linked to weathering mantle ruptures, were frequently associated with debris flows that reshaped valleys, forming depositional lobes in debris cones. Scouring from these flows was marked by plucking features in bedrock channels, contrasting with fluvial abrasion in downstream sections. Past deposits indicate historical recurrence of these processes, potentially intensified by anthropogenic changes like native vegetation removal. The study demonstrates that high-magnitude events, though rare, play a fundamental role in landscape as agents of slope and channel remodeling. Results highlight the importance of considering the integration of geomorphodynamic analyses into risk assessment, enhancing the understanding of mass movement dynamics and supporting forecasting in data-scarce regions, thereby contributing for more effective public policies for disaster prevention in humid tropical regions.
Um dos grandes problemas enfrentados atualmente no Brasil é a ocupação urbana informal, especialmente em encostas sob risco de movimentos de massa. Loteamentos informais abrigam segmentos da população em condições de vulnerabilidade, que ficam normalmente expostos à desastres naturais. Em ambientes construídos, soluções sustentáveis tornam-se cada vez mais presentes, mediante uso de novas tecnologias, que almejam, além dos preceitos da sustentabilidade nas construções, como a redução do consumo de recursos naturais e a otimização dos custos envolvidos. Nesse contexto, recursos naturais renováveis, a exemplo do bambu, surgem como alternativa competitiva, por atuar favoravelmente na estabilidade e minimização da erosão de taludes, a custos passíveis de serem absorvidos pelo poder público. Ressalta-se ainda sua ação no combate às mudanças climáticas e efeitos positivos na modificação da paisagem urbana, constituindo-se como elemento integrador para a formação de cidades inteligentes. Este estudo visa a demonstrar as características favoráveis das raízes e rizomas de uma espécie alastrante de bambu como elemento estruturante em ações voltadas para mitigar deslizamentos e erosões superficiais do solo. Desenvolveu-se, em laboratório, experimentos para observação do crescimento de mudas em vasos com inclinações variadas ensaios físicos e mecânicos em rizomas extraídos das mudas, visando estabelecer parâmetros de resistência a esforços de tração e dobramento. Os resultados destacam a formação de uma rede entrelaçada de raízes e rizomas capaz de melhorar a coesão e a estabilidade do solo, contribuindo para a compreensão do potencial do bambu como alternativa sustentável para a proteção de taludes e o desenvolvimento urbano resiliente ao clima.
O aumento de desastres relacionados às mudanças climáticas tem impulsionado a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a resiliência e adaptação das comunidades urbanas. No entanto, a escassez de dados consistentes limita a avaliação da resiliência das cidades. Este estudo visa desenvolver um índice preliminar de resiliência municipal (IPRM), aplicável a todos os municípios brasileiros, por meio de perguntas extraídas da Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE. O IPRM é composto por 169 indicadores, organizados em três subíndices: Gestão de Riscos de Desastres, Meio Ambiente e Governança Social. Cada indicador é pontuado com 1 (favorável à resiliência) ou 0 (desfavorável), e o índice é calculado pela média aritmética dos subíndices. O IPRM foi calculado para todos os 5.570 municípios brasileiros, revelando um valor médio de 0,336. Os resultados demonstram desempenho abaixo do valor médio do índice proposto para a maioria das cidades, permitindo a identificação de lacunas e prioridades. A aplicação do IPRM contribui para a formulação de políticas públicas mais eficazes, promovendo a adaptação dos municípios às exigências das mudanças climáticas.
Áreas contaminadas trazem distintos desafios para a sociedade, tanto em sua amplitude de gestão, como na atribuição das responsabilizações legais e financeiras para sua mitigação, sendo esse cenário agravado quando se analisam zonas urbanas degradadas por múltiplos sítios (multissítios) com passivos ambientais (brownfields). Muitos problemas são resultantes da própria gestão dessas áreas, destacando-se a dificuldade de diálogo entre responsáveis legais, eventual existência de áreas contaminadas órfãs, além de conflitos entre autoridades públicas, dificultando o controle ambiental adequado do risco toxicológico existente. Disso decorrem inúmeros casos em que a judicialização, como instrumento de gestão, se torna uma estratégia preferencial, permitindo a protelação de investimentos pelos agentes poluidores, tornando secundária a solução do passivo ambiental. Derivam-se, portanto, impactos sociais e ambientais diversos decorrentes da demora na ação remediativa das áreas em pauta. Nesse contexto, a situação ambiental apontada necessitaria do desenvolvimento de um novo modelo conceitual de gestão de áreas contaminadas regionalizado em que o consorciamento entre agentes poluidores, tutelado pelo Estado, possa ser referido como alternativa eficaz ao controle dos riscos existentes. Nesse modelo conceitual de controle ambiental, a mensuração de preferências que a sociedade tenha quanto à melhor forma de gestão do meio ambiente e a mitigação dos passivos ambientais deve ser considerada, permitindo-se qualificar critérios de maior relevância em um projeto de remediação sustentável, analisando e discutindo a abrangência das externalidades e o impacto financeiro da solução. Este trabalho apresenta um caso de passivo em área multissítio existente na cidade de São Paulo (SP), Brasil, denominada Arco Jurubatuba. Nessa região há um histórico de inúmeros sítios de empresas de diversos setores produtivos qualificadas como áreas contaminadas, com agravamento ao risco ambiental derivado do adensamento populacional local, oriundo da mudança de uso dessa zona de industrial para residencial. A abordagem, considerando o contexto multissítios, desenvolvida no trabalho, visa a apresentar uma recomendação de modelo conceitual de gestão regional, que leve em consideração estudos de intrusão de vapores (IV) originários do solo e aquíferos locais severamente impactados por solventes clorados, que constituem fontes de riscos toxicológicos à população exposta. Nesse sentido, o mapeamento de gases em subsuperfície e a avaliação de seu risco possibilitarão o desenvolvimento de uma estratégia de drenagem e tratamento desses gases, saneando a região contra eventuais riscos à saúde humana. Por fim, o desenvolvimento de um modelo conceitual específico para investigação de passivos ambientais em áreas multissítios permitirá maior sensibilidade na avaliação de perigos e/ou riscos e alerta para a necessidade de mudança de paradigmas de controle de impactos ambientais por parte do Estado, conferindo maior segurança à população local.
Harmony Point, localizada na Ilha Nelson, no arquipélago das Ilhas Shetland do Sul, é uma das Áreas Antárticas Especialmente Protegidas (ASPA nº 133) de grande importância ecológica. Apesar de sua reconhecida relevância, a diversidade vegetal e os padrões da vegetação da região ainda não estão suficientemente documentados. Este estudo apresenta um levantamento florístico e fitossociológico detalhado e mapeia a distribuição espacial das comunidades vegetais em seis setores, incluindo quatro praias e dois platôs. O trabalho de campo foi realizado durante o verão austral de 2019, utilizando amostragem padronizada por quadrados e imagens aéreas obtidas por drones. Um total de 75 espécies foram identificadas, incluindo uma angiosperma (Deschampsia antarctica), 30 briófitas (27 musgos e 3 hepáticas), 42 líquens e 2 algas terrestres (Prasiola spp.). Sete comunidades vegetais distintas foram reconhecidas, moldadas por gradientes ambientais, influência da fauna (por exemplo, colônias de pinguins e petréis, lobos-marinhos e focas-de-Weddell) e disponibilidade de substrato. Uma nova associação zonal envolvendo Usnea aurantiacoatra, Himantormia lugubris e Ochrolechia frigida é descrita aqui pela primeira vez na Antártica. Nossos resultados destacam a relevância ecológica e a singularidade florística de Harmony Point e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e estratégias de conservação em vista do aumento das mudanças climáticas e da atividade humana na região.
A região da Chapada dos Veadeiros, nordeste do estado de Goiás, apresenta ocorrências de águas termais associadas a estruturas fraturadas em rochas supracrustais dos grupos Araí, Traíras, Paranoá e da Suíte Aurumina. Este trabalho visa estimar o volume de água e disponibilidade hídrica do sistema aquífero termal associado à Falha São Joaquim, mediante análise de parâmetros hidrogeológicos como índice de fraturamento, espessura saturada e coeficiente de armazenamento. O método adotado baseou-se no modelo conceitual de fluxo hidrotermal proposto para a região por Junqueira et al. (2022), no qual os principais condicionantes para a ocorrência de água quente são o fluxo regional da água subterrânea, gradiente geotérmico e presença de fraturas abertas em profundidades mínimas de cerca de 1 km. A reserva explotável ou disponibilidade foi obtida como um percentual da reserva permanente, a qual foi definida, considerando critérios conservadores quanto aos parâmetros de entrada nas equações. As áreas de recarga efetiva das águas termais correspondem às porções topográficas mais elevadas das serras do Rio Preto e Santana, situadas no setor nordeste da Chapada dos Veadeiros, caracterizadas por atitudes superiores a 1.100 m e declividades inferiores a 20%. Nesses setores, a infiltração ocorre principalmente em áreas de exposição rochosa ou em perfis de solos rasos. A maior altitude estabelece um gradiente hidráulico regional que direciona a água infiltrada para níveis profundos, onde o gradiente geotérmico natural eleva a temperatura do fluxo, viabilizando sua ascensão e exsudação termal ao longo de vias estruturais (falhas/fraturas). Nas estimativas das reservas hídricas, foram adotados: (i) índice de fraturamento interconectado entre 2,0 e 2,5% nas áreas de ocorrência comprovada de água naturalmente quentes; (ii) espessuras saturadas dos aquíferos variando conforme as unidades hidroestratigráficas consideradas; e (iii) 5% da reserva permanente (composta pelas parcelas de saturação e pressão), definido como a fração explotável integrante das disponibilidades. A comparação com estudos realizados na região de Caldas Novas (GO) e no sul do Distrito Federal mostra semelhanças na complexidade estrutural e no comportamento anisotrópico dos aquíferos fraturados, porém com valores distintos de disponibilidades, devido às diferenças do relevo, tipos de solos, contexto geológico e grau de estagnação da água no aquífero. Os resultados obtidos deverão subsidiar as ações para a operação, gestão dos sistemas de explotação e proteção dos recursos hídricos subterrâneos, fundamentais para manter a sustentabilidade das águas termais frente às crescentes demandas. Dentre as boas práticas de gestão que devem ser aplicadas ao aquífero da região destacam-se o monitoramento ativo da potenciometria dos poços e das vazões das nascentes e da qualidade das águas.