
Este estudo apresenta uma revisão sistemática da literatura sobre o uso da inteligência artificial na Educação Matemática, com o objetivo de mapear e analisar pesquisas que abordam essa intersecção em contextos educacionais diversos. A investigação baseia-se em uma metodologia rigorosa de seleção, categorização e análise de produções científicas disponíveis em bases nacionais e internacionais, considerando publicações entre 2020 e 2025. A sistematização dos dados revela tendências, enfoques teóricos e metodológicos, bem como lacunas e potencialidades para o desenvolvimento de práticas educativas mediadas por tecnologias inteligentes. Os resultados evidenciam uma crescente valorização da inteligência artificial como recurso didático e investigativo, destacando seu papel no estímulo ao pensamento matemático, na personalização da aprendizagem e na mediação de processos reflexivos. A revisão contribui para ampliar o debate sobre as implicações pedagógicas, éticas e epistemológicas da inteligência artificial na formação matemática, oferecendo subsídios para pesquisadores, professores e professoras interessados em construir experiências formativas críticas e inovadoras.
O acelerado avanço das tecnologias de inteligências artificial, em especial dos chatbots, apresenta oportunidades e desafios para a educação. A escola pode promover o desenvolvimento de competências voltadas ao conhecimento e à compreensão da inteligência artificial. Neste contexto, este artigo tem como objetivo relatar e refletir sobre a aplicação dessa tecnologia no ensino de funções quadráticas no ensino médio. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo e interpretativo, que apresenta a experiência de uma docente, participante de um projeto de formação sobre o uso pedagógico da inteligência artificial. A professora desenvolveu e aplicou sequência didática sobre funções quadráticas em uma turma de 30 estudantes. A análise dos dados revelou que a utilização da inteligência artificial pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem, desde que se promova um olhar crítico dos estudantes sobre o uso dessa ferramenta, demonstrando que, embora os estudantes tenham familiaridade crescente com essas ferramentas, seu uso ainda é marcado por superficialidade, com pouca avaliação sobre a confiabilidade das respostas geradas ou os vieses nelas presentes. A pesquisa contribuiu para o aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem, além de evidenciar a importância de promover o olhar reflexivo e o rigor crítico dos estudantes e do ponto de vista docente os dados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à formação de professores para atuarem como mediadores críticos dessas tecnologias. Conclui-se embora os avanços sejam visíveis, persistem desafios estruturais, como a utilização acrítica por parte dos estudantes além da carência de formações docentes específicas e para superá-los, é fundamental que a inteligencia artificial generativa seja compreendida não como solução técnica, mas como instrumento passível de adaptação às necessidades pedagógicas, a fim de estabelecer práticas dialógicas, reflexivas e críticas em sua implementação.
Este artigo tem como objetivo relatar uma estratégia didática que integrou o uso de inteligência artificial generativa de imagens como forma de expressão dos sentimentos dos estudantes em relação à matemática. A proposta foi desenvolvida em novembro de 2024 com 56 alunos dos anos finais do ensino fundamental, em uma escola pública do município de Arroio Grande/RS. Os estudantes foram organizados em grupos e utilizaram a IA Copilot para criar imagens a partir de prompts elaborados por eles mesmos. A atividade buscou promover um espaço de escuta e reflexão, valorizando o olhar individual dos alunos e permitindo a compreensão de suas percepções afetivas sobre a disciplina. Os resultados revelaram uma diversidade de sentimentos — desde rejeição e medo até encantamento e prazer —, organizados em categorias que refletem diferentes visões sobre a matemática. Por fim, o estudo reforça a importância de novas metodologias e tecnologias digitais na ressignificação das experiências escolares, contribuindo para uma educação mais sensível, significativa e transformadora.
The use of generative artificial intelligence has been debated for the past few years. Motivated by game development, this study proposes using ChatGPT as a leading agent in coding a 3D 4x4x4 Tic-Tac-Toe. The main goals of the study were to comprehend whether ChatGPT could develop the game code with minimal aid and to what extent students could enhance their computational thinking skills when engaged in this process. Inspired by Papert’s work, this study presents an appealing collaboration. It combines the computational power of generative artificial intelligence with human intervention, providing a rich and productive learning environment. The study employs a methodology to interact with ChatGPT, while analyzing its autonomy in light of the challenges faced and students’ learning outcomes throughout the process. Findings suggest that ChatGPT has the potential to develop games mostly independently. Yet, human intervention is still needed, and knowledge-building is still evident.
Este artigo apresenta uma revisão narrativa da produção científica brasileira sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na Educação Matemática, a partir da análise de 19 estudos levantados na base Periódicos da CAPES. Com o objetivo de analisar a produção científica nacional sobre o uso da IA na Educação Matemática no período de 2020 a 2025, utilizou-se de uma abordagem qualitativa cuja análise comparou metodologias, resultados, contribuições e direções futuras. Os trabalhos indicam uma diversidade de abordagens, com destaque para aplicações pedagógicas práticas da IA, reflexões teóricas e propostas para a formação docente. No entanto, observa-se escassez de pesquisas que avaliem o impacto da IA na aprendizagem. Os resultados apontam tendências promissoras, como o uso de plataformas digitais, o desenvolvimento do pensamento computacional e a necessidade de inserção crítica da IA nos currículos escolares. O estudo conclui que, embora a IA apresente potencial transformador, sua integração ao ensino de Matemática requer maior investimento em pesquisa, formação e infraestrutura.
A Inteligência Artificial (IA), especialmente em sua vertente generativa, tem provocado um deslocamento significativo nas agendas recentes de pesquisas nas áreas de Ensino e Educação. Nos últimos anos, multiplicaram-se edições temáticas e dossiês de periódicos dedicados a problematizar os impactos epistemológicos, éticos e pedagógicos da IA generativa (IAg). No Brasil, editoriais como os publicados na Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, na Revista Interinstitucional Artes de Educar e na Revista Docência e Cibercultura situam a IAg não apenas como recursos, mas também como fenômeno sociotécnico que tensiona concepções de autoria, avaliação e produção de conhecimento. No cenário internacional, periódicos como o Journal of Digital Life & Learning, o Journal of the Chartered College of Teaching, o Journal of Education Technology e o Information and Learning Sciences também organizaram números especiais sobre IA, enfatizando temas como uso seguro e significativo, equidade e engajamento, transformação institucional e regulação responsável da tecnologia educacional.
O teorema de Pitágoras, apesar de ser um dos temas mais recorrentes no contexto escolar, desafia a consolidação de salas de aula inclusivas quando as abordagens tradicionais algébricas limitam a compreensão conceitual e espacial dos alunos. Apesar dos marcos legais garantirem direitos educacionais acessíveis aos alunos em suas diferentes necessidades, ainda são necessárias práticas pedagógicas flexíveis que atendam às suas múltiplas demandas. Com base nessas premissas, este artigo propõe e analisa três tarefas didáticas para o ensino do teorema de Pitágoras: quebra-cabeças impresso em papel, quebra-cabeças impresso em modelo tridimensional e o uso da inteligência artificial generativa (IAg) para uma composição musical. Fundamenta-se no Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), com princípios de engajamento, representação, ação e expressão, e na semiótica peirciana. Metodologicamente, adota revisão integrativa qualitativa, com elaboração propositiva de tarefas a partir da experiência docente e protótipos próprios, sem análises empíricas. As tarefas envolvem manipulação tátil e visual de quebra-cabeças para visualização espacial e criação musical com IA para expressão criativa, em grupos, com questionários e apresentações. Os resultados apontam a emergência de signos pivô que transitam do sensorial ao simbólico matemático, alinhando-se ao DUA por eliminar barreiras, promovendo autonomia e colaboração.
With the dramatic increase in the number of refugees over the past decade, implementing a 21st-century education has presented numerous challenges for teaching and learning math in multilingual and multicultural environments. Additional-language learners (ALLs) often struggle not with mathematical reasoning itself but with the linguistic and cultural demands embedded in 21st-century pedagogy. This study investigates the potential of generative artificial intelligence (GenAI) to empower additional language learners in 21st-century math classes particularly in the light of United Nations 2030 Agenda for Sustainable Development, which aims to guarantee inclusive and equitable quality education for all learners. Drawing on current literature on GenAI in education and semi-structured expert interviews, the study synthesizes how Generative AI tools such as adaptive learning systems, and language-support tools, interactive tools, and analytics dashboards can align with 21st-century pedagogical goals and the “4C” competencies of creativity, critical thinking, communication, and collaboration. Findings indicate that AI-driven tools can enhance access to mathematical discourse, personalize learning pathways, foster inclusive participation when implemented with cultural and ethical sensitivity, and relieve teachers’ workload while supporting more equitable instruction. However, the positive role of AI in 21st-century math classrooms for ALLs depends on strict human oversight, protection of learner data, sensitivity to local contexts, and institutional support for training and critical evaluation. The study examines how specific AI affordances relate to the linguistic and cultural challenges faced by ALLs, offering practical guidance for researchers, developers, and educators aiming to design inclusive, human-centered AI systems for mathematics education.
Com o objetivo de apresentar parte de uma pesquisa em desenvolvimento sobre a utilização da Inteligência Artificial (IA) na proposição de práticas inclusivas no âmbito da neurodiversidade, responde a seguinte pergunta: quais são os elementos que influenciam na validade de respostas dadas pela IA e que precisamos considerar na constituição de práticas inclusivas no contexto da neurodiversidade? Através de uma análise de conteúdo gerado na utilização de dois serviços de IA, ChatGPT e Gemini, ao ser solicitado a construção de polígonos regulares, identifica como respostas para a zona de inquérito da pesquisa a existência de três elementos: (1) aspectos socioeconômicos: gerados pelas diferentes versões (pagas e gratuitas) disponibilizadas para acesso; (2) aspectos comunicativos: os quais se revelam na linguagem e principalmente nos múltiplos sistemas de representação semiótica; e (3) aspectos interacionais: que surgem a partir das particularidades no campo da neurodiversidade, e que nos direcionam a refletir sobre as necessidades e rigidez cognitiva que alguns estudantes neurodivergentes apresentam e como a interação com a IA pode impactar no superar de tais necessidades seja de modo positivo ou negativo. A partir dos resultados os autores concluem que são necessários cuidados em sua aplicação, apontando a necessidade de determinados conhecimentos técnicos para maior proficiência no uso e desenvolvimento deste tipo de tecnologia.
Este artigo tem como objetivo analisar a utilização da Inteligência Artificial (IA) Generativa, especificamente do ChatGPT, na elaboração de Tarefas Matemáticas (TM) destinadas ao ensino de estatística no 7º ano do Ensino Fundamental. A pesquisa, de abordagem qualitativa e natureza exploratória, foi desenvolvida em três etapas: (1) construção de estratégias de interação com a IA, com base em referenciais sobre Tarefas Matemáticas, ensino exploratório e o ensino de estatística; (2) geração de tarefas a partir de prompts estruturados e (3) análise qualitativa das tarefas, com base em critérios como clareza, contextualização, alinhamento curricular, demanda cognitiva, potencial investigativo e suas tipologias. As tarefas foram produzidas de forma orientada e avaliadas a partir de um checklist, considerando também registros das interações com a IA e reflexões dos pesquisadores. Como resultado, foram obtidas três TM alinhadas à três habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cada uma explorando diferentes objetos de conhecimentos da estatística: média e amplitude, planejamento de pesquisa e análise crítica de gráficos. As análises indicam que as TM apresentaram clareza nos enunciados, contextualização significativa e elevado potencial de exploração e investigação, favorecendo o raciocínio estatístico e a comunicação matemática. Conclui-se que a IA pode ser uma ferramenta de apoio à prática docente, notadamente pala a elaboração de TM, desde que seu uso seja mediado criticamente pelo professor. Outrossim, ressalta-se que a eficácia dessas TM depende dos caminhos didáticos adotados em sala de aula, reforçando o papel do professor como agente central no processo de aprendizagem.
Este trabalho partiu de uma inquietação ao ler e constatar o cenário de dificuldades que gestores, professores e alunos têm encontrado na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral (CDI) nos cursos de Engenharia. Ao buscar respostas na literatura, percebe-se que qualquer esforço para uma melhoria na qualidade do ensino de CDI deveria começar por uma compreensão das crenças e concepções de caráter epistemológico dos professores e de como estas estão relacionadas com suas práticas pedagógicas. Assim, define-se como objetivo geral deste estudo: investigar e compreender crenças e concepções sobre a natureza da Matemática de professores que lecionam CDI nas Engenharias e investigar a correlação destas com suas práticas. Escolhida a natureza qualitativa com enfoque no estudo de caso como diretriz metodológica de pesquisa, pensou-se em dois instrumentos para uma produção e coleta de dados. A interpretação e análise dos dados obtidos, em cruzamento com os elementos da fundamentação teórica (THOMPSON, 1982; ERNEST, 1988; PONTE, 1992) usada, indicaram que crenças e concepções mobilizadas pelos professores estão relacionadas às suas histórias de vida e experiências profissionais. Entretanto, constatamos que crenças e concepções dos professores acerca da natureza da Matemática e do seu ensino, identificadas pelos depoimentos dos mesmos por meio do tema formação profissional, estão ligadas, mas não se correlacionam diretamente. Assim, elementos de concepções distintas foram identificados no mesmo professor.
Neste artigo apresentamos uma ambiência construída segundo concepções da Modelagem Matemática e da Educação Online para o ensino de geometria euclidiana a partir de interações entre mediador, participantes e conteúdos matemáticos. Dessa forma, assumimos o objetivo de responder a seguinte questão de investigação: Que/Como poderes matemáticos, estratégias pedagógicas e temas matemáticos apareceram entre estudantes, mediador e conteúdos matemáticos, durante o desenvolvimento da tarefa Estação de Bombeamento no ambiente online VMTcG? Para alcançar este objetivo fizemos parte da equipe que planejou, elaborou e efetivou o curso “Interações e Estratégias de Modelagem no ambiente VMTcG”, no segundo semestre de 2018. Os encontros síncronos no ambiente online Virtual Math Teams com GeoGebra contou com a participação de graduandos do curso de Matemática da Universidade Federal do Pará e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Os dados foram produzidos pelos graduandos no desenvolvimento das tarefas de Modelagem Matemática, no ambiente online Virtual Math Teams com GeoGebra, permitindo posterior acesso aos chats, às construções feitas no quadro branco e às construções feitas no GeoGebra, armazenadas no próprio ambiente. Para análise dos dados utilizamos as quatro fases de análise de chats. Os resultados mostraram que a tarefa de Modelagem Matemática desenvolvidas de forma síncrona no ambiente online Virtual Math Teams com GeoGebra, foi profícua para a manifestação de estratégias pedagógicas, poderes matemáticos e temas matemáticos.
Neste artigo nos interessamos pelos focos das pesquisas stricto sensu brasileiras que tematizaram a Investigação Matemática na Educação Matemática, publicadas no período de 2014 a 2023. Com base nos pressupostos da pesquisa qualitativa fenomenológica-hermenêutica, conduzimo-lo com a seguinte interrogação: o que focam as pesquisas stricto sensu brasileiras em Investigação Matemática na Educação Matemática? Como desfecho os focos convergem para cinco temáticas: contribuições da Investigação Matemática; estratégias adotadas por alunos e professores no uso da Investigação Matemática em sala de aula; proposição de produtos educacionais pautados na Investigação Matemática; adoção da Investigação Matemática em sala de aula; e natureza e fundamentos da Investigação Matemática. Da análise é possível inferir que a maioria das pesquisas foca em aspectos da prática pedagógica com a Investigação Matemática em sala de aula, o que nos faz perguntar sobre as razões pelas quais as pesquisas stricto sensu brasileiras em Investigação Matemática na Educação Matemática têm priorizado estudos empíricos em detrimento de estudos teóricos.
Este artigo apresenta uma investigação inserida no âmbito do projeto “Desenvolvimento de Práticas em Matemática: intervenções nos processos de ensino e de aprendizagem na educação básica por meio do curso matem@tica na pr@tica” do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, a qual teve por objetivo verificar as possíveis contribuições da utilização de materiais manipuláveis e atividades investigativas na construção de conceitos geométricos, em particular, relacionado a propriedade de rigidez do triângulo. Para tanto, foi realizado um estudo de natureza qualitativa, onde foi empregado a investigação matemática como estratégia pedagógica, com uma turma de 2º Ano do Ensino Médio, de uma escola pública no estadual situada na região da Chapada Diamantina/BA. Os dados foram analisados sob a perspectiva da análise do conteúdo em duas vertentes: (a) a propriedade rigidez do triângulo e (b) o experimento didático – construção de uma ponte de palito de picolé. Os resultados apontam que o material construído favoreceu a identificação da propriedade de rigidez do triângulo e as atividades investigativa proporcionou aos estudantes ampliar seus conhecimentos a respeito do triângulo e suas propriedades, permitindo-lhes compreender sua importância para o mundo real, dado suas infinitas aplicações na Construção Civil, Matemática, Física e outras áreas de conhecimento.
São perceptíveis os desafios enfrentados pelos professores no ensino de Matemática, no que diz respeito ao interesse dos estudantes pela disciplina e ao entendimento dos conceitos matemáticos por parte dos alunos. A justificativa desse trabalho se dá através da necessidade de se pensar em novas possibilidades para o ensino de matemática, a fim de que haja o desenvolvimento de um pensamento crítico e democrático por parte dos alunos. A questão colocada é: a contextualização dos conceitos matemáticos paralelo ao uso de recursos tecnológicos contribuirá para a aprendizagem significativa dos alunos, alcançando assim um melhor entendimento acerca dos conteúdos lecionados? O objetivo geral deste artigo é a construção de conhecimentos de conteúdos de Estatística e porcentagem por um viés da Educação Matemática Crítica (EMC). Dialogar acerca de temáticas como a desigualdade de gênero na política brasileira e a falta de acesso ao saneamento básico nas aulas de Matemática é de suma importância para possamos formar cidadão críticos e reflexivos, podendo assim transformar a sociedade em que vivem. Espera-se que, com as atividades aqui propostas, o ensino de matemática seja mais significativo para os alunos.
Este estudo tem como objetivo analisar a defasagem matemática causada pela pandemia de Covid-19 em alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, sob a perspectiva docente. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas com três professoras de matemática, visando compreender os desafios enfrentados no ensino remoto e as estratégias adotadas para minimizar a defasagem. Teoricamente, o estudo aborda as dificuldades relacionadas ao acesso às Tecnologias Digitais e à desmotivação dos alunos, agravadas pelas desigualdades educacionais. Os resultados revelam que a ausência de interação presencial e a falta de preparo para o ensino remoto impactaram negativamente o aprendizado, evidenciando uma defasagem nos conteúdos fundamentais. As reflexões indicam a necessidade de formação contínua para os professores e investimentos em infraestrutura tecnológica, com vistas a reduzir as lacunas educacionais criadas ou acentuadas pela pandemia.
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa realizada com alunos do 3º semestre do curso de Licenciatura em Matemática do (omitido para avaliação). Participaram da pesquisa os estudantes matriculados na disciplina de Geometria Espacial do referido curso. O objetivo da pesquisa foi verificar como a utilização do modo arrasto de um ambiente de geometria dinâmica poderia contribuir para a evolução do raciocínio geométrico através da transição das abstrações empíricas para abstrações reflexionantes, partindo de atividades de testagem e exploração até a construção de argumentação e demonstrações matemáticas. O ambiente de geometria dinâmica utilizado foi o software GeoGebra e a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget serviu de embasamento teórico para as análises das produções dos estudantes, permitindo identificar as formas de pensamento dos mesmos durante a atividade e os avanços cognitivos através das abstrações observadas. A principal atividade desenvolvida foi uma construção no GeoGebra no formato de caixa-preta, na qual pode-se observar que as manipulações dos estudantes partiram de explorações empíricas que aos poucos produziram reflexionamentos e reflexões que possibilitaram aos alunos além de compreender conceitos geométricos envolvidos na construção, também elaborar uma argumentação coerente a respeito das propriedades matemáticas observadas.
Este artigo apresenta uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa e tem como procedimento de análise a produção de significados, pautada nas ideias do Modelo dos Campos Semânticos, constituindo como atores, participantes de um processo de formação de professores, envolvendo licenciandos em Matemática e bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, com o objetivo de analisar processos de nucleação (constituição e transformação de núcleos), tematização da lógica das operações e maneiras de operar, a partir de distintos campos semânticos. O referido processo de formação aborda a construção dos números figurados bidimensionais a partir da perspectiva histórica da escola pitagórica, envolvendo materiais didático-pedagógicos manipulativos. A produção e análise ocorreram considerando-se as ações enunciativas dos participantes e a investigação possibilitou que se realizasse a identificação de aspectos relevantes nas maneiras de operar dos participantes. O procedimento apresentado, permitiu que se aflorasse a dialogicidade, bem como o exercício de ler e ouvir os participantes, após se considerar outras maneiras de operar que não fossem as autorizadas e legitimadas por livros, programas, autores e professores.
Este artigo tem por objetivo apresentar uma pesquisa que buscou mapear, descrever e sistematizar as teses brasileiras sobre o ensino e a aprendizagem de probabilidade na Educação Básica. Foram analisadas teses produzidas de maio de 1994 a junho de 2021 em programas de pós-graduação Stricto Sensu reconhecidos pela CAPES, das áreas de Educação e Ensino. Através de uma revisão bibliográfica do tipo estado da arte, identificamos 332 teses e dissertações, das quais 21 foram selecionadas após critérios de exclusão. A análise revelou a diversidade de abordagens, lacunas e possibilidades de aprimoramento na Educação Probabilística. As conclusões destacam a importância de desenvolver estratégias e abordagens que promovam uma educação probabilística eficaz e abrangente, e que contribuam para a melhoria da qualidade do ensino de probabilidade na Educação Básica no Brasil.
Este artigo apresenta uma pesquisa qualitativa bibliográfica buscando identificar e analisar as pesquisas publicadas, tanto de abrangência nacional como internacional, envolvendo a temática do ensino de demonstrações geométricas com o auxílio de ambientes de geometria dinâmica. Para atingir este objetivo, realizamos uma Revisão Sistemática de Literatura envolvendo publicações em português, inglês e espanhol, de modo a conseguir uma abrangência de resultados significativos que torne a pesquisa consistente e confiável. A análise realizada teve caráter predominantemente qualitativo, visando ressaltar a relevância das atividades propostas e da metodologia empregada nas pesquisas encontradas. Os resultados mostram que a produção nacional sobre este tema é equiparável às produções internacionais, e que o ambiente de geometria dinâmica mais utilizado pelos professores e pesquisadores da área de ensino de matemática é o software GeoGebra. Além disso, esta revisão de literatura mostra que existem poucas publicações que se baseiam em atividades que realmente aproveitam o potencial dos ambientes de geometria dinâmica para produzir conhecimentos sobre demonstrações geométricas a partir da interação dos próprios estudantes com o software, fator determinante para a construção do próprio conhecimento, evidenciando assim a necessidade de novas pesquisas sobre o tema.