
Este artigo estuda tanto as noções de raça, estereótipo e preconceito quanto as de casta e clã empregadas por Marvel Moreno para expressar os códigos da elite de sua Barranquilla ficcional. Essas noções são analisadas em relação ao significado atribuído pelo historiador Jaramillo Uribe. Examinam-se, assim, os preconceitos ligados à cor da pele, à ascendência, à mestiçagem, à mulher e aos casamentos mistos.
O médico-veterinário exerce um papel fundamental na sociedade, pois, além de atuar diretamente na saúde dos animais, contribui para a saúde pública e para a segurança alimentar da população. Contudo, observa-se nos últimos anos um aumento de escândalos e infrações éticas envolvendo profissionais da área, amplamente divulgados pela mídia. O objetivo geral desta pesquisa é analisar a percepção dos médicos-veterinários das diferentes regionais brasileiras sobre a adoção da ética profissional, com ênfase na realidade prática entre 2012 e 2017, à luz do Código de Ética estabelecido pela Resolução CFMV nº 722/2002. Foram consultadas publicações do Diário Oficial da União, disponíveis no site da Imprensa Nacional, referentes a profissionais punidos no período. Identificaram-se 50 médicos-veterinários sancionados. A Censura Pública foi a penalidade mais frequente, aplicada a 40 profissionais (80%). A Suspensão representou a segunda punição mais recorrente, com quatro suspensões de 90 dias, uma de 60 dias, duas de 30 dias e uma de 15 dias. Também ocorreram duas cassações do exercício profissional, as únicas desde a regulamentação da profissão. As infrações se concentraram nos capítulos referentes às responsabilidades e ao comportamento profissional, demonstrando que a maioria das punições decorreu de falhas de conduta ética individual. Assim, reforça-se a importância do cumprimento rigoroso do Código de Ética, que estabelece o propósito da profissão em servir à sociedade com lealdade, diligência e respeito.
Os documentos históricos nos mostram que o processo de ocupação do solo urbano das cidades brasileiras nem sempre se deu de maneira pacífica. No caso da Macapá do final do século XIX e início do XX, não é diferente. Assim, trazendo a análise da questão para o contexto local, o presente artigo propõe um estudo de caso acerca de um terreno, situado na área central da cidade, citado em três documentos do acervo arquivístico do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP). O imóvel foi deixado em testamento (1878) por Phelippe Pedro de Ary a escravizada de nome Lucinda. Pouco tempo após receber seu legado, Lucinda vende o terreno (1881) ao oficial de pedreiro Jerônimo Bernardo da Rosa. Após ocupar a terra de forma mansa, pacífica, por mais de quatro décadas, Jerônimo da Rosa ingressa com uma ação de reconhecimento de propriedade (1925) e vê-se ameaçado pelo próprio estado, que até então não tinha demonstrado interesse algum sobre a área. Neste estudo de caso, partimos da hipótese de que as condições sociais das partes, vendedora (escravizada) e comprador (pedreiro) teriam impactado na decisão judicial da causa: abandonada e sem julgamento do mérito. Mesmo não sendo conclusivo, o artigo contribui para a construção de conhecimento local ao mostrar detalhes das dinâmicas socioespaciais e disputas de poder que desaguavam no Judiciário.
Objetiva-se abordar o conceito Estado e de soberania kantiano e suas implicações quer no que concerne às críticas ao expansionismo dos Estados, quer na sua defesa da paz, enquanto imperativo jurídico, examinando, para tanto, sobretudo, o terceiro e quinto artigo preliminar de À Paz perpétua (1795), e os parágrafos 57 e 58 da Metafísica dos costumes (1797), argumentando que Kant pauta sua exposição em princípios jusfilosóficos a priori, concebendo o Estado e sua soberania, com base no contrato originário, não como uma coisa, mas como uma sociedade de seres humanos, como pessoa moral. O que também fundamenta a recusa às guerras de extermínio e as de subjugação, pois implicariam em aniquilação moral, visto acarretarem na fusão do povo vencido com o vencedor ou em sua escravidão. Procura-se, ademais, deixar claro a contraposição dessa visão do filósofo prussiano aos Tratados de paz que, de um ponto de vista prático, eram frequentemente estabelecidos dadas as exigências das circustâncias e dos interesses em jogo, contudo sem eficácia para promoção de uma paz duradoura. Essa crítica, cumpre demonstrar, que se articula com a postura reformista de Kant, que, por sua vez, acha-se relacionada a sua defesa de um progresso humano em curso, que precisa ser incentivado, considerando sua importância para um melhoramento interno e externo do Estado. Objetiva-se abordar o conceito Estado e de soberania kantiano e suas implicações quer no que concerne às críticas ao expansionismo dos Estados, quer na sua defesa da paz, enquanto imperativo jurídico, examinando, para tanto, sobretudo, o terceiro e quinto artigo preliminar de À Paz perpétua (1795), e os parágrafos 57 e 58 da Metafísica dos costumes (1797), argumentando que Kant pauta sua exposição em princípios jusfilosóficos a priori, concebendo o Estado e sua soberania, com base no contrato originário, não como uma coisa, mas como uma sociedade de seres humanos, como pessoa moral. O que também fundamenta a recusa às guerras de extermínio e as de subjugação, pois implicariam em aniquilação moral, visto acarretarem na fusão do povo vencido com o vencedor ou em sua escravidão. Procura-se, ademais, deixar claro a contraposição dessa visão do filósofo prussiano aos Tratados de paz que, de um ponto de vista prático, eram frequentemente estabelecidos dadas as exigências das circustâncias e dos interesses em jogo, contudo sem eficácia para promoção de uma paz duradoura. Essa crítica, cumpre demonstrar, que se articula com a postura reformista de Kant, que, por sua vez, acha-se relacionada a sua defesa de um progresso humano em curso, que precisa ser incentivado, considerando sua importância para um melhoramento interno e externo do Estado.
O artigo reflete sobre a Amazônia como um espaço simbólico e político em disputa. O objetivo é evidenciar como práticas artísticas, especialmente a arte indígena contemporânea, funcionam como resistência à invisibilidade histórica e à violência estrutural impostas por visões coloniais e capitalistas. A metodologia adotada envolveu revisão bibliográfica e análise qualitativa baseada em relatos de experiência de duas pesquisadoras amazônidas: uma com vivência urbana e outra indígena. A Amazônia é apresentada como periferia do sistema capitalista mundial, frequentemente reduzida a “vazio demográfico” ou “reserva de recursos” por visões externas que reproduzem a colonialidade do poder. Essa lógica gera violências epistemológicas e físicas, desumanizando povos tradicionais e invisibilizando, inclusive, a Amazônia urbana. Diante dessa opressão, a arte surge como instrumento potente de contestação e produção de saberes contra-hegemônicos, afirmando identidades e desafiando estruturas de poder. A arte indígena contemporânea, em especial, constitui um campo de visibilidade, tecendo o ancestral e o atual para denunciar as ameaças ao território e ao futuro. Assim, a arte é compreendida como ato político de afirmação e libertação do “espelho eurocêntrico”.
A presente pesquisa analisa a formação da coleção de mineralogia da antiga Escola de Minas de Ouro Preto atual Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto. Tal análise tem como objetivo de mapear a trajetória da coleção desde a sua entrada até à musealização das amostras. Como percurso metodológico, a pesquisa exploratória levantou informações em repositórios online e nos arquivos da Escola de Minas da UFOP e do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da UFOP. Este estudo buscou responder como o conjunto de minerais presente no Gabinete de Mineralogia contribuiu para a formação de engenheiros de minas no século XIX e início do século XX. Os resultados mostram um trânsito de coleções oriundas de outras instituições nacionais e estrangeiras e seu uso didático mesmo após a sua musealização em 1930.
Este texto pretende defender o interesse e a fecundidade do conceito de populismo para pensarmos alguns aspectos da democracia no século XXI. Faremos isso utilizando a filosofia política de Rousseau como uma espécie de “campo de prova”. Examinaremos, em particular, três temas importantes abordados por Rousseau no Contrato social, que também são relevantes nas discussões contemporâneas em torno do populismo.
Admiradora da obra de Jean-Jacques Rousseau, Olympe de Gouges, em seu texto Le bonheur primitif, retoma alguns dos conceitos fundamentais do pensador genebrino – estado de natureza, progresso, liberdade, desigualdade, teatro, mulheres. O objetivo deste artigo é analisar como essa influência foi fundamental para a concepção da autora sobre a possibilidade do progresso humano e sua relação com a igualdade de gênero, mediada pela educação como emulação e expressa pelo teatro.
Este artigo examina a obra inacabada de Louise-Marie-Madeleine Dupin (1706-1799), conhecida como Ouvrage sur les femmes, e as condições de sua invisibilidade na história da filosofia. Por meio da análise do inventário elaborado por Anicet Sénéchal (1963), da atuação de Jean-Jacques Rousseau como seu secretário, e da fortuna crítica contemporânea (Marty, 2021; Hunter, 2009; Lastičová, 2023), argumenta-se que a recepção dos manuscritos foi marcada por um viés de gênero que privilegiou a letra masculina como critério de autoridade. A metáfora da construção da desigualdade, presente nos escritos de Dupin, e sua crítica a Montesquieu, revelam uma filosofia que antecipa debates centrais da modernidade política, ao mesmo tempo em que foi silenciada pelo cânone. Conclui-se que reencontrar Dupin é interrogar não apenas sua filosofia, mas os próprios mecanismos históricos de exclusão na constituição da filosofia moderna.
O sobrenome Rousseau não era tão incomum no século XVIII, mas é invariavelmente ligado ao filósofo genebrino Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), cuja produção em vários campos, como na música, na política, na literatura e na educação, suscitou polêmicas por seu posicionamento inovador e, em muitos aspectos, distinto de seus colegas iluministas e demais intelectuais de seu tempo. Seu tratado educacional Emílio ou da Educação, publicado pela primeira vez em 1762, fez sucesso, mas foi condenado pelas autoridades por apresentar uma nova perspectiva para a formação humana. Inegavelmente, seu romance pedagógico fez história e influenciou uma corrente de pedagogos que desenvolveram o que foi chamado de Escola Ativa ou Escola Nova. Entretanto, a assinatura Rousseau também pertenceu a outra importante figura do século XVIII que, igualmente, provocou polêmica ao apresentar um tratado de educação com o título: A Aia Vigilante, publicado em 1767. Trata-se da francesa Joanna Rousseau de Villeneuve, da qual não se tem muitas informações, mas que residiu em Portugal e atuou como aia dos filhos do Conde de Oeiras, o qual se tornou depois o Marquês de Pombal. Nesse aspecto, algumas questões foram levantadas: qual a relação entre os dois autores? Qual a influência que teve Jean-Jacques Rousseau sobre o pensamento e a obra de Joana Rousseau de Villeneuve? Quais as proximidades e diferenças entre os dois tratados? E qual a importância de A Aia Vigilante para a educação moderna? Para tentar responder a essas questões, a presente apresentação oral resume o processo de investigação, vinculado ao projeto de pesquisa “Os filhos de Rousseau (os não abandonados): A influência de Jean-Jacques Rousseau na Educação Nova”, do PPGE/FE/UFG. A pesquisa se desenvolve de modo comparativo entre as duas obras, utilizando-se do método hermenêutico, reforçado pela pesquisa bibliográfica de textos dos comentadores e intérpretes de ambos. Sinalizam-se algumas conclusões, como a de que, mesmo influenciada pelo genebrino, a educadora francesa não inovou tanto, embora tenha causado polêmica em seu tempo, mas mais por sua condição de mulher que por suas afirmações.
Este artigo objetiva uma reflexão teórica sobre justiça climática, racismo ambiental e direitos linguísticos e culturais na Amazônia. O trabalho analisa a vulnerabilidade e a resiliência de comunidades indígenas no Oiapoque e populações urbanas periféricas em Macapá, destacando como as desigualdades socioambientais e culturais impactam ambos os grupos. A pesquisa expõe que a preservação da língua, o cuidado com o território e o direito à consulta são pilares da justiça cultural e ambiental, e que as comunidades desenvolvem estratégias de resistência baseadas em sua cultura e conhecimentos ancestrais frente à exploração e a omissão do Estado.
Este trabalho apresenta as contribuições e a importância em trabalhar com a temática da História Regional em sala de aula, com os alunos do Ensino Fundamental anos finais, em uma escola do campo no município de Caroebe, Estado de Roraima. Para melhor compreensão sobre a temática em questão, foi realizado um estudo bibliográfico para apresentar como o ensino de História Regional foi se desenvolvendo e também foi feita uma análise da proposta pedagógica de uma docente de História em uma escola do campo. Apesar dos resultados positivos e conquistas em relação ao ensino da História Regional, o estudo chegou à conclusão de que ainda precisa de mais atenção e materiais voltados para o ensino da diversidade de cada região, que possibilitem aos jovens reconhecerem suas culturas e as características locais. Logo, o trabalho aponta como resultados a necessidade destinada ao professor de repassar aos estudantes um pouco da sua realidade para que tenham conhecimento sobre o seu Estado e uma identificação maior com a disciplina de História.
Este artigo apresenta uma reflexão acerca da atuação das mulheres no Marabaixo, manifestação cultural afro-amazônida do Estado do Amapá. A presente pesquisa trata-se de uma pesquisa qualitativa, a qual baseia-se em trabalho de campo com coleta de dados primários e revisão bibliográfica. A manifestação cultural afro-amapaense do Marabaixo representa tanto uma forma de expressão artística, cultural, econômica, política e religiosa, quanto um espaço de resistência, identidade e memória coletiva amazônida. O Ciclo do Marabaixo traz consigo um momento de reflexão, ancestralidade, comunicação, envolvimento e troca de saberes multiculturais no contexto socio-reflexivo da manifestação cultural, com os próprios protagonistas da ação de seus saberes tradicionais repassados de geração em geração, mantendo vivas suas memórias. Os resultados da pesquisa indicam que as mulheres ocupam papéis essenciais no Marabaixo, sendo responsáveis por grande parte da estrutura simbólica, religiosa e comunitária da manifestação. A atuação feminina revela- se não apenas como continuidade da tradição, mas também como força ativa de resistência cultural e política frente aos processos históricos de invisibilização e às transformações urbanas que impactam diretamente os territórios negros e periféricos.
Esta comunicação faz uma análise da presença de ideias iluministas na obra do dramaturgo português do século XVIII Manuel de Figueiredo (1725-1801), tendo como referências as obras teatrais escritas por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778); é uma busca dos desdobramentos teatrais do movimento das Luzes na cultura de Portugal setecentista. As dramaturgias e os escritos teatrais de Rousseau, podem bem ilustrar as discussões teatrais dos philosophes do XVIII que apontavam para um novo teatro, com novas propostas para a dramaturgia e para a própria cena. A vasta obra de Manuel de Figueiredo, consagrada ao teatro – mas tão pouco representada e conhecida - traz elementos de um Portugal que, depois do terremoto lisboeta, se abre para o Movimento das Luzes. Os palcos do teatro foram o espaço público privilegiado para as discussões mais acirradas e os mais famosos embates de ideias acerca dos vários temas que tanto mobilizavam os pensamentos inquietos e curiosos do Iluminismo. O interesse apaixonado pelo teatro francês tem raízes antigas e expressava-se tanto nas praças públicas quanto nos salões dos palácios e ainda nas ricas residências da burguesia ascendente do século XVIII. Não só a França, mas toda a Europa vivia as transformações gerais que as Luzes reivindicavam. Portugal, na primeira metade do século das Luzes, não tinha respirado ainda aqueles novos ares, mas a partir da segunda metade do século XVIII, também viveu a força de todo aquele movimento, exemplificada aqui nesta comunicação, na obra de Manuel de Figueiredo Já desde a citação, extraída do poeta romano Horácio, que abre o primeiro de treze volumes dedicados ao teatro na extensa obra de Manuel de Figueiredo (“O imitatores sevum pecus” – imitadores, rebanho de servos), é perceptível a preocupação do dramaturgo com temas estéticos discutidos no Iluminismo, como a imitação, a verossimilhança e suas implicações. Mesmo sendo um texto curto, o Prólogo do autor português faz como que uma síntese das questões discutidas por Rousseau na sua Carta a d’Alembert sobre os espetáculos.
Propõe-se questionar, de forma provocativa, a compreensão superficial de que referir-se a “infâncias” no plural seria antagônico ou equivocado perante o método histórico-dialético — especialmente em áreas do conhecimento que pouco dialogam com os estudos da linguagem. Parto dos seguintes questionamentos: I) Quais os impactos de uma compreensão fixa, restrita e singular das palavras nas políticas públicas e na vida social? II) Quais as consequências de uma leitura limitada da infância, ancorada na ideia de sujeito universal, para a proteção de crianças e adolescentes com corpos e territórios subalternizados? Revisito teóricos da análise do discurso inspirados no pensamento marxiano e, na mesma direção, recorro a intelectuais marxistas da diáspora africana para pensar a linguagem como matéria política, ideológica e racializada. Nomear e dar visibilidade à pluralidade não é apenas reconhecer a diversidade — é insurgir contra as violências coloniais, afirmando existências que não cabem em palavras hegemônicas, universais e nem no singular.
James Harrington e Jean-Jacques Rousseau, pensadores republicanos modernos vinculados respectivamente as matrizes inglesa e francesa, apesar de terem produzidos seus pensamentos em conjunturas distintas, possuem um notório ponto de convergência: elaboraram projetos constitucionais de intervenção política. Por um lado, Harrington elaborou o projeto Oceana presente em sua obra The Commonwealth of Oceana (1656) direcionado a Inglaterra sob o Protetorado de Oliver Cromwell, e, Rousseau, por outro lado, atendendo à solicitação de Pasquale Paoli, concebeu um Projeto de constituição para a Córsega (1765). Considerando os vínculos de Harrington e Rousseau com o republicanismo e o ponto de convergência destacado, no presente artigo, pretendo analisar alguns aspectos republicanos presentes nos referidos projetos políticos e provavelmente correlacioná-los. Ambiciona-se, dessa forma, suscitar uma discussão e quiçá promover uma reflexão em torno do tema proposto.
Este artigo se propõe a fazer um estudo comparativo entre as Comunidades Tradicionais do Igarapé do Lago e Água Branca do Cajari, destacando as práticas sustentáveis utilizadas por essas populações estabelecidas na Amazônia, revelando suas lutas e desafios para manterem seu modo tradicional de vida frente ao avanço dos projetos geopolíticos capitalistas sobre a região. O objetivo desse estudo foi investigar e comparar as práticas sustentáveis utilizadas pelas duas comunidades na perspectiva da sobrevivência e preservação ambiental. Utilizou-se como metodologia a pesquisa qualitativa e descritiva com levantamentos dos dados obtidos através do método bibliográfico. A pesquisa revelou a existência de semelhança entre o modo de vida e produção das duas Comunidades, no que concerne a aplicação de saberes tradicionais e o uso de práticas sustentáveis de baixo impacto ambiental, no que pese os desafios enfrentados. Logo, urge a adoção de soluções que combinem a exploração sustentável da biodiversidade amazônica com a preservação ambiental e o modo de vida desses povos tradicionais.
O presente artigo é parte do relatório final de uma pesquisa realizada em 2024 para obtenção do título de Mestre, apresentada ao Programa de Pós-graduação Mestrado Profissional em Ensino de História e propõe uma discussão sobre o desenvolvimento do campo de pesquisa das religiões de matriz africana numa perspectiva nacional, regional e local. Como metodologia utilizamos a revisão bibliográfica, onde analisamos as obras de africanistas proeminentes e pesquisadores locais e concluímos que o interesse pela pesquisa no campo das religiões de matriz africana na Amazônia, em especial o Candomblé despertou o interesse dos pesquisadores da região apenas nos primeiros anos do século XXI e que ainda há muitos aspectos relacionados a formação do campo de pesquisa afro-religioso na Amazônia carentes de serem pesquisados.
Este artigo investiga o papel dos sentimentos de amor de si, piedade e amor-próprio no Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, de Jean-Jacques Rousseau. O objetivo é explicitar como tais sentimentos contribuem para a compreensão da passagem do estado de natureza ao estado civil e em que medida podem servir como freio moral à degeneração do homem em sociedade. Parte-se da análise do estado de natureza, no qual predominam o amor de si e a piedade como princípios de autoconservação e de solidariedade espontânea. Em seguida, aborda-se a Idade de Ouro, estágio intermediário no qual o surgimento da linguagem, da vida em comunidade e dos primeiros vínculos afetivos conduz ao aparecimento do amor-próprio. Por fim, examina-se o estado civil, marcado pelo fortalecimento do amor-próprio e pelo enfraquecimento do amor de si e da piedade, dando origem à vaidade, à rivalidade e à desigualdade. A pesquisa sustenta que, ainda que não haja retorno ao estado natural, os sentimentos de amor de si e de piedade permanecem como possíveis reguladores éticos da vida social, oferecendo alternativas para resistir à lógica da aparência, da competição e do narcisismo contemporâneos. Assim, destaca-se a atualidade da crítica rousseauniana e a necessidade de refletir sobre a educação e cultivo dos sentimentos como caminhos para uma convivência menos desigual e mais solidária.
É praxe a revolução operacionalizada por Rousseau na educação moderna, mais especificamente na educação da criança. Tal revolução ficou conhecida como "revolução copernicana", por referência a Nicolau Copérnico (1473-1543), que, no século XVI mudou a teoria geocêntrica para teoria do heliocentrismo, com o sol figurando como o centro do universo e os planetas girando ao seu redor. Análogo a isso, Rousseau, faz algo parecido na educação, pois, ao invés do conteúdo ou do mestre, o mais importante na educação passa a ser a criança. Com isso, o filósofo de Genebra radicalizou a maneira de se pensar a criança e sua educação; como deveria aprender. Assim, o presente trabalho objetiva explorar a educação negativa como sendo um dos aspectos da "revolução copernicana" no pensamento de genebrino. O projeto educativo de Rousseau, calcado na educação negativa como sendo o pilar do livro Emílio ou Da Educação, descreve que a educação adota princípios e tende à finalidade de formar um ser humano humanizado pela educação da natureza, também caracterizada por educação negativa, forjada principalmente entre os dois e doze anos de idade. A metodologia adotada na elaboração dessa pesquisa é bibliográfica com ênfase na análise e interpretação das ideias educativas, em que serão consultadas a obra supracitada e outros autores que tratem da educação e da educação negativa em Rousseau. Concluindo-se que a educação negativa como um preceito da educação para a criança empreendida desde o nascimento do Emílio pretende-se a um grau mais elevado que é favorecer o florescimento da criança ao invés de se exigir que ela responda por questões morais, sociais e culturais antes da denominada idade da razão.