
As mudanças no uso e cobertura do solo e a dinâmica hidrometeorológica é fundamental para avaliar a gestão e a disponibilidade hídrica, e o objetivo deste trabalho na bacia do rio Celeste, entre 2013 e 2023. Com dados do MapBiomas e séries hidrometeorológicas, foram avaliadas transformações territoriais e seus efeitos sobre a vazão, por meio da avaliação de balanços hídricos e tendências. Verificou-se que, apesar da expansão das áreas agrícolas e da redução de pastagens e vegetação nativa, não houve significância na modificação do uso do solo. A série de vazão observada (Qm) apresentou variações ao longo do período, com maior disponibilidade hídrica até 2018 e declínio nos anos seguintes, e o teste de Mann-Kendall apontou tendência negativa fraca significativa (p = 0,05). A comparação entre a vazão observada e a vazão estimada pelo balanço hídrico (Qcalc = P – ETR) mostrou discrepâncias, sugerindo que a atuação de processos não captados pelo modelo simplificado deve ser reavaliada, como a análise de uma série de dados maior ou a inserção de informações sobre o uso dos recursos hídricos, o que reforça que a integração das informações hidrometeorológicas e de uso do solo é fundamental para a gestão dos recursos hídricos.
As transformações na paisagem urbana, impulsionadas pela expansão territorial e pela substituição de áreas vegetadas por superfícies impermeáveis, têm transformado a qualidade ambiental das cidades. Em Descalvado/SP, a ausência de instrumentos eficazes de regulação territorial, como planos diretores com sensibilidade ambiental, agrava os desequilíbrios ecológicos intraurbanos. Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo avaliar a qualidade ambiental do setor leste do município, a partir de uma leitura funcional da paisagem baseada no uso do solo. Os lotes foram classificados em 19 classes temáticas com base em critérios funcionais e ambientais. A cada classe foi atribuído um valor de Índice de Qualidade Ambiental (IQA), variando de 0 a 1, conforme parâmetros como cobertura vegetal, escoamento superficial, infiltração e estabilidade morfodinâmica. O IQA médio do setor foi de 0,47, indicando qualidade ambiental intermediária, com predominância de áreas impermeáveis e fragmentação da vegetação. Essa situação reforça a urgência de medidas compensatórias, como a criação de áreas verdes públicas e a exigência de jardins em novos loteamentos. Os resultados evidenciam a importância de se incorporar diagnósticos ambientais ao planejamento urbano, contribuindo para a elaboração de políticas mais sensíveis às dinâmicas ambientais locais.
O artigo aborda os desafios da produção de recursos didáticos acessíveis para o ensino de Geografia a alunos(as) com deficiência visual. A inclusão desses(as) estudantes no ensino regular exige adequações metodológicas e materiais específicos para garantir um aprendizado igualitário. No ensino de Geografia, em que o elemento visual é predominante, a ausência de materiais adequados dificulta a aprendizagem dos(as) alunos(as) com deficiência visual. São apresentados os desafios enfrentados por professores(as) na produção de recursos didáticos acessíveis, considerando a falta de formação específica, infraestrutura inadequada e a escassez de materiais adequados. Foi adotada uma abordagem qualitativa e de cunho exploratório, com aplicação de formulários eletrônicos a professores(as) de Geografia e desenvolvimento de um projeto prático de produção de materiais acessíveis. Como parte do estudo, foi confeccionado um mapa-múndi tátil com audiodescrição e legendas em Braille, produzido por alunos(as) sem deficiência, promovendo a conscientização sobre inclusão. Os resultados evidenciam que a formação docente limitada e a carência de suporte institucional são desafios relevantes para a produção de materiais didáticos acessíveis. Além disso, o estudo destaca a importância das tecnologias assistivas, como audiodescrição e aplicativos digitais, na facilitação do ensino para alunos(as) com deficiência visual.
O objetivo central desta pesquisa é investigar o conforto térmico humano (CTH) da população residente de Balneário Camboriú, Santa Catarina, que utiliza os ambientes abertos da cidade durante a estação do verão. Para tal, foram identificados quatro diferentes ambientes térmicos em morfologias urbanas distintas: P1 – “Orla da Praia Central”, área rodeada pelos edifícios que circundam a orla praiana; P2 – “Praia das Taquaras”, praia afastada do centro urbano; P3 – “Jornal Página 3” – local com menor verticalidade em um bairro residencial; e P4 – “Emasa”, situado em um grande desfiladeiro urbano. Foi utilizada a metodologia Sky View Factor (SVF) para caracterizar a morfologia urbana nos pontos escolhidos, e calibraram-se os índices PET (Physiological Equivalent Temperature) e UTCI (Universal Thermal Climate Index) para avaliar o CTH. O estudo demonstrou que o acesso à radiação solar ao nível do pedestre pode ser tanto favorecido quanto prejudicado na estação do verão, dependendo da morfologia urbana local e do horário do dia.
A dinâmica do regime hidrológico de um rio é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e a previsão de eventos extremos, como inundações e vazões mínimas. Entretanto, poucos estudos tratam da variabilidade temporal desses eventos e da influência de fenômenos climáticos globais. Este estudo analisou a série histórica de 1967 a 2022 do rio Pirapó, com base na estação fluviométrica Vila Silva Jardim, em Paranacity, noroeste do estado do Paraná. Foram identificados períodos de maior ocorrência de inundações e vazões mínimas, bem como a influência do El Niño Oscilação Sul (ENOS) sobre esses eventos. As inundações apresentaram maior associação com o El Niño, assim como as vazões mínimas, demonstrando menor influência da La Niña. A maior vazão da série, registrada em 2012, não coincidiu com anos de ENOS, sendo atribuída a chuvas intensas e concentradas na principal sub-bacia. Barramentos foram identificados como fatores com potencial de regulação dos eventos extremos futuros, os quais fazem parte da dinâmica ecológica dos rios e podem ser comprometidos por interferências. O estudo oferece subsídios relevantes para compreender a interação entre hidrologia, clima e ações antrópicas em bacias hidrográficas, contribuindo com informações estratégicas para a gestão dos recursos hídricos.
O gelo marinho (GM) desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático, influenciando as interações oceano-atmosfera na Península Antártica. Este estudo analisa a variabilidade sazonal e interanual da extensão do GM nos mares de Amundsen-Bellingshausen (MAB) e de Weddell (MW) entre 1979 e 2020, utilizando dados da reanálise ERA5 e testes estatísticos de Mann-Kendall e de Pettitt. Os resultados indicam redução significativa da cobertura de GM no MAB durante o verão e o outono austrais (~20%), em contraste com um aumento moderado em agosto e setembro (~10%), o que indica intensificação da sazonalidade. No MW, observou-se uma leve recuperação do GM em fevereiro e março (~18%). Essas variações estão associadas a modos de variabilidade climática e à baixa pressão do Mar de Amundsen (ASL).
Com este estudo, objetivou-se compreender como ocorrem o planejamento e a gestão do Cadastro Territorial Multifinalitário (CTM) em Salvador (BA), com ênfase no papel do geoprocessamento como elemento central na modernização e eficiência dos processos cadastrais. A metodologia adotada, de natureza qualitativa e caráter exploratório, foi centrada na análise do contexto do CTM de Salvador (BA) e na avaliação da relevância das geotecnologias como instrumento de aperfeiçoamento do cadastro. Nesta pesquisa, foi destacado o papel estratégico do geoprocessamento como ferramenta de suporte técnico para a modernização cadastral, evidenciando as vantagens da sua incorporação ao cadastro municipal. Além disso, foi reforçada a importância dos dados cadastrais como base essencial para uma gestão pública mais eficiente, integrada e orientada por evidências territoriais. Argumenta-se que a articulação entre o geoprocessamento e os dados coletados na atualização cadastral possibilita uma análise georreferenciada mais precisa e promove a integração entre os órgãos municipais. Dessa forma, contribui para a melhoria na qualidade dos dados territoriais, para aperfeiçoar os processos de análise espacial e fortalecer a capacidade de planejamento e tomada de decisão na gestão pública.
Geotourism has become a strategic tool for the development of tourism in various areas of the world. It demonstrates the value of geodiversity and the abiotic elements of natural heritage in the form of tourist attractions. In Uiramutã, a municipality in the state of Roraima, Brazil, with the largest indigenous population in the country (96.6%), geodiversity tourist attractions are commonly used to promote tourism in Roraima. This research is justified by the real possibility of implementing tourism in the region. It aims to analyze the perception of urban dwellers (including the Uiramutã and Makunaíma indigenous communities) about their understanding of geotourism and the way tourism is currently developed in the region. A semi-structured questionnaire was carried out with ten interviewees, and word clouds were produced to facilitate interpretation. The interviewees perceive the geodiversity (mountains, waterfalls, and rivers) that surrounds them as having strong symbolic value, which refers to the sacred for indigenous communities. Tourism is seen as a way of attracting financial resources for local development, although the indigenous communities are still in the processing how tourism has been carried out.
Social-spatial inequality refers to disparities between territories and their populations, encompassing income distribution, access to basic services, quality of life, and cultural, political, and historical factors that shape these disparities. The article analyzes social-spatial inequality in municipalities of Goiás, Brazil, using univariate and bivariate spatial techniques to identify patterns (clusters) of social exclusion and inclusion within a GIS environment. Spatial statistical techniques, such as Global and Local Moran’s I, were applied. Indicators of literacy, longevity, absence of housing infrastructure, and income were considered. The results revealed significant spatial dependence clusters in municipalities of the metropolitan region of Goiânia and surrounding the Federal District. In the univariate analysis, positive spatial autocorrelation was observed for all indicators. In the bivariate analysis, between the Municipal Development Index (IDM) and the selected indicators, negative spatial autocorrelation was identified, except for IDM–Longevity and IDM–Employment, which showed positive associations.
A escolha da localização é vital para muitos negócios, inclusive para as startups de saúde, as healthtechs. O artigo investiga os fatores que levam à concentração geográfica das healthtechs em São Paulo (SP), utilizando os conceitos da Geografia Econômica Evolucionária (GEE) e do geomarketing. O objetivo foi analisar a dinâmica geográfica, partindo da premissa de que a escolha da localização é motivada pela proximidade com a infraestrutura e os serviços de suporte dos polos acadêmicos e hospitalares. Para tanto, o estudo analisa a localização de uma amostra de healthtechs, classificando-as em grupos para correlacionar a proximidade e a interação com o ecossistema de inovação. Os resultados da análise geográfica com emprego de geomarketing demonstraram que as healthtechs mais jovens tendem a se localizar próximas aos polos acadêmicos, aproveitando a infraestrutura, o capital intelectual e as oportunidades de colaboração. Essa proximidade diminui à medida que elas evoluem e conquistam mercado. Conclui-se que a localização estratégica em alguns bairros, especialmente os de maior poder aquisitivo, bem como a proximidade a hospitais e universidades, é um fator crucial para a evolução das healthtechs, fomentando o ecossistema local de inovação em saúde.
Este ensaio propõe o conceito de paisagem térmica para ler o calor e o frio como materialidades climáticas mensuráveis e, simultaneamente, como fenômenos compreendidos na produção do espaço. A paisagem térmica descreve a configuração socioespacial e histórica das condições térmicas, resultante do acoplamento entre o balanço energético e as formas de urbanização, infraestrutura, moradia, usos do solo e modos de vida. Quando as diferenças térmicas se traduzem em assimetrias de exposição, proteção e resposta, fala-se em desigualdade térmica, atravessada por classe, raça, gênero e localização. A argumentação teórico-analítica articula contribuições da Geografia do Clima e da Climatologia Urbana Crítica com debates sobre justiça ambiental e com as dimensões culturais, midiáticas e rítmicas do cotidiano, tratando o calor e o frio de forma simétrica e indo além de enquadramentos restritos às ilhas de calor. O texto também apresenta que a leitura deve ser contínua entre o urbano e o não urbano, reconhecendo que a paisagem térmica se expressa em bairros, periferias e áreas rurais, onde a infraestrutura, o uso do solo e as práticas de vida modulam o conforto e o risco térmico.
As áreas protegidas são ambientes naturais, mas também devem ser compreendidas em seu contexto social e cultural, pois são igualmente espaços sociais. Assim, a proposta deste trabalho é analisar os desafios, as tensões e as oportunidades do uso compartilhado do território da Unidade de Conservação (UC) Monumento Natural Municipal Gruta Nossa Senhora da Lapa, situada no distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto (MG), pela atividade turística de visitação e pelas tradições do patrimônio cultural vinculadas à Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição da Lapa. A pesquisa buscou analisar a relação entre a preservação ambiental e a apropriação do território da UC pelo turismo cultural. A relevância do estudo reside na análise dos mecanismos de gestão existentes, com vistas a planejar o uso compartilhado do território, evitando ou minimizando conflitos socioambientais. A metodologia considerou a análise do acervo documental no período de 2010 a 2025. A base metodológica foi composta pelas seguintes etapas: 1) pesquisa documental em setores institucionais; 2) levantamento bibliográfico; 3) análise SWOT. Como resultado, espera-se que os resultados subsidiem a gestão do turismo, considerando a heterogeneidade das representações sociais sobre o patrimônio.
A expansão urbana desordenada exerce forte pressão sobre ecossistemas sensíveis, como os manguezais, comprometendo seu equilíbrio ambiental. Nesse contexto, as geotecnologias configuram-se como ferramentas estratégicas para o monitoramento e gestão ambiental nessas áreas. Este estudo analisou as transformações no uso e na cobertura da terra na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal (RDSM) do Manguezal de Cariacica – ES, entre 2007 e 2023, com base em dados da Coleção 9 do MapBiomas. As imagens foram processadas nos softwares QGIS e RStudio, com aplicação de estatísticas espaciais, como o Índice Local de Moran (LISA). Os resultados revelam uma intensificação dos usos antrópicos desde a criação da reserva, impulsionada pelo adensamento urbano associado à expansão da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV). Atualmente, cerca de 28% da área da RDSM está ocupada por uso urbano. Em contraste, a cobertura de manguezal apresentou estabilidade, com um aumento de 0,88% no período analisado. Considerando políticas conservacionistas e preservacionistas, a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a criação de corredores ecológicos são essenciais para mitigar os efeitos da urbanização e preservar a funcionalidade ecológica dos manguezais.
Objetivou-se analisar o assoreamento do canal fluvial Agripino, em Rio Preto da Eva (AM) e caracterizar os sedimentos acumulados ao longo do canal. Inicialmente, a extensão do depósito foi mensurada com o uso de imagens de alta resolução obtidas por Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), juntamente com as observações de campo. A análise granulométrica foi baseada na coleta de amostras em três pontos do canal, utilizando-se a draga Van Veen. A seleção dos pontos tem relação com as áreas de maior deposição de sedimentos ao longo do canal, oriundos da presença de uma voçoroca e das encostas por meio do transporte de partículas por escoamento superficial, ambas fontes dos sedimentos. Confirma-se que a maior parte dos sedimentos acumulados no canal Agripino em sua porção média resulta de material proveniente da voçoroca existente nesse trecho, em encosta com solo do tipo Latossolo Amarelo Distrófico. Os resultados indicam frações arenosas, com destaque para areia fina. O ponto 7 apresentou maior presença de lama (argila síltica), enquanto os pontos 5 e 6 mostraram 86,7% de areia. Nota-se que a maior parte dos sedimentos finos vindo da voçoroca estão sendo transportados para fora do canal Agripino, seguindo em direção ao rio Preto da Eva.
Um espetáculo teatral que acontece em percurso itinerante do centro à extrema periferia de São Paulo pode ser analisado geograficamente? O artigo objetiva descrever e minuciar os procedimentos metodológicos e criativos de um trabalho de campo realizado em caráter imersivo, percursos etnográficos e observação-participante no cotidiano de um coletivo cultural periférico no bairro do Jardim Romano, zona leste da capital paulista. Destacadamente, o mergulho se deu no processo artístico, em ensaios e apresentações da obra “A cidade dos rios invisíveis”, no contexto de uma pesquisa de doutorado. Como resultado, a “tradução” geográfica desse acontecimento teatral periférico é posta em prática criativamente durante a experiência empírica, bem como no tratamento dos dados e redação do texto da pesquisa. Nesse conjunto, possibilidades e limites de aproximação entre a geografia e as artes são refletidos para responder a essa pergunta.
O conhecimento sobre a interação entre a distribuição espacial da chuva e o relevo permite técnicas mais precisas de mensuração e de identificação de padrões que auxiliem o planejamento e a gestão ambiental. Nessa perspectiva, este trabalho objetivou analisar essa relação por meio de técnicas de geoprocessamento que integraram a série histórica de chuvas à hipsometria, à declividade e ao cálculo de dissecação do relevo na Bacia Hidrográfica dos rios Grande, Negro e Dois Rios, localizada majoritariamente na região serrana do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Os resultados indicaram que a setorização da bacia favoreceu a análise da relação entre chuva e relevo, evidenciando tanto limitações quanto potencialidades na mensuração estatística por meio do índice de correlação de Pearson. Observou-se que o alto curso é o principal responsável pela entrada de água na bacia, especialmente nos meses de inverno. Verificou-se, ainda, um padrão de elevada dissecação do relevo nas áreas de maior altitude e de maior concentração de chuva. Esses resultados contribuem para o aprimoramento da caracterização do regime pluviométrico da área de estudo, de sua interação com o relevo e para a identificação de zonas mais suscetíveis à erosão, aos movimentos de massa e à recarga de mananciais.
Este artigo analisa as transformações no uso e cobertura da terra em Terras Indígenas da Amazônia Maranhense entre 2000 e 2023, com foco na identificação de padrões espaciais e temporais associados às pressões externas, especialmente do agronegócio. Trata-se de uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa, que utiliza dados de sensoriamento remoto do MapBiomas, técnicas de geoprocessamento em ambiente SIG e modelagem estatística longitudinal por Equações de Estimação Generalizadas (GEE). Os resultados indicam um declínio contínuo da formação florestal (–0,081% ao ano) e avanço das pastagens (+0,0961% ao ano), com destaque para a Terra Indígena Rio Pindaré, que apresentou o maior incremento de áreas antrópicas. As Terras indígenas Caru e Araribóia também registraram perdas florestais relevantes. Observou-se o crescimento da silvicultura e das lavouras temporárias, bem como o aumento da fragmentação florestal e da proximidade com estradas e zonas de expansão agropecuária. Os modelos GEE confirmaram a influência de fatores externos sobre as dinâmicas territoriais. Conclui-se que, embora desempenhem papel estratégico na conservação florestal, as Terras Indígenas estão submetidas a intensas pressões, exigindo o fortalecimento da governança indígena e políticas públicas eficazes de proteção socioambiental.
O objetivo deste trabalho foi analisar o uso e cobertura da terra da bacia hidrográfica do rio Itapecuru, relacionando a distribuição e a concentração das classes de uso e cobertura da terra com o padrão de qualidade da água. Os mapas de uso e cobertura da terra foram desenvolvidos a partir de imagens do satélite OLI/Landsat 8 em 2003 e 2023, confeccionados com o software de domínio público Quantum GIS (QGIS), enquanto os dados de qualidade de água foram obtidos no Portal HidroWeb do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), com a série histórica de 2003 a 2023. Verificou-se, nesse período, uma redução de 17,14% na área das classes de uso e cobertura da terra que representam a vegetação nativa, especialmente formações florestais e savânicas. Em contrapartida, houve aumento das classes associadas ao uso alternativo do solo (antropização), principalmente da pastagem, com avanço de 10,18%, e da agricultura, com avanço de 6,30%. Observou-se, ainda, que o rio Itapecuru apresenta melhor qualidade da água nos trechos com maior proporção de vegetação nativa, no alto curso, e pior qualidade nos trechos com maior predominância de usos alternativos do solo, nos médio e baixo cursos.
A cárie dentária é uma doença biofilme-açúcar-dependente complexa que afeta grande parcela da população mundial. O acesso ao flúor, a redução do consumo de carboidratos e a ampliação dos serviços odontológicos têm contribuído para a diminuição de sua prevalência e incidência. Para avaliar a presença da cárie em crianças, são utilizados levantamentos epidemiológicos. Analisou-se a prevalência da cárie em crianças brasileiras, com foco nas necessidades de tratamento e no impacto do flúor no Brasil. A pesquisa foi baseada nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal de 2010 e 2023, envolvendo 10 mil crianças de 12 anos nos municípios brasileiros. A experiência da cárie foi mensurada pelos índices ceo-d e CPO-D. Os resultados mostraram que 63% das crianças estavam livres de cárie em dentes permanentes, enquanto apenas 30% não apresentaram lesões de cárie em dentes decíduos. Houve baixa prevalência de cárie na dentição permanente, com alguns estados (Distrito Federal e Santa Catarina) apresentando índices melhores que a média nacional. No entanto, a cárie na dentição decídua foi mais frequente. Esses dados reforçam a importância de ações preventivas e de políticas públicas para a saúde bucal infantil e do uso contínuo do flúor nas águas de abastecimento público e dentifrícios bucais.
Caminhada em trilha ecológica é a atividade mais praticada em unidades de conservação (UC). Todavia, criar uma trilha exige planejamento para amenizar a degradação tanto na construção quanto no uso. O objetivo desse estudo foi criar uma trilha estruturada (mapeada, sinalizada e classificada) em uma UC da Mata Atlântica em Capela, Sergipe, Brasil. A Trilha do Pau-brasil, com 6,11 km, foi criada com poucas intervenções no ambiente, seguindo os princípios que regem as visitas em UC. O mapeamento traçou a altimetria e identificou 17 pontos com potencial didático para atividades de lazer e de educação ambiental. A trilha foi sinalizada com placa de entrada e sinalização de percurso a partir de um referencial técnico, usando materiais acessíveis, de fácil manutenção para diminuir o impacto do uso e proporcionar segurança aos usuários. Foi classificada como moderadamente severa, com caminho ou sinalização que indica continuidade, terrenos irregulares e grau de esforço físico significativo. Assim, a Trilha do Pau-brasil torna-se um instrumento de imersão em um ambiente de Mata Atlântica que conecta pessoas à natureza e ao lugar, com papel importante no desenvolvimento local, na formação e fortalecimento do comprometimento socioambiental atento às questões desse bioma, principalmente pelas comunidades habitantes do seu entorno.